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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pequeno Circuito No Alentejo

Via
Ainda continuamos a descobrir o Alentejo. Esta região de Portugal dá-me sede,  tenho permanentemente de me refrescar com bebidas frescas e gelados; certamente devido à paisagem, aquelas longas extensões planas e amarelas, com as ondas de calor a ondular no horizonte.
Estas ocasiões só servem para confirmar a minha natureza de Minhota. No entanto, o Alentejo também me provoca sede de conhecimento; tenho vontade de o descobrir cada vez mais. Portanto, prevejo que essa descoberta há-de continuar por muito tempo. Já temos em mente alguns locais  fascinantes.

Tínhamos visitado Portalegre umas duas vezes, no entanto, nunca tínhamos ido ao Mercado, sendo para mim um dos locais que eu mais gosto de visitar em qualquer terra. No 1º andar, tomamos o pequeno-almoço, com excelentes Farturas, ou como lá lhes chamam, Massa Frita, sendo que para nós, grandes apreciadores deste doce de festas e romarias, temos altos padrões de exigência. Crocantes e secas, como gostamos.

No rés-do-chão encontramos os comerciantes, sendo alguns deles agricultores. A alegria do 1º andar deu lugar a uma tristeza enorme, ao ver aquele local óptimo tão mal ocupado e quase sem clientes. Enquanto a afluência ao piso superior era intensa.
Causa-me estranheza que havendo um mercado onde se vendem produtos de agricultores locais, frescos e saborosos, não exista a procura merecida. Preferem os supermercados, onde a fruta é toda igual e brilhante, carregada de pesticidas e sem sabor. E mais cara!
Comprei avelãs caseiras, um ramos de ervas medicinais e oregãos. Entretanto os agricultores, quase todos já idosos, arrumaram o que não venderam para levar para casa. Fazem o que fazem por teimosia. Porque trabalharam a terra toda a vida. Não é pelo lucro com certeza. Fez-me doer a alma.



Vila Viçosa também já era conhecida nossa, contudo não tínhamos ainda visitado o Palácio Ducal, apesar de por duas vezes ter estado na nossa mira. Mas valeu a espera, é um palácio muito interessante e lindíssimo. Tem cerca de 500 anos, dos mais antigos e bem conservados da Europa, e tem um acervo vastíssimo e rico, muito bem preservado. Pertence à Fundação Casa de Bragança, que não recebe qualquer subsídio do Estado, pelo contrário, ainda paga impostos.
O Castelo também merece a visita, tem um Museu de Caça muito bom; confesso que a parte dos animais empalhados não é propriamente ao meu gosto, porém os artefactos romanos  são significativos, e esses sim, são muito do meu agrado.

Painéis de azulejos na Sociedade Recreativa de Estremoz

Estremoz tem uma longa e interessante História, estando frequentemente relacionada à História da nação.
Passeamos pelo centro, admiramos o Café Águias de Ouro, com a sua fachada singular, e outros edifícios interessantes. Entramos para beber uma água no Hotel Pátio dos Solares, onde foi gravada a novela Belmonte, segundo nos disseram; e tive ainda o privilégio de observar os belíssimos painéis pertencentes à Antiga Igreja da Misericórdia de Estremoz, actualmente, uma sociedade recreativa. Parece que foram descobertos há poucos anos, aquando de um restauro da Sociedade. A igreja é anterior a 1502, e imagino que tenha sido confiscada pelo Estado no séc.XIX, como outros bens da igreja, e assim tenha chegado à sua actual função.
Foi graças a uma filha da terra que tive esta oportunidade, pois estas dicas não vêm nos Livros de Viagens. Se passarem por lá, peçam que vos mostrem os Painéis, são pessoas muito simpáticas. 

Caracóis e cerveja, na Casa das Bifanas,  Estremoz

Para um lanche ajantarado, Caracóis e Pica-Pau, como manda a tradição da terra. Eu fiquei-me pelo Pica-Pau; Caracóis... só nas ilustrações dos livros!

Dias de Verão com História, aos quais juntamos as nossas estórias, sempre bem acompanhados. Perfeito. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pequeno Circuito Por Terras Históricas


Gosto de terras com História, e gosto ainda mais quando são pequenas localidades, como aldeias e vilas. Têm outro encanto, outra energia, mas, infelizmente, na maior parte das vezes também possuem uma certa tristeza. A vida tão vibrante de outrora deu lugar a uma quietude que me parece sempre injusta e inapropriada. No entanto, passear através do tempo é a viagem que nos proporcionam, e suponho que esse tipo de passeio nos causa, inevitavelmente, uma certa nostalgia.

Sortelha - Esta freguesia fica localizada no concelho do Sabugal. Foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855, tendo em 1849,  6022 habitantes. Hoje é considerada uma das aldeias históricas de Portugal e possui apenas 2 habitantes. É uma aldeia granítica, rodeada por uma muralha do Sec. XIII, que conseguiu preservar o seu aspecto até aos nossos dias; possui castelo, sepulturas medievais, pelourinho Manuelino, igreja renascentista, e casas encantadoras que são habitadas apenas aos fins-de-semana pelos seus proprietários, ou estão reservadas ao Turismo, ou ainda, tristemente abandonadas.
Passear pelas ruas empedradas, debaixo da sombra das casas centenárias revelou-se um passeio quase perfeito. E este quase deve-se à falta das pessoas; faltam os habitantes que costumam dar alma às terras. É muito triste, mas é assim o interior de Portugal.


Belmonte - Pertence ao distrito de Castelo Branco e tem cerca de 3 200 habitantes. Recebeu foral de D.Sancho I em 1199. O grande ilustre filho da terra, é o navegador Pedro Alvares Cabral.
A comunidade judaica que aqui permaneceu desde o Sec.XVI, fugindo de Espanha e da Inquisição, fechou-se de tal forma ao Mundo que viveu totalmente isolada em Belmonte até aos anos 70, quando finalmente estabeleceram contacto com os judeus de Israel, e oficializaram o judaismo como sua religião.
Por coincidência, visitamos a Vila durante a Feira Medieval, que estava repleta de turistas por ela traídos, e alguns do nosso grupo tiveram ainda o privilégio de serem filmados, para a reportagem da RTP1. Como a Letícia, que obviamente achou imensa graça. Curiosidades das férias.


Monsanto - Localizada em Idanha-a-Nova, tinha em 2011, 829 habitantes. É considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal, epiteto que infelizmente não consegui esclarecer, restando-me especular.
Habitada desde o Paleolítico, apresenta sinais da permanencia de Romanos, Visigodos e Árabes, sendo estes últimos derrotados por D. Afonso Henriques, que doou o lugar de Monsanto à Ordem dos Templários. Ao longo dos séculos foi atacada por diversas vezes, reconstruída e repovoada.
O  escritor e médico Fernando Namora foi o seu habitante mais conhecido, estando a sua casa sinalizada As casas em granito situam-se no alto do monte, abrangendo uma paisagem distante e deslumbrante. Muitas casas estão abandonadas e em ruínas, outras fechadas grande parte do ano, e as restantes habitadas por um número que me parece bastante inferior ao indicado em 2011. Sente-se, porém, que a aldeia é habitada, há ruídos, luzes e vozes de quem lá vive.

Assistir ao por-do-sol no topo de Monsanto, e jantar no terraço de um pequeno restaurante foi algo que apreciamos como se de um luxo raro se tratasse. Uma daquelas noites de Verão maravilhosas, que nos deixam saudades por muito tempo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Pequenos Percursos de Passeio no Minho



Uma  amiga, que me contava sobre uma tarde maravilhosa que tivera a poucos kms de casa, dizia em jeito de conclusão: - Não vale a pena viajar para  longe, quando temos praias fabulosas, monumentos lindíssimos e antigos, em Portugal!

De facto temos tudo isso, tanto para visitar e conhecer, seja de férias, fim-de-semana ou apenas um dia. A oferta é tão extensa e diversificada que o difícil é escolher; mas também não podemos deixar ao acaso como se assim obtivéssemos a combinação perfeita em slots online!
Este foi o trajecto vencedor:  Ponte da Barca - Arcos de Valdevez- Monção - Caminha.
Em meados de Agosto apanhamos festas e romarias em todo o Minho, e foi o que aconteceu, o que tornou o passeio ainda mais colorido e inesperado.

Ponte da Barca é uma vila muito antiga, cuja toponímia deve à barca que aqui existia para transportar as pessoas de uma margem do Rio Lima, à outra. A ponte  foi construída no Séc.XIV por D.Pedro. Era aqui que os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela atravessavam.
A vila tem o encanto das povoações medievais minhotas, belas casas com brasões e uma igreja paroquial barroca, do séc.XVII, que por sorte abriu para um baptizado, e conseguimos visitar.

Andores primorosamente decorados com flores verdadeiras

Arcos de Valdevez  Esta vila minhota recebeu foral em 1515; é atravessada pelo rio Vez, com vários monumentos de interesse como a igreja da Lapa, a igreja do Espírito Santo, considerada uma das jóias do Barroco nacional, o Pelourinho, e algumas casas brasonadas, distribuídas pelas suas ruas estreitas de granito, que calcorreamos alegremente. 
Nos arredores ( aproximadamente 20 kms) temos os espigueiros do Soajo, um conjunto de 24, datando o mais antigo de 1784, ainda hoje utilizados pelos habitantes.



Monção - Antiga vila muralhada, como convém a localidade raiana, possui muralhas e castelo muito bem preservados, datando do séc. XI ou XII, conforme alguns estudiosos. Das muralhas temos amplo panorama  para o Rio Minho e Espanha.
O nome Deu-lá-Deu Martins surgia-nos com regularidade pela vila, até que finalmente entendemos ter sido esposa do alcaide, que no séc.XIV, durante as guerras fernandinas teve a ideia de atirar das muralhas, aos soldados espanhóis, todo o pão da cidade, levando-os a levantar cerco. A sua astúcia valeu-lhe a homenagem que ainda hoje lhe rendem os monçanenses.

À  primeira vista tive a sensação de estar perante a Downton Abbey
Próximo da vila, podemos visitar o belíssimo Palácio da Brejoeira, fundação privada, onde a actual proprietária ainda reside.
Construção do inicio do séc. XIX, em estilo neoclássico, é monumento nacional desde 1910. Foi oferecido à sua actual proprietária, pelo seu pai Francisco Oliveira Paes, pelo seu 18º aniversário. A partir de 1970 foi fundada uma adega que naturalmente produz vinho Alvarinho, o famoso "Palácio da Brejoeira".
A visita inclui palácio, capela (- com o característico triângulo maçónico, um doce para quem descobrir onde! ), teatro e jardins. 


Caminha - O rio Minho desagua nesta vila, proporcionando praias de água salobra e menos frias. Como o dia estava cinzento, passeamos apenas. Daqui pode atravessar-se para a Galiza ( pessoas e automóveis), através dos barcos.
A vila tem muralhas seiscentistas ( de onde podemos contemplar o panorama diversificado ( vila, mar, rio e Espanha), um centro com vários monumentos de valor, como a Torre do Relógio, casas solarengas, igreja da Misericórdia, etc. E ao redor muito mais ainda para descobrir e admirar.

Este périplo foi todo feito pela estrada nacional, o que nos proporcionou paisagens verdes e frescas, com vistas para rios, riachos e fontes que surgiam a cada passo. É o Minho, em todo o seu esplendor! 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cruzeiro no Reno


Nós simplesmente adoramos a Alemanha, e quando cá voltamos, e conhecemos mais um pouco deste belíssimo país ficamos ainda mais apaixonados. Desde as casas, com as suas janelas floridas às cidades, com os seus edifícios antigos de 600 anos, nos deixam a impressão de que toda a vida teremos algo para descobrir e admirar neste país.
É impressionante a vida do rio Reno; a quantidade de pequenos e grandes barcos, de passageiros e mercadorias, nacionais e estrangeiros e subir e descer o Reno, é algo realmente extraordinário. Tanto, que este rio é conhecido como "Pai Reno", pela ideia de provedor que a figura paterna dá.

Perto de Mainz, existe uma pequena cidade onde se passa um dia inesquecível - Rudesheim- Vou dar as dicas:  primeiro passear pela cidade para nos ambientarmos e tirarmos fotos. Depois entrar na Kathe Wohlfahrt, loja que tem decoração de Natal todo o ano. Objectos em madeira, feitos à mão, Made in Germany ( não vamos falar de preços, ok?), podemos só ver. Se resistirmos.  De seguida compram-se os bilhetes para o teleférico, onde vamos dois a dois. Saímos lá em cima, na floresta e vamos admirar a gigantesca estátua da Germania. Fazemos um trilho, pelo meio da floresta, durante cerca de uma hora, na qual vamos admirando a paisagem sobre o Reno e tirando fotos. Paramos para fazer um piquenique ao almoço: salada de batata, salsichas e pão. Delicioso!

Tomamos café ( tão diferente do nosso, mas vale pelo sítio), no Hotel. Vamos fazer festinhas aos veados e tirar mais fotos.

Descemos no outro teleférico, junto ao Hotel, muito mais interessante, pela descida acentuada e cadeira menos protegida e chegamos a Assmannshausen.

Apanhamos o barco, para fazer um pequeno cruzeiro, de cerca de uma hora, no Reno, no caminho inverso e voltarmos ao ponto de partida, pelo rio. Vamos admirando a paisagem, tirando fotos e descobrindo os castelos.

Entre Mainz e Koblenz, em cerca de 70 kms de distancia, há entre 60 a 70 castelos, numa média de castelo por km. Uns em ruínas, outros habitados, como o Rheinstein, o castelo romântico, que visitamos, cujos últimos proprietários aí viveram durante 30 anos e só recentemente o deixaram.
Impressionante, não?!

Ah, não esquecer: fazer acompanhar-se por amigos alemães, esses que tornaram o dia verdadeiramente inesquecível!

Até breve!

Nota: Chegamos a casa ontem à noite, e ainda só tive tempo para ler os comentários; re-publiquei este post, pois tinha sido apagado  ( a Marisa chamou-me à atenção) por engano. Vir aqui durante as férias foi um pouco complicado, mas queria muito partilhar as minhas impressões.
Até breve e obrigada por me acompanharem ;)

sábado, 14 de agosto de 2010

Familie Binzel: um segredo revelado!

Imaginar-me viajar para um país e ficar num hotel, ou resort, onde nem precisasse de sair porque tinha tudo ali, muitas vezes sem sequer necessitar falar outra língua, e ouvir apenas falar a nossa língua por outros hóspedes, dá-me vontade de desatar a fugir. Gostos são gostos.

Os meus compatriotas que me perdoem, porém em época de férias necessito de férias até da língua portuguesa. Portanto, poder falar três línguas nestas férias, a um ponto em que já só pensava em inglês, foi muito bom. Novamente, gostos são gostos.

Penso que já disse aqui antes que um dos pontos altos das nossas viagens são os encontros com familiares e amigos.

Para além de passar tempo com pessoas que nos são muito queridas, são eles que nos colocam nas pistas do que há a ver, visitar e comer, fora das rotas turísticas. E esses são sempre os nossos momentos preferidos.

Na véspera de partirmos de Mainz, os nossos amigos alemães, levaram-nos a jantar a um sítio muito especial e típico. Durante o verão, os produtores de vinho têm uma licença especial para transformarem as suas casas em restaurantes sazonais. Aí servem comida tradicional caseira e os vinhos que produzem, podendo assim vender os seus vinhos directamente.

Neste caso estivemos algures num aldeia, na casa da Familie Binzel, em Hanheim, Christiansof frequentada apenas por alemães e cuja localização somente o GPS lhe dará. Fica a cerca de 40 kms de Mainz. Se planeia vir a esta cidade, no verão, guarde cuidadosamente esta dica, que é preciosa.

Já agora outra: eu bebi um vinho tinto maravilhoso, curiosamente chama-se spatburgunder-portugieser rosée. Siga o meu conselho;)

Até breve!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sim, Praga é linda. Mas prefiro a Checoslováquia

-Praga é uma cidade linda, Praga é linda, Praga é uma cidade excepcional, blá, blá, blá blá….Foi sempre isto o que ouvi de toda a gente, e então o que acontece? Que Praga ficou um pouco aquém das minhas expectativas. Não que não seja uma cidade linda, e que não mereça ser visitada, porque merece. E é linda.  Mas porque ouvi tantos elogios inconscientemente imaginei algo maior. E também porque já vi outras cidades realmente extraordinárias.

Praga é conhecida pela “Paris de Leste”, talvez pelas pontes sobre o rio Moldava, e pela cidade das Torres, sim são muitas e bastante antigas. Para um país ex-comunista possui imensos monumentos centenários e muito bem conservados. Porém, este é mais um caso, em que eu prefiro o país à capital.

Dicas…se vai a Praga não deixe de visitar outras cidades pequenas, mas lindas, património da Humanidade como Tecl (pronuncia-se Telche) e Trevic ( Trebiche). Pela estrada nacional vai percorrer campos cultivados, ver alminhas no meio de nenhures, e descobrir aldeias 100% rurais - a verdadeira República Checa.

Experimente a gastronomia, deliciosamente temperada com ervas aromáticas, mas evite os restaurantes dos pontos turísticos (pagamos o mesmo gelado de 10 a 80 coroas) e procure os restaurantes frequentados pelos locais.

Beba cerveja checa todos os dias; saborosa e fresca por todo o lado. Aconselho muito Bernard e Lobkowicz.

Quer um apartamento bem localizado? Jecna residence, é o sítio; cinco estrelas, em todos os aspectos.

De tudo o que vi e ouvi em Praga, do que mais gostei? Do concerto no Národí Muzeum (Museu Nacional); o reportório era popular (Vivaldi, Bach, Mozart e o grande compositor checo Dvorák, claro), e eu adorei. Naquele momento voltei a acreditar na humanidade e que o Mundo ainda podia ser um lugar bom para viver.
Portanto, não perca, um concerto em Praga, para viver momentos de pura magia. Há todos os dias, em vários locais históricos.

Até breve!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Passeando em Lyon

Lembram-se de eu ter comentado aqui que nunca tinha comido sushi, porque me fazia imensa impressão o peixe cru? E lembram-se de eu ter colocado isso na minha lista de coisas a fazer em 2010?Ah, pois não, eu nem fiz essa lista!

Bem, seja como for, fomos a um restaurante japonês, aqui em Lyon, a segunda maior cidade de França; porque não uma brasserie? Porque este estava ali mesmo, no momento certo e depois esta  é somente a primeira parte da nossa estadia aqui.

Gostei de ter experimentado, daquelas coisas que devemos, uma vez na vida :)
Chama-se Okawa e fica na Place Carnot, perto da Place Bellecour, mesmo no centro da cidade. Diz quem aprecia que a relação qualidade-preço é óptima.

Depois passeamo-nos pela Vieux Lyon, entramos na Igreja de St.Jean e admiramos o famoso e belíssimo relógio astronómico, cuja existência vem mencionada em manuscritos de 1383, portanto, antiquíssimo e os lindos vitrais que rodeiam a igreja.


Não perdemos nunca ( nem as crianças permitem!) a loja “Les jouets de anges”, onde graúdos e miúdos se encantam com os brinquedos em madeira, uma loja diferente do habitual, para todas as bolsas.

E a loja interior medieval Mandragore, onde podemos ver réplicas de jóias, vestuário e armas da idade Média. As crianças acham montes de piada.

As pastelarias daqui são um regalo para os olhos, porém, apesar disso ninguém tinha apetite para um gateau ou macaron.O sushi saciou-nos realmente! Noutro dia, certamente.

Lembrete: postais na caixa do correio, ainda a tempo!

 A bientôt!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Férias em Londres (com crianças)


 Natural History Museum

Não pretendo fazer um relatório das nossas férias, com certeza cansativo e nada original, para quem conhece Londres, porém gostaria de partilhar a versão “férias em Londres para crianças”. Continuamos adeptos de férias em família, conscientes que férias nas metrópoles podem ser cansativas para as crianças, porém convictos que estas experiências nos soldam mais ainda enquanto membros da família e alargam imenso os horizontes dos pequenos.

Vivendo numa pequena localidade o único transporte que as crianças utilizam é o carro, portanto a diversidade de transportes que utilizamos nestas férias, foi por si só um acontecimento excitante: avião, táxi, metro, comboio e autocarro: de dois andares! Suponho que as crianças já aprenderam a valorizar estas pequenas coisas, tal como eu, que as fazem felizes!

Não direi que museus sejam todos interessantes para os mais pequenos, os meus adoraram o Museu da História Natural (duas vezes, tivemos que lá voltar, felizmente a entrada nos museus é grátis!) e da Ciência; só lá estávamos como acompanhantes, porém nos restantes museus coube-nos a nós torná-los interessantes. É fácil, basta contar histórias da História, para que fiquem motivados; observando uma máscara diabólica, acoplada a um capacete de guerra, da Idade Média, conversamos sobre o porquê de tal máscara, que seria para assustar o inimigo, ainda antes da batalha começar. De resto, todas as pinturas e esculturas clássicas, recriando figuras da religião e mitologia fornecem histórias fascinantes que qualquer criança terá interesse em ouvir.

Em Hampton Court tivemos oportunidade de ver, ao longo do dia, a recriação do dia de casamento de Henrique VIII com a sua última esposa, Katherine Parr; a história inusitada deste rei (que mandou decapitar 2 mulheres e casou 6 vezes) fascinou os pequenos, que ávidos em detalhes da sua história, me repetiam constantemente: mãe, estou à espera! Sempre que eu parava de falar, para ler alguma legenda ou observar detalhadamente algum objecto.

Enfim, banhos de cultura e multidão em vez de banhos de sol e de mar podem ser muito cansativos, mas intelectualmente revigorantes. É decididamente o caso!

É bom estar aqui novamente. Tenha uma óptima semana!

Adenda: Se procura informação mais turística, veja no Londres para principiantes. Muito bom!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Et vive la France! ( parte III)



Regressamos à nossa base francesa, a casa do meu primo em Lyon; daí visitamos Genebra, na Suíça, cidade que me deixou algo indiferente. Não vimos monumentos grandiosos como em Viena, nem belos como em Salzburg, nem sequer a natureza nos impressionou como na Alemanha. Estacionamos logo em frente ao relojoeiro Frank Muller, entrando directamente na rua das casas de alta-costura, lojas fechadas, com segurança no interior, que só abre a porta quando a cliente toca a campainha, depois de lhe lançar um olhar perscrutador. De quando em quando surgia um banco; alguns privados, daqueles que não estão abertos ao comum dos mortais. Nessa rua vi algumas mulheres árabes, com motorista à porta das lojas. Só elas, tapadas por lenços até aos olhos, com gabardinas ou vestidos largos e compridos, levavam os sacos com os logótipos da Louis Vitton, Lanvin, etc. Na hora pensei: não posso permitir-me entrar numa loja destas para fazer compras, mas ainda assim prefiro a liberdade de vestir um top!
Uma rua acima encontrei todas as lojas que conheço, frequento e onde posso comprar, mas não entrei! No estrangeiro não perco tempo em lojas que também existem em Portugal, porém entrei numa perfumaria para comprar um perfume que procurava há algum tempo. A Suiça é um país curioso, moderno e auto-suficiente,( neste momento fazem uma forte campanha publicitária de incentivo ao agricultor) fornecendo ao mundo uma panóplia de produtos, desde fármacos,chocolates, etc aos famosos relógios. Recusam a entrada na Comunidade Europeia, enquanto ao mesmo tempo lhe piscam um olho, como quem diz: não queremos entrar, mas podemos sempre ser amigos!

De seguida, visitamos Annecy,em França, uma linda cidade antiga, com um lago enorme ( 1km de largura x 14 de comprimento)quase encostado à montanha. O coração da cidade é uma bonita zona de canais por onde o Thiou flui desde o lago. É famosa a imagem do Palais d’Isle, do sec.XII, no meio do rio e posso confirmar que a sua fama é justificada. Em Annecy comemos um gelado delicioso, mistura de gelado de frutas com frutos vermelhos, numa enorme taça, confeccionado por um maître glacier! É preciso que se diga que os franceses têm este hábito de se anunciarem como maître: maître bolanger, maître parfumeur, maître couturier…, mas que dá um certo ar, dá!

Noutro dia fomos a Chamonix, conhecida como capital mundial do alpinismo e do esqui. A paisagem é fantástica, Chamonix uma cidade linda, com as suas casas de madeira típicas, rodeada de montanhas, e o Mont Blanc em frente, permanentemente branco, com temperaturas negativas, enquanto nós cá em baixo estávamos expostos a um calor de 30º! É notória a diversidade de nacionalidades dos turistas; muitos vêm aqui para escalar, todos os anos morrem entre 50 a 60 alpinistas, ao tentar escalar o Mont Blanc, o monte mais alto da Europa, com os seus 4807 metros. Dois dias depois de lá termos ido, vimos na televisão que mais 2 alpinistas tinham morrido. Muitos outros, como nós, vêm para apreciar esta paisagem cheia de contrastes, para nos curvarmos perante o poder e beleza da natureza.

Entretanto, estava na altura de regressar a casa.

Bom fim-semana a todos!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

"Ein kleiner moka, bitte!" (parte II)



Apesar de Munich ser uma cidade que merece ser revisitada ficamos na Alemanha 3 dias apenas pelos nossos amigos alemães, que já não encontrávamos há 11 anos! Eles vivem em Baden-Wurttemberg, na alta e fresca montanha, numa casa feita de tijolo e madeira, decorada a flores multicolores; um cenário de postal alemão! O que visitar aí? Não me interesso por carros, porém a minha amiga assegurou-me que o museu da Mercedes-Benz, em Sttutgart, seria interessante; certíssimo. Para além da obra arquitectónica que é, o museu está extremamente bem concebido, conciliando o desenvolvimento da marca com os acontecimentos no Mundo. Não foram esquecidos os episódios de colaboração da Mercedes com o regime Nazi, na 2ª Guerra Mundial. Gosto da atitude vertical dos alemães, aceitam a responsabilidade do que fizeram nessa época negra da História, e nessa linha ensinam nas escolas o que aconteceu na década de 40 e fazem visitas de estudo aos campos de concentração. Em contrapartida na Áustria, a história do país apresenta uma lacuna, dos anos 40 aos 60, e negam a sua participação na Guerra, pois segundo os manuais escolares, nunca aconteceu!
Também visitamos Esslingen, uma pequena e pitoresca cidade, onde cada casa é um monumento de beleza e antiguidade. Na rua passamos por um jovem, levando na mão uma espécie de cajado, vestido com um traje que nos pareceu tradicional, porém inusitado naquele local e momento. A minha amiga explicou-nos que daquela forma o jovem se identificava como carpinteiro que procura emprego. Assim vai percorrendo o país e o mundo, apenas em troca de tecto e alimentação. Uma tradição que remonta a tempos imemoriais.
O Duarte tinha descoberto num hotel, uma brochura da Legoland; nós nem sabíamos que esse parque existia mas claro que ficou desde logo combinado que iríamos passar aí um dia. A minha amiga também tencionava propor este programa, pois o parque fica a 25 minutos de sua casa. Um parque de diversões, estilo Disney, construído apenas com legos, muito divertido, sim, mesmo para nós adultos! Não consigo imaginar o trabalho que foi montar os animais do safari, em tamanho natural, as miniaturas das cidades vizinhas da Alemanha, etc! Impressionante para nós adultos, paradisíaco para as crianças. Nesse dia a nossa amiga, levou o sobrinho de 3 anos e os meus filhotes rapidamente fizeram amizade com ele. O Luka a falar alemão, os meus a falar português e ainda assim entendiam-se, brincavam e riam juntos!

Essa barreira da linguagem sentia-a há 11 anos atrás, quando fomos pela 1ª vez à Alemanha; apesar de falarmos inglês com os nossos amigos, senti-me frustrada por não falar alemão. Os meus 2 anos de estudo da língua serviram-me mal. Contudo, desta vez, mesmo em Viena, fiz questão de tentar comunicar-me em alemão, sempre que possível. A primeira frase, porque diariamente necessária, foi: “- Ein kleiner moka, bitte”, ou seja: - um café pequeno, por favor. As crianças também me imitavam e o “bom dia” e “obrigado” tornaram-se habituais. Acho simpático falar algumas palavras do país que visito.

A estadia na Alemanha foi curta mas fantástica; rever os nossos amigos, encontrar adolescentes as filhas que conhecêramos crianças de 5 e 2 anos, levar agora os nossos… Hummm, que bem faz ao coração. Prometemos que desta vez o nosso encontro não demoraria tanto a acontecer. A visita deles ficou prometida. Despedimo-nos e partimos novamente para França. ( Cont.)

Vamos passar alguns dias à praia, entretanto, bom-fim-semana a todos!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Á grande e à austríaca! (parte I )



Finalmente cheguei e tenho internet, iupiiii!
O tempo passa depressa, 3 semanas passam depressa, demais se forem 3 semanas de férias! Intensos 22 dias, divididos entre França, Áustria e Alemanha, para conhecer e rever novos lugares, encontrar amigos de longa data e visitar parentes.

Lyon é a 2ª maior cidade de França, com monumentos considerados, património da humanidade,pela Unesco; tem sempre algo para ver. Desta vez, fomos ao Musée des Beaux Arts, que nos impressionou particularmente pela abundância e proficuidade do seu espólio egípcio e romano. Que excelente ideia, esta a dos museus, que nos permite ver objectos vulgares e outros mais raros, de outros tempos e de outras civilizações, sem termos que nos deslocar aos seus países de origem! Claro que isto coloca outra questão : - que direito temos, de manter e chamar nossos a estes objectos? O governo egípcio está, desta há algum tempo, em negociações com alguns países para que estes devolvam importantes artefactos que ilustram a história do Egipto. Nada mais justo! Neste museu pude ver quadros de grandes mestres como Degas, Monet, Manet, Picasso e muitos outros nomes, mais conhecidos ou menos, porém a minha preferência, sem desvirtuar os talentosos italianos, vai para os holandeses e destes havia em abundância. As salas são espaçosas e com amplos sofás, que nos permitem descansar e contemplar as obras mais confortavelmente. Pena que não seja regra!
Ainda em Lyon visitamos as ruínas da cidade romana, Lugdunum de nome, com os seus dois anfiteatros, um ao lado do outro, um descoberto outro mais pequeno e coberto, provavelmente para representações de Inverno. Singular! Ainda hoje se apresentam aí espectáculos. O seu museu é bastante grande, rico e interessante. Subitamente, a Letícia levantou-se do carrinho e pôs-se a dançar em cima de um painel de pequenos ladrilhos, uma réplica do original incompleto. Eu fotografava-a e os guias do museu e poucos visitantes sorriam, admirados com o inesperado espectáculo.
Lindz, a primeira cidade austríaca que visitamos, não nos impressionou como esperávamos, em compensação Viena deslumbrou-nos completamente! Em Viena, tudo é enorme, grandioso, imponente, edifícios, palácios, museus, estatuas, chafarizes, etc, tudo é ENORME! Como o meu marido comentou, seria mais pertinente dizer: à grande e à austríaca!
Viena tem uma oferta ilimitada, para todos os gostos e idades; os nossos dias foram bem preenchidos e organizados, a fim de aproveitarmos o máximo. Muito convenientemente o nosso apartamento localizava-se no “MuseumsQuartier” e dai visitamos o Leopold Museum (não gostei!), o Kunst historiches museum (que adorei!), o Hofburg- palácio imperial - cujo museu da Sissi é claustrofóbico e labiríntico, porém a visita aos apartamentos dela e seu marido, Francisco José, foi fantástica, uma demonstração quase real da vida na corte! Ainda a colecção de porcelanas e prata da família imperial, algo verdadeiramente impressionante, tanto em abundância como em qualidade, um verdadeiro tesouro, o maior que eu alguma vez vira! Sem dúvida que os Habsburgos, que aí viveram durante 10 séculos, sabiam tratar-se regiamente. Difícil de descrever, só mesmo vendo. O Staatsopernmuseum, ou seja a ópera, uma das poucas no mundo a possuir o seu próprio grupo de cantores. O preço dos bilhetes vai de 5 a 255€, no entanto quem compra o bilhete 1 hora antes do espectáculo, pode adquiri-lo por 2€, motivo pelo qual, ninguém deixa de ir á ópera, e esta se encontra constantemente lotada. A casa onde Amadeus Mozart viveu desapontou-me um pouco por se apresentar tão despojada, contudo a Letícia deliciou-se com uma pequena cena da “Flauta mágica”, que viu repetidas vezes e não deixou da falar no “Papagueno” durante as horas seguintes! Impressionou-me o comércio desenfreado que se faz à custa da efígie de Mozart; irónico que aquele ser genial, que morre aos 35 anos, na pobreza absoluta, atirado para uma fossa comum, dê a ganhar milhões a quem nada tem de genial!
Em contrapartida a casa de Sigmund Freud emocionou-me imenso! Não pelos objectos expostos, fotos ou móveis, somente porque de alguma forma senti que a energia do pai da psicanálise, ainda estava ali! Sei, loucura minha, chamem o psicólogo…
Belvedere (superior) encantou-me pela sua beleza e colecção fantástica de quadros, dos quais "O Beijo” de Klimt. Nunca fui admiradora deste pintor, acho-o mais comerciante do que artista, pois tendo descoberto a fórmula que lhe rendia dinheiro não evoluiu mais. Todavia, ver o original d'"O Beijo” é fabuloso, afinal a cor predominante não é amarelo, mas sim ouro! O Belvedere (de baixo) é minúsculo e não valeu o bilhete. Para o fim, ficou Schonbrunn, o palácio de verão da família imperial, grandioso, impressionante, quase asfixiante de tão bonito! Não menciono outros como a catedral, a Rathaus ou o parlamento, etc, mas também por lá passamos, tudo na mesma linha de grandiosidade.

Os vienenses têm a fama de ser fascinados pela morte, dizem mesmo que ela deve ser vienense! Talvez esta fixação se deva aos inúmeros exemplos famosos: os arquitectos da ópera morrem mesmo antes da sua inauguração, afectados pelas críticas do imperador, ao trabalho deles; Sissi morre assassinada; Maria Antonieta, filha da imperatriz Maria Teresa, morre decapitada pelos revolucionários franceses; Mozart sucumbe aos 35 anos; Romy Schneider suicida-se após a morte acidental do filho, etc….

A meio da semana fizemos um intervalo de Viena e fomos passar o dia a Bratislava, situada apenas a 60 kms. A capital da Eslováquia poderia ser encantadora se estivesse restaurada; os comunistas desfearam a cidade ao construir prédios incrivelmente feios, colados a prédios centenários; ignoraram a manutenção do antigo, porque representava uma história que desprezam. Pois é, a herança comunista é pesada…

Salzburg é uma cidade linda, nada semelhante a Viena, mas muito semelhante às cidades da Baviera. Ruas estreitas, casas antigas, anúncios feitos em ferro forjado, com formas de pessoas e animais, delicadamente pintados, pendurados às entradas das lojas. Esta cidade é visitada por cerca de 8 milhões de pessoas todos os anos, mas eu ia jurar que esses 8 milhões estavam lá todos, no dia 30 de Julho! O Rotard tinha avisado, mas ainda assim, senti um baque ao encontrar-me subitamente envolvida por aquela multidão. Finalmente, em Salzburg encontrei um prato de parede, tipicamente austríaco, pintado, à mão, para a minha colecção da sala de jantar! Até aí todos eram “made in Germany”.
Deixamos Viena em direcção à Alemanha. (Cont.)

Agradeço a todos que me visitaram na minha ausência, e deixaram os seus comentários. Retribuirei a visita a cada um. Uma boa semana a todos!