Quando li o artigo
aqui*, não pude deixar de sorrir. Enquanto criança, eu
fi-las todas, e enquanto mãe, também já as proporcionei aos meus filhos. No entanto,
sei que para muitas mães estas coisas são interdições; porque elas próprias não
as fizeram, ou porque não as acham importantes. Mas são, acreditem. E já agora,
sugiro que as façam com os vossos filhos, é um regresso à infância garantido! Sinónimo de
felicidade.
Sujar-se
Sempre ouvi dizer quando uma criança
aparece suja, que é uma criança feliz. Realmente, acho muito estranho crianças
que mantêm as roupas imaculadas no final do dia. Eu também gosto que os meus
pequenos estejam limpos, mas quando se sujam, mudam de roupa!
Brincar com terra, juntar-lhe água e
fazer papas, brincar com barro, ervas e pedras. Brincar em charcos da chuva,
fazer bolachas, etc., proporciona grande prazer às crianças, e contacto com
materiais menos usuais.
Comer alimentos colhidos na natureza com as suas próprias mãos
Como vivi numa zona rural, as frutas
estavam em todo o lado, mesmo à nossa mão. Então, praticamente íamos comendo
sempre que tínhamos vontade e fome.
Uma coisa que os meus filhos adoram
é apanhar amoras e come-las directamente. Estão cobertas com uma fina camada de
pó, mas sopra-se. E o que não mata, engorda! No fim, eles adoram comparar quem
tem a língua mais negra. Claro que seria maravilhoso que os meus filhos
pudessem tirar o leite a uma vaca e o bebessem de seguida, ou fizessem um
queijo, mas não havendo essa hipótese, ficamos pelas amoras.
Construir um abrigo
Eu passava a vida a construir casinhas! Debaixo da mesa da sala, com as
costas das cadeiras e uma manta. Mas aquela que foi memorável, era feita de
silvas; cortamos-lhe as silvas por baixo, deixando um espaço vazio, como se
fosse um ovo. Passamos aí semanas, até lhe demos um nome - o cubículo. Só lá
entrava quem era membro.
Com os meus filhos fiz igual. Ensinei-os a usar as costas das cadeiras, e as
mesas, com ajuda de mantas e eles ficaram mestres. Mesmo depois de terem
recebido cada um a sua tenda de brincar, ainda construíam refúgios, que enchiam
com almofadas, mantas, lanternas e comida. Da verdadeira.
Sentir os elementos
Em criança eu adorava andar à chuva! E dias ventosos com chuva? Maravilha!
Muitas vezes cheguei a casa encharcada da escola. E claro que a minha mãe me
ralhava, mas o prazer desses momentos já ninguém me tirava. Por isso me lembro
tão vivamente do prazer que os elementos me proporcionavam e sou condescendente
com os meus filhos. No entanto, com regras; saltar para uma poça de água sim,
mas com galochas! Sentir a chuva no rosto, sim, mas durante alguns minutos
apenas. Caminhar pela berma de um riacho, chapinhado com os pés descalços.
Aquecer ao sol, desfrutando do calor no rosto. Ouvir os barulhos do vento nas
árvores. Respirar mais profundamente no alto de uma montanha, ou nalgum local
mais isolado, onde o ar tem outro odor!
Tudo isto pode ser muito educativo, é o contacto com a natureza, mas é sobretudo
divertido.
Descobrir animais em liberdade
Isto é algo que ainda faço espontaneamente; procurar alfaiates, rãs e peixes
num lago. Borboletas, joaninhas e abelhas nos jardins. Pássaros diferentes num
bosque, só pelo chilreio. Tocas de coelhos bravos e outros sinais deles, menos
românticos, mas mais engraçados!
Estando em família, revela-se uma autêntica caçada ambiental, porque tudo o
que queremos é observar, ouvir e respeitar estas pequenas vidas. Ensinamos às
crianças o respeito pela natureza e amor à vida em liberdade.
Fazer os seus próprios brinquedos
Em tempos idos os brinquedos eram feitos artesanalmente, e quem não podia
adquiri-los, fazia em casa.
Eu tive muitas bonecas, mas lembro-me em particular de uma
boneca de pano que alguém me fez; muito tosca na verdade, mas maravilhou-me que
daqueles tecidos sem forma tivesse surgido uma boneca!
Eu e as crianças já fizemos alguns brinquedos, realço as maracas feitas de
massinhas e uma garrafa pet, e o intercomunicador feito de copos de iogurte e linha,
que usamos para nos comunicarmos do rés-do-chão, para o 1º andar. Acredito que
eles esquecerão o inter-comunicador electrónico, mas não este!
Trepar
Apesar de não ter sido propriamente uma Maria-rapaz, subi muitas vezes a
árvores, sempre fruteiras. Gostava de apanhar os frutos e come-los ali mesmo,
uns atrás dos outros. Estas histórias maravilhavam os meus filhos, e
causava-lhes pena por não termos árvores no jardim para fazerem o mesmo. No
entanto, há árvores nos parques, nas montanhas florestas, e quintais de
amigos.
Vencer o medo das alturas, olhar para baixo, procurar o equilíbrio,
deixar-se balançar num galho, encontrar um ramo para se sentar, apanhar um
fruto e come-lo. Mas também sobem pedras altas, ou rochas na praia.
Acender uma fogueira
Porque todas as crianças sentem um fascínio pelo fogo. Lembro-me de as fazer
com os meus amigos, para assarmos espigas de milho, em criança, sem sequer
termos supervisão de algum adulto! Só de pensar nisso com os meus filhos...!
Mas ajudá-los, ensiná-los a apanhar os ramos secos, juntar o papel, acender o
fósforo, usar o abanador, e depois apagar as brasas.
Comer com as mãos
É assim que as crianças começam a comer, para sentir o prazer da comida,
primeiro pelo tacto, depois pelo odor e paladar. Mas nós, pais, seguindo as
normas da sociedade, depressa os fazemos esquecer este acto instintivo, e lhes
ensinamos a utilizar os talheres. Porém, eles continuam a gostar de comer com
as mãos! E podem por vezes; há comida que se proporciona, como um peixe
grelhado em cima do pão, ou uma espetada, ou dips, ou fruta. É divertido, e a
comida até parece que sabe melhor!
Andar descalço
Aqui está outra coisa que as
crianças adoram fazer! Mas há pais que têm horror a andar descalços. Eu adoro,
sobretudo no verão, caminho pela casa e jardim frequentemente descalça e por
isso, naturalmente, e desde sempre, os meus filhos também têm permissão para o fazer. Sentir a relva
fresca ou molhada nos pés, a areia na praia, as agulhas no pinhal, é uma
experiência sensorial importante.
Todas estas propostas são proibições, mas deveriam ser lições, pois ensinam
às crianças uma série de coisas, proporcionam-lhes prazer e momentos de alegria
preciosos. O desafio está lançado!
Tenham uma óptima semana!
*Os tópicos são a linha condutora, o desenvolvimento do texto é meu. De qualquer forma,
muchas gracias!