segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Presentes, presentes e presentes!

(Getty Images)
Nada como os dias de verão para fazer piqueniques, churrascos e festas, tipo …casamentos. Nós já passamos essa fase, familiares e amigos da nossa geração estão casados e arrumados, estamos agora na fase dos baptizados e primeira-comunhões. A sério, vamos falar de presentes. Sei, é um assunto delicado mas não me tem saído da cabeça nestas últimas duas semanas. Pensar na roupa que vou levar é um detalhe que resolvo facilmente, agora que presente vamos oferecer, já é outra história.
Presente de casamento é muito fácil (benditas listas!), de baptizado já dá que pensar um pouco; depende do sexo da criança, se for menina é muito mais fácil, uns brincos ou um fio em ouro, algo que ela vai apreciar mais tarde. De primeira-comunhão podemos sempre perguntar directamente algumas sugestões à pessoinha em questão.
Por fim, resta-nos sempre o “envelope”, a alternativa mais despersonalizada e desprovida de originalidade possível. O último recurso, do qual por vezes não conseguimos escapar. Contudo, também aí também se coloca a dúvida: How much?!

Recentemente tivemos um baptizado e comentando com outra convidada (familiar) sobre o presente a oferecer, o meu marido ficou perplexo. Estávamos em igualdade de circunstâncias: dois casais com duas crianças cada, com o mesmo grau de parentesco dos nossos anfitriões. Simplesmente nós tínhamos pensado colocar no envelope a mais 50% do que os nossos congéneres. Ao exprimir espanto mediante esta discrepância, o meu marido argumentou com o local onde o almoço se realizaria, o restaurante de um hotel 4estrelas. A resposta recebida foi sucinta: Ah, isso já não é connosco.

Quando conhecemos o local das festas já fazemos uma estimativa do preço e na hora do presente temos isso em consideração; contudo, há quem ache o local irrelevante, que isso é da responsabilidade de quem faz a festa. Será que é?!

O local da festa, para nós, conta, além de outros critérios, como por exemplo a intimidade com a pessoa; sei lá…ilumine-me com a sua opinião.

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

C’est trés JOLIE!

Certo dia os meus sobrinhos viam “Mr &Mrs Smith”, e apenas por curiosidade fiquei alguns minutos a ver o filme com eles. Perguntei-me porquê o Brad Pitt tinha feito aquele filme; era o tipo foleiro da Angelina Jolie, cujo desempenho aliás eu nunca tinha visto até ao fim em qualquer filme, mas não do Mr Pitt!
Parece que foi nesse filme que os dois se apaixonaram; e porque coincidências não existem, antes faz tudo parte de um “grande plano”, talvez “Mr & Mrs Smith” tenha tido o objectivo de juntar essa dupla. O facto é que os dois actores se têm empenhado em grandes causas humanitárias, levando muitas vezes a esperança onde já não resta mais nada.
Há dias li uma entrevista da Angelina Jolie à “Marie Claire” que me surpreendeu bastante pela positiva; quando a entrevistadora lhe perguntou se compreendia a frustração que “nós, pessoas normais” sentíamos por apenas podermos dar dinheiro às ONG’s para fazer avançar as coisas, esta foi a resposta:
- …não se trata apenas de ter montes de dinheiro, nem de viajar para arranjar as coisas. Já é muito educar as crianças o melhor que se pode, tentar ser uma boa mãe, uma amiga atenta…ser uma pessoa de bem no quotidiano. É já muito e talvez ainda mais difícil porque ninguém repara nestas coisas. Alguns enviam 5$ por mês a crianças de países estrangeiros e ninguém os felicita. No entanto, isto representa uma soma importante para eles. Estas pessoas têm muito mais mérito do que eu. “
Brilhante, não é? Eu acho.

É verdade que muitas pessoas se lamentam por não poderem ajudar aqueles que estão longe, no entanto quando lhes batem à porta pedindo auxílio, nada fazem. Seria necessário que a pessoa se apresentasse esquelética, com o ventre proeminente ao mendigar pão. Há sempre quem ajudar perto de nós, basta acreditar e ficar atento.

O título da entrevista é “Dar faz-me feliz” e embora eu concorde 100% com esta afirmação constato que regra geral as pessoas só se sentem felizes quando recebem. Ninguém pode ser feliz dependendo somente de receber. Um belo dia isso acaba. “Quem nada dá, nada recebe”, é aquela velha história da bola azul do Einstein, sabe?

O curioso de tudo isso é que também na vida da actriz os papéis que ela passou a desempenhar melhoraram imenso; será que ela começou a ser mais criteriosa nas escolhas dos guiões ou “subitamente” personagens interessantes e profundas lhe começaram o ser oferecidas?!
Hummm…muito interessante e enigmática esta relação "dar-receber", não é?

Tenha uma boa semana!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Namoro violento


(Imagem aqui)

Hoje acordei novamente, de madrugada, com um casal de namorados a discutir na rua; o mesmo par de ontem, mas desta vez a discussão foi ainda mais violenta. Acho que no final da rua eles pegaram-se à porrada, como eu já temia pelo tom dos insultos. Foi uma cena muito rápida e eles desapareceram logo de seguida.
Fiquei a pensar nos últimos dados de violência doméstica, que surpreendentemente já começa durante o namoro. Os números estão a aumentar aí também. O que leva alguém que discute, insulta, agride, a ficar junto?!

Recordo que no meu primeiro emprego, conversava com duas colegas sobre a violência doméstica e eu afirmava categoricamente que jamais deixaria que tal acontecesse comigo, quando o meu chefe entrou. Ele estava quase a reformar-se, falava muito pouco e era reservado nos temas. Por isso foi ainda mais surpreendente quando ele se intrometeu na conversa e disse:
-Você não compreende, Fernanda, ainda é muito nova! Tenho uma sobrinha, inteligente, independente financeiramente que vive um casamento infernal; tem tudo a ver com sexo! E continuou a remexer nos papéis. Eu calei-me, estupefacta com a revelação e crente de que realmente ainda era muito inexperiente para compreender certos dramas.

Muitos anos passaram desde aí, já não sou aquela jovem “muito nova” e continuo sem compreender porque mulheres aceitam ser humilhadas e agredidas. Agora, realmente não acredito que seja devido ao sexo, aliás acho essa explicação absolutamente yang. As mulheres pensam, analisam, escrutinam muito, já sabemos, para os homens é sempre muito mais simples, por isso eu tenho um rol de explicações para justificar a violência doméstica, sem saber exactamente qual a certa. Mas…sexo?! Não acredito mesmo! Tenho para mim que a explicação está na família de origem; no tipo de casamento dos pais, no tipo de educação, no amor que se recebe. Quem vem de uma família feliz, com auto-estima elevada, vai querer reproduzir o modelo. O pior é quando acontece o contrário, fica muito difícil cortar ciclos, é mais fácil perpetuá-los.
E você, tem alguma teoria?

Boa semana a quem passa...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Viajando na brisa marítima


Eu já disse que não gosto de férias de praia, não já? Pois é, não gosto mesmo, ficar deitada na areia dia após dia, enxergando um mar de gente ou o próprio mar, dá-me uma canseira que só me faz desejar voltar ao trabalho! Porém, férias para as crianças tem que ter praia, e as minhas crianças não são excepção. Portanto, lá fomos, contra ventos e marés, ou seja, apesar dos raios ultravioletas altíssimos e água do mar poluída, para ficar na praia umas 3 horas diárias (para evitar os ditos raios!), isso na melhor das hipóteses, porque praia no Norte traz direito a Nortada (vento frio, brrrr…) e água gelada. Claro que isto sou a eu, porque tenho má vontade, pois as crianças acham que todos os dias estão óptimos para a praia (apesar da neblina!) e nunca, jamais querem sair da água, apesar dos lábios roxos e pele arrepiada!

De qualquer maneira, eu sou aquela que nunca faz apenas uma coisa de cada vez; imagine, se eu consigo, simultaneamente, falar ao telefone, fazer as camas, regar plantas e responder a emails, ficar na areia completamente parada é pedir demais! Valem-me os meus companheiros fiéis, que me levam para outros sítios, bastante diferentes ou não, contando-me histórias insólitas ou banais, e embora o meu corpo esteja na praia, a minha mente vagueia por outras paragens. Sim, são os meus queridos livros!
E de uma assentada, consegui ler “ Sapatos de Rebuçado” de Joanne Harris, uma espécie de parte II do ”Chocolate”, e embora tenha gostado não elegeria como o melhor livro que li da autora (esse seria “Cinco quartos de laranja). Contudo, queria destacar duas frases que me fizeram remoer:
“Mostrem-me uma mãe e mostro-vos uma mentirosa” – à partida senti-me injustiçada, pois sou sempre muitíssimo honesta com as crianças, prefiro que eles chorem a enganá-los, mas em questões de morte e segurança, sou mais maleável, não hesitando em proferir promessas que não tenho a certeza de poder cumprir, ou mesmo irreais, tipo: não permitirei que nada te mal de aconteça! Ou – Não, eu não vou morrer! Bem, parece que esta mãe também diz algumas mentiras….
Outra: “ uma mulher depois de ser mãe, vive no medo”: Bingo novamente! Depois da maternidade a minha convivência com o medo é diária; medo que caiam e se magoem, medo de que alguém os maltrate, medo disto de daquilo. Quando não estão comigo tenho medo, porque não sei o que está a acontecer com eles. Quando estão comigo, só não tenho medo quando estão tranquilamente a dormir. E ainda assim, vou lá certificar-me que respiram normalmente. Pronto, confessei!

De seguida, o “Gazeteando”, da queridíssima amiga blogueira Maria Luíza Ramos, que teve a gentileza de me enviar a compilação das crónicas, escritas ao longo de 30 anos para o jornal de Alegrete, sua terra natal. A Maria Luíza evoca com nostalgia momentos felizes, de pessoas queridas que já partiram, de um tempo em que os valores como educação e respeito eram regra, não excepção, como hoje. Através destas crónicas aprendi imenso sobre a cultura e sociedade brasileiras e sobre a própria Maria Luíza, uma pessoa com preocupações políticas, sociais, ambientais, enfim, uma pessoa com uma faceta humanista excepcional. Para além de tudo isto, ela escreve muitíssimo bem, com uma perspicácia e sentido de humor que me prendem verdadeiramente. Portanto, se ainda não conhece o simplesmente Maria, vá lá fazer uma visita, que vale a pena.

Parece que “Daisy Miller” , de Henry James é a obra mais conhecida do autor, porém não foi por isso que a escolhi, simplesmente estava à mão. A história de uma jovem, coerente e pura, que não alinhou nas convenções da época e claro, pagou um preço alto por isso.

Não tencionava ler “A rapariga que roubava livros”, de Markus Zusak, (o meu velho preconceito contra livros do Top de vendas!) contudo na biblioteca não havia novidades, excepto este. Gostei da história, mas não gostei da escrita; eu explico, gostei de ler sobre alemães que não se identificaram com o regime nazi, que de alguma forma lhe fizeram oposição, para variar. Não gostei das promessas constantes do narrador, em contar mais adiante sobre um assunto e outro. Aconteceu vezes demais para me lembrar se realmente esses pontos foram esclarecidos. Achei irritante. Não pensei que a Morte fosse tão tagarela e divagativa…acho que sempre pensei na Morte mais silenciosa e assertiva.

Bom, e estas leituras fizeram-me recordar que estou em falta com a Geo (- perdão, amiga!) mas desta vez, vai! Ou melhor, foi! Já preenchi o inquérito e enviei, sobre “A menina que não queria falar” de Torey Hayden, outra leitura de praia. Se quiser saber a minha opinião sobre o livro (que ainda não está lá, mas estará...) passe pelo “Elas estão lendo”, um espaço dedicado à leitura, onde poderá encontrar dicas óptimas e até trocar ideias.

Tenha uma boa semana!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Férias

(Imagem aqui)
O direito a férias é constitucionalmente consagrado; deve possibilitar a recuperação física e psíquica do trabalhador e assegurar-lhe disponibilidade pessoal, de integração na vida familiar e participação social e cultural. Mas nem sempre foi assim, aliás o direito a férias é bastante recente. Outrora, apenas as famílias privilegiadas se permitiam a mudança de residência no verão, na procura de zonas mais frescas, na montanha e campo. Entretanto, os ares e iodo do mar começaram a atrair veraneantes para a praia e pele levemente bronzeada substituiu a tez pálida, uma mudança do arquétipo de beleza, que permanece até hoje.

Nas últimas décadas os governos divulgaram uma litania de direitos que muitas vezes não passam do papel, causando deste modo um rol de frustrações e sentimentos pessimistas de revolta e indignação. Na realidade, não somos todos iguais, nem temos todos os mesmos direitos, o Planeta simplesmente não comportaria tal coisa, mas podemos sempre fazer algo para remediar a situação. Uma questão de atitude, creio.

Praia?
Apesar do aumento de doenças de pele, nomeadamente do cancro, provocado pela prolongada exposição solar, a praia continua a ser o grande destino de férias dos portugueses; nas agências de viagem predominam quase exclusivamente os destinos de praia. Algo bastante incompreensível para mim; viajar 9 e 12 horas de avião para entrar num resort onde portugueses se acotovelam, onde só se ouve falar português, cujo programa é passar da piscina do hotel para a praia do hotel, e vice-versa, durante 1 ou 2 semanas, parece-me absurdo. Nós vivemos numa península, temos praia por quase todo o lado, e ainda temos as fluviais. Além disso, em Portugal o Sol brilha, em média, 1600 horas por ano no Norte e até 3300 horas por dia no Sul (segundo dados do Instituto de Meteorologia), fornecendo-nos a dose solar necessária ao nosso bem-estar. Portanto, mais praia para quê?! Porém, ok, cada um é livre de escolher o que prefere.

Quando as pessoas contraem empréstimos para partir de férias:
Como diz o ditado, "Quando não há dinheiro não há vícios", porém os Bancos vêem dizer algo em contrário: gaste agora e pague depois. A vida é feita de prioridades e estas mudaram; ter férias é um direito que as pessoas querem exercer, seja como for. Como as pessoas também têm direito a casa, a transporte próprio, a uma série de comodidades e por vezes a outra série de futilidades, os empréstimos acumulam-se, levando cada vez mais famílias à rotura financeira. Como a crise económica é generalizada, aqui vão algumas sugestões.

O que fazer com um pequeno orçamento:
Frequentemente as pessoas não conhecem muito bem os locais onde vivem; então, aproveite para visitar monumentos, palácios, castelos, fazer um piquenique num parque ou jardim, passar uns dias no campismo, ir à piscina, assistir a um concerto de música clássica, passar um dia num parque de desportos radicais, e se tiver filhos peça-lhes sugestões; vai ficar surpreso com ideias tão simples que os fazem felizes. Porque sobretudo, férias é tempo em família.

Ideia inovadora:
As possibilidades multiplicam-se, para além de hotel, aparthotel, turismo de habitação, aluguer de casa, (nós utilizamos o Homeliday e aconselhamos vivamente) surgiu recentemente a troca de casa. Imagine a amplitude de oferta, aliás, basta entrar aqui para ver como é. Suponho que deve ser uma experiência fascinante, para quem gostar de entrar no espírito verdadeiro do local que visita.

Posto isto… boas férias, nós partimos amanhã, e um Feliz Verão!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Escrava


Mende Nazer era uma menina de 12 anos, vivia uma infância feliz com a sua família, numa aldeia nas montanhas nuba, no Sudão. Uma noite, enquanto todos dormiam, os mujahidin cantando: Allahu Akhbar! (Deus é grande) atacaram a aldeia, lançando fogo às cabanas, assassinando os adultos de forma selvática e raptando as crianças maiores. Mende estava nesse grupo e foi levada pelos mujahidin par Cartum, onde foi vendida como um animal. A sua proprietária despojou-a de todos os direitos, inclusive do nome e de orar, maltratou-a de todas as formas, até a levar ao internamento hospitalar. Passados 7 anos de escravatura, quando a sua “dona” acreditava Mende incapaz de algum acto voluntário, enviou-a para Londres, emprestada à sua irmã como se fosse um electrodoméstico. Contudo, aí Mende reuniu coragem e conseguiu fugir para a liberdade, com a ajuda do jornalista Damien Lewis.

Em 1994 eu estava muito feliz, era livre, independente e estava apaixonada; passei parte do ano a planear o meu casamento, pois casei a 4 de Outubro. Então, como agora, eu não sabia que aldeias eram atacadas, pessoas assassinadas e crianças raptadas para serem vendidas como escravas. Para serem tratadas como animais, bestas de trabalho, sem direito sequer a uma alimentação adequada!

As pessoas que compraram Mende, têm carro, electrodomésticos, parabólica e viajam para a Europa. São os privilegiados do Sudão. Adoptaram a forma de estar ocidental, a comodidade dos tempos modernos, mas infelizmente não os valores. Encomendam uma escrava, como se encomenda um carro no Stand, e talvez até esperem menos para a receber! Chamam criadas às escravas fora do círculo familiar e social, mas junto dos amigos e parentes não há quem os recrimine! Ousam até trazer as “criadas” para países onde sabem que a escravatura foi abolida há séculos.

Hoje Mende Nazer estuda para ser enfermeira e participa activamente em manifestações internacionais contra a escravatura. Não é ficção, Mende não é uma personagem de um livro; Ela é real, tanto como eu e você!

Tenha uma boa semana!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vida de saltimbanco


Tenho dificuldade em imaginar as diversas dificuldades, e os seus graus, da vida itinerante; viajar de forma imprevista, sem saber muito bem onde ficar, ter de seguir viagem quando o cansaço pede para parar. Problemas de água, de electricidade…de Internet? Uma família inteira ter de conviver em espaços exíguos, falta de privacidade, de arrumação. Uma família completa a depender da facturação incerta. E a escolaridade das crianças, como é feita?! Logo eu que me preocupo imenso com a qualidade das escolas e professores….E no entanto, eu vi as crianças, várias, em idade escolar, sentadas de forma ordeira, observando sem surpresa nem exclamações imprevistas.

Na plateia pouquíssimas pessoas conhecidas, maioritariamente espectadores vindos das aldeias vizinhas; este circo não é para eles. Eles vão aos circos ricos das cidades, Braga ou Porto. Circos que param aqui são pobres e raros, cada vez mais raros, porque a vida nómada está a ficar cada vez mais difícil. As pessoas exigem qualidade, bons profissionais, boas roupas, animais exóticos…caso contrário ignoram-nos. Eu também já fui uma snob do circo. Porém, as crianças não se importam com nada disso. Elas riram-se das piadas simplíssimas do palhaço, admiraram-se com o mágico, assombraram-se com os equilibristas e exultaram com o Noddy (porque desta vez era uma criança pequena, não um adulto num fato almofadado do Noddy!).

De facto, não era o “Cirque du soleil”, era de muito longe mais modesto, mas ainda assim profissional; a apresentadora era também amestradora de cabras (- das montanhas da Grécia), o ilusionista era também malabarista, a partner do malabarista vendia pipocas no intervalo, a equilibrista vendia brinquedos nas bancadas, o homem da bilheteira era também o técnico de som. Cada um ofereceu o que tinha de melhor, com esmero, com simpatia.

Eles lutam, à maneira deles, contra a corrente. Por isso merecem ser prestigiados, por mim e por qualquer pessoa que goste de cultura. Porque circo é cultura. Cultura popular, mas cultura.
Pense nisso; prestigie o circo com a sua presença, antes que ele desapareça para sempre!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ter e ser

( Imagem aqui)

Quando eu era estudante e não tinha dinheiro para comprar calças Levi’s, comprava “Queens”; nunca ouviu falar, pois não? Mas garanto que eram umas “Queens” originais!

Tivemos este fim-de-semana a festa popular do S.Pedro, e senti-me atónita com quantidade crescente de vendedores de contrafacções. Roupa, malas, sapatos, perfumes, óculos, relógios, das marcas do momento; Tous, Burberry, Prada, Gucci, D&G, Nike, Puma, é só dizer o que procura que há!

Porque pagar 300€ por uma mala se a pode ter por 20€?!
Para além da vulgaridade de ser mais uma, ou um, o comprador está a contribuir para um negócio ilegal que envolve milhões e cai directamente no bolso de uns quantos que não pagam impostos, que exploram os empregados, e na maior parte das vezes nem sequer têm as fábricas legalizadas.

Não que eu pretenda defender as marcas, coitadinhas, que mesmo assim ganham milhões, biliões ou ziliões de euros, porém, a César o que é de César; eles pagam a designers, pagam impostos, pagam patentes, logo têm o direito de ver as suas criações protegidas.

O pior de tudo é que a contrafacção se vai estendendo a todas as áreas; a medicamentos, por exemplo, que estão a ser comercializados na Ásia e em África, causando a morte a muitos inocentes. Também vão chegar cá, acredite!

Enquanto houver quem compre, haverá quem venda e quem compra cópias só o faz porque entrou naquela paranóia confusa do ser/ter. Nós somos o que somos, não o que temos.

Uma óptima semana, para si!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Baú de memórias


(Getty Images)

Recordo-me que quando criança qualquer coisa me interessava para guardar: um frasco de perfume vazio, uma lata de bolachas, um porta-moedas que uma tia já não queria, um lenço velho, etc, etc. Via beleza e utilidade em tudo e acho que por isso encaro esse espírito colector na minha filha com muita brandura.

Creio que actualmente não guardo muitas coisas; se numa estação não vesti uma peça de roupa uma vez sequer, desfaço-me dessa roupa. O que não utilizo tento passar a quem possa ser útil; faço assim com as roupas e brinquedos das crianças. No final do Inverno faço uma arrumação geral e no final do Verão outra, o que resulta na supressão de variados itens.

Porém, algumas coisas passam pelo meu exame ano após ano sem que eu consiga libertar-me delas; as cartas que o meu pai me escreveu, quando eu estudava fora de casa. Umas 50 cartas de amor, que o meu marido me escreveu quando éramos namorados. As flores secas de ramos que o meu marido me ofereceu. Os testes de gravidez dos meus filhos. As fotos de uma galeria de personagens que eu nem conheci, mas que são a minha história e mais uma coisa ou outra, que fazem o conteúdo do meu baú de recordações.

Existem momentos na minha vida que tento gravar até ao mais ínfimo pormenor, porque o que eu gostaria mesmo era ser capaz de guardar momentos e sentimentos. Não no meu cérebro, que um dia desaparecerá com o resto do corpo, mas na minha alma, para me acompanhar pelos tempos e vidas futuras.

Diga-me, e o seu baú de memórias, como está?

Tenha uma óptima semana!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Escolas que são asas


(Imagem aqui)
Há algum tempo uma mãe confessava-me suspeitar que a filha fosse hiper-activa; tudo porque a educadora lhe tinha dito várias vezes que a filha estava constantemente irrequieta e não queria ficar na sala. Tentei tranquilizá-la, porque de certa forma vivemos uma experiencia semelhante no ano passado, com o Duarte. No caso dele era o desinteresse pelas actividades do Infantário, e entretanto, no 1º ano da escola revelou-se um excelente aluno.

Há escolas assim, onde os alunos são um grupo e o principal objectivo é mantê-los quietos e calados. Onde não se admitem comportamentos diferenciados e todos devem executar as mesmas actividades com igual empenho. Onde as educadoras ensinam o menos possível, justificando como contraproducente ao 1ºano escolar. Onde infantário ou escola é um depósito de crianças, cujo único alimento é físico. São as escolas-gaiolas.

Há 2 semanas atrás fui convidada pela professora do meu filho a desenvolver uma actividade na sala; escolhi uma fábula que tinha escrito para o Duarte, quando ele tinha 4 anos, e ele ilustrou a história. Passei para power-point e fui à turma contar “O Tigre e o Jaguar”, enquanto o Duarte projectava as ilustrações. As crianças adoraram, o meu filho ficou muito orgulhoso da nossa parceria, e eu achei a experiencia muitíssimo interessante.

Na 2ªfeira, quando fui levar a minha filha ao Infantário, a educadora estava a fazer uma primeira abordagem a Camões; quando, de tarde, a Letícia chegou a casa contou-me a vida do poeta correctamente, com imenso entusiasmo.

Os meus filhos estão em escolas onde a participação e o contributo individual são importantes; onde a individualidade de cada um é valorizada e incentivada. Onde a diferença é uma mais-valia e o grupo uma soma inter-activa, de onde cada um sai mais enriquecido. São escolas que são asas.

Se em família ensinamos os nossos filhos a voar, vamos querer que a escola seja um prolongamento dessa aprendizagem, não que lhes cortem as asas por falta de espaço, de respeito, de liberdade.

Se quer que o seu filho voe, voe com ele; participe nas actividades escolares, inove, leve à escola as suas ideias.
Li um post no Como a vida quer, que vem de acordo ao meu pensamento e a este post, inclusive tirei de lá a denominação escola-gaiola/ escolas que são asas. Como eu, a Sam achou o texto perfeito! Passe por lá, pois vale mesmo a pena!
Para terminar, copiei o texto e vou envia-lo às professoras dos meus filhos, como homenagem e agradecimento.
Elas merecem, pois sabem voar e ensinam a voar!

Uma óptima semana com altos voos!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Pssss...

(Getty Images)

Gosto da solidão. Gosto do silêncio, nunca absoluto, que me proporciona a solidão. Em silêncio ouvimos ruídos que normalmente não são perceptíveis; um relógio a trabalhar, o motor de uma máquina, o chilreio de pássaros. Mesmo no meio da natureza o silêncio nunca é absoluto; o murmurar das folhas ao sabor do vento, o piar de alguma ave, um fio de água que corre...Se mais não for, o zumbido nos ouvidos que o silêncio provoca, para lembrar que nunca é absoluto.

Depois das crianças nascerem o silêncio rareou e senti falta. Quando foram para a escola senti os primeiros momentos de silêncio como uma capa de ferro. Observava o baloiço desabitado no jardim e achava o silêncio inquietante. Gradualmente recomecei a desfrutar do silêncio.

O silêncio deixa-me leve, solta-me os pensamentos, mergulha-me noutras esferas. Tudo porque na solidão da casa vazia, sei que as ausências são momentâneas. O silêncio será quebrado. Por isso gosto tanto do silêncio!

Experimente; desligue a música, desligue a televisão. Fique 5 minutos em silêncio.
E então?

Uma óptima semana para si!

sábado, 31 de maio de 2008

"Dia mundial sem tabaco"

O meu pai começou a fumar com 12 anos; na época fumar dava um certo status e na embalagem não existia a famosa advertência "fumar faz mal à saúde". O meu pai fumava no trabalho, em casa e no carro, o que nos deixava agoniadas( a mim e às minhas irmãs), em todas as viagens. Sempre que pedíamos ao pai para deixar de fumar ele respondia que não conseguia, que o vício era mais forte do que ele.
Quando o meu pai se sentiu doente, tinha 67 anos e deixou de fumar de um momento para o outro. Depois daí não tolerava ficar perto de fumadores e não permitia que fumassem em casa. Mas foi tarde demais; aos 69 anos o meu pai estava em excelente forma física e mental. O único órgão do seu corpo que deixou de funcionar foram os pulmões, envenenados com nicotina, benzina, alcatrão e variadas substâncias cancerígenas.
O meu pai que gostava imenso de crianças não conheceu os netos e estes sentem falta dele, porque eu faço questão de amenizar a ausência do avô, transmitindo-lhes as minhas memórias.
A morte do meu pai foi o maior desgosto que sofri, é aquela dor que não quer calar, apesar do tempo. Sabe aquela opressão no peito que tira o ar? É assim que me sinto quando me lembro do meu pai. Ele poderia estar aqui hoje.

Não acredito que uma blogagem colectiva convença algum fumador deixar de fumar, nem tenho tal pretensão, mas se você fumador(a), está a ler as minhas palavras, saiba que a sua presença é importante para alguém. Então, cuide da sua saúde, trate bem o seu corpo. A vida é preciosa.

Tema subordinado à blogagem colectiva "Dia mundial sem tabaco", promovida por Nando Damásio.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A magia das cores


Gosto imenso de decoração; a minha casa é uma construção dos anos 70 e vivemos aqui durante alguns anos antes de a renovarmos. Nesse hiato estudei minuciosamente o que poderia suprimir, mudar, melhorar e adorei fazê-lo. Transformar uma casa que detestei inicialmente, num lar onde actualmente me sinto melhor do que qualquer outro lugar foi um desafio e tanto! Reflecti imenso, deu trabalho e demorou, mas adorei cada etapa, e por isso afirmo que jamais recorreria a uma decoradora.
Porém, interesso-me bastante pelo tipo de energia que circula pela casa e quando soube que o feng shui ensina a criar ambientes harmoniosos as minhas antenas reagiram; confrontada com uma série de perigos(?), como por exemplo uma árvore em frente de casa (reduz as oportunidades), uma escada aberta (perda de dinheiro), etc, que não poderia mudar recorri a alternativas mais realizáveis, como por exemplo as cores das paredes. Penso que todos sabem da importância das cores e em como nos podem influenciar, por exemplo o lilás acalma o coração, a mente e os nervos, o laranja abre e estimula o apetite, o amarelo estimula a comunicação e actividades mentais, etc. Li recentemente numa revista que Michele Pfeiffer come sempre em prato azul, pois é uma cor que proporciona saciedade (humm, talvez seja por isso que sempre fui magra, a minha cor favorita é o azul :)).
O Feng shui também dá umas dicas razoáveis para obter prosperidade: colocar um bonito arranjo de flores ou uma fruteira na mesa da sala de jantar, nada de portas emperradas, ter o fogão bem limpo, ter a secretária onde habitualmente trabalha bem arrumada para que as energias criadoras circulem facilmente; abuse de plantas, mantenha as portas dos w.c’s fechadas, são ladrões de abundância, etc. No mínimo conselhos muito sensatos!

Vi algumas fotos de casas decoradas segundo o feng shui e sinceramente não gostei. Se uma decoradora não me iria convencer, claro que o espelho de talha dourada ao fundo das escadas ficaria no mesmo lugar mas umas plantas verdes na cozinha não colidem com as minhas convicções decorativas!

Porque estou a escrever sobre este assunto? Bem, porque os dias têm estado cinzentos, muito tristes mesmo, especialmente sendo Primavera, porém cá em casa o sol está radioso, talvez porque as paredes estão pintadas de amarelo!
Penso assim mesmo, a decoração da minha casa é ditada pelo nosso gosto pessoal e nosso estilo de vida. Afinal a nossa casa é o nosso espelho; ou não é?


Up date:
Para desfazer mal-entendidos, esta é a entrada de minha casa (a primeira foto, que achei belíssima, pertence a um link do post, não sei exatamente qual).

Tenha uma óptima semana, muito colorida, se possível!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

"Remexendo no lixo"

(Imagem Beggar)

“Se queres saber as novidades vai à cabeleireira”, é uma espécie de ditado antigo que continua a actual. Eu queria apenas arranjar o cabelo, porém saí do Salão com novidades inquietantes. A cabeleireira conversava com outra cliente que comentava ter visto uma família, com uma criança pequena, a remexer o lixo da Churrasqueira, procurando comida. Impulsivamente, levantei a cabeça da revista que folheava e perguntei incrédula:
-Aqui?! Ao que a cabeleireira respondeu que no jogging nocturno dela costumava encontrar pessoas à procura de comida no lixo da minha rua! Que têm aparência estrangeira. Fiquei perplexa.

Lá no Salão ela tinha um abaixo-assinado, que seria entregue na Assembleia da Republica, para pressionar o Governo a interferir no caso do motorista preso em Espanha. Parece que ele é desta zona e todos acreditam na sua inocência. Ele está acusado de tráfico de pessoas porque a polícia espanhola encontrou 2 marroquinos escondidos no camião, quando ele voltava de Marrocos. Isto acontece frequentemente; desesperados para sair de Marrocos escondem-se nos sítios mais incríveis dos camiões e camionetas.

A Europa não é o El-Dourado e Portugal muito menos, mas ainda assim pessoas desesperadas correm risco de vida para cá chegar. E se chegam, enfrentam novos problemas, pois a taxa de desemprego está altíssima! Os portugueses estão a emigrar para a Suiça, Luxemburgo, Mónaco e França, porque aqui todos os dias fecham fábricas. E não são apenas jovens, são pais de família e avós que emigram. Quando não há trabalho não há comida!

Sei de alguns casos de emigrantes empregados, que estão a ser tratados como escravos; recebem o vencimento no fim do mês, mas trabalham sem horário. Uma ex-enfermeira que é agora empregada doméstica das 8h às 23h e ainda trata do recém-nascido, para a patroa descansar, pois está habilitadíssima! Uma ex-directora de colégio que faz o trabalho doméstico e trata de 4 crianças, até às 21h. Estas mulheres deixaram família e filhos para trás, na procura de uma vida melhor. Não sabiam que em tempos de crise perdem direitos e dignidade.

Se conhece alguém que pretende emigrar avise-o, aconselhe-o a informar-se muito bem do que vai encontrar no destino. Realmente não posso julgar, e compreendo a vontade em procurar uma vida melhor, mas pode-se também encontrar o pior!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Chá de bonecas


De manhã aconteceu uma coisa que me aborreceu imenso; a ponto de perder a vontade de postar hoje. Tinha pensado escrever sobre outro tema, porém agora só me apetece falar sobre o "chá de bonecas” que organizei à minha filha. Como ela só tem primos queixa-se imenso por não ter amigas para brincar, então lembrei-me de lhe organizar um “chá de bonecas”, que era uma das minhas brincadeiras preferidas, quando criança. A Letícia adorou a ideia, e metemos mãos à obra. Fizemos as duas os convites ( vestidos em cartolina rosa, debruados a fita de seda e rendas, com o convite dentro do bolso) que ela levou para todas as meninas da sala dela, no Infantário. Só isso já alterou os ânimos por lá. No sábado fiz as compras dos refrigerantes, batatas fritas, salsichas cocktail, queijo e fiambre para as mini-sandes. Depois, entrei na cozinha para preparar aquelas coisas que todas as crianças gostam: gelatinas variadas, bolo de chocolate com calda de brigadeiro, coquinhos e muffins de baunilha.

No domingo de tarde as meninas começaram a chegar e cada uma ia sendo recebida pelas outras aos “ Viva a X!”, “Viva a Y!”, quase levadas em ombros para dentro! Cada menina trazia a sua boneca preferida, apresentavam-na e instalavam-na à mesa, para o chá. Entretanto, as donas das bonecas brincaram de tudo, baloiço, escorrega, bicicleta, trotinete, casinha, restaurante, supermercado, etc, sendo que trajar o vestido da Bela (Bela e o Monstro da Disney) foi a mais disputada das brincadeiras. A ponto de eu cronometrar o tempo de cada uma! As 9 meninas entenderam-se às mil maravilhas; depois do lanche brincaram mais um pouco e por voltas das 18h os pais começaram a chegar para levá-las. Todas pediram para ficar "mais um bocadinho, por favor!”.

Hoje fui levar a minha filha ao infantário e quando me baixei para lhe dar um beijo, umas mãozinhas agarraram o meu pescoço e deram-me um forte abraço. Virei o rosto e vi um sorriso iluminado. Rapidamente fiquei rodeada de meninas que me abraçavam e beijavam, para espanto das funcionárias.Com meiguice elas perguntavam-me quando poderiam vir cá para casa novamente. E eu tive que prometer que faríamos outro “chá de bonecas”.

Abraço é bom, mas abraço espontâneo de criança é o melhor de todos! Naquele momento as meninas retribuíram o meu trabalho com aquele abraço e, mais importante, no momento em que eu estava mesmo a precisar!

Claro que vamos ter outro “chá de bonecas”! Apesar da Internet, P.S.P. , Gameboy e Nintendo, as brincadeiras da minha infância continuam a encantar!

Tenha uma boa semana!

Nota: Se desejar imprimir os vestidos, e fazer o convite no verso, pode fazer download grátis no site  Sweetly Scrapped.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Voto de confiança


Sociabilidade é uma bandeira que os profissionais da educação acenam frequentemente, como sendo um dos grandes atractivos do Infantário; quando o meu filho foi pela primeira vez para o Infantário, a educadora insistiu comigo, diversas vezes, para que ele fosse todo o dia e não apenas a manhã. Dizia ela que o Duarte precisava de mais tempo para se sociabilizar. Eu e o meu marido não cedemos por diversas razões, mas o facto do Duarte não fazer amigos no Infantário inquietou-me um pouco. Por isso, pressionei, de certa forma, a amizade do meu filho com outro menino, filho de um casal amigo. Era notória a falta de empatia, mas ainda assim nós “promovemos” aquela amizade, na tentativa de provar que o nosso filho era uma criança sociável.
Conforme o tempo foi passando e nós fomos observando as duas crianças a brincar, compreendemos que a renitência do Duarte na aceitação daquele amigo era justificada; é uma criança com características que eu também não gostaria de ter num amigo.

Com isto eu aprendi que muitas vezes temos mesmo que dar um voto de confiança aos nossos filhos; eles podem não conseguir explicar o que sentem, podem até nem ter palavras convincentes, porém o que eles sentem pode ser muito mais verdadeiro do que o raciocínio mais lógico de um adulto. As crianças intuem, nós pensamos!

Ah, o meu filho está agora no 1º ano da escola e tem muitos, muitos amigos :)!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Fim dos tabus


Fico perplexa com a actual facilidade das pessoas em assumir comportamentos interditos. Tabus como ser divorciado, ser mãe solteira, fumar, tomar a pílula, fazer um aborto, etc, já tiveram o seu tempo. O tabu diluiu-se sob o signo da liberdade, do “ninguém tem nada com isso” e os limites alargaram-se para lá da imaginação. Que um pai de 60 anos e uma filha de 30 venham assumir um romance, e o filho que tiveram em conjunto, passa para lá da minha imaginação.

Como chegamos a esta situação? Acredito que o aniquilamento de valores tem levado à dissolução dos tabus. Contudo, todas as sociedades, todas as culturas necessitam de tabus, por isso mesmo os têm e tiveram; os tabus são limites pelos quais as pessoas se orientam, pelos quais as sociedades se pautam buscando a preservação da ordem. Uma cultura sem tabus torna-se devassa e em última instância caótica.

Fiquei a pensar no Eça. Se Eça de Queiroz tivesse vivido numa sociedade sem tabus jamais teria escrito “Os Maias”, pois a trama principal seria completamente banal; Carlos da Maia e Maria Eduarda poderiam ter vivido uma vida conjugal pública e assumida, poderiam ter tido filhos e poderiam até ter vivido felizes para sempre!E aquela única vez em que Carlos sucumbira a Maria Eduarda, em consciência, não teria tido aquele efeito avassalador.

Que lástima….

Uma boa semana a todos!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Um princípio e um fim


Ultrapassou as intempéries de Inverno e apresentou-se vigorosa à Primavera. Quando as primeiras folhas brotaram, quebrando o castanho do seu tremendo esqueleto, constatamos num alívio tácito que a vida permanecia ali. Porém, as tempestades súbitas primaveris fustigaram-na incessantemente com chuva e vento e ela cedeu. As folhas murcharam, e nós, esperançosos, pensamos que talvez fosse a geada que as queimara. Mas não, alguém nos disse que as raízes estavam doentes e que seria apenas uma questão de tempo. A nossa figueira morreu.

Eu via-a como uma imensa gaiola, daquelas especiais, que convidam a entrar e permitem sair, pois nela não existia porta. Tudo era liberdade. Pouso de excelência para pássaros viajantes, procurando uma sombra ou um abrigo da chuva; pardais, melros, rolas, e andorinhas – ainda mal tinham chegado – saltitavam de ramo em ramo, perseguindo-se enamorados, chilreando num coro alegre e insuportável para algum citadino a dormir cá em casa. O verde frondoso da sua folhagem era a mais fantástica das cortinas, oferecendo-nos privacidade e uma decoração natural e viva. Sim, ela era um ser vivo, deu-nos belos e suculentos frutos durante a sua existência e deixou descendência; há cerca de 2 anos começaram a nascer figueiras pelo jardim, que nós fomos arrancando e dando a amigos e vizinhos. Sem saber que ela preparava já a partida. Ficou uma filha, num canto esquecida, até há pouco. Por isso, que ninguém estranhe quando eu contar que a morte da figueira, única árvore do jardim, que já existia nele antes de nós, nossa companheira e companhia nos abalou até ao âmago. O meu marido sentiu-se em luto e o meu filho agarrou-se a mim a chorar.
-Tudo tem um princípio e um fim, filhote. Murmurei-lhe ao ouvido.

Tenha uma óptima semana!