segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Caixa de óculos é " fashion"!


Coitadinhas das crianças da escola que precisavam de usar óculos! Eram vítimas fáceis, arrumadas com o monótono e simples argumento: "Cala-te, caixa de óculos!". Não me recordo de ter utilizado argumentação tão rasteira, até porque o meu pai usava óculos desde que eu o conhecia, portanto eu sabia que só usava óculos quem via mal. Mas lembro-me de colegas atirarem o insulto como se a miopia fosse um crime, ou algo altamente reprovável.
Efectivamente, naquela época os óculos de criança eram cópias dos de adultos, extremamente feios, e GRANDES, isso sim!

Felizmente hoje em dia as crianças que usam óculos dispõem de uma infinidade de modelos e cores que só os envaidecem e destacam. De tal modo, que o melhor amiguinho do Duarte ficou muito decepcionado, quando este ano fez um exame de rotina à visão e não necessitou de óculos! Ainda assim, ele mantém a esperança de que precise, no próximo ano, rsss…

Vejam só a mudança de mentalidades! Isso é bom, não é?! No entanto, achei um bocado demais ler que os fashionistas londrinos desfilam actualmente com modelos de óculos incrivelmente enormes, precisando deles ou não, inclusivamente que os usem sem lentes, por não necessitarem deles at all! Mais um insulto estereotipado que a moda deita por terra!

Mas, óh, atenção: Ser caixa de óculos é fashion, mas tem que ser daqueles modelos enooooormes e quadrados ;) E fica a dica!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Férias em Londres (com crianças)


 Natural History Museum

Não pretendo fazer um relatório das nossas férias, com certeza cansativo e nada original, para quem conhece Londres, porém gostaria de partilhar a versão “férias em Londres para crianças”. Continuamos adeptos de férias em família, conscientes que férias nas metrópoles podem ser cansativas para as crianças, porém convictos que estas experiências nos soldam mais ainda enquanto membros da família e alargam imenso os horizontes dos pequenos.

Vivendo numa pequena localidade o único transporte que as crianças utilizam é o carro, portanto a diversidade de transportes que utilizamos nestas férias, foi por si só um acontecimento excitante: avião, táxi, metro, comboio e autocarro: de dois andares! Suponho que as crianças já aprenderam a valorizar estas pequenas coisas, tal como eu, que as fazem felizes!

Não direi que museus sejam todos interessantes para os mais pequenos, os meus adoraram o Museu da História Natural (duas vezes, tivemos que lá voltar, felizmente a entrada nos museus é grátis!) e da Ciência; só lá estávamos como acompanhantes, porém nos restantes museus coube-nos a nós torná-los interessantes. É fácil, basta contar histórias da História, para que fiquem motivados; observando uma máscara diabólica, acoplada a um capacete de guerra, da Idade Média, conversamos sobre o porquê de tal máscara, que seria para assustar o inimigo, ainda antes da batalha começar. De resto, todas as pinturas e esculturas clássicas, recriando figuras da religião e mitologia fornecem histórias fascinantes que qualquer criança terá interesse em ouvir.

Em Hampton Court tivemos oportunidade de ver, ao longo do dia, a recriação do dia de casamento de Henrique VIII com a sua última esposa, Katherine Parr; a história inusitada deste rei (que mandou decapitar 2 mulheres e casou 6 vezes) fascinou os pequenos, que ávidos em detalhes da sua história, me repetiam constantemente: mãe, estou à espera! Sempre que eu parava de falar, para ler alguma legenda ou observar detalhadamente algum objecto.

Enfim, banhos de cultura e multidão em vez de banhos de sol e de mar podem ser muito cansativos, mas intelectualmente revigorantes. É decididamente o caso!

É bom estar aqui novamente. Tenha uma óptima semana!

Adenda: Se procura informação mais turística, veja no Londres para principiantes. Muito bom!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Notícias, telejornais e jornalistas


É impressionante como a maior parte das vezes me sinto desactualizada de notícias ruins! Já há muito tempo desistimos de ver telejornais cá em casa, pois o horário – hora de jantar - é incompatível com o teor das notícias e imagens; como manter o apetite, como saborear uma comida gostosa, quando o que se vê e ouve nos tira o apetite?!

Há muitos anos atrás o telejornal tinha “cabeça-tronco-e-membros”, entravam primeiro as notícias mais importantes - as nacionais - em seguida as internacionais e por último o desporto. Quem desejasse ver apenas uma “secção” poderia orientar-se e ver somente o que lhe interessava. Por exemplo, eu nunca via o final do telejornal, porque regra geral o desporto não me interessa.

Actualmente o telejornal é uma autêntica mixórdia de notícias; misturam as notícias todas, dão prioridade ao que não tem importância alguma, e o desporto resume-se a futebol! A saída do novo cd do Tony Carreira é notícia de telejornal, com chamadas de destaque ao longo do mesmo, a mudança de clube do Cristiano Ronaldo dá pano para mangas. Muitas mangas! E bem compridas!

Relativamente ao conteúdo, os jornalistas demonstram um apetite voraz e insaciável por notícias trágicas; o manjar tem sido a recessão, acompanhado pelo desemprego e aumento de criminalidade. Este é o prato da casa! No entanto, ultimamente surgiu outro, digamos... que é uma espécie de sobremesa - a gripe suína! Os casos são escrupulosamente contabilizados: “Mais um caso de gripe suína em Portugal! Ontem eram 171, hoje são 172! “

Tenho cá para mim que os jornalistas devem estar mesmo a torcer para que a pandemia de facto aconteça! No entanto, na cabeça das pessoas já é um facto; é incrível a quantidade de pessoas que está a desistir de viajar nas férias com medo da gripe A!

Quer um conselho? Vou dar ainda assim: Viaje, descanse, divirta-se! Boicote os telejornais, não as suas férias! As férias não causam depressão, ao contrário dos telejornais.

Tenha uma óptima semana!
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ACTUALIZAÇÃO:

Nem pensem que eu falo e não faço.
Fui!


I'll be back soon!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia do agricultor

(Imagem daqui)

É hoje e eu nem sabia que existia, mas também, pergunto: alguém sabe disso?

O grande problema do nosso país foi desde sempre não produzir; quem o diz é o prof. Hermano Saraiva e creio que está certíssimo. Agora agrava-se ainda mais. A nossa agricultura não existe, a nossa indústria morre todos os dias, a nossa frota pesqueira é praticamente invisível. Comemos os frutos e cereais franceses, o peixe espanhol, a carne inglesa, e vestimos a roupa feita na China, Coreia, Índia e por aí fora.
Estamos a ficar dependentes de países que entraram no nosso mercado com preços competitivos e “arrumaram” com os produtores nacionais. Tiveram também a ajuda dos nossos Governantes, que pagaram para que pés de videira e oliveiras fossem arrancadas. Que multaram os produtores de leite, por produzirem leite demais.

Um belo dia, quando a velha geração de agricultores, últimos resistentes, partir, ninguém saberá como pegar na enxada, como fazer a poda das vinhas, como transformar as azeitonas em azeite e as uvas em vinho. Ninguém saberá como tecer uma peça de pano, cortá-la e costurar uma camisa. Não vai restar ninguém que saiba atirar as redes e em que local do mar, para pescar peixe. Nesse dia, os nossos fornecedores estrangeiros, a preços incrivelmente baixos mudarão os preços nas etiquetas e nós pagaremos o que eles quiserem. Pagaremos caro. Aliás, já estamos a pagar caro.

Hoje é dia do agricultor, do homem que trabalha a terra, que semeia e planta; que rega, aduba e poda. Que faz nascer frutos e vegetais. Para nós comermos. A vida do agricultor é dura, sem horários, sem fim-de-semana. O corpo do agricultor molha-se com a chuva, enruga-se com o sol, arrepia-se com o frio. E no final do mês falta o dinheiro e sobram preocupações. Sempre.

Hoje é dia do agricultor e eu vou ao mercado. Vou comprar a quem produz. E para a semana também.

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A primeira vez



Vá lá...tire o sorriso malandro da cara, que este é um blogue familiar! Rssss...
Estes dias, enquanto eu terminava uma tarefa encarreguei a Letícia de fazer a lista das compras; eu ia ditando e sempre que ela tinha dificuldade com alguma palavra, soletrava-lhe. No final ela ficou extremamente orgulhosa com o feito e eu também. A minha pequenina de 6 anos, já escreve! Guardei a lista, juntamente com as outras coisas que ela tem feito. Porque foi a 1ª lista de compras da Letícia e as primeiras vezes têm sempre o efeito de me emocionar. Também guardei a do Duarte, há um ano atrás. Ele tinha ficado igualmente orgulhoso de si próprio.

Porque as primeiras vezes nos marcam taaanto?

Primus: Porque antes não éramos capazes de o fazer.

Secundus: Porque testamos a nossa inteligência e habilidade e passamos no teste.

Tertius: Porque a partir daí sabemos que poderemos repetir. Se quisermos ou precisarmos.

Quartus
: Porque vivemos a vida!

Que maravilhoso privilégio descobrir, constantemente, a “primeira vez” disto e daquilo ao longo da vida, não é?!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Era uma vez uma sementinha...


Falo sempre a verdade aos meus filhos; respondo com sinceridade numa linguagem ao nível deles. Eu sabia que o tempo das questões verdadeiramente difíceis se aproximava, contudo não deixei de engolir em seco, quando o Duarte me perguntou há pouco tempo como se faziam os bebés.

Tinha-me saído tão bem com a história do parto! Graças às cesarianas que fiz, a explicação foi sucinta e sem rodeios: o médico deu um medicamento à mãe, chamado anestesia, que tira as dores e depois fez-lhe um corte na barriga, por onde tirou os bebés! Lindo, maravilhoso, indolor e verdadeiro.

Fico sempre com aquela dúvida, qual o limite do aceitável e compreensível para as minhas crianças, porque eu quero ser uma mãe aberta e verdadeira sem lhes dar nós nas cabecinhas! Há muito tempo, li algures que se a criança tem maturidade para fazer uma determinada pergunta, também tem maturidade para ouvir a resposta. Então tento pautar-me por aí.

Por conseguinte, respondi que o pai colocava umas sementinhas na mãe, que cresciam e se transformavam em bebés. A explicação não suscitou mais dúvidas, embora eu as esperasse.(E receasse!)

Sinceramente, achei a minha própria explicação demasiado simplista mas por outro lado lembrei-me que se o Duarte não tinha aprofundado mais o assunto é porque ainda não tem maturidade para ouvir respostas mais assertivas. Entretanto, ao folhear uma Marie Claire(Nov.2008), deparei-me com um artigo, intitulado: “Diz, os teus pais fizeram-te como?”, em que diversas crianças respondiam a algumas perguntas. Fiquei alegremente perplexa com a ingenuidade de crianças, algumas mais velhas do que as minhas. Eis algumas pérolas:

Marie Claire: Sabes como os teus pais te fizeram?

Lisa (10 anos): Deram beijinhos.

Nina (8): Deram beijinhos na boca e depois alguns bichinhos vão pelo corpo da mãe.

Martin (6): Não sei.

Clemence (9): Penso que eles se beijaram, mas foi o médico e não o papá que fixou a data do nascimento.

Romaine(7): Não, a mamã está demasiado ocupada para me explicar!

Wanda(8): Eles fizeram amor e 9 meses depois eu nasci. Fui eu que quis saber. É importante compreender como nascemos.

Marie(7): Eles fizeram festinhas, depois uma sementinha vai para a barriga da mãe.

Ronan (9): Ninguém me disse, mas eu vi um filme sobre cavalos...para os papás e mamãs não é exactamente igual, mas há algumas coisas semelhantes.

Afinal a história das abelhas ainda continua válida, porque no séc.XXI as crianças ainda continuam crianças!

Boa semana!