quinta-feira, 29 de julho de 2010

Passeando em Lyon

Lembram-se de eu ter comentado aqui que nunca tinha comido sushi, porque me fazia imensa impressão o peixe cru? E lembram-se de eu ter colocado isso na minha lista de coisas a fazer em 2010?Ah, pois não, eu nem fiz essa lista!

Bem, seja como for, fomos a um restaurante japonês, aqui em Lyon, a segunda maior cidade de França; porque não uma brasserie? Porque este estava ali mesmo, no momento certo e depois esta  é somente a primeira parte da nossa estadia aqui.

Gostei de ter experimentado, daquelas coisas que devemos, uma vez na vida :)
Chama-se Okawa e fica na Place Carnot, perto da Place Bellecour, mesmo no centro da cidade. Diz quem aprecia que a relação qualidade-preço é óptima.

Depois passeamo-nos pela Vieux Lyon, entramos na Igreja de St.Jean e admiramos o famoso e belíssimo relógio astronómico, cuja existência vem mencionada em manuscritos de 1383, portanto, antiquíssimo e os lindos vitrais que rodeiam a igreja.


Não perdemos nunca ( nem as crianças permitem!) a loja “Les jouets de anges”, onde graúdos e miúdos se encantam com os brinquedos em madeira, uma loja diferente do habitual, para todas as bolsas.

E a loja interior medieval Mandragore, onde podemos ver réplicas de jóias, vestuário e armas da idade Média. As crianças acham montes de piada.

As pastelarias daqui são um regalo para os olhos, porém, apesar disso ninguém tinha apetite para um gateau ou macaron.O sushi saciou-nos realmente! Noutro dia, certamente.

Lembrete: postais na caixa do correio, ainda a tempo!

 A bientôt!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dica: Em França, estadia em chambres d’hotes!

Se vierem a França há uma coisa que têm absolutamente de fazer: experimentar chambres d’hotes.

Durante anos ficamos hospedados em hotéis, de diversas estrelas e cadeias, sem pensar duas vezes e no entanto víamos as indicações de chambres d’hotes em todo o lado.
Somente em 2007, levados pelas circunstâncias (hotéis completos na região de Carcassone) descobrimos este recurso para estadias, ao ficarmos num chateau do século XI.
-O que temos andado a perder! Dizíamos nós.

A filosofia de Chambres d’hotes, vem explicada no prospecto:
" Em quartos de hospedes, ira saborear o calor e autenticidade de acolhimento em casa do habitante, ao entrar nestas casas tipicas ( quintas, castelos, moradias de caracter... ); um ambiente de qualidade, calmo e agradavel,  5 quartos no maximo, um pequeno-almoço copioso, sera  com toda a convivialidade que a sua estadia decorrera, por uma ou mais noites, antes de descobrir, com os conselhos do proprietario, os pirineus-Atlanticos" .*

Para nós parte do encanto das férias no estrangeiro, está no contacto com os locais, na descoberta da forma de estar dos habitantes do país. Através dos chambres d’hotes, temos acesso ao mundo particular das pessoas; entramos em suas casas, conversamos, ouvimos conselhos que não vêm nos guias, degustamos receitas da região, feitas em casa.

Em Livron entramos numa espécie de “petit paradis”, La Maison de l'Ousse, uma propriedade verde e refrescante, pelo riacho que a contorna, com cavalos e gatos que nos seguiam para todo o lado, para diversão das crianças. Onde cada canto era um convite à quietude, à contemplação da natureza. Ao far niente, também tão próprio de férias.

Tirei imensas fotos da Maison de l’Ousse, só lamento não ter tirado à mesa do pequeno-almoço, que estava maravilhosa; de qualquer forma não daria para vocês provarem a compota de alperces e lavanda, uma receita tradicional da Provence, nem a de ameixa, laranja e cardomomo. Experiências gastronómicas, para nós!

Então, da proxima vez esqueça um pouco a segurança dos hotéis, e a profisional frieza humana e experimente a estadia com sabor e calor local; ainda que fale pouco, ou mesmo nada, francês, estas pessoas que recebem hospedes estão receptivas à comunicação alternativa.

Lembrete: Ainda estão a tempo de receber um postal; vejam como no post anterior.

Até breve! A bientôt!

* Desculpem a falta de acentuaçao, teclado francês!

sábado, 24 de julho de 2010

Extra, extra! Praticante do género epistolar


Citação parcial de um comentário da Paula:
“Ah! Eu também adorava ver os selos que se colocavam nas cartas. Mas hoje em  dia é tudo tão informatizado. É raro encontrar na nossa caixa de correio uma carta ou postal de alguém amigo a dar-nos noticias ou a desejar-nos os parabéns ou boas festas. Só encontramos contas para pagar ou publicidade com o intuito de nos levar a gastar dinheiro.
Vamos começar novamente a escrever cartas e a enviá-las pelo correio?  “

Bom, cá em casa poucas contas encontramos na caixa do correio (calma, não há milagres nem mandingas, as contas chegam cá, só que pelo email!), e portanto na nossa caixa do correio são depositadas (pela cada vez mais figura mítica do carteiro), cartas verdadeiras, com selos, e com notícias, votos de boas-festas e parabéns! E ás vezes também há postais dos amigos e familiares que viajam.

Porque eu sou, desde sempre, praticante do género epistolar; a correspondência é um dos meus passatempos mais antigos. Então, este comentário deu-me a ideia de fomentar uma brincadeira com as leitoras ( talvez eu devesse dizer leitores, mas eles são tão silenciosos....) do meu blogue; partimos de férias manhã, viajaremos por três países na Europa, em dois deles já somos “vezeiros” mas estreantes na República Checa ( Marisa: os outros dois são: França e Alemanha). Por conseguinte...

- Quer receber um postal, na caixa do Correio? Com selo e escrita personalizada?
Fácil; envie-me o seu endereço, através do email, que tenho na sidebar.

Mais ainda: Se tiver uma criança e desejar que seja ela a receber o postal, porque os pequenos adoram estas coisas, é só incluir o nome e especificar; os meus filhotes tratarão dessa correspondência.

Ignoro quando postarei novamente aqui, normalmente nas férias não o faço, porém como são 3 semanas de férias, não sei. Talvez...mas com certeza verificarei o email, regularmente.

Eu escrevo cartas e postais. E envio pelo Correio, e você?

Fiquem bem!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Viajar com crianças, nas férias

Quando uns amigos de um primo nos contaram que tinham ido para a Tailândia, durante 15 dias, com as filhas, uma bebé de meses e a outra de 3 anos, eu disse-lhes que eles eram loucos. Ainda mais loucos do que nós.
Fazer voos de tantas horas, estava fora de questão; ir para um pais exótico também, tudo por causa das crianças. Contudo, quando contávamos que íamos de férias, de carro, pela Europa, também via no rosto das pessoas a mesma incredulidade: são loucos!

É uma questão de organização e simplificação.
Na mala: Roupa prática, para dias quentes, um casaco e parka, para eventuais dias frescos ou de chuva. Ou seja, preparados para chuva e sol, sem levar os roupeiros às costas!
Bonés e chapéus.
Sapatilhas e sandálias.
Artigos de higiene pessoal, toalhitas ( que são necessárias constantemente) e protector solar.
Pequeno estojo S.O.S., com pomada para mosquitos.
Documentos de identidade e cartão de saúde europeu.
Brinquedos, livros e jogos (isto as crianças reúnem de boa vontade).

Na viagem: Longe vão os tempos em que o homem viajava de fato e gravata e a senhora com jóias. Vestimos roupas práticas e confortáveis. Óculos de sol e “persianas” nas janelas de trás, porque atravessar Espanha é sempre muito quente.

No carro: levamos dvd’s e c.d’s , papéis e lápis de cores, almofadas para as crianças dormirem confortavelmente. Mala térmica com água fresca, sumos, iogurtes, bolachas, sandes e fruta.

Paragens: Paramos de 3 em 3 horas, para mexer as pernas e deixar as crianças correrem e brincarem um pouco. Tentamos encontrar estações de serviço que têm parque infantis. E gelados :)

No GPS: moradas dos contactos, amigos, familiares, hotéis e apartamentos onde ficaremos hospedados.

GuiaMichelin, o melhor dos guias, no porta-luvas, à mão de ser consultado, porque fazemos paragens sempre que o Guia diz que vale a visita.

Agenda: com moradas de amigos e familiares, para enviar postais.

Hoje as malas ficam feitas! Espero...
Até à amanhã.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Apicultora, eu? Apicultora ilegal?

Recordam-se quando falei de abelhas aqui? Em resposta a um comentário eu cheguei mesmo a dizer que se tivesse um grande quintal ainda me aventuraria no mundo da apicultura (daquelas coisas que se dizem, porque se sabe que não é possível).

Mas eu já deveria saber que devemos ter muito cuidado com o que pensamos, desejamos e dizemos, porque o Universo nos pode conceder o desejo! Aquela história: pede e receberás, sabe?
E eu fui criando as condições, comprei um vaso de brincos de princesa, só para que as abelhas visitassem o nosso jardim.

E quando me apercebo, aí estão elas. Duas ou três. E quando vejo melhor, elas estão atarefadíssimas a recortar bocadinhos (superior ao tamanho delas próprias) das folhas da glicínia e a transportá-las com uma eficiência militar para…a floreira suspensa da varanda!

Ajoelho-me e espero, e o que vejo deixa-me absolutamente intrigada; elas entram e saem pelos orifícios onde o excesso de água da rega, deveria sair. Olho para o chão e vejo alguma terra caída. Durante dias, semanas a mesma rotina. Todos os dias apanho a terra, que elas vão expulsando para ganhar espaço. Sem dúvida instalaram-se na floreira, e estão a construir no seu interior uma casa adequada às suas necessidades e gostos. A tal colmeia!
Por cima estão as petúnias, que eu já pouco rego, com receio de desequilibrar aquele frágil eco-sistema. No entanto, mal vejo as abelhas pousadas nas flores. Tudo o que elas fazem é trabalhar! Para além do trabalho de construção, ignoro se produzem mel. Ou se procriam, porque para isso é necessário uma rainha. Sabiam que 3 meses, no verão, é o tempo de vida da abelha?! Uma vida tão curta e atarefada. Da próxima vez que uma abelha desorientada, entrar em sua casa, não a mate, ajude-a antes a encontrar a saída, está bem? É fácil, com uma folha de papel.

Nunca o meu desejo de visão raio-X foi tão grande! Ou então, que a floreira de terracota fosse de acrílico e a terra,  transparente, tipo gel, entende?! Como eu gostaria de saber o que lá se passa!
Nessa impossibilidade, fui informar-me nos sites especializados; descobri que as colmeias não devem ser colocadas debaixo de árvores, por causa das gotas da chuva, porque a humidade é péssima para as abelhas. Então porque foram elas, voluntariamente, para a floreira?!

Adiante…os apicultores também devem colocar as colmeias 300 metros afastadas da vida pública.
- Óh, óh!  Que eu seja uma apicultora involuntária, faz de mim apicultora ilegal?
-Tsssssst! Não digam a ninguém!

Agora… o que vou eu desejar?! Que as abelhas sejam felizes no novo lar? É isso, acho que sim.
E você, tenha cuidado com o que deseja!

Até breve!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meio sol amarelo – dica de leitura


Passa-se na Nigéria, ou no Biafra, dependendo dos capítulos e tempo. Cinco personagens muito diferentes entre eles, no entanto ligados uns aos outros, do princípio ao fim. Começa tranquilamente com histórias de amor, esperança e sonhos que vão sendo substituídos abruptamente com a guerra, por desespero e medo.

Para aqueles que se perguntam como os alemães conseguiram ser coniventes com os nazis, esta é a resposta: em tempo de guerra a sobrevivência transforma as pessoas. Eles tornam-se naquilo que nunca teriam sido, em tempo de paz. Porque nessa altura tudo o que importa é sobreviver.

Não pense que é triste, nem deprimente. É antes uma história de amor e perdão, de provas e superação, de limites que são ultrapassados todos os dias, por muitas pessoas que não escrevem livros. Aqui contado pela voz de uma mulher.

Poderia fazer um resumo, que lhe desse uma ideia da trama, porém, está muito bem feito no Portalivros; eu só lhe digo, que logo nas primeiras páginas, um rapaz chamado Ugwu, caminha longamente, acompanhado pela tia, que lhe vai dando indicações sobre o seu futuro patrão, um professor universitário. Mas  Ugwu só consegue pensar numa coisa, que a tia lhe disse: naquela casa todos os dias se come carne. Ele não acredita que alguém no mundo, coma carne todos os dias.

Excelente literatura!

“Meio sol amarelo"
Autora: Chimamanda Adichie
Vencedor do Orange Prize 2007
Editora: Asa
Páginas: 544

Fique bem e faça boas leituras!