domingo, 5 de setembro de 2010

Você tem o síndrome de Shrek?!


- Já foi ver "Shrek, para sempre"?
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- Não? E porquê, posso perguntar?
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- Não, está enganado, não é um filme infantil; na realidade é um filme para adultos, que também pode ser visto por crianças.

Em primeiro lugar, porque o filme é muito divertido, mas a subtileza das piadas escapa aos mais pequenos, e são os pais que mais se riem, para alguma perplexidade dos filhos. 

E em segundo, porque o tema debatido é demasiado profundo, para ser captado pelas mentes-infantis; porém, parece-me até que muitos crescidos também passam ao lado dessa questão menos evidente.

Tenho visto ao longo do tempo como alguns casais se desgastam e terminam até, pela corrosão da rotina doméstica. Sobretudo para os homens, as delícias da vida familiar ( incluindo nisso as noites mal-dormidas, as interrupções constantes,  a falta de privacidade do casal, as fraldas sujas, o choro, as doenças, a menor disponibilidade financeira....), podem ser avassaladoras. Assumir o papel de marido e pai não é fácil, ninguém nunca o afirmou sequer. Mas tem as suas contra-partidas, dentre as quais ser amado e experimentar uma vida rica familiar.

Porém, nem sempre os aspectos positivos são evidentes para o género masculino. E assim começa uma busca pela evasão a um tipo de vida que lhes causa irritação e saturação.  Programas com os amigos. Aventuras fora do casamento? Sim, também. O que por vezes os leva a trocar a vida familiar pela emoção de uma nova paixão, esquecendo que um dia esta também esfriará e dará lugar a uma nova rotina. Se correr bem, pois se não correr, acabará só.
E muitas vezes arrepende-se e deseja voltar a recuperar aquilo que perdeu. Porque afinal a vida familiar lhe faz falta. Diz-se que ser mãe é padecer no paraíso, mas parece-me que o ditado tem sido injusto para com os pais.

Causa-me uma certa tristeza que as pessoas sofram por não se conhecerem suficientemente bem; porque basicamente, é isso que espoleta tudo.

Shrek teve sorte, é uma personagem fictícia, e com muita magia teve direito a uma segunda oportunidade.E nem sequer foi para salvar Fiona, pois se Shrek não tivesse existido em sua vida, isso só a transformaria numa mulher mais forte, numa guerreira respeitada. Os homens não são os salvadores das mulheres; são seus pares.

Não perca o filme, e leve o marido!

Até breve.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Visita à Quinta da Aveleda - Sítios a visitar no Norte


A quinta da Aveleda faz parte do Roteiro Românico, em Penafiel.
Passamos lá uma tarde maravilhosa, com as crianças a correrem entusiasmadas, de um lado para o outro. À entrada, é-nos fornecido um mapa, com o roteiro aconselhado, entregue às mãos dos pequenos mais velhos, e que resultou num série de enganos, que por sua vez provocou muitas risadas e retrocessos.

Há cabrinhas, patos, cisnes, pavões e rolas, galinhas e garnizés, rãs e peixinhos, que encantam as crianças. Há casinhas oníricas – juro que a da Branca de Neve e sete anões é lá que fica- pontes, lagos, fontes e canteiros. Há recantos com mesas e cadeiras. Há sombra e barulho de água a correr. Há um eucalipto com cerca de duzentos anos, que o grupo de doze rodeou bem esticando os braços. Há... muito para descobrir!

A Quinta, compreendendo os jardins, lagos, fontes, diversas casinhas e casa grande, está muitíssimo bem cuidada, apresentando um bom-gosto que nos causou grande admiração. É uma propriedade familiar e só posso expressar a meu bem-haja, pela generosidade dos seus proprietários, que abrindo as portas da Quinta partilham connosco um sítio tão especial.
É o tipo de local que podemos mostrar com orgulho a amigos estrangeiros. Mas antes disso, convém que sejamos nós, os portugueses a visitar e conhecer.

Os vinhos Aveleda são sobejamente conhecidos, pela sua qualidade e agora a Aveleda oferece uma série de novos produtos, como queijo, marmelada e doces caseiros, objectos de decoração e utensílios, que podemos encontrar na loja da Quinta.

A loja é acolhedora e o atendimento muito simpático; as promoções são diárias e valem muito a pena, compramos um Touriga nacional - Cabernet Sauvignon, com 50% de desconto. Além disso, o rosé casal Garcia, que também é óptimo, agora no Verão.

Já não fomos a tempo das provas, que são oferecidas num ambiente muito adequado, o que só nos motiva para uma nova visita. Entretanto, se não puder aceitar a minha sugestão para uma visita à Quinta da Aveleda, sugiro-lhe uma visita virtual.
E ofereço-lhe as minhas fotos!

Até breve!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jogo fácil e divertido para aumentar auto-estima das crianças


Quantos mais participantes tiver melhor; os adultos também são bem-vindos, o que pode proporcionar um jogo familiar muito interessante.

Tudo o que vai precisar é de uma folha de papel (reutilize!), um clipe e uma esferográfica por participante. A folha prende-se no colarinho da roupa (portanto, nas costas), com o clipe, de modo a que o seu proprietário não a veja.

Cada participante irá escolher uma qualidade da pessoa, que escreverá nas suas costas, sem que este saiba o que está a ser escrito. Não vale repetir, e no final terá de haver o mesmo número de “qualidades”, menos um. Doze participantes, onze qualidades.

Depois de todos terem escrito (processo engraçado, pelo comboio de pessoas que se vai formando e desfazendo), cada participante lê para si a sua lista, que será posteriormente lida em voz alta, para que todos ouçam. Sugiro que comece pelo mais novo e que no fim todos aplaudam.

Não imagina como os adjectivos que as crianças vão ler, os vão encher de alegria! Saber que os outros pensam coisas tão boas a respeito deles, promove realmente a auto-estima. Excepto se tiver um filho, tipo o meu, para quem tantos elogios não influenciam nada. Um problema de excesso-de-auto-estima?! Isso ficará para uma próxima.

A imagem é da folha da Letícia; não poderia fazer o scanner da minha, seria vaidade excessiva. Ó para mim, a ser vaidosa, dizendo que não quero ser.

Hummm... talvez o Duarte seja filho de peixe. Deste peixe! Isto também ficará para uma próxima.

 Enfim, faça o jogo e divirta-se!

Até breve!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mulheres podem fazer xixi de pé!

 

Detesto casas de banho públicas! Mas quem tem filhos pequenos sabe que logo que se saia de casa, a primeira coisa de que os pequenos se lembram é que têm vontade de fazer xixi! Portanto, a corrida para casa de banho mais próxima é sempre urgente, com a criança a correr aflita e apertando as pernas.
Por isso antes de sairmos relembramos sempre: - Ninguém quer fazer xixi agora?! Não? Vão lá fazer!
É mais ao menos assim.

Tudo porque as casas de banho públicas nem sempre estão limpas; então em férias é terrível, pois estações de serviço e casas de banho dos parques de estacionamento, podem mesmo  ficar muito sujas, devido ao grande  fluxo de utilizadores.

Contudo, agora com o inovador sistema Peewee (uma espécie de funil impermeabilizado), as mulheres também podem fazer xixi de pé, evitando assim esses sítios tão desagradáveis. Veja no link, como funciona.

Ora acontece que essa história dos homens fazerem xixi de pé já era uma coisa que me irritava imenso; acho uma falta de higiene. E sempre perguntei, sem obter resposta, porque não podem eles sentar-se?! É somente um hábito cultural, sentarem-se na sanita para fazer xixi,  não lhes retira nem uma miligrama de testosterona. Continuam a ser machos, caramba!
A sério, eu sou pela igualdade. Mas sentados.

Bom, quem pensar como eu, tem agora a alternativa: Se não os podemos vencer juntamo-nos a eles?!

Tenha uma óptima semana|

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Vamos fazer como o hibisco?


Gosto imenso deste hibisco!
Nunca passo por ele com indiferença e não me canso de o contemplar. Tudo nele é perfeito, o formato das flores e das folhas e a cor, tão difícil de definir, no entanto um tom imensamente vibrante.Nunca oferece mais do que duas flores abertas, em simultâneo; como se nisso afirmasse: - Seria excessiva beleza, para vós, olhos que me observais.

Só há um aspecto menos bom no hibisco; o tempo de vida das suas flores.O botão desabrocha de manhã e à noite fecha, definitivamente. Depois caí.

Todavia, não é por isso que o hibisco pára de florir. Continua a desabrochar e continua a ser perfeito. Porque continua a valer a pena. E  ao observá-lo, penso: - Porque deixamos nós de fazer tantas coisas, com o pretexto de que não vale a pena?!

Há excepções. Um amigo nosso, sexagenário, começou a aprender Francês -sozinho-  há cerca de 4 meses; neste momento está a ler Balzac, no original.

Sabemos tão pouco...até as flores sabem mais do que nós.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A história deste quadro

 Frequentemente as pessoas espantam-se como conseguimos visitar tantos museus, com as nossas crianças.
- Eles não se saturam? Perguntam-me.

Não. Respondo eu, porque utilizamos uma estratégia muito eficiente. Cada quadro que observamos ou admiramos conta-nos uma história; seja de fundo religioso, mitológico ou histórico, interessa sempre aos nossos pequenos. De tal modo que eles se antecipam a mim, na procura de algum quadro que lhes espicace a curiosidade. E puxam-me pela mão, impacientes, perguntando: - Qual é a história deste quadro, mãe?

Encontrei este no Musée des Beaux Arts em Lyon; desde logo me chamou a atenção, afinal retrata um momento mitólogico-histórico de Portugal, pela mão de um pintor francês. Esta deve ser provavelmente a nossa mais famosa "história" no estrangeiro.

O príncipe D.Pedro era filho do rei D. Afonso IV e viria a tornar-se rei de Portugal. Casou com a castelhana D.Constança, que trouxera no seu séquito, como dama da companhia, uma nobre muito bonita, chamada Inês.  D.Pedro apaixona-se por ela e é (evidentemente) correspondido.

Abre parênteses: Como digo às minhas crianças, antigamente os casamentos dos reis eram feitos sem amor, eram contratos de aliança, com outros reinos, um negócio. Por isso, os príncipes se apaixonavam e tinham outras “namoradas” e às vezes filhos, com elas. Fecha parênteses.

Entretanto, D.Constança, convida Inês para madrinha do filho que tivera com D.Pedro, criando um laço de parentesco entre os dois, na expectativa de afastar os dois amantes. Porém, isso não aconteceu. O amor deles manteve-se. E aumentou, quando D.Constança morre de parto, e os dois amantes passam a viver juntos em Coimbra. Aí, numa existência idílica, nasceram os seus filhos: João, Dinis e Beatriz.

Ora D.Afonso IV ouvia dos conselheiros que o casamento entre o seu filho e D.Inês, poderia ser nefasto para o reino, uma vez que ela pertencia aos ambiciosos “Castros”, que de alguma forma poderiam pôr a independência de Portugal em perigo.
Finalmente, a 7 de Janeiro de  1355 o rei cedeu à vontade dos conselheiros, que queriam ver Inês morta, e numa altura em que D.Pedro partira para a caça, a amante do príncipe foi friamente degolada. Quando D. Pedro soube do acontecido, juntou nobres e povo, para fazer guerra ao rei, seu pai. Só não aconteceu porque a mãe, a rainha D.Beatriz, interveio.

Ao subir ao trono, D.Pedro, que não esquecera a tragédia de que ele e Inês foram vitimas, vingou-se dos responsáveis, mandando-os matar, com detalhes que poderá ler aqui. Por isso ficou na história como o “ o Justiceiro” para uns, e “ o Cruel”, para outros.

Em 1360, o rei, que entretanto dissera que ele e Inês se tinham casado em sigilo,  mandou construir dois túmulos no Mosteiro de Alcobaça, um para ele, outra para D.Inês e mandou transladar os restos mortais da "rainha", de Coimbra, para lá.

Diz a lenda que o rei fez coroar D.Inês depois de morta, e obrigou a nobreza a beijar-lhe a mão.
A história divulgou-se entre o povo, inspirou poetas ( até o grande Camões a cantou nos Lusíadas: “mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha...”), e passou além fronteiras, inspirando peças de teatro, óperas, bailados, romances e quadros. Como este aqui, de Pierre-Charles Comte em 1849.

Esta é a história deste quadro.

Até breve!