quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cleo, A história real de uma gatinha que salvou uma família

( Imagem daqui: Wook)

Sinceramente? Quando vi este livro pela primeira vez, pensei desdenhosamente: -  Olha a versão felina do “Marley e eu”! Mais outro espertalhão a agarrar-se ao filão de ouro!

Não sabia mas precipitei-me. Porém, passado algum tempo, coincidindo com a presença do novo gatinho cá em casa, a minha mente já estava mais receptiva, ao ponto de pegar no livro e folheá-lo. O pouco que li desfez de imediato as minhas ideias primitivas, afinal o livro parecia-me genuíno e interessante. Valia a pena lê-lo. Tinha que lê-lo! Já não o pousei, trouxe-o comigo e devorei-o, li-o em poucos dias.

É uma história verdadeira, tão rocambolesca e inesperada como só acontece na vida real. Além disso, possui três elementos fantásticos: está muitíssimo bem escrito, é dotado de um grande sentido de humor e, a escolha  de palavras é realmente criteriosa. Helen Brown mostra-se uma verdadeira cirurgiã de palavras.

Como tinha um gatinho na capa, os meus filhotes ficaram imediatamente de “orelhas em pé”; de forma que à medida que eu ia lendo, ia-lhes contando as peripécias e apesar da tragédia inicial que os entristeceu, a trama foi-se aligeirando com as tropelias do pequeno felino, o que nos provocava imensas gargalhadas. As crianças faziam muito o paralelo com o nosso gatinho, Tico, também conhecido como “ Diabo da Tasmânia”, e diziam que ele e Cleo dariam um óptimo par. Na altura, até pensei que comparativamente o Tico era um gentleman ( ou antes gentlecat?), mas aqueles dois juntos?! Ó horrores...Adiante. 

Este tipo de leitura paralela com as crianças tem o bónus de ser mais um incentivo à leitura; este livro em particular é um óptimo embaixador.

Aconselho muito o livro, para quem gosta de gatos e não gosta, porque afinal Cleo é somente uma personagem!

Resumo muito bom, no Marcador de Livros.

Boas leituras!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Atelier: o espaço que o teu corpo ocupa


Férias com chuva, crianças em casa. Missão urgente: mantê-las ocupadas. E felizes. Para mais, havia ainda um sobrinho, e uma amiga dos pequenos; uma turminha.
Eu tive a sorte de ter estes dias em casa uma “pro”, que tomou a iniciativa de fazer este atelier, com as crianças. Como vocês provavelmente não têm, aqui vai o descritivo.

Material: lápis de cor, aguarelas, folhas, galhos, conchas (apanhados previamente em passeios), papel de embrulho, tampas de garrafas, embalagens de cereais (benditas caixas de separação, de lixo!), papel de alumínio, fitas de seda, bocados de tecido, botões, lãs. Massas de todo o tipo e feijão. Tesouras, colas, e papel de cenário, cerca de 1 m. por criança.

Colocar todo este material de forma organizada num local espaçoso, onde a actividade terá lugar. No nosso caso foi a garagem. Ponha as crianças a colectar materiais e a organizá-los. Faz tudo parte.

Parte 1: Aula teórica, com visualização na net de quadros com figuras humanas e paisagens feitas com frutos e vegetais ( Google Arcimbold). Após demonstrar que a figura humana pode ser trabalhada com diversos materiais, dependendo da imaginação de cada um, trabalho prático.

Parte 2: Uma criança fica deitada no papel de cenário, na posição que entender, enquanto outra a contorna, com um lápis de cor, escolhido pela primeira criança. Terminado? Troca de papeis. Marcar bem o contorno, para que seja visível. Cortar o contorno de cada corpo, para que seja mais fácil de trabalhar individualmente.

Parte 3: Cada criança decora o seu corpo com os materiais disponíveis, da forma que entender; deve dar indicações quanto ao tipo de cola, lembrar as partes do corpo que podem ser trabalhadas, auxiliar com a tesoura, enfim, ajudar na medida do necessário, respeitando o gosto artístico de cada um.

Parte 4: Trabalhos terminados? Colá-los na parede, para que possam ser apreciados, numa inédita exposição de artes plásticas.

Objectivos do atelier: Aquisição da noção do próprio corpo e do espaço que ocupa.
(Duarte: - Ó mãe, eu não sabia que era assim tão grande!)
Desenvolvimento da criatividade.
(Cabeleira multicolor no “eu” do Duarte)
Projecção da ideia de si próprio.
(Características que identificam a criança e outras que causam surpresa total)

As crianças adoraram; mostraram-se empenhadas e orgulhosas com o resultado final.
E gratas, à pessoa querida que lhes proporcionou uma tarde tão bem passada.

Até breve!

sábado, 11 de setembro de 2010

Receita para o fim-de-semana: falso Bolo de Chocolate

E fui eu que o falsifiquei! Peço desculpa pela falta de modéstia, mas a falcatrua ficou muito bem feita. Os meus cúmplices familiares que o digam, porque a prova do crime desapareceu num ápice! Nem uma migalha, como pista.

E tudo o que eu fiz foi alterar o peso da farinha. E juntar uma chávena de chá mal cheia de leite. E trocar o açúcar por mascavado. Resultou num bolo mais encorpado. Pronto, confessei tudo!

Ingredientes:
4 ovos
150 g de açúcar em pó ( troquei por mascavado!)
150 g de manteiga amolecida
200 g de chocolate negro
160 g de farinha de trigo – No original são 16 g!
100 g de avelãs tostadas e moídas

Como fiz:
Derreter o chocolate em banho-maria.
Ligar o forno a 220º.

Bater as gemas com o açúcar até que a mistura fique espumosa.
Juntar o chocolate derretido à mistura das gemas.
Juntar a farinha, as avelãs moídas e a manteiga, mexendo com uma colher. Juntar o leite e voltar a mexer.
Bater as claras em castelo e incorporar à massa com movimentos suaves de cima para baixo.
Colocar a massa em forma untada e enfarinhada.
Cozer 20 minutos comprovando com um palito (a massa deve estar húmida).
Deixar arrefecer e desenformar.”

Receita original no No soup for you.

Bom fim de semana!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Curiosidades das férias...

- Quando saímos de casa, onde ficamos hospedados, em Livron, o gato  estava, tranquilamente, em cima do nosso carro. Teria passado lá a noite? Ou pretendia seguir viagem connosco? Não sabemos.

- Numa loja em Lyon, a vendedora cumprimentou-me pelo meu francês ( : - Vous parlez trés bien le français, Madame!). Eu agradeci, enquanto o meu primo ( nado e criado em França), que não tinha aberto a boca, murmurou: - E eu ainda melhor!

- Em Nurnberg fomos atendidos numa Geladaria por um empregado que falava português; era italiano e tinha sido ( tinha, frisou ele!), casado com uma portuguesa.Nem tudo se perdeu.
- O parque onde estacionamos o carro em Praga pertencia ao prédio onde viveu, compôs e morreu Antonin Dvorak. Muito decadente a necessitar de obras urgentes; felizmente está para breve e terá uma casa-museu.

- O mesmo gelado de fruta custou em Telc 10 coroas, enquanto em Praga pagamos 80 e 90 coroas.

- Numa tentativa de conversa com um cidadão de Trevic, disse-lhe, em inglês, que éramos de Portugal,  ( nessa altura ignorava que Portugal era  Portugalsko em checo); como ele não entendeu, acrescentei: Cristiano Ronaldo! E fez-se luz. A magia do futebol...

- As gomas Haribo são muitíssimo baratas na Alemanha; ficamos a saber que a fabrica fica em Bonn e que o nome se deve às primeiras letras do seu fundador: Hans Riegel de Bonn. 

- Em 6.700 kms de viagem passamos por imensas, imensas mesmo, auto-caravanas e roulottes,  de várias nacionalidades, mas quem bateu o recorde ( era o êxodo!) foram os holandeses: Em 20, 18 eram Laranjas! Imaginamos que Agosto seria um bom mês para tomar a Holanda de assalto. Não estava lá ninguém!

Curioso...sei que há mais, mas não me estou a recordar! Hummm...

- Lembrei-me! Numa igreja em Praga, vi uma jovem mulher a fingir que rezava enquanto roubava, discretamente, água benta, para um frasquinho. Primeiro numa pia, depois na outra. Que tal?!
(Aaahhh! Eu sabia que havia mais!)

Até breve!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O que tem o Verão de bom...

 ( Ilustração de Marie Desbons, Mon grain d' sel")

Eu gosto do verão porque acho as roupas mais bonitas.
E pelas sandálias, que mostram as unhas dos pés pintadas.

E dias longos.
E noites estreladas.

Pelas saladas.
E  pêssegos, ameixas, melancia e uvas.

Pelos churrascos e jantares no jardim.
E piqueniques.

E pelos banhos na piscina.
Pelas férias.

Pelo tempo que passo com as crianças.
Pelas visitas, mais disponíveis, que temos e fazemos.

Pelas flores e árvores de fruto carregadas.
E relva verde. Por andar descalça na relva verde.

Pela alegria das aves, grilos, borboletas e abelhas.
Pelo céu azul.

Pela chuva que provoca o odor da terra.
Pelas tempestades de verão, que refrescam os dias.

Há tantas razões para gostar do verão, não há?

Até breve.

domingo, 5 de setembro de 2010

Você tem o síndrome de Shrek?!


- Já foi ver "Shrek, para sempre"?
...........
- Não? E porquê, posso perguntar?
...........
- Não, está enganado, não é um filme infantil; na realidade é um filme para adultos, que também pode ser visto por crianças.

Em primeiro lugar, porque o filme é muito divertido, mas a subtileza das piadas escapa aos mais pequenos, e são os pais que mais se riem, para alguma perplexidade dos filhos. 

E em segundo, porque o tema debatido é demasiado profundo, para ser captado pelas mentes-infantis; porém, parece-me até que muitos crescidos também passam ao lado dessa questão menos evidente.

Tenho visto ao longo do tempo como alguns casais se desgastam e terminam até, pela corrosão da rotina doméstica. Sobretudo para os homens, as delícias da vida familiar ( incluindo nisso as noites mal-dormidas, as interrupções constantes,  a falta de privacidade do casal, as fraldas sujas, o choro, as doenças, a menor disponibilidade financeira....), podem ser avassaladoras. Assumir o papel de marido e pai não é fácil, ninguém nunca o afirmou sequer. Mas tem as suas contra-partidas, dentre as quais ser amado e experimentar uma vida rica familiar.

Porém, nem sempre os aspectos positivos são evidentes para o género masculino. E assim começa uma busca pela evasão a um tipo de vida que lhes causa irritação e saturação.  Programas com os amigos. Aventuras fora do casamento? Sim, também. O que por vezes os leva a trocar a vida familiar pela emoção de uma nova paixão, esquecendo que um dia esta também esfriará e dará lugar a uma nova rotina. Se correr bem, pois se não correr, acabará só.
E muitas vezes arrepende-se e deseja voltar a recuperar aquilo que perdeu. Porque afinal a vida familiar lhe faz falta. Diz-se que ser mãe é padecer no paraíso, mas parece-me que o ditado tem sido injusto para com os pais.

Causa-me uma certa tristeza que as pessoas sofram por não se conhecerem suficientemente bem; porque basicamente, é isso que espoleta tudo.

Shrek teve sorte, é uma personagem fictícia, e com muita magia teve direito a uma segunda oportunidade.E nem sequer foi para salvar Fiona, pois se Shrek não tivesse existido em sua vida, isso só a transformaria numa mulher mais forte, numa guerreira respeitada. Os homens não são os salvadores das mulheres; são seus pares.

Não perca o filme, e leve o marido!

Até breve.