sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A moda das casas pretas

Em Portugal, já tivemos a fase das casas construídas em granito. Já tivemos a fase das casas forradas a azulejos, muitas vezes autênticas mantas de patchwork. Já as tivemos  pintadas de branco. Depois a fase das casas amarelas e finalmente pintadas em vermelho carregado.

Agora, tal qual psicólogos do tijolo, os engenheiros civis e arquitectos, passaram à fase da cinza e preto. Moradias e prédios em construção são exclusivamente nestas cores. E eu tenho-me perguntado: porquê?

Serão estas soturnas cores, reflexo do momento social que vivemos? Sim, porque se tivéssemos, mesmo agora, que atribuir uma cor ao espírito das pessoas seria cinza e preto.

Sinceramente, quem deseja viver numa casa preta, com persianas cinzentas e granito preto polido? Alguém feliz?!

E depois há ainda a questão do calor; aquelas fachadas absorvem o calor do sol e tornam os interiores inabitáveis, se não tiveram ar-condicionado.
E dizia eu, ainda há pouco, que não sabia que tipo de homem vive numa casa cor-de-rosa! E vocês vão dizer-me: - A Fernanda está a ser sexista!
Não, não! Eu própria não gostaria de viver numa casa dessa cor. No entanto, digo-vos, entre cinza e rosa, que venha o rosa! Pela alegria e energia que transmite. Que volte até o patchwork colorido dos azulejos!

Na Republica checa, deslumbrávamo-nos com a beleza das casas; muito ao estilo alemão e austríaco, fazem autênticos cartões postais!
Não compreendo porque em Portugal impera esta falta de gosto. Talvez os profissionais da construção devessem viajar, aculturarem-se, adquirir mais e variadas noções de estética, antes de começarem a desenhar caixotes cinza e pretos.

A sério que não compreendo, e o Feng shui também não!

O mundo não é muito mais bonito e alegre, quando é colorido?! Eu acho…

Bom fim de semana!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Definição de arte...?

Na Faculdade, um dos melhores professores que tive ( numa mão nomearia os que mais me marcaram, e entre eles estaria o professor Silva Pereira), deu-nos várias definições de arte, das quais eu retive esta : "A expressão do belo" .

Acho linda, este definição. No entanto, convenhamos, está totalmente ultrapassada.
No Museu das Belas Artes de Lyon, discutia com o meu primo, a respeito da arte plástica. Eu argumentava:
- Não gosto deste quadro, porque acho feio e não me diz nada!
Ao que ele contra-argumentava:
- Sim, esse não, mas aquele, por exemplo, também não me diz nada e não me importava de o ter em casa!
Acho-o bonito.

Lembro-me de uma história de quadradinhos, em que Mónica e Cebolinha, estando numa galeria de arte,  em frente a um quadro às riscas, discutiam teorias. Até que tiveram um acesso de espirros; afinal, o quadro  era o ar-condicionado!

A expressão da arte tem mesmo que me dizer alguma coisa; se não me fala ao coração, para mim não tem valor. Este desenho foi a Letícia que o fez, por isso só, já me diz muito, no entanto vejo nele valor suficiente para o expor numa parede. Com moldura e tudo! Não me canso de o admirar, de imaginar para onde estarão os olhos "dele" a olhar. Quem será? Em que pensa? Acho-o misterioso. E bonito. Faz-me pensar.

Isto, creio eu, é arte! E você, como a definiria?

Até breve!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como tornar o dia mais produtivo

 
Com o início do ano lectivo, as rotinas voltam-se a instalar, com horários para cumprir e montes de coisas habituais e inesperadas na lista do “ a-fazer”. O dia passa depressa demais e ficamos stressados e frustrados por não conseguirmos fazer tudo. Para evitar essas sensações tão negativas que nos desgastam demais, elaborei este esquema:

Acordar cedo. Já reparou que naqueles dias que dorme até mais tarde o dia rende ainda menos?! Cada um tem a sua necessidade de sono, eu preciso de 8 horas (como eu gostaria que fosse menos!), mas muitas vezes passamos do nosso limite. Por preguiça. Porque está a chover lá fora. E por outras razões, porém, com ajuda do despertador poderemos acordar na hora certa.

Fazer listas.  Diárias. Estas permitem-nos recordar tudo o que precisamos fazer e ordenar de forma rentável essas tarefas; se vai ao supermercado, aproveite para ir ao sapateiro, que fica ao lado. Tenha a lista do dia sempre à mão e vá riscando o que fica feito na lista, serve como incentivo e mantém o foco.

Marcar tempo: Há actividades que não podem (espera por consulta médica tem mesmo de ser), porém outras, tipo sair para fazer compras, tomar um café com alguém, fazer um telefonema, podem antecipadamente ser controlados.

Priorizar: Tarefas que estão em stand-by há demasiado tempo, tarefas que têm tempo limite para ser executadas (pagar contas, ir a reuniões, retribuir um telefonema…), devem ser colocadas no topo da lista. Fazer primeiro o que tem que ser e somente depois, o que dá prazer.

Se estas dicas não o ajudam muito, afinal cada caso é um caso, pense no que será mais eficiente para si, tendo em consideração que a chave está em ser “metódico e organizado”. Eu começo hoje, este programa.

Tenha uma óptima semana!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O que se diz e o que se pensa

Haverá alguém que ainda ache o estilo de vida dos ciganos idílico? Vida nómada, em carruagens coloridas, puxadas por cavalos; lindas ciganas morenas, de xailes bordados e creolas nas orelhas, a lerem sinas? Só nos romances. De cordel. A realidade foi sempre outra; hoje é exactamente aquela que todos nós conhecemos.

Estávamos na França quando o governo de Sarkozy anunciou a expulsão dos ciganos romenos que vivem ilegalmente no país. Na altura, isso provocou imediatamente uma reacção contra, da oposição, e desde aí temos assistido a um crescendo de manifestações, que repudiam estas medidas. Primeiro dentro da própria França, depois um pouco por toda a Europa, inclusivamente o nosso ex-presidente Jorge Sampaio, a C.E. e agora a ONU.

Todos se acham no direito de opinarem, apontando o dedo ao governo francês, acusando-o de políticas discriminatórias, de racismo e outros nomes nessa linha.

Pois muito bem, eu também vou opinar; e embora a minha opinião não faça cabeçalhos nos jornais, aviso desde já que serei politicamente-incorrecta.

O governo francês tem todo o direito de expulsar ilegais do seu país. Sigam o meu raciocínio; a França também está a tentar sobreviver à crise mundial, com uma taxa de desemprego muito alta, e se não há empregos para os franceses, sejamos directos, menos ainda para estrangeiros, sejam ciganos ou não. É assim em todo o lado. Portanto, estrangeiros desempregados ficam dependentes de subsídios estatais  ( que a França tem estado a cortar, mesmo para os naturais ), ou então entregam-se à mendicidade e criminalidade.

Acho uma tremenda hipocrisia que a ONU e outras instituições para refugiados, venham agora dizer que estão preocupados com a situação dos ciganos romenos e búlgaros. Porque não se começaram a preocupar com eles, quando ainda estavam nos seus países?! Era lá que o problema deveria ser resolvido.
E quem se acha no direito de condenar a França, que faça antes o gesto: que os convide para os seus países! Falar é fácil.

É que todos os políticos que vejo e ouço, a defenderem a causa dos ciganos, vivem em prédios bem localizados, rodeados de seguranças, e nem lhes ocorre ter como vizinha uma família daquela etnia. Hipócritas.

Se milhares se manifestaram em Paris contra a extradição, milhões de franceses apoiam as políticas de Sarkozy.  Shiuuuu…. Isto não é para dizer, é politicamente incorrecto.

Talvez esteja a pensar: - Ah…a Fernanda é preconceituosa! Se for esse o caso, faço-lhe uma pergunta:
- Para si é indiferente ter vizinhos ciganos?

Basta de demagogia e sejamos sinceros.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cleo, A história real de uma gatinha que salvou uma família

( Imagem daqui: Wook)

Sinceramente? Quando vi este livro pela primeira vez, pensei desdenhosamente: -  Olha a versão felina do “Marley e eu”! Mais outro espertalhão a agarrar-se ao filão de ouro!

Não sabia mas precipitei-me. Porém, passado algum tempo, coincidindo com a presença do novo gatinho cá em casa, a minha mente já estava mais receptiva, ao ponto de pegar no livro e folheá-lo. O pouco que li desfez de imediato as minhas ideias primitivas, afinal o livro parecia-me genuíno e interessante. Valia a pena lê-lo. Tinha que lê-lo! Já não o pousei, trouxe-o comigo e devorei-o, li-o em poucos dias.

É uma história verdadeira, tão rocambolesca e inesperada como só acontece na vida real. Além disso, possui três elementos fantásticos: está muitíssimo bem escrito, é dotado de um grande sentido de humor e, a escolha  de palavras é realmente criteriosa. Helen Brown mostra-se uma verdadeira cirurgiã de palavras.

Como tinha um gatinho na capa, os meus filhotes ficaram imediatamente de “orelhas em pé”; de forma que à medida que eu ia lendo, ia-lhes contando as peripécias e apesar da tragédia inicial que os entristeceu, a trama foi-se aligeirando com as tropelias do pequeno felino, o que nos provocava imensas gargalhadas. As crianças faziam muito o paralelo com o nosso gatinho, Tico, também conhecido como “ Diabo da Tasmânia”, e diziam que ele e Cleo dariam um óptimo par. Na altura, até pensei que comparativamente o Tico era um gentleman ( ou antes gentlecat?), mas aqueles dois juntos?! Ó horrores...Adiante. 

Este tipo de leitura paralela com as crianças tem o bónus de ser mais um incentivo à leitura; este livro em particular é um óptimo embaixador.

Aconselho muito o livro, para quem gosta de gatos e não gosta, porque afinal Cleo é somente uma personagem!

Resumo muito bom, no Marcador de Livros.

Boas leituras!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Atelier: o espaço que o teu corpo ocupa


Férias com chuva, crianças em casa. Missão urgente: mantê-las ocupadas. E felizes. Para mais, havia ainda um sobrinho, e uma amiga dos pequenos; uma turminha.
Eu tive a sorte de ter estes dias em casa uma “pro”, que tomou a iniciativa de fazer este atelier, com as crianças. Como vocês provavelmente não têm, aqui vai o descritivo.

Material: lápis de cor, aguarelas, folhas, galhos, conchas (apanhados previamente em passeios), papel de embrulho, tampas de garrafas, embalagens de cereais (benditas caixas de separação, de lixo!), papel de alumínio, fitas de seda, bocados de tecido, botões, lãs. Massas de todo o tipo e feijão. Tesouras, colas, e papel de cenário, cerca de 1 m. por criança.

Colocar todo este material de forma organizada num local espaçoso, onde a actividade terá lugar. No nosso caso foi a garagem. Ponha as crianças a colectar materiais e a organizá-los. Faz tudo parte.

Parte 1: Aula teórica, com visualização na net de quadros com figuras humanas e paisagens feitas com frutos e vegetais ( Google Arcimbold). Após demonstrar que a figura humana pode ser trabalhada com diversos materiais, dependendo da imaginação de cada um, trabalho prático.

Parte 2: Uma criança fica deitada no papel de cenário, na posição que entender, enquanto outra a contorna, com um lápis de cor, escolhido pela primeira criança. Terminado? Troca de papeis. Marcar bem o contorno, para que seja visível. Cortar o contorno de cada corpo, para que seja mais fácil de trabalhar individualmente.

Parte 3: Cada criança decora o seu corpo com os materiais disponíveis, da forma que entender; deve dar indicações quanto ao tipo de cola, lembrar as partes do corpo que podem ser trabalhadas, auxiliar com a tesoura, enfim, ajudar na medida do necessário, respeitando o gosto artístico de cada um.

Parte 4: Trabalhos terminados? Colá-los na parede, para que possam ser apreciados, numa inédita exposição de artes plásticas.

Objectivos do atelier: Aquisição da noção do próprio corpo e do espaço que ocupa.
(Duarte: - Ó mãe, eu não sabia que era assim tão grande!)
Desenvolvimento da criatividade.
(Cabeleira multicolor no “eu” do Duarte)
Projecção da ideia de si próprio.
(Características que identificam a criança e outras que causam surpresa total)

As crianças adoraram; mostraram-se empenhadas e orgulhosas com o resultado final.
E gratas, à pessoa querida que lhes proporcionou uma tarde tão bem passada.

Até breve!