sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quem é Gil Eannes?

Sabe quem foi Gil Eannes? Um navegador português, mas não um qualquer, foi aquele que em 1434 dobrou o Cabo Bojador, conhecido pelo Cabo do Medo, pois ignorava-se o que estaria para além, e deu assim impulso ao glorioso período dos Descobrimentos portugueses.

Porém, este Gil Eannes de quem quero falar é o navio-hospital, que recebeu do navegador o nome, numa bonita e merecida homenagem.
Foi construído nos estaleiros navais de Viana do Castelo, em 1955, e o seu objectivo era prestar assistência médica à frota bacalhoeira, nos mares da Terra Nova e Gronelândia. Não somente à frota portuguesa, mas às de todas as nacionalidades, salvando milhares de vidas. É único no mundo!

Em 1997 o navio tinha-se tornado obsoleto e condenado ao desmantelamento. Foi resgatado da sucata in extremis e reconduzido ao porto de origem, onde lhe foram feitos restauros, tornando-se num navio-museu.

No sábado passado fomos a Viana do Castelo e fizemos uma visita ao Gil Eannes, que está na antiga doca comercial; as crianças adoraram percorrer um navio daquela dimensão, descobrir os quartos, salas, sala de jantar, cozinha, padaria, consultórios, salas de cirurgias, sala de comando e máquinas. No entanto, o mais fascinante, para a “Geração sem fios”, terá sido talvez a sala das telecomunicações, com os seus complexos aparelhos, repletos de fios e cabos!

É uma viagem no tempo; a uma época em que a vida era muito dura, as condições de trabalho precárias e o risco de vida permanente.
Aconselho muito a visita; vá admirar uma daquelas coisas que nos orgulha de ser portugueses e contribuir para os restauros que a Fundação Gil Eannes ainda tem para fazer. Adultos 2 euros. Crianças até aos seis anos grátis.

Incomparavelmente melhor do que passar uma tarde num hipermercado. Ou no shopping!

Bom fim-de-semana!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Da série: Presentes de Natal faça você mesmo

(Da série: "presentes de Natal manuais I I ")

Quem não gosta de doces caseiros? Toda a gente. No entanto, na maior parte dos casos compram-nos. Porque não têm tempo livre para os fazer, porque não sabem, porque têm preguiça. Que interessa o motivo?

O que interessa é que nos abre uma porta para mais um presente de Natal, de qualidade, feito por nós mesmas. E convenhamos: doce de abóbora é do mais fácil que há!

Receita:
-1kg de abóbora, limpa, cortada aos cubos
-750 gr de açúcar
-6 paus de canela
- casca de laranja e alguma raspa a gosto

Colocar todos os ingredientes numa panela, em fogo médio. Ir mexendo, e deixar ferver, até a abóbora cozer e começar a desfazer-se. Ponha um pouco de doce num prato e se fizer estrada ao passar com uma colher, está pronto.

Lave os frascos em água a ferver, escorra e encha até cima com o doce. Coloque a tampa e feche, hermeticamente. Cole uma etiqueta com o nome do doce. Recorte em papel castanho uma rodela, coloque na tampa, fechando com uma fita de ráfia. Pronto!

Dica extra:
Eu fiz 1,500 gr de abóbora, com 1 kg de açúcar; rendeu-me 4 frascos de doce.
Dá uma óptima sobremesa: em pratos individuais coloque queijo branco pasteurizado às fatias, doce de abóbora por cima, enfeitado com nozes picadas grosseiramente. Adoro!

Até breve!
Actualização: destaque do post no Casa claridade

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Compras de domingo


Entrou, ontem, em vigor a lei que permite aos hipermercados ficarem abertos, aos domingos até à meia-noite.

Os empregadores afirmam que numa altura de crise estas medidas são necessárias, que irão criar mais postos de trabalho, e que o horário alargado, vai permitir a mais  pessoas irem às compras.

Qualquer pessoa ligada ao comércio sabe que o domingo não é o dia em que mais se vende; poderá até ser o dia em que há mais pessoas, ou pelo menos muitas pessoas, a frequentar os espaços comerciais, mas não necessariamente a comprar.

Os portugueses adoram passear-se pelos hipermercados e shoppings, aliás, não conheço país como este, onde shoppings proliferam como cogumelos (venenosos, claro), sendo um dos destinos mais populares de fim-de-semana. São, porém, áreas de passeio.

Quanto aos postos de trabalho, só os ingénuos acreditarão que serão criados, pois os empregadores irão utilizar os funcionários que já têm, redistribuindo novos horários, e utilizando os do tempo parcial, que costumam ter.

Na verdade, esta é mais uma medida tomada em tempos de crise, que somente visa aumentar os lucros dos empregadores, diminuindo os direitos dos trabalhadores.

Ninguém deixa de fazer compras pela inconveniência de horários; aliás, na era da internet, as compras podem ser feitas online e entregues em casa.

É para mim, dos direitos mais básicos do ser humano, ter tempo para estar com a família.
Compreendo que há áreas onde é necessário trabalhar ao domingo – profissionais da Saúde, da Polícia, etc. – mas não do comércio! Já trabalhei em hotelaria e sei como se tornou incomportável para mim, quando quis ter uma vida familiar. Sei como era complicada a vida pessoal e familiar dos meus colegas. Por isso saí.

Com esta lei, a vida social e familiar de quem trabalha nesta área ficou muito fragilizada; pais que não estarão com os filhos, no único dia possível para ambos, já pensou?! É mais uma machadada nos valores familiares, de uma sociedade que trocou a família pelo dinheiro, esquecendo que as sociedades sobrevivem sem dinheiro, mas não sem pessoas. Não sem pessoas bem-formadas.

Alguém nos perguntou alguma coisa a este respeito? Não, o governo cedeu a lobbies, ponto. Contudo, somos nós os compradores, e podemos responder com  uma atitude:  
- Não fazer compras ao domingo!

Tenha uma óptima semana !

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A evolução dos nomes próprios em Portugal


Há uma canção dos “Humanos”, muito engraçada, que diz no refrão: “ Maria Albertina, como foste nessa de chamar Vanessa à tua menina?”.
Muita gente trauteia, o meu filho é um deles, acha-lhe piada. No entanto, a letra é uma critica certeira aos nomes que os portugueses escolhem para os seus filhos.

Já disse aqui antes que não gosto de nomes de moda (aparte: se me disser que os dos meus filhos estão nessa classe, vou responder que quando nasceram não estavam!), porque se tornam muito vulgares; há uma data de Marias e Gonçalos na mesma sala, obrigando à distinção pelo sobrenome. E isso desagrada-me.
Mas, parece que a maioria dos portugueses gosta. Então a selecção vai ficando reduzida; há nomes que entraram totalmente em desuso. Se me recordar dos nomes das minhas colegas, na primária, só havia dois repetidos (Fernanda!), e uma lista variável de nomes que actualmente ninguém utiliza. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Luzia, Elvira, Antónia, Natália, Conceição, Alzira…

E que nomes escolheram estas minhas colegas, para os filhos? Muito provavelmente, Diogo, Gonçalo, Tomás, Leonor, Beatriz, Maria, Catarina… E têm todo o direito. Mas… os “ Humanos” também têm razão! Como diz a canção “ esse teu nome não é um espanto, mas é cá da terra, e tem muito encanto”.
Convenhamos que é um pouco estranho…Maria Albertina, tem uma filha chamada Vanessa?! Mas é assim, é a evolução, é a moda, é a globalização.

E sempre foi assim, cada povo que invadiu a península e aqui se instalou trouxe consigo nomes que ficaram e se propagaram. E vinha outro que trazia novos nomes, e os anteriores eram esquecidos. Alguns ficaram até hoje, porém, se assim não fosse muitos de nós ainda nos chamaríamos : Valida, Vivilde, Trutesendes, Brízida, Múnio...Por mim, acho muita graça a Trutesendes! Fica para minha próxima filha. Noutra vida. E noutro planeta!

Também acho muito bem apanhado, como a canção termina: “ É bem cheeinha e muito moreninha”, repetido várias vezes. O nome muda, mas o biótipo da criança mantém-se. Continua a ser tipicamente portuguesa! E isso não há moda que apague.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

“Comer orar amar”, não é para todos!

Não li o livro, mas tinha referências dessa leitura e por conseguinte fiquei atenta, à saída do filme. Queria mesmo vê-lo. Além disso, é protagonizado pela Júlia Roberts, uma das minhas actrizes preferidas, da actualidade.

Há muitos anos, li algures sobre uma pessoa que se tinha procurado pelo Mundo todo e veio a encontrar-se no seu quintal. Obviamente, isto é uma metáfora; a descoberta sobre “ quem sou eu” é feita a partir do nosso interior, e para isso não necessitamos sequer de sair de casa.

Contudo, suponho que esta vontade de deixar tudo para trás e ir em busca de algo, seja muito vulgar e comum a muitas pessoas. Como eu adoro viajar, passar um ano inteiro a “viver” pelo Mundo, parece-me fantástico; no entanto, só o faria levando a família atrás. Quem não quereria?

É preciso coragem e consciência, para abandonar uma vida. A maior parte das pessoas não devem faze-lo, ainda que o desejem e tenham até coragem, porque não podem, porque tem consciência. Mas esta tal Elizabeth pôde, teve coragem e fez!

Foi arrumar as prateleiras, passeando por Itália, Índia e  Bali. E funcionou. Com ela funcionou.

Para aqueles espectadores que esperam um filme típico da Júlia Roberts, o filme poderá ser algo decepcionante. Este vai um pouco mais além; temos uma personagem que quer encontrar o amor ( quem não quer?!), mas antes disso deseja encontrar-se com  ela própria. O que se vê frequentemente nas histórias de amor, são pessoas à procura de outrem, para escaparem a elas próprias. Por isso gostei do filme e aconselho.
A pessoas que simpatizem com a ideia do auto-conhecimento.

Até breve!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Presente de Natal – Faça você mesmo

(Da série: "presentes de Natal manuais I " Hidratante natural)

Cedo? Isso pensei eu em Setembro, quando li pela primeira vez a referência ao próximo Natal, num blogue, mas não é. Sobretudo, se você como eu, estiver cansada de correr lojas a fazer compras de Natal e pretender antes fazer os presentes. Mãos à obra, comigo?

Vamos começar com um hidratante natural, para adeptos dos produtos naturais e para aqueles que ainda não conhecem, mas estão receptivos a experimentar coisas novas.

Confesso que quando me falaram nisto senti alguma incredulidade, achei que a pele ficaria demasiado oleosa, no entanto disseram–me que o azeite, sendo natural,  era imediatamente absorvido, testei e assim foi. Ficou um ligeiríssimo odor a azeite, que será suprimido com o auxílio das ervas aromáticas.

Tudo o que vai precisar:
1.    Um frasco de vidro, do tamanho que desejar, com rolha (comprei de vidro reciclado)
2.    Azeite natural, q.b. .
3.    Ervas aromatizantes; no meu caso, alfazema do meu jardim.

Como fazer:
Introduza a alfazema no frasco, encha com azeite e feche bem. Deixe repousar até ao Natal, para que o aroma da erva se solte e neutralize o cheiro do azeite.
Cole uma etiqueta personalizada e decore com uma fita de seda ou ráfia.
Presente pronto!

Acredite, a energia e amor que dedicou a este presente, vai torná-lo muito apreciado.

Tenha uma óptima semana!
Actualização: destaque do post no Casa claridade