sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

E casa lá tem moda?!


Da última vez que mandei fazer umas cortinas, o senhor da loja chamou-me à atenção dizendo que o modelo que eu estava a escolher já não se usava, que agora estava a “sair este” (e mostrou-mo). Tive que lhe dar a mesma resposta que dera há uns 5 anos, a uma outra pessoa, que me dissera exactamente a mesma coisa: - Dentro da minha casa, usa-se o que eu quero!

Uma casa verdadeira tem que reflectir a personalidade dos seus habitantes; por isso sou tão avessa a casas decoradas por decoradores; por muito bom que seja o resultado final, nota-se sempre “aquela falha”, ou seja, falta o cunho pessoal dos seus  habitantes.

Actualmente, uma coisa que está muito na moda da decoração interiores, são os pratos de parede; no entanto, ainda há relativamente pouco tempo, era considerado piroso. Eu nem sequer conhecia pessoas que os estivessem! Excepto, cá em casa.

Não faço colecção de pratos; o coleccionador é alguém que gosta de coleccionar pelo prazer de possuir. Por isso há por aí tantas colecções insignificantes e feias, não importa o quê! A minha colecção de pratos de parede começou por ser A recordação que trazíamos de algum país que visitávamos, porque não gosto de trazer muita tralha, e porque uma memória bonita, desse país ficaria à vista, enfeitando uma parede. E de uma forma bastante intencional a parede da sala de jantar vai ficando repleta de pratos, memórias de viagens e lugares, servindo, não raro, de tema de conversas e histórias de países.

Contudo, como poderei aceitar que os pratos de parede estão actualmente na moda, se para mim, essa é uma moda intemporal?  A minha avó paterna tinha pratos na parede em sua casa, assim como a minha mãe. Portanto, vamos pelo menos na terceira geração a pôr pratos na parede. Claro que sempre esteve na moda! O que só prova a minha teoria: tudo o que gostamos, o que expressa a nossa personalidade, são características que transformam as casas em lares. Por isso, não nos devemos incomodar tanto com tendências na decoração da casa.
Eu não me incomodo mesmo. E você?

Tenha um bom fim de semana!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Massa com salsichas - Deliciosa!

O Duarte precipitou-se para a mesa...!
Confesso que sempre tive ideia de que comidas como "Massa com atum" e "Massa com salsichas" eram demasiado....como dizê-lo sem parecer pedante?... pobres. Talvez porque quem me falou nelas, pela primeira vez, me tenha dado receitas demasiado básicas. Portanto, para mim, que esses pratos possam ser deliciosos é uma descoberta recente.

O Duarte tem estado adoentado, com uma virose, e tem-se alimentado muito mal. Por isso, quando me sugeriu que fizesse "Massa com salsichas"  despachei-me presto para a cozinha,  não fosse entretanto o pedido cancelado!

Fiz assim:
Pus água a aquecer e cozi massa esparguete; entretanto fiz um refogado com azeite, cebola picadinha e alho esmagado. Quando ficou transparente, juntei polpa de tomate, cogumelos laminados, milho e as salsichas cortadas às rodelas. Deixei cozer uns 10 minutos, em lume baixo. Juntei as natas ( leite creme, no Brasil), deixei aquecer acrescentei o esparguete. Envolvi delicadamente e servi.

Uma refeição simples, rápida, mesmo o que me convinha, depois da aula de piano da Letícia, e económica. E deliciosa, já disse, não já?, mas para os meus pequenos, que são uns Piscos à mesa, gostarem, estão a ver! Com certeza já conheciam, mas talvez não nesta variante. Experimentem!

Até breve!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quando as crianças sabem o que querem

Sei bem que é nossa tendência, enquanto pais, criar e educar os filhos à nossa semelhança. No entanto, se nalguns aspectos isso é positivo, como por exemplo, na transmissão de valores, noutros é um verdadeiro abuso de poder. A fronteira entre um e outro é tão ténue, que frequentemente a ultrapassamos, mesmo sem intenção.

Casos há, em que os pais se impõem de tal forma na vida dos filhos, que as crianças mais parecem estar a viver a vida dos progenitores. Há situações tão óbvias que até ofuscam  pela clareza; quer dizer, a menina quase obesa que pratica ballet ?! E aquela menina que reclama aos pais, sem sucesso, que entre escola, Música, Natação, Inglês e Catequese, não tem tempo para brincar?! Tudo devido à pesada agenda profissional, dos pais. E tantos outros exemplos.

Foi meu objectivo desde sempre, respeitar a individualidade de cada um dos meus filhos, permitindo-lhes escolhas  sempre que possível, e aqui entramos no domínio do sensato; caso contrário, colocamo-nos na situação ridícula dos pais HolCru*, com uma menina de 4 anos a calçar saltos, e a vestir manga curta em pleno Inverno.
Não,  refiro-me a um compromisso entre o possível e o aceitável. E isso é algo que é constantemente negociado, não sendo por isso que a decisão dos pais tem de ser perene. As circunstâncias mudam e com elas, as opiniões.

Na altura em que era suposto inscrevermos os nossos filhos na catequese, não o fizemos. Por uma questão de coerência com os nossos valores e consciência; a formação moral, ética e até religiosa deve ser dada pelos pais, achamos nós. Parece-nos um contra-senso enviar os nossos filhos para uma escola onde ainda ensinam a teoria criacionista, com Adão e Eva, quando de seguida vão aprender na escola a teoria evolucionista. Isto entre outras coisas.
Contudo, os nossos filhos tiveram, e têm formação religiosa.

Eis que subitamente a Letícia recebe o convite de uma catequista, para assistir a uma aula; após uma semana de reflexão, disse que queria ir, e foi. E no final, decidiu que queria continuar, e continuou, com a nossa anuência.

Certamente, há pessoas que se indagam, que tipo de pais somos nós; permitindo que os nossos filhos decidam  se querem ir à Catequese ou não. Tendo uma que vai, e outro não!
Nós somos do tipo de pais que respeita a individualidade dos filhos; orientamos e ensinamos, sem impor actividades só porque nos dá jeito, ou esperam isso de nós. Acreditamos que eles encontrarão o caminho deles.

Não estou a dizer que sou a melhor das mães, muito menos uma mãe perfeita; apenas vejo claramente que vivemos num sociedade que não dá prioridade às crianças. Ou porque é que acham vocês que a ex-ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, "inventou" as A.E.C's**? Para resolver um problema aos pais, enquanto  os interesses das crianças nem são tidos em conta.

Só estou a dizer que devíamos ouvir, realmente, as crianças.

Tenha uma óptima semana!

* Tom Cruise e Katie Holmes
** Actividades de Enriquecimento curricular ( Inglês, Ciência, Desporto, Expressão Dramática...que retêm as crianças na escola das 9:00 às 17:30)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O meu voto, explicado às crianças

Aposto que vocês já estão a dizer: - Ó não, lá vai ela outra vez falar de política!
Ao que eu respondo: - O homem é um animal político! Esperem...já alguém disse isto antes? Ah pois,  foi Aristóteles. Alguém duvida da genialidade do filósofo?! Adiante. Isto vem a propósito com uma conversa que tive com a Letícia.
 - Mãe, porque vais votar no Fernando Nobre? Perguntou-me ela, estes dias. Quem é que vocês pensam que estou a educar? Cabecinhas pensadoras, e não faço por menos.

- Sabes, um político é uma pessoa que se dedica a governar o país, ou a ajudar a governar o país. Dedica-se a essa causa por acreditar que está a prestar um bom serviço a todos os portugueses. Acontece que os políticos que temos tido, estão a fazer um péssimo trabalho e só pensam neles, e nos benefícios que tiram por serem políticos. Compreendes?

A Letícia acenou a cabeça em sinal afirmativo, e eu continuei.
- O Fernando Nobre é um médico que poderia ter tido uma vida muito privilegiada, tranquila e com todos os confortos. Em vez disso, trabalhou desde há 30 anos, por diversos países no mundo; onde houvesse uma catástrofe e os médicos fossem necessários. Criou uma instituição muito importante, e começou a levar mais médicos e enfermeiros com ele. Mais tarde, abriu em Portugal diversos centros de apoio a sem-abrigos e pessoas necessitadas, onde comem e recebem roupas.  É uma pessoa, que não sendo político tem uma noção muito verdadeira da realidade, é inteligente e sensata.
- E se ele é médico, porque quer ser presidente? Pergunta a Letícia.
- Porque a ambição dele tem sido sempre a mesma: ajudar pessoas. E como o Doutor.Fernando Nobre viu o nosso país em tão mau estado, quer ajudar os portugueses, prestando-lhes este serviço.
- Então acho que fazes bem, em votar nele, mãe.
- Fim - 

As coisas não têm funcionado nada bem com  os profissionais da política; tivemos um presidente omisso, que não esboçou um gesto que contribuísse positivamente para o país. Se ainda fosse  poeta, tinha uma desculpa, mas não, é um economista conceituado. Levou-me um voto, ao engano!

Estão fartos de políticos, não estão? Também eu. Aqui têm um candidato que não o é! 
Pensem nisso.

Um bom fim de semana!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Feira de vaidades, à portuguesa

Aviso: A vanity Fair nada tem a ver com o artigo.
- Tem aqui umas revistas. Diz-me a cabeleireira, enquanto pousa no meu colo as chamadas revistas cor-de-rosa.
Começo a folhear, e a ler os títulos, pois apesar de só me deparar com este tipo de revistas em salas de espera, ou na cabeleireira, a minha impaciência para estes artigos é a mesma.
-Quem é esta gente ? Pergunto eu incrédula.
A cabeleireira espreita por cima do meu ombro:
- Ah, essa é uma decoradora de interiores!
- E esta? Insisto.
- É casada com um médico. Revela a minha informante.
- E isso também dá direito a aparecer em revistas do coração?! Espanto-me eu.
- É um cirurgião plástico! Acrescenta.
- Aaaaahhh... Murmuro. 

Conhece aquele ditado: " A necessidade aguça o engenho"? Pois é o que se passa com estas revistas, na falta de matéria-prima, resolveram o problema produzindo-a eles próprios. Estão a criar uma série de personagens, a partir de pessoas banais, com profissões vulgares, vivendo em casas comuns, porém dispostas a sair do anonimato das suas vidas, através de reportagens fotográficas ( nem vou mencionar as entrevistas!), igualmente banais.

Sinceramente, o que nos interessa a nós ver a mulher do cirurgião plástico numa loja a experimentar modelitos?! Ou então as fotos do casamento do cantor, e de seguida as da lua-de-mel, quando a vida privada destes já foi exposta até ao mais ínfimo pormenor?!
E as revistas estão repletas destes artigos; os nomes das publicações mudam, todavia os rostos e notícias que veiculam são as mesmas; as mesmas fotos, mesmas roupas, mesmos locais, com as mesmas pessoas a informar o mesmo acontecimento: nascimento, casamento, divórcio.

Vamos encarar a realidade de frente: nós não temos, em Portugal, jet-set! Nem temos VIP's.
Temos um primeiro grupo de pessoas, constituído pelos rostos da tv (actores, cantores, apresentadores, etc).
Temos um segundo grupo, de pessoas conhecidas, por fazerem nada, que são vestidas pelas boutiques e vão a eventos quando recebem cachet ( mesmo os de solidariedade, segundo consta).
Depois temos um terceiro grupo, o daqueles que vestem, decoram as casas, fazem liftings e põem botox, nas pessoas dos grupos anteriores. 
E isto, querem fazer-nos crer, são os Vip's portugueses.

Mas...como este elenco é insuficiente para tantas revistas e publicações semanais, têm-se criado este derradeiro e instantâneo grupo- o usa e deita fora, o das tais pessoas absolutamente desconhecidas e prosaicas.

Não é de rir? Eu acho, e depois de ter percebido o esquema até que foi divertido, folhear aqueles disparates!E sabem qual o maior disparate de todos? Pagar para ler estes disparates. Perdoem-me a redundância.

Até breve!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

É ano novo! E depois?!

 (Imagem)
- Não percebo porquê tanta coisa, por ser ano novo! Dizia o meu filho na última noite do ano. - É só mais um ano que começa! Não é o fim do mundo...

Fiquei a pensar neste desabafo do Duarte; de facto, como justificar fogos de artifício, roupas novas, jantares e entradas em discotecas inusitadamente caros, e uma série de rituais como o das doze passas, ficar em cima de uma cadeira, etc, e a necessidade extrema de uma alegria, frequentemente forçada?

Recebemos o Ano Novo, como a um hóspede importante, a quem não podemos negar guarida, de forma alguma, e que permanecerá connosco doze meses, tendo por isso o poder de nos facilitar a vida, ou não. E recebemo-lo com festa e alegria, de modo a que se sinta bem-vindo e acarinhado, e fique agradado com isso. Porquê? Porque da sua boa-disposição dependerá a sua generosidade; o hóspede mimado terá tendência ou vontade a retribuir amabilidades. É essa a nossa esperança em cada Ano Novo: sermos agraciados com a realização de uma série de desejos, secretos ou públicos.

Como não podemos correr o risco de começar uma relação com o pé esquerdo, entramos com o pé direito e rimos e saudamos-nos, sempre com a esperança no coração. Porque é só disso  que se trata: cada ano trás consigo esperança.

Eu tenho esperança numa série de coisas. E você?

Tenha uma óptima semana!