sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dica de leitura - "A independância de uma mulher"

Eu poderia exprimir a minha opinião sobre um livro, dizendo quanto tempo demorei a lê-lo, ou simplesmente onde: este foi nas salas de espera. Escola de Música da Letícia, consultórios, e cabeleireira. Funesto sinal.

Definitivamente: há coisas não deveriam ser permitidas! Entre elas estaria esta de tentar dar continuidade a um clássico da literatura, como "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen.

Colleen McCullough, uma autora de quem aliás gosto imenso, pegou no mítico romance da inglesa e deu-lhe seguimento, intitulando-o " A independência de uma mulher", sendo que desta feita, a personagem principal não é  Elizabeth Bennet, entretanto Darcy, mas sim a sua irmã mais nova, Mary Bennet.
A história oscila entre uma espécie de  versão do Jack The Ripper, e um pudico romance vitoriano, com novos personagens inverosímeis, pelo menos para mim, e assomos de romance de cordel.

Nem por um minuto me convenceu que se seguimento houvesse, da história de amor de Fitzwilliam Darcy e Elizabeth Bennet, Jane Austen enveredaria por aqueles caminhos. É como misturar uma série de ingredientes refinados e raros, como por exemplo trufas, com batatas cozidas. Se é que me entendem!

Há histórias que não se escrevem até ao fim. Há histórias que se deixam em aberto, e o leitor ou espectador, que interprete conforme os sinais. "Orgulho e Preconceito" é perfeito, tal como está, não há nem um ponto final a acrescentar. Nada, nicles!

Acho que a Colleen McCullough foi atrevida. Tssss, tssss, não havia necessidade... não devia ter ousado!
Portanto, isto não é uma dica de leitura. É uma contra-dica.

( Se desejar "ouvir" uma segunda opinião, há quem goste, veja aqui. )

Tenha um bom fim de semana!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quem pergunta quer saber

( Comunidade Mãe e Muito Mais - Mães em interacção)

Hoje temos um email cujo tema é basicamente a alimentação:

Olá Fernanda,
Queria dizer-lhe que desde que encontrei o seu blog o leio quase diariamente; também sou mãe a tempo inteiro, mas tive muitos problemas com a família, que não aceitaram nada bem quando eu e o meu marido tomamos essa decisão. (…)
Nunca comentei no seu blog mas queria dizer-lhe que as suas palavras me dão muita força e alegria. Ajudam-me a enfrentar incertezas, quando por vezes me deixo ir abaixo. Por isso queria deixar-lhe um muito obrigada!


Tenho também uma pergunta para lhe fazer, decerto que me vai compreender; só com um ordenado no nosso agregado familiar, o dinheiro tem mesmo que andar muito bem contado, e queria perguntar-lhe se tem algumas dicas a dar-me, para economizar nas refeições, porque é mesmo aquilo que está mais caro, ainda para mais com dois filhos adolescentes!
Muito obrigada.
 

Beijinhos,
A. “

Querida A.
Compreendo-a perfeitamente! De facto, a maior fatia do nosso orçamento mensal vai para a alimentação, porque fazemos todas as refeições em casa, inclusive almoço. E realmente a alimentação está muito cara, sobretudo se temos a preocupação de apresentar uma ementa variada e saudável, com produtos frescos e de boa qualidade.
A minha primeira dica é o mercado semanal, e como vive numa zona rural, mais fácil será. Nos mercados podemos comprar directamente aos pequenos produtores, a preços muito mais baixos do que num supermercado.

Produtos há que temos mesmo que adquirir nas grande superfícies, como massa, arroz, etc. e nesse caso aconselho que faça uma lista do que precisa, para não se dispersar e comprar artigos supérfluos. Dê preferência a pequenos supermercados, ou mesmo mercearias, onde a oferta é muito menor do que nos grandes supermercados, portanto a tentação em adquirir o que não precisa realmente será menor.

Por fim, sugiro-lhe uma série de blogues de culinária, que promovem um desafio muito interessante chamado 4 por 6, em que propõem um menu completo, para 4 pessoas, pelo preço de 6€. A iniciativa partiu do Caos na Cozinha, e conta com a participação de mais 5 blogues, um deles o Elvira's Bistrot, e os restantes participantes, poderá encontrar através destes.

A. , espero ter ajudado, de alguma forma.

Beijinhos”

Conto consigo, querido leitor, na sugestão de dicas, ou partilha dos seus estratagemas de economia doméstica, num acto de compreensão e solidariedade. Temos todos a ganhar. Literalmente!

Até breve!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Quando damos a mão



Uma das minhas memórias mais antigas e felizes é de caminhar de mão dada, com o meu pai; sendo eu uma criança pequena, e ele um homem alto e ágil, de largas passadas, tornava-se difícil acompanhá-lo. No entanto, não me lembro que o meu pai abrandasse o ritmo, lembro-me sim, de dar pequenas corridas, entre dois passos apressados para o poder acompanhar.

Que lembrança tão inusitada, para que a retivesse na memória e a recordasse com saudade! Aqueles momentos eram só nossos, enquanto caminhávamos íamos conversando sobre assuntos que me interessavam, eu tagarelava e fazia perguntas sobre variados assuntos, e o meu pai, um homem normalmente calado, respondia-me animado.

Um momento tão prosaico e tão feliz!
Agora tenho-me lembrado mais dos tempos em que dava a mão ao meu pai, porque sou eu a dar a mão aos meus filhos e adoro igualmente esses momentos. Frequentemente caminhamos apressados para a escola, de mãos dadas – um de cada lado – mas sempre a conversar.
Seja à hora de almoço, seja ao fim da tarde, temos sempre assunto, porque eu pergunto como correu a manhã, ou tarde, e a conversa estende-se desde aí.

Faz-me uma imensa, negativa, impressão a quantidade de pais e avós, que vão buscar as crianças à escola, e que caminham dois passos, à frente, ou atrás dos mesmos; na maior parte dos casos não viram os filhos durante todo o dia, e ainda assim não há vontade, ou interesse, em conversar.
São estas pequenas coisas que criam cumplicidade e intimidade entre pais e filhos, e o diálogo entre uns e outros deve ser estimulado pelos adultos, desde a mais tenra idade. Sob pena de um dia os pais “acordarem” e não conhecerem de todo os filhos.

Eu sou do tipo de mãe que dá a mão. E você?

Tenha um óptima semana!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dica de cinema - O Discurso do Rei

Era um filme que eu queria muito ver, e aconteceu mais cedo do que previ, numa tarde de sábado, em que as crianças estavam alegremente ocupadas, em festas de aniversários. Programa a dois - raro!
Sabia alguma coisa do rei George VI de Inglaterra, e como são factos históricos, dos quais o segredo não é necessário para ver o filme, passo a relatar;  que sucedera a Edward VIII, seu irmão, o rei "romântico*", que abdicou por amor à norte-americana Wallis Simpson duas vezes casada, e divorciada.  Que tivera um reinado relativamente curto - 16 anos, o que obrigara a sua filha - Elizabeth II, actual monarca,  a suceder-lhe ainda muito jovem, com apenas 26 anos.

Ignorava completamente que George VI fosse gago, porque dele não reza a história como o "Rei Gago", cognome mais propositado, do que outros  reais cognomes! Porque seria? Veja o filme e descubra.

O filme não me decepcionou, e Colin Firth estava impecável, como sempre, aliás, igualmente para Geoffrey Rush, razões pelas quais as doze nomeações ( filme com maior nomeações, para os óscares!) não me espantam. Aconselho. Tenha um bom fim de semana!

* Há uma segunda versão sobre os verdadeiros  factos que levaram o rei Edward VIII a abdicar, como a sua simpatia pela ideologia hitleriana ( no filme ao de leve mencionada através das flores do embaixador alemão para Wallis Simpson); para abafar o escândalo público, o rei teria sido obrigado a abdicar, sob o pretexto de querer casar com a sua amante plebeia, de passado obscuro.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quem pergunta quer saber


Ás vezes recebo emails de mães a tempo inteiro a desabafar, porque se sentem incompreendidas e isoladas, pela opção que tomaram. É novidade para alguém? Não pois não? É mesmo assim. Outras vezes, fazem-me perguntas directas, querem uma opinião, um conselho sobre determinado assunto, e na medida do possível eu respondo dando alguma orientação.
Sinto que é também  para apoiar, ainda que seja com uma palavra amiga, que o meu blogue existe. Contudo, quando o abri foi com o objectivo de me expressar e dar a conhecer outra faceta, que não a da maternidade, uma afirmação positiva - Sim, sou mãe a tempo inteiro, mas tenho interesses diversificados e opiniões sobre os assuntos.

Porém, se o  Mãe e muito mais cresce também nessa direcção será  porque aqui as leitoras, muitas vezes silenciosas, encontram quem as compreende. E não estou a falar somente de mim, falo de todos aqueles que frequentam o blogue, e aqui deixam as suas opiniões.
Nesse sentido, abri uma página no Facebook onde poderemos conhecer e expandir a nossa comunidade, com a finalidade de trocar experiências e promover amizades entre mães a tempo inteiro. Convido todas as mães, nesta situação, e simpatizantes da causa, a juntarem-se a nós. É só clicar!

Ainda nesse sentido, inicio hoje uma "coluna" intitulada: "Quem pergunta quer saber", onde um email de alguma leitora será publicado,  ao qual eu responderei, e vos peço, que se juntem a mim a contribuam com sugestões, numa atitude de solidariedade e amizade virtual, para ajudar quem busca uma resposta. Lá diz o ditado: Várias cabeças a pensar pensam melhor do que uma.
Iniciamos com um pedido da Xana:

"Fernanda,
já deixei uma vez um post fica aqui outro: sou jurista de formação, sigo o seu blog desde que o meu filho nasceu há 15 meses. a uma semana do nascimento do meu filho trabalhava 10h por dia, não via a família nem os amigos e só vinha a casa para dormir e toda a gente achava lindamente pois ganhava 2900 mês e estava a fazer pela vida.
Com o nascimento do meu filho simplesmente não me imaginei a fazer tal vida, tenho 37 anos e lutei contra a infertilidade ( por pouco não conseguia ser mãe) mas a única coisa que me dizem é que eu enlouqueci. e que não me aguento só com o ordenado do meu marido e que a vida está cara e que eu devia pensar no futuro, mas digam lá a verdade, alguém já fez as contas a quanto gasta por estar fora de casa? tenho colegas que trabalham por 100 euros mês pois pagam quase 500 euros de infantário, mais de 200 de empregadas outros 200 em gasolina ( já nem estou a contabilizar as refeições) façam lá bem as contas...
que mal tem ser mãe a tempo inteiro? já me realizei muito neste tempo...tirei uma formação de conselheira de amamentação e ajudo mães com problemas na amamentação...o único problema é o isolamento pois não tenho amigas na mesma situação, mas quando trabalhava estava igualmente só pois não via os amigos nem a família e não é por estarmos num local de trabalho com pessoas que deixamos de estar isoladas.
por favor se por aqui existem mulheres na mesma situação que eu e que queiram artilhar experiências e apoio entrem em contacto comigo.
shulman_xana@hotmail.com "

Xana, essa é a reacção comum da maior parte das pessoas; simplesmente não estão habituadas a ver mulheres escolherem ser mães a tempo inteiro, em detrimento de uma carreira. Que se sacrifique a família é aceitável, mas não o trabalho! E parece-me que temos mesmo que aprender a conviver com essa atitude, tendo presente que vivemos a nossa vida conforme a nossa consciência e vontade, pois só dessa forma poderemos ser felizes. E fazer as nossas famílias felizes!
Quanto ao isolamento, é compreensível; eu também não conhecia nenhuma mãe a tempo inteiro, o que já não acontece. Aqui mesmo, na blogosfera, o número é crescente, e acredite, mesmo que o contacto seja virtual a partilha de experiências e informações pode ser muito compensatória.
Beijinhos e tudo de bom!

Quem vem dar uma força à Xana?

Nota: nomes e emails, só serão publicados com consentimento dos próprios.
Até breve!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Quando a realidade se torna ficção!

 (Imagem)
A leitura d’O Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que fiz ao entrar na idade adulta, foi algo que me ficou no sistema. Marcou-me, profundamente, aquele Mundo futurístico, que na época considerei somente uma excelente ficção científica.
Contudo, tenho-me lembrado imenso do livro e constato que me equivoquei; afinal era um livro profético. Aquele mundo do futuro, inventado e impossível, está cada vez mais próximo do nosso mundo actual, tornado numa realidade possível.
A categorização da sociedade em classes bem definidas vai sendo cada vez mais notória e difícil de ultrapassar.
A negação da velhice e de tudo o que esta traz com ela, é outra realidade, por um lado com a subtracção dos velhos aos olhos da sociedade dominante, por outro com o recurso à cirurgia no prolongamento da juventude.
A alienação de tudo o que nos possa causar mal-estar é aceite e promovida, não com a tal “soma*”, ainda, mas com outras drogas mais ou menos legais.
A formatação do pensamento para o que é "a lei*", não é feita com gravações durante o sono, mas sim enquanto estamos acordados, através dos programas televisivos, e informação em geral.

Só faltava mesmo uma coisa; que nós, mulheres, fiquemos persuadidas de que engravidar e parir um filho é um acto imoral e animalesco, próprio de infra-humanos e nos deixemos substituir por máquinas. Está longe, esse dia?
Está aqui à porta!

Na falta de incubadoras artificiais recorre-se às humanas, uma peça de transição, quer por falta da parte tecnológica, quer pela mentalização e ideia propagandística. Na linha da frente, estão actrizes como Sarah Jessica Parker e Nicole Kidman, demasiado ocupadas com as carreiras, para fazerem pausas gestacionais. Que dizer a respeito de Elton John, quando a capacidade biológica não está do lado dele? A única saída viável.

Porém, a ideia que estas pessoas estão a passar é a da menoridade do acto criativo humano; a prioridade é trabalhar, ganhar dinheiro, ser famoso, defender um corpo esbelto e perfeito, ao invés de parar, ou abrandar, para gerar um filho; como se este acontecimento fosse de somenos importância. Acho essa ideia chocante e degradante.

Quem não entende a grandeza da capacidade geracional humana está muito longe da divindade; quem não consegue compreender os enjoos, as cãibras, o aumento de peso, as dores, a azia, e tudo o mais que uma gravidez proporciona, não compreenderá nunca a alegria da maternidade.

Estou totalmente convicta que aqueles que promovem e incitam a criação de vida artificial são verdadeiros misóginos, disfarçados de homens do futuro, a expelirem da boca palavras venenosas como “evolução”.
As "Beta*", do Admirável Mundo Novo, são aquelas pessoas que recorrem a barrigas de aluguer; e quem não tem possibilidade financeira para o fazer? São as habitantes de Malpaís.

Longe esse dia? Está aqui à porta!
Triste, não é? Triste, porque não há alegria comparável à da criação de vida. 

Até breve!

* Para melhor compreensão das referências ao texto, aconselho a leitura do Livro de Aldous Huxley, uma leitura imperdível!