segunda-feira, 28 de março de 2011

Eu venero o sol, o vento, o ar, e a água

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Foi há muitos anos, não  recordo quantos exactamente, mas lembro-me nitidamente da impressão que a visão das centrais nucleares me causaram, ao viajar através de França. E a impressão foi negativa, foi de medo e de desconfiança.

Quando há alguns anos atrás, uma personagem da política nacional se lembrou de construir uma central nuclear em Portugal, eu voltei a sentir o mesmo receio e apreensão. Felizmente a opinião pública não recebeu nada bem o projecto, e este não passou disso mesmo. Deo gratias!

Ao longo dos anos, tenho lido, esporadicamente, sobre a população de Chernobyl; sobre a terra que ficou contaminada, sobre as pessoas que morreram e sobre as crianças que nasceram, doentes e deformadas. A vida continua para muitas dessas vítimas, porém após o desastre, é uma vida de luta pela sobrevivência. E parece-me que o mundo se esqueceu disso; felizmente nem todos os países, como Cuba, por exemplo, que apesar do embargo, apesar da severidade do estilo de vida, ainda possui uma parcela para a solidariedade, recebendo centenas de crianças em hospitais à beira-mar, onde estas fazem curas e tratamentos, durante meses e mesmo anos, longe das suas famílias, sem qualquer custo para estas. 

Obviamente a evolução da raça humana se deve a investigações, estudos e experiências, das quais muitas envolvem enormes riscos; contudo, parece-me que os sucessos nos cegaram impulsionando-nos a maiores riscos, para maiores resultados, dando-nos a pretensão de que podemos dominar aquilo que criamos.

Infelizmente, isso não acontece. Existem imponderáveis, como um sismo por exemplo. E então chegamos à conclusão de que estamos a brincar com o fogo. Que lidamos com forças e conhecimentos mais poderosos do que inicialmente julgamos.  E que não sabemos ao certo como lidar, como resolver, como solucionar os problemas que surgem. E por isso, uma nação inteira treme e ora de medo, e o resto do mundo ajuda como pode, com tecnologia e oração também.

E nessa pausa de expectativa, a China, a França e Alemanha suspendem projectos nucleares. Outros países revêem as suas politicas de gestão e manutenção das centrais nucleares. E nós deixamos a nossa respiração em suspenso.

Se já antes eu achava que deveríamos aproveitar os recursos da natureza para produzirmos energia, aproveitando o sol - através dos painéis solares, aproveitando o calor do solo- geotérmica, aproveitando o vento- turbinas eólicas, e através das ondas do mar, hoje estou ainda mais convicta de que esse é o caminho.

Talvez um dia as casas do futuro sejam totalmente independentes, utilizando a energia que a natureza lhes fornece. E a industria, também. E os países igualmente. Esse é verdadeiramente o tipo de ficção científica que me interessa - que a evolução da raça humana, nos proporcione um planeta seguro, e limpo.

Mais do que venerar a tecnologia, eu venero o sol, o vento, o ar, e a água.

Tenha uma óptima semana!

Este post é dedicado à Rose, uma leitora querida, que vive no Japão.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Receita para fim de semana: Tarte de Maçã

Não tenho bolo preferido porque há imensos bolos e tartes que adoro, e vou repetindo conforme a estação, e o apetite, mas confesso que tenho um fraquinho por bolos e tartes de maçãs. Tenho a impressão  de que poderemos passar uma vida inteira a comer bolo e tarte de maçã, variando a receita. 
Andava há imenso tempo à procura desta tarte, que comi há largos anos, e me ficou na memória do palato; e não me desapontou! 

" Tarte de Maçã
Receita adaptada do livro The Hummingbird Bakery Cookbook

Massa :260g farinha
1 colher de sopa de açúcar
1 pitadinha de sal
105g de manteiga magra
água gelada qb.

Recheio:50g de manteiga
½ colher de chá de canela
1.1 kg de maçãs vermelhas
120g de açúcar

1 ovo
1 colher de sopa de leite
açúcar e canela qb

Preparação:
Massa:

Numa taça juntar a farinha o açúcar e o sal. Juntar a manteiga e amassar bem. Adicionar a água gelada à massa até obter uma massa homogénea e maleável que não se pega aos dedos. Amassar novamente. Envolver a massa em película aderente e deixar repousar durante 1 hora.

Recheio:Descascar as maçãs, retirar o caroço e corta-las aos cubinhos.

Num tachinho colocar a manteiga e a canela e levar ao lume. Quando a manteiga ficar totalmente derretida, adicionar as maçãs e envolver bem. Posteriormente adicionar o açúcar e envolver novamente. Deixar as maçãs cozinhar até ficarem cozidas mas sem ficarem totalmente desfeitas.

Retirar do lume e deixar arrefecer completamente.

Montagem:
Pre-aquecer o forno a 190ºC. Untar uma tarteira de fundo amovível com manteiga.

Retirar a película aderente da massa.

Numa superfície enfarinhada* estender 2/3 da massa, até obter uma massa fininha que dê para forrar o fundo e as paredes da tarteira. Colocar a massa na forma previamente preparada.

Espalhar o recheio de maçã sobre a base e alisar a superfície. Com uma faca cortar o excesso da massa (o bordo da tarte deve ficar com a mesma a altura que o recheio).

Estender a massa restante e cortar tiras com cerca de 2 cm de largura. Dispor as tiras sobre a tarte. Cortar o excesso de massa das tiras e pressionar levemente as suas extremidades.

Bater ligeiramente o ovo com o leite e pincelar as tiras.
Polvilhar a tarte com açúcar e canela.
Levar ao forno até estar cozinhado. (No livro indica 30 a 40 minutos)

Servir morno polvilhado com açúcar em pó ou acompanhado com uma bola de gelado."

Mais uma receita do Baunilha e Caramelo, que recomendo vivamente.

Tenha um doce fim de semana!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Abecedário Engraçado

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Não sei como funciona com outras professoras, mas as dos meus filhos permitem que os alunos levem livros e cadernos para as aulas, e os utilizem, quando já terminaram as tarefas. Por " livros" refiro livros não-escolares, e cadernos, pessoais.
Acho uma óptima ideia, pois se algumas crianças são mais rápidas nos seus deveres,  em vez de se impacientarem com o atraso dos colegas, ou simplesmente começarem a falar, perturbando quem ainda trabalha, porque não se ocuparem com algo instrutivo como a leitura, ou lúdico, como o desenho?

Estes dias, a Letícia leu-me o Abecedário Engraçado,  que escreveu durante um desses intervalos, dentro da sala de aula. Achei tão...engraçado e bonito,  que lhe prometi publicá-lo aqui.
Isto é literatura infantil, meus senhores...!


Abecedário Engraçado

A- de Alice, que fez uma grande tolice
B- de Bruno, que gosta de jogar ao Uno
C- de Camila, que tem uma chinchila
D- de Diogo que é um grande maroto
E- de Eduarda que não gosta de feijoada
F - de Filipa que é uma metediça
G- de Gonçalo que fez um galo
H - de Hugo que é mudo
I - de Inês que fala chinês
J - de José que tem um dedo a mais no pé
L- de Leonor que cheira bem como uma flor
M - de Maria que tem um gato que não mia
N - de Noémia que tem de fazer uma vénia
O - de Otavio que é um sábio
P- de Paula que gosta da sua sala
Q - de Queirós que foi à loja comprar uma noz
R - de Rafael que põe a cara num pastel
S - de Simone que disse: tenho fome!
T - de Tomás que leva uma estalada na cara - Prás!
U - de Uva que está à chuva
V- de Vasco que vai ao mato
X - de Xavier que come com a colher
Z - de Zé que gosta de comer puré.
                                                                                                                             (Letícia, 8 anos)


E tanto papel gasto, pinturas nas paredes e rabiscos nas pernas e mãos, tem rendido frutos!


Até breve!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eu penso assim, e você "assado"; depois?

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Depois nada: Pelo menos, no que me diz respeito.

animais que não vêm as cores todas que nós, humanos, vemos; por exemplo os gatos e os cães, são daltónicos, vendo por isso menos cores do que nós.  Dá pena, não dá? Só podemos lamentar que estes bichinhos não consigam ver o mundo tão bonito como nós o vemos.

No entanto, alguns pesquisadores supõem que uma determinada espécie de peixes do Pacífico consegue ver uma cor, que nós próprios não conhecemos. É uma pena, não é? Que ainda existam cores que não consigamos ver. Só podemos lamentar...Ou vamos ficar zangados com os peixes porque eles conseguem ver uma cor que nós não conseguimos? Vamos ficar aborrecidos com os gatos e virar-lhes a cara ao lado, porque não vêem as cores que nós vemos?! Não, pois não?

E porque estou eu a falar de gatos e peixes? Foi desta metáfora que me recordei quando há dias, pensava na intolerância que algumas pessoas sentem ao ouvir, ou ler, opiniões contrárias às suas. Claro que é agradável que outros concordem connosco, isso dá-nos uma espécie de "certificado de verdade", contudo, nem sempre acontece, e quando alguém discorda de nós e nos apresenta uma opinião fundamentada e feita com educação, o que podemos fazer?
Duas coisas: ou ficamos convencidos, e aquela opinião faz mudar a nossa, ou ouvimos, aceitamos como opinião do outro e continuamos a discordar.

Não será legítimo discordar?  Porque temos todos que pensar da mesma forma? O mundo, e a convivência humana seriam terrivelmente  aborrecidos se a concordância fosse geral. A diversidade dos diferentes pontos de vista oferece-nos uma visão que não é a nossa, e isso faz-nos bem, massaja o cérebro, faz o coração trabalhar mais depressa, a adrenalina correr... faz-nos sentir vivos!

Por várias vezes na blogosfera fui confrontada com situações com as quais não concordo e, educadamente, dou a minha opinião. Não estou à espera que os outros mudem as suas opiniões, apenas expresso a minha; todavia, já houve quem quisesse à viva força fazer-me pensar de outra forma; como mantive a minha opinião, não gostaram.
Vamos supor que eu fosse racista, preconceituosa, ou fascista,  num determinado texto; que direito tem quem me lê, de me vir aqui acusar, e dizer-me para pensar antes de escrever? Opinião simpática, ou positiva ou negativa e antipática, todos temos direito a te-la, e quem vem insultar ou exigir mudança de opinião é tão intolerante como quem emite uma opinião mais extremada.

Porque então, ouvir uma opinião contrária à nossa nos aborrece tanto? Porque isso nos põe em causa; retira-nos o tal "certificado da verdade", colocando o nosso pensamento em xeque.
No entanto, quando estamos francamente convictos do que pensamos, a opinião contrária à nossa não consegue desestabilizar-nos dessa forma. E podemos perfeitamente conviver com gatos e peixes!

Vamos concordar que podemos discordar?!

Tenha uma óptima semana!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Reutilizar caixas de cereais - Saco para presente

Ainda há pouco tempo falamos aqui nas coisas que reutilizamos, lembram-se? Recorde, aqui.  No entanto, das mais de vinte sugestões, esta não fazia parte: reutilizar uma caixa de cereais,  fazendo um saco para presentes!

Material:
Uma caixa de cereais ( ignore a publicidade, s.f.f.)
Cola
Tintas ( aguarelas)
Fita de seda

Como fazer:
Descole a caixa cuidadosamente, pelos sítios colados; vire do avesso e volte a colar pelos mesmos sítios. Pinte o interior da caixa -agora novo exterior- da cor que preferir, neste caso optamos pelo branco. Deixe secar.


Deixar fluir a imaginação e pintar de todos os lados; eu e a Letícia fizemos a meias. Não preciso dizer qual a parte dela, pois não? Pronto, é a mais bonita!

ABRE PARÊNTESIS: Sabe uma ideia gira, para fazer para o dia do Pai? Pintar a caixa toda de branco, e utilizar as mãos dos filhotes, como carimbos coloridos! Com as mãos dos mais pequeninos deve ficar o máximo!FECHA PARÊNTESIS

Fazer dois furinhos em cima, de cada lado, para colocar a fita de seda. No nosso caso, reutilizamos também a fita, que tinha guardado de um arranjo de flores. Lá diz o ditado: Guarda o que não presta, que terás o que é preciso!

Fazer a alças do saco, dando um nó, no interior. Et Voilá!

A Letícia levou com um presente, para a festa de aniversário de uma amiguinha, e a mãe, que é educadora, ficou entusiasmadíssima com esta reutilização, e imediatamente "confiscou" o saco em questão para mostrar à classe dela. 

Contudo, o crédito pertence à Creative Jewish Mom, que tem imensas ideias giras, de reutilização e não só.

Tenha um bom fim de semana, e feliz dia do Pai!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Quem pergunta quer saber - Trabalhar em quê?

Algumas mães que optam, ou pretendem optar pela maternidade a tempo inteiro, desejam no entanto, ou precisam, de desenvolver alguma actividade que lhes permita auferir um rendimento financeiro.

Compreendendo totalmente este desejo, ou necessidade, pois um segundo vencimento é frequentemente necessário ao agregado familiar, gostaria de relembrar que ser mãe a tempo inteiro, é por si só,  um trabalho em que se ganha dinheiro; como? O dinheiro que se economiza, em Creche, Infantário, transportes, almoços e lanches, etc,  representa uma soma considerável, que não saí da conta bancária da família. Dinheiro que não saí, também é ganho!
Posto isto, passo ao email, da Ana:

"Boa tarde

Desde já peço desculpa por estar a enviar este email, mas achei muito interessante o seu blog que conheci através de um programa de televisão. Sou Mãe de um bebé de 4 meses e neste momento encontro-me desempregada, o que me permite felizmente  estar com o meu filho a tempo inteiro, que é o melhor desta vida. No entanto mais dia menos dia terei que trabalhar, o que me deixa muito assustada, não propriamente trabalhar, mas ter que me afastar dele, daí estar a enviar este email, para obter, se possível, uma ajudinha de como poderei ser mãe a tempo inteiro, ter o meu próprio negocio, seria a solução,mas não é fácil.

Caso tenha alguma dica que me possa dar, uma vez que decidiu ser Mãe a tempo inteiro.

Muito obrigado

Ana..."


Olá Ana,
Obrigada pelo seu email, e pelas gentis palavras.

Compreendo perfeitamente a sua preocupação, e sou totalmente solidária com os seus anseios; qualquer mãe deveria poder escolher ficar com os filhos. Infelizmente essa não é a regra, por variadíssimos motivos, no entanto creio que é possível,  se de facto é algo que desejamos profundamente.
Desconhecendo as suas habilitações literárias e experiência profissional, sugiro que  a Ana se aconselhe no Centro de Segurança Social, da sua área, para a possibilidade de criação do seu próprio emprego. Poderá conseguir um apoio financeiro e orientação, para tal.

Dependendo daquilo que sabe fazer pessoalmente, bolos, tricô, costura, poderá ainda trabalhar em casa; pode promover os seus trabalhos junto de familiares e amigos, que farão a publicidade "boca-a-boca", e poderá criar um suporte de divulgação na net, a custo zero, como um blogue, por exemplo.
Actualmente os trabalhos caseiros, e manuais, estão muito na moda, e esta pode ser uma via interessante.  

Como não a conheço estou a fazer sugestões em várias direcções, e desejo que alguma lhe possa realmente ser útil. Se necessitar de blogues para fonte de inspiração, diga-me que tenho montes deles nos meus favoritos, e poderá ver exemplos de algumas blogueiras que se tornaram empresárias "online".

De qualquer forma, espero que consiga conciliar a maternidade a tempo inteiro, com uma profissão que a satisfaça. Entretanto, aproveite bem o tempo com o seu bebé, desfrute de todos os momentos porque o tempo é terrivelmente fugaz!
Muitas felicidades."

Como já vai sendo hábito, conto consigo, cara leitora, para partilhar mais ideias de forma a ajudarmos a Ana, e outras mães que possam estar na mesma situação. 

Até breve!

Nota: Posteriormente tomei conhecimento de que a Ana já está ligada ao artesanato, e possui inclusivamente um blogue onde  divulga os seus trabalhos: As mãos emanam imaginação.