segunda-feira, 11 de julho de 2011

A angústia das férias


Como poderá alguém ficar angustiado com férias? Possivelmente perguntarão; bem, acredito que nesta época, de crise, muitos estarão realmente angustiados, porém desta vez falo de  uma sensação que muitas mães sentem - a angustia de se libertarem dos filhos nas férias. 
Se altura do ano há, em que se proporcione maior liberdade, e programas às crianças, é esta - verão, férias grandes!

Há dias, ao ler um texto da Ana  empatizei totalmente com a preocupação, e angústia dela, perante a ida do filho para a praia com a família de um amiguinho, por uma semana. Frequentemente a angústia é só nossa; as crianças partem alegremente, entusiasmadas com o convívio fora de casa, com a aventura que é ficar na casa de um amigo, ou familiar. Nós é que ficamos; a casa fica mais vazia e silenciosa. Nós é que nos preocupamos, porque ninguém, achamos nós, toma melhor conta dos nossos rebentos do que nós mesmas. Ninguém imagina vê os imensos perigos que pairam ameaçadoramente, como nós.  Ninguém os protege tão bem.

E logo de seguida, o meu filho, nada dado a estes convívios longe da casa familiar e sempre muito relutante à ausência dos pais, se convida a ele mesmo, a passar um fim-de-semana, prolongado, é preciso dize-lo, na praia com os tios, e primo. Perante a minha estupefação, o saco foi feito em minutos, e partiu muito afoito, com dois beijos apressados, sem olhar para trás. Tal e qual! Zás trás!

Sendo a primeira vez que o meu primogénito sai de casa, de sexta a segunda à noite, já tinha dito?! a minha angústia talvez seja justificada. Ou tal como me chamou o dentista há dias, eu seja simplesmente uma mãe-galinha - que confirmo, porém a minha angústia não me impede de libertar os meus filhos. Vou-lhes dando liberdade, vou cortando o cordão, e vou-me preparando para os ver voar, cada vez mais alto e mais longe. E a angústia? Vou tentar cortar esse cordão também. Passo a passo. De caracol. Estou a brincar. A sério, gradualmente.

Com as férias das crianças o meu tempo livre fica muito limitado, sem dúvida que nas férias de verão já não sou mãe e muito mais, sou mais mãe. Por conseguinte, a minha interação na blogosfera fica bastante reduzida. Praticamente reduzida a publicações. C'est la vie!


Tenham uma ótima semana!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dica de leitura: "O Salão Dourado"

A primeira história de mulheres na Bíblia, é sobre Ester. Nascida Hadassa, e judia, perde os pais muito pequena, e fica entregue aos cuidados do primo Mordechai, que exerce um cargo importante na administração do reino persa. 
A história de Hadassa muda radicalmente no momento em que o rei Xerxes destitui a rainha Vasti, por esta se ter negado a comparecer perante si, e um grupo de homens embriagados, num banquete. Hegai, o eunuco responsável pelo harém real, reúne então uma série de jovens que foram retiradas às suas famílias, e imediatamente nota que Hadassa - a partir desse momento Ester- sobressaí pela sua beleza.

Deste modo, a concubina Ester passou a favorita do rei, tornando-se sua rainha. Porém, Ester tinha omitido a sua origem, pois ser judia no reino persa poderia ter mudado o seu destino. O seu segredo é revelado apenas quando Hamã, o braço direito do rei, e inimigo de Mordechai traça um plano para o aniquilar, juntamente com o povo judeu, que vivia exilado no reino de Xerxes. 
Ester comparece perante o rei sem ter sido solicitada, o que lhe poderia custar a vida, e faz com que este conceda aos judeus forma de se prepararem contra o ataque de que iriam ser alvo. 

A Bíblia dá-nos a imagem de uma mulher altruísta, que coloca os interesses do seu povo, acima dos seus próprios; que aceita a vida tal como se lhe depara, como sendo um plano de Deus para desempenhar um papel maior na história dos judeus. 

Este romance dá-nos a imagem de uma mulher mais mundana, e mais sensual. Não me convenceu totalmente acerca da sua inteligência e sensatez sempre tão elogiadas; durante todo o livro esperei pelo momento em que Ester daria mostras de uma personalidade extraordinária. É, contudo, uma história bem escrita, muito fluída, que se lê rapidamente. O quadro histórico é bastante interessante, e detalhado.

Aconselho, é uma ótima leitura de verão! Ou para quem simplesmente procura uma leitura leve. 

Tenha um bom fim-de-semana!

"O Salão Dourado", por Rebecca Kohn
274 páginas
Edições Saída de Emergência

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Popsicles", para o calor!

Há palavras em algumas línguas que adoro; por exemplo, Justin em inglês é uma delas. Se vivesse nalgum pais anglo-saxónico sem dúvida o teria escolhido como nome para o meu rapazinho. Outra palavra que gosto imenso é popsiclesQual a graça de "gelado de pauzinho"?! Até "picolé" é mais giro! 
Mas popsicles... bate tudo aos pontos! E em dias de calor, um fudge popsicle  alegra os nossos dias duplamente.

E tão fácil de fazer! Easy, so easy...A receita vem do Smitten Kitchen.


Fudge popsicles
Ingredientes:
- Duas colheres de sopa, ou 21 gr, de chocolate meio amargo, picado
- 1/3 de chávena, ou 67 gr, de açúcar
- Uma colher, ou 7 gr, de amido de milho
- Uma colher e meia, ou 8 gr, de cacau em pó sem açúcar
- 300 ml de leite
- Pitada de sal
- 1/2 colher de essência de baunilha
- 1/2 colher, ou 7 gr, de manteiga sem sal
Como fazer:
Colocar numa panela o chocolate, e deixar derreter lentamente, em lume muito baixo, mexendo sempre até ficar cremoso. Acrescentar o açúcar, o amido de milho, o leite, o cacau em pó e o sal; aumentar o lume, para médio. Misturar tudo muito bem, mexendo sempre até engrossar, cerca de cinco a dez minutos. 
Retirar do lume. Adicionar a essência de baunilha e a manteiga, mexendo sempre.
Deixar arrefecer um pouco, e em seguida despejar nas formas dos gelados. Colocar no congelador por trinta minutos, antes de inserir os pauzinhos. Deixar a congelar totalmente. 

Foram um sucesso! E soltaram a imaginação dos pequenos, que juntamente com os primos já fizeram gelados de laranja, limitaram-se a espremer laranjas,fazendo gelados 100% naturais:
E outros menos saudáveis, com o resto da Cxo%ca-Co&;$=la, de um piquenique. Eles adoraram o resultado, obviamente! Mas não é para repetir! Digo eu.
Entretanto, já encontrei novas fontes de receitas para gelados, e temos o verão todo para os irmos testando. Porque as férias começaram há uma semana, e porque temos de nos ocupar.

Tenha uma ótima semana!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Filme para o fim-de-semana: "O Castor"

A história de um homem que sofre de depressão, e não consegue curar-se, apesar das diversas tentativas e métodos. Não fala, não come, não trabalha, apenas dorme. Até que a família não consegue suportar mais. Então encontra num caixote do lixe um fantoche- O Castor, e começa a exprimir-se através dele. E recomeça a viver, mas...Mais não digo. Apenas que pode parecer-lhe hilariante, que um adulto se exprima através de um boneco, e com certeza esses momentos cómicos arrancam muitas gargalhadas, porém este filme, não é uma comédia.

Mas é um filme, que vale a pena ver; realizado e interpretado por Jodie Foster, com Mel Gibson no protagonista, a história de uma depressão deixa de ser banal. Banal como os milhões de doentes depressivos que existem no Mundo. E ganha uma dimensão humana muito próxima de nós.

Há muitos anos atrás, alguém próximo de mim entrou em depressão, e embora no inicio tenha ficado preocupada, confesso que a partir de determinada altura, achei aquilo tudo uma grande fita. Comecei a duvidar da inércia, achando que era preguiça. Suspeitei da indiferença, pensando ser fingida. Não acreditei nas palavras que diziam desejar a morte, afirmando mesmo ser para chamar a atenção. 
Porém, quando mulheres que conheço bem, e sei quão boas mães são, se tornam indiferentes aos filhos, quando antes os punham à frente de tudo, os querem deixar para trás, então comecei a acreditar nessa doença. Em como pode ser perigosa.

Este filme leva-nos a estas reflexões; e se servem para nos sensibilizar sobre esta doença, a que nunca antes dedicáramos dois minutos de atenção, é positivo, não é? Porque...quem não conhece alguém que teve, tem ou terá uma depressão?!

Tenha um ótimo fim-de-semana!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Memórias

Desde que li este post da Christine Chitnis, no qual ela lamenta a sua má memória, e que a entristece imenso ir perdendo as suas memórias de infância, tenho pensado nas minhas próprias memórias. Não me parece que as tenha perdido, só gostaria que fossem mais numerosas.  Mas enfim, se isto é o que tenho, mais vale listá-las, de forma a não as perder.

Até aos sete anos:
- Eu a entrar no quarto do meu avô paterno, estando ele de cama, após a trombose. É a minha memória mais antiga, deveria ter uns 4-5 anos, e única lembrança desse meu avô.
- Eu a andar pendurada na cadeira de rodas da minha avó paterna, enquanto o meu pai a empurra. Teria uns 6 anos.
- Eu sentada numa cadeira na sala da praia, enquanto passava férias com os meus tios e primos; tinha engolido uma chiclete e acreditava morrer. Fiquei ali quieta e silenciosa, à espera da "morte".
- Eu a "cozinhar" folhinhas de um arbusto, em casa dos avós paternos, fingindo serem peixes.
- Eu a ir espreitar a avó ao quarto, a mando da minha mãe, que preparava o jantar, e a voltar, dizendo que estava a dormir. Afinal tinha acabado de falecer.
- O quarto da avó, onde ela estava depositada, decorado a roxo com bordados dourados e imagens de santos. Não me impressionou, nem fiquei traumatizada. Lembro-me de um grande entrar e sair de pessoas, e de uma criança mais pequena do que eu, ter voltado para trás, com os irmãos(?) à procura de um sapato que terá perdido. Não sei se encontrou.
- Eu a andar na lambreta do meu pai, sentada  no suporte dos pés. Porque não iria eu sentada no segundo banco, se ele existia?! Eu adorava ir ali, e a viagem do escritório para casa era pequeníssima. 
- O cheiro doce e suave de maçãs, na casa dos meus bisavós paternos, logo que se entrava na grande sala que era o hall; ao lado existia uma pequena divisão com prateleiras, onde as maçãs estavam acamadas, prontas a serem consumidas, nos meses seguintes. 
- Eu a jantar na casa de uns vizinhos, que não tinham filhos, numa mesa minúscula, com uma luz soturna, arroz seco- melado! Adorava que me convidassem.
- Eu a cair ao lago, na quinta dos meus bisavós, acidentalmente empurrada por um primo, enquanto tentávamos apanhar os patos; a imagem da água esverdeada, que vi e engoli, continua vivíssima! 
- Eu, ao lado de um grande caixote em madeira, onde seria colocada a encomenda de cutelarias, para ser enviada para as "colónias", e um cutileiro a dizer-me que me iria pôr lá dentro, e enviar-me para Angola. Era a brincar, mas tive pesadelos durante meses. 

Tenho ainda um par de lembranças que guardarei só para mim. O mais triste destas lembranças é serem de pessoas queridas que já não se encontram entre nós. O mais alegre destas memórias, foi te-las vivido! E sinto-me tão grata por isso.

Tenha uma ótima semana!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Passeio pelo Mosteiro de S.Martinho de Tibães

Fica somente a 6 kms de Braga, mas aconselho uso de GPS. A sinalização a partir de Braga é péssima, coisa que não se compreende, dada a importância deste monumento. Porque apesar da aventura que é encontrar o Mosteiro, vale muito a pena!

Um pouco de história: Antiga casa-mãe da congregação portuguesa beneditina, foi fundado no século X, tornando-se graças ao apoio real no mais próspero e poderoso mosteiro do norte de Portugal.
“Com o Movimento da Reforma e o fim da crise religiosa dos séculos XIV a XVI, o Mosteiro de S. Martinho de Tibães assiste à fundação da Congregação de S. Bento de Portugal e do Brasil, torna-se Casa Mãe de todos os mosteiros beneditinos e centro difusor de culturas e estéticas. A importância do Mosteiro de Tibães mede-se, também, pelo papel que desempenhou como autêntico "estaleiro-escola"…”
“Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, em 1833-1834, é encerrado e os seus bens, móveis e imóveis, começados a vender em hasta pública…”
Foi adquirido pelo Estado Português em 1986, e tem estado desde então em renovação.

Esta é a sua história sumária; na minha versão, nota-se que foi um Mosteiro muito rico, de enormes dimensões, que teve uma importância vital para as populações circundantes, que aliás pertenciam ao couto do Mosteiro, e lhe pagavam os impostos.
Gostei sobretudo do coro alto, pela visibilidade que fornece sobre a igreja, pelo enorme  suporte onde estão grandes livros de cânticos manuscritos. Também gostei imenso dos claustros, não sei porquê, mas tenho um fraquinho por claustros.
A galeria de quadros, dos ilustres que contaram na história do mosteiro é impressionante; também lá consta D.Sebastião.
As crianças gostaram sobretudo das celas dos monges, algumas ficavam numa espécie de forrinhos, com portas minúsculas,  indiciando passagens secretas. A algumas tínhamos acesso por escadas em caracol com degraus mínimos, ao que subi-los era por si só uma aventura perigosa. Também gostaram das latrinas colectivas em madeira, adornadas com pintura e talha, que acharam... “excêntricas”.

Dado que o restauro ainda está em andamento, a minha preocupação com a firmeza da madeira dos soalhos nos quartos impediu as crianças de percorrerem o espaço livremente, mas ainda assim gostaram imenso.
Como tinha chovido e estava a anoitecer não podemos aproveitar o passeio pelos jardins, o que nos dá um motivo para lá voltarmos.

Actualmente o Mosteiro tem restaurante, bem conceituado pelo que ouvi, embora não possa confirmar. Ainda. No entanto, aconselho vivamente o passeio por este Mosteiro antiquíssimo e misterioso, para dias de sol, ou chuva, fins-de-semana e férias. Não nos faltam opções!

Tenha um ótimo fim-de-semana!