segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Uma pub que dá que pensar...



Já tinha visto esse anúncio há algum tempo; não sabia que era da autoria de um português, o Copywriter Hugo Veiga, que foi recentemente anunciado como número um, da lista dos dez melhores do Mundo, no Festival de Publicidade Cannes Lyons.

A Dove tem focado as suas campanhas na ideia de que todos os corpos são bonitos, porém esta publicidade toca um ponto de suma importância, que é a percepção que as mulheres têm de si próprias. Provando que o Mundo as vê de forma diferente. Um olhar muito menos crítico e muito mais favorável.

Parabéns pela  chamada de atenção.Se todas as publicidades fossem assim, inteligentes e educativas...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Mais uma família que emigra

A Letícia tem andado muito triste, com a partida anunciada, para o estrangeiro, de uma das suas melhores amigas. Conhecem-se desde o 1º ano e desde então tornaram-se muito próximas. Quando o pai da amiga emigrou, e  a S. se sentiu desolada com isso, a Letícia ficou preocupada e triste. Chegou a dizer-me:
- Já viste, mãe, se fosse comigo ? Eu também ficaria muito triste, não ter o pai aqui...

Como tem acontecido em tantos outros casos, o pai acabou por levar a restante família, com ele. Porque as famílias querem-se juntas. Porque não há esperança de que a situação em Portugal melhore, e a sua ausência seja temporária. Porque as pessoas têm que viver, não apenas sobreviver. E tudo isto é triste.

 A S.  já é a terceira da turma da Letícia que emigra. E a segunda que lhe toca particularmente. Parece que a situação se repete e torna mais dramática à medida que o tempo passa. Não nos interessam os sinais de "recuperação da economia", tão anunciados pelos especialistas nos telejornais, porque os verdadeiros sinais são estes - Uma população em debandada. A seguir "a indicação" do senhor primeiro-ministro, por desespero e falta de alternativa.

Quando eu era criança, recordo-me de ter algumas colegas, filhos de emigrantes, que regressavam a Portugal; o país dava realmente sinais de mudança, a vida parecia ser mais promissora, e os portugueses acreditavam que era um pais com futuro. Era um tempo alegre.
Com os meus filhos passa-se o oposto; os colegas emigram, porque os pais deixaram de acreditar no presente de Portugal, vendo-o como uma nação sem futuro. As escolas vão perdendo alunos, as casas vão ficando vazias. E isto é tão triste.

A S. vai ter que integrar-se num país onde se fala outra língua e aprende-la. Vai ter que adaptar-se a outra escola e a fazer novos amigos, mesmo não dominando a língua. Vai recuar um ano lectivo. Vai ficar sem a restante família. Vai enfrentar uma série de desafios que assustam e preocupam adultos, quanto mais uma criança. E deixar para trás tudo aquilo que lhe era familiar e habitual.
Como não andaria a S. preocupada e infeliz ?

Hoje a Letícia foi triste para a escola, por saber que seria o primeiro dia em que a  S.  não estaria lá.

Para toda esta situação, da S. e tantas outras famílias, só me ocorre uma palavra: coragem. Porque eles têm-na.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O grand finale da Natureza*



Via

Apesar do Outono entrar oficialmente em setembro, é a Outubro que associamos a penúltima estação do ano.  Os dias mais pequenos, e a mudança climática, caracterizados pela baixa de temperatura e chuva, “mexem” com a nossa disposição, a ponto de muitas pessoas ficarem realmente deprimidas. 

Isto acontece tão frequentemente que existe, inclusivé, uma desginação em Psiclogia para estes casos: “Depressões de outono”.  Esta especialidade da Medicina explica de forma extensa e lógica o surgimento dos sintomas, característicos  desta depressão sazonal. E trata a doença em conformidade; porém, eu penso que se conseguirmos ver as inúmeras e absolutas belezas que caracterizam esta estação, a nostalgia que sentimos, dará lugar a outras emoções, muito mais positivas. 
Caminhar pela Natureza nesta altura do ano, é como atravessar um longo Museu Vivo, onde a cada passo, encontramos magníficas pinceladas de cor. Admirar obras de arte em mutação pemanente, como se o artista não as considerasse nunca, acabadas.

Por onde as portas entreabertas deixam escapar uma aragem fresca, que nos refresca dos dias quentes  de Verão. E ao contrário dos museus, onde não nos é permtido tocar nos objectos expostos, podemos recolher galhos secos e folhas coloridas, bolotas e castanhas, para decorar a casa ou degustar.

Os aromas intensificam-se, despertando os nossos sentidos para odores que identificamos sem ver, sejam flores silvestres, frutos ou até mesmo o inodoro vento. 

O outono é o tempo em que tudo explode, num arrebatado fogo-de-cores, como se a Natureza tivesse poupado ao longo dos meses, para este grand finale!  E tudo o que temos que fazer é observar, admirar, e permitirmos  que esse esplendor repercuta pela nossa mente, e nos deixe  felizes, apenas porque estamos aqui! 

Do meu artigo publicado na revista Bigger Magazine. À venda nos quiosques de Guimarães, Vizela, Braga, Fafe, Famalicão, Sto Tirso e Felgueiras

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Uma Igreja incompleta


Via
Parece que dia sim, dia não, o Papa Francisco é notícia; por vezes chamam-lhe conservador, outras vezes acham-no progressista. Afinal é o quê?

Cada vez que um  Papa é eleito renasce a esperança que seja alguém mais aberto a mudanças. Que encare a realidade do século XXI e adapte a Igreja em conformidade. Porém, acabam todos por afirmar que são as pessoas que devem adaptar-se à Igreja.

Há muitas coisas na Igreja Católica que não me agradam, mas desta vez, opinarei somente sobre a rejeição das sacerdotisas. É uma opção que não entendo, nem posso aceitar.
A Igreja acolhe, e incentiva inclusivamente, a colaboração das mulheres nas Paróquias, em todas as actividades, desde a limpeza, decoração, catequização, e participação na Eucaristia, dando a Comunhão, no Coro, e passando o cesto da colecta. A mulher é aceite em todas as tarefas, excepto no altar. E porquê? Pergunto eu.

Podem ser freiras, estar por detrás de vários Movimentos da Igreja, na organização de eventos católicos, e até no Vaticano, porém, sempre em segundo plano. Sempre subalternas.

Não será a mulher digna de transmitir a palavra de Deus, em igualdade com os sacerdotes? Porque tem que ser prerrogativa do homem se depende apenas da vocação?
Será que essa opção é ainda uma penalização por ter sido a mulher a responsável "pela saída do paraíso"? A Igreja atribui muita culpa à mulher, relativamente a várias situações, culpa essa que carregamos até hoje, e consequentemente, apenas ousamos balbuciar que deveríamos ter direito a isto e aquilo. Não reclamamos, nem exigimos. Porque a culpa incutida durante séculos nos tira o poder para o fazer.

Assisti uma vez a uma missa anglicana, celebrada por uma sacerdotisa; bendigo a hora em que entramos na catedral de St.Paul e essa experiência nos foi proporcionada. A voz suave e tranquila da sacerdotisa entoou pela catedral como um cântico divino. Sentimo-nos inundados por um bem-estar inesperado , que nos levou a prolongar o nosso tempo, muito após a celebração eucarística. As crianças adormeceram nos bancos. E ali ficamos em silêncio, ainda submersos por aquela  experiência impar.

Acredito que a vivência diferenciada da mulher pode ser uma mais-valia para a Igreja; que a personalidade feminina apresenta outra perspectiva, outra sensibilidade. Vem complementar uma forma de  interpretar a realidade e as pessoas.
Para mim, a Igreja sem sacerdotisas fica incompleta, como se de alguma forma não fosse capaz de ouvir e ver plenamente. E de agir em consonância.

Um Papa, um sacerdote, uma pessoa, que não compreenda a presença da Mulher no altar,  não é, definitivamente, um progressista.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Faça Você Mesma - Tela Zig -Zag


Esta tela foi um projecto meu e da Letícia, de final de Verão.Uma tarde bem passada a desenhar a tela, decidir cores e disposição. Muito simples, executada pela Letícia, seguindo as minhas indicações, para marcar a lápis o zig-zag.

Material:
Tela
Guache
Glitter
Lápis, borracha e régua

Como Fazer:
Desenhar várias linhas na tela a lápis, escolhendo a distância que entender; marcar o zig-zag, também a lápis leve. Pintar em guache e deixar secar. Passar cola branca no espaço que escolheu para o Glitter e deixar cair aí o brilho, o mais rapidamente possível. Deixar secar muito bem, e está pronto a ser colocado na parede!



Este foi para o quarto da Letícia, pousado na mesinha de cabeceira.

Uma bom projecto para um  fim-de-seamana de chuva, não?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O prémio Patético destas eleições, vai....


Eu sei que a concorrência para este prémio foi feroz, mas a notícia mais representativa, do que mais patético* se viu nestas eleições,  é esta:

Apoiantes de Paulo Vistas celebram vitória junto da prisão da Carregueira

Só mesmo neste país!

* Patético, inacreditável, deplorável, e todos os adjectivos que reflectem o estado da nossa nação