Parece que dia sim, dia não, o Papa Francisco é notícia; por vezes
chamam-lhe conservador, outras vezes acham-no progressista. Afinal é o quê?
Cada vez que um Papa é eleito renasce a esperança que seja alguém mais
aberto a mudanças. Que encare a realidade do século XXI e adapte a Igreja em
conformidade. Porém, acabam todos por afirmar que são as pessoas que devem
adaptar-se à Igreja.
Há muitas coisas na Igreja Católica que não me agradam, mas desta vez,
opinarei somente sobre a rejeição das sacerdotisas. É uma opção que não
entendo, nem posso aceitar.
A Igreja acolhe, e incentiva inclusivamente, a colaboração das mulheres nas
Paróquias, em todas as actividades, desde a limpeza, decoração, catequização, e
participação na Eucaristia, dando a Comunhão, no Coro, e passando o cesto da
colecta. A mulher é aceite em todas as tarefas, excepto no altar. E porquê?
Pergunto eu.
Podem ser freiras, estar por detrás de vários Movimentos da Igreja, na
organização de eventos católicos, e até no Vaticano, porém, sempre em segundo
plano. Sempre subalternas.
Não será a mulher digna de transmitir a palavra de Deus, em igualdade com os sacerdotes? Porque tem que ser
prerrogativa do homem se depende apenas da vocação?
Será que essa opção é ainda uma penalização por ter sido a mulher a
responsável "pela saída do paraíso"? A Igreja atribui muita culpa à
mulher, relativamente a várias situações, culpa essa que carregamos até hoje, e
consequentemente, apenas ousamos balbuciar que deveríamos ter direito a isto e
aquilo. Não reclamamos, nem exigimos. Porque a culpa incutida durante séculos
nos tira o poder para o fazer.
Assisti uma vez a uma missa anglicana, celebrada por uma sacerdotisa;
bendigo a hora em que entramos na catedral de St.Paul e essa experiência nos
foi proporcionada. A voz suave e tranquila da sacerdotisa entoou pela catedral
como um cântico divino. Sentimo-nos inundados por um bem-estar inesperado , que nos levou a prolongar o nosso tempo, muito após a celebração
eucarística. As crianças adormeceram nos bancos. E ali ficamos em silêncio,
ainda submersos por aquela experiência impar.
Acredito que a vivência diferenciada da mulher pode ser uma mais-valia para
a Igreja; que a personalidade feminina apresenta outra perspectiva, outra sensibilidade.
Vem complementar uma forma de interpretar a realidade e as pessoas.
Para mim, a Igreja sem sacerdotisas fica incompleta, como se de alguma forma
não fosse capaz de ouvir e ver plenamente. E de agir em consonância.
Um Papa, um sacerdote, uma pessoa, que não compreenda a presença da Mulher
no altar, não é, definitivamente, um progressista.