quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Desmontando o mito de Miley Cyrus


Toda esta polémica em volta da Miley Cyrus ter-me-ia passado totalmente ao lado, não fosse a minha filha. Quer dizer, é-me absolutamente indiferente que ela ou outra cantora qualquer façam vídeos controversos, ou dancem de forma excessivamente sexy, roçando o mau gosto, quando não são cantoras de quem eu gosto.

Acontece que Miley Cyrus era a Annah Montana, uma menina Disney muito conhecida e admirada pela minha filha, e muitas meninas da idade dela. Para além da televisão, ela entrou cá em casa em forma de capas escolares, esferográficas e outras coisas do tipo. Isso quer dizer alguma coisa. No mínimo que a minha filha gostava dela, no máximo que queria ser como ela. Não creio que tenha chegado a tanto, mas certamente muitas meninas sonharam com isso. Há, portanto, aqui um peso de influência que poderemos questionar, enquanto pais e educadores, se nos interessa ou não, desmontar.

Desapareceu a Annah Montana, mas ficou Miley Cyrus e as meninas que gostavam da primeira, seguiram o percurso da segunda. Sucede que à inocente Annah Montana, sobrepôs-se a "sabida" Miley Cyrus, colocando-se nas antípodas da sua predecessora. A minha filha não cresceu assim tanto, felizmente. E por isso, não entendeu esta mudança brutal no visual e comportamento da cantora. A confusão, entre personagem e pessoa real acontece frequentemente, quando um papel se cola ao actor durante muito tempo e sobretudo quando se dirige a um público ainda em formação, como  infanto-juvenil.

A incompreensão deve ser global, mas eu não lhe prestei atenção. Até a Letícia ter desabafado, incrédula:
 - A Miley Cyrus ficou maluca! Anda a lamber martelos, e a dançar quase nua em cima de uma bola, no vídeo dela!

Perguntei-lhe se ela imaginava porque a cantora se comportava assim, e a conversa alargou-se a questões que se prendem com o trabalho infantil nas artes, o consumo, o sexo e a fama. Parece cedo demais? Eu também pensava.

Acredito que a  fusão entre Annah Montana e Miley Cyrus foi propositada, para dar consistência e promoção à personagem; assim como acredito que esta transformação última, foi deliberada para colocar um basta à imagem construída pela menina Disney. Se a ideia foi dela, ou de alguém da sua entourage, não se sabe ao certo, e também não me parece muito importante. Quem cresceu sendo uma figura famosa, fica cativa de terceiros, seja de que forma for.

A imagem sexy vende, sendo um caminho fácil para quem pretende alcançar o sucesso a qualquer custo. Contudo, uma cantora segura dos seus dotes vocais não permite que a explorem ou a exponham da forma que Miley Cyrus se tem exposto. Mas também, nem sequer tenho a certeza se é possível ser suficientemente autoconfiante, a ponto de saber o que se quer, quando se viveu uma infância como figura pública, rodeada de profissinais que visam o lucro.

Lembrei-me de Sinead O'Connor, uma cantora de quem gosto muito, e que num gesto de revolta, quando sentiu a pressão para apresentar uma imagem mais sexy, rapou o cabelo. 
Recordei-me, e contei-lhe, a resposta de Adele, quando a pressionaram para perder peso: " Eu não faço música para os olhos, faço música para os ouvidos".

O que estas cantoras têm em comum? O talento. Vozes poderosas que não necessitam mais do que isso. E vozes interiores que as instigam  a percorrer um caminho, talvez mais difícil mas também mais digno  e leal ao dom que possuem.
Nada a fazer, quando as pessoas são atiradas para as feras, ainda pequeninas, e lhes sonegam a infância. Acho que é aí, que lhes roubam a oportunidade de aprenderem a ouvir a sua voz interior. E elas ficam, assim, pequeninas e perdidas, senão para sempre, durante muito, muito tempo.

Para ilustrar a conversa, a Letícia quis ouvir uma música da Sinead O'Connor. Escolhi uma das minhas favoritas de sempre. Há coisas que ficam porque marcam, independentes de modas e polémicas, outras que apenas vão ficando. E é isto que eu quero que a minha filha compreenda, há pessoas que podem inspirar-nos e outras que, claramente, não. Temos apenas de saber identificá-las.

É muito cedo, para tal? Realmente não me parece.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

O SNS e a Drª Ana Oliveira

Depois de ver esta investigação da TVI, só posso concluir que se o SNS não funciona, é porque o Ministério da Saúde não quer.
Não me parece que seja um caso isolado, deve ser um fenómeno a nível nacional. Uma vigarice tremenda que lesa o Estado e brinca com a saúde e carteira dos cidadãos. Muitos deles carenciados e idosos. Uma indignidade.

Não conheço a médica que testemunha e teve a coragem de reunir provas,  mas só posso concluir que é uma pessoa honesta e destemida.
Porque não compactua com falcatruas e as denuncia. Porque teve a coragem de se expôr, denunciando os seus pares. E creio que todos sabem como este lobby  funciona - protegem-se uns aos outros, nem que seja com o silêncio.

E acima de tudo, é um exemplo como cidadã. Estamos tão necessitados destes exemplos...

-Bem-haja, Drª Ana Oliveira!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

De tabuleiro a bandeja num piscar de olhos!



Esta é a história de um tabuleiro velho, guardado numa gaveta da cozinha, que foi objecto de uma transformação total, e está agora na sala, em melhor companhia.

1. Pintei-o todo com spray prateado. 
2. Coloquei fita adesiva em zig-zag.
3. Voltei a pintar de prateado, para a cor fixar melhor e deixar uma marca subtil do zig-zag.
4. Retirei a fita cola e pincelei pela marca com cola branca.
5. Salpiquei abundantemente com purpurina prateada. 
6. Deixei secar bem e coloquei um vidro, para protecção. 

E pronto! Não ficou perfeito mas o artesanato é mesmo assim.


A tinta em spray opera maravilhas!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Brinquedos têm género?

- É meu! Dizia ele.  (Adorou o presente!)

Com o Duarte nunca pensei muito sobre o assunto, interessava-me muito mais que os brinquedos fossem lúdicos e pedagógicos, e por sorte ele nunca se sentiu naturalmente atraído pelos brinquedos ditos " de menino", como bolas ou carros. Puzzles, Lego ou outros brinquedos que ensinavam os números e as letras, abundavam cá em casa. O que ele pediu especificamente ( quando teve idade para tal ) foram os bonecos Pokémon, que coleccionou durante anos, e posteriormente os Bakugan, e outros do tipo.

Entretanto, com o nascimento da Letícia, os brinquedos, esses sim, ditos "de menina" entraram em força cá em casa. Ela revelou-se desde cedo muito ligada aos brinquedos do seu género, ainda que tenha manifestado o gosto pelas bonecas tardiamente. Mas gostava de coisas cor de rosa, de cozinhas, comidas, e toda a parafernália que reproduz uma casa. E posteriormente brinquedos ligados à Clínica Veterinária e Infantário. 
Como a diferença de idades entre os dois é de apenas 18 meses, eles acabaram por brincar com os brinquedos de um e do outro, numa troca saudável, que em abono da verdade, oscilou sempre mais para os brinquedos do Duarte.

No verão, tivemos cá em casa o meu afilhado e surpreendentemente ( e porquê surpreendentemente?!), de todos os brinquedos que existem aqui, e são imensos, o que o cativou mais a ponto de não o largar foi um carrinho de bonecas com um bebé. Fartou-se de o passear, e carregar para cima e para baixo. Deixava-o alguns momentos mas voltava sempre a pegar nele para continuar a brincar. Estava encantado!

Esse momento para mim foi revelador. O aniversário dele aproximava-se e eu não tinha ideia do que lhe oferecer; porém, apesar da abundância de brinquedos, o meu afilhado, tinha apenas como seria de esperar, brinquedos do seu género. Não tinha carrinho de passeio e boneca.

As mulheres queixam-se de que os maridos não partilham das tarefas domésticas, não tratam dos filhos, sobretudo quando são bebés, e isto tem uma razão que começa aqui, na brincadeira. Porque não podemos brincar com os mesmos brinquedos se no futuro se espera que todos desempenhemos as mesmas tarefas?

Ilógico? Talvez isso tenha feito sentido no passado em que as actividades estavam muito definidas pelo género, mas já não é o caso.
Há cada vez mais pais que reclamam licença de paternidade, pais homossexuais, e pais que são mais activos no cuidar dos filhos, devido a diversas razões. E pais que partilham essa tarefa com as mães, de igual para igual. Por conseguinte, essa tarefa, assim como outras tarefas domésticas, rompeu com o limite de género.

As brincadeiras que ensinamos e promovemos para além de pretenderem ser divertidas e manterem as crianças entretidas, destinam-se também a ensinar; a mimética da brincadeira repercutirá na idade adulta. O que acontece actualmente é um desajuste entre as duas.

Os fabricantes de brinquedos ainda não tomaram essa noção, e por isso continuam a rotular as embalagens dos seus brinquedos com fotos de meninas a segurar "bebés" nos seus braços, e a empurrar o carrinho de passeio. Isto estigmatiza a ideia de brincadeira, e cria limites para os meninos que também querem brincar com "bebés" e passeá-los nos carrinhos. Muitas crianças ficam frustradas porque os pais se negam  a adquiri-los sob pretexto de não serem do seu género; com receio de ouvirem piadas, ou promoverem uma tendência sexual  anti-natura. Assim como nas embalagens de brinquedos de menino, não se costuma ver meninas; há uma separação clara de brinquedos e por isso etiquetamos frequentemente quem não encaixa dentro das fronteiras do género. Uma menina que gosta de jogar à bola ? É Maria-Rapaz.

Obviamente eu não acredito em nada disto. Creio muito mais na liberdade de escolha, no acesso livre a todo o tipo de brinquedos, na promoção de brincadeiras pedagógicas livres de rótulos. Acredito que isso faz as crianças mais felizes e que um dia se tornarão adultos descomplexados e bem resolvidos.

A sociedade necessita de mudar em muitos aspectos, mas neste da brincadeira por géneros, parece-me que é urgente alterar esta noção tão arcaica. Está completamente fora de moda!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Chuva da Alma Portuguesa


Finalmente a minha alma está a compreender o Fado. Pela voz dos amadores do Factor-X, quem diria?
A descobrir pérolas, como esta do Jorge Fernando, e encantada!


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Receita para o fim-de-semana: Geleia de Marmelo


Depois que comecei a fazer a Marmelada seguindo esta receita, deixei de fazer Geleia, devido à falta de cascas. O que muito lamentava pois cá em casa apreciavamos imenso esta Geleia. Providencialmente, consegui uma receita que utiliza somente os caroços, e a Geleia é de facto óptima!

Geleia de Marmelo

Ingredientes:
 Caroços de marmelos
 Açúcar
Água

Como fazer:
Colocar os caroços numa panela, cobrir com água e deixar cozer. Escorrer muito bem num coador, até não largarem mais água.
Para cada medida de água desta cozedura, junta-se uma igual de açúcar. Deixar ferver cerca de 1h e 15 minutos em fogo médio. Vai parecer ainda bastante liquido mas não importa, pois à medida que arrefecer fica mais espessa. Idealmente espessa.
Encher os frascos, esterilizados em água fervente, fechar e colocá-los ao contrário até arrefecerem.

Para o equivalente de 2 kg de caroços de marmelos, obtive estes cinco frascos.

Uma receita extraordinariamente práctica. Ficou deliciosa!