sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mês dos afectos


Em Fevereiro o tema do meu artigo para a Bigger Magazine* só poderia ser um - S. Valentim, claro. Porém, para mim, visto de um prisma mais abrangente. Algo assim...


S.Valentim é o protagonista do segundo mês do ano. Segundo reza a lenda, o bispo Valentim consagrou-se de forma trágica, ao desobedecer a ordens do imperador, casando em segredo os soldados que partiam para a guerra. A história e o tempo encarregaram-se de embelezar o acontecimento, focando apenas a celebração do amor. 

Assim, Fevereiro está inevitavelmente associado aos namorados, ao romance, enfim, aos afectos. Porém, tenho a impressão de que quanto mais enfâse colocamos na celebração de S.Valentim, menos a sentimos verdadeiramente. Como se de alguma forma, a liberdade de poder vivenciar o amor o fizesse menos interessante, ou desejável. 

Talvez esta seja uma teoria romântica, a de que o amor verdadeiro cresce perante as dificuldades. Foi sem dúvida, usada e explorada pela Literatura até à exaustão, contudo, isso não faz dela menos verdadeira, uma vez que frequentemente a ficção é um reflexo da realidade. Admito, porém, a realidade está a mudar. 

E em que mudou? Pergunta o leitor. Digo mais no artigo, mas entretanto deixo o desafio, devolvendo a pergunta. 

 
 *À venda nos quiosques de Guimarães, Vizela, Braga, Fafe, Famalicão, Sto Tirso e Felgueiras

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Dores de Crescimento


Aconteceu-me algo inédito, subtraí um ano de idade à minha filha. Se isto não é negação, deve ser esquecimento, mas seja como for, tem a ver com a idade.


 Este foi o perfume de bebé do Duarte. Usou-o ainda durante bastante tempo.


Depois passou para este.


E agora vai neste. Já não cheira a bebé. Nem a criança. Cheira a homemzinho.

Podia deitar fora os outros dois perfumes, despachá-los, ou reciclá-los. Tirá-los da vista. Pois podia. Mas não consigo, porque a cada aspiradela vem uma lufada de memórias, e a minha memória olfactiva é como um álbum fotográfico. Com dores de crescimento, porque já está visto que quem as sente não são os meus filhos. Sou eu.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Os Ditames da Moda


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Contava-me a Letícia que uma amiga lhe tinha dito que só as "velhinhas" sabiam costurar; pelos vistos, a minha filha deu-lhe a mesma resposta que lhe dei: - E então as raparigas que estudam estilismo?!

Na realidade, esta conversa surgiu enquanto eu estendia um tecido em cima da mesa e o cortava para fazer uma saia. A minha segunda saia. E como estava concentrada no que fazia não desenvolvi a conversa, mas o mote ficou-me no pensamento.

O que acontece actualmente é um retornar a uma série de coisas que ainda há pouquíssimos anos julgavamos que eram para "velhinhos". Que estavam ultrapassadas, fora de moda, hábitos de outros tempos. Como a costura, o tricô, as artes manuais em geral, o ter uma horta ( e mesmo quem não tem tenta reproduzi-la na varanda); cozinhar também renasceu das cinzas, e ultimamente até mesmo cozinhar para os animais de estimação, quando ainda ontem se dizia que a comida em biscoitos é que era saudável e completa, para os nossos amigos de quatro patas.

Dizem os especialistas que é tendência um certo revivalismo, durante as crises; que as pessoas buscam recriar hábitos e costumes de tempos idos, como se desse modo recapturassem uma certa segurança. De facto, não sei se na base está essa motivação, o que sei é que me agrada imenso esta mudança de atitude. Porque socialmente é mais consciente, mais saudável, mais equilibrada e em termos energéticos tudo combinado, em benefício de cada pessoa. Já para nem mencionar o ónus económico que implica.

O que é a moda, afinal? Acredito que seja uma tendência, mas também me parece que se tornou muito mais flexivel, e abrangente; dei uma vista de olhos nas tendências de verão, e apesar de surgir em força, o vermelho, laranja, rosa, azul e amarelos, todas as outras cores da paleta estavam igualmente presentes. Usam-se calças justas, mas também largas. Maxi saias, mas também minis. Ou seja. a moda é aquilo que nós quisermos. E talvez essa seja a verdadeira revolução da moda, o que me parece a maior tendência a seguir e acalentar.

Creio mesmo que escolher actividades ou roupas porque nos agradam é o derradeiro dos luxos.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"Turismo de Borrasca"

A expressão é do Ricardo Araújo Pereira, usada recentemente numa "Mixórdia de Temática"; e a julgar pela escolha do tema também a ele lhe deve causar muita confusão, esta contemplação do litoral, em dias de tempestade.

Não compreendo esta  atracção  para a beira mar, nesta época de ondulação marítima intensa e extraordinária, colocando a vida das pessoas em risco.

Recentemente vi na televisão, uma onda gigante que alcançou o passeio na Foz do Douro, arrastando carros e pessoas. Uma delas ficou presa debaixo de uma carrinha e teria afogado, não fosse auxiliada por outras pessoas.
O que faziam ali aquelas pessoas? Debruçadas para o mar?  É pela adrenalina? Pela beleza da natureza? É uma pergunta que faço sempre que vejo este tipo de comportamento. Não entendo.

Eu temo respeito muito o mar. Mesmo durante o verão, basta ver a bandeira amarela e já fico em alerta. Porque convenhamos, o mar tem direito de estar furioso, depois do desrespeito com que o tratamos.

Há dias, perante uma situação, alguém me disse - "Ah, tens medo, não é?",  ao que eu respondi: - Pois, o medo preserva-me!

Talvez seja isso, pessoas sem medo. E com muita vontade de fazer Turismo.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Irmanês"


De há uns tempos para cá, sobretudo durante as refeições, noto que o Duarte e a Letícia falam noutra língua.
Um fala, o outro responde, riem-se e continuam nisto durante toda a refeição. E eu sem entender nada. O mais estranho é que falam em Português, mas ainda assim não entendo nada de nada.

Se é uma língua codificada? Não me parece, mas talvez...
Se é um dialecto? Não é mirandês, e isto não é disgrafia.

Deve ser mesmo "irmanês". Um estado de sintonia absoluta entre irmãos, que os alheia do mundo, comunicando de forma exclusiva e secreta. Afinal não era mito.

Aquele estado que alterna com o outro... em que se pegam a cada troca de palavras. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A moda das "Selfies"

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Serviu para uma coisa muito engraçada que é também muito séria ; dar a conhecer uma faceta dos famosos mais realista. São fotos sem tratamento, nem manipulações, e podemos vê-los ao natural.

É engraçado porque a diferença entre a imagem que temos deles é abissal. É séria porque nos lembra que não devemos deixar a ideia de imagem tiranizar-nos. A perfeição não existe, a estética é muito mais artificial e imperfeita do que a imprensa nos quer fazer crer.

Pode ser que deste modo as pessoas tomem noção da ditadura da beleza, e se comecem a aceitar tal qual são. A moda das selfies está a ajudar em muito o incremento da auto-estima, e isso já se nota com a adesão às selfies, por pessoas que  antes não se atreveriam a divulgar imagens suas. E fazem-no em várias versões, sendo " a cómica", uma das mais populares; as selfies também nos ensinam a rir de nós mesmos.

Portanto, parece-me muito bem que a palavra do ano 2013 seja selfie. Uma palavra que se ultrapassa a si mesma e entra em dimensões complexas e profundas do ser e estar.