quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O Amor é Caro... ou Raro?

Cada vez mais me convenço que a oferta de presentes no Natal, dos pais para os filhos, não passa de um ajuste de contas. De tal forma bem embrulhada em boas intenções, que nem os próprios se apercebem, de como essa doação é a negação da própria palavra.

Não passa de uma compensação atrasada pelo tempo que não lhes foi dedicado, pela falta de atenção, de paciência, interesse, ou qualquer outra coisa que não traz etiqueta pendurada.

E quanto maior é a culpa, seja lá ela qual for, mais caro é o presente. Transversal a classes económicas (havendo vontade o resto acontece, ou não existissem Cetelem's), apenas a motivação diverge.
  
Muitas vezes, é um ajuste de contas de si para si; porque não teve quando era pequeno, porque os pais não podiam ou não queriam. Ou um ajuste de contas com outrem: - Se os outros têm porque não há-de ter o meu filho? Não é menos do que eles. Eu também posso!

Em todo o caso, existe sempre uma motivação egoísta na origem da oferta. Seria uma ingenuidade pueril acreditar que é somente um acto altruísta. 
Nem que seja a mais vulgar de todas, e talvez a menos egoísta, dar causa alegria, e saber-nos causa desse sentimento faz-nos sentir bem.  
Pode a oferta reflectir amor? Certamente, mas então o valor económico já não será disso reflexo. Ninguém oferece uma flor, no Natal. 
Os desvarios financeiros que se cometem nesta Festa estão impregnados de sentimentos que antagonizam a própria época. 

Ironia das ironias, numa celebração que convida ao recolhimento todos se viram para o exterior. 
E tudo isto dá tanto que pensar... 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Dentro do espírito natalício...




A celebração do Natal começa muito antes do 24 de Dezembro, e estende-se para muito além do 25. Portanto, este vídeo faz todo o sentido.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Hall de Entrada de Natal 2015


Finalmente o hall de entrada está decorado de Natal. A Coroa/Janela de Natal deu o mote, e o cenário cresceu a partir daí; um par de meninos a espreitar à janela, dois veados na neve, uma árvore dentro da mini-campânula, e um arranjo com musgo, pinhas e uma vela, tendo como base um prato Bordallo Pinheiro, compuseram a vinheta. 


Gosto tanto de histórias que até mesmo numa simples decoração do hall arranjo forma de as representar!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Desconstruir o Natal Excessivo

É tão comum ouvir e ler desabafos de quem não gosta do Natal que quando ouço, um adulto,  dizer que gosta de o celebrar a minha atenção foca-se automaticamente nele. Quero saber porquê, quero confirmar se os motivos são comuns aos meus ou descobrir outros.

É fácil perceber porque muitas pessoas não gostam do Natal; época de consumismo exacerbado e com isso dispêndio excessivo de dinheiro; multidões que invadem lojas e shoppings, filas longas para pagar; o stress de não esquecer ninguém a quem presentear, e o quê; a preparação das ementas, compras e confecção. E... a família. Reunir pessoas que nem sempre convivem pacificamente, que até pouco convivem ao longo do ano, num ambiente de crispação dissimulado, poderá ser no fim de contas o que mais pesa, no balanço final.
Só de rever este cenário quase me converto ao grupo dos "descrentes". Só que não, pois acho os meus prós mais fortes.

Eu gosto de tradições, mas apenas das que fazem para mim sentido. Portanto, não faz sentido sentir-me arrastada para convívios convencionais. Nem tão pouco me sinto compelida à prática da oferta obrigatória. A mesa existe sobretudo para agregar os comensais, numa confraternização que se quer longa e farta. A comida nem por isso.
Acredito que o segredo está no equilíbrio, e o Natal geralmente celebrado é excessivo em todos os aspectos. E todos eles materiais, sendo que isso constitui também parte - grande parte- da insatisfação e frustração. O Natal não passa de uma festa como outra qualquer se não lhe reconhecermos a dimensão religiosa e espiritual.

Já me têm respondido que com as suas famílias não poderiam festejar o Natal, como eu o defendo; que os familiares ficariam zangados, ou simplesmente não aceitariam. Oferecer presentes apenas às crianças? Nem pensar! Desligar a televisão e interditar telemóveis e consolas? Só com a intervenção de uma equipa  GOE!
O Natal é para muitos uma armadilha à qual não podem escapar. Porém, quando começamos a falar do que nos vai na alma, de como o Natal celebrado nos faz sentir, outros acabam por nos responder da mesma forma, e assim fazemos aliados. Mesmo membros da família de quem isso não seria esperado. Por isso, vale sempre a pena tentar destrinçar a teia e desconstruir a armadilha. Se não resultar pelo menos tentamos.
Mas não é o fim! Antes de nos rendermos há ainda muito a fazer para melhorarmos o Natal para nós, porque no que nos diz respeito, só nós poderemos mudar. E isso vai fazer toda a diferença! Partilho cinco propostas:

1º Comprar menos.
E fazer mais. Com o que temos em casa, com a habilidade pessoal de cada um, com a ajuda da internet para encontrar presentes, postais  e decorações diy.

2º Presentear quem precisa.
Pessoas que não conhecemos mas sabemos necessitarem de ajuda; associações de solidariedade, abrigos de animais abandonados, etc.  

3º Oferecer experiências.
Em vez de coisas, muitas vezes inúteis e repetidas, as experiências enriquecem, desafiam, e deixarão uma recordação para sempre: um workshop de culinária ou costura, aulas de Inglês, um curso online de fotografia, um salto de para-quedas. A lista é longa. 

4º Pensar e organizar jogos.
Não podemos esperar que não havendo tv nem consolas, as pessoas, sobretudo os mais jovens, se conformem à falta de alternativas; pensar em jogos e prepará-los, propo-los e animá-los. 

5º Celebrar Jesus.
Normalmente esquecemos que a Festa se faz em sua honra; sem o seu nascimento esta festa simplesmente não existiria. Como podemos fazer a festa sem o aniversariante? Absurdo, não é? Portanto, demos-lhe o protagonismo que merece, se uma oração for "demais", cantar-lhe os parabéns será certamente bem recebido. 

Nunca é tarde para mudar, não é?