segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dica de leitura - Travessuras da menina má

Via Wook
Ricardo tem o sonho de viver em Paris, é realmente o seu único sonho, e assim que o realiza conforma-se com a sua rotina, sentindo-se satisfeito com a vida que tem. Subitamente, a sua vida dá uma reviravolta quando uma paixão da adolescência surge acidentalmente, revelando-se ainda mais misteriosa, contraditória e inesperada, do que aquilo que ele poderia imaginar. 
Nasce assim um amor que atravessa décadas, ultrapassa problemas e decepções, enquanto para o comum dos homens ultrapassa também o aceitável e compreensível. É o verdadeiro amor.

Inesperado, dramático, cómico, é uma leitura convincente, que tanto nos causa indignação como nos leva a compreender, e até a desejar, as "escorregadelas" de Ricardito.
Tenho, porém, alguns reparos acerca dos diminutivos, que me causam sempre um certo desagrado, sobretudo em quantidade abundante, como é o caso. Alguma característica da escrita peruana? Ou influencia coloquial? Não sei. De igual modo estranho a constante troca de tempos verbais que para nós não são comuns: "havia sido" em vez de "tinha sido", por exemplo, o que acontece repetidamente. Escolha do tradutor? Também não sei. 
No geral, um livro que prende e surpreende. 

Título: Travessuras da menina má
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora: D.Quixote
Nr.págs. 375
Preço: 18€

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A bebé da esplanada

O casal jovem chegou à esplanada com a filha, muito fofinha, ao colo. Colocaram-na na cadeira alta, que a funcionária lhes trouxe, fizeram o pedido, e pegaram cada um no seu telemóvel. A menina, aparentado um ano de idade, sem choro nem protestos de qualquer espécie dedicou-se a observar o que a rodeava: as outras pessoas, os carros que passavam, os pais, com os seus telemóveis, como se fosse um filme mudo.  
A empregada de mesa voltou com o pedido, que ia distribuindo enquanto sorria à bebé; por fim, disse-lhe qualquer coisa. Os pais pousaram os telemóveis sem pressa e começaram a tomar o pequeno-almoço, monossilábicos. A bebé é que nunca mais largou a empregada de vista, retorcia-se na cadeira, para a acompanhar pelas suas andanças entre mesas. Esperando, certamente, um outro sorriso e quiçá, outra palavra.

Sabemos já que uma determinada geração se queixa por ter sido relegada para segundo, devido ao trabalho dos pais. Não sabemos ainda as queixas desta geração, que acumula contra si, trabalho e redes sociais. Mas podemos antever desde agora que a dose de recriminação vai sofrer um upgrade; não se trata de "necessidades do trabalho", trata-se de indiferença escolhida. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O meu filho na Universidade

Via Universidade do Minho

Não, não é um génio que ingressa no ensino superior aos 15 anos. Apenas fez o workshop de uma semana, que se revelou muito do seu interesse, apesar do inconveniente da data (- nossas férias em Copenhaga = férias de pais = horas ilimitadas no pc). Gostou tanto que para o ano pretende repetir. E dessa vez, a irmã com ele.

As férias também servem para proporcionar experiências pedagógicas, como esta. A oportunidade de frequentar um espaço de aprendizagem para jovens alunos do ensino secundário, mas também fomentar o espírito de trabalho em equipa, e laços de amizade e confiança mútua, através das diversas actividades pedagógicas, lúdicas e culturais levadas a cabo em ambiente universitário. Os estudantes terão ainda a oportunidade de conhecer as cidades de Braga e Guimarães, de conviver com colegas de diferentes regiões geográficas e de aprenderem enquanto se divertem a experimentar as acções científicas, culturais e desportivas propostas.

Recomendamos! 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Humor dinamarquês

Num salão de Chá
 ( Coma aqui! Um "milhão" de moscas não podem estar enganadas!...)

Dizer: Os alemães são frios, ou os franceses antipáticos, são apenas rótulos generalistas, que se revelam injustos e preconceituosos.
As personalidades dos países são como as cebolas, é preciso descascar as camadas para as conhecermos. E se desistimos à primeira, porque nos fez piscar perturbadamente os olhos, nunca passaremos da superfície. Dos rótulos.

Os dinamarqueses não são "sérios"; não sérios demais, para terem sentido de humor. Aliás, o sentido de humor dinamarquês nem sequer está escondido, parece até que fazem gala de o exibir, como se fosse demasiado potente para estar guardado apenas para eles. É diferente de todos os outros que eu conheço; é refinado, cáustico, e provocador. Muito ao meu gosto.

Num bar
( Eu não sou alcoólico, os alcoólicos vão a Reuniões. Eu sou um bêbado, nós vamos a festas!) 

No trânsito

 
Numa loja de impressões

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Felicidade é...


Ter uma libelinha pousada nas mãos. 

Lagoa no Gerês

Esta mesma, que estando à distancia do meu braço pousada numa rocha, aterrou nas minhas mãos, quando lhas estendi.
E ver acontecer o mesmo, nas mãos da Letícia.


 E ver que para a minha filha, também é um momento feliz.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mochila de entretenimento s.o.s.


No aeroporto, no avião, e na sala de espera do consultório, havia crianças, umas quase bebés, outras mais crescidas, a fazerem um chinfrim desagradável. Levantam-se e viram-se cabeças, em direcção à origem do ruído, e depois em busca dos responsáveis, que o permitem.

A minha filha, incomodada, ergueu os olhos do livro e perguntou-me: - Mãe, nós também nos portávamos assim?
Não, porque eu sempre me precavi com aquilo que era necessário e útil para os entreter. Convenhamos que esperar num local sem distracções apropriadas, sentados e silenciosamente, não será próprio de crianças saudáveis. É nestas ocasiões que se lembram que têm fome, sede, vontade de correr, de sair dali.
Portanto, o truque está na prevenção; ter uma mochila ou saco, com alguns objectos sempre à mão, para determinados locais que já sabemos críticos. Pode até ficar permanentemente no carro, para evitar esquecimentos. E o que faz falta?

- Livros. Adequados a cada faixa etária, para eles lerem , ou alguém lhes ler.
- Puzzle ou jogo de tabuleiro. Existem em miniaturas, para ocuparem menos espaço. E são muito mais fofos!
- Animais e personagens em miniaturas. Para inventar histórias, em cima das pernas ou das cadeiras, e dar asas à imaginação. 
- Caderno de folhas brancas para desenhar e lápis-de-cor. Para desenhar o que apetecer ou registar o local, e alguns dos rostos que lá estão. 
- Livro para colorir. Para quando a inspiração para o desenho falha. 
- Água e bolachas secas. Porque esperar dá fome e faz sede, ou porque nestas ocasiões trincar alguma coisita entretém.

Com isto, não será necessário dar-lhes o telemóvel para as mãos. Ou silencia-los com o tablet. Desse modo só lhes reforçamos ainda mais esse gosto. E o ideal, é que os pais também não o façam, leve uma revista ou livro também para si.