quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Novas orientações para o pré-escolar são claras: crianças não devem ser classificadas

"Nem classificação da aprendizagem da criança”, nem “juízo de valor sobre a sua maneira de ser”...
Concordo, só peca pela demora. Estão há anos a pressionar e rotular crianças, que deveriam estar ainda a desfrutar da brincadeira, verdadeira prerrogativa da infância.
Também espero que isto se reflicta na parte burocrática dos profissionais de Educação, libertando-os para o trabalho de sala, com as crianças, que é o que de facto importa.

Notícia aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Autoridade ou autoritarismo?

R . - Diz que neste momento os pais estão mais próximos dos filhos do que nunca, mas há um marcado défice de autoridade. Por outro lado, às vezes a autoridade é exercida de modo totalmente arbitrário. Para nós, educar é ainda humilhar?

Daniel Sampaio - Sim. O problema é que essa autoridade clássica, que é mais autoritarismo que autoridade, não funciona com os jovens de hoje, que têm muita noção dos seus direitos. Portanto, é preciso criar outro tipo de autoridade. Se um pai acompanhar um filho desde pequeno, esta autoridade será natural e reconhecida. Agora, se for um pai castrador, o filho adolescente vai dizer não a tudo. O que geralmente acontece é que temos dois extremos: ou pais que foram muito permissivos na infância (...) , ou pais muito autoritários, que criaram conflitos terríveis com os filhos. E portanto, não se desenvolveu naturalmente uma autoridade baseada na relação. 
In Revista Activa Set.2016

Infelizmente é mesmo assim que eu vejo a educação das crianças; os adultos servem-se do seu estatuto para impor o que querem, sem terem em conta o que a criança diz, pensa, sente e quer. Não pretendo com isto afirmar que os pais/educadores devam acatar o que elas querem, dizem, pensam e sentem, porque a nós cabe a responsabilidade da decisão, mas sim reclamar a validação do que as crianças pretendem; o reconhecimento do que sentem, o interesse em inclui-las nas conversas. Sem isto, as nossas decisões são apenas unilaterais, e vistas como autoritárias, por eles. O pior é que há pais que ainda fazem gala de o reafirmar, sintetizando autoritarismo com humilhação, com a célebre chave de ouro: "porque sim, eu é que mando!".
Nunca me aconteceu, após ter explicado porque faríamos, ou fariam, algo de que não concordavam sem compreenderem porque o fazíamos. Podiam até continuar contrariados, no entanto já tinham entendido que tinha mesmo que ser assim. Ficavam, e ficam,  aborrecidos com o acto em si, mas não comigo. Havendo respeito, coerência, e reconhecimento, o resultado no relacionamento entre pais e filhos é efectivamente notável.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Dica de leitura - A Tia Júlia e o Escrevedor

Via Wook
Depois da "Menina má" entrei em modo "Vargas Llosa" e apeteceu-me ler este, que já me tinha sido recomendado. Realmente é merecedor de todos os elogios; mais outro livro divertido ( o que me ri, no avião, na praia, na esplanada!) inesperado e viciante, e magistralmente escrito.

Varguitas é um jovem peruano, que pretende tornar-se escritor, e um dia viver em Paris ( sim , mais uma vez, e não será de estranhar, pois a história parece ser autobiográfica).  Entretanto, acumula as aulas na Universidade com um trabalho na Rádio, onde conhece Pedro Camacho, uma estrela das radionovelas. Em paralelo, acontece a história secreta de amor com a tia Júlia. Quando, assoberbado de trabalho e esgotado, Pedro Camacho começa a misturar personagens e a criar o caos radio-novelesco, a família de Varguitas descobre a sua história de amor, fomentando angústias e tensões que se revelam temerosas.
Sem dúvida um livro que vale a pena ler!

Título do livro: A Tia Júlia e o Escrevedor
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora: D.Quixote
Nr de pág. 376
Preço: 18.90€

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Douro - Detrás do cenário


O Douro é lindo para turistas, e formidável fonte de rendimentos para os donos dos barcos, dos hotéis de charme e bem estrelados. Para meia dúzia de produtores de vinho, com nome e capacidade financeira para promover as suas safras.
Para quem o habita, nele trabalha e dele vive, é outra coisa, bem diferente.

As aldeias perderam os Centros de Saúde, as escolas, e as gerações jovens, que partindo em busca de uma vida menos dura e mais bem paga, as deixaram silenciosas e vazias. 
Trabalham a terra os velhos teimosos, conformados com a falta de forças, em continuo decrescer, com ajuda de trabalhadores à jorna, a grande custo muito bem pagos. Fazendo contas ao dinheiro da venda do vinho ( cada ano mais mal pago), que chega sempre e cada vez mais atrasado. Sentindo o desamparo da Casa do Douro, que para os pais e avós foi sólido e idóneo parceiro.
E como se o presente não bastasse de preocupação, inquietam-se com o amanhã; o que acontecerá às terras que cultivam de geração em geração? Quem, de entre os filhos, as quererá, se escolhendo outra profissão, agora ignoram como se faz, ou manda fazer? O futuro é incerto, mas prenuncia-se angustiante, sobretudo, pela suspeita do fim de linha.

O Douro das telenovelas, dos cruzeiros, das provas de vinho e turismo vinícola é outro; alimenta quem menos o conhece e ama. Promove-o para os seguidores dos ideais capitalistas, que venham também aqui abocanhar o seu pedaço. Enquanto os que verdadeiramente fazem do Douro aquilo que ele é, deixando a pegada nos seus socalcos, morrem à mingua. 


Enquanto uns pagam para "brincar às vindimas", os agricultores do Douro debatem-se com o habitual problema de falta de mão-de-obra para a apanha da uva. 
Muitos agricultores vendem azeite e vinho ao garrafão; basta empurrar o portão da Quinta e chamar "ó da casa", para levar consigo produtos caseiros de alta qualidade, a preços justos. Mas não, preferem comprar nas lojas de "souvenirs", nos supermercados e Garrafeiras.
O Douro dos turistas é lindo, mas o dos durienses é duro. Não há governo, nem ministro da Agricultura, nem turista com quem possam contar. Estão por sua conta, e sabem-no. Resta saber até quando.
  

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Hanno e a Ordem do Elefante Branco




No palácio Amalienborg, que também é a residência da família real dinamarquesa, notamos entre as diversas comendas uma do Elefante Branco. Primeiro estranhamos; o que faz o elefante na Dinamarca? Elefante branco? Nem a funcionária daquela ala do museu soube responder às nossas questões, excepto dizer que era antiga, do séc.XVI. Então começamos a relacionar algumas coisas, mais precisamente com a história de Hanno. Este foi o elefante vedeta, que fazia parte da embaixada portuguesa, chefiada por Tristão da Cunha, enviada ao Papa no séc.XVI. A parada foi comentada em toda a Europa pelo seu exotismo, opulência e singularidade.

D. Manuel tê-lo-ia recebido como um presente do rei de Cochim, ou pedido a Afonso de Albuquerque o seu Governador da Índia, para comprá-lo. Conta-se que Hanno era de cor branca, e chegou numa nau, enviado de Lisboa a Roma em 1514, com cerca de quatro anos de idade.
A sua chegada foi comemorada na poesia e nas belas-artes.

Para a mesma ocasião viria um rinoceronte, que seria retratado por Albrecht Dürer em uma famosíssima xilografia, conhecida como Rinoceronte de Dürer. Apesar de nunca o ter visto, o artista baseara-se numa descrição extremamente precisa do animal. O barco com o rinoceronte terá naufragado ao mesmo tempo que Hanno chegava de Lisboa.
Na embaixada manuelina, que atravessou a cidade para deleite dos romanos, vinham também dois leopardos, uma pantera, alguns papagaios, perus raros e cavalos indianos. Hanno carregava um palanque de prata no seu dorso, em forma de castelo, contendo um cofre com os presentes reais, entre os quais paramentos bordados com pérolas e pedras preciosas, e moedas de ouro cunhadas para a ocasião.
O papa recebeu o cortejo no Castelo de Santo Ângelo. O elefante ajoelhou-se três vezes em sinal de reverência e depois, obedecendo a um aceno do seu mahout (tratador) indiano, aspirou a água de um balde com a tromba e espirrou-a sobre a multidão e os cardeais.


Inicialmente Hanno foi mantido em um pátio belvedere, mas depois passou para um edifício especialmente construído para o efeito, entre a Basílica de São Pedro e o Palácio Apostólico, perto de Borgo Sant'Angelo.
O elefante tornou-se num favorito da corte papal, alegadamente fazendo habilidades para o seu divertimento e participando em procissões. Rafael e Pietro Aretino desenhavam o fascinante animal, que custava cem ducados por ano aos cofres papais. Os cronistas da época falavam dele como sendo extraordinariamente inteligente, que dançava e lançava água pela tromba, entre outras brincadeiras.

Dois anos depois de chegar a Roma, Hanno adoeceu subitamente com angina, devido ao clima húmido da cidade. Trataram-no com um purgante mas morreu em 8 de Junho de 1516, com o papa ao seu lado, e foi sepultado no Cortile del Belvedere.

Raffaello Santi criou um fresco memorial (já não existente), e o próprio papa compôs o epitáfio, que Francisco de Holanda reproduziu no seu caderno de anotações.*


Relativamente à Ordem do Elefante Branco** (em dinamarquês: Elefantordenen) é a mais alta ordem da Dinamarca. Tem origens no século XV, mas existe oficialmente desde 1693, e desde o estabelecimento da monarquia constitucional em 1849, é quase exclusivamente concedida à realeza e chefes de Estado.
Contudo, a Ordem do Elefante Branco pode ser localizada por volta  de 1460, quando Christian I, com a aprovação do Papa, estabeleceu "A Sociedade da Mãe de Deus"***.  
O emblema da sociedade era um medalhão da Virgem Maria e o Menino Jesus numa torre, numa cadeia de elefantes. A página oficial da casa real afirma desconhecer a razão da escolha do elefante.  

Portanto, à partida há fortes coincidências, elefante branco, torre em cima do elefante, ricamente decorado, parece mesmo que a comenda foi inspirada em Hanno. Além disso, os elefantes eram raros na Europa ( suspeito que Hanno terá sido mesmo o 1º a cá chegar), e os dinamarqueses nem sequer estiveram envolvidos nos Descobrimentos, muito menos, tão precocemente.
Existe porém a discrepância na data.
Uma coisa é certa, mantém-se um certo mistério à volta do emblema da Ordem, e toda esta história me fascina, por suspeitar que está de algum modo interligada.  

Fontes:
* Wikipedia
** Wikipedia
*** Kongehuset

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Quando chove em Agosto...

Via
Recordo-me, de em criança, apreciar imenso os raros dias de chuva que aconteciam nas férias de Verão. A temperatura descia, ficava mais fresco, e já apetecia ficar dentro de portas outra vez, a fazer um programa de "Inverno" no aconchego do lar. 
Pelo contrário, para os pais que estão em férias com os filhos, dias com chuva são à partida um inconveniente, uma maçada! Fechadas em casa as crianças tornam-se disparatadas, ruidosas, aborrecidas, mas porque se aborrecem, apenas por isso. Porém, há coisas que se podem fazer para melhorar o dia de chuva, e torná-lo até num dia muito bem passado.

10 Sugestões: 
1º - Sessão de jogos de tabuleiro. ( confiscar tablets e telemóveis, guardando-os num cesto, para tornar a coisa mais séria!)
2º - Fazer uma sessão de cinema caseira; escolher o filme, em conjunto, fazer várias taças de pipocas, receita aqui, e sentar no sofá.
3º - Confeccionar um bolo; ligar o forno ficou possível, é só optar pela receita do agrado de todos, disponibilizar decorações e dar asas à imaginação. 
4º - Fazer ginástica; colocar um colchão de campismo no chão ( ou manta), deixar espaço em redor, e promover uma série de exercícios, conforme a preferência familiar. Ioga é uma boa opção. Aulas online no youtube. 
5º - Fazer uma sessão fotográfica; reunir diversos acessórios e fazer cenários, também faz parte da brincadeira. 
6º - Fazer festa temática; assim uma espécie de Carnaval extemporâneo.  
7º - Fazer um piquenique; no chão da sala, por ser invulgar vai tornar-se tão divertido como costuma ser no campo. 
8º - Fazer um Festival de música; transformar um espaço em discoteca, ou sala de festas, deixar a música tocar, e dançar, dançar...!
9º - Sessão de leitura; cada um escolhe um livro para ler e fazem a leitura no mesmo espaço. Ou escolhem um livro de histórias e cada membro lê à vez. Ou apenas os pais lêem em voz alta. 
10º - Passear à chuva; esta pode ser disparatada, mas as crianças adoram chapinhar nas poças de água e nunca lhes é permitido! Não está assim tanto frio, pois não? É só calçar galochas e quando chegarem a casa, dar uma secadela com a toalha e secador, e depois beber um Chocolate quente! 

Carpe diem!