terça-feira, 11 de outubro de 2016

Era isto...



Passamos uma vida a tentar encontrar as palavras certas para descrever com justiça e exactidão, um local, um sentimento, uma situação, uma pessoa, sem sucesso. E de repente, encontra-se aquilo perfeitamente grafado por outrem, como se ela o tivesse também vivido ou sentido
É mais do que o domínio da palavra; é como se por artes mágicas, aquela pessoa tivesse entrado na essência, daquilo que nos foi vedado.

Isto a propósito do vinho que o meu pai produzia, para consumo particular, quando eu tento descrever como era bom, e como deixava o palato encantado de quem o bebia pela primeira vez:


“O que mais aprecio são pequenas colheitas particulares, vinhos muito puros, leves e modestos, sem nomes especiais; podem beber-se fácil e inofensivamente em grande quantidade, e têm um sabor doce e agradável a campo e a terra, a céu e a bosque. “

In O lobo das Estepes, Hermann Hess

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Dica de leitura: O Lobo das Estepes

Via Wook
Harry Haller é um homem dividido entre o eu civilizado e o eu selvagem; um a antítese do outro, um querendo o oposto do outro, um desprezando o outro, numa eterna luta de domínio e subjugação. É um homem estranho, muito reservado e triste; raras coisas na vida lhe proporcionam alegria e realização, por isso deu-se um tempo para viver, e os 50 anos são o limite. Entretanto, tudo muda quando conhece Hermínia, uma mulher tão superficial quanto profunda; fútil e sábia, adquire sobre ele uma ascendência que o fascina, deixando-se conduzir como que encantado desde então. É a descoberta de Harry e do mundo.

Uma viagem pelas profundezas da alma, a exploração do "eu", a descoberta de si mesmo, que tanto seduz aqueles que procuram um sentido para a vida, e existência. Colou-se-me à alma, a ponto de o considerar um livro indispensável. 
Este vai ficar definitivamente na mesinha-de-cabeceira.  

Título: O lobo das Estepes
Autor: Hermann Hesse
Editor: Difel
Nr de Pág. 266
Preço: 15.14€

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A diferença de roupas para meninos e meninas?


Vai ser cada vez mais difícil controlar as gerações mais novas. Para além de haver mais pais a pensarem e questionarem o instituído, elas parecem nascer já com outra atitude; com mais capacidades e menos conformismo. 
Por vezes penso que a famosa "hiperactividade", tratada com medicamentos, não é outra coisa senão a manifestação desse inconformismo, perante um Mundo inadequado.

Nas crianças reside a nossa esperança do futuro.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Salada de Couscous # Vegetariana


Adoro as saladas de Verão, são frescas e rápidas de confeccionar. Como o calor continua, as saladas também!

Salada de Couscous 

Ingredientes:
Uma chávena (chá) de couscous
Uma cebola
Meio pimento vermelho
Uma maçã média
Sal e caril

Como fazer:
Colocar o couscous numa taça com água a ferver (a cobrir), tapar com plástico aderente e deixar repousar 15 minutos.
Saltear em azeite a cebola cortada em meias luas, dois minutos, e acrescentar a maçã cortada aos cubos. Saltear mais um pouco e juntar o pimento cortado em tiras pequenas. Temperar com sal e uma colher de chá de caril. Envolver tudo até os ingredientes ficarem cozinhados. Soltar o couscous com um garfo e envolver tudo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ensinar e aprender a dizer "Não" é fundamental

Educamos os nossos filhos para serem obedientes. Há algum mal nisto? Queremos que nos obedeçam porque sabemos o que é melhor para eles, sendo este argumento indiscutível.

E pretendemos que nos obedeçam sem demora, que acatem os nossos pedidos, sugestões e ordens. Porque nós sabemos o que é melhor e necessário, e porque desobedecer aos pais, e mais velhos, é muito feio. Fazemos má cara, dizemos que são mal-educados se desse modo se comportarem, e castigamo-los se for o caso. 
A maioria das vezes, não nos damos sequer ao trabalho de explicar porque queremos as coisas assim, porque impomos a nossa vontade. Pedimos ou ordenamos do alto da nossa condição de lideres inquestionáveis, e a pressa, os horários, as diversas tarefas que aguardam as nossa atenção, não nos deixam disponibilidade para explicar razões. Não podemos perder tempo! 
Portanto, esperamos uma obediência cega. E, se pedir para que se vistam rapidamente, pois o autocarro parte dentro de 15 minutos, ou têm que estar na escola ou numa consulta, a determinada hora, é suficiente para que o pedido seja uma ordem a obedecer, a frequência com que fazemos estas coisas levam-nos por um caminho comum, para tudo o resto. Porque dentro deste extenso pacote de ordens e pedidos, que fazem parte do nosso dia-a-dia, há muito do que não é evidente, do que não é compreendido sem mais palavras do que a sugestão, pedido e ordem
Porém, estamos a formatar os nossos filhos, as nossas crianças, para ouvirem e obedecerem, sem retorquírem, sem contestarem, sem pedido de explicação. Estamos a criar crianças e jovens que obedecem sem espírito crítico. Que aceitam o poder dos mais velhos, sem questionar. Que aceitam fazer, e ser, aquilo que pode ser, e muitas vezes é, nocivo para eles próprios. Não os estamos a educar para saberem dizer "não" quando a situação o exigir. Quando, em situações mais extremas, estão em perigo.
Ensinamos as gerações novas a sentirem-se mal, para nos fazerem sentir bem.

Esta obediência cega formata adultos para serem bons seguidores, e é assim que a sociedade os quer, para fazer deles "bons trabalhadores", e "bons cidadãos". E isto interessa exactamente a quem? A quem manda, e se antes foram os pais e professores, passa depois para políticos, chefes e patrões.
Não haverá anarquia se ensinarmos as crianças e jovens a pensarem de forma crítica, construtiva e consciente. Haverá mudanças estruturais, necessárias para um mundo melhor, e pessoas mais equilibradas e felizes. 
Temos nós, que entretanto, aprender a ouvir "não" e a ouvir razões e argumentos, sem sentirmos que isso nos questiona de forma ameaçadora, enquanto pais e educadores. Apenas nos questiona, e não há mal algum nisso, muito pelo contrário.