terça-feira, 8 de novembro de 2016

Lembrete


Há cerca de três anos comecei a encontrar, todos os Outonos, um Louva-a-Deus no jardim. Perfeitamente camuflado nos troncos castanhos, aventura-se por vezes pela folhagem em busca de sol. 
E aqui ficam até ao fim do Inverno. Este ano encontrei três. É uma alegria quando os vejo pela primeira vez, e todos os dias que os encontro. 

Não me parece que seja um acaso. Para mim, os Louva-a-Deus são um lembrete. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Dahl - #Vegetariana

Quentinho, ainda a fumegar!

Finalmente, a receita prometida do Dahl, um dos meus grandes favoritos, e da Letícia, que o considera mesmo o seu prato dilecto.
De resto, todos os que já o provaram cá em casa se renderam, algo atónitos, a esta deliciosa receita indiana.




^^ Dahl* ^^
Ingredientes:
1 chávena de lentilhas demolhadas em água, uma hora
1 tomate grande cortado aos bocados pequenos ( sem pele e sem sementes) 
1/4 chávena de óleo vegetal
1/2 colher de chá de sementes de cominhos 
1 cebola vermelha média, picadinha 
5 dentes de alho grandes, em fatias finas 
1 colher (chá) de sementes de coentros
3/4 colher de chá de açafrão em pó
1/2 colher de café de pimenta preta 
1/4 chávena de folhas de coentros picadas, ou salsa  
1 colher de sopa de manteiga sem sal
1 colher de chá de sal
 
Como fazer:
Escorra as lentilhas e coloque-as  numa panela grande. Adicione  três chávenas de água, o sal e a manteiga e deixe ferver. Reduza o lume  e deixe cozer cerca de 10 minutos. 

Aqueça o óleo numa frigideira média em lume forte. Quando o óleo ficar quente, adicione as sementes de cominhos, cobrindo a panela com uma tampa, e deixe-as estalar para libertar os aromas. Adicione a cebola e refogue em fogo médio. Cerca de 3 minutos depois adicione o alho e refogue até ficar tudo caramelizado, cerca de 5 minutos no total. Adicione os coentros, açafrão e pimenta, mexendo sempre. Acrescente o tomate e as lentilhas e deixe cozer com tampa em lume médio/baixo, cerca de 30-40 minutos.
Rectifique os temperos.
Como eu gosto que o Dahl fique com uma certa "borra", passo com a varinha um pouco, muito pouco realmente. Envolver tudo.
Adicione os coentros picadinhos na hora de servir, e acompanhe com arroz basmati. 
Para ficar perfeito só falta mesmo o Naan. Delícia suprema, repasto dos deuses. 

Costumo fazer e congelar em doses individuais, pois não perde qualidade, e é imensamente prático. 

*Receita inspirada nesta do Smitten Kitchen.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

- Eu é que sou a mãe!

Diz o ditado que  Quem meus filhos beija, minha boca adoça, e está perfeito assim, mas nem sempre esta é a realidade sentida por muitas mães. 
A culpa e insegurança de quem confia os filhos aos cuidados de outrem surgem à tona, quando se deparam com o afecto dividido dos filhos. Não o percebendo como partilha, mas roubado, sentem que deveria ser apenas delas, e por isso recriminam os seus beneficiários e culpabilizam os filhos, sabotando consequentemente essas relações.

As fragilidades destas mães, sejam elas obrigadas a ceder os filhos a cuidados de terceiros, ou o façam por opção, tornam-se rígidas opositoras ao afecto que as deveria sossegar. Saber que os filhos estão bem entregues, que são cuidados e tratados com o carinho e respeito de quem os assiste como seus, deveria pacificá-las. Porém não, domina-as o ciúme, atormentando-as a ponto de desejarem que os filhos se desgostem dos seus cuidadores, descobrindo pretextos para dificultar encontros, sem compreenderem que são elas a causa do sofrimento dos filhos. Sem entenderem que quantas mais pessoas amarem os filhos, e os filhos amarem, mais felizes serão. Mais completos.

Estas mães, não precisam de afirmar aos filhos e a quem as ouve: eu é que sou a mãe. Essa é uma evidência inegável; falar é fácil, difícil é ser e fazer. O que estas mães precisam é de descansar nos vínculos afectuosos dos seus filhos. Encontrar aí a paz para continuar a tecer na rede de afectos familiares, contribuindo e não destruindo. 
Reconhecer que precisamos dos outros para cuidar dos filhos, desde que essas sejam as pessoas certas, não nos diminui; diminuí-se a si mesmo quem pensa mal de quem lhe faz bem. E aos seus.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Um Mundo melhor para os nossos filhos?


Não concebo o exercício da parentalidade plena, sem a inclusão dos grandes assuntos como a defesa do meio-ambiente. 

O CETA não foi assinado por um triz ( abençoada Bélgica!), mas quase ninguém quer saber. A humanidade continua no seu ritmo autofágico, a maioria de nós vivendo o presente, não se questionando ou preocupando com o futuro das gerações vindouras, filhos e netos. 

Em oposição, os Indígenas continuam a fazer a defesa da Mãe Natureza, #NoDAPL, agora mesmo, por exemplo, e desde há meses, em defesa do rio Missouri que abastece de água 17 milhões de norte-americanos, e do seu território. Porque água é vida e está em risco de ser contaminada com petróleo. São exemplos que nos deveriam inspirar.

Temos que mudar a nossa forma de viver, parar de compactuar com as grandes corporações. A maior revolução, e a mais eficiente, é mudar hábitos de consumo; a mensagem mais clara é aquela que afecta as finanças das corporações. E isso nem sequer nos coloca em perigo, não nos sobrecarrega financeiramente, não nos rouba horas do dia, não nos expõe. 
Tudo pelo contrário.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

#SaveTheLivingroom


Via Vintage Home
Quando o Duarte descobriu a série South Park e eu percebi a quantidade de palavrões que as personagens diziam, proibi-o de ver essa série. Claro que sempre que podia, ele via às escondidas e sei isto porque o apanhei diversas vezes. Admoestava-o, dizendo-lhe que apesar de ser animação não era para a idade dele, que os conteúdos eram para adultos, etc, etc. Contrariado, acatava mas sempre que podia, continuava a ver. Tenho a certeza. 
Agora esta censura já não faz sentido, e uma vez ou outra vejo um pouco de algum episódio com ele. E curiosamente, das poucas vezes que isso aconteceu o episódio tocava nalgum ponto bastante relevante; fiquei com a impressão de que os temas fazem pensar e são educativos, a linguagem é que não se mantém a esse nível. 

Este último episódio andou à volta da #SaveTheLivingroom. Esta evidência é planetária, as famílias deixaram de usar a sala de estar; já não se reúnem todos no sofá, no fim das refeições e fins-de-semana, a verem programas de televisão. Cada um sai da mesa, para direcções diferentes, com os seus tablets, telemóveis e p.c's. 

Por vezes, os meus filhos perguntam-me se eu penso que a minha infância e juventude foram melhores do que a deles, e eu digo sempre que sim. Foi melhor neste sentido de estar efectivamente presente nos sítios onde estive; e na sala de estar também. Era hábito a família reunir-se depois do jantar, para ver algum filme, ou série, apesar de termos apenas dois canais, e a escolha ser extremamente diminuta. E esses serões de t.v. em família são doces memórias que eu tenho e prezo. 

A sala-de-estar foi abandonada, por ninguém querer "estar". Estamos apenas de passagem, e se estamos em algum sítio, há-de ser muito provavelmente online