quarta-feira, 29 de julho de 2026

Do Silêncio Vem a Resposta

Vi um vídeo de alguém a dizer que se nos sentarmos de 30 minutos a 1 hora em total silêncio, sem falar, sem música, só estar parado em silêncio, no final desse tempo a resposta para qualquer problema nos surge. É só levantar e pôr em prática essa resposta, que se irá revelar a solução certa. 

Resolvi testar, sentei-me numa cadeira de madeira, sem almofada, sem descanso para os braços, para evitar adormecer, no jardim, assim entretanto apanhava sol, e punha os pés na terra, e recostei-me, fechando os olhos. 

A audição tornou-se predominante e em vez de pensar fosse no que fosse, ouvi o que me rodeava: o zumbido de uma abelha, o canto dos pardais, o chilrear dos pássaros, os sinos da igreja, a voz de uma criança ao longe, ruído dos carros, um melro a chilrear; por vezes abria os olhos, e como tinha a cabeça recostada, via o céu, e somente o que por ele passava em silêncio, andorinhas, uma borboleta, uma libelinha, pardais, e as nuvens que mudavam de forma continuamente. E foi nelas que julguei encontrar a resposta para a pergunta inicial que fizera, quando me sentei ali com o propósito de encontrar "uma solução" entre duas escolhas. Não creio que funcione desta maneira, porque se estivesse dentro de casa não poderia observar as nuvens, e a resposta não viria dali, porém, vou pôr em prática a resposta que julguei obter, e verei o que acontece. 

Entretanto, tenciono continuar com esta prática que me pareceu muito interessante, pois é um momento que combina aterramento e meditação. Estamos continuamente sob os estímulos do ruído, seja de conversas, seja de música, seja de pensamentos, e esta imobilização silenciosa proporciona uma pausa que acalma a mente e diminui a ansiedade, ao actuar no sistema nervoso central, e reduzir o cortisol.  

E talvez com a prática essas tais respostas com a solução comecem a surgir mais claramente, seja como for este exercício parece-me benéfico e interessante. 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

E Que Profissão Escolher, Agora?

É incrível, ainda, a quantidade de pessoas que escolhe as profissões por pressão dos pais; eu compreendo que a maioria dos jovens, aos 18 anos, não saiba que profissão gostaria de ter, e sendo obrigados a escolher uma área ficam mais vulneráveis a indicações parentais, e estes, o que querem no fundo é que os filhos fiquem "bem", ou seja, que ganhem bem a vida. E quem pode recriminar os pais por tal desejo? 

A mim, o que mais me custa é saber daqueles casos em que os jovens sabem muitíssimo bem o que querem mas não lhes é permitido seguir essas áreas por uma questão de status. Os pais que forçam os filhos a optar por áreas opostas àquelas  que eles gostariam de estudar, e posteriormente trabalhar, quando eles são realmente bons nessas áreas e com óbvia paixão pelas mesmas, porque os filhos têm médias para entrar em cursos mais prestigiados, que para os pais é o factor supremo, estão a condenar os filhos à insatisfação, frustração e frequentemente à depressão. 

Conheci estes dias mais um destes casos, já com cerca de trinta anos, ainda a fazer formações, no pós-laboral,  na área que adora e a sonhar em mudar de carreira. De fora, a carreira que desempenha há treze anos no Parlamento Europeu, é invejável. Mas não para ele. 

Quando a decisão é nossa não há a quem culpar se as coisas não correrem muito bem, porém quando há a quem se possa pontar o dedo surgem sentimentos e emoções nada bons, e ainda que pareça estar tudo bem nos relacionamentos, há recalcamentos que acabam por surgir, mais cedo ou mais tarde, na forma de piadas, de ironias, e até de agressividade. 

Devemos permitir aos nossos filhos liberdade total? Não creio, devemos conversar com eles expondo os aspectos negativos  das escolhas, que a idade e experiencia de vida nos proporcionou, e a eles ainda não. Devemos confrontá-los com a responsabilidade da escolha. Este é um momento em que o jogo do equilíbrio parental deve ser executado em consciência, nem pais dominadores, nem pais omissos. Pais honestos, atentos sim, preocupados também, mas pais sem agenda própria. 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Orquestra XXI - Orgulho Português

Ontem assistimos ao concerto da Orquestra XXI, pela primeira vez, e foi soberbo! 

Composta por músicos portugueses residentes no estrangeiro, muitos membros de orquestras prestigiadas,  dirigida pelo premiado maestro Dinis Sousa desde a sua criação, reconhecida como uma das comunidades culturais mais inspiradoras de Portugal, reflecte sem dúvida uma grande cumplicidade entre músicos e maestro, resultando num som poderoso e único. 

Não sou musicóloga , mas sou melómana, e nem sequer vou frequentemente a concertos de música clássica, por isso a minha opinião vale por mim apenas, porém, vi e ouvi pela primeira vez a união do instrumento com o músico, já não se distinguia um do outro, e depois cada músico como um só corpo, foi arrepiante. 

Começaram com uma peça de Andreia Pinto Correia, não gosto no geral de música contemporânea, mas Antonin Dvorak e a pianista convidada, Marie-Ange Nguci foram extraordinários. 

Não sei o que me reserva este Verão, todavia para já este foi o seu grande momento, para mim. 

Aconselho muito, vejam os próximos concertos, Guimarães, Porto, Alcobaça e Lisboa,  aqui.

Sinfonia Nr 9 - O novo Mundo, Dvorak

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Futebol Português - O Fim de Uma Era

O Futebol é-me indiferente, porém como qualquer coisa relevante para o país, sigo minimamente. Não percebo nada desse desporto mas uma coisa sei, Cristiano Ronaldo levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, a povos de línguas inteligíveis e exóticas, distantes e alheias à existência da nossa pátria. Pôs estrangeiros a cantar o hino português, e inspirou uma geração de jovens a tornarem-se atletas, como o norueguês,  estrela em ascensão, Haaland, e muitos, muitos mais feitos que impactaram o futebol e o nosso país, e que são reconhecidos pelas personalidades mais relevantes do futebol mundial. 

Portanto, aborrece-me que as pessoas o critiquem, insultando-o, reclamando pela sua presença, quando esta por si só impacta as equipas adversárias, e faz as pessoas irem aos estádios, ou seguirem os jogos na televisão. Ele continua a vender, e por algum motivo haverá de ser, o seu valor, talvez?!  

Porém, para os portugueses que o criticam ferozmente ganhar é o objectivo, e parece que quando a equipa ganha, é a equipa, quando perde, foi o Ronaldo! Dizem que ele deve sair para dar lugar aos jovens, e eu pergunto: Quais jovens?! Não há mais ninguém que calce as sapatilhas do CR7, e todos estes adeptos ainda irão lamentar muito a falta dele, embora tardiamente.

A era de ouro do futebol português termina com o Cristiano, Portugal passará a ser irrelevante. E este pessoal está com pressa de chegar a essa realidade. 

Agora sou eu também que desejo que o CR 7 se afaste, quero rir com a perplexidade dos ingratos quando perceberem que a selecção portuguesa já "não tem pernas para andar", e nessa ocasião vão chorar de saudades pelo tempo em que CR7 "andava a mancar pelo campo", como eu li. 

O que me irrita mais do que a falta de noção é a ingratidão. Mas estes são aqueles que vivem tanto o futebol que o resultado lhes impacta a vida a ponto de se irritarem, discutirem, perderem o sono, enfim, que vidas tristes e vazias devem ter para se deixarem tomar tão totalmente por um jogo! E o pior é que são tantos, são mesmo muitos, demasiado. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

"O que acontece de mau é a semente de algo bom"

 Contaram-me esta história, recentemente. 

Um rei de um reino distante sentia-se triste, mesmo tendo tudo o que a vida pode oferecer. Olhando pela janela observava o seu povo, que sorria, ria, parecendo realmente feliz, e pensou: o que é que eles têm para se sentirem assim? Tenho que descobrir. E decidiu viajar pelo reino, para se misturar com os seus súbditos. Ao tomar a estrada que saia da cidade encontrou um mendigo, que lhe pareceu bem-disposto e perguntou-lhe se o podia acompanhar, ao que estre respondeu afirmativamente, e prosseguiram a caminhada. 

Pelo caminho, sempre que algum problema surgia o mendigo comentava: O que acontece de mau é a semente de algo bom. Porém, quando o rei deu acidentalmente um pontapé numa pedra e feriu o dedo grande do pé, impacientou-se com a frase explicativa, e num momento de cólera empurrou o mendigo, que caiu num buraco, deixando-o ali ficar. 

Furioso, o rei prosseguiu o seu caminho aleatório, e foi dar a uma aldeia de canibais que imediatamente o rodearam e prenderam; quando o feiticeiro foi chamado para examinar a presa, e viu o dedo do pé magoado e ainda a sagrar, disse contundentemente ao seu povo: Ele não está em condições, se o comem vão-se envenenar! E eles de imediato o soltaram, enxotando-o para fora da aldeia. O rei, extremamente aliviado, e muito arrependido, correu em direcção ao sítio onde tinha abandonado o pobre mendigo, que ajudou a sair do buraco, onde estava há dois dias. Depois, pôs-se de joelhos perante ele e pediu-lhe perdão, reconhecendo que a frase " O que acontece de mau é a semente de algo bom" era de facto sábia. E o mendigo respondeu: "- Eu é que tenho de agradecer, majestade, porque se tivesse continuado consigo quem era comido era eu!".

Creio que já todos tivemos episódios na vida que atestam esta sabedoria, muitas vezes é evidente e imediata, outras vezes demora imenso tempo até fazer sentido, e outras vezes demora tanto que até nos esquecemos de correlacionar. Mas quando a "ficha cai" tudo encaixa, e ajuda bastante o processo. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Frase Perfeita

 Lido por aí... " Aonde eu for Deus vai comigo, se um dia eu não voltar eu fui com ele♥️