quarta-feira, 22 de julho de 2026

E Que Profissão Escolher, Agora?

É incrível, ainda, a quantidade de pessoas que escolhe as profissões por pressão dos pais; eu compreendo que a maioria dos jovens, aos 18 anos, não saiba que profissão gostaria de ter, e sendo obrigados a escolher uma área ficam mais vulneráveis a indicações parentais, e estes, o que querem no fundo é que os filhos fiquem "bem", ou seja, que ganhem bem a vida. E quem pode recriminar os pais por tal desejo? 

A mim, o que mais me custa é saber daqueles casos em que os jovens sabem muitíssimo bem o que querem mas não lhes é permitido seguir essas áreas por uma questão de status. Os pais que forçam os filhos a optar por áreas opostas àquelas  que eles gostariam de estudar, e posteriormente trabalhar, quando eles são realmente bons nessas áreas e com óbvia paixão pelas mesmas, porque os filhos têm médias para entrar em cursos mais prestigiados, que para os pais é o factor supremo, estão a condenar os filhos à insatisfação, frustração e frequentemente à depressão. 

Conheci estes dias mais um destes casos, já com cerca de trinta anos, ainda a fazer formações, no pós-laboral,  na área que adora e a sonhar em mudar de carreira. De fora, a carreira que desempenha há treze anos no Parlamento Europeu, é invejável. Mas não para ele. 

Quando a decisão é nossa não há a quem culpar se as coisas não correrem muito bem, porém quando há a quem se possa pontar o dedo surgem sentimentos e emoções nada bons, e ainda que pareça estar tudo bem nos relacionamentos, há recalcamentos que acabam por surgir, mais cedo ou mais tarde, na forma de piadas, de ironias, e até de agressividade. 

Devemos permitir aos nossos filhos liberdade total? Não creio, devemos conversar com eles expondo os aspectos negativos  das escolhas, que a idade e experiencia de vida nos proporcionou, e a eles ainda não. Devemos confrontá-los com a responsabilidade da escolha. Este é um momento em que o jogo do equilíbrio parental deve ser executado em consciência, nem pais dominadores, nem pais omissos. Pais honestos, atentos sim, preocupados também, mas pais sem agenda própria. 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Orquestra XXI - Orgulho Português

Ontem assistimos ao concerto da Orquestra XXI, pela primeira vez, e foi soberbo! 

Composta por músicos portugueses residentes no estrangeiro, muitos membros de orquestras prestigiadas,  dirigida pelo premiado maestro Dinis Sousa desde a sua criação, reconhecida como uma das comunidades culturais mais inspiradoras de Portugal, reflecte sem dúvida uma grande cumplicidade entre músicos e maestro, resultando num som poderoso e único. 

Não sou musicóloga , mas sou melómana, e nem sequer vou frequentemente a concertos de música clássica, por isso a minha opinião vale por mim apenas, porém, vi e ouvi pela primeira vez a união do instrumento com o músico, já não se distinguia um do outro, e depois cada músico como um só corpo, foi arrepiante. 

Começaram com uma peça de Andreia Pinto Correia, não gosto no geral de música contemporânea, mas Antonin Dvorak e a pianista convidada, Marie-Ange Nguci foram extraordinários. 

Não sei o que me reserva este Verão, todavia para já este foi o seu grande momento, para mim. 

Aconselho muito, vejam os próximos concertos, Guimarães, Porto, Alcobaça e Lisboa,  aqui.

Sinfonia Nr 9 - O novo Mundo, Dvorak

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Futebol Português - O Fim de Uma Era

O Futebol é-me indiferente, porém como qualquer coisa relevante para o país, sigo minimamente. Não percebo nada desse desporto mas uma coisa sei, Cristiano Ronaldo levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, a povos de línguas inteligíveis e exóticas, distantes e alheias à existência da nossa pátria. Pôs estrangeiros a cantar o hino português, e inspirou uma geração de jovens a tornarem-se atletas, como o norueguês,  estrela em ascensão, Haaland, e muitos, muitos mais feitos que impactaram o futebol e o nosso país, e que são reconhecidos pelas personalidades mais relevantes do futebol mundial. 

Portanto, aborrece-me que as pessoas o critiquem, insultando-o, reclamando pela sua presença, quando esta por si só impacta as equipas adversárias, e faz as pessoas irem aos estádios, ou seguirem os jogos na televisão. Ele continua a vender, e por algum motivo haverá de ser, o seu valor, talvez?!  

Porém, para os portugueses que o criticam ferozmente ganhar é o objectivo, e parece que quando a equipa ganha, é a equipa, quando perde, foi o Ronaldo! Dizem que ele deve sair para dar lugar aos jovens, e eu pergunto: Quais jovens?! Não há mais ninguém que calce as sapatilhas do CR7, e todos estes adeptos ainda irão lamentar muito a falta dele, embora tardiamente.

A era de ouro do futebol português termina com o Cristiano, Portugal passará a ser irrelevante. E este pessoal está com pressa de chegar a essa realidade. 

Agora sou eu também que desejo que o CR 7 se afaste, quero rir com a perplexidade dos ingratos quando perceberem que a selecção portuguesa já "não tem pernas para andar", e nessa ocasião vão chorar de saudades pelo tempo em que CR7 "andava a mancar pelo campo", como eu li. 

O que me irrita mais do que a falta de noção é a ingratidão. Mas estes são aqueles que vivem tanto o futebol que o resultado lhes impacta a vida a ponto de se irritarem, discutirem, perderem o sono, enfim, que vidas tristes e vazias devem ter para se deixarem tomar tão totalmente por um jogo! E o pior é que são tantos, são mesmo muitos, demasiado. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

"O que acontece de mau é a semente de algo bom"

 Contaram-me esta história, recentemente. 

Um rei de um reino distante sentia-se triste, mesmo tendo tudo o que a vida pode oferecer. Olhando pela janela observava o seu povo, que sorria, ria, parecendo realmente feliz, e pensou: o que é que eles têm para se sentirem assim? Tenho que descobrir. E decidiu viajar pelo reino, para se misturar com os seus súbditos. Ao tomar a estrada que saia da cidade encontrou um mendigo, que lhe pareceu bem-disposto e perguntou-lhe se o podia acompanhar, ao que estre respondeu afirmativamente, e prosseguiram a caminhada. 

Pelo caminho, sempre que algum problema surgia o mendigo comentava: O que acontece de mau é a semente de algo bom. Porém, quando o rei deu acidentalmente um pontapé numa pedra e feriu o dedo grande do pé, impacientou-se com a frase explicativa, e num momento de cólera empurrou o mendigo, que caiu num buraco, deixando-o ali ficar. 

Furioso, o rei prosseguiu o seu caminho aleatório, e foi dar a uma aldeia de canibais que imediatamente o rodearam e prenderam; quando o feiticeiro foi chamado para examinar a presa, e viu o dedo do pé magoado e ainda a sagrar, disse contundentemente ao seu povo: Ele não está em condições, se o comem vão-se envenenar! E eles de imediato o soltaram, enxotando-o para fora da aldeia. O rei, extremamente aliviado, e muito arrependido, correu em direcção ao sítio onde tinha abandonado o pobre mendigo, que ajudou a sair do buraco, onde estava há dois dias. Depois, pôs-se de joelhos perante ele e pediu-lhe perdão, reconhecendo que a frase " O que acontece de mau é a semente de algo bom" era de facto sábia. E o mendigo respondeu: "- Eu é que tenho de agradecer, majestade, porque se tivesse continuado consigo quem era comido era eu!".

Creio que já todos tivemos episódios na vida que atestam esta sabedoria, muitas vezes é evidente e imediata, outras vezes demora imenso tempo até fazer sentido, e outras vezes demora tanto que até nos esquecemos de correlacionar. Mas quando a "ficha cai" tudo encaixa, e ajuda bastante o processo. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Frase Perfeita

 Lido por aí... " Aonde eu for Deus vai comigo, se um dia eu não voltar eu fui com ele♥️

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Última Leitura - O Monte dos Vendavais

 

Via 

Foi daqueles clássicos que li na adolescência, e creio que se não fosse esta última polémica, a propósito do filme, em que nas redes sociais muitos se indignaram por Heathcliff ser representado por um actor branco, e pela adaptação do próprio filme, não teria repescado este livro. Não me recordava nada do Heathcliff ser negro, e recordava a história como um amor romântico infeliz. Após esta leitura concluí que devo reler, pelo menos alguns, clássicos lidos quando era jovem. Não acho que seja negro, simplesmente não era o típico inglês e o seu tom de pele era realmente mais escuro, talvez mestiço, de indiano, cigano. 

Entretanto, vi alguns minutos do último filme, por curiosidade apenas, e não consegui prosseguir, a liberdade da realizadora aniquilou a obra, àquilo já não se poderá chamar adaptação, é antes um atentado à obra original e desrespeito para com Emily Brontë. Como diz uma cliente minha americana: Eu voto com o meu dinheiro. Não pago estes disparates "modernos". 

Emily Brontë é a mais nova das famosas irmãs Brontë, o pai era vigário da igreja de Inglaterra e a mãe morreu precocemente, sendo substituída por uma tia austera;  o pai envia as três filhas mais velhas para um colégio interno, onde passaram muito mal, e posteriormente duas delas morreram, de regresso a  casa. Chegou a ser professora, mas teve que desistir devido à sua saúde frágil, era também de natureza extremamente reservada e vivia muito bem afastada do convívio social, passeando solitariamente pelas charnecas. Encorajada por Charlotte, que disse às irmãs que todas deveriam escrever um livro,  escreveu O Monte dos Vendavais em 1846, sob o pseudónimo de Curr, era comum as mulheres usarem nomes masculinos para assinarem as suas obras. O livro foi bem recebido embora sem o reconhecimento de obra-prima que lhe é presentemente atribuído. 

Emily morreu aos 30 anos, "apagou-se", poucos meses após o óbito do único irmão, Branwell, que tinha caído no vício da bebida e se autossabotado como pintor, antes considerado promissor. A única obra de Emily Brontë foi esta. 

A história tem lugar na casa de família dos Earnshaws, uma propriedade chamada Monte dos Vendavais, no Yorkshire em 1801. O Senhor Lookwood que tinha arrendado a propriedade de Thrushcross dirige-se a casa do seu senhorio, a fim de o conhecer, no Monte dos Vendavais, e aí se depara com um curioso grupo:  o próprio senhorio, Heathcliff, Cathy, Joseph e Areton, que o recebem de forma  abertamente hostil . Apesar de não se sentir bem-vindo a curiosidade sobre o grupo  leva a melhor e ele teima em regressar àquela casa tão lúgubre e ameaçadora, de onde já sai resolvido a não regressar, por se sentir indesculpavelmente insultado. Porém, o mau tempo faz com que adoeça, e nesse tempo de convalescença, Nelly, a sua governanta, que fazia parte da casa, satisfaz-lhe a curiosidade contando toda a fatídica história daqueles tristes personagens, dado que ela próprio estivera envolvida com eles, desde o início.  Ela passa assim a ser a narradora. 

Heathcliff tinha sido levado para o Monte dos Vendavais, pelo senhor Eearnshaw, apiedado por aquela criança abandonada, suja, vestida de andrajos, e " escuro que parece quase filho do diabo"; o filho, Hindley, nunca gostou dele e aproveitava todas as oportunidades para o maltratar, porém, a filha, Cathy, depressa se afeiçoou ao rapaz tornando-se inseparáveis.  Pela morte precoce do senhor da casa, Hindley assume o papel de senhor e os maltratos a Heathcliff multiplicam-se, e embora este nunca dê parte de fraco o seu ódio e rancor a Hindley crescem e alimentam-se de ideias vingativas que espera concretizar. Entretanto, o sentimento que une Heathcliff a Cathy cresce em igual medida, tornando-se uma obsessão, de parte a parte. A bela Cathy, que fora sempre travessa e caprichosa, habituada a conseguir tudo o que desejava sente-se enlevada pelo jovem Edgar, rico, bonito e educado, que seduzido pela beleza desta não retrocede perante os sinais nada abonatórios até aí demonstrados e a pede em casamento. 

O trio amoroso está condenado ao infortúnio, porém o amor resiste a tudo e todos, e nem a morte prematura acaba com o amor de Heathcliff e Cathy, determinados a ultrapassar a matéria da fisicalidade, deixando pelo caminho destruição e infelicidade, inclusive para os seus descendentes. 

O amor destes dois não tem nada de romântico, é destruidor e corrosivo. Heathcliff é a própria personificação do demónio, e Cathy a da loucura narcisista. 

Dante Gabriel Rossetti exprime sumamente o romance desta forma: " Um livro diabólico - um monstro incrível... A acção tem lugar no inferno - mas parece que os lugares e pessoas têm nomes ingleses."

Claro que recomendo a leitura.


Título : O Monte dos Vendavais

Autora: Emily Brontë

Nr de Págs: 412

Editora: Relógio d'Água