quarta-feira, 8 de julho de 2026

Futebol Português - O Fim de Uma Era

O Futebol é-me indiferente, porém como qualquer coisa relevante para o país, sigo minimamente. Não percebo nada desse desporto mas uma coisa sei, Cristiano Ronaldo levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, a povos de línguas inteligíveis e exóticas, distantes e alheias à existência da nossa pátria. Pôs estrangeiros a cantar o hino português, e inspirou uma geração de jovens a tornarem-se atletas, como o norueguês,  estrela em ascensão, Haaland, e muitos, muitos mais feitos que impactaram o futebol e o nosso país, e que são reconhecidos pelas personalidades mais relevantes do futebol mundial. 

Portanto, aborrece-me que as pessoas o critiquem, insultando-o, reclamando pela sua presença, quando esta por si só impacta as equipas adversárias, e faz as pessoas irem aos estádios, ou seguirem os jogos na televisão. Ele continua a vender, e por algum motivo haverá de ser, o seu valor, talvez?!  

Porém, para os portugueses que o criticam ferozmente ganhar é o objectivo, e parece que quando a equipa ganha, é a equipa, quando perde, foi o Ronaldo! Dizem que ele deve sair para dar lugar aos jovens, e eu pergunto: Quais jovens?! Não há mais ninguém que calce as sapatilhas do CR7, e todos estes adeptos ainda irão lamentar muito a falta dele, embora tardiamente.

A era de ouro do futebol português termina com o Cristiano, Portugal passará a ser irrelevante. E este pessoal está com pressa de chegar a essa realidade. 

Agora sou eu também que desejo que o CR 7 se afaste, quero rir com a perplexidade dos ingratos quando perceberem que a selecção portuguesa já "não tem pernas para andar", e nessa ocasião vão chorar de saudades pelo tempo em que CR7 "andava a mancar pelo campo", como eu li. 

O que me irrita mais do que a falta de noção é a ingratidão. Mas estes são aqueles que vivem tanto o futebol que o resultado lhes impacta a vida a ponto de se irritarem, discutirem, perderem o sono, enfim, que vidas tristes e vazias devem ter para se deixarem tomar tão totalmente por um jogo! E o pior é que são tantos, são mesmo muitos, demasiado. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

"O que acontece de mau é a semente de algo bom"

 Contaram-me esta história, recentemente. 

Um rei de um reino distante sentia-se triste, mesmo tendo tudo o que a vida pode oferecer. Olhando pela janela observava o seu povo, que sorria, ria, parecendo realmente feliz, e pensou: o que é que eles têm para se sentirem assim? Tenho que descobrir. E decidiu viajar pelo reino, para se misturar com os seus súbditos. Ao tomar a estrada que saia da cidade encontrou um mendigo, que lhe pareceu bem-disposto e perguntou-lhe se o podia acompanhar, ao que estre respondeu afirmativamente, e prosseguiram a caminhada. 

Pelo caminho, sempre que algum problema surgia o mendigo comentava: O que acontece de mau é a semente de algo bom. Porém, quando o rei deu acidentalmente um pontapé numa pedra e feriu o dedo grande do pé, impacientou-se com a frase explicativa, e num momento de cólera empurrou o mendigo, que caiu num buraco, deixando-o ali ficar. 

Furioso, o rei prosseguiu o seu caminho aleatório, e foi dar a uma aldeia de canibais que imediatamente o rodearam e prenderam; quando o feiticeiro foi chamado para examinar a presa, e viu o dedo do pé magoado e ainda a sagrar, disse contundentemente ao seu povo: Ele não está em condições, se o comem vão-se envenenar! E eles de imediato o soltaram, enxotando-o para fora da aldeia. O rei, extremamente aliviado, e muito arrependido, correu em direcção ao sítio onde tinha abandonado o pobre mendigo, que ajudou a sair do buraco, onde estava há dois dias. Depois, pôs-se de joelhos perante ele e pediu-lhe perdão, reconhecendo que a frase " O que acontece de mau é a semente de algo bom" era de facto sábia. E o mendigo respondeu: "- Eu é que tenho de agradecer, majestade, porque se tivesse continuado consigo quem era comido era eu!".

Creio que já todos tivemos episódios na vida que atestam esta sabedoria, muitas vezes é evidente e imediata, outras vezes demora imenso tempo até fazer sentido, e outras vezes demora tanto que até nos esquecemos de correlacionar. Mas quando a "ficha cai" tudo encaixa, e ajuda bastante o processo. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Frase Perfeita

 Lido por aí... " Aonde eu for Deus vai comigo, se um dia eu não voltar eu fui com ele♥️

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Última Leitura - O Monte dos Vendavais

 

Via 

Foi daqueles clássicos que li na adolescência, e creio que se não fosse esta última polémica, a propósito do filme, em que nas redes sociais muitos se indignaram por Heathcliff ser representado por um actor branco, e pela adaptação do próprio filme, não teria repescado este livro. Não me recordava nada do Heathcliff ser negro, e recordava a história como um amor romântico infeliz. Após esta leitura concluí que devo reler, pelo menos alguns, clássicos lidos quando era jovem. Não acho que seja negro, simplesmente não era o típico inglês e o seu tom de pele era realmente mais escuro, talvez mestiço, de indiano, cigano. 

Entretanto, vi alguns minutos do último filme, por curiosidade apenas, e não consegui prosseguir, a liberdade da realizadora aniquilou a obra, àquilo já não se poderá chamar adaptação, é antes um atentado à obra original e desrespeito para com Emily Brontë. Como diz uma cliente minha americana: Eu voto com o meu dinheiro. Não pago estes disparates "modernos". 

Emily Brontë é a mais nova das famosas irmãs Brontë, o pai era vigário da igreja de Inglaterra e a mãe morreu precocemente, sendo substituída por uma tia austera;  o pai envia as três filhas mais velhas para um colégio interno, onde passaram muito mal, e posteriormente duas delas morreram, de regresso a  casa. Chegou a ser professora, mas teve que desistir devido à sua saúde frágil, era também de natureza extremamente reservada e vivia muito bem afastada do convívio social, passeando solitariamente pelas charnecas. Encorajada por Charlotte, que disse às irmãs que todas deveriam escrever um livro,  escreveu O Monte dos Vendavais em 1846, sob o pseudónimo de Curr, era comum as mulheres usarem nomes masculinos para assinarem as suas obras. O livro foi bem recebido embora sem o reconhecimento de obra-prima que lhe é presentemente atribuído. 

Emily morreu aos 30 anos, "apagou-se", poucos meses após o óbito do único irmão, Branwell, que tinha caído no vício da bebida e se autossabotado como pintor, antes considerado promissor. A única obra de Emily Brontë foi esta. 

A história tem lugar na casa de família dos Earnshaws, uma propriedade chamada Monte dos Vendavais, no Yorkshire em 1801. O Senhor Lookwood que tinha arrendado a propriedade de Thrushcross dirige-se a casa do seu senhorio, a fim de o conhecer, no Monte dos Vendavais, e aí se depara com um curioso grupo:  o próprio senhorio, Heathcliff, Cathy, Joseph e Areton, que o recebem de forma  abertamente hostil . Apesar de não se sentir bem-vindo a curiosidade sobre o grupo  leva a melhor e ele teima em regressar àquela casa tão lúgubre e ameaçadora, de onde já sai resolvido a não regressar, por se sentir indesculpavelmente insultado. Porém, o mau tempo faz com que adoeça, e nesse tempo de convalescença, Nelly, a sua governanta, que fazia parte da casa, satisfaz-lhe a curiosidade contando toda a fatídica história daqueles tristes personagens, dado que ela próprio estivera envolvida com eles, desde o início.  Ela passa assim a ser a narradora. 

Heathcliff tinha sido levado para o Monte dos Vendavais, pelo senhor Eearnshaw, apiedado por aquela criança abandonada, suja, vestida de andrajos, e " escuro que parece quase filho do diabo"; o filho, Hindley, nunca gostou dele e aproveitava todas as oportunidades para o maltratar, porém, a filha, Cathy, depressa se afeiçoou ao rapaz tornando-se inseparáveis.  Pela morte precoce do senhor da casa, Hindley assume o papel de senhor e os maltratos a Heathcliff multiplicam-se, e embora este nunca dê parte de fraco o seu ódio e rancor a Hindley crescem e alimentam-se de ideias vingativas que espera concretizar. Entretanto, o sentimento que une Heathcliff a Cathy cresce em igual medida, tornando-se uma obsessão, de parte a parte. A bela Cathy, que fora sempre travessa e caprichosa, habituada a conseguir tudo o que desejava sente-se enlevada pelo jovem Edgar, rico, bonito e educado, que seduzido pela beleza desta não retrocede perante os sinais nada abonatórios até aí demonstrados e a pede em casamento. 

O trio amoroso está condenado ao infortúnio, porém o amor resiste a tudo e todos, e nem a morte prematura acaba com o amor de Heathcliff e Cathy, determinados a ultrapassar a matéria da fisicalidade, deixando pelo caminho destruição e infelicidade, inclusive para os seus descendentes. 

O amor destes dois não tem nada de romântico, é destruidor e corrosivo. Heathcliff é a própria personificação do demónio, e Cathy a da loucura narcisista. 

Dante Gabriel Rossetti exprime sumamente o romance desta forma: " Um livro diabólico - um monstro incrível... A acção tem lugar no inferno - mas parece que os lugares e pessoas têm nomes ingleses."

Claro que recomendo a leitura.


Título : O Monte dos Vendavais

Autora: Emily Brontë

Nr de Págs: 412

Editora: Relógio d'Água

terça-feira, 9 de junho de 2026

Os Rabirruivos Escolheram o Nosso Jardim!

 

O laboratório da Paisagem de Guimarães identificou as aves 


Em menos de dois meses este casal de pássaros instalou-se no nosso anexo do jardim, fez um ninho, pôs ovos, chocou, alimentou as crias e partiu com a filharada.
 
Tínhamos obras marcadas para o anexo em Maio, desde há cerca de dois anos que procurávamos em vão quem aceitasse fazer estas obras. Porém, cancelamos tudo, adiamos sem data, a prioridade eram as aves. 

No período da construção do ninho foram bastante silenciosos, não fossemos nós fazer refeições no jardim nem nos tínhamos apercebido dos novos inquilinos. A certa altura, tornaram-se muito ruidosos com chilreios estridentes a toda a hora, com os nossos gatos em baixo , e super vigilantes, percebemos que se alertavam mutuamente. E depois quando os filhotes nasceram, e percebemos isso por transportarem no bico insectos ainda a rabiar, chilreavam os pais e os filhos. Porém, se calhava de eu entrar no anexo para ir buscar alguma coisa, o silêncio era total, sabiam que tinham de permanecer como se não existissem. A Natureza é perfeita! Dizia eu com os meus botões. 

A certa altura encostei o escadote à parede e fui lá acima, junto do tecto, queria saber quantos eram, mas não vi nada, apenas uma bola de penugem preta e fofa, e claro, não ousei aproximar a mão. 
Entretanto, à medida que as crias cresciam, o ninho também, os pais continuaram a compô-lo à medida que se expandia, continuavam a trazer musgos secos e palhinhas, entre as refeições. A Natureza é perfeita! 

Fechamos a porta do anexo para evitar a entrada dos gatos que passaram horas a fazer espera aos pássaros, e deixamos aberta, parcialmente, a janela da parte de cima, as aves entravam os gatos não; preocupávamo-nos muito com a segurança dos pássaros, os gatos são predadores impiedosos. 

No sábado à noite, enquanto arrumava a cozinha notei a Ellie à minha frente, no muro do jardim, muito agitada, a querer pôr-se em pé, enquanto olhava para cima, estranhei o comportamento e fui junto à porta; a algazarra era inaudita, os pais estavam no muro em frente da janela do anexo a chilrear de forma diferente e insistente, e de imediato pensei que estavam a chamar os filhos, e de facto, em cima do guarda-sol, aberto no jardim, estava uma ave que vi apenas por baixo, portanto, somente a sombra, que levantou voo recto pelo jardim, seguro e rápido, desparecendo no horizonte. 
Entretanto, vi que o casal de rabirruivos voava um em volta do outro, como numa dança comemorativa, e finalizaram dando um encontrãozinho um ao outro, peito com peito, como fazem os desportistas a festejar um golo; achei aquilo a coisa mais fofa e linda que vi desde há muito tempo. A natureza é perfeita!

Como é que eles sabem estas coisas todas? Escolher um sítio para construir um ninho, e estarem ambos de acordo. Começar a construir o ninho. Alimentar as crias, saber que está no momento de sair do ninho, e ambos levar as crias a saírem, de uma só vez, sem ensaios, sem voos pequenos, apenas sair voando! A Natureza é tão maravilhosa.

Desde sábado que o jardim está muito silencioso, sinto falta deles. Oxalá voltem. 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cristo É Rei!

Hoje não é feriado, é dia Santo, dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que desde o Séc.XIII proclama a fé na presença de Cristo no pão e no vinho consagrados, promovendo a devoção ao santíssimo sacramento.  

Hoje tive vontade de falar sobre este assunto por ver, e sentir, que a religião católica tem deixado um vazio perigoso, e não é somente por constatar que o vazio desampara mas por observar que o vazio não permanece nessa condição muito tempo, algo se apodera dele, algo se instala, e essa substituição neste caso particular, também assim o observo, não é benévola, pelo contrário, é extremamente perigosa. 

Eu digo há anos que não preciso da igreja-edifício para me ligar a Deus, porque me ligo a Ele em qualquer sítio, se acredito que Deus está comigo,  mas não vejo com bons olhos que as igrejas sejam destruídas ou usadas como moradias, bares, discotecas, nem sequer livrarias! O edifício sacralizado, onde durante séculos Deus foi venerado como nosso criador não pode ser adaptado ao profanado, muito menos levianamente, isso é uma afronta à Divindade, e a quem  venera Deus. Não entendo como a Igreja-Instituição permite este estado das coisas, porque tem poder para reclamar e proteger, e tinha dever de o fazer. 

Se mencionar o poder político a minha indignação só cresce perante o surreal nível de decadência, na falta de proteção da nossa matriz cristã; é verdade que o Estado é laico, porém o povo e cultura não são! E para afronta maior, os governos estão a apoiar outras religiões, expropriando bens privados, habitações e comércios, para construção de "edifícios" que manifestamente confrontam as nossas crenças, e nos percebem como o inimigo. Se isto não é a própria contradição de um Estado laico não sei o que será. 

E é assim que o vazio se preenche, com a substituição de uma religião por outra. Quem em seu juízo perfeito não prefere o Cristo manifestado entre nós com  Corpo e Sangue, para nos ensinar o amor, a tolerância e a paz? A mensagem benévola que repercutiu por séculos ainda precisa de palco para ser divulgada, precisa dos espaços sagrados para continuar a alcançar os ouvidos mais surdos, as mentes mais alheadas, os espíritos mais inquietos. 

Não podemos abster-nos, deixar passar tudo com indiferença como se nada importasse, como se não víssemos, porque é nosso dever proteger a nossa fé, a nossa história, a nossa cultura.