Lido por aí... " Aonde eu for Deus vai comigo, se um dia eu não voltar eu fui com ele♥️
terça-feira, 23 de junho de 2026
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Última Leitura - O Monte dos Vendavais
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Foi daqueles clássicos que li na adolescência, e creio que se não fosse esta última polémica, a propósito do filme, em que nas redes sociais muitos se indignaram por Heathcliff ser representado por um actor branco, e pela adaptação do próprio filme, não teria repescado este livro. Não me recordava nada do Heathcliff ser negro, e recordava a história como um amor romântico infeliz. Após esta leitura concluí que devo reler, pelo menos alguns, clássicos lidos quando era jovem. Não acho que seja negro, simplesmente não era o típico inglês e o seu tom de pele era realmente mais escuro, talvez mestiço, de indiano, cigano.
Entretanto, vi alguns minutos do último filme, por curiosidade apenas, e não consegui prosseguir, a liberdade da realizadora aniquilou a obra, àquilo já não se poderá chamar adaptação, é antes um atentado à obra original e desrespeito para com Emily Brontë. Como diz uma cliente minha americana: Eu voto com o meu dinheiro. Não pago estes disparates "modernos".
Emily Brontë é a mais nova das famosas irmãs Brontë, o pai era vigário da igreja de Inglaterra e a mãe morreu precocemente, sendo substituída por uma tia austera; o pai envia as três filhas mais velhas para um colégio interno, onde passaram muito mal, e posteriormente duas delas morreram, de regresso a casa. Chegou a ser professora, mas teve que desistir devido à sua saúde frágil, era também de natureza extremamente reservada e vivia muito bem afastada do convívio social, passeando solitariamente pelas charnecas. Encorajada por Charlotte, que disse às irmãs que todas deveriam escrever um livro, escreveu O Monte dos Vendavais em 1846, sob o pseudónimo de Curr, era comum as mulheres usarem nomes masculinos para assinarem as suas obras. O livro foi bem recebido embora sem o reconhecimento de obra-prima que lhe é presentemente atribuído.
Emily morreu aos 30 anos, "apagou-se", poucos meses após o óbito do único irmão, Branwell, que tinha caído no vício da bebida e se autossabotado como pintor, antes considerado promissor. A única obra de Emily Brontë foi esta.
A história tem lugar na casa de família dos Earnshaws, uma propriedade chamada Monte dos Vendavais, no Yorkshire em 1801. O Senhor Lookwood que tinha arrendado a propriedade de Thrushcross dirige-se a casa do seu senhorio, a fim de o conhecer, no Monte dos Vendavais, e aí se depara com um curioso grupo: o próprio senhorio, Heathcliff, Cathy, Joseph e Areton, que o recebem de forma abertamente hostil . Apesar de não se sentir bem-vindo a curiosidade sobre o grupo leva a melhor e ele teima em regressar àquela casa tão lúgubre e ameaçadora, de onde já sai resolvido a não regressar, por se sentir indesculpavelmente insultado. Porém, o mau tempo faz com que adoeça, e nesse tempo de convalescença, Nelly, a sua governanta, que fazia parte da casa, satisfaz-lhe a curiosidade contando toda a fatídica história daqueles tristes personagens, dado que ela próprio estivera envolvida com eles, desde o início. Ela passa assim a ser a narradora.
Heathcliff tinha sido levado para o Monte dos Vendavais, pelo senhor Eearnshaw, apiedado por aquela criança abandonada, suja, vestida de andrajos, e " escuro que parece quase filho do diabo"; o filho, Hindley, nunca gostou dele e aproveitava todas as oportunidades para o maltratar, porém, a filha, Cathy, depressa se afeiçoou ao rapaz tornando-se inseparáveis. Pela morte precoce do senhor da casa, Hindley assume o papel de senhor e os maltratos a Heathcliff multiplicam-se, e embora este nunca dê parte de fraco o seu ódio e rancor a Hindley crescem e alimentam-se de ideias vingativas que espera concretizar. Entretanto, o sentimento que une Heathcliff a Cathy cresce em igual medida, tornando-se uma obsessão, de parte a parte. A bela Cathy, que fora sempre travessa e caprichosa, habituada a conseguir tudo o que desejava sente-se enlevada pelo jovem Edgar, rico, bonito e educado, que seduzido pela beleza desta não retrocede perante os sinais nada abonatórios até aí demonstrados e a pede em casamento.
O trio amoroso está condenado ao infortúnio, porém o amor resiste a tudo e todos, e nem a morte prematura acaba com o amor de Heathcliff e Cathy, determinados a ultrapassar a matéria da fisicalidade, deixando pelo caminho destruição e infelicidade, inclusive para os seus descendentes.
O amor destes dois não tem nada de romântico, é destruidor e corrosivo. Heathcliff é a própria personificação do demónio, e Cathy a da loucura narcisista.
Dante Gabriel Rossetti exprime sumamente o romance desta forma: " Um livro diabólico - um monstro incrível... A acção tem lugar no inferno - mas parece que os lugares e pessoas têm nomes ingleses."
Claro que recomendo a leitura.
Título : O Monte dos Vendavais
Autora: Emily Brontë
Nr de Págs: 412
Editora: Relógio d'Água
terça-feira, 9 de junho de 2026
Os Rabirruivos Escolheram o Nosso Jardim!
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| O laboratório da Paisagem de Guimarães identificou as aves |
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Cristo É Rei!
Hoje não é feriado, é dia Santo, dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que desde o Séc.XIII proclama a fé na presença de Cristo no pão e no vinho consagrados, promovendo a devoção ao santíssimo sacramento.
Hoje tive vontade de falar sobre este assunto por ver, e sentir, que a religião católica tem deixado um vazio perigoso, e não é somente por constatar que o vazio desampara mas por observar que o vazio não permanece nessa condição muito tempo, algo se apodera dele, algo se instala, e essa substituição neste caso particular, também assim o observo, não é benévola, pelo contrário, é extremamente perigosa.
Eu digo há anos que não preciso da igreja-edifício para me ligar a Deus, porque me ligo a Ele em qualquer sítio, se acredito que Deus está comigo, mas não vejo com bons olhos que as igrejas sejam destruídas ou usadas como moradias, bares, discotecas, nem sequer livrarias! O edifício sacralizado, onde durante séculos Deus foi venerado como nosso criador não pode ser adaptado ao profanado, muito menos levianamente, isso é uma afronta à Divindade, e a quem venera Deus. Não entendo como a Igreja-Instituição permite este estado das coisas, porque tem poder para reclamar e proteger, e tinha dever de o fazer.
Se mencionar o poder político a minha indignação só cresce perante o surreal nível de decadência, na falta de proteção da nossa matriz cristã; é verdade que o Estado é laico, porém o povo e cultura não são! E para afronta maior, os governos estão a apoiar outras religiões, expropriando bens privados, habitações e comércios, para construção de "edifícios" que manifestamente confrontam as nossas crenças, e nos percebem como o inimigo. Se isto não é a própria contradição de um Estado laico não sei o que será.
E é assim que o vazio se preenche, com a substituição de uma religião por outra. Quem em seu juízo perfeito não prefere o Cristo manifestado entre nós com Corpo e Sangue, para nos ensinar o amor, a tolerância e a paz? A mensagem benévola que repercutiu por séculos ainda precisa de palco para ser divulgada, precisa dos espaços sagrados para continuar a alcançar os ouvidos mais surdos, as mentes mais alheadas, os espíritos mais inquietos.
Não podemos abster-nos, deixar passar tudo com indiferença como se nada importasse, como se não víssemos, porque é nosso dever proteger a nossa fé, a nossa história, a nossa cultura.
terça-feira, 2 de junho de 2026
O Que Se Passa nas Maternidades?!
Há muitos anos, ainda antes de ser mãe, ouvia imensos relatos de mulheres que tiveram experiências terríficas nos hospitais e maternidades, de tal forma que associado à experiência da minha mãe, quase 24 horas para me parir, a ponto de desejar a morte, a ideia de parto só me causava fobia e terror.
Portanto, quando ouvi falar em epidural soube desde logo que não poderia ser de outra forma. Por acaso, até acabou por ser cesariana e correu tudo bem, felizmente, mas eu sabia que de qualquer forma eu tinha de ir para o Privado se queria ser tratada com respeito e cuidado. E neste momento, de enorme fragilidade, todas as mulheres, todas as parturientes precisam de ser escutadas, amparadas, e respeitadas fosse lá onde fosse, mas parece que ainda não é assim.
Apareceu-me a partilha de uma enfermeira obstétrica com um desabafo dela, sobre situações que ainda acontecem nos hospitais, e que não deveriam, mas os comentários, os testemunhos das mulheres que pariram nos hospitais públicos são de arrepiar os cabelos! Eu não sabia que ainda havia disto, que profissionais de saúde ainda dizem: Para o fazer não gritou, pois não?! Não grite, pare de gritar!
Mas o que é isto, meu Deus?! Que gente é esta? A veterinária dos meus animais trata-os com mais carinho e empatia do que estes... profissionais. Isto choca-me profundamente.
Ando a ver uma série chamada "Call the midwife" baseada nas memórias de Jennifer Worth* , enfermeira-parteira, que trabalhou numa área pobre de Londres, durante os anos 50, e o que mais me toca é o respeito que aquelas enfermeiras, algumas freiras-parteiras, demonstram pelas parturientes. O trato afável, firme mas sempre empático, que exercem sempre. Se fosse sempre assim, o medo das mulheres seria reduzido apenas à dor inerente do facto de ter um pequeno corpo a sair do nosso próprio, o que exige um esforço brutal. Porém, abuso obstétrico continua a vigorar, para piorar o momento e traumatizar as mulheres.
Aliás, aconselho imenso a série, é excelente. Faria, sobretudo, bem a essas profissionais de saúde aprender com quem escolheu a profissão por vocação e amor ao seu próximo. Aquilo não foi ficção, o que me parece inventado são as histórias surreais nos comentários partilhados no Instagram. Triste.
Podem ver aqui.
* Jenny
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Açorda Simples
Deitar um fio de azeite generoso, o louro, o alho picadinho, mexer bem, até ficar tudo desfeito; bater o ovo e misturar, voltar a mexer, e temperar com sal e pimenta a gosto.


