terça-feira, 9 de junho de 2026

Os Rabirruivos Escolheram o Nosso Jardim!

 

O laboratório da Paisagem de Guimarães identificou as aves 


Em menos de dois meses este casal de pássaros instalou-se no nosso anexo do jardim, fez um ninho, pôs ovos, chocou, alimentou as crias e partiu com a filharada.
 
Tínhamos obras marcadas para o anexo em Maio, desde há cerca de dois anos que procurávamos em vão quem aceitasse fazer estas obras. Porém, cancelamos tudo, adiamos sem data, a prioridade eram as aves. 

No período da construção do ninho foram bastante silenciosos, não fossemos nós fazer refeições no jardim nem nos tínhamos apercebido dos novos inquilinos. A certa altura, tornaram-se muito ruidosos com chilreios estridentes a toda a hora, com os nossos gatos em baixo , e super vigilantes, percebemos que se alertavam mutuamente. E depois quando os filhotes nasceram, e percebemos isso por transportarem no bico insectos ainda a rabiar, chilreavam os pais e os filhos. Porém, se calhava de eu entrar no anexo para ir buscar alguma coisa, o silêncio era total, sabiam que tinham de permanecer como se não existissem. A Natureza é perfeita! Dizia eu com os meus botões. 

A certa altura encostei o escadote à parede e fui lá acima, junto do tecto, queria saber quantos eram, mas não vi nada, apenas uma bola de penugem preta e fofa, e claro, não ousei aproximar a mão. 
Entretanto, à medida que as crias cresciam, o ninho também, os pais continuaram a compô-lo à medida que se expandia, continuavam a trazer musgos secos e palhinhas, entre as refeições. A Natureza é perfeita! 

Fechamos a porta do anexo para evitar a entrada dos gatos que passaram horas a fazer espera aos pássaros, e deixamos aberta, parcialmente, a janela da parte de cima, as aves entravam os gatos não; preocupávamo-nos muito com a segurança dos pássaros, os gatos são predadores impiedosos. 

No sábado à noite, enquanto arrumava a cozinha notei a Ellie à minha frente, no muro do jardim, muito agitada, a querer pôr-se em pé, enquanto olhava para cima, estranhei o comportamento e fui junto à porta; a algazarra era inaudita, os pais estavam no muro em frente da janela do anexo a chilrear de forma diferente e insistente, e de imediato pensei que estavam a chamar os filhos, e de facto, em cima do guarda-sol, aberto no jardim, estava uma ave que vi apenas por baixo, portanto, somente a sombra, que levantou voo recto pelo jardim, seguro e rápido, desparecendo no horizonte. 
Entretanto, vi que o casal de rabirruivos voava um em volta do outro, como numa dança comemorativa, e finalizaram dando um encontrãozinho um ao outro, peito com peito, como fazem os desportistas a festejar um golo; achei aquilo a coisa mais fofa e linda que vi desde há muito tempo. A natureza é perfeita!

Como é que eles sabem estas coisas todas? Escolher um sítio para construir um ninho, e estarem ambos de acordo. Começar a construir o ninho. Alimentar as crias, saber que está no momento de sair do ninho, e ambos levar as crias a saírem, de uma só vez, sem ensaios, sem voos pequenos, apenas sair voando! A Natureza é tão maravilhosa.

Desde sábado que o jardim está muito silencioso, sinto falta deles. Oxalá voltem. 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cristo É Rei!

Hoje não é feriado, é dia Santo, dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que desde o Séc.XIII proclama a fé na presença de Cristo no pão e no vinho consagrados, promovendo a devoção ao santíssimo sacramento.  

Hoje tive vontade de falar sobre este assunto por ver, e sentir, que a religião católica tem deixado um vazio perigoso, e não é somente por constatar que o vazio desampara mas por observar que o vazio não permanece nessa condição muito tempo, algo se apodera dele, algo se instala, e essa substituição neste caso particular, também assim o observo, não é benévola, pelo contrário, é extremamente perigosa. 

Eu digo há anos que não preciso da igreja-edifício para me ligar a Deus, porque me ligo a Ele em qualquer sítio, se acredito que Deus está comigo,  mas não vejo com bons olhos que as igrejas sejam destruídas ou usadas como moradias, bares, discotecas, nem sequer livrarias! O edifício sacralizado, onde durante séculos Deus foi venerado como nosso criador não pode ser adaptado ao profanado, muito menos levianamente, isso é uma afronta à Divindade, e a quem  venera Deus. Não entendo como a Igreja-Instituição permite este estado das coisas, porque tem poder para reclamar e proteger, e tinha dever de o fazer. 

Se mencionar o poder político a minha indignação só cresce perante o surreal nível de decadência, na falta de proteção da nossa matriz cristã; é verdade que o Estado é laico, porém o povo e cultura não são! E para afronta maior, os governos estão a apoiar outras religiões, expropriando bens privados, habitações e comércios, para construção de "edifícios" que manifestamente confrontam as nossas crenças, e nos percebem como o inimigo. Se isto não é a própria contradição de um Estado laico não sei o que será. 

E é assim que o vazio se preenche, com a substituição de uma religião por outra. Quem em seu juízo perfeito não prefere o Cristo manifestado entre nós com  Corpo e Sangue, para nos ensinar o amor, a tolerância e a paz? A mensagem benévola que repercutiu por séculos ainda precisa de palco para ser divulgada, precisa dos espaços sagrados para continuar a alcançar os ouvidos mais surdos, as mentes mais alheadas, os espíritos mais inquietos. 

Não podemos abster-nos, deixar passar tudo com indiferença como se nada importasse, como se não víssemos, porque é nosso dever proteger a nossa fé, a nossa história, a nossa cultura. 

terça-feira, 2 de junho de 2026

O Que Se Passa nas Maternidades?!

Há muitos anos, ainda antes de ser mãe, ouvia imensos relatos de mulheres que tiveram experiências terríficas nos hospitais  e maternidades, de tal forma que associado à experiência da minha mãe, quase 24 horas para me parir, a ponto de desejar a morte, a ideia de parto só me causava fobia e terror. 

Portanto, quando ouvi falar em epidural soube desde logo que não poderia ser de outra forma. Por acaso, até acabou por ser cesariana e correu  tudo bem, felizmente, mas eu sabia que de qualquer forma eu tinha de ir para o Privado se queria ser tratada com respeito e cuidado. E neste momento, de enorme fragilidade, todas as mulheres, todas as parturientes precisam de ser escutadas, amparadas, e respeitadas fosse lá onde fosse,  mas parece que ainda não é assim. 

Apareceu-me a partilha de uma enfermeira obstétrica com um desabafo dela, sobre situações que ainda acontecem nos hospitais, e que não deveriam, mas os comentários, os testemunhos das mulheres que pariram nos hospitais públicos são de arrepiar os cabelos! Eu não sabia que ainda havia disto, que profissionais de saúde ainda dizem: Para o fazer não gritou, pois não?! Não grite, pare de gritar! 

Mas o que é isto, meu Deus?! Que gente é esta? A veterinária dos meus animais trata-os com mais carinho e empatia do que estes... profissionais. Isto choca-me profundamente. 

Ando a ver uma série chamada "Call the midwife" baseada nas memórias de Jennifer Worth* , enfermeira-parteira, que trabalhou numa área pobre de Londres, durante os anos 50, e o que mais me toca é o respeito que aquelas enfermeiras, algumas freiras-parteiras, demonstram pelas parturientes.  O trato afável, firme mas sempre empático, que exercem sempre. Se fosse sempre assim, o medo das mulheres seria reduzido apenas à dor inerente do facto de ter um pequeno corpo a sair do nosso próprio, o que exige um esforço brutal.  Porém, abuso obstétrico continua a vigorar, para piorar o momento e traumatizar as mulheres. 

Aliás, aconselho imenso a série, é excelente. Faria, sobretudo, bem a essas profissionais de saúde aprender com quem escolheu a profissão por vocação e amor ao seu próximo. Aquilo não foi ficção, o que me parece inventado são as histórias surreais nos comentários partilhados no Instagram. Triste. 

Podem ver aqui. 

* Jenny

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Açorda Simples



Por vezes apetece-me uma comida mais rústica, de conforto,  e Açorda é a resposta, para além de ser algo fácil de confeccionar. Eu faço isto a olhómetro, portanto o resultado é variável, mas como depende do gosto de cada um é só adaptar com os ingredientes que parecem faltar, desta vez ficou um pouco seca e confesso que gosto mais quando fica mais molhadinha, mas ainda assim soube-me muito bem. 

Açorda
Ingredientes:
Pão de Rio Maior, de véspera
Azeite q.b.
4 Dentes de alho
1 folha de louro
Sal e pimenta q.b.
1 ovo

Como fazer:
Cortar o pão aos pedaços grandes, colocar numa saladeira e verter água a ferver até cobrir; deixar alguns minutos até ficar bem demolhado. Escorrer o pão, verter para o tacho e desfazer bem com a ajuda da colher de pau. 
Deitar um fio de azeite generoso, o louro, o alho picadinho, mexer bem, até ficar tudo desfeito; bater o ovo e misturar, voltar a mexer, e temperar com sal e pimenta a gosto. 

Eu servi com avos mexidos, e batata "frita" assada no forno com pele e ervas, porque a proteína não pode faltar, e ovos mexidos é a minha solução preferida. 


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jovens Que Adoram o Trabalho

É tão bom ver que há jovens que adoram as profissões que exercem! Encontraram o seu elemento, e depois têm a sorte de encontrar o local para o exercer, e ainda a sorte fundamental de entrarem num ambiente de trabalho saudável e descontraído, onde a equipa funciona como um todo.  Tudo isto é possível! 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Inveja

 Estes dias ouvi num podcast o entrevistado responder que nunca tinha tido inveja de outras pessoas conhecidas, na área dele, porque nunca tinha visto neles nada que ele gostasse de ter. E fiquei a pensar se era isso que motivava a inveja; penso que não, há outras molas que espoletam a inveja, uma delas, por exemplo, é ter já o que o outro possui, mas querer ter mais, ou seja, estar à frente do outro, acima do outro. 

Houve uma época em que eu afirmava, convictamente,  que se havia defeito que eu não tinha era a inveja, efectivamente eu não invejava o carro topo de gama, a mansão com  piscina, a fama, ou o que quer que seja que normalmente as pessoas invejam. Porém, um dia  descobri que os meus alvos eram o intangível, qualidades que via noutros e sabia não possuir. Confesso que fiquei bastante chocada, foi um baque... mas também uma revelação sobre mim mesma, e eu estou aqui para saber a verdade, sem contemplações. Portanto, comecei a ficar mais atenta a mim mesma. A observar-me. E a desmontar as minhas emoções. 

Eu penso que a inveja é inerentemente humana, e que não devemos sentir culpa por isso. Desde que vista, constatada e processada, para que seja neutralizada. A inveja que arranca para pensamentos negativos, para desejos de boicote do outro, é que deve ser condenável, e por isso "tratada".  Ninguém é feliz apenas por possuir bens materiais, ou por ser célebre, aliás sabemos frequentemente de pessoas que possuem tudo isso, e não o são. Acaba por ser um desgaste de energia inócuo, sentir inveja dessas coisas. 

Um dia, todos sairemos daqui sem  os carros, as casas, as joias, os livros, as colecções, só levamos connosco aquilo que somos, que fomos e construímos. A inefável leveza do ser.  E o nosso foco deve ser esse.