quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Família Unida

Ao ouvir um comentário de alguém, que qualificou determinada família como unida, porque todos os fins-de-semana almoçam ou jantam juntos, fiquei a pensar no conceito. 

Só porque uma família tem esse compromisso de fazer uma refeição semanal em conjunto, em casa de uns ou outros, não significa automaticamente que seja unida.

Uma família unida é aquela que em momentos de crise, de grandes dificuldades, sejam problemas de saúde, de falecimentos, financeiros, de separações e divórcios, e por aí fora, está lá para quem precisa. E a vida põe-nos muitas provas no decurso da mesma, testes em que mostramos a nossa verdadeira cara. Porque em tempos de festa, alegria, de abundância, não falta companhia! É porém, nesses momentos em que precisamos que nos atirem uma boia, para nos mantermos à superfície, não descurando questões menores, como por exemplo, dar assistência às crianças, sobrinhos, netos, primos, num momento em que não têm com quem ficar, vê-se com quem podemos contar. E na família unida podemos contar com quem dela faz parte. As pessoas são honestas sobre aquilo que são, e no que estão dispostas a dar. E não precisam de se encontrar semanalmente ou com dia marcado. 

É também por isto que o Natal que se passa com família que não está presente, só porque partilhamos laços de família, me parece uma desonestidade. Cumpre-se a tradição só porque é isso que se espera que se faça. Isto não é, obviamente, uma família unida. Talvez as pessoas se orientem por essas "bandeiras" e nisso encontrem conforto, porém eu prefiro a verdade crua. 

Eu, não sou o tipo de pessoa que precisa de estar com a família alargada todas as semanas, tenho outros encontros, outros compromissos, outros passatempos, outros interesses que também me proporcionam satisfação e alegria, e dos quais não quero prescindir. Ainda assim, quando solicitada estou lá para quem quer que precise de mim, porque sou, de facto, uma pessoa de família. Mas não tenho ilusões, nem vejo a realidade sob uma luz dourada.  

Agora que muitos substituem o Natal como a Festa da Família, que também o é, contudo não principalmente, celebramos o amor de forma mais intensa, pena é que não se estenda para todos os dias do ano, de forma genuína, de coração. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Quando o Telefone era Fixo e Limitado

Esta nova geração está tão habituada a ter disponível um meio de comunicação ilimitado que nem conseguem imaginar como era não o ter. Desconfio que a grande maioria até desconhece que houve um tempo em que não era nada assim; que o único aparelho telefónico era comum a toda a família, que estava em casa, preso por um fio, e as comunicações feitas por ele eram apenas verbais e cada uma delas era paga, ao minuto, com tarifas crescentes, do local ao nacional, sendo as internacionais caríssimas, e por isso raramente se faziam; aliás, frequentemente, combinavam-se antecipadamente as horas e dias para esses telefonemas, pois a partir das 21h, ou aos fins-de-semana, as chamadas eram mais económicas.  

Portanto, as conversas tendiam a ser sintéticas e assertivas, eram para dar recados, para saber como a família e amigos se encontravam, dar os Parabéns, desejar Boas Festas, ou as melhoras. Não havia conversa de "chacha". E isso, parecendo que não, tem importância, tem e muita; o nosso cérebro focava-se no essencial, no que dizia e no que ouvia. 

A partilha de um só aparelho também tinha o seu quê de especial; as pessoas acorriam ao telefone para o atender, esperando que fosse para elas. Por vezes, quando a conversa interessava a toda a família, todos se encostavam ao auscultador o mais que podiam para ouvir em primeira voz as novidades, o nascimento de um bebé, o anúncio de um casamento, ou notícias mais tristes, como acontece na vida. 

Não sou saudosista, acho o telemóvel muito prático, mas também o vejo como um aparelho demasiado intrusivo, espera-se que esteja sempre connosco e que atendamos todas as chamadas, e que nos gasta demasiado tempo, por oferecer diversas funcionalidades, internet incluída. 

Como não gosto de falar ao telefone, tendo a encurtar todas as conversas, continua a ser, para mim, um meio de dar um recado. A única excepção que faço é para a minha amiga que vive na Alemanha, por razões óbvias. As pessoas reclamam que "nunca" atendo o telemóvel, o que não sendo verdade, lhes dá essa sensação por todas as pessoas atenderem mais do que eu. Simplesmente, deixo o telemóvel pousado algures, ele toca e acontece de não o ouvir, devido à casa ser grande, ou aos barulhos da casa abafarem o som. Não me preocupa nada, quando vejo o telefonema não atendido retribuo. Porém, quando o telefone era fixo estas queixas não existiam, as pessoas voltavam a ligar e em algum momento, alguém atenderia. Dessa postura sim, confesso que tenho saudades.  



segunda-feira, 24 de novembro de 2025

"A Prova de Que a Mente Cria"

Um laboratório, em Israel, fez uma experiencia super interessante; colheram uma amostra de sangue a pessoas que estavam doentes, e observaram ao microscópio a bactéria movimentando-se naquele sangue, e depois mostraram aos participantes um filme cómico, eles riram, passaram um bom bocado, e voltaram a retirar uma amostra de sangue que voltaram a analisar, e observaram que a bactéria estava a ser devorada pelos micrófagos*, que a matou totalmente. 

Depois fizeram ainda outra experiencia; colheram amostras de sangue a outro grupo de doentes, puseram-nos a ver um filme de horror, e no final voltaram a colher a amostra de sangue, e viram que as bactérias tinham sido reenergizadas e estavam a atacar os micrófagos, que tiveram que se afastar da bactéria porque estavam a ser destruídos. 

Isto prova como o ambiente a que estamos expostos nos afecta. E muito! 

Nesse sentido, e para começar a semana com uma tónica positiva, convido-vos a visitar a página do Zonnocacudishow, irão dar, certamente, umas boas risadas com as caricaturas que ele faz da Moda actual. 

( Diferentes dos macrófagos, mas semelhantes a estes, os micrófagos são um tipo de glóbulo branco fagocítico que circula pelo organismo em busca de substâncias desnecessárias ou nocivas para destruir. in Superfoodscience.com

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A Agenda do Medo - As galinhas espirram?!

Cá em casa a televisão está ligada somente ao domingo, porque a minha mãe vem almoçar e gosta de assistir aos programas que eu lhe seleciono, de canais que não tem em casa, sobre animais, concertos de música clássica, do mundo rural, como Uma Quinta e mil ovelhas que variam daqueles que ela vê durante a semana; porém, o mal da semana já está feito, vem sempre com aquele relambório dos assuntos mais terríficos do momento, que em nada acrescentam à nossa realidade.

Desta vez foi a gripe das aves; alerta-me para eu não comprar frango do aviário! Ora eu já não compro desses há imensos anos, já nem me recordo há quantos, foi quando me apercebi de como são criados, das hormonas de crescimento acelerado, e medicamentos para resistirem às doenças que lhes injectam, a alimentação transgénica, condições miseráveis em que vivem, todo um conjunto que resulta num "produto" nada ético e muito menos saudável. Já preferia comprar directamente ao criador, como faço em quase tudo. De qualquer forma cá em casa só há um elemento que come carne, então a compra é diminuta. 

Mas enfim, o tema é outro, e vai afectar a grande maioria das pessoas. Eu gostaria que houvessem mudanças alimentares, que priorizassem a ética e saúde, porém que fosse uma escolha pessoal e consciente, não baseada no medo. E para mim, esta é outra falácia, e quem vai cair nela mais depressa serão os citadinos, no mundo rural quem cria galinhas e as conhece sabe discernir se são saudáveis ou então doentes, as aves não adoecem por decreto nem por contágio jornalístico. 

Se têm mesmo que ver televisão, vejam programas divertidos, vejam programas da natureza, do mundo rural e natural! Tudo o resto é lixo e formatação, que só causam preocupação e temor. 


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

" As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia."

Li no Estoico Paterno, aqui, e faz todo o sentido para mim; conversar, verbalizar sentimentos, desabafar, é um processo necessário para a nossa saúde. Está provado que varrer para debaixo do tapete não resulta, mais cedo ou mais tarde o amontoado vai começar a sair, e nos momentos mais inconvenientes e inesperados. Parece-me que esta minha percepção será consensual. 

Em 2018, antropólogos viveram seis meses com a tribo Kaluli, da Papua-Nova Guiné — uma das únicas culturas conhecidas sem depressão ou ansiedade crônica.

E o que mais surpreendeu não foi dieta, genética ou religião.

Foi o que eles faziam toda noite, antes de dormir.

As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia.

Medos, raiva, vergonha, tristeza.

Ninguém interrompia.

Ninguém dizia “vai ficar tudo bem.”

Os adultos apenas ouviam… até a respiração da criança desacelerar.

A tribo chama isso de limpeza noturna.
Queimar o medo antes do sono pra mente zerar.
Psicólogos modernos comprovaram: falar do que sente antes de dormir reduz o cortisol noturno em até 40%.
O corpo dorme quando a mente para de fugir.

Mas nós fomos ensinados ao contrário.
“Não pensa em coisa ruim.”
“Vai dormir e esquece.”
E é por isso que você dorme cansado e acorda pior.
O corpo tenta descansar, mas a mente ainda tá lutando.

Você não precisa de fogueira nem de ritual tribal.
Precisa de coragem pra encarar o que sente.
Fale em voz alta o que te incomoda — mesmo que o quarto esteja vazio.
Respire até o corpo entender que acabou.

A mente só pára de te punir quando você para de mentir pra si mesmo.
É nesse ponto que o peso vai embora, o sono melhora, e a força volta."

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Os Dentes E Os Outros Órgãos


Acho fascinante a máquina perfeita que o nosso corpo é! E acredito, realmente, que todos os órgãos têm uma função e estão ligados entre si. Por isso mesmo, aquela história de que se pode remover aquele órgão, que não está ali a fazer "nada", como o apêndice ou as amígdalas, sempre me causou suspeitas. Todos são necessários, e quando removidos provocam, no mínimo, algum desequilíbrio. Portanto, quando encontrei a Dra. Yola Figueiredo, médica dentista integrativa, no Instagram, tudo o que ela dizia fazia sentido para mim. Este tipo de informação pode suscitar dúvidas para quem ainda vê o corpo e a saúde compartimentados, e porque  maioria dos profissionais de saúde não divulgam nada disto, porém, assim que nós ouvimos e lemos sobre este tema as coisas começam a fazer sentido. E é nosso dever procurar o conhecimento, para sermos consumidores responsáveis. Sim, também na saúde somos tratados como consumidores, embora nos chamem pacientes! 

Enfim, deixo as imagens que a Dra, Yola me enviou, para consulta e reflexão. Os dentes desempenham um papel de suma importância, e sabe-se, agora, que a saúde deles é fundamental para o nosso cérebro e longevidade. 



Como não se poderá achar tudo isto maravilhoso e misterioso?! Isto é obra divina, que não tenha o homem a arrogância de pensar que isto e aquilo são descartáveis, ou simples enfeites, apenas por sua ignorância. E que cada um honre o seu pequeno universo, conhecendo-o e cuidando-o com a atenção que ele merece.