terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Momento de Ternura

Enquanto observava um grupo de clientes, à hora de almoço, que durou das 13 até às 16h, a maioria deles de idade avançada, tive um momento de lucidez e senti uma enorme ternura por todos eles. 

Cultos e poliglotas, com vidas de sucesso e provas dadas, bem vestidos e bem arranjados, agora aguardando a fase final, e ainda assim fazendo acontecer, não com as mãos mas com a carteira, impactando a vida dos mais necessitados. Enquanto isso, desfrutavam de um opiparo almoço, e com todo o direito. E do convívio que isso lhes proporciona. 

É uma fase da vida que, frequentemente, me emociona, não é fácil vivê-la e contudo é também um privilégio. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Um Só - Reino Humano, Vegetal e Animal

 Há pessoas que adoram a natureza mas não gostam de animais; há pessoas que adoram animais mas não gostam de pessoas; há pessoas que gostam de pessoas mas não gostam da natureza, nem de animais. São pessoas que ainda não compreenderam que vivemos num todo, que somos parte do todo, e que por isso somos todos responsáveis uns pelos outros, responsáveis pelos humanos, pela Natureza e pelos Animais. 

Percepcionar este conceito e interiorizá-lo faz parte da expansão da consciência.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Última Leitura - Making Time

 

Via Blackwells

Este é o segundo volume do "Cazalet chronicles", e como o anterior,  The Light Years, adorei! 

Decorre a II Guerra Mundial  e três gerações de Cazalet saíram de Londres, alvo constante dos bombardeios alemães, refugiando-se na sua casa de campo, e fazendo dela seu domicílio permanente. Os homens da família ficam em Londres durante a semana, para trabalhar na empresa de madeiras, fundada pelo pai, que pela idade e perda de visão se vê, contrariadamente, obrigado a desistir de a gerir.  

Duchy continua a gerir a casa eficientemente, mesmo perante desafios inéditos, como arranjar espaço para as pessoas que continuam a chegar, amigos e familiares, mas também contribuindo para o esforço de guerra, ao abdicar de uma das casas para alojar soldados feridos. Debate-se com a falta de pessoal doméstico e de alimentos, o racionamento exige criatividade, e com os dramas familiares resultantes da guerra, mantendo-se estoicamente o esteio da família. 

Clary e Polly fortalecem a amizade, assumindo-se como melhores amigas, pese embora os segredos que cada uma guarda, por medo de os concretizarem ao vocalizá-los. Os mais novos continuam a aprender com Miss Milliment, a preceptora ideal, altamente competente mas também com uma faceta humana extraordinária, delicada e sensível, pragmática quanto baste, sempre com a palavra certa no momento oportuno, uma referência sólida na educação das gerações que passam por ela. 

As meninas mais velhas saíram do ninho, e apesar da guerra tentam concretizar as suas ambições pessoais, amorosas e profissionais, de forma audaz e perseverante. 

Villy e Sybil vivem dias desafiante de ordem amorosa e de saúde, respectivamente, e o mais dramático é sentirem a dúvida e medo na total solitude, entre tantas pessoas.  

De salientar, os desafios da parentalidade em diversos formatos, também actuais, como por exemplo, quando Peter Rose acusa a filha de não ter aproveitado aprender italiano com ele, e Stella retorquir-lhe que cada lição terminava com as lágrimas dela.  Adiante Louise, diz a Stella que todos os pais são difíceis a partir do momento em que os filhos demonstram vontade própria. 

Christopher é uma personagem com a qual simpatizo particularmente, pela sensibilidade, e por ser assumidamente pacifista, sobretudo numa altura em que era visto como cobardia; a propósito, Polly e Clary debatem a utilidade de ser um objetor de consciência, com Polly a rematar, brilhantemente, que todas as reformas são feitas por uma pequena minoria de quem toda a gente se ri, ou  por mártires. 

Ainda sobre a Guerra, numa casa que adora música clássica, a certa altura alguém lembra que os compositores alemães tinham sido boicotados na guerra anterior, e como isso era ridículo, o que me recordou o início da guerra Ucrânia-Rússia, em que os artistas russos foram despedidos e boicotados na Europa e América; continua tudo igual. 

Através dos Cazalet, Elizabeth Jane Howard continua a dissecar as dores de crescimento de cada personagem, relacionamentos, descoberta de si mesmo, busca do seu lugar no mundo, enfim, todos os problemas que contemplam viver são aflorados e debatidos, sendo agravadas agora por uma guerra que limita e restringe, ao ponto de algumas das personagens sentirem que estão num frustrante compasso de espera. 

Não consigo escolher uma personagem favorita,  cada um possui preciosas características próprias, fragilidades e forças intrinsecamente humanas que me tocam,  todas têm um fundo bondoso, e com todas empatizo,  excepção para Edward, o incógnito vilão desta narrativa. 

Infelizmente, Making Time não está traduzido, o que é profundamente lamentável, por ser um livro brilhante e de leitura viciante. 

Título: Making Time

Autora: Elizabeth Jane Howard

Editora: Pan Books

Nr de Págs: 591

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O Monte de S.Michel - Normandia e Bretanha

Uma visão mágica

O Monte de S.Michel estava na minha lista de sítios a visitar há algum tempo, e a propósito do aniversário do meu cunhado, que também sonhava conhecer, surgiu o momento. Três dias e meio que lamentamos, no final, não termos optado por quatro, para visitar Dinard e Dinand. 

Como chegamos a Nantes muito cedo, eram 8.30, fomos de imediato tomar o pequeno almoço ao Arno, cujos croissants premiados são conhecidos como os melhores da cidade, e não nos defraudou. Apenas uma nota negativa para o facto de não terem "bebida vegetal" , não oferecer pão à fatia (o pão é excelente, compramos para levar), e possuir somente duas mesas, gostaríamos de ter tido um pequeno-almoço verdadeiro, porém deu para me saciar a vontade do croissant francês, que adoro, e cá não encontro de igual qualidade, já nem para mencionar o preço, em Nantes 1,60€ por um croissant premiado, aqui 2.60€ por um que fica demasiado tempo no forno! Também experimentamos a especialidade de Nantes o "Nantais", com sabor a amêndoa, delicioso, e outros, a pastelaria francesa é divinal. 

Ficamos alojados em Nantes, para conhecermos a cidade, de que gostamos, a catedral, as igrejas, o palácio ducal, e o Museu de Belas Artes de que desfrutei bastante. 

De Nantes alugamos um carro e passamos o dia em S.Michel. O estacionamento é pago e daí temos direito a um pequeno autocarro para a "ilha", porém a fila era tão longa que nem hesitamos em continuar a caminhar, cerca de 25 minutos, mas que se revelou a melhor escolha pela visão que surgia no horizonte, o monte se S.Michel ia ganhando forma, como se tivesse surgido por magia, entre o mar e a terra. A cada passo parávamos para fotografar, só nos frustravam as fotos em que nos incluíamos, o vento era forte e os nossos cabelos voavam descontrolados. Excepto o meu cunhado, o único que ficava bem, agora adivinhem porquê. 

Não esperávamos que nesta época do ano o local fosse tão concorrido, nem quero imaginar como será na época alta, creio que as autoridades devem fazer o controle de entrada e saída de turistas, caso contrário seria o caos total. Mas explica-se por ser o terceiro local mais visitado na França. Os restaurantes estavam apinhados, e os poucos onde poderíamos entrar para comer algo que transportássemos não me inspiravam confiança. Valeram-nos as bolachas típicas amanteigadas, que enganaram a barriga até ao lanche. Ter levado umas sandes e fruta teria sido uma óptima escolha. 

Tranquilamente passeamos pela basílica, dado que aí se paga entrada, o que já reduz a quantidade de pessoas, mas que eu penso ser de visita obrigatória. Ir ao Monte de S.Michel e não entrar na basílica, quer dizer...

A história de S.Michel remonta ao ano 708 quando o bispo de Avranches constrói aí um santuário em honra do arcanjo, após ter sonhado com ele.  Rapidamente, torna-se um local de peregrinação e no séc. X os monges beneditinos aí se instalam. Por baixo vai surgindo uma aldeia, e a ilha torna-se habitada. 

Actualmente tem um passadiço que permite a passagem independentemente das marés, prático mas por outro lado deixou de possuir aquele carisma da inacessibilidade de ilha. Porém, há datas em que até essa passagem é coberta pelo mar, esses dias estão na net e querendo ter essa visão de outrora é só pesquisar. 


Também visitamos Rennes, cidade que se localiza na Bretanha; um amigo francês da Letícia que vive em Paris foi ter connosco, e o contributo dele para o almoço foi fundamental; levou-nos a um restaurante maravilhoso, um edifício típico do séc.XVI e XVII, chamado La creperie Rennaise, onde comemos "galettes", que são crepes salgados ( para eles crepes só são doces, os salgados são galettes), e aquilo que parecia são ligeiro, uma galette de queijo e tomate revelou-se plenamente saciante, e delicioso. Acompanhamos com sidra, produto local, bebida em tigelinhas, como tipicamente se faz. 


Deambulamos pela cidade, visitamos igrejas, e o museu de Belas Artes, que achei decepcionante, tem quantidade mas sem qualidade ( nem por ter Picassos), mas que sendo grátis não perdi nada. 

Foi uma viagem curta mas proveitosa, e descobri agora outro dos meus sítios preferidos na Europa, adorei o Monte de S.Michel, é realmente mágico! 
 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

6 Séries Que Recomendo

 Nunca fui de fazer maratonas de séries, mas aquele "mês de baixa" mudou um pouco esta situação, comecei por essa altura e confesso que tenho continuado no mesmo registo. Tem as suas vantagens, não tenho que ficar pausada no suspense, e desvantagens, ter os episódios disponíveis leva a querer sempre mais, "só mais um"! 

1. Lark Rise to Candleford - A jovem protagonista chama-se Laura Timmins, a quem é proposto um lugar nos Correios de Candleford, por uma prima da mãe, a proprietária do Posto que tem uma posição substancialmente mais confortável do que os Timmins; todos reconhecem que a oportunidade é imperdível e Laura aceita, ainda que a contragosto, pois terá de se alojar em casa da parente. A partir daqui Laura começa a registar num Diário o que acontece na sua nova localidade, sendo a narradora no início de cada episódio.  A variedade de personagens é grande e muito interessante, cada um com as suas particularidades, e é difícil conseguir escolher um preferido, portanto a minha escolha recaí na Quennie, sobretudo pelas abelhas. É uma série muito cândida, acho que já não se faz disto, e excelente. 

2. Poldark - Trata-se de uma saga familiar, e a personagem principal é Ross Poldark, que chega da colónia americana, para onde tinha ido há anos como soldado, quando toda a família já o tinha como morto, inclusive a sua "noiva",  Elizabeth. O pai, entretanto falecido, a mina familiar fechada, e a propriedade familiar em ruínas, mal mantida por serviçais sem Senhor, é o quadro desolador que recebe Ross. Ninguém dá nada por ele, a reputação que deixara para trás não o recomenda, e até o exemplo paterno o estigmatiza. Porém, Ross vai crescer e superar-se ao longo das 5 temporadas, dando mostras de coragem, engenho e altruísmo, embora, quanto a mim, nunca alcançando o estatuto de cavalheiro perfeito, e admito não ter conseguido nutrir por ele grande simpatia. As personagens são imensas e cada uma trazendo questões importantes, políticas, históricas, sociais e humanas. A minha favorita é Elizabeth, uma senhora equilibrada, mãe-amorosa, lúcida e corajosa. A série é viciante, fica o aviso. 

3. The OA - Uma jovem cega desaparece sem deixar rasto e quando surge, 7 anos mais tarde, tem a visão recuperada, e símbolos estranhos gravados na pele das costas;  recusa colaborar com a Polícia, e esquiva-se a comunicar com a família que a recupera do Hospital. Em casa comporta-se de forma  estranha, procurando obcecadamente acesso à Internet para contactar com alguém do seu recente passado. Por fim, consegue reunir um pequeno grupo heterogéneo de insatisfeitos com a vida que a irão ajudar a voltar a outro tempo e lugar.  Está deslocada neste lote, ando mais interessada em filmes de época, porém foi-me indicada por um amigo a quem dou crédito; é ficção, e aborda as viagens interdimensionais, para quem gosta do género cada episódio compele ao próximo. 

4. Our Zoo -  É baseado numa história verídica. George Mottershead vive com a sua mulher e duas filhas em casa dos país, trabalhando também no negócio famíliar, uma mercearia de bairro, em Londres; vítima de traumas de guerra, George encontra nos animais que resgata uma espécie de terapia que o vai salvar, ao arrastar a família para uma aventura nunca vista,  comprando uma velha casa-palacete nos arredores da capital, onde pretende fundar um Zoo sem grades. A ideia é tão revolucionária, ele tão inexperiente e de parcos recursos que os obstáculos evidentemente surgem e se acumulam de forma a desanimar o mais forte dos homens. Mas não este. A história é contada pela filha mais nova, June, que sente pelos animais um amor tão grande quanto o próprio pai. 

5. The Gilded Age - Passa-se em 1882 em Nova york, para onde Marian Brook vai viver após morte do pai, em casa  das tias, que frequentam a alta-sociedade. Nada acostumada à rígida etiqueta da cidade, Marian tem uma postura mais aberta e reivindicativa relativamente à forma como as coisas se fazem, e por isso não se coíbe de se dar com os novos-ricos e negros, seguindo por regra o seu coração, embora as tias a aconselhem e repreendam repetidamente. Como diz a Tia Agnés, Nova York pode ser uma grande cidade mais é constituída por aldeias, e quem vive em cada uma delas não se mistura com os das outras, isto é,  as velhas famílias não convivem com as do dinheiro-novo. Porém, do outro lado da rua vivem agora os abastadíssimos Russells,  num magnífico palacete de que todos falam mas aonde ninguém entra, por decoro da etiqueta. Enquanto  o ambicioso George Russell se afadiga a aumentar a fortuna, na liga superior dos negócios e Finanças, Bertha Russell dedica-se com igual ambição a desbravar o caminho da hermética sociedade nova-yorquina, para a si e sua família. Os temas são diversos, família, divórcio, racismo, preconceito, educação, independência feminina, homossexualidade, ética de negócios, luta da classe trabalhadora, relacionamentos humanos em todas as suas formas, e bastante pedagógicos; a snobeira dos descendentes do Mayflower se que portam como aristocratas absolutistas, o preconceito entre negros, devido ao tom de pele, e também por terem ou não nascidos escravos; o fenómeno dos casamentos entre aristocratas ingleses com herdeiras americanas, para conseguirem manter o património, a necessidade da mulher casar, pois não lhe restava outra saída. Outra série viciante, com um  belíssimo guarda-roupa, lindos cenários e banda sonora cativante, não lhe atribuo qualquer defeito. 

6. The Other Bennet Sister - É baseado no livro de Janice Hadlow, como uma continuação de Orgulho e Preconceito de Jane Austen, que inicialmente comecei a ver sem grandes expectativas, é só lembrar das adaptações actuais dos livros a filmes para prever que o desastre é certo! Quão errada estava. Ela soube pegar na escrita de Jane Austen e dar-lhe continuidade de forma respeitosa, como se canalizasse a própria autora. Trabalho absolutamente impecável!  

A outra irmã é Mary, ( ela existe, só que passa mesmo inapercebida!) a mais apagada de todas as meninas Bennet, sim, ainda mais do que Lizzie, e ainda menos bonita, sempre com o nariz enfiado nos livros de "factos", muito pragmática, e porém muito desastrada, a ponto da mãe, aquela senhora frívola e tola, a tratar com um desdém superlativo, como se um caso perdido fosse. Porém, Mary, após a morte do pai, e sendo a única filha solteira vai para Londres, a convite dos tios, para exercer como governanta dos filhos, por período determinado e aí descobre todo um mundo de possibilidades. Os momentos de humor são hilariantes, mas as minhas cenas preferidas são quando Mary e Mister Hayward imitam o canto de algumas aves, na floresta, e a cena dos alongamentos no jardim, com a suprema Miss Bingley a tentar imitar os outros três, tão, mas tão magistral! 

Isto é mesmo do melhor que há, e aconselho vivamente; a lista está feita por ordem de visualização, não por qualidade ou preferência, que aliás se assim fosse diria que são a 5 e 6, que irei, muito provavelmente, repetir. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Os Terapeutas Para Ter em Casa

SPA - Adopte!

Recentemente uma amiga começou a sentir-se muito estranha, tinha na boca uma sensação bizarra, como tivesse um arame no interior que a impedia de abrir a boca normalmente, e lhe causava dor;  e em simultâneo a sua gata começou a apresentar sintomas de doença,  dirigia-se ao prato mas não comia, enquanto miava a queixar-se de alguma coisa. A minha amiga, que é enfermeira, que tinha começado a tratar a gata relacionou a doença como se tivesse passado do animal para ela, porém, há uma teoria, partilhada por muitos terapeutas, nomeadamente pelo japonês Rikuto Higa, que afirma precisamente o contrário. 

Segundo eles, os gatos são verdadeiros terapeutas, que captam as energias dos seus donos e as "trabalham" de forma a ajudar na cura destes. Por isso, frequentemente, gostam de se sentar no sítio habitual do dono, como aquela parte do sofá ou a cama, e segundo a tradição japonesa os gatos estão a procurar o epicentro da energia do dono, fundindo a energia deles com a dos donos. E quando a energia dos donos está muito pesada, devido a stress ou ansiedade, estes mestres de cura  absorvem-na sem queixas mas por vezes fica tão difícil para eles que adoecem.  Nesse caso, para além de os tratarmos convenientemente, proporcionar-lhes o que eles nos proporcionam a nós com o ronronar curador, parece-me mais do que justo - 528HZ

Eu sei que tudo isto pode parecer ainda bastante bizarro para a maioria das pessoas, mas a Ciência tem feito estudos sobre o assunto, e as conclusões sobre as propriedades terapêuticas dos gatos comprovam-se. Se este conhecimento fosse generalizado, certamente, que não existiriam gatos de rua, e todas as casas teriam pelo menos um ( eu agora penso que devem estar aos pares, por uma questão de companhia da própria família, e para dividirem tarefas), afinal não é um favor que lhes estamos a fazer a eles, é um privilégio nosso ter a assistência deles. 

Mais, e muito interessante, no artigo de Nicole Mariani, investigadora no King's College London, em Stress, Psiquiatria e Imunologia.