segunda-feira, 18 de maio de 2026

Como Gerar Uma Renda

Há uns anos alguém me enviou um email, através do blogue, a desabafar sobre a dificuldade de ser mãe a tempo inteiro e não conseguir ganhar dinheiro, na época eu dei algumas dicas, porém a resposta dela só me apresentou dificuldades, não sei se era de facto impossível ou se era daquele tipo de pessoas que se foca somente nos problemas, e não na solução.

Porém, o exemplo daquela senhora permaneceu comigo, e este artigo ainda vem nesse seguimento. A plataforma Vinted apresenta-se como outra solução, sem investimentos, sem comissões, sem nada a perder. E ainda destralhamos a casa!
 
Foi assim que comecei, há cerca de 2 anos, tinha um saco de roupa para doar, na garagem já há algum tempo, sem saber aonde me dirigir para o efeito, quando me lembrei de antes tentar vender na Vinted, e consegui vender grande parte. Passou a ser o meu método, antes de doar passa pela Vinted uns meses. Entretanto, já gerei cerca de 1400€, o que não sendo o correspondente a um vencimento é uma quantia considerável.

Embora não sendo nenhum génio de vendas, há algumas coisas que já aprendi e passo a partilhar, para vendas bem sucedidas: 

 1. Lavar e passar as roupas, antes de fotografar.
2. Escolher uma cruzeta com bom aspecto; eu uso sempre de madeira. 
3. Escolher um fundo neutro; eu escolho a porta, deixando quase sempre a roupa pendurada, ( nunca vestir, os corpos são diferentes e podem dar impressão errada). 
4. Escolher uma boa luz natural, de dia e luz que vem detrás. 
5. Fotografar a peça de vários ângulos, incluindo sempre a etiqueta.
6. Referir porque vendo a peça, dá credibilidade.
7. Mencionar o ambiente da casa, "não fumadores", por exemplo, dá a impressão de casa limpa.
8. Referir, quando possível, aonde foi feita a peça, noto que a preocupação com a origem tem vindo a crescer, e sendo "Made in Portugal" ou noutro país europeu é uma mais-valia. 
9. Escolher o valor não pelo que a plataforma sugere mas pelo preço dos outros vendedores; eu opto por um valor ligeiramente mais baixo, para ganhar vantagem. 
10. Aumentar sempre 5€ para dar manobra a propostas de preço.
11. Rejeitar propostas muito abaixo, porém fazer sempre uma contra-proposta. 
12. Ser rápido na resposta a propostas, aumenta a possibilidade do comprador ainda estar na plataforma, e de dar seguimento à compra. 
 13. Fazer proposta de venda a todos os que dão "like" ao anúncio, oferecendo menos os tais 5€. 
 14. Colocar à venda os artigos de roupa da estação, agora apenas roupa de primavera/verão, as pessoas da Vinted não compram, por regra, para as estações adiante, é para vestir já! 
15. Fazer os embrulhos a custo 0 e cuidados; uso sempre sacos e envelopes que guardo de encomendas recebidas e junto uma nota de agradecimento.
 16. Enviar rapidamente, o comprador agradece no feedback e isso reflecte-se na imagem do vendedor. 

 E boa sorte🍀!

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Arte Para Todos!

Este fim-de-semana , no Porto, há 40 museus grátis para visitar, em celebração do dia do museu; apesar da maioria das pessoas conhecer os principais há, certamente, nesse lote alguns que desconhecemos. Tenciono aproveitar a oferta. 

Para mim, a cultura é uma das coisas mais preciosas que a Humanidade é capaz de produzir ( excepto a contemporânea, se eu sou capaz de reproduzir não presta!), mas só quando nos enleva e eleva cumpre o seu papel. 

Poderá não ser um gosto inato porém é um gosto que se ensina e cultiva, e por isso mesmo é importante que os mais velhos encaminhem os mais novos para o desfrute da Arte, expondo -os à mesma, conversando com eles sobre o representado, explicando -lhes o que eles ainda não sabem, sobre História, mitologia, religião,  natureza e tudo mais; não é obrigatório possuir uma grande cultura, actualmente munidos de um telemóvel a pesquisa sobre os temas pode ser feita na presença das obras de arte, passa a ser uma descoberta conjunta. O importante é ir, com disponibilidade e vontade! 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Momento de Ternura

Enquanto observava um grupo de clientes, à hora de almoço, que durou das 13 até às 16h, a maioria deles de idade avançada, tive um momento de lucidez e senti uma enorme ternura por todos eles. 

Cultos e poliglotas, com vidas de sucesso e provas dadas, bem vestidos e bem arranjados, agora aguardando a fase final, e ainda assim fazendo acontecer, não com as mãos mas com a carteira, impactando a vida dos mais necessitados. Enquanto isso, desfrutavam de um opiparo almoço, e com todo o direito. E do convívio que isso lhes proporciona. 

É uma fase da vida que, frequentemente, me emociona, não é fácil vivê-la e contudo é também um privilégio. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Um Só - Reino Humano, Vegetal e Animal

 Há pessoas que adoram a natureza mas não gostam de animais; há pessoas que adoram animais mas não gostam de pessoas; há pessoas que gostam de pessoas mas não gostam da natureza, nem de animais. São pessoas que ainda não compreenderam que vivemos num todo, que somos parte do todo, e que por isso somos todos responsáveis uns pelos outros, responsáveis pelos humanos, pela Natureza e pelos Animais. 

Percepcionar este conceito e interiorizá-lo faz parte da expansão da consciência.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Última Leitura - Marking Time

 

Via Blackwells

Este é o segundo volume do "Cazalet chronicles", e como o anterior,  The Light Years, adorei! 

Decorre a II Guerra Mundial  e três gerações de Cazalet saíram de Londres, alvo constante dos bombardeios alemães, refugiando-se na sua casa de campo, e fazendo dela seu domicílio permanente. Os homens da família ficam em Londres durante a semana, para trabalhar na empresa de madeiras, fundada pelo pai, que pela idade e perda de visão se vê, contrariadamente, obrigado a desistir de a gerir.  

Duchy continua a gerir a casa eficientemente, mesmo perante desafios inéditos, como arranjar espaço para as pessoas que continuam a chegar, amigos e familiares, mas também contribuindo para o esforço de guerra, ao abdicar de uma das casas para alojar soldados feridos. Debate-se com a falta de pessoal doméstico e de alimentos, o racionamento exige criatividade, e com os dramas familiares resultantes da guerra, mantendo-se estoicamente o esteio da família. 

Clary e Polly fortalecem a amizade, assumindo-se como melhores amigas, pese embora os segredos que cada uma guarda, por medo de os concretizarem ao vocalizá-los. Os mais novos continuam a aprender com Miss Milliment, a preceptora ideal, altamente competente mas também com uma faceta humana extraordinária, delicada e sensível, pragmática quanto baste, sempre com a palavra certa no momento oportuno, uma referência sólida na educação das gerações que passam por ela. 

As meninas mais velhas saíram do ninho, e apesar da guerra tentam concretizar as suas ambições pessoais, amorosas e profissionais, de forma audaz e perseverante. 

Villy e Sybil vivem dias desafiante de ordem amorosa e de saúde, respectivamente, e o mais dramático é sentirem a dúvida e medo na total solitude, entre tantas pessoas.  

De salientar, os desafios da parentalidade em diversos formatos, também actuais, como por exemplo, quando Peter Rose acusa a filha de não ter aproveitado aprender italiano com ele, e Stella retorquir-lhe que cada lição terminava com as lágrimas dela.  Adiante Louise, diz a Stella que todos os pais são difíceis a partir do momento em que os filhos demonstram vontade própria. 

Christopher é uma personagem com a qual simpatizo particularmente, pela sensibilidade, e por ser assumidamente pacifista, sobretudo numa altura em que era visto como cobardia; a propósito, Polly e Clary debatem a utilidade de ser um objetor de consciência, com Polly a rematar, brilhantemente, que todas as reformas são feitas por uma pequena minoria de quem toda a gente se ri, ou  por mártires. 

Ainda sobre a Guerra, numa casa que adora música clássica, a certa altura alguém lembra que os compositores alemães tinham sido boicotados na guerra anterior, e como isso era ridículo, o que me recordou o início da guerra Ucrânia-Rússia, em que os artistas russos foram despedidos e boicotados na Europa e América; continua tudo igual. 

Através dos Cazalet, Elizabeth Jane Howard continua a dissecar as dores de crescimento de cada personagem, relacionamentos, descoberta de si mesmo, busca do seu lugar no mundo, enfim, todos os problemas que contemplam viver são aflorados e debatidos, sendo agravadas agora por uma guerra que limita e restringe, ao ponto de algumas das personagens sentirem que estão num frustrante compasso de espera. 

Não consigo escolher uma personagem favorita,  cada um possui preciosas características próprias, fragilidades e forças intrinsecamente humanas que me tocam,  todas têm um fundo bondoso, e com todas empatizo,  excepção para Edward, o incógnito vilão desta narrativa. 

Infelizmente, Making Time não está traduzido, o que é profundamente lamentável, por ser um livro brilhante e de leitura viciante. 

Título: Making Time

Autora: Elizabeth Jane Howard

Editora: Pan Books

Nr de Págs: 591

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O Monte de S.Michel - Normandia e Bretanha

Uma visão mágica

O Monte de S.Michel estava na minha lista de sítios a visitar há algum tempo, e a propósito do aniversário do meu cunhado, que também sonhava conhecer, surgiu o momento. Três dias e meio que lamentamos, no final, não termos optado por quatro, para visitar Dinard e Dinand. 

Como chegamos a Nantes muito cedo, eram 8.30, fomos de imediato tomar o pequeno almoço ao Arno, cujos croissants premiados são conhecidos como os melhores da cidade, e não nos defraudou. Apenas uma nota negativa para o facto de não terem "bebida vegetal" , não oferecer pão à fatia (o pão é excelente, compramos para levar), e possuir somente duas mesas, gostaríamos de ter tido um pequeno-almoço verdadeiro, porém deu para me saciar a vontade do croissant francês, que adoro, e cá não encontro de igual qualidade, já nem para mencionar o preço, em Nantes 1,60€ por um croissant premiado, aqui 2.60€ por um que fica demasiado tempo no forno! Também experimentamos a especialidade de Nantes o "Nantais", com sabor a amêndoa, delicioso, e outros, a pastelaria francesa é divinal. 

Ficamos alojados em Nantes, para conhecermos a cidade, de que gostamos, a catedral, as igrejas, o palácio ducal, e o Museu de Belas Artes de que desfrutei bastante. 

De Nantes alugamos um carro e passamos o dia em S.Michel. O estacionamento é pago e daí temos direito a um pequeno autocarro para a "ilha", porém a fila era tão longa que nem hesitamos em continuar a caminhar, cerca de 25 minutos, mas que se revelou a melhor escolha pela visão que surgia no horizonte, o monte se S.Michel ia ganhando forma, como se tivesse surgido por magia, entre o mar e a terra. A cada passo parávamos para fotografar, só nos frustravam as fotos em que nos incluíamos, o vento era forte e os nossos cabelos voavam descontrolados. Excepto o meu cunhado, o único que ficava bem, agora adivinhem porquê. 

Não esperávamos que nesta época do ano o local fosse tão concorrido, nem quero imaginar como será na época alta, creio que as autoridades devem fazer o controle de entrada e saída de turistas, caso contrário seria o caos total. Mas explica-se por ser o terceiro local mais visitado na França. Os restaurantes estavam apinhados, e os poucos onde poderíamos entrar para comer algo que transportássemos não me inspiravam confiança. Valeram-nos as bolachas típicas amanteigadas, que enganaram a barriga até ao lanche. Ter levado umas sandes e fruta teria sido uma óptima escolha. 

Tranquilamente passeamos pela basílica, dado que aí se paga entrada, o que já reduz a quantidade de pessoas, mas que eu penso ser de visita obrigatória. Ir ao Monte de S.Michel e não entrar na basílica, quer dizer...

A história de S.Michel remonta ao ano 708 quando o bispo de Avranches constrói aí um santuário em honra do arcanjo, após ter sonhado com ele.  Rapidamente, torna-se um local de peregrinação e no séc. X os monges beneditinos aí se instalam. Por baixo vai surgindo uma aldeia, e a ilha torna-se habitada. 

Actualmente tem um passadiço que permite a passagem independentemente das marés, prático mas por outro lado deixou de possuir aquele carisma da inacessibilidade de ilha. Porém, há datas em que até essa passagem é coberta pelo mar, esses dias estão na net e querendo ter essa visão de outrora é só pesquisar. 


Também visitamos Rennes, cidade que se localiza na Bretanha; um amigo francês da Letícia que vive em Paris foi ter connosco, e o contributo dele para o almoço foi fundamental; levou-nos a um restaurante maravilhoso, um edifício típico do séc.XVI e XVII, chamado La creperie Rennaise, onde comemos "galettes", que são crepes salgados ( para eles crepes só são doces, os salgados são galettes), e aquilo que parecia são ligeiro, uma galette de queijo e tomate revelou-se plenamente saciante, e delicioso. Acompanhamos com sidra, produto local, bebida em tigelinhas, como tipicamente se faz. 


Deambulamos pela cidade, visitamos igrejas, e o museu de Belas Artes, que achei decepcionante, tem quantidade mas sem qualidade ( nem por ter Picassos), mas que sendo grátis não perdi nada. 

Foi uma viagem curta mas proveitosa, e descobri agora outro dos meus sítios preferidos na Europa, adorei o Monte de S.Michel, é realmente mágico!