quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Inveja

 Estes dias ouvi num podcast o entrevistado responder que nunca tinha tido inveja de outras pessoas conhecidas, na área dele, porque nunca tinha visto neles nada que ele gostasse de ter. E fiquei a pensar se era isso que motivava a inveja; penso que não, há outras molas que espoletam a inveja, uma delas, por exemplo, é ter já o que o outro possui, mas querer ter mais, ou seja, estar à frente do outro, acima do outro. 

Houve uma época em que eu afirmava, convictamente,  que se havia defeito que eu não tinha era a inveja, efectivamente eu não invejava o carro topo de gama, a mansão com  piscina, a fama, ou o que quer que seja que normalmente as pessoas invejam. Porém, um dia  descobri que os meus alvos eram o intangível, qualidades que via noutros e sabia não possuir. Confesso que fiquei bastante chocada, foi um baque... mas também uma revelação sobre mim mesma, e eu estou aqui para saber a verdade, sem contemplações. Portanto, comecei a ficar mais atenta a mim mesma. A observar-me. E a desmontar as minhas emoções. 

Eu penso que a inveja é inerentemente humana, e que não devemos sentir culpa por isso. Desde que vista, constatada e processada, para que seja neutralizada. A inveja que arranca para pensamentos negativos, para desejos de boicote do outro, é que deve ser condenável, e por isso "tratada".  Ninguém é feliz apenas por possuir bens materiais, ou por ser célebre, aliás sabemos frequentemente de pessoas que possuem tudo isso, e não o são. Acaba por ser um desgaste de energia inócuo, sentir inveja dessas coisas. 

Um dia, todos sairemos daqui sem  os carros, as casas, as joias, os livros, as colecções, só levamos connosco aquilo que somos, que fomos e construímos. A inefável leveza do ser.  E o nosso foco deve ser esse. 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Como Gerar Uma Renda

Há uns anos alguém me enviou um email, através do blogue, a desabafar sobre a dificuldade de ser mãe a tempo inteiro e não conseguir ganhar dinheiro, na época eu dei algumas dicas, porém a resposta dela só me apresentou dificuldades, não sei se era de facto impossível ou se era daquele tipo de pessoas que se foca somente nos problemas, e não na solução.

Porém, o exemplo daquela senhora permaneceu comigo, e este artigo ainda vem nesse seguimento. A plataforma Vinted apresenta-se como outra solução, sem investimentos, sem comissões, sem nada a perder. E ainda destralhamos a casa!
 
Foi assim que comecei, há cerca de 2 anos, tinha um saco de roupa para doar, na garagem já há algum tempo, sem saber aonde me dirigir para o efeito, quando me lembrei de antes tentar vender na Vinted, e consegui vender grande parte. Passou a ser o meu método, antes de doar passa pela Vinted uns meses. Entretanto, já gerei cerca de 1400€, o que não sendo o correspondente a um vencimento é uma quantia considerável.

Embora não sendo nenhum génio de vendas, há algumas coisas que já aprendi e passo a partilhar, para vendas bem sucedidas: 

 1. Lavar e passar as roupas, antes de fotografar.
2. Escolher uma cruzeta com bom aspecto; eu uso sempre de madeira. 
3. Escolher um fundo neutro; eu escolho a porta, deixando quase sempre a roupa pendurada, ( nunca vestir, os corpos são diferentes e podem dar impressão errada). 
4. Escolher uma boa luz natural, de dia e luz que vem detrás. 
5. Fotografar a peça de vários ângulos, incluindo sempre a etiqueta.
6. Referir porque vendo a peça, dá credibilidade.
7. Mencionar o ambiente da casa, "não fumadores", por exemplo, dá a impressão de casa limpa.
8. Referir, quando possível, aonde foi feita a peça, noto que a preocupação com a origem tem vindo a crescer, e sendo "Made in Portugal" ou noutro país europeu é uma mais-valia. 
9. Escolher o valor não pelo que a plataforma sugere mas pelo preço dos outros vendedores; eu opto por um valor ligeiramente mais baixo, para ganhar vantagem. 
10. Aumentar sempre 5€ para dar manobra a propostas de preço.
11. Rejeitar propostas muito abaixo, porém fazer sempre uma contra-proposta. 
12. Ser rápido na resposta a propostas, aumenta a possibilidade do comprador ainda estar na plataforma, e de dar seguimento à compra. 
 13. Fazer proposta de venda a todos os que dão "like" ao anúncio, oferecendo menos os tais 5€. 
 14. Colocar à venda os artigos de roupa da estação, agora apenas roupa de primavera/verão, as pessoas da Vinted não compram, por regra, para as estações adiante, é para vestir já! 
15. Fazer os embrulhos a custo 0 e cuidados; uso sempre sacos e envelopes que guardo de encomendas recebidas e junto uma nota de agradecimento.
 16. Enviar rapidamente, o comprador agradece no feedback e isso reflecte-se na imagem do vendedor. 

 E boa sorte🍀!

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Arte Para Todos!

Este fim-de-semana , no Porto, há 40 museus grátis para visitar, em celebração do dia do museu; apesar da maioria das pessoas conhecer os principais há, certamente, nesse lote alguns que desconhecemos. Tenciono aproveitar a oferta. 

Para mim, a cultura é uma das coisas mais preciosas que a Humanidade é capaz de produzir ( excepto a contemporânea, se eu sou capaz de reproduzir não presta!), mas só quando nos enleva e eleva cumpre o seu papel. 

Poderá não ser um gosto inato porém é um gosto que se ensina e cultiva, e por isso mesmo é importante que os mais velhos encaminhem os mais novos para o desfrute da Arte, expondo -os à mesma, conversando com eles sobre o representado, explicando -lhes o que eles ainda não sabem, sobre História, mitologia, religião,  natureza e tudo mais; não é obrigatório possuir uma grande cultura, actualmente munidos de um telemóvel a pesquisa sobre os temas pode ser feita na presença das obras de arte, passa a ser uma descoberta conjunta. O importante é ir, com disponibilidade e vontade! 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Momento de Ternura

Enquanto observava um grupo de clientes, à hora de almoço, que durou das 13 até às 16h, a maioria deles de idade avançada, tive um momento de lucidez e senti uma enorme ternura por todos eles. 

Cultos e poliglotas, com vidas de sucesso e provas dadas, bem vestidos e bem arranjados, agora aguardando a fase final, e ainda assim fazendo acontecer, não com as mãos mas com a carteira, impactando a vida dos mais necessitados. Enquanto isso, desfrutavam de um opiparo almoço, e com todo o direito. E do convívio que isso lhes proporciona. 

É uma fase da vida que, frequentemente, me emociona, não é fácil vivê-la e contudo é também um privilégio. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Um Só - Reino Humano, Vegetal e Animal

 Há pessoas que adoram a natureza mas não gostam de animais; há pessoas que adoram animais mas não gostam de pessoas; há pessoas que gostam de pessoas mas não gostam da natureza, nem de animais. São pessoas que ainda não compreenderam que vivemos num todo, que somos parte do todo, e que por isso somos todos responsáveis uns pelos outros, responsáveis pelos humanos, pela Natureza e pelos Animais. 

Percepcionar este conceito e interiorizá-lo faz parte da expansão da consciência.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Última Leitura - Marking Time

 

Via Blackwells

Este é o segundo volume do "Cazalet chronicles", e como o anterior,  The Light Years, adorei! 

Decorre a II Guerra Mundial  e três gerações de Cazalet saíram de Londres, alvo constante dos bombardeios alemães, refugiando-se na sua casa de campo, e fazendo dela seu domicílio permanente. Os homens da família ficam em Londres durante a semana, para trabalhar na empresa de madeiras, fundada pelo pai, que pela idade e perda de visão se vê, contrariadamente, obrigado a desistir de a gerir.  

Duchy continua a gerir a casa eficientemente, mesmo perante desafios inéditos, como arranjar espaço para as pessoas que continuam a chegar, amigos e familiares, mas também contribuindo para o esforço de guerra, ao abdicar de uma das casas para alojar soldados feridos. Debate-se com a falta de pessoal doméstico e de alimentos, o racionamento exige criatividade, e com os dramas familiares resultantes da guerra, mantendo-se estoicamente o esteio da família. 

Clary e Polly fortalecem a amizade, assumindo-se como melhores amigas, pese embora os segredos que cada uma guarda, por medo de os concretizarem ao vocalizá-los. Os mais novos continuam a aprender com Miss Milliment, a preceptora ideal, altamente competente mas também com uma faceta humana extraordinária, delicada e sensível, pragmática quanto baste, sempre com a palavra certa no momento oportuno, uma referência sólida na educação das gerações que passam por ela. 

As meninas mais velhas saíram do ninho, e apesar da guerra tentam concretizar as suas ambições pessoais, amorosas e profissionais, de forma audaz e perseverante. 

Villy e Sybil vivem dias desafiante de ordem amorosa e de saúde, respectivamente, e o mais dramático é sentirem a dúvida e medo na total solitude, entre tantas pessoas.  

De salientar, os desafios da parentalidade em diversos formatos, também actuais, como por exemplo, quando Peter Rose acusa a filha de não ter aproveitado aprender italiano com ele, e Stella retorquir-lhe que cada lição terminava com as lágrimas dela.  Adiante Louise, diz a Stella que todos os pais são difíceis a partir do momento em que os filhos demonstram vontade própria. 

Christopher é uma personagem com a qual simpatizo particularmente, pela sensibilidade, e por ser assumidamente pacifista, sobretudo numa altura em que era visto como cobardia; a propósito, Polly e Clary debatem a utilidade de ser um objetor de consciência, com Polly a rematar, brilhantemente, que todas as reformas são feitas por uma pequena minoria de quem toda a gente se ri, ou  por mártires. 

Ainda sobre a Guerra, numa casa que adora música clássica, a certa altura alguém lembra que os compositores alemães tinham sido boicotados na guerra anterior, e como isso era ridículo, o que me recordou o início da guerra Ucrânia-Rússia, em que os artistas russos foram despedidos e boicotados na Europa e América; continua tudo igual. 

Através dos Cazalet, Elizabeth Jane Howard continua a dissecar as dores de crescimento de cada personagem, relacionamentos, descoberta de si mesmo, busca do seu lugar no mundo, enfim, todos os problemas que contemplam viver são aflorados e debatidos, sendo agravadas agora por uma guerra que limita e restringe, ao ponto de algumas das personagens sentirem que estão num frustrante compasso de espera. 

Não consigo escolher uma personagem favorita,  cada um possui preciosas características próprias, fragilidades e forças intrinsecamente humanas que me tocam,  todas têm um fundo bondoso, e com todas empatizo,  excepção para Edward, o incógnito vilão desta narrativa. 

Infelizmente, Making Time não está traduzido, o que é profundamente lamentável, por ser um livro brilhante e de leitura viciante. 

Título: Making Time

Autora: Elizabeth Jane Howard

Editora: Pan Books

Nr de Págs: 591

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O Monte de S.Michel - Normandia e Bretanha

Uma visão mágica

O Monte de S.Michel estava na minha lista de sítios a visitar há algum tempo, e a propósito do aniversário do meu cunhado, que também sonhava conhecer, surgiu o momento. Três dias e meio que lamentamos, no final, não termos optado por quatro, para visitar Dinard e Dinand. 

Como chegamos a Nantes muito cedo, eram 8.30, fomos de imediato tomar o pequeno almoço ao Arno, cujos croissants premiados são conhecidos como os melhores da cidade, e não nos defraudou. Apenas uma nota negativa para o facto de não terem "bebida vegetal" , não oferecer pão à fatia (o pão é excelente, compramos para levar), e possuir somente duas mesas, gostaríamos de ter tido um pequeno-almoço verdadeiro, porém deu para me saciar a vontade do croissant francês, que adoro, e cá não encontro de igual qualidade, já nem para mencionar o preço, em Nantes 1,60€ por um croissant premiado, aqui 2.60€ por um que fica demasiado tempo no forno! Também experimentamos a especialidade de Nantes o "Nantais", com sabor a amêndoa, delicioso, e outros, a pastelaria francesa é divinal. 

Ficamos alojados em Nantes, para conhecermos a cidade, de que gostamos, a catedral, as igrejas, o palácio ducal, e o Museu de Belas Artes de que desfrutei bastante. 

De Nantes alugamos um carro e passamos o dia em S.Michel. O estacionamento é pago e daí temos direito a um pequeno autocarro para a "ilha", porém a fila era tão longa que nem hesitamos em continuar a caminhar, cerca de 25 minutos, mas que se revelou a melhor escolha pela visão que surgia no horizonte, o monte se S.Michel ia ganhando forma, como se tivesse surgido por magia, entre o mar e a terra. A cada passo parávamos para fotografar, só nos frustravam as fotos em que nos incluíamos, o vento era forte e os nossos cabelos voavam descontrolados. Excepto o meu cunhado, o único que ficava bem, agora adivinhem porquê. 

Não esperávamos que nesta época do ano o local fosse tão concorrido, nem quero imaginar como será na época alta, creio que as autoridades devem fazer o controle de entrada e saída de turistas, caso contrário seria o caos total. Mas explica-se por ser o terceiro local mais visitado na França. Os restaurantes estavam apinhados, e os poucos onde poderíamos entrar para comer algo que transportássemos não me inspiravam confiança. Valeram-nos as bolachas típicas amanteigadas, que enganaram a barriga até ao lanche. Ter levado umas sandes e fruta teria sido uma óptima escolha. 

Tranquilamente passeamos pela basílica, dado que aí se paga entrada, o que já reduz a quantidade de pessoas, mas que eu penso ser de visita obrigatória. Ir ao Monte de S.Michel e não entrar na basílica, quer dizer...

A história de S.Michel remonta ao ano 708 quando o bispo de Avranches constrói aí um santuário em honra do arcanjo, após ter sonhado com ele.  Rapidamente, torna-se um local de peregrinação e no séc. X os monges beneditinos aí se instalam. Por baixo vai surgindo uma aldeia, e a ilha torna-se habitada. 

Actualmente tem um passadiço que permite a passagem independentemente das marés, prático mas por outro lado deixou de possuir aquele carisma da inacessibilidade de ilha. Porém, há datas em que até essa passagem é coberta pelo mar, esses dias estão na net e querendo ter essa visão de outrora é só pesquisar. 


Também visitamos Rennes, cidade que se localiza na Bretanha; um amigo francês da Letícia que vive em Paris foi ter connosco, e o contributo dele para o almoço foi fundamental; levou-nos a um restaurante maravilhoso, um edifício típico do séc.XVI e XVII, chamado La creperie Rennaise, onde comemos "galettes", que são crepes salgados ( para eles crepes só são doces, os salgados são galettes), e aquilo que parecia são ligeiro, uma galette de queijo e tomate revelou-se plenamente saciante, e delicioso. Acompanhamos com sidra, produto local, bebida em tigelinhas, como tipicamente se faz. 


Deambulamos pela cidade, visitamos igrejas, e o museu de Belas Artes, que achei decepcionante, tem quantidade mas sem qualidade ( nem por ter Picassos), mas que sendo grátis não perdi nada. 

Foi uma viagem curta mas proveitosa, e descobri agora outro dos meus sítios preferidos na Europa, adorei o Monte de S.Michel, é realmente mágico! 
 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

6 Séries Que Recomendo

 Nunca fui de fazer maratonas de séries, mas aquele "mês de baixa" mudou um pouco esta situação, comecei por essa altura e confesso que tenho continuado no mesmo registo. Tem as suas vantagens, não tenho que ficar pausada no suspense, e desvantagens, ter os episódios disponíveis leva a querer sempre mais, "só mais um"! 

1. Lark Rise to Candleford - A jovem protagonista chama-se Laura Timmins, a quem é proposto um lugar nos Correios de Candleford, por uma prima da mãe, a proprietária do Posto que tem uma posição substancialmente mais confortável do que os Timmins; todos reconhecem que a oportunidade é imperdível e Laura aceita, ainda que a contragosto, pois terá de se alojar em casa da parente. A partir daqui Laura começa a registar num Diário o que acontece na sua nova localidade, sendo a narradora no início de cada episódio.  A variedade de personagens é grande e muito interessante, cada um com as suas particularidades, e é difícil conseguir escolher um preferido, portanto a minha escolha recaí na Quennie, sobretudo pelas abelhas. É uma série muito cândida, acho que já não se faz disto, e excelente. 

2. Poldark - Trata-se de uma saga familiar, e a personagem principal é Ross Poldark, que chega da colónia americana, para onde tinha ido há anos como soldado, quando toda a família já o tinha como morto, inclusive a sua "noiva",  Elizabeth. O pai, entretanto falecido, a mina familiar fechada, e a propriedade familiar em ruínas, mal mantida por serviçais sem Senhor, é o quadro desolador que recebe Ross. Ninguém dá nada por ele, a reputação que deixara para trás não o recomenda, e até o exemplo paterno o estigmatiza. Porém, Ross vai crescer e superar-se ao longo das 5 temporadas, dando mostras de coragem, engenho e altruísmo, embora, quanto a mim, nunca alcançando o estatuto de cavalheiro perfeito, e admito não ter conseguido nutrir por ele grande simpatia. As personagens são imensas e cada uma trazendo questões importantes, políticas, históricas, sociais e humanas. A minha favorita é Elizabeth, uma senhora equilibrada, mãe-amorosa, lúcida e corajosa. A série é viciante, fica o aviso. 

3. The OA - Uma jovem cega desaparece sem deixar rasto e quando surge, 7 anos mais tarde, tem a visão recuperada, e símbolos estranhos gravados na pele das costas;  recusa colaborar com a Polícia, e esquiva-se a comunicar com a família que a recupera do Hospital. Em casa comporta-se de forma  estranha, procurando obcecadamente acesso à Internet para contactar com alguém do seu recente passado. Por fim, consegue reunir um pequeno grupo heterogéneo de insatisfeitos com a vida que a irão ajudar a voltar a outro tempo e lugar.  Está deslocada neste lote, ando mais interessada em filmes de época, porém foi-me indicada por um amigo a quem dou crédito; é ficção, e aborda as viagens interdimensionais, para quem gosta do género cada episódio compele ao próximo. 

4. Our Zoo -  É baseado numa história verídica. George Mottershead vive com a sua mulher e duas filhas em casa dos país, trabalhando também no negócio famíliar, uma mercearia de bairro, em Londres; vítima de traumas de guerra, George encontra nos animais que resgata uma espécie de terapia que o vai salvar, ao arrastar a família para uma aventura nunca vista,  comprando uma velha casa-palacete nos arredores da capital, onde pretende fundar um Zoo sem grades. A ideia é tão revolucionária, ele tão inexperiente e de parcos recursos que os obstáculos evidentemente surgem e se acumulam de forma a desanimar o mais forte dos homens. Mas não este. A história é contada pela filha mais nova, June, que sente pelos animais um amor tão grande quanto o próprio pai. 

5. The Gilded Age - Passa-se em 1882 em Nova york, para onde Marian Brook vai viver após morte do pai, em casa  das tias, que frequentam a alta-sociedade. Nada acostumada à rígida etiqueta da cidade, Marian tem uma postura mais aberta e reivindicativa relativamente à forma como as coisas se fazem, e por isso não se coíbe de se dar com os novos-ricos e negros, seguindo por regra o seu coração, embora as tias a aconselhem e repreendam repetidamente. Como diz a Tia Agnés, Nova York pode ser uma grande cidade mais é constituída por aldeias, e quem vive em cada uma delas não se mistura com os das outras, isto é,  as velhas famílias não convivem com as do dinheiro-novo. Porém, do outro lado da rua vivem agora os abastadíssimos Russells,  num magnífico palacete de que todos falam mas aonde ninguém entra, por decoro da etiqueta. Enquanto  o ambicioso George Russell se afadiga a aumentar a fortuna, na liga superior dos negócios e Finanças, Bertha Russell dedica-se com igual ambição a desbravar o caminho da hermética sociedade nova-yorquina, para a si e sua família. Os temas são diversos, família, divórcio, racismo, preconceito, educação, independência feminina, homossexualidade, ética de negócios, luta da classe trabalhadora, relacionamentos humanos em todas as suas formas, e bastante pedagógicos; a snobeira dos descendentes do Mayflower se que portam como aristocratas absolutistas, o preconceito entre negros, devido ao tom de pele, e também por terem ou não nascidos escravos; o fenómeno dos casamentos entre aristocratas ingleses com herdeiras americanas, para conseguirem manter o património, a necessidade da mulher casar, pois não lhe restava outra saída. Outra série viciante, com um  belíssimo guarda-roupa, lindos cenários e banda sonora cativante, não lhe atribuo qualquer defeito. 

6. The Other Bennet Sister - É baseado no livro de Janice Hadlow, como uma continuação de Orgulho e Preconceito de Jane Austen, que inicialmente comecei a ver sem grandes expectativas, é só lembrar das adaptações actuais dos livros a filmes para prever que o desastre é certo! Quão errada estava. Ela soube pegar na escrita de Jane Austen e dar-lhe continuidade de forma respeitosa, como se canalizasse a própria autora. Trabalho absolutamente impecável!  

A outra irmã é Mary, ( ela existe, só que passa mesmo inapercebida!) a mais apagada de todas as meninas Bennet, sim, ainda mais do que Lizzie, e ainda menos bonita, sempre com o nariz enfiado nos livros de "factos", muito pragmática, e porém muito desastrada, a ponto da mãe, aquela senhora frívola e tola, a tratar com um desdém superlativo, como se um caso perdido fosse. Porém, Mary, após a morte do pai, e sendo a única filha solteira vai para Londres, a convite dos tios, para exercer como governanta dos filhos, por período determinado e aí descobre todo um mundo de possibilidades. Os momentos de humor são hilariantes, mas as minhas cenas preferidas são quando Mary e Mister Hayward imitam o canto de algumas aves, na floresta, e a cena dos alongamentos no jardim, com a suprema Miss Bingley a tentar imitar os outros três, tão, mas tão magistral! 

Isto é mesmo do melhor que há, e aconselho vivamente; a lista está feita por ordem de visualização, não por qualidade ou preferência, que aliás se assim fosse diria que são a 5 e 6, que irei, muito provavelmente, repetir. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Os Terapeutas Para Ter em Casa

SPA - Adopte!

Recentemente uma amiga começou a sentir-se muito estranha, tinha na boca uma sensação bizarra, como tivesse um arame no interior que a impedia de abrir a boca normalmente, e lhe causava dor;  e em simultâneo a sua gata começou a apresentar sintomas de doença,  dirigia-se ao prato mas não comia, enquanto miava a queixar-se de alguma coisa. A minha amiga, que é enfermeira, que tinha começado a tratar a gata relacionou a doença como se tivesse passado do animal para ela, porém, há uma teoria, partilhada por muitos terapeutas, nomeadamente pelo japonês Rikuto Higa, que afirma precisamente o contrário. 

Segundo eles, os gatos são verdadeiros terapeutas, que captam as energias dos seus donos e as "trabalham" de forma a ajudar na cura destes. Por isso, frequentemente, gostam de se sentar no sítio habitual do dono, como aquela parte do sofá ou a cama, e segundo a tradição japonesa os gatos estão a procurar o epicentro da energia do dono, fundindo a energia deles com a dos donos. E quando a energia dos donos está muito pesada, devido a stress ou ansiedade, estes mestres de cura  absorvem-na sem queixas mas por vezes fica tão difícil para eles que adoecem.  Nesse caso, para além de os tratarmos convenientemente, proporcionar-lhes o que eles nos proporcionam a nós com o ronronar curador, parece-me mais do que justo - 528HZ

Eu sei que tudo isto pode parecer ainda bastante bizarro para a maioria das pessoas, mas a Ciência tem feito estudos sobre o assunto, e as conclusões sobre as propriedades terapêuticas dos gatos comprovam-se. Se este conhecimento fosse generalizado, certamente, que não existiriam gatos de rua, e todas as casas teriam pelo menos um ( eu agora penso que devem estar aos pares, por uma questão de companhia da própria família, e para dividirem tarefas), afinal não é um favor que lhes estamos a fazer a eles, é um privilégio nosso ter a assistência deles. 

Mais, e muito interessante, no artigo de Nicole Mariani, investigadora no King's College London, em Stress, Psiquiatria e Imunologia. 


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Mistérios

Aconteceu-me recentemente ouvir parte de uma conversa alheia entre duas jovens, em que uma contava à outra  como tinha perdido os óculos de sol durante três meses; tinha-os procurado por todo o lado: no carro, em casa, na casa dos outros, no saco da ginástica, perguntado a toda a gente e por fim desistido. Um dia, mete a mão no saco da ginástica e tira-os! E que isto passa a vida a acontecer-lhe. Encostou mais a cabeça ao rosto da amiga, inclinando-a para a esquerda, para fixar os olhos muito abertos nos dela, para dizer, pronunciando as palavras muito distintas silabicamente ( e  aqui foi quando me deu uma vontade de rir tão grande, que quase não consegui controlar)  :  Juro. Parece que alguém me tira as coisas do sítio, espera que eu dê por falta delas e vai lá pô-las outra vez! Juro! 

Eu sei que isto é daquelas coisas que contando  tem pouca graça, ou nenhuma, só mesmo  assistindo, e dá pena não conseguir partilhar o cómico da cena, assim contado até parece uma ninharia, mas lembrei-me muito desta história porque há dias a Letícia perdeu um brinco que a minha mãe lhe deu, e obviamente ficou triste, para além do valor era uma recordação da avó; e fartamo-nos de o procurar pela casa e jardim, sem sucesso até aceitarmos que era uma perda definitiva. E de repente, aonde eu já tinha estado, visto e revisto, encontro o brinco, a cintilar como um semáforo intermitente! Ele não poderia estar ali o tempo todo porque se assim fosse já teria sido pisado, e porém estava intacto. 

Foi como se alguém o tivesse posto ali naquele momento para eu o ver. Fiquei muitíssimo satisfeita e contente por ter encontrado o brinco, e em simultâneo bastante perplexa. Fez-me recordar a história da miúda,  compreendi a intensidade com que ela contou o seu episódio à amiga. Há coisas estranhas...misteriosas.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O Que Contém os Tampões Menstruais?

Na minha ingenuidade pensei que fosse apenas algodão! Pasme-se, um estudo publicado pela revista "Environment International"* analisou os absorventes, de diversas marcas, e encontrou chumbo, arsénico e ainda outros 14 metais tóxicos! Nos produtos ditos orgânicos detectaram variações, níveis médios mais elevados de alguns metais rotulados como orgânicos. 

Desde há algum tempo que têm saído notícias sobre a pílula e quão nefasta é para a saúde da mulher, e agora encontrei esta, outro ataque à saúde feminina, absolutamente desnecessário e indesculpável. 

 Mas já nada me espanta neste mundo comandado pela ganância dos lobbies da saúde, o tempo de confiar sem informação caducou! 

Alternativas naturais: absorvente de pano, cueca menstrual e copo coletor ( de silicone medicinal).  Não dá para ir para a praia e fazer piscina? Não vá, adie, o mês é longo e não faltarão oportunidades, priorize a sua saúde. 

* Notícia Insight Curioso ( Instagram ) e O Globo ( saúde)


segunda-feira, 6 de abril de 2026

O que é a Páscoa sem Ele?


 As nossas festas de matriz cristã tendem a diluir-se com o comércio que a elas se sobrepõem; já nem é preciso acreditar, nem ter fé, e pelo contrário, cada vez mais vozes criticam, desdenham, ridicularizam, e mais despudoradamente, porém, festejam com os ovos e coelhos de chocolate, mesas fartas com as comidas e doces da época, aproveitando bem os dias de folga, com pretexto religioso. 

Felizmente, nas terras pequenas como a minha a demonstração religiosa ainda está bem patente e visível. É bonito de se ver, mantém a chama da fé acesa, e realça a nossa tradição.    



Tivemos o privilégio de assistir à reunião dos dezassete compassos ao fim do dia, na mais antiga casa senhorial da nossa freguesia, e saída dos mesmos, após um pequeno lanche, em direcção à igreja, aonde se celebrou a missa de Páscoa.
 
É uma tradição muito bonita que festeja o renascimento de Jesus, dando sentido à Pascoa, caso contrário seria apenas mais um dia de excessos, dirigido para o corpo e materialidade. Mas nós somos muito mais do que isso, e serve esta comemoração também para nos recordar disso mesmo.  

quarta-feira, 1 de abril de 2026

" A Verdade Sobre a Saúde em Portugal" - Ex-Bastonária

No dia das mentiras dizem-se verdades! 

A entrevista que todos os portugueses deveriam ouvir sobre a situação da saúde em Portugal, pela ex-bastonaria da Ordem dos enfermeiros, Ana Rita Cavaco ( bem-haja pela coragem e integralidade): "em Portugal existe uma dinastia que governa", " os médicos são uma classe intocável a nivel da legislação"....

Canal Trocar uma ideia:
 https://youtu.be/Rqci3DeABsg 

 A não perder!

segunda-feira, 30 de março de 2026

Última Leitura - Hello Beautiful

 

Via

Foi uma daquelas dicas do Instagram, sigo-a sobretudo pela moda, mas também devora livros, e apesar de não ter prestado atenção antes às suas dicas este livro chamou-me a atenção. Francamente já não sei porquê, foi há muitos meses. 

Quando o recebi e li na contracapa que tinha sido um best-seller imediato do New-york Times receei o pior. Assim que o comecei a ler pensei que se adequava à pessoa que eu julgava que ela era, um livro ligeiro, leve, fácil. Mas felizmente foi melhor do que isso. 

Ann Napolitano é uma autora norte-americana de origem italiana, que trabalhou na área da publicação, deu aulas de escrita, e escreveu quatro livros, sendo Hello Beautiful o último, de 2023, um sucesso imediato. Recebeu alguns prémios, e foi nomeada para outros, e muito elogiada por diversas publicações, como o washington Post, a Vogue, e outros afins.

Este livro conta a história das quatros irmãs Pavadano, unidas como os dedos de uma mão, e de William, um jovem desenraizado que julga encontrar na família Pavadano o que nunca teve na sua. O pai, Charlie, trabalha como operário numa fábrica, e porém tem a sensibilidade de um poeta, e por isso impacta a existência das filhas de forma amorosa e única, e para além da vida. Rose, a mãe, é o motor da família, extremamente religiosa e exigente com as filhas, vai lançá-las, forçosamente para a descoberta do mundo de cada uma delas, numa espécie de repentino egocentrismo. 

Ao longo das décadas as irmãs crescem, estudam, trabalham, amam, riem, choram, como acontece em todas as famílias, e vão surgindo situações que abordam temas substanciais, como a procura pela entidade própria, a descoberta do que se pretende estudar e ser, o amor, a traição, a saúde mental, a ambição, a incapacidade de ultrapassar e perdoar, o afastamento familiar que provoca feridas na alma, e buracos vazios que não se conseguem preencher nem definir. 

Vários temas importantes são aflorados, tantos como a vida, por exemplo, a propósito da reforma do professor universitário de História, será que durante toda a sua carreira ele contou a mesma versão da História? Nunca esta foi reavaliada perante informação nova? 

Perante a lesão do joelho de William, que continuava a causar-lhe desconforto e dor, mas sem direito a queixa, isso seria pouco másculo.

A importância do amor na infância, "se um recém-nascido ficar ao colo quando choro e lhe sorrirem durante os 3 primeiros meses de vida a sua hipótese de saúde e felicidade sobe para cima de 50%.

O valor da amizade verdadeira, que acolhe, que fala e cala quando necessário, que salva.  

O peso da religião, ainda que esta já tenha sido descartada na idade adulta, que emerge quando se pode justificar como castigo consequências de acções.  

A repetição de padrões familiares, de comportamentos dolorosos parentais que irão ser adiante imitados por quem sofreu com eles, de forma instintiva e inconsciente. 

A constatação de que um pai ineficientemente provedor mas amoroso presta melhor serviço aos filhos do que uma mãe bem sucedida profissionalmente, a cuja filha lhe é indiferente o reconhecimento social e financeiro.

E a conclusão de que nós precisamos da família, apesar de tudo o que não tem de bom, para nos apoiarmos mutuamente, e conseguirmos descobrir quem somos. 

Li a versão original, um inglês bastante simples, e uma narrativa claramente linear, e sem formalismos literários; é um best-seller, não é um Nobel. Não tem a profundidade intelectual de um autor consagrado, porém, agarra eficazmente o leitor pela sua trama genuinamente humana, com a qual todos nos podemos identificar. Por tudo isto, é uma leitura que recomendo.

Título - Olá, Linda

Autora - Ann Napolitano

Editora - Penguin

Nr de pags- 383


segunda-feira, 16 de março de 2026

O Que Significa "Apocalipse"?

Particularmente, nos últimos anos a palavra Apocalipse tem sido evocada frequentemente para indicar que estamos no fim dos Tempos; e a propósito de cada guerra que surge, cada desastre natural, e crimes hediondos noticiados, a explicação é o Apocalipse.

Muitos acreditam que o fim da Humanidade se produzirá com a terceira guerra mundial, e muitos dizem que ela já está a decorrer, com guerras disseminadas, que se multiplicam em mais e mais países, sem que os conflitos terminem nos anteriores. A Ucrânia é um exemplo, mesmo à nossa porta, uma guerra que nos foi prometida desde o início como fugaz, prolonga-se há quatro anos sem fim à vista. 

A propósito do ataque combinado pelos E.U. e Israel ao irão, que perante ameaças do governo israelita se poderá estender à Turquia, as vozes que alertam para a concretização da Terceira Guerra Mundial são cada vez mais fortes. E o que se passa ali não é de desdenhar, tal como na Palestina, parece que o objectivo é terraplenar aquele país, de civilização milenar. E as consequências serão nefastas e graves para o resto do mundo, nomeadamente para a Europa.  

Contudo, estes três parágrafos servem apenas para introduzir a informação da etimologia da palavra "apocalipse" que tem sido incorrectamente usada; apocalipse, no grego clássico:  ἀποκάλυψις - apokálypsis, significa, segundo o Dictionnaire Grec-Français, página 226

Acção de descobririr, revelação, revelação divina. 

E de facto, vivemos tempos em que muita informação sobre os bastidores da política, da saúde, da ciência, da cultura, em suma, de todas as áreas da vida, nos estão a ser revelados. Os famosos ficheiros do Epstein são um exemplo, com a longa lista de nomes proeminentes, que desempenham funções internacionais, de impacto mundial, envolvidos em crimes gravíssimos, em que o trafico humano e infantil é o mais leve de todos. Isto que já foi teoria da conspiração é agora confirmado por órgãos oficiais, e as vítimas sobreviventes dão cara e voz como testemunhas de crimes que muitos de nós não suportam sequer ouvir. Calhou-me de ouvir uma ou duas partilhas dessas pessoas, e o que ouvi tirou-me o sono, e tem-me assombrado desde então. Por isso é que muitos de nós preferem nem saber; porém, apesar da nossa ignorância essa realidade negra existe, e só trazendo luz sobre ela se poderá expor os criminosos, e corrigir a sociedade, responsabilizando os implicados. Continuamos à espera dessa etapa, que demora para lá do explicável. 

Portanto, estamos na fase do "apocalipse", a revelação da verdade, o véu que esconde o nosso mundo oculto está a ser retirado. Precisamos de uma boa dose de coragem para enfrentar este momento planetário, mas só batendo no fundo é que começamos a subir. Que Deus nos ajude neste processo. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

A Propósito de Chá em Saquetas

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi chá em saquetas, foi-me oferecida uma ampla escolha de sabores, em casa de uns amigos do meu pai, recém chegados dos E.U., ele português, ela americana, de onde tinham trazido uma série de novidades. Escolhi limão, maravilhada com aquela opção tão inovadora; em casa, quando queríamos chá de limão cortávamos uma casca e fervíamos na água. Achei aquilo o máximo da modernidade. 

Também me recordo de ficar impressionada com uma revista grossa, que a senhora trouxera, onde estava a programação de imensos canais de televisão ( em Portugal só existiam dois) para todo o ano! A América era o máximo!

E a cultura americana impressionou a todos, e por isso foi sendo adoptada e cada negócio que surgiu um sucesso estrondoso, os hamburguers, as asinhas de frango, a coca-cola, a Pepsi, os chocolates, os sundays, os doces embalados como os donuts, que duram meses, e por aí fora. Foi pela novidade? Pela qualidade? Um pouco talvez, mas foi sobretudo pelo markting que a cultura norte-americana se impôs, e praticamente abafou tudo à volta, desde a música, à comida, passando pela moda. 

Mas é tudo tão mau para a saúde! Agora sabemos quão péssimo é o chá em saquetas, começando pelo veneno escondido no papel tóxico opaco, e no conteúdo, onde inclusivamente já foram encontrados resíduos de insectos, e outros brindes de igual calibre. Agora sabemos que não há nada melhor do que um chá de limão feito com limão verdadeiro, fresco, ou ervas colhidas de um vaso. A evolução e a modernidade são argumentos ilusórios, e frequentemente nefastos. 

Ainda me recordo de em certa altura, esse amigo do meu pai, ter pedido o grande favor à minha mãe de ir lá a casa ensinar a sua senhora, a fazer um Arroz de Bacalhau, com o qual se tinha deliciado em nossa casa. Não sei se ela alguma vez o fez, mas sei que apesar de ter vivido várias décadas nos E.U. ele nunca ficou convencido de que a cultura deles era melhor do que a nossa, pelo contrário. 

Frequentemente, as coisas mais simples da vida revelam-se as melhores e mais saudáveis, complicar é uma armadilha que devemos detectar para evitar. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

"Timothee Shallow Man"

A Internet está a reagir, viralmente, ao comentário do actor T.Chalomet sobre a ópera e o ballet, que ninguém quer saber dessas Artes; sei que são Artes admiradas por um certo público minoritário, porém admiradores convictos que as apoiam de coração, e de certeza que irão sobreviver muito mais longamente do que o nome dele. 

O Ballet e a Ópera são Artes que elevam a consciência da humanidade, que produzem frequências necessárias ao bem-estar, saúde e alegria de quem se expõe a elas. São absolutamente imprescindíveis no nosso Mundo.   

Gostava que as pessoas deixassem de idolatrar estes famosos ignorantes, de cabeças ocas. Mas também o que esperar de alguém que namora com uma kardashian?! A futilidade e superficialidade andam normalmente de mãos dadas. 


O meu sonho de consumo: Opera Royal du Chateu de Versailles

quarta-feira, 4 de março de 2026

Hábitos da Medicina Tradicional Chinesa Durante a Menstruação

Muitas mulheres passam bastante mal os dias da menstruação, e recorrem ao paracetamol regularmente, nesse caso não têm nada a perder com esta abordagem natural, não invasiva e sem efeitos secundários. Estou convencida de que pelo menos vale a pena tentar. 

1º Evitar de lavar o cabelo nos primeiros dias, mas se lavar que seja sempre de manhã e secar de seguida, para evitar que o frio entre pelo couro cabeludo.

2º Reforçar a proteção térmica na região da barriga, dos joelhos para baixo, e usar sempre meias.

3º Priorizar alimentos para repor o ferro, gergelim preto, feijão preto, amora, bagas goji, tâmaras vermelhas, são muito bons para nutrir o sangue.

4º Beber chá de gengibre, com açúcar mascavado para aquecer o corpo e auxiliar a circulação. 

5º Usar roupas folgadas e respiráveis e confortáveis, nada muito apertado. 

6º Exercícios leves, caminhada, chi-kong, meditação.

7º Escalda-pés; a medicina chinesa acredita que o calor nos pés ajuda a expulsar o frio interno que causa as cólicas.

8º Sono reparador; tentar dormir antes das 22 horas, para favorecer a recuperação do sangue no fígado. 


Via Via Jessi Chen

segunda-feira, 2 de março de 2026

Não À Normalização da Guerra!

 Então a humanidade está a evoluir? É isso que nos dizem contudo, sinceramente, pelo caminho que nos vejo a trilhar parece-me precisamente o contrário. Fazer guerra, seja por que razão for, não me parece propriamente evoluído. A destruição é contrária à evolução. E acreditar que um país invada outro para o salvar é de uma ingenuidade indesculpável, devido a exemplos contrários que, repetidamente, demonstraram essa falácia. 

O caminho da evolução é a paz, é nesses períodos que a humanidade prospera, que encontra o seu equilíbrio e propósito. Quando a direcção eleita pelos líderes é oposta à vida, à saúde, à união familiar, à estabilidade económica e social, aos direitos mais básicos das pessoas, sabemos que não estamos a ser governados pelo "bem" mas antes por entidades obscuras que visam o lucro ganancioso, e exploração da humanidade. Seja a que preço for, eles não se coíbem, pois quem paga esse preço são os outros, o povo.  

Não podemos aceitar que normalizem a guerra, a instabilidade, a violência, a precaridade e o medo. Temos que exigir paz, e tudo o que ela proporciona. E como podemos fazê-lo, perguntar-me-ão, se não temos poder para tal? Temos poder imediato no momento em que nos declaramos pacifistas e não apoiamos guerras; temos poder quando, à nossa volta, agimos de forma construtiva; quando pautamos a nossa vida pelos valores maiores de respeito para com o outro. O nosso poder não se impõe ao mundo, porém impacta a nossa vida e a daqueles que nos rodeiam. E é por aí que devemos começar. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Seis Filmes Que Recomendo

Tenho tido mais tempo e oportunidade de ver filmes, e séries, e a minha escolha tem recaído em comédias ou filmes mais ou menos ligeiros. Para animar do cinzento dos dias. 

Maudie - Retrata a vida da artista folk canadiana Maude Lewis. A vida de Maudie complica-se na juventude devido a um "erro" que a família resolve da pior maneira possível, a partir daí ela fica à mercê dos parentes, até que um dia tem a iniciativa de tomar as rédeas de si mesma, e a reviravolta acontece. Maudie encontra na arte um refúgio, a recompensa e aceitação. 

Northanger Abbey - Baseado no livro de Jane Austen, é uma sátira às novelas góticas, que enchiam a cabeça das meninas da época de fantasias bacocas. A personagem principal, Catherine Morland, é uma jovem de dezassete anos, que é convidada por um casal amigo da família para passar férias em Bath, e aí entra na sociedade, fazendo amigos e encontrando o amor. Muito ao estilo da época, os mal-entendidos servem para complicar o enredo e enervar o espectador actual, pela ingenuidade e modos retraídos do séc.XVIII. 

Finding your feet - A recém Lady Sandra Abbott descobre que o marido tem um caso com uma amiga, precisamente quando pensava que entrariam ambos na idade dourada de recolher os frutos de uma vida de trabalho; fica de tal forma transtornada que troca a bela casa numa área conceituada pela casa da irmã, num prédio social, com intenção de pressionar o marido. Entretanto aí, entra muito cepticamente no ciclo artístico e terra-a-terra da Bif, uma alma livre e alegre, e surpreendentemente volta a encontrar o seu lado descontraído e impetuoso.  

The women of the 6th floor - É uma comédia francesa, que retrata a vida das empregadas domésticas espanholas, confinadas às águas-furtadas do 6º andar, de um prédio burguês parisiense. Através da nova empregada, Maria, monsieur Joubert descobre todo um mundo que vive nos bastidores da sua sociedade, de forma precária mas também com esperança, com sonhos, e alegria; e isso vai inspirá-lo de forma a remodelar a sua própria vida. 

The Last bus - Após a morte da mulher, Tom, um idoso "muito velho" embarca na última aventura da sua vida, regressar à sua Vila de origem, sempre de autocarro público, com um objectivo definido, que apenas conheceremos no final. Pelo caminho irá ficar e comer nos mesmos sítios em que ele e a mulher ficaram e comeram, no passado. Nessa viagem, que é também uma viagem de memórias, as tribulações serão diversas, assim como as boas-venturanças. 

Far from the madding crowd - Bathsheva Everdene é uma jovem herdeira independente que não sente particular inclinação para o casamento. Sabe muito bem o que quer e, num mundo dominado pelos homens, não tem pejo de o fazer saber. Porém, pelos seus diversos predicados atraí três pretendentes persistentes, muito diferentes, e contrariamente ao que se esperaria de uma mulher inteligente e cautelosa decide-se pelo menos seguro. 

Espero que gostem.  

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A Realidade dos Procedimentos Cirúrgicos - Relato Pessoal

Conforme vou somando mais anos à minha existência vou compreendendo, cada vez mais, que há muitas coisas na vida que só vamos descobrindo à medida que as vivemos. Estou agora a lembrar-me de questões relacionadas com a saúde; apesar dos médicos nos explicarem determinados procedimentos cirúrgicos, e responderem às questões e dúvidas, tenho constatado que há sempre uma área não mencionada, não sei se para não amedrontar, para não desanimar, ou porque ignorem, é que começo a entender que só sabemos realmente aquilo que vivenciamos, e ainda assim a subjetividade, de pessoa para pessoa, permite uma margem desconhecida. 

Ao longo dos anos tenho evitado partilhar aqui informação que considero muito pessoal, por uma questão de reserva; nunca quis ser aquele tipo de blogger que publica absolutamente tudo sobre a sua vida, e talvez, esse equilíbrio sobre o que partilhar, ou não, seja mais desafiante do que julguei. Em 2011 fiz uma cirurgia que tentei evitar por não querer absolutamente fazê-la, andei longos meses a considerá-la, e nunca a mencionei aqui, nem a ponderação, nem o durante, nem o após. Agora penso que a partilha desse processo poderia ter sido positivo para alguém, o que eu vivi e senti nunca me foi dito. E não foi uma descoberta propriamente positiva. Senti-me despreparada. 

Porém, também sei que há pessoas que preferem nem saber exactamente como se passam estas coisas, a ignorância para muitos é uma bênção, uma forma de se protegerem, se for o caso, aconselho a parar a leitura agora mesmo. 

Em 2011 eu já pensava que todos os órgãos que compõem o corpo humano são necessários, e devemos fazer o possível para os preservar em bom funcionamento, portanto, quando a minha Ginecologista me falou na histerectomia, entrei em pânico. O fibromioma que tinha no útero continuava a crescer, já tinha o tamanho de uma toranja, e eu estava  com anemia, pelo que me vi praticamente forçada à cirurgia. A minha médica, na época, era a responsável pela Ginecologia-obstetrícia na Clipóvoa, era uma profissional reconhecida, e eu confiava nela. Perante as minhas inquietações, disse-me: A Fernanda já não quer ter mais filhos, pois não? Então. Além disso já fez duas cesarianas, portanto esta cirurgia é muito semelhante. Aligeirou bastante a situação e eu acreditei. 

A operação correu bem, porém o pós-operatório abalou-me até ao âmago; para além da dor, eu sentia uma impressão terrível e física de vazio dentro da minha barriga, e se deitada na cama me virava para a esquerda ou direita sentia na minha barriga os órgãos a moverem-se nesse sentido, o que me causava uma impressão extremamente desagradável, virava-me então muito lentamente, e ainda assim sentia os órgãos a mudarem de sítio, a rearranjarem-se. Faziam barulho. O meu corpo teve que reajustar-se, havia um espaço vazio, e os órgãos restantes tiveram que se se adaptar. Explicou-me, logicamente, a minha médica mais adiante. 

Demorei cerca de um mês a recuperar "totalmente". Portanto, em nada semelhante a uma cesariana, excepto o corte no abdómen.

Actualmente, estou em período pós-operatório de um enxerto gengival, e aconteceu-me precisamente o que partilho acima, tem sido bastante mais difícil daquilo que me foi dito, e inclusivamente lido nas minhas pesquisas. Porém, por saber agora que as cirurgias nunca são tão simples como dizem os profissionais de saúde, já não estava tão iludida, aliás, precisei de um ano para me mentalizar e marcar este procedimento. Quando o meu dentista me falou de que a minha gengiva estava muito fina junto dos implantes, o que os fazia perigar, e precisava desta solução horrorizei-me. Apesar de na altura não ser evidente, para mim, ele viu-o claramente, e com o tempo comprovou-se, eu já estava a sentir uma ligeira dor nessa área. 

O pós-operatório é desafiante, comer só "papinhas" frias e mornas, com muito cuidado, a dor lancinante em certos jeitos que dou, apesar do cuidado, fazem-me temer as refeições. Dormir para o meu lado contrário preferido, falar devagar e pouco, e ter um grau de dor variável mas constante, que inclui o ouvido, a sensação permanente da goteira, não poder lavar os dentes, e o sabor desagradável e permanente na boca. Ter o rosto inchado e com hematoma, é uma aparência que não faz jus ao que não se vê, até parece muito menos difícil. 

Portanto, não tive alternativa, e tive que avançar; o facto do meu dentista ser altamente qualificado, há quem diga que um dos melhores do país, inspirou-me confiança, o que ajudou bastante. Agora, também é certo que a sensibilidade é diferente de pessoa para pessoa, e eu, está comprovado, não sou alguém que tenha grande tolerância à dor. O que por um lado também é bom, a minha experiencia não dita a de mais ninguém. Portanto, a minha partilha destina-se a focar um caso real, o meu, sem floreados nem facilidades, é a minha realidade, espero que isso contribua, de alguma forma, para uma noção mais realista ou possibilidade dela, a quem seja útil. Mas o que eu espero mesmo é que quem me lê não precise nunca de nenhuma cirurgia, e tenha uma saúde em todos os aspectos de ferro! 


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

"Vídeo em time-lapse de 16 horas de um embrião a formar a sua medula espinhal"

Este pequeno vídeo arrepiou-me, arrebatou-me pela magia, beleza e perfeição. A vida é divina. 

O Salmo 139:13-14 diz tudo: “Pois tu formaste o meu interior; tu me teceste no seio de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo assombroso e maravilhoso.”

Deixe de dar ouvidos à narrativa que diz que somos produto do acaso. Somos produto de Deus.

Via Christ Veritas

https://youtube.com/shorts/-X9O1BDYl1g?si=vn9POY3pp9FdiKzz

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

As Tatuagens São Seguras?

Já vai sendo muito raro encontrar pessoas sem tatuagens, e normalmente quem faz uma tatuagem continua a adicionar mais, em número e tamanho. É sabido que é viciante. 

E que mal tem isso, perguntar-me-ão, é uma questão de gosto, reconheço que sim, porém, não apenas. É também uma questão de saúde. Pensar que impregnar a pele com tinta, uma substância artificial obtida com dióxido de titânio, óxidos de cobalto, dióxido de chumbo, etc., será inócuo para o corpo humano é bastante superficial. 

Pessoalmente não gosto, e quando encontro na praia, por exemplo, algum jovem que ainda mantém o corpo livre dessas decorações admiro-me, e em pensamento presto-lhe homenagem.  

Gostos à parte, há agora indícios preocupantes. Partilho a introdução ao estudo deste tema, o conhecimento é importante, e quiçá não poderá levar à reflexão de alguém que, presentemente, pondera fazer uma tatuagem, ou adicionar mais. 

Santiago González (Vilanova de Arousa, 1975), líder do grupo de Infecções e Imunidade do Instituto de Investigação Biomédica, afiliado da Universidade da Suíça (USI), dedicou treze anos ao estudo das características da reacção inflamatória que ocorre nos gânglios linfáticos em casos de tumores metastáticos, vacinação ou infecções respiratórias.

Recentemente, publicou os resultados de sete anos de investigação sobre as consequências das tatuagens. Admite ter ficado surpreendido com o interesse que o assunto suscitou.

- A tinta por definição não se pode liminar, porque se o corpo pudesse fazê-lo desparecia na pele, como acontece com as tatuagens de henna, - os teus nódulos linfáticos, os gânglios, vão ficar tatuados para o resto da tua vida e aí isso pode ter implicações de saúde. Creio que o seguinte passo é saber como te afecta mais ou que possibilidades tem de desenvolver um tipo de cancro, por exemplo. Temos que desenvolver mais estudos. 


Entrevista aqui 

A Química das Tatuagens - RTP

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Última Leitura: A Floresta Sombria

Via

É o segundo livro de Liu Cixin que leio, em continuação de " O Problema dos três corpos", sendo que da trilogia que compõe foi o favorito do meu filho. Eu queria saber porquê, e francamente foi isso que me motivou a leitura. 

Já tinha feito uma breve apresentação do autor, que é um dos mais conceituados da China contemporânea, aqui, pelo que saltarei esse aspecto.

Eu gosto bastante de ficção-científica, porém este livro contém demasiada ciência para uma leiga como eu, ainda mais do que o primeiro, que sem cultura nessa área, não sei distinguir quanto é ciência e quanto é ficção, o que é imensamente frustrante. 

Neste livro, a humanidade aterrorizada sabe que está ameaçada por uma civilização alienígena, Trisolaris, que chegará dentro de quatro séculos, e por isso as mais importantes instituições internacionais escolhem quatro mentes brilhantes para elaborarem um plano que salve a Terra. 

O problema é a existência dos "cognis", partículas sub-atónicas, uma espécie de espiões omnipresentes, que transmitem a Trisolaris absolutamente tudo o que se prepara na terra, e os planos que se executam são boicotados pelo inimigo. É, por conseguinte, necessário que estes homens desenvolvam as estratégias no mais alto sigilo. Dentre eles destaca-se Luo Ji, uma escolha desconcertante, inclusivamente para ele próprio, e que irá ser o personagem principal d'A Floresta Sombria.

Algumas vezes, espantei-me com temas que não julguei encontrar numa sociedade tecnológica e futurista, como a importância da religião, pior, a crença no Inferno, e até o uso de dinheiro físico. Não me parece de todo verosímil, e muito menos que o eixo Europa-Estados Unidos-China seja preponderante no planeta. E a ONU existir?! Nem pensar. Pareceu-me que esta narrativa tem o foco na tecnologia, na ciência, e a humanidade paira por ali como acessório necessário, porém, sem a riqueza que possui e merece. 

À medida que lia o livro o Duarte ia-me perguntando "Já sabes o que é A Floresta Sombria, mãe?",  por duas vezes respondi algo que ele rejeitou, e cheguei a preocupar-me com a possibilidade de não conseguir responder a essa questão, o que só confirmava a minha opinião de que o livro era demasiado denso cientificamente, e eu não tinha bagagem para ele. Todavia, quando cheguei à parte em que a resposta surge, identifiquei-a com clareza. Só não tinha ainda chegado lá.

Também percebi o que atraiu o Duarte neste livro, é uma opinião que lhe faz sentido, relativamente ao nosso lugar no universo; eu discordo, acho-a demasiado negativa e assustadora. Enfim, opiniões e gostos, e numa pesquisa breve pela internet encontrei rasgados elogios ao livro, parece que eu sou uma excepção.  


Título: A Floresta Sombria

Autor: Liu Cixin

Editora: Relógio de água

Nr de págs: 531

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

"Deus nos livre do Fado do Dinheiro"

Gosto muito de ditados populares, desde pequena que os ouço, sobretudo através da minha mãe, que frequentemente tem um adequado para variadas situações, e desde sempre me maravilham pela sabedoria do conceito. Tanta sabedoria em tão poucas palavras! 

Sinto que cada vez mais caem em desuso, as gerações mais novas desconhecem-nos e pior, desprezam-nos, como minudências de povos ignorantes, ultrapassados e desnecessários. Agora sabem ler, são escolarizados, e a sabedoria oral de outrora saiu de moda. Eu acho isto uma pena, os ditados populares possuem um conhecimento que resulta da experiencia, e constituem frequentemente conselhos muito avisados, permanecendo úteis até ao dia de hoje. O mundo muda mas a humanidade continua a ser humanidade. Por conseguinte, quando ouço um ditado popular que desconheço o minha mente aguça-se, e tento registá-lo. Foi o caso deste último, que ouvi na Feira, de uma vendedora que me dava umas moedas de troco, acabadas de receber de outras mãos : "Deus nos livre do Fado do Dinheiro".

Como não o entendi de imediato, repeti-o intrigada e perguntei-lhe o que significava, ao que me explicou que o dinheiro não ficava, passava de mão em mão. Retorqui, para animá-la, " Ah, então pelo menos que não páre de vir!", ela sorriu e consentiu: "Sim, que pelo menos nunca falte". 

Entretanto, ao reflectir sobre o ditado cheguei a outra conclusão; sim, faz sentido que o ditado tenha sido gerado como pedido a Deus para que se consiga guardar algum dinheiro, quando ele era tão pouco que sumia no básico, sem sequer o suprir completamente, mas também poderá ter outro significado que pela mudança social se esvaziou de sentido, pois isso também está na origem de muitos ditados populares desaparecerem, deixam de ser pertinentes por já não espelharem a realidade. Na minha interpretação, isto é também uma espécie de esconjuro para o próprio indivíduo, ou seja, um pedido a Deus para que nós próprios não passemos de mão em mão, seja para as mulheres não passarem de homem para homem, era o fim da sua reputação, seja para os homens não passarem de senhor em senhor. Parece-me que a origem do provérbio vem de um tempo em que a estabilidade garantia aceitação social e pão na mesa, por isso até há bem pouco tempo as pessoas começavam a trabalhar numa casa, numa família, num negócio e aí cresciam e envelheciam. 

Portanto, para além da indiferença da modernidade da sociedade, os ditados populares também se tornam dispensáveis pelo falta de necessidade. O que não se usa descarta-se. 

Felizmente, houve e há quem os compile e se debruce no seu estudo, certamente para memória futura, porém nunca se sabe se mesmo desfasados não poderão voltar a ser repescados, a certa altura, pelos mais diversos motivos, nem que seja para reflectir nos significados e compreender a origem, trazendo mais luz sobre os tempos de outrora. 

Mais sobre ditados populares, aqui

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Bolachas de Canela e Gengibre


Este Inverno tenho feito bolachas várias vezes, é bom ter algo doce para petiscar disponível, mesmo como uma espécie de sobremesa, quando só há fruta. E como todos gostam, rapidamente desaparecem não tendo eu oportunidade sequer para as fotografar. Esta última formada já vai em pratinho, pois só dava um fundo de lata que fotografado não seria, sinceramente, muito agradável à vista. Portanto, são deliciosas e fáceis de fazer.

Bolachas de Canela e Gengibre

Ingredientes:

300 gr de farinha com fermento

200 gr de manteiga

100 gr de açúcar

1/2 colher de sopa de canela do Ceilão

1/2 colher de sopa de gengibre em pó

Como fazer:

Num recipiente, colocar todos os ingredientes secos e misturar bem; juntar a manteiga aos cubos e misturar à mão, até ficar uma massa bem integrada. Estender com um rolo, fazer bolinhas, colocar num tabuleiro forrado com papel de ir ao forno, e achatar com o fundo de um copo. 

Levar ao forno pré-aquecido, a 170º, durante cerca de 10 minutos; vigiar, pois a cozedura pode diferir de forno para forno, e nesse caso, até ficar com as bordinhas ligeiramente acastanhadas. 

Passar por mistura de açúcar e canela, ainda quentes, e guardar em lata. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Nova Rebeldia no Vestuário

Via Pinterest

Estou convencida de que a procura pelo equilíbrio é uma das leis do universo, que se aplica a absolutamente tudo, e que isso tanto se observa fora como dentro, sendo que um influencia o outro. 

A Moda é um exemplo claro desta minha opinião; depois de observarmos a sua decadência com, por exemplo, a exibição de calças rotas, esfiapadas, desgastadas, mesmo por marcas de luxo, que são popularizadas por rappers, actores conhecidos, e influenciadores, que reforçam as tendências das passarelas, as pessoas comuns começam a reagir nas ruas apresentando-se com um vestuário cuidado e refinado. E não apenas nas ruas, nas redes sociais multiplicam-se as páginas e canais de divulgação de quem gosta de se apresentar com aprimoramento, de quem se passeia pela via pública procurando quem o faz igualmente, para sua divulgação. E isto à margem das tendências, por iniciativa própria, e gosto. 

A nova rebeldia no vestuário é escolher peças de bom aspecto, de materiais naturais, com corte impecável, e também neste capítulo surgem, abundantemente, os influenciadores que procuram divulgar os alfaiates, as costureiras de gabarito, o feito à mão, as lojas Vintage aonde se podem adquirir peças de marcas conhecidas Made in France, ou feitas na Europa, com matérias nobres, já muito difíceis de encontrar à vendas nas lojas. Idem  para o calçado, feito em Portugal para marcas mais conhecidas ou menos, porém sempre de qualidade superior. Para os chapéus, e acessórios como gravatas e cintos. A tendência que pretende recuperar o bom gosto e refinamento soma e segue, com cada vez mais pessoas a juntarem-se ao movimento. 

Não será absurdo também explicar este fenómeno com a crescente consciência do consumidor, sabemos hoje que os materiais artificias como o poliéster são tóxicos, inclusivamente implicados na baixa fertilidade; que a compra de vestuário deve ser um acto mais reflectido, considerando a sua proveniência, tendo em conta a questão ambiental; que nesse sentido comprar menos e melhor, peças para durar em vez de peças que duram apenas uma época, seja por moda seja por falta de durabilidade da própria peça, é uma escolha capacitada. 

Eu, que desde sempre me pautei por estes critérios, primeiro por educação, depois por escolha consciente, fico muito contente ao constatar que este novo equilíbrio da Moda está, finalmente, na mão do consumidor. Talvez por isso, vivemos uma época em que peças tão opostas, como a saia maxi e a mini convivem tanto como as calças skinny e as palazzo; o consumidor assumiu o poder, e escolhe o que lhe parece mais bonito e mais lisonjeador. 

Gosto muito de me sentar numa esplanada a observar quem passa, como se vestem, como caminham, os semblantes, e começo a descobrir uma nova forma muito mais agradável aos olhos, o revivalismo do bom gosto e elegância que me fazem sorrir. Será um triunfo para ficar? Não sei, pois outra Lei Universal, mais do que constatada, é a da mudança, porém, entretanto vou desfrutar desta, que me agrada sobremaneira.  


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Saúde Animal

2020 foi o ano que mais me fez questionar "a vida", a forma como a sociedade se organiza; sempre o fiz, todavia de forma suave, a partir de 2020 o questionamento e procura de respostas foi indubitavelmente bastante mais expansivo e profundo. A questão dos animais, a propósito da saúde humana, também fez parte da minha instrução. 

Algo que eu ouvia, ocasionalmente, de pessoas mais velhas sobre os seus animais de estimação, que antes de serem assistidos por veterinários tinham uma vida mais longa, não sendo vacinados e não comendo comidas de saco, e que tinha descartado com ligeireza começou a interessar-me. Eu não tinha ponto de referência pessoal, pois não tinha tido animais de estimação até à época. Em 2020 já tinha, e talvez também por isso, a questão me tocou pessoalmente. Comecei a ficar atenta ao assunto, a ler mais partilhas de outras pessoas, a ouvir outras opiniões, e a perguntar. 

Cheguei à conclusão que, também nesta questão, estávamos a ser formatados por um negócio poderoso que gera milhões; quer dizer, como se explica de outro modo que me digam: Não, os cães e gatos não podem comer restos de comida, faz-lhes mal! A comida de saco é completa, já tem todos os nutrientes de que precisam! Quando sabemos que toda a vida comeram restos da nossa alimentação, quando não coisas bem piores. 

O que constato é que os meus animais adoram restos de comida, e se tiverem no prato restos e biscoitos comem primeiro a comida! A comida de saco é processada, e feita basicamente de cerais, por serem mais baratos, então paupérrima em nutrientes e difíceis de digerir. Por tudo isto passei a cozinhar mais para os meus gatos, principalmente para o Niko, que tem problemas urinários; quer dizer, cozer carne e peixe com uma pitada de sal não requer grande trabalho, nem demora. 

Entretanto, encontrei este texto de uma veterinária espanhola, que passo a partilhar, para reflexão: 

1970: Cães a comer restos de comida e a viver até aos 20 anos.

2025: Ração premium, 3 doenças crónicas aos 10 anos e eutanásia aos 12 anos devido a cancro.

Estamos a fazer algo muito errado 🧠🐕 Estamos a criar a geração de animais mais doente da história enquanto nos vangloriamos de medicina avançada.

❌ Alimentos ultraprocessados ​​para carnívoros

❌ Genética comprometida por "padrões de raça"

❌ Medicamentos e produtos químicos como solução para tudo.

Obesidade, diabetes, DII (Doença Inflamatória Intestinal), alergias… em animais cada vez mais jovens, e estamos a normalizar isso.

Após 21 anos na clínica, os cães que chegaram aos 16-18 anos sem medicação crónica tinham algo em comum:

🥩 Comida de verdade

🔍 Protocolos questionáveis

💊 Menos polimedicação

Não precisamos de mais tecnologia, precisamos de mais bom senso. A pergunta é simples: vai continuar a participar nesta confusão ou vai começar a questioná-la? 🐾 👀 Digita CHEGA e eu adiciono-te à minha newsletter 📩 Nutrição a sério. Medicina que cura, não doenças crónicas.

Aviso: “Esta publicação é apenas um resumo informativo e cada caso é diferente; não substitui uma consulta individual.”


Para mais informação, a página da veterinária está aqui. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Três Plantas Importantes Para Ter Em Casa

 

Hera , via Jardim biz


A hera é uma planta que adoro, acho-a fascinante; seja em vaso, seja a trepar pelas paredes ou mesmo a cobrir o exterior das casas, considero-a um elemento de beleza natural que só por existir dá um enorme upgrade ao espaço. Porém, apenas recentemente soube do poder que possui para reduzir a quantidade de mofo no ar, e aqui no Minho aonde chove praticamente desde o Outono à Primavera é de enorme valia; mas não fica por aí, li já em diversas fontes que ficou provado num estudo que removeu 94% da matéria fecal em 12 horas, habilitando-a assim para ser a planta do quarto-de-banho, por excelência. 

A Espada de São Jorge tem-se tornado imensamente popular nos últimos anos, mas também já concluí que ao notá-la, a maioria das pessoas a possui desconhecendo que é uma grande purificadora do ar, e capaz de limpar as impurezas e energias negativas no ambiente. Não é apenas bonita, é útil também. 

A Palmeira bambu dá um ar tropical ao ambiente, talvez a primeira razão da sua compra, porém é outra planta que a Nasa indicia para limpar o ar; e dizem os especialistas do Feng shuei que também atraí boas energias, harmonia e prosperidade, e que deve ser colocada junto de portas e janelas, para servir de escudo, e como gosta de luz, funcionalmente parecem ser sítios adequados. 

Relativamente a energias podemos acreditar no que faz sentido para nós, o que é bastante relativo e subjectivo, todavia, para mim, o verdadeiro teste é como as coisas me fazem sentir, e eu francamente sinto-me muitíssimo bem em espaços com plantas, seja em minha casa, seja em casas de outros, é aquilo que imediatamente me salta à vista, quando entro num espaço. 

Façam o teste, observem como se sentem perante as plantas e que plantas, é muito interessante descobrir este tipo de coisas.  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Portugal gosta de crianças e bebés!

Num daqueles reels aleatórios que nos aparecem nas redes sociais surgiu-me o de uma estrangeira, a viver em Portugal, que pela legenda me aguçou a curiosidade; com filhos pequenos, partilhava a maravilha que era ter o mais novo, praticamente um bebé, tão mimado por estranhos por todo o lado; que lhe dirigiam elogios, atiravam beijinhos e faziam-lhe festinhas, como aliás nós sabemos que se faz, e muitas de nós fazem. Nada de novo para nós, os portugueses, porém, foram os comentários que mais me admiraram, a maioria confirmava e achava muito bem, mas havia ainda uma quantidade significativa, de estrangeiros e portugueses, e é destes que pretendo comentar, que diziam " tocar no meu filho, não!", que não era adequado, que não era higiénico, e outras patetices que tais. 

Perante alguns destes comentários negativos, a autora respondia que gostava, que inclusivamente a família tinha ido a de férias duas semanas ao pais de origem, e que perante a indiferença e invisibilidade dos acenos amistosos do seu pequeno, ele tinha parado de tentar interagir com as pessoas, mas que mal chegou cá voltou a fazê-lo; e que portanto, considera a interação positiva para o filho. 

E eu pensei cá com os meus botões: Estes pais devem estar a precisar de terapia, se já não conseguem distinguir entre um miminho que se faz a uma criança, por ternura, e um gesto abusivo. Se preferem que os filhos passem invisíveis e intocáveis pela sociedade mais vale viverem isolados no cimo do monte!

Eu sei que encontrar o meio termo nem sempre é fácil, mas há situações em que a coisa fica mais evidente, nem ser relapso nem ser controlador não só as únicas formas de educar, que tal observar atentamente? Estar presente e vigilante? É que a interacção, como dizia a própria autora do reel é importante para a socialização das crianças, eles aprendem a interagir, até com várias gerações, sendo que a mais velha, por se aproximar naturalmente da chamada segunda infância, retira desta interação uma felicidade esquecida, que lhes aporta saúde e longevidade, como provado em experiencias de Lares que incluem programas com Infantários. 

Está tudo tão polarizado actualmente, tendendo para comportamentos hiperbólicos que pelo caminho as pessoas olvidam coisas simples mas importantes, que sempre fizeram parte das nossas vidas. Um bocadinho de bom senso é necessário para levarmos a vida com mais ligeireza, e facilitaria a vida a todos, sobretudo dos mais dependentes.