quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Terra Abundante

Basta passear pelo interior do pais para começar a suspeitar daquela teoria da sobrepopulação. O território é vasto, as aldeias já foram fundadas, já lá chegaram as estradas; a água canalizada e electricidade, fundamentais para uma vida confortável, são normais, e já ninguém se espanta com tais modernices; e as casas, velhas, decadentes ou em ruínas existem em enorme quantidade. 
As poucas casas habitadas anexam quintais ou campos, uns mais trabalhados do que outros, provando a fecundidade da terra, e as cores dos tomates, abóboras, couve-galega e milho comprovam a generosidade diversa do solo. É produtivo, só necessita de mão que o remexa, lhe lance a semente, o regue e guie para produzir o alimento que na cidade, nem no supermercado se encontra. Este cresce com o sol, a água e os nutrientes do solo, e talvez adubo, natural, para quem já descobriu os malefícios dos químicos. E são muitos, os que no campo, já lhes descobriram os efeitos na saúde.

Viver na cidade é para a maioria um sonho, mas que visto de fora e de longe, mais parece um real pesadelo. O trabalho rouba-lhes horas de vida, para pagar os créditos da casa e dos carros; um e outro como marmotinha de rabo na boca, da qual não conseguem soltar-se. Apesar dos dias cheios, não sobra dinheiro para desfrutar da vida, excepto, com sorte, alguns dias, uma vez no ano. Para manter o luxo da vida moderna na cidade, tornam-se escravos do patrão, acabando por considerar normal este tipo de contrato. Suspiram quando veem as bucólicas imagens do mundo rural, dizendo: ai se eu pudesse! Mas os créditos são grilhetas que é preciso manter, até ao dia da libertação. Que haverá de chegar. E depois, perguntam-se, o que fariam ali, como ganhariam o sustento? Não há trabalho, todos sabem que no interior é inexistente, por isso está deserto, por isso os seus naturais saem de lá. 

Portanto, para alguns aventureiros, cansados do stress citadino, das vidas reféns de necessidades artificialmente criadas, o salto dá-se com um pouco mais de fé, do que de rede financeira. Vendem os apartamentos mal pagos, e rumam para o interior, onde adquirem casas pagas a pronto, por quantias irrisórias, para o pessoal da cidade. Inventam trabalhos, como turismo rural, cultivo de frutos vermelhos e ervas aromáticas; adaptam os seus empregos, fazendo as traduções e dando formações, por tele-trabalho; tornam os hobbies em actividades remuneradas, como a fotografia, em workshops de fotos na natureza, ou workshops de pão e compotas caseiras. Inventam retiros de fim-de-semana, com meditação e Yoga. Sei lá, o talento de cada um emerge com potencial de profissão e torna-se em sustento, que sendo menor, é bem capaz de manter um estilo de vida que também se reduz por falta de oportunidade. Não há shoppings, não há fast food, não há oportunidade de desfilar com roupas novas nos corredores das empresas e escritórios. Os logos das malas ali são chinês, ninguém se interessa ou impressiona. E não há necessidade. É a libertação!

Porém, o ruído da cidade, a falta do bulício dos empregos, a azáfama no cumprimento dos diversos horários, agora relegados a cumprimento por auto-regulação, podem fazer falta. Não é para qualquer um o silêncio da aldeia, a pasmaceira da vida social, o desapego ao material, a falta de proximidade do Take Away, e dos supermercados. E entre acreditar que o mundo está sobrepovoado, porque assim o veem nas cidades, empoleirados uns em cima de outros, e lançar-se no desconhecido, mais vale o conforto daquilo que os frustra, àquilo que os assusta. 

Mas não, há espaço no resto do pais, no resto do mundo, para cada um construir uma vida feliz para si. Onde podem ter casa, e nunca lhe faltar o alimento. Onde pode ter tempo para si, e para os filhos, e crescer de formas inimagináveis, ao cidadão comum. Assim se construiria uma sociedade realmente equilibrada, onde as necessidades de todos mais facilmente se supririam. Fosse esta uma agenda política, e tudo isto seria ainda mais fácil, sobretudo para aqueles que pretendendo mudanças na vida não possuem mais do que o que cabe na mala.

Não me venham com histórias de que o planeta não comporta toda esta população. Sim, comporta, não aguenta é que esta população se comporte de forma egoísta, em que uns consomem o que pertence aos outros; em que meia dúzia se aproprie dos bens comuns e faça o resto pagar a peso de ouro para lhes aceder. 
O que Gaia não aguenta é que o homem se amontoe à beira mar, poluindo com um estilo de vida capcioso e extravagante. Está cansada de oferecer abundância onde ninguém a colhe ou vê; mas continua à espera que a humanidade saia das cidades e descubra o tesouro que lhes oferece.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Alegria em tempo de Plandemia

 
Via Fb

Eu fui buscar informação a médicos, epidemiologistas, bacteriologistas, infectologistas, até a prémios Nobel como o Dr. Michael Levitt e o Dr. Luc Montagnier, e os que se informaram em jornais e telejornais, lendo e ouvindo as opiniões de jornalistas, querem convencer-me que a minha informação sobre o covid-19 é que está errada?! O jornalismo acima da Ciência? Onde se viu coisa semelhante?! Só como efeito de propaganda intensa. 
 
Lamento muito que a minha segurança, bom-humor e alegria lhes seja ofensiva; de verdade que gostaria que todos se sentissem assim também. Que não necessitassem de recorrer a ansiolíticos e anti-depressivos para estabilizar a saúde mental. Entretanto, fazer com que entendam isto é-lhes agressivo, ficam abespinhados; - como se atreve a não ter medo se eu estou bloqueado nele?! 
Até com o facto das pessoas irem de férias, mesmo cá dentro, se indignam; que estejam nas esplanadas, nas praias, nos parques naturais a fazer caminhadas, nos restaurantes, ficam apoplécticos.
apopléctico

"apopléctico", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/apopl%C3%A9ctico [consultado em 20-08-2020].
Não pensarão sequer que a economia precisa desesperadamente de recuperar? Que negócios estão à beira da falência, patrões sem dormir para pagar vencimentos, funcionários sem condições de manterem casas e comida na mesa? Não pensarão nos familiares e amigos, que de alguma maneira estiveram, estão e estarão a ser afectados por tudo isto? O medo não deixa pensar, reagir com bom senso, dar espaço ao outro para que aja de acordo com aquilo que precisa e acredita.
É, portanto, tarefa inglória conversar com quem está petrificado pela lavagem cerebral que sofreu.    
Mas cada um é responsável pelas suas escolhas, e arca com as consequências. Eu com as minhas, eles com as deles.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Bolo "esponja" com cobertura cremosa


Este bolo foi escolhido em função do creme para recheio e cobertura, que comprei no EverVegan, pela segunda vez, e estava na despensa a desafiar mais receitas. Foi adaptado com sucesso, mais outro bolo para repetir. 

Bolo "esponja" de baunilha com cobertura cremosa

Ingredientes:
 1 1/2 chávena de farinha de trigo 
 1 chávena de açúcar branco
 6 colheres de sopa de óleo de coco
 1 chávena de leite vegetal
 1 colher de sobremesa de sumo de limão
 1 colher de chá de essência de baunilha
 1 colher de sopa de fermento 
 1 pitada de sal 

Como fazer:
Num recipiente colocar todos os ingredientes secos, e envolver. Verter os líquidos sobre esses ingredientes, envolver tudo muito bem com delicadeza, e colocar em forma untada e enfarinhada, levando ao forno a 180º, cerca de 20 minutos, ou fazer o teste do palito.
Decorar com creme Custard de coco, que é uma delicia e poderia muito bem comer-se às colheres, mas que aconselho para bolos, panquecas,
e alguma fruta, para cor e acidez, et voilá!  

 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

A música que ouvimos não é para "normies"



No carro, ouvimos sempre as playLists deles, porque para ouvirem a minha música já basta em casa. Acho eu. E portanto, vou conhecendo também outras músicas, que de forma alguma ouviria em qualquer outro sítio. E apesar de fugirem ao meu gosto profundo pela Clássica, fico contente de os saber apreciadores de boa música, seja dos épicos anos 80, seja contemporânea, e pelo meio já vai surgindo algo do bom Jazz, como Chet Baker. Há sempre surpresas.

(Ao procurar o vídeo para ilustrar este post, descobri as influências que a Letícia recebe do mundo da moda; e nada disto é para normies) 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Óscar e Faísca - dica de leitura infantil

Wook.pt - Óscar e Faísca


Já há imenso tempo que não partilhava aqui uma dica de literatura infantil. Comprei este livro para oferecer ao meu afilhado e devo dizer que a procura quase que me desesperou, pois a oferta está cada vez mais pobre; ou os livros quase não tinham texto, e para mim por muito bonitas que sejam as ilustrações, a história continua a ser o mais importante, ou a história era parvinha, sem nexo, e portanto não me apetece deitar fora dinheiro com inutilidades. E de repente cá estava o "Óscar e Faísca"! Que combina tudo o que gosto num livro infantil: história pedagógica, ilustrações belíssimas e preço incrivelmente baixo!

O Óscar é um menino que se muda para a cidade, e sente-se sem amigos e com saudades do campo; um dia encontra um cão perdido e toma conta dele, brincam juntos, leva-o para casa, divertem-se, e o menino fica muito feliz. Porém, o Óscar repara que o Faisca (tinha na coleira o nome) sente-se triste, e decide empreender a busca pelo seu dono, que, descobre, é uma menina que se sente igualmente triste. Inicialmente, o Óscar fica pesaroso, ia perder o seu amigo, mas depois compreende que antes pelo contrário, tinha até feito mais uma amiga.

A história fala sobre a empatia para com os animais, e actualmente, com tantos animais abandonados e alojados em canis e gatis sem condições, é importante que os miúdos não lhes fiquem indiferentes. E aborda também a importância de fazer o que está certo, por muito que custe. E que surpreendentemente daí pode (quero acreditar que sempre!) surgir algo de bom.

Título: Óscar e Faísca
Autoras: Claire Freedman e Kate Hindley
Editora: Jacarandá
Nr de Págs:24


terça-feira, 4 de agosto de 2020

A "Plandemia"

Morreram mais 2600 pessoas no mês de Julho do que nos anos anteriores. Devido à covid19? Não, "apenas" 159 se deve a este vírus.
As autoridades justificam as mortes com o calor intenso, porém, já tivemos outros anos com ondas de calor superiores e números muito mais baixos. Outros, acusam o SNS, todavia, como temos visto, as instalações hospitalares estão calmas.
Talvez uma terceira explicação se imponha; poderá dever-se a consultas, cirurgias e tratamentos cancelados? E também idas às Urgências e Centros de Saúde que se evitaram, devido ao medo de entrar nestes espaços, instigado pela comunicação social dominante? 

Portanto, nestes locais onde se tratam os doentes, a afluência tem sido tranquila, muito mais do que normalmente, havendo dias, em certos hospitais, onde apenas um ou dois pacientes dão entrada nas Urgências. São números que dão para reflectir.