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terça-feira, 29 de abril de 2025

O Apagão

Quando a electricidade falhou já não sequei o cabelo, mas estava calor, e portanto, não foi problema. Pensei que fosse local, porém ao querer levantar dinheiro para as compras no MB vi que estava totalmente desligado, e que seria uma anomalia invulgar. Porém, foi uma hora mais tarde, que o estafeta me contou, por ter ouvido na rádio, que era um blackout em toda a Europa, que poderia ser resolvido em algumas horas mas também poderia durar 3 dias. Liguei imediatamente para a minha filha, e não lá não havia apagão nenhum, e nas Notícias tinham dito que tinha sido apenas em Portugal e Espanha. Depois daí, já não consegui fazer mais chamadas nem enviar mensagens. 

Como a minha casa funciona, praticamente, a electricidade ficamos muito limitados. Engraçado que apesar dos painéis solares no telhado não possamos usufruir deles, porém, estiveram sempre a produzir para a Rede. Que bom para eles, com o nosso investimento! Por estas coisas se vê como funciona o Mundo. 

Felizmente, com o fogão de campismo ( que nunca serviu para campismo!) resolvemos a questão das refeições, o que já foi bom. E graças ao dinheiro vivo consegui fazer compras na Feira. O que se prova com isto que dinheiro em efectivo é liberdade, e independência. Devemos ter sempre em casa uma soma considerável e tentar pagar sempre com dinheiro. 

Contaram-me que foi o caos nos supermercados e Bombas de combustível, nos poucos que ainda aceitavam cartões. Os carrinhos voltaram a encher-se, lembrando o famigerado confinamento de 2020. Muitos entraram em pânico. Imensos negócios fecharam por incapacidade de laboração. Essa não foi, novamente, e de todo, a minha realidade. 

Ao caminhar no Parque percebi que imensas pessoas se entretinham por ali, a passear os cães, sentadas nos bancos desfrutando da fresca, brincando com os filhos, jogando em grupos, novos e mais velhos. Ninguém a olhar para os telemóveis. 

Para falar com a minha mãe tive que ir a casa dela. Estava lá mais família, e entretivemo-nos até tarde a conversar, e a rir, curiosamente a minha mãe, dependente da televisão, estava muito bem humorada. 

E havia quem perguntasse, ouvi na rua: Então era assim que se vivia dantes? Pois era. E não nos faltava o que fazer, como nos entreter, sozinhos ou acompanhados. O silêncio também é bom, e a supressão das distrações sucessivas benéfica. 

Foi um dia diferente, desafiador. Gostaria que todos tivessem retirado, desta inédita situação, algo de bom. Com isto, já temos muito para reflectir!


terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

"73% dos estudantes pretendem emigrar"

Ouvi a notícia na Antena2. Segundo estudo da Federação Académica do Porto mais de 73% dos estudantes pretendem emigrar, após conclusão de estudos.
Uns falam da "sangria de talentos", outros do custo de milhões, ao Estado, destes estudantes, que vão beneficiar outros países, que investiram zero na formação de profissionais de topo. 

A mim ocorre-me o drama que é para estes jovens terem de abandonar o seu país, as suas famílias, e passarem a expatriados. 

À falta que estes profissionais fazem à nossa pátria, e população, através do seu trabalho e impostos.

A baixa natalidade, que continua a descer entre os portugueses, pois estes jovens vão e não regressam.

E a entrada de imigrantes, que os governos insistem em justificar como contrapeso dos que saem, quando não chegam com a preparação dos que partem, e pelo contrário, com valores e formas de estar na vida antagónicas às nossas. 

Enquanto mãe de dois jovens, a terminarem os estudos superiores, esta conjuntura frustra-me tremendamente, e enquanto cidadã revolta-me para além do dizível. Quem ainda não olhou para esta situação e compreendeu o drama que se está aqui a gerar anda mesmo com a cabeça enfiada na areia.  

Notícia aqui

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

As Nossas Tílias...



Estou profundamente zangada e triste; quando abri a persiana do meu quarto vi, imediatamente, uma árvore tombada, na avenida do parque. Abri a janela para espreitar mais acima, e lá estava outra. Só nesta avenida caíram quatro tílias, centenárias, frondosas, belíssimas e odoríferas; é uma aroma doce e delicioso próprio da nossa Vila, por altura dos santos populares, só quem vive aqui compreende do que falo. Faz parte das nossas memórias mais antigas. 

Irão dizer que foi do vento forte, da tempestade desta noite, das alterações climáticas, sei lá, mas não! A responsabilidade é de quem mutilou as raízes destas criaturas maravilhosas, retirando-lhes a sustentação que efectua o equilíbrio entre copa e base. E para quê? Para fazer os passeios, horríveis, já agora, nestas últimas obras. 

O sentimento que tenho é de luto. E raiva contra os ignorantes que desrespeitam a Natureza, e vão por aí fora mutilando árvores com podas agressivas, e lhes roubam raízes. A esses convém-lhes, de certeza, afirmar que tudo isto é resultado das "alterações climáticas". Não é! são eles os responsáveis, os que mandam fazer, os que fazem, e os que aplaudem, pois inacreditavelmente a maioria da população incomoda-se mais com passeios tortos pelas raízes das árvores do que quando elas tombam, feridas de morte. Todos iguais. 

 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O Impacto da Natureza Nas Crianças

Sou apologista do ensino pela prática, claro que a teoria é necessária, mas deveria estar par a par, não exclusiva, sobretudo quando as crianças são pequenas e iniciam o percurso escolar; as professoras do primeiro ano dizem que esse ano lectivo é sobretudo para ensinar os alunos a permanecerem sentados durante a aula, a levantarem a mão para falar, ou seja, para perderem os hábitos mais livres do Infantário e se começarem a comportar realmente como alunos. 

É fácil de entender que esta mudança tão radical para crianças de 6 anos seja brutal, e difícil de aceitar, daí a resistência. Portanto, se o Ensino puser o foco na prática a aprendizagem será facilitada, e melhor aceite. Conheço um professor que dá primazia a actividades no exterior, e tanto alunos do passado como pais reconhecem nisso uma diferenciação meritória. Porém, entre os seus pares há crítica, até porque nem sequer o acompanham. 

Àqueles renitentes que argumentam com o nosso clima, relembro que nos países nórdicos, com tempo muito mais severo, isso não é impeditivo, com chuva, com neve, com poças e lama, as crianças caminham pela floresta, mexem e descobrem coisas, todo o ano. 

Ao ver este vídeo, lembrei-me desta questão, à qual tenho voltado algumas vezes, ao longo dos anos que escrevo aqui, por surgir constantemente informação nova, tal como acrescenta neste vídeo Forgotten forest; diz mais ou menos assim: "Quando eu levo a turma para fora, para a natureza, o "conflictuoso" torna-se líder; não apenas bem-comportado, o líder. Eu ouço isto constantemente. Levanta uma questão: O que estamos a fazer às crianças? Ao mante-las na sala de aula o tempo todo? Naquele cubículo, naquela cadeira. A fazer teste atrás de teste. Cancelando viagens de estudo. Só com esta teoria de que vamos fazer uma criança melhor se lhes fizermos isso. Mas qual é a proporção de crianças que está a tomar estimulantes que para o seu comportamento, poderá ter a ver com os termos retirado da natureza? ".

O tema apaixona-me, enquanto mãe e amante da Natureza, reconhecendo nela o lugar de aprendizagem, até sobre nós mesmos, e cenário pacificador, e por conseguinte, não posso conformar-me com o ensino teórico em ambiente fechado. É preciso que os pais reivindiquem mais, nos Agrupamentos, estas saídas, permitindo que os filhos descubram o Mundo na realidade, não somente através dos manuais; que se tornem curiosos, exploradores, investigadores. Estão a ver como tudo isso conduz a pessoas com carácter audaz e interventivo? Eu consigo ver a ligação. 

Entretanto, se os pais conseguirem fazer isso ao fim-de-semana, idealmente ao fim do dia, nem que seja pelo parque ou jardim mais próximo, algum tempo, e os deixem sujar as mãos, o calçado, a roupa, já estão a fazer um óptimo trabalho, enquanto educadores. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Vida Própria

Conversando com uma mãe, a propósito do talento da filha, cujo trabalho vi no Instagram, responde-me sorrindo tristemente "Pois é, mas tem tantas inseguranças, duvida tanto dela própria!". Eu respondi que essa forma de ser parecia, infelizmente, ter-se espalhado por essa geração, e que muitos atribuíam à influencia das redes sociais, e influencers; a irmã mais velha, ao lado, concordou, acrescentando que por isso tinha deixado de seguir todas essas pessoas. 

Ver corpos perfeitos e fortes, belos como se fossem deuses, continuamente a mudarem de roupas, clientes de marcas de luxo, constantemente a viajarem, mostrando paisagens paradísicas, lanchas, restaurantes renomados, onde a comida parece mais arte do que alimento, e onde estas páginas são continuamente feitas nesta linha, desenvolve em quem vê descontrolada vontade frustrada de ser e ter, de uma forma a que outras gerações não foram expostas.

Estas pessoas, que fazem páginas superficiais, fúteis, de consumismo exacerbado, são responsáveis por se exporem de forma impúdica, creio que é de um narcisismo e exibicionismo doentio. E desonestas, também, pois a vida não tem apenas esse lado maravilhoso, não é perfeita.  Como disse alguém que ouvi estes dias " A culpa da inveja é também daqueles que impudicamente se expõem". 

Um estudo de Harvard concluía que a felicidade depende da forma como nos relacionamos com os outros, ora esta relação influencer-seguidor é desequilibrada, e em nada salutar.

A clareza da irmã mais velha, ao compreender que seguir aquelas pessoas não lhe trazia nada de bom, e se afastar, como nos afastamos de qualquer pessoa negativa que conhecemos pessoalmente, é louvável. Porém, nem todos têm essa coragem, preferindo permanecer nesse jogo sado-masoquista, reféns de vícios alheios, vivendo na sombra do que poderiam ser. 

Acredito que tudo isto também contribui para a falta de saúde mental, que entre os jovens é deveras preocupante. A vida seria muito mais feliz, sobretudo nessa idade em que tudo está em aberto e o futuro não tem limites, se não existissem essas condicionantes, promovidas pelas redes sociais. A vida é um jogo constante de procura pelo equilíbrio.  


Vale a pena ouvir este vídeo, sobre este tema e outros muito interessantes. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Móveis De Verdade

Via

As lojas Ikea vieram revolucionar a decoração das casas em Portugal, e de resto, em todos os países em que abriram lojas. À semelhança da Zara, na imitação das colecções de luxo, o Ikea proporciona aquilo que parece design de alta qualidade, e vendo casas com estes móveis, decoradas por decoradores, ou pessoas com muito bom gosto, sobretudo através do ecrã, tudo parece ser bonito e ter qualidade, dando realmente bom aspecto, e sendo economicamente acessível.

A questão é que quando pegamos naqueles móveis, quando tocamos neles, percebemos claramente que são tal qual a comida fast food, bom aspecto (no geral), mas sem qualidade. São móveis a fingir, parecem ser feitos de cartão, e se economizam na madeira, imagino a qualidade das tintas, vernizes e colas ( que respiramos!) utilizadas no seu fabrico. Afinal, o produto vem para o mercado a preços acessíveis e pelo caminho tem que pagar a imensa gente, trabalhadores, transportadoras, e... ter lucro! E não pouco, dado que o proprietário do Ikea é o homem mais rico da Europa. 

Há dias, caminhava pela rua e reparei em duas casas seguidas, cujas janelas estavam abertas, na primeira, que sei habitada por duas pessoas idosas, vi um candeeiro de tecto do Ikea, e na casa seguinte notei um candeeiro antigo, que mais parecia ter saído da casa anterior. Achei curioso, e fiquei a pensar nisso. 

Um dos meus primos despachou, há relativamente pouco tempo, a mesa de sala e armário de apoio, ambos adquiridos no Ikea, e comprou os móveis equivalentes, de meados do século XX, a alguém que os restaura e vende. Os meus tios espantaram-se, creio que acharam um retrocesso, e sobretudo a minha tia, dizia que pareciam os móveis da sogra, dos quais nunca gostou.

O meu primo e mulher justificaram a mudança com a falta de qualidade dos móveis Ikea, e a vulgaridade, é certo que se encontram em todo o lado, que queriam algo diferenciado, e feito à mão. 

Parece-me, agora que as gerações mais velhas se renderam ao estilo Ikea, as mais novas procuram o vintage, os móveis de nicho, e fico muito contente com a mudança. Mas afinal que lucro eu com isso? Gosto de ver valorizados móveis que já não se fabricam, e que têm possibilidades diversas de uso, terem uma segunda oportunidade, ao serem restaurados. Para além de serem bonitos, e diversificados, há tantos estilos, proporcionando decorações diferentes, e eu gosto do que sai da norma, e por reflectir ainda um estilo de vida amigo do ambiente. 

Há imensas lojas que vendem móveis em segunda mão, nas plataformas online também, particulares ou profissionais, há também quem os venda já restaurados, e a oferta é vasta. Podem ser personalizados, ao gosto de cada um, e se as pessoas se atreverem a pôr mãos na massa é um trabalho manual que poderá ser muito gratificante. 

Nós temos em casa os móveis herdados, de diversas gerações, e nenhum deles me cansa, ou dá vontade de os substituir, porque quando as coisas são verdadeiras duram muito mais. Pelo menos para a minha vida durarão. 

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Doc. "O que você precisa de saber sobre a comida"

Documentário Food, Inc - O que você precisa saber sobre Comida SA / Alim...

Eu sempre tive alguma preocupação com a origem dos nossos alimentos, mas admito que no início o primeiro critério era comprar Português, e local, actualmente continua a ser isso mas já não por essa ordem, a prioridade é que seja biológico. E depois de ver alguns vídeos, em que os alimentos são escrutinados, através de testes, de microscópio e coisas do género fiquei ainda mais inflexível, aquilo é assustador!

Se nós somos o que comemos, estamos a ser intoxicados, através dos alimentos processados e dos que não são mas produzidos com recurso a químicos e antibióticos. Por isso é que "o povo anda todo doente", como me disse a minha fornecedora semanal de legumes e algum outro género. 

A dieta é um vício como outro qualquer, e abdicar de comer determinados alimentos que relacionamos com sabores e até ruídos, os crocantes são altamente viciantes, é um grande desafio. A mudança de hábitos requer uma força de vontade que só é possível alicerçada em conhecimento e plena consciência do prejuízo que nos provoca. 
Espero que a divulgação deste documentário sirva esse propósito. 

Cuidem-se, cuidem dos vossos, a alimentação deve ser de prioridade máxima. 


segunda-feira, 10 de junho de 2024

É para as Europeias? Nem vale a pena...

" ....dos 10,4 milhões de eleitores inscritos, 3,9 milhões decidiram ir às urnas. "

Público


As pessoas ainda não perceberam que o que é decidido no parlamento europeu tem mais impacto nas suas vidas, e em Portugal, do que propriamente as eleições nacionais. Pensarão que somos um país independente? Que quem nos governa tem poder?! 

Doce ilusão. Mas viver sem ver a realidade não nos presta bom serviço. 

quarta-feira, 5 de junho de 2024

A Seca e o Milagre

A propósito da seca, dos meses mais quentes de há centos de anos noticiados semanalmente, para promover a agenda climática, lembrei-me desta história verídica. Eu já a tinha ouvido, mas sinceramente nunca lhe prestei grande atenção. Desta vez foi diferente. 

A minha mãe tem 86 anos; contou-me que quando tinha cerca de 12 anos houve uma seca muito grande, e o padre da aldeia organizou uma peregrinação à capela de S.Romão, para pedir chuva; ele ia à frente, enquanto invocava diversos santos, e a multidão atrás ia respondendo "Ora pro nobis". Caminharam cerca de 5 kms e logo depois da marcha ter atingido o cume do monte, onde se localiza a capela, e terminado a peregrinação, começou a chover a cântaros. As pessoas ficaram encharcadas até aos ossos, ninguém tinha guarda-chuva, nem havia abrigos, e assim regressaram a casa. Ninguém se constipou, nem adoeceu. Foi um grande milagre, conclui sempre a minha mãe.  

Pois bem, se os jovens que cortam estradas e destroem obras de arte, por acreditarem nas alterações climáticas, acreditassem antes na Divindade, em forças superiores, e quiçá na oração, talvez o resultado fosse melhor para toda a gente. Talvez não, de certeza que sim. 

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Construa uma Vida sem necessidade de Fugas

Sola en el monte

Não invista em "escapadinhas" invista antes num estilo de vida do qual não tenha necessidade de fugir. Foi esta frase, senão palavra por palavra mas ideia, que eu li na página no Instagram, de uma jovem mulher madrilena, e compreendi totalmente o projecto de vida dela. Nascida e criada na capital espanhola, Lucia deixou para trás a vida urbana, o seu apartamento, e tudo o que lhe era familiar, ao comprar uma casa velha numa aldeia com meia dúzia de habitantes.


Tudo nela me parece estruturado e audaz; não foi um projecto de família, ou casal, mas a solo, porque se esperamos pelas condições perfeitas para avançarmos com eles, nunca surgem e vamos sempre adiando; não foi por ter dinheiro suficiente para um projecto desta envergadura, porque o restauro da velha casa está a ser feito aos poucos, com ela vivendo na casa, e sendo ela que o faz; não foi porque ela tinha conhecimentos de restauros e por conseguinte seria um projecto com o qual Lucia sabia de antemão que conseguiria lidar, vai fazendo por tentativa-erro, sendo muito honesta nos seus resultados. Porém, apesar das dificuldades, frustrações, retrocessos, e desafios a moral dela está alta, porque está envolvida num projecto de vida no qual acredita, e com o qual já é feliz. Ao contrário da maioria, que aguarda sempre pelo amanhã, quando as obras estiverem terminadas, a decoração feita, o jardim composto, a horta abundante, os animais saudáveis e contentes, ela já é feliz! Compreendeu realmente que a felicidade não está no destino, mas no caminho que se faz que o leva a ele.

 


Por acreditar tanto neste projecto, Lucia pegou na bandeira da ruralidade e publicita-o, animando as pessoas a deixarem as cidades e mudarem-se para o campo, onde faltam pessoas e abundam condições, através de casas muito, muito mais económicas, terrenos vastos para cultivar, criar animais, e respirar ar puro, proporcionando tudo isso saúde e alegria. É em Espanha, mas podia ser também Portugal, a situação é exactamente igual, e eu compreendo-a completamente, aliás, tenho vindo ao longo dos anos a fazer a mesma apologia. Só que é bom ver alguém que de facto o fez, e está tão feliz com isso que tornou a sua história numa inspiração para os outros menos aventureiros. Quem sabe quantas pessoas estará a ajudar a dar este passo? Já sabemos que o exemplo é sempre muitíssimo inspirador. 

quinta-feira, 16 de maio de 2024

É bonito o que toda a gente usa... ?

Há modas com as quais nunca me identifico, e até me repugnam; leggings, por exemplo, são muito confortáveis mas para ficar em casa, sair à rua, nunca, revelam demasiado, e são extremamente deselegantes. Outras são as calças rasgadas, quer dizer, as pessoas, por regra, não gostam de roupa velha, porém, estão dispostas a pagar bom dinheiro por algo que já vem da loja com aspecto decadente! Para mim é um contrassenso e mais, uma provocação à verdadeira pobreza. Francamente, como podem achar aquilo bonito?!
Não podem, não é possível, apenas vão atrás da moda, e porque vêm nas redes sociais determinados influencers a usar este tipo de roupa. Quando deixarem de ver estes farrapos a serem usados, largam-nos com a mesma naturalidade, e passam ao seguinte. 

No geral, as pessoas gostam de fazer parte do colectivo, de estar integradas, de sentirem que são como toda a gente, e por isso aderem às tendências, outros gostam de se destacar, e igualmente aderem às modas mais bizarras, sem grandes reflexões. Há dias vi um vídeo daqueles pequenos, em que um pai desesperado com o tamanho curtíssimo dos calções da filha, tinha cortado umas calças suas, e feito uns calções iguais para si, começando a seguir a filha pela casa naquela figura, enquanto lhe dizia que iria buscá-la à escola, assim vestido, enquanto filmava a cena, e ela ia fugindo dele, extremamente envergonhada; a conclusão era de que a ameaça tinha resultado, enquanto incentivava os pais a fazerem o mesmo. 

Para além de divertido, o vídeo mostrava bem como os filhos se envergonham dos pais ( a maioria das vezes por coisas que nem fazem sentido, mas a sensibilidade em certas idades é extrema!), e não ficam indiferentes quando estes jogam com as mesmas cartas. 

Eu acho bonita a diversidade, o estilo de cada um, há um certo risco, ao faze-lo, mas é também fonte de autoconhecimento; na semana passada conheci uma jovem canadiana que trabalha com estatísticas para o governo, seria de esperar um certo estilo, porém ela vestia umas jardineiras largas, ou over-seize como se diz agora, com camisola às riscas verde e branco, e uns óculos laranja com azul elétrico, estava mesmo muito gira. Já a irmã, que tem uma conta no TikTok, tinha um estilo muito diferente, e nada favorecedor, com uns jeans muito rasgados, que aliás, naquele dia de frio e chuva não devem ter sido nada confortáveis.
São estilos, são gostos, podem responder-me, certo, mas eu diria mais, são tendências! E de onde vêm elas? De uma indústria que percorre ultimamente um caminho extremamente decadente ( basta ver como vestiam as divas e galãs do cinema nos anos 40/50 e comparar com a actualidade), e como eu acredito que tudo está interligado, mentalidade/espiritualidade e fisicalidade, não creio que se dirijam para nada de bom. Um dirige o outro, um reflecte o outro. Portanto, a moda tem muito que se lhe diga, e para usar uma metáfora da área, este assunto daria, realmente, pano para mangas!  

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Os Heróis do Momento

Diário do Sudoeste

Pão e circo, era já a máxima dos romanos. Entreter a plebe atirando-lhe umas migalhas enquanto os tiranos promovem guerras, governam com incompetência e corrupção, mantendo o povo distraído, alheado da realidade, que realmente o impacta. 

Enquanto milhão e meio foi assistir ao show gratuito (quanta generosidade!) de Madonna, um espectáculo aliás decadente, que promove a promiscuidade e satanismo, milhares de brasileiros lutavam pelas suas vidas, e pelos seus animais. 

Que culpa têm os primeiros da situação dos segundos, perguntar-me-ão; é uma questão de empatia, de solidariedade. Como poderia eu organizar na minha casa uma festa com música e dança enquanto ao meu lado o meu vizinho sofre, vendo os seus bens destruídos, e a sua vida ameaçada? É uma questão de compaixão. 

Mesmo à distância há algo que podemos fazer, orações, donativos (não para os governos, no caso governadores, os próprios cidadãos estão a pedir auxílio directo: "NÃO ENVIEM PIX, PARA NENHUM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL !!! ENTREM NO SITE DO PROGRAMA 4POR4", por falta de confiança nesses supostos representantes do povo. Veja-se o caso de Pedrogão Grande), e seguir os acontecimentos para descobrir de que forma se pode servir aquele povo em desespero.  

Protectora fica 40horas no telhado, recusando abandonar os 30 animais resgatados. 
Efectivamente, os Romanos descobriram a fórmula que funciona e persiste há mais de 2 mil anos; está mais do que na hora de ganharmos coragem, e vermos a realidade tal qual ela é, para deixarmos de fazer este jogo absurdo de subjugação. 

Infelizmente, a humanidade divide-se a cada prova, para gáudio de quem a controla. O meu coração está com todos os heróis de Rio Grande do Sul, que estão a salvar vidas, de pessoas e animais; são os heróis anónimos que compõem a humanidade e me fazem acreditar que somos também uma raça capaz de amar, entender o sentido de Justiça, e de serviço. 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

"Make Love Not War"!

Disseram-me que falam nas Notícias sobre o regresso do serviço militar obrigatório; no contexto da guerra da Ucrânia, onde os cidadãos ucranianos (novos e velhos, vi vídeos) eram caçados nas ruas, para serem enviados à força, sem preparação, para a linha da frente, para serem carne para canhão, e depois da França, na pessoa do Macron, dizer que era necessário enviar soldados franceses para lá, vem mesmo a calhar. 

Para mim isso é um retrocesso civilizacional, já passamos do tempo em que os conflitos se resolvem com guerras, devendo ser antes pela via da Diplomacia, a todo o custo. 

Eu não quero que os meus filhos sejam recrutados para nenhuma guerra; recuso participar desses joguinhos dementes dos que governam o mundo e provocam conflitos para proveito de alguns; mantendo sempre os seus a salvo, enquanto os filhos do povo são sacrificados em nome de valores pátrios, usados apenas quando convém aos políticos e outros que tais. 

Não é possível que uma mãe, um pai, um avô, uma avó sejam a favor das guerras! Quando trazemos descendência para este planeta só podemos ser a favor da Paz. Devemos exigi-la! 

quinta-feira, 28 de março de 2024

Actividades de Férias Deviam Ser Divertidas!

Estava eu no atelier de Cerâmica e entrou uma mãe com a filha, de 6 anos, e duas amigas desta para uma aula única, como actividade de férias. Inicialmente muito tímidas, a conversarem aos cochichos, foram-se soltando com o tempo, até passarem para um certo descontrolo, que muito enervou a mãe. No espaço exíguo e de evidente proximidade, tive obrigatoriamente de ouvir a conversa, entre mãe e meninas, e mais adiante, com a mãe e outra aluna do atelier; apesar daquilo ser uma actividade lúdica, a mãe falou bastante da Escola, fazendo perguntas sobre o comportamento e resultados das amigas, enquanto se dirigia à filha: - Vês? Estás a ouvir? 

Pelos vistos, tanto o comportamento como os resultados da filha não são do agrado da mãe, e obviamente eu ignoro toda a situação para a avaliar, só achei o local e participantes errados para ter aquele tipo de conversa com, e sobre a filha, para mais estando ela presente. 

Outra frase que a mãe disse à filha, repetidamente: M.L.,continua a trabalhar! Se aquela actividade pretendia ser divertida, e creio que estando em férias lectivas, criar uma objecto, no caso uma taça para os cereais, devia ser, mas não sei se foi, porque desde o objecto escolhido até às cores utilizadas, a mãe opinou e orientou, passou apenas a ser um "trabalho". 

Nas férias de Natal vi expostas as árvores de Natal que um grupo do ATL fez, e delirei com a criatividade deles, cada uma diferente, algumas bem tortas, desequilibradas, a tombar, e algumas com os objectos mais inusitados como decoração. Tenho visto lá criações muito bonitas, e perfeitas, mas aquelas árvores... estavam espectaculares! Duvido muito que se os pais estivessem presentes o resultado fosse aquele. Quero dizer, seria desastroso, em comparação. 

Um atelier deste tipo proporciona momentos de liberdade criativa, e deve ser descontraído, uma experiência agradável e quiçá, uma revelação. Porém, a atitude de pais controladores e competitivos, trespassa a Escola, e atinge o Desporto, a Música, e outras actividades que deveriam ser lúdicas, pese embora, pedagógicas. Desenvolvendo as crianças, por eles, o mesmo sentimento que têm pela Escola. É tudo obrigatoriedade, avaliação, esforço. Que pena.  

segunda-feira, 4 de março de 2024

A questão dos Gatos

Via Pinterest

A propósito de um comentário que li de alguém que dizia não conseguir gostar de gatos, fiquei a pensar que, de facto, existe na sociedade uma corrente que descredibiliza gatos e promove cães; repetem uma série de clichés, "os cães são os leais amigos", os "gatos são interesseiros", "os cães até voltam a lamber a mão de quem os agride", "os gatos arranham quem lhes quer fazer festas"; "os cães amam os donos", "os gatos amam a casa que lhes dá abrigo e comida", etc. . E isso leva, frequentemente, as pessoas a assumirem um partido dizendo o famoso "eu sou uma pessoa de cães" ou "sou uma pessoa de gatos", coisa que na minha percepção é absurda por não compreender como uma pode excluir a outra.

Eu gosto de ambos, embora tenha tido apenas gatos, de momento temos 3, houve porém uma época em que tivemos 4. Eu queria ter tantos? Não, mas eles, simplesmente, foram abandonados e foram parecendo aqui, no jardim de casa, a entrar pela porta adentro, literalmente! 

Cada gato tem a sua personalidade, e mesmo dentro da raça, cada um tem algo que o distingue, todavia reconhecem quem os trata bem, fogem instintivamente de algumas pessoas e aproximam-se facilmente de outras ( eu acho fascinante observar isso com quem entra cá em casa); e também são companheiros, por exemplo, assim que eu começo a trabalhar no jardim eles aparecem, nem sei exactamente de onde, e quase se colam a mim, e no interior de casa se eu ando de um lado para o outro, entre rés-do-chão e primeiro andar seguem-me igualmente; se eu ficar sentada no sofá, como estou agora a escrever este texto na defesa destes felinos tão especiais, estão à minha volta. Já notei, que desde o final de Novembro, quando sofremos uma enorme perda familiar, eles ficaram muito mais caseiros, e acompanham-me muito mais.

Há quem reclame de que os gatos estragam cortinas e sofás, ao arranhá-los, porém isso também é uma aprendizagem para eles, os nossos já sabem que não podem fazer nada dessas coisas, nem podem dormir nas camas, ou andar por cima de mesas e móveis, sim, eles têm a capacidade de aprender tudo isso! Os limites estão onde nós os colocamos. 


Via Pinterest

Além disso, esta disputa entre cães e gatos existe muito mais entre as pessoas do que entre eles, pois tenho conhecido imensos casos de pessoas que têm ambos e são os melhores amigos, dormindo juntos, brincando juntos, comendo do mesmo prato. Isto é só outra questão em que nos dividem, causando prejuízo aos gatos. São criaturas muito inteligentes, divertidas e audazes. E além disso, muito independentes, e até solitários, buscam os seus companheiros de vida mas também apreciam os momentos e sós, não se inibindo de mostrar desagrado quando alguém os força ao que não querem no momento. Têm personalidades fortes. Ao observá-los aprendo imenso com eles; assim que a chuva pára e o sol quente se manifesta, eles deitam-se no jardim ao sol, não ficam na tijoleira ou granito, mas na terra, estão a fazer a enraizamento, enquanto recebem os raios solares. São muito descontraídos, caminham habitualmente com a lentidão e elegância de quem não tem stresses horários ( e não têm!) mas a qualquer altura correm uns atrás dos outros, exercitam-se impecavelmente; após as sestas que promovem ao longo do dia não saltam de imediato, esticam-se como fazendo yoga!

Via Pinterest

Hoje a minha mãe ficou perplexa, no final do almoço, o Niko que ainda não tinha comido, veio tocar-me delicadamente no braço com duas pancadinhas, olhou-me directamente nos olhos, e saiu da sala mas antes ainda olhou para trás, para confirmar se eu o seguia, e depois parou em frente do seu prato. Ele faz isto constantemente. Os animais não falam mas comunicam muitíssimo bem.

Via Pinterest

Há quem diga que são animais místicos, com poderes de limpeza de energia, e protecção, aliás os antigos egípcios veneravam-nos, e quem os maltratasse era severamente punido. Porque seria?!

A vida é tão mais divertida e amorosa com os gatos. É realmente uma honra partilharmos o nosso espaço com eles, portanto se não tem, aconselho que pondere, que reflicta bem e adopte, comprar nunca! Os abrigos estão lotados de gatos à espera de alguém que os acolha; e outra coisa, não escolha, permita ser escolhida, o gato certo irá ter consigo. Essa é a primeira lição, no que se trata de gatos, talvez a da humildade, a da aceitação. E é só o início de uma série de aprendizagens e maravilhamentos. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

A Sua Melhor Versão

Via


É para isto que estamos aqui, nesta experiência terrestre, para desenvolvermos o nosso potencial, e criar a nossa melhor versão.

A maioria das pessoas pensa que está aqui por casualidade, nasce, cresce, estuda, trabalha, casa, tem filhos, faz férias, compra bens, acumula, envelhece e morre. É toda uma experiência virada para o exterior, não se interrogam do porquê estarem aqui, não questionam de onde vieram e para quê, não aprofundam quem são e porque têm determinados comportamentos. Levam uma existência superficial, navegando por cima de cada momento. E por isso, durante toda a sua vida não mudam muito realmente; e até acham bom, que isso as define como pessoas sólidas, fiáveis, que sabem quem são e o que querem. Porém, só quem está nesta vida com toda a sua atenção, a si, ao entorno e se questiona constantemente, muda, tanto em comportamentos como opiniões. E assim evolui.
 
Eu estou muito satisfeita por ter mudado ao longo da minha vida, de pensar de forma diferente sobre imensos assuntos, e olhando para trás vejo esse percurso não como uma estrada, mas como uma escada que eu fui subindo, com pausas, é certo, porque a nossa personalidade carece, por vezes, de fôlego para continuar a escalada, mas sempre ascendente. Eu acredito que o meu futuro será sempre melhor, e então sigo em frente. Porém, pelo caminho, vou-me sempre fazendo algumas dessas questões da tabela acima, para me auxiliar, me esclarecer, me ajudar a definir. 

Definitivamente, acredito que não viemos aqui a passeio, embora a Vida possa ser uma bela caminhada, se assim o quisermos e fizermos. 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Precisamos dos Agricultores. Todos os dias!

 

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Não entendo como as pessoas, em geral, não compreendem nem apoiam o que os agricultores estão a fazer em França, na Alemanha, e na Holanda, para começar; é tão simples quanto isto, se eles não produzirem nós não comemos! E comer é das nossas necessidades mais básicas, não podemos dispensar nem adiar. 

Ao longo dos anos deste blogue tenho, ocasionalmente, mencionado a minha admiração pelos agricultores, pelo trabalho tão duro, em termos físicos e mentais, pela dedicação constante a tarefas que não se compadecem de horários e fins-de-semana, pela incerteza do resultado final, tão dependente do sol e chuva em intensidades certas, e porém incontroláveis pelos profissionais; para depois se resumir numa diária luta pela sobrevivência, devido a uma deficitária compensação financeira. Fazem um malabarismo constante, vivendo num stress permanente que poucos aguentariam. 

Para mim, aqueles que trabalham a terra vivendo esta circunstância tão desafiante e pouco gratificante, são verdadeiros heróis, e respeito-os verdadeiramente. Talvez esta minha mentalidade me esteja no sangue, dado que os meus antepassados já assim pensavam, e viveram da terra que possuíam. Portanto, não será assim tão difícil de entender que ao nos alimentarmos, e fazemo-lo constantemente ao longo do dia, é graças aos agricultores; e que por isso, deveríamos ter consciência de que precisamos deles, dependemos deles. E se os agricultores dizem que a actividade se torna incomportável para eles, e riscam a falência, devemos prestar-lhes atenção, devemos apoiá-los. Vivemos numa relação de dependência, é necessário assumi-lo. 

Nada mais justo é do que apoiar quem quer trabalhar, e o faz numa área tão fundamental como a sobrevivência alimentar do homem, contribuindo para a nossa saúde, a força, o crescimento. É preciso ter noção de que não são rebeldes sem causa, são pessoas que lutam pela sua sobrevivência, e pela nossa, e que estamos juntos nisto.   

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Uma Cidade Mística

 

Museu das Belas Artes. Fourgiére.Mercado de Natal.Museu Irmãos Lumiére

Regressar a Lyon durante a Festa das Luzes, é sempre especial, porém este ano foi muito diferente, não tanto como uma viagem cultural mas antes espiritual. Vi a cidade de outro ângulo, e senti a sua energia mais pura. 

Voltamos a visitar o Museu das Belas Artes, a entrar na Basílica de Fourgiére, na Igreja de St.Jean, e em todas as outras igrejas antigas, a ver as projecções de Luzes com imagens e movimento nas fachadas mais icónicas, a passear pelo Marché de Noel, a entrar em livrarias, a comer a pastelaria refinada, a experimentar novos restaurantes. 

Todavia, o sentido desta visita foi imediatamente definido pelo primeiro local que visitamos a Basílica de Fourgiére, e pelo segundo, Cadence, uma livraria dedicada somente a temas religiosos, filosóficos e espirituais. 

Entramos também, e pela primeira vez, num cemitério, em busca da tumba de Philippe de Lyon, um médico do séc.XIX que curava os doentes de forma incompreensível para a ciência, e que por isso ficou conhecido pelos milagres que operou. Ignorava a existência desta pessoa até poucas semanas antes da viagem. O local da sua última morada física continua a ser venerado, e muito florido. 

Nos arredores de Lyon, visitamos também Jean Marie de Viannay, o Cura Santo de Ars, a casa-Museu e a Basílica, que pelo exterior induzia em erro, revelando-se um local de grande beleza e paz, talvez sobretudo devido aos cânticos angelicais de um grupo de freiras. Também este cura, de finais do Séc.XVIII, foi sobrecarregado pela procura constante dos pobres e enfermos, a quem atendia durante 17 horas por dia; as muitas graças pelos milagres estão plasmadas em placas de mármore, nas paredes da basílica. 

A energia da basílica tocou-nos profundamente e sentimos uma vontade de aí permanecer indefinidamente, contudo outros compromissos nos esperavam e tivemos que sair, embora pesarosamente. 


Ars, basílica de Ars. Fête des Lumiéres

A festa das Luzes, que leva habitualmente a Lyon cerca de 2 milhões de visitantes, revelou-se, tenho que o admitir, per se, decepcionante, tem vindo a perder qualidade e quantidade, contudo continua a ser uma festa que envolve famílias, e todas as gerações. E apesar dos chuviscos a multidão não se desmobilizou, antes se passeava tranquilamente pela beira rio, Velha Lyon e Presqu'ile, e sem guarda-chuvas. 

O que fez a diferença nesta viagem foi de facto a mística, inclusivamente a única pessoa francesa que conhecemos, e com quem conversamos horas, revelou-se ela própria alguém muito elevado espiritualmente. 

E tudo se conjugou desta forma, estou convencida, por duas razões, a primeira porque viajou connosco uma amiga, que está no sendeiro da espiritualidade, e porque eu própria estava a precisar de um fôlego vindo de Cima. E assim o recebi. 


quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Promover a Leitura Juntos dos Filhos

Há dias, a conversar com uma mãe de um menino de 10 anos, ela dizia-me que o filho não lê voluntariamente, e o estratagema que encontrou para o levar a ler foi oferecer-lhe aquilo que ele mais gosta, no momento, que são cartas Pokemon, por cada livro lido. O próprio miúdo disse-me qual o livro estava a ler agora, algo do Sherlock Holmes o que me espantou, e realmente não me parecia nada entusiasmado. Ou seja, a leitura é forçada, ele está a ser coagido a ler. 

Embora eu compreenda muito bem os pais que querem que os filhos leiam, sobretudo aqueles que até dão exemplo porque são leitores convictos, e sabem os benefícios da leitura, também já estive nesse lugar, não me parece que todas as estratégias servem a causa; esta, por exemplo, pode causar mais prejuízo do que benefício a longo prazo. Se a leitura não proporcionar momentos prazenteiros, irá ficar associada exactamente ao contrário, e quando quem vivenciou estes momentos, puder decidir, não irá pegar mais em livros. 

Como não há estratégias de sucesso garantido para todos os casos, só posso partilhar aquela que conheço e funcionou, com o meu filho; desde bebé que esteve sempre em contacto com livros, carregávamos livros para todo o lado, íamos à Biblioteca todas as semanas, a certa altura duas vezes por semana, livrarias eram outro destino incontornável, e durante muitos anos pareceu funcionar. Porém, ao entrar na adolescência a vontade de ler esmoreceu e constatei que passava semanas, alguns meses até, sem pegar num livro. E quando o fazia, porque eu insistia, estava visivelmente contrariado, e rapidamente pousava o livro, demonstrando que estava somente a cumprir a tarefa. A despachar a imposição. 

Finalmente, apercebi-me que quando o Duarte encontrava um livro que o motivava lia-o num fôlego. Portanto, a questão não era apenas ler, mas encontrar algo que lhe interessava, e comecei a procurar afincadamente, dentro das temáticas predilectas, e constatei que efectivamente isso funcionava. 

Então, levar os filhos a Bibliotecas, Livrarias e Feiras de Livros, e expô-los às múltiplas escolhas que existem é fundamental. Ter também a noção de que há fases que nos apetece ler mais do que noutras e respeitar essas pausas. E por fim, ter paciência, até os filhos encontrarem o seu ritmo de leitura, o seu nicho, que pode demorar tanto como se descobrirem enquanto pessoas. 

O Duarte é assumidamente um leitor constante, tem sempre um livro na mesinha-de-cabeceira, pelo menos, e por vezes alterna com outros, porque as temáticas que escolhe são frequentemente algo densas, de História e geo-política. O facto é que o habito da leitura se enraizou, porque nunca desistimos e, sobretudo, de encontrar a fórmula agradável. 


quinta-feira, 27 de julho de 2023

Animais domésticos em extinção?

Em conversa, diz-me uma pessoa que é contra a esterilização dos animais de rua, que a continuar esta prática, promovida pelas Câmaras e organizações de ajuda animal, os cães e gatos vão extinguir-se, e ainda que isso vai originar um novo negócio, muito mais caro. Disse também que desde sempre os animais foram auto-suficientes, mantendo um equilíbrio entre uns e outros, dentro do eco-sistema. 

O mundo mudou desde que o homem entrou pelo território natural, os animais têm muita mais dificuldade em subsistir, e se já antes a sobrevivência era difícil, agora piorou. Não podemos esperar que os animais de rua, cães e gatos, se desenrasquem sós, e tendo os sacos de lixo desaparecido, o que lhes resta? Caçar-se para se comerem? Para mim este pensamento é bárbaro. Se fomos os causadores do problema, temos agora que tentar encontrar soluções.

No ano passado, uma senhora americana contou-me que a filha trabalha numa ONG de resgate animal, e tem pedidos de adopção de cães a que não pode corresponder, então manda-os vir do Canadá e de outros países mais distantes, a expensas do adoptante. Portanto, eu sei que o primeiro argumento do meu interlocutor está correcto. 

Por outro lado, como podemos consentir que as colónias de animais de rua proliferem descontroladamente, se isso põe em risco animais e pessoas? Os cuidadores destas colónias fazem um trabalho fantástico, ao alimentá-los, vigiando-os e tratando deles quando adoecem ou sofrem acidentes, com ajudas institucionais, e por vezes, até mesmo às suas custas. Estes animais são quase todos dóceis, não fugindo ao contacto humano, e se por vezes surge alguém que adopta um destes animais, eles adaptam-se bem. 

A procura do equilíbrio é sempre um desafio enorme, e quando envolve vidas ainda maior. A castração massiva é algo que também me incomoda, mas de momento parece-me um mal menor. Temos é que ficar vigilantes para que, de facto, não se chegue ao ponto de ter que se pagar para ter um cão ou gato, porque nisto tudo é exactamente nisso que sou, assumidamente, contra, que se pague por animais, quando tantos se podem adoptar.