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segunda-feira, 6 de abril de 2026

O que é a Páscoa sem Ele?


 As nossas festas de matriz cristã tendem a diluir-se com o comércio que a elas se sobrepõem; já nem é preciso acreditar, nem ter fé, e pelo contrário, cada vez mais vozes criticam, desdenham, ridicularizam, e mais despudoradamente, porém, festejam com os ovos e coelhos de chocolate, mesas fartas com as comidas e doces da época, aproveitando bem os dias de folga, com pretexto religioso. 

Felizmente, nas terras pequenas como a minha a demonstração religiosa ainda está bem patente e visível. É bonito de se ver, mantém a chama da fé acesa, e realça a nossa tradição.    



Tivemos o privilégio de assistir à reunião dos dezassete compassos ao fim do dia, na mais antiga casa senhorial da nossa freguesia, e saída dos mesmos, após um pequeno lanche, em direcção à igreja, aonde se celebrou a missa de Páscoa.
 
É uma tradição muito bonita que festeja o renascimento de Jesus, dando sentido à Pascoa, caso contrário seria apenas mais um dia de excessos, dirigido para o corpo e materialidade. Mas nós somos muito mais do que isso, e serve esta comemoração também para nos recordar disso mesmo.  

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Uma Cidade Mística

 

Museu das Belas Artes. Fourgiére.Mercado de Natal.Museu Irmãos Lumiére

Regressar a Lyon durante a Festa das Luzes, é sempre especial, porém este ano foi muito diferente, não tanto como uma viagem cultural mas antes espiritual. Vi a cidade de outro ângulo, e senti a sua energia mais pura. 

Voltamos a visitar o Museu das Belas Artes, a entrar na Basílica de Fourgiére, na Igreja de St.Jean, e em todas as outras igrejas antigas, a ver as projecções de Luzes com imagens e movimento nas fachadas mais icónicas, a passear pelo Marché de Noel, a entrar em livrarias, a comer a pastelaria refinada, a experimentar novos restaurantes. 

Todavia, o sentido desta visita foi imediatamente definido pelo primeiro local que visitamos a Basílica de Fourgiére, e pelo segundo, Cadence, uma livraria dedicada somente a temas religiosos, filosóficos e espirituais. 

Entramos também, e pela primeira vez, num cemitério, em busca da tumba de Philippe de Lyon, um médico do séc.XIX que curava os doentes de forma incompreensível para a ciência, e que por isso ficou conhecido pelos milagres que operou. Ignorava a existência desta pessoa até poucas semanas antes da viagem. O local da sua última morada física continua a ser venerado, e muito florido. 

Nos arredores de Lyon, visitamos também Jean Marie de Viannay, o Cura Santo de Ars, a casa-Museu e a Basílica, que pelo exterior induzia em erro, revelando-se um local de grande beleza e paz, talvez sobretudo devido aos cânticos angelicais de um grupo de freiras. Também este cura, de finais do Séc.XVIII, foi sobrecarregado pela procura constante dos pobres e enfermos, a quem atendia durante 17 horas por dia; as muitas graças pelos milagres estão plasmadas em placas de mármore, nas paredes da basílica. 

A energia da basílica tocou-nos profundamente e sentimos uma vontade de aí permanecer indefinidamente, contudo outros compromissos nos esperavam e tivemos que sair, embora pesarosamente. 


Ars, basílica de Ars. Fête des Lumiéres

A festa das Luzes, que leva habitualmente a Lyon cerca de 2 milhões de visitantes, revelou-se, tenho que o admitir, per se, decepcionante, tem vindo a perder qualidade e quantidade, contudo continua a ser uma festa que envolve famílias, e todas as gerações. E apesar dos chuviscos a multidão não se desmobilizou, antes se passeava tranquilamente pela beira rio, Velha Lyon e Presqu'ile, e sem guarda-chuvas. 

O que fez a diferença nesta viagem foi de facto a mística, inclusivamente a única pessoa francesa que conhecemos, e com quem conversamos horas, revelou-se ela própria alguém muito elevado espiritualmente. 

E tudo se conjugou desta forma, estou convencida, por duas razões, a primeira porque viajou connosco uma amiga, que está no sendeiro da espiritualidade, e porque eu própria estava a precisar de um fôlego vindo de Cima. E assim o recebi. 


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Para 2022 desejo-vos...

Sinto-me um pouco pateta só de pensar escrever aqui "feliz ano novo", sei que vem aí um ano muito difícil, que a agenda continuará em marcha, a todo o vapor realmente, se a humanidade não se levantar e reclamar a sua soberania. 

Em vez disso, quero deixar algumas palavras de encorajamento.

Que a lucidez e força nunca nos faltem para enfrentarmos na vida os obstáculos que se nos deparam; que a resiliência sustente as nossas convicções; que a esperança e o amor nos impregnem eternamente a alma, e se reflictam nos nossos pensamentos e acções. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

E se dessemos Graças?




Absorvemos tantas influências exteriores, tantas modas e tradições de outros países impregnam a nossa cultura, que começamos a tratá-las como se nossas fossem! E ninguém parece questionar a legitimidade destas aculturações; pelo contrário, justificam-nas como sendo resultado inevitável da globalização.

Inevitável é a exposição a outras formas de viver, e estar, o acesso à informação, quase de forma constante e sistemática. O Comércio faz o que tem de fazer, e para o qual existe, promove aquilo com que pode lucrar, e o marketing acaba por se impor na nossa vida. Porém, já não será inevitável que as adoptemos, depende isso do nosso desejo e sentido crítico.

E se há costumes e festas que nos são alheios e destituídos de  significado, outros há que nos tocam na alma, como se fossem nossos, por serem universais. Foi exactamente por isso que a minha querida amiga virtual, Filipa, decidiu adoptar o Dia de Acção de Graças, e celebrá-lo em família no dia 26 deste mês. Achei a ideia fantástica. Porque, por menos bem que a vida nos corra, há sempre motivos para nos sentirmos gratos, e as ocasiões que nos fazem parar para os compreender, e agradecer, são necessárias. E muito compensadoras. Para além disso, torna-se um excelente prelúdio para o Advento, uma preparação para vivermos o Natal tal como merece e deve ser celebrado. 

 Tarte de abóbora tradicional*

1 base de massa quebrada 
Recheio: ½ colher de chá de cravinho em pó 
Uma chávena de açúcar mascavado 
Uma colher de chá de canela em pó 
Uma colher de chá de gengibre em pó 
1 colher de sopa de amioa de milho 
1 kg de abóbora (descascada e em pedaços) 
Uma pitada de noz moscada 
Uma pitada de sal 
3 ovos 
350 ml de leite evaporado 

Como fazer:
Ligar o forno em 200º. Cozer a abóbora em pouca água temperada com uma pitada de sal. Escorrer a abóbora e deixar esfriar um pouco. Entretanto, forrar uma forma de tarte com a massa quebrada. Colocar a abóbora num recipiente, juntar o açúcar e bater muito bem. Acrescentar todos os outros ingredientes, bater muito bem, verter na forma e levar ao forno a 200º, durante 10 minutos; baixar para 170º e deixar cozer por mais 30 minutos.
Servir simples ou com uma porção de chantilly.

* Fotos e receita, cortesia da Filipa.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Primeira Comunhão da Letícia


Quando eu era criança todas as famílias faziam a festa da Primeira Comunhão em casa. Agora que eu tenho crianças é comum fazer a festa em Restaurantes. Mas eu não queria isso.

Gosto muito mais de receber os familiares em nossa casa, é mais pessoal, mais íntimo. E muito mais trabalhoso, dirão alguns; porém, não tanto assim, se recorrermos a um serviço de catering. Se tivermos quem ajude, tanto melhor. Eu fiz apenas as sobremesas, bolo de Primeira Comunhão incluído.

Era suposto ser um almoço volante, para cerca de trinta pessoas, pois seria o mais prático. Contudo, dispusemos mesas um pouco por toda a casa, jardim e terraço, porque o dia estava esplêndido e temos que usufruir do exterior o mais possível.
O tom da decoração foi o rosa, a pedido da Letícia. 

Foi muito emocionante assistir à Primeira Comunhão da Letícia; ela estava radiante e entusiasmada. Foi opção dela frequentar a Catequese ( como expliquei aqui ), e fê-lo com uma responsabilidade digna de nota. Participou de todos os eventos, e deu todos os Passos necessários, até chegar a este dia com a consciência de que o fazia com mérito.

A Festa foi apenas o culminar desse percurso, e para a homenagear estavam presentes todos aqueles que são importantes para a Letícia, e para nós. 

Como disse o Duarte - Foi a festa do ano!

Tenha uma óptima semana.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Iniciar Tradições


Segundo a Wikipédia, "Tradição"  vem do latim: traditio, tradere = entregar; em grego na acepção religiosa do termo, a expressão é paradosis παραδοσις) é a transmissão de práticas ou de valores espirituais de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações.

Não consigo imaginar a vida sem tradições, são elas que cimentam a sociedade, e tornam coesos os seus elementos. E gosto imenso de tradições; algumas sigo desde sempre, porque estavam já instauradas na família, outras fui adquirindo com o tempo. Ontem iniciei uma nova tradição na família: a celebração do Ano Novo Chinês.

Quando fiz os convites, as pessoas levantaram ligeiramente, conhecendo-me o espanto nunca é muito, o sobrolho divertidas; esta era nova, nunca lhes teria cruzado o pensamento. Portanto, vieram animados, mesmo as crianças estavam agitadas pela ansiedade. Tiveram direito ao seu hong bao e a um prato suplementar de almôndegas com massa; sim, fiz um bocadinho de batota, e adotei alguns dos nossos costumes à celebração. Afinal não posso negar a aculturação!

 Menu:
Entradas:  Camarões, batatas fritas chinesas, crepes de legumes
Prato principal: noodles de frango e almôndegas ( vaca, porco e soja)
Sobremesa: Lichias ao natural, morangos com açúcar,  Mexidos (doce tradicional de Natal e Ano Novo) e bolinhos da sorte.
Bebida: Champanhe e sumo

Encontrei muitos dos ingredientes no Lidl, como os bolinhos da sorte, pois tinham uma daquelas estantes provisórias, com produtos chineses.

Foi uma noite muito divertida ( a leitura das mensagens dos bolinhos da sorte é necessária!), e como alguém disse: - Está aprovada! Para o ano queremos repetir!

E assim se fazem as tradições. É ou não é?!
Tenha um bom fim de semana|

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Celebrar o Ano Novo. Outra vez? Outra vez.

(Vou ter que comprar mais louça!)
Sabem que mais? Não nos faltam motivos para celebrar a vida, e se ainda assim não temos pretextos, porque não ir a reboque dos outros? Não tem mal algum, quando a intenção é boa. Se os chineses celebram agora o ano novo, podemos muito bem juntar-nos a eles, para dar as boas-vindas a 2011.Outra vez, pois!

Sabia que o ano Novo chinês, contrariamente ao nosso, não tem data fixa? É uma data móvel porque é uma combinação do calendário solar e lunar, e cada ano segue a ordem do horóscopo chinês num ciclo de doze anos. Os anos começam sempre numa lua nova, entre 21 de Janeiro e 20 de Fevereiro.
Este ano é a 3 de Fevereiro, o ano do coelho. E nós vamos celebrá-lo, venha daí também!

Siga as instruções:

1º Faça limpeza à casa (para limpar a consciência e eliminar rastos do azar), e decore as janelas com lanternas, que acenderá à noite.
2º Vista-se de vermelho (uma peça pelo menos!), para afastar os espíritos maus, evite preto e branco - cores de luto.
3º Faça um banquete para o jantar, que inclua mariscos e crustáceos, que representam vitalidade, alegria, e boa sorte. Se preferir, Noodles com frango, receita testada e aprovada, faz-se em meia hora.
4º Prepare os hong bao- envelopes vermelhos, com dinheiro  para entregar às crianças e solteiros, que não os poderão abrir na presença de quem os oferece.

E agora? Tire as tigelas e os pauzinhos do armário, ponha uma mesa bonita e celebre o ano novo com quem lhe é querido!

Feliz Ano Novo!