Eu estava com a Letícia e respondemos em uníssono: "devolvia"; depois expliquei que o dinheiro não era meu, e que para a empresa poderia não fazer diferença, mas para o funcionário que cometeu o erro poderia fazer, provavelmente pagaria ele através do seu ordenado, e ainda seria despedido. Falamos mais um pouco sobre o caso e prosseguimos para outros assuntos.
No dia seguinte estivemos novamente juntos num passeio de família, e o meu filho foi no carro do primo, que durante a viagem lhe colocou também o dilema. Entretanto, eu e a Letícia não tínhamos comentado nada sobre o caso com ele, o Duarte ignorava totalmente a questão, portanto foi apanhado de surpresa, este ponto é importante.
Quando já estávamos a fazer a caminhada, diz-me o meu primo que durante a viagem tinha feito "a pergunta" ao Duarte, e riu-se, o que me levou logo a pronunciar um "óh-óh!" dubitativo, porém ele retorquiu de imediato: Espera, vais ficar orgulhosa dele. E continuou com a resposta do Duarte: - Bem, eu reconheço que é bastante tentador... mas depois perguntava-me " o que faria a minha mãe, neste caso?" E a minha mãe devolvia o dinheiro, então eu também faria o mesmo. "
O meu primo achou muito interessante como ele foi desconstruindo a situação, até chegar a uma decisão. Mas eu fiquei realmente orgulhosa, e emocionei-me mesmo.
O meu primo achou muito interessante como ele foi desconstruindo a situação, até chegar a uma decisão. Mas eu fiquei realmente orgulhosa, e emocionei-me mesmo.
O meu filho não é nenhum menino, é um homem já com 25 anos, mas revelou neste episódio tudo aquilo que eu tenho defendido aqui ao longo dos 20 anos de existência deste blogue, que a educação vem pelo exemplo.
Nós, pais, não devemos desencorajar nunca, o nosso comportamento é a bússola que vai guiar os nossos filhos, mesmo inconscientemente replicam-nos, e por isso é importante que tenhamos também um fio de prumo, uma linha ética e moral que nos conduza ao longo da vida, por nós e pela nossa descendência. A nossa responsabilidade enquanto educadores é marcante e fundamental, não devemos nunca abdicar dela, nem delegá-la seja a quem for. E sobretudo, devemos educar pela coerência e consistência, dizer e fazer, estamos a ser escrutinados 24horas sobre 24, e isso irá dar frutos. Bons ou menos bons, e a responsabilidade vai ser nossa.