quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Dica de Leitura: "My Enemy the Queen"

 

Via Etsy ( comprei o meu na Vinted) 

Victoria Holt foi um dos diversos pseudónimos usados por Eleonor Alice Burford, nascida em 1906 e falecida em 1993;  a mais prolífica autora inglesa, de romances históricos, com mais de duzentos livros publicados, e diversos best-sellers. 

"My enemy, the Queen" é narrado por Lettitia Knollys, prima em primeiro grau da rainha Elizabeth I, filha de Anne Boleyn, a primeira mulher de Enry VIII, que ele mandou executar. Portanto, Lettitia é também uma Bolena por parte materna. 

Quando Elizabeth I se torna rainha, naturalmente, traz para junto de si as pessoas em quem mais confia, e consequentemente a sua família que tem todo o interesse em mantê-la no trono, devido não apenas à honra do estatuto mas também a todas as benesses que vão recebendo ao longo do reinado. 

Lettice, como é chamada em família, viveu no campo, com a mãe e irmãos uma vida bastante recatada,  com a qual estava satisfeita, porém com a subida ao trono da prima, a família é chamada à corte, e Lettice, já uma jovem feita, encontra aí a animação e interesse que lhe convém. Destacada pela sua beleza extraordinária que só rivaliza com a da rainha, Lettice torna-se centro das atenções entre a aristocracia, facto que aprecia imensamente. A rainha gosta dela, adora rodear-se de juventude e beleza, e também acha graça à sua "língua sagaz e pronta", que frequentemente roça um limite perigoso. 

Casa-se jovem, com alguém adequado ao seu estatuto, muda-se para o campo, e é mãe rapidamente de três crianças. A vida familiar proporciona-lhe alegrias inegáveis, todavia a excitação da corte faz-lhe falta; Lettice quer regressar a Londres, porém só o pode fazer a chamado da rainha, o que acaba eventualmente por acontecer. 

Nesta segunda parte de regresso à Corte, Lettice, cujo marido está ausente a serviço da rainha, aproxima-se do Lord Robert Dudley, de quem sempre se lembrara desde a primeira vez que o vira na corte, ainda uma jovem ingénua. Ele era um homem extremamente poderoso, e carismático, a quem a rainha cobrira com honrarias e riquezas, e de quem ao longo dos anos, se dizia ser o amor de Elizabeth I, e com quem ela acabaria por casar. Devido ao ciúme colérico da rainha o romance foi mantido em sigilo, e todo o crescendo de sentimentos e situações daí advindas, igualmente. Quando, finalmente, o casal se revelou, Elizabeth, que se mostrava inacreditavelmente magnânima com os seus inimigos políticos, tomou medidas extremas de vingança que perduraram décadas. 

Sobre Elizabeth I é comum saber-se bastante, porém a minha curiosidade nesta leitura prendeu-se com a pessoa de Lettitia, que formou um triangulo amoroso com ela durante décadas. Queria conhecer a perspectiva de alguém que considerava a rainha inimiga, e achei surpreendente que a narradora se prejudicasse mais na sua avaliação do que à sua soberana; politicamente, a rainha era eficiente, ponderada e pacífica, interessava-lhe acima de tudo a paz e prosperidade do seu povo e reino. Pessoalmente, era vaidosa, possessiva e ciumenta até ao ridículo. 

Por sua parte, Lettitia não esconde a sua futilidade, leviandade e deslealdade;  contudo, também não escamoteia a responsabilidade das suas acções, sendo absolutamente sincera para o bem e para o mal. No compto geral, não me  colheu grande simpatia. 

Sem duvida, as duas protagonistas viveram momentos emocionantes das suas vidas, e da História, com elevadas alegrias mas também com episódios trágicos. Nem uma nem outra se me asseveram invejáveis. 

Sobre a escrita de Victoria Holt tenho a dizer que me decepcionou um pouco, falta-lhe captar a profundidade emocional das personagens, que devido ao seu estatuto seriam realisticamente muito mais ricos do que retratados.  Não obstante, gostei bastante desta leitura, que recomendo. 

Título: My enemy the Queen

Autora: Victoria Holt

Editora: Book Club Associates Londo

Nr de Págs: 299


Fontes:

Wikipedia

Harpercollins