«Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio se transformou em dever de todo o ser inteligente». (Georges Orwell)---------------------------------------------------------
Se dediquei mais tempo a reflectir sobre o referendo e sobre qual seria o meu voto foi apenas porque num debate, uma pessoa que era obviamente a favor do aborto, disse: - “Não imponha a sua decisão aos outros, deixe-os decidir.” Na altura pareceu-me perfeitamente razoável.
Dizem que é correcto legalizar o aborto porque a mulher deve ter o direito de decidir o que fazer com o corpo dela, mas acontece que não é O corpo dela, mas NO corpo dela. E acontece também que no corpo dela, existe um ser que deve ter direito à vida.
"A criança, dada a sua imaturidade física e mental, precisa de protecção e cuidados especiais, incluindo protecção legal apropriada, tanto antes como depois do nascimento". (Declaração dos Direitos da Criança - aprovada em Assembleia Geral da ONU em 20.11.1959) .
Dizem que estão a defender os direitos da mulher, acontece que não defendem o direito à existência dos que não podem advogar a sua causa.
Dizem que o feto com 10 semanas não é ainda um ser humano. Acontece que a condição humana não é uma questão de tempo, é humano desde a concepção.
Dizem que assim se reduz o número de crianças que nascem em condições precárias e que terminam em instituições. Mas acontece que se estas crianças ficam nas instituições, é por incompetência do Estado que não é suficientemente rápido a entregá-las a pais adoptantes, que esperam anos por essa alegria. Não esquecer que nos países onde o aborto está legalizado também há crianças abandonadas.
Dizem que assim se evitam os assassínios de recém-nascidos; mas acontece que mesmo em países onde o aborto é legal, grátis e até incentivado, como na China, aparecem recém-nascidos no lixo.
Dizem que a nossa população está a ficar envelhecida e que a taxa de natalidade é preocupantemente baixa e acontece que querem legalizar o aborto!
Dizem que as listas de espera nos hospitais para operações de saúde são longas porque não há salas de cirurgia, etc, mas acontece que para fazer abortos este problema já não se põe.
Dizem que vão fechar 25 urgências em Portugal por falta de dinheiro, porém para proporcionar um serviço grátis de aborto, já ninguém fala de problemas económicos.
As prioridades não estão trocadas?!
Não conheço ninguém que num desabafo tivesse dito: - "oh, porque é que a minha mãe não fez um aborto quando engravidou de mim?!" Porque, ainda que não admitam, as pessoas amam a vida. Vamos agora recusar este direito a quem nada pode para o defender?
Eu não quero que as mulheres que fazem abortos sejam presas, nem que recorram a “habilidosas”, nem que fiquem com sequelas graves para toda a vida, nem que morram. Porém, não posso tão pouco ser conivente com elas. Se estou a observar alguém a cometer um delito, algo que é errado e não digo nada, estarei no mínimo a ser conivente. Se eu votasse a favor, só para dar aos outros a oportunidade de escolher, estaria a ser conivente.
Finalmente, eu sou contra o aborto porque acredito que é um atentado contra as leis de Deus, um atentado contra a vida, que é um legado divino. Será que isto me dá o direito de recusar ás outras pessoas que tenham o direito contrário? O que sei, é que ao fazer o referendo, o Governo está a pedir a opinião de todos e se eu tenho que opinar, a minha resposta não pode ser contrária ao que sinto e acredito.
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Não corteis uma flor. Asa cativa,
só deixará remorso em quem a corta.
Nada mais belo que uma rosa viva...
Nada mais triste que uma rosa morta...
(Moreira das Neves)
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História antiga
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
(Miguel Torga)
Belíssimo post, belíssima a sua atitude. Eu penso que há tantos outros caminhos onde a mulher pode se precaver para nao chegar ao aborto. O caso é que dá trabalho todos os dias ter que pensar na pílula ou em outros meios para nao se deixar engarvidar. Dificil tb é fazer ver a essa gente o qto elas estao longe de Deus para tomar suas decisoes.
ResponderEliminarOi Fernanda,
ResponderEliminarTambém sou contra o aborto. Se você foi a responsável por gerar aquela vida, tem que assumir seu nascimento. No caso de estupro, ainda não cheguei a nenhuma conclusão, mas aí as coisas mudam de figura ...deve ser insuportável continuar a gravidez, né? Adorei seu post.
Um beijo grande
Não acho que seja insuportável continuar a gravidez em caso de estupro, se a mãe pensar que aquela criança é seu filho, parte de si que se desenvolve. Um inocente que não precisa ser rejeitado pela mãe porque é fruto de uma violência. O amor cobre todas as transgressões. Posso falar assim pois já vivenciei situações de abandono do pai, e a mãe amou e concebeu o bebê que hoje é uma criança muito feliz.
ResponderEliminarbeijo, menina
Olá meninas!
ResponderEliminarCompreendo a indecisão da Bruna; levar a bom término uma gravidez, fruto de uma violência tão grande,reviver essa violência todos os dias durante 9 meses, deve ser MUITO difícil.Posso compreender quem não consegue mas admiro muito quem ultrapassa esses sentimentos e consegue amar essa vida que carrega.
Beijos!
Argumento delicado.
ResponderEliminarExiste prevenção e medidas corretivas em caso de estupro, mas acho complicado decidir uma coisa tão importante pelos outros.
Vi muita miséria e crianças tratadas como animais. Será que vale a pena proibir o aborto em determinadas situações? realmente muito delicado.
Eu sou contra o aborto. Exceto no caso de estrupo, mas concordo com os posicionamentos acima, a respeito desse quesito. Sou contra o aborto porque existem inúmeras maneira de previnir e evitar uma gravidez. Será que ainda existe gente tão desinformada? Aqui no Brasil, em muitos estados os contraceptivos são distribuídos de graça à população. Muita gente não usa porque não quer. E se falta a inoformação, então é preciso transformar isso, fazer campanhas. A partir do momento que há a concepção o novo ser já está em desenvolvimento. Concordo com a Fernanda quando diz que a mulher pode fazer o que quiser com o corpo dela, mas o bebê está "dentro" no corpo, é um ser diferente, à parte!
ResponderEliminaré muita crueldade!
O importante, me parece, é que as pessoas tenham plena consciência das suas decisões, sejam pelo "sim", sejam pelo "não".
ResponderEliminarNão conheço os "tubos solares". Vou dar uma pesquisada. Gracias pela dica.
Ah! Quase não notei o português de Portugal, hehehe
Oi Fernanda,
ResponderEliminarVi de perto uma gravidez "estuprada" e depois interrompida. Vi o estrago que causou. Conheço a pessoa desde que nasci, é uma auxiliar lá de casa. :)
Mata uma curiosidade? você conhece o Brasil?
Bom fim de semana.
Beijo bemmmmmm grande
Olá de novo, BRUNA! não, nunca estive no Brasil, mas sempre quis conhecer.Dei prioridade aos paises europeus e agora com crianças tão pequenas não lhes consigo impôr voos tão longos.Deixá-las para ir de férias? Nem cogito!Portanto, será uma questão de tempo. Beijossssssssss!
ResponderEliminarOportuno o post, Fernanda, e acho que esse tema é sempre atual e merece ser discutido e repensado milhões de vezes. Parabéns!
ResponderEliminarSabe que, por abordar tal questão, você até poderia ser capa de revista? Lá nos Uivoooooooossssss saberá do que se trata.
BeijUivoooooooooossssssss da Loba
Sou totalmente contra, até pq sendo espirita e conhecendo como acontece todo o processo de uma gravidez, seria incoerente uma atitude diferente.
ResponderEliminarSó pode admitir esta hipotese uma pessoa totalmente materialista, que pensa que no feto ainda não existe vida, muito menos um espirito à espera de uma oportunidade de reencarnar para continuar sua evolução.
Beijos