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segunda-feira, 3 de abril de 2023

O filme dos Óscares

Já há imenso tempo que não ia ao cinema, nem me lembro do último filme que fui ver, e para ser sincera nem sequer me apetecia propriamente, mas o meu marido desafiou-me para "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo" (ele então já não ia há muito mais tempo do que eu...!), e os nossos filhos já tinham visto e gostado, de forma que lá fomos, algo animados. Tínhamos, aliás, visto o trailer, que confesso, contribuiu para essa antecipada animação.

A temática das linhas do tempo, de diferentes universos e infinitas possibilidades de vida atrai-me. Mas não basta. Desde logo fiquei muito decepcionada por grande parte do filme ser em mandarim, temos que olhar obrigatoriamente para as legendas; depois não esperava uma comédia, de imediato associei o filme a uma paródia do Matrix. Não foram poucas as vezes que me ri, por isso valeu. Mas no geral, achei o argumento apalhaçado demais, cheio de clichés; a casa atafulhada dos chineses, o velho pai a ser transportado em cadeiras de rodas, para as Finanças (porque cargas de água não ficava em casa?!), os mais disparatados requisitos para aceder a outra linha do tempo, como cortar a mão com papel 5 vezes (houve outra muito mais escabrosa que nem ouço descrever); claro que a filha tinha que ter uma namorada, para o filme ser inclusivo, e a família oriental também cai bem, o pacote completo do politicamente correcto. 

No fim de contas, tanto karaté e guarda-roupa estapafúrdio para contar o resgate da relação mãe & filha, pareceu-me, no mínimo, de mau gosto.  

Enfim, se é isto que agora Hollywood faz e premeia, vai de mal a pior. Ainda bem que tínhamos cartão NOS. 

Trailer aqui , mas aviso desde já que é muito enganador! 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Fillmes que vale a pena ver

Parece que por coincidência (ou será que não?), todos os filmes que tenho visto são inspirados em casos reais, e notei apenas isto ao escrever este post. Interessante.


A incrível história do carteiro Cheval TVC2
Esta história verídica, passa-se em França, na região de Droma, no séc.XIX. O carteiro Cheval, um homem suigeneris, que na aldeia consideram louco (pareceu-me que teria algum grau de autismo), após a morte da primeira mulher, e o afastamento compulsivo do filho pequeno, volta a casar e tem uma menina, Alice. Se as capacidades socais de Cheval são limitadas, e relativamente a crianças ele tem perfeita noção disso, portanto e subitamente, decide construir um palácio para a filha, que vai demorar 33 anos, de trabalho duríssimo e grandes sacrifícios. É a sua forma de homenagear a filha, de lhe demonstrar o seu amor por ela, que de outra forma não conseguiria. A arte do palácio é assombrosa, fez-me lembrar Gaudi, talvez este tenha ouvido falar dele, e se tenha inspirado. Quem sabe?!
É um filme extremamente belo e emocionante. O actor principal faz um papel magnífico!

Green Book - Um guia para a vida TVC1
Também baseado numa história verdadeira, sobre um famosos pianista negro, Don Shirley, que nos anos 60 decide fazer um tour pela América, contratando um segurança e motorista italo-americano, bastante racista. Esta viagem vai proporcionar momentos de diversão, mas sobretudo retrata uma América declaradamente racista, meio perdida entre o que era e naquilo que se tornaria, porém conciliatória, na concretização de uma amizade improvável.

A livraria TVC1
Nos anos 50, Florence, decide realizar o sonho de abrir uma livraria numa terriola perto de Londres. O gesto é arriscado mas revela-se um sucesso, até que ... surgem complicações que exigem tenacidade e empenho, mas será isso suficiente? Seja como for, a atitude desafiante de Florence deixará sementes.

A mulher que segue à frente TVC3
Inspirado em Catherine Weldon, que no séc. XIX, após se tornar viúva, decide viajar de Nova York até Dakota do Norte, a fim de pintar o último grande chefe índio, Touro Sentado. Ninguém imagina agora quão perigosa pode ser uma missão destas, porém C.W. está resoluta e nada, nem ninguém, a impedirá de fazer o que quer. 
Gostei de Jessica Chastain, num papel muito convincente entre a delicadeza e a força. A história é interessante pelo período histórico, e também pela divulgação de uma figura feminina, a pintora, que terá certamente inspirado muitas mulheres. 

Memórias de uma falsária TVC1
Inspirado em factos verídicos, contados pela própria Lee Israel, na sua autobiografia, que atravessando um período de penúria financeira, descobre que o seu talento pode ser muito mais rentável do mercado das antiguidades literárias, mais propriamente no sector das epistolas de famosos falecidos. Contudo, como não há crimes perfeitos...!
A Melissa Mccarthy também sabe fazer papeis sérios, e como! Perfeitamente credível, num papel antipático que dificilmente conquista o espectador. Mas conquista. 
A prova de que o talento pode derrapar para o lado mais fácil. 

Igualdade de sexos /Made in Dagenham TVC3
Em 1968, as trabalhadoras a Ford, em Dagenham, descobrem que apesar da igualdade de direitos, os homens recebem mais. Ignoradas pelas chefes, iniciam uma greve, reivindicando salários e benefícios iguais. Constata-se como os próprios companheiros e maridos também as discriminavam, e quando se viram em xeque, de imediato retrocederam no apoio. 
Contudo, este braço de ferro viria a dar frutos, não apenas para estas trabalhadoras, como para as de todo o pais, e do mundo.

Eu, Daniel Blake (canal?)
Acho que este é o único filme que não se baseia num caso verídico, e porém, retrata muitíssimo bem o serviço público inglês.
Daniel Blake tem um avc e fica de baixa, porém esta esgota-se e a médica recusa dar-lhe alta, pelo que ele se submete a um inquérito feito de forma totalmente desadequada, que o habilita a trabalhar. Mas a médica rejeita. Daniel Blake fica assim numa espécie de limbo, como há-de sobreviver? Pelo caminho encontra uma jovem mãe solteira que também está refém do sistema, e fazem amizade, numa aliança para conseguirem ultrapassar os problemas.
A fotografia de um sistema desumano e perverso, no qual os trabalhadores da segurança social agem como máquinas, e as pessoas são facilmente descartadas.  

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cinema fora de série

Quase a propósito dos Óscares, só que não.

Muito melhor do que ter acesso aos filmes que passaram nos Cinemas, o TVCine dá-me acesso a filmes que normalmente estão fora do circuito comercial. E que eu nunca veria. Filmes que divulgam culturas, que fazem pensar, que nos tocam e maravilham. Sem nos pretenderem convencer de nada, sem apologias a bandeiras e outros ideais.
Estas são as minhas últimas escolhas:

A lancheira é uma produção indiana.  Uma mulher envia o almoço para o marido, través do serviço de entregas de lancheiras, mas desta vez chega à pessoa errada. Começa então uma troca de bilhetes entre eles, originando mudanças num e noutro, e levando a um desfecho inesperado.
Porque este fantástico serviço de entregas de lancheiras me fascina. Porque a cultura indiana também.

A Lua de Cinderela é uma produção chinesa. Longe de ser uma imitação da Cinderela Ocidental, esta lenda data do ano 700, e vai bem mais longe na sua moralidade, valorizando o nascimento de meninas, e ensinando que o nascimento de qualquer criança é uma dádiva. A paisagem é extraordinária, o figurino lindíssimo, os cenários maravilhosos, e a música fora de série.
Porque, como disse, valoriza o nascimento de meninas, afirmando claramente que são necessárias e fundamentais para o equilíbrio no Mundo.

Que Mal Fiz eu a Deus? é uma produção francesa. Um casal burguês conservador, com 4 filhas; três delas casam com um muçulmano, um chinês e um judeu, respectivamente, enquanto a quarta filha se torna a derradeira esperança, e se case com um francês católico. Mas não poderia ser assim tão fácil!
Porque aborda um tema muito pertinente numa França inegavelmente crispada. 

Duas Semanas, é uma produção americana. Quatro filhos regressam a casa, para visitar a mãe doente terminal, acabando por ficar duas semanas. Porque é um filme brutalmente realista.

Outro aspecto positivo do TVCine é repetir a exibição dos filmes, periodicamente. Portanto, estes filmes serão exibidos brevemente, acaso seja do seu interesse.


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Cinema: Words and Pictures



Esqueci-me totalmente do nome do filme em português, porque desde o ínício  o considerei não somente um erro de tradução mas também um erro grosseiro no sentido do argumento. Ficaria muito mais correcto "Palavras e imagens", mas não, tinha que ter "amor" lá pelo meio!

Seria o primeiro filme para adultos que eu veria com o Duarte, e apesar do filme ser indicado para maiores de 12 anos, eu sabia que corria um certo risco. Já sabemos todos que estas definições de idade, no cinema, não são totalmente confiáveis. No entanto, tinha-me sido aconselhado por que me conhece bem, e também achei que a história poderia ser motivadora, para o meu filho. Talvez ele fizesse alguma ligação.

A história tem lugar numa escola secundária, onde um professor de Literatura, autor de sucesso, contudo vivendo vários problemas graves, de alcoolismo, desmotivação, e falta de inspiração, começa uma guerra com a professora de Artes Plásticas.
A questão é: - O que vale mais, a palavra ou a imagem?
Por sua vez, a professora é uma pintora consagrada que devido à doença se vê obrigada a viver naquela pequena cidade, para ter o apoio da família. Também ela está bloqueada no que diz respeito ao trabalho, desmotivada e com limitações físicas.

Esta "guerra" entre os dois professores que envolve os alunos, acaba por os motivar e envolver, de uma forma apaixonada. Até aí, os alunos comportavam-se como "droides" das tecnologias, segundo reclamação do professor, no inicio do filme.
Os próprios professores também  apaixonadamente se envolvem,  e esta competição entre imagem e palavra, provoca uma reviravolta na vida de cada um.

Os protagonistas são interpretados pelos excelentes actores Juliette Binoche e Clive Owen.
Gostei bastante do filme, e o Duarte também, o que me deixou muito feliz, nesta nossa primeira incursão cinematográfica, para adultos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Persépolis - Era uma vez, lá na Pérsia...



Não costumo ver filmes que não gosto. Pelo menos até ao final.
Há outros filmes que vejo, e gosto mas esqueço-os rapidamente.
Há outros, ainda, que me ficam na memória para sempre; e nem preciso de reve-los, porque me ficam realmente gravados na memória. Frequentemente, lembro-me desses filmes, a propósito disto e daquilo.

São esses que se tornam os meus filmes favoritos.
Como este. Tropeçei nele inesperadamente, não sabia que estava no Youtube.

Marjane Strapi, a autora do livro que se tornou filme, é uma iraniana, que conta  a sua vida e da sua família, no Irão, durante e após a revolução islâmica. De uma forma enternecedora, divertida e dramática, a história do país é reflectida na mudança da sua família.

Triste e belo, como normalmente são os filmes excepcionais. 

Aconselho muito. 

Até breve.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sábado é dia de ...

via Pinterest
Downton Abbey, que passa na SIC, pelas 23:20.
Eu vi na Fox Life e tornei-me uma fiel seguidora da série desde o primeiro minuto. É daquelas séries excepcionais que se vê e revê. E para quem não viu, eu aconselho muito. Muitíssimo, mesmo. 

É uma série histórica, que acompanha a vida dos Crawley,  uma família aristocrata inglesa, no  principio do sec XIX. Com o trágico naufrágio do Titanic, a família Crawley fica sem herdeiros, dado que por lei as mulheres não herdavam propriedades, nem títulos. E esse é o mote, para a ação que se segue, entrelaçando a vida dos "senhores", habitantes dos andares superiores, com aqueles que os servem; os segundos conhecendo a vida dos senhores intimamente, enquanto estes desconhecem inclusivamente os nomes de quem os alimenta, os veste e penteia.

Downton Abbey, retrata o fim de uma era, de mudanças de mentalidade, como a exigência do voto para as mulheres,  a difusão da ideia de igualdade para todos os homens, que ameaça abalar o sistema de classes, o nascimento do socialismo, a ameaça da primeira Guerra Mundial, etc. 

Na minha opinião, é uma história de mulheres fortes; inversamente àquilo que se vê primeiramente, em que o género feminino parece tão frágil e limitado, nas suas opções e ações, as personagens femininas  mostram-se frequentemente contestatárias e até reaccionárias, rejeitando papeis que supostamente deveriam desempenhar, porque tal se espera delas. 

A minha personagem preferida é a condessa de Grantham; estou sempre à espera que Lady Violet surja, com as suas tiradas únicas e certeiras, servidas numa bandeja de verdadeiro humor britânico. My very favorite!

Mas de tudo o que aquela época representa, de todo o luxo ostentado,  há algo que me causa uma verdadeira e assumida inveja: o tempo! 
Ver as personagens passear pelos parques, observando as árvores, passeando os cães, lendo um livro, ou conversando tranquilamente, faz-me desejar ter também essa qualidade de tempo. 

Claro que esse dolce far niente dos Senhores, é contrastante com a azafama permanente, que se vive nos andares inferiores, mas isso já é outra história. 

Para além da história, tão interessante, a banda sonora é fenomenal, o guarda-roupa belíssimo, os cenários idílicos, e os atores excepcionais.

Por tudo isto... se não teve oportunidade antes, descubra porque esta obra-prima tem sido premiada, nomeada, e referenciada pela critica.
Sábado é dia de ... segundas oportunidades!

Até breve!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Dica de filme infantil - Panda Kong-Fu 2


Entrevista aos dois espectadores:

-De um a cinco, quanto dás ao filme?
Letícia: Dou cinco! :)
Duarte: Aaaaaaah...4!

-Porque gostaste do filme?
L: Porque havia lutas, o Panda Kong-Fu estava a perder, mas ganhou!
D: Porque tem muita ação e Kong-Fu.

- Qual foi o teu momento preferido?
L: Quando o Louva estava preso numa gaiola, mas se trocou por um boneco igual a ele.
D: O momento em que todos estavam em câmara lenta, até o mestre Shi-fu, e o Panda disse: Euuuuuu gossssstoooo dissssstoooo!

- A quem aconselhas ver?
L: Crianças e adultos.
D: A famílias, especialmente crianças deveriam ver, porque é muito fixe!

Eu gostei bastante, ri muito, apesar da pancadaria. Mas para combater os maus tem que ser, não é? 

Tenham uma boa semana!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dica de cinema - O Discurso do Rei

Era um filme que eu queria muito ver, e aconteceu mais cedo do que previ, numa tarde de sábado, em que as crianças estavam alegremente ocupadas, em festas de aniversários. Programa a dois - raro!
Sabia alguma coisa do rei George VI de Inglaterra, e como são factos históricos, dos quais o segredo não é necessário para ver o filme, passo a relatar;  que sucedera a Edward VIII, seu irmão, o rei "romântico*", que abdicou por amor à norte-americana Wallis Simpson duas vezes casada, e divorciada.  Que tivera um reinado relativamente curto - 16 anos, o que obrigara a sua filha - Elizabeth II, actual monarca,  a suceder-lhe ainda muito jovem, com apenas 26 anos.

Ignorava completamente que George VI fosse gago, porque dele não reza a história como o "Rei Gago", cognome mais propositado, do que outros  reais cognomes! Porque seria? Veja o filme e descubra.

O filme não me decepcionou, e Colin Firth estava impecável, como sempre, aliás, igualmente para Geoffrey Rush, razões pelas quais as doze nomeações ( filme com maior nomeações, para os óscares!) não me espantam. Aconselho. Tenha um bom fim de semana!

* Há uma segunda versão sobre os verdadeiros  factos que levaram o rei Edward VIII a abdicar, como a sua simpatia pela ideologia hitleriana ( no filme ao de leve mencionada através das flores do embaixador alemão para Wallis Simpson); para abafar o escândalo público, o rei teria sido obrigado a abdicar, sob o pretexto de querer casar com a sua amante plebeia, de passado obscuro.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Os filmes que todos já viram...

Na era a.f. (antes filhos) eu estaria aqui a escrever sobre filmes que vi no cinema, porém como estou na era d.f. vou escrever sobre d.v.d’s. Finalmente consegui ver “O código Da Vinci”, em duas parte é certo, durante 3 dias, pois é, mas já tinha o d.v.d. há um mês, portanto por aí se vê que a minha paciência é bastante elástica. Antes de mais convém dizer que eu li o livro, por conseguinte a minha expectativa já era outra. Como o meu marido não leu o livro (acompanhou o relato que eu ia fazendo da leitura), gostou bastante do filme e parece-me que é a opinião generalizada dos que não o leram.
Bem sei que adaptar um livro daqueles ao cinema deve ser tarefa árdua, porém aí está o mérito se for bem conseguido. De facto, apesar do livro ter imensa acção, que decorre num espaço curtíssimo de tempo, em variados cenários, a informação debitada é imensa e não acredito que o espectador médio compreenda o alcance dessa mesma informação. Sendo o tema a espiritualidade, a religião e o esoterismo, imagino que para qualquer pessoa não pertencente a círculos herméticos, a sociedades secretas, grande parte do filme, lhe tenha passado ao lado.
Alguns pormenores dos quais discordo: Pareceu-me que o papel de Sophie no cinema foi mais de observadora do que de protagonista, ao contrário do livro. A ligação do Bispo Aringarosa ao Silas foi pessimamente explicada. Gostei muito mais do livro, apesar de também não achar que seja uma obra meritória de tanto destaque internacional, mas vamos fazer o quê? O marketing dos americanos consegue tudo…