segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ensinar Matemática a brincar

- Cubo, prisma triangular, triângulo e pirâmide pentagonal.
Que crianças gostam de Matemática? Muito poucas, atrevo-me a dizer. Mesmo aquelas que são boas a Matemática, normalmente não gostam. Porquê?
"Porque é chata", dizem-me. 
Já no meu tempo era assim. No entanto, aquilo que as crianças não sabem e nós pais, e educadores sabemos, é que a Matemática é uma disciplina importantíssima no percurso escolar. E que muito provavelmente o seu conhecimento e domínio será necessário, em grande parte do percurso académico dos nossos pequenos.

A Letícia continua a dizer que vai estudar Arte; para isso vai precisar de Matemática. O que ela pretende é ser pintora - pintar quadros, e por isso, saber Matemática não lhe parece que faça muito sentido, porém faz! E um dia, daqui a alguns anos ( que passem bem devagar!) ela vai com certeza entender. 

Mas para já...a Letícia não pode perder o comboio.
Resta-nos dar-lhes uma visão da Matemática mais lúdica, e concreta. E nesse seguimento, o jogo do Magnetix, que no principio não passava somente disso mesmo, tornou-se uma ferramenta e aliado muito eficiente. 

No contexto da Geometria, ensinado no 4º e 5º anos, a elaboração e compreensão de figuras geométricas a três dimensões, revelou-se muito mais fácil e absolutamente real. Porque na Matemática o problema é frequentemente esse - as crianças não conseguem tornar os problemas reais, fica tudo na dimensão do abstracto.

Por conseguinte, aconselhamos muito a pais com filhos nestes anos de escolaridade, a utilizarem o Magnetix, para estudar. 
Verá, como o estudo da Matemática se pode tornar numa brincadeira!

Tenha uma ótima semana!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Receita para o fim-de-semana: Bolo Colchão de Noiva


Eu gostava imenso deste bolo, mas quando pedia a receita à única pessoa que o fazia, ela respondia que não tinha por escrito. Que fazia "a olho". E andávamos nisto. Um belo dia, lembrei-me de procurar a receita na net. Et voilá! Encontrei-a no Roteiro Gastronómico.

É um bolo que faço frequentemente, porque é o bolo preferido do Duarte, do meu sobrinho e afilhado, e do meu primo F. De tal forma que já lhe mudei o nome, e chamo-lhe agora "bolo dos rapazes". Muito mais adequado, diga-se...
Este último foi exactamente para o aniversário do meu sobrinho.

Para além de ser um bolo muito simples e fácil, é também muito saboroso e leve. Não há quem não goste. Não há como enganar. Acho eu.


Colchão de Noiva
Felicia Sampaio
Editora Culinária do Roteiro Gastronómico de Portugal
Ingredientes:
  • 8 ovos
  • 250 grs. de açúcar
  • 150 grs. de fécula de batata ( faço com metade farinha + metade Maizena, acho que fica melhor )
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • ovos moles q.b. ( Este passo tb salto; troco-o por cobertura de baunilha)
  • granjeias q.b.
  • coco ralado q.b.
Confecção:
Misture as gemas com o açúcar e bata durante 10 minutos.
Bata as claras em castelo firme.
Envolva à gemada, alternando com a fécula de batata misturada com o fermento.
Deite o preparado num tabuleiro bem untada com manteiga.
Leve a cozer em forno médio cerca de + ou - 30 a35 minutos, mas convém verificar.
Depois de cozido e frio, corte ao meio, recheie e cubra com ovos
moles. ( Não corto ao meio, só cubro, com a cobertura de baunilha)
Polvilhe com coco ralado.
Decore com granjeias prateadas. ( Estas, dispenso sempre!)


Tenha um doce fim-de-semana!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sábado é dia de ...

via Pinterest
Downton Abbey, que passa na SIC, pelas 23:20.
Eu vi na Fox Life e tornei-me uma fiel seguidora da série desde o primeiro minuto. É daquelas séries excepcionais que se vê e revê. E para quem não viu, eu aconselho muito. Muitíssimo, mesmo. 

É uma série histórica, que acompanha a vida dos Crawley,  uma família aristocrata inglesa, no  principio do sec XIX. Com o trágico naufrágio do Titanic, a família Crawley fica sem herdeiros, dado que por lei as mulheres não herdavam propriedades, nem títulos. E esse é o mote, para a ação que se segue, entrelaçando a vida dos "senhores", habitantes dos andares superiores, com aqueles que os servem; os segundos conhecendo a vida dos senhores intimamente, enquanto estes desconhecem inclusivamente os nomes de quem os alimenta, os veste e penteia.

Downton Abbey, retrata o fim de uma era, de mudanças de mentalidade, como a exigência do voto para as mulheres,  a difusão da ideia de igualdade para todos os homens, que ameaça abalar o sistema de classes, o nascimento do socialismo, a ameaça da primeira Guerra Mundial, etc. 

Na minha opinião, é uma história de mulheres fortes; inversamente àquilo que se vê primeiramente, em que o género feminino parece tão frágil e limitado, nas suas opções e ações, as personagens femininas  mostram-se frequentemente contestatárias e até reaccionárias, rejeitando papeis que supostamente deveriam desempenhar, porque tal se espera delas. 

A minha personagem preferida é a condessa de Grantham; estou sempre à espera que Lady Violet surja, com as suas tiradas únicas e certeiras, servidas numa bandeja de verdadeiro humor britânico. My very favorite!

Mas de tudo o que aquela época representa, de todo o luxo ostentado,  há algo que me causa uma verdadeira e assumida inveja: o tempo! 
Ver as personagens passear pelos parques, observando as árvores, passeando os cães, lendo um livro, ou conversando tranquilamente, faz-me desejar ter também essa qualidade de tempo. 

Claro que esse dolce far niente dos Senhores, é contrastante com a azafama permanente, que se vive nos andares inferiores, mas isso já é outra história. 

Para além da história, tão interessante, a banda sonora é fenomenal, o guarda-roupa belíssimo, os cenários idílicos, e os atores excepcionais.

Por tudo isto... se não teve oportunidade antes, descubra porque esta obra-prima tem sido premiada, nomeada, e referenciada pela critica.
Sábado é dia de ... segundas oportunidades!

Até breve!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Filho, estás proibido de crescer!

Ilustração, via
Há dias, durante o almoço,  o meu marido dizia-me: - Já reparaste no buço do Duarte?
Virei-me para o lado e olhei.
-Aquilo não é buço! É sujidade; limpa a boca com o guardanapo, Duarte. 
Meio confuso o meu filho pegou no guardanapo, mas "aquilo" não saia.
-Deve ser marca de leite achocolatado, já seco -Insistia eu - ou então é da sombra!
Pai e filho começaram a rir-se, enquanto eu me debruçava sobre o tal buço, para o analisar. Na verdade, eu já o tinha visto antes, mas inconscientemente tinha preferido não lhe dar importância. Sei lá, podia ser que se não lhe reconhecesse a existência, ele deixasse de se exibir. 
Mas não. Estava lá e já outras pessoas começavam a reparar nele. 

Como o subterfúgio do "não te vejo, logo não existes" não estava a funcionar, resolvi ser mais direta. Já não tinha nada a perder. 

- Estás proibido de crescer, filho! Pára lá com isso, ouviste?!
O Duarte ria-se, divertido. 
- Onde é que isto vai parar?! Volvia eu. Ao bigode, à barba completa?! Qualquer dia estás mais alto do que eu. Isto não pode ser. Dizia, muito circunspecta. 
Ficou claro, pensei eu, que  brincava, porém, passados alguns dias o Duarte perguntou-me, do nada, se eu falava a sério, quando o proibi de crescer.

- Com certeza que não, meu filho, isso não é sequer algo que eu possa proibir, ou impedir. É o curso natural da vida, e eu gosto muito de te ver crescer.

- Mas gostas muito de ter filhos pequenos, não é, mãe? Insistia ele, com alguma razão, pois essa é uma afirmação que eu tenho feito ao longo dos anos. 

-Pois gosto, mas também vou gostar de todas as fases das vossas vidas; todas têm os seus encantos e descobertas, e tenho a certeza que vou aprender muito com elas. 
Acho que o Duarte ficou tranquilo, e esclarecido. 

Mas eu não. 
Realmente estou a sentir uma certa "pena" ao ver os meus filhos crescerem e afastarem-se da infância.Nem sequer é apreensão pela adolescência ( sim, chamem-me inconsciente!), mas antes uma espécie de saudade antecipada de um tempo de vida, que adorei ter experienciado.

Sim, desfrutei bastante, mas que querem?! O ser humano é cheio de conflitos e incongruências, como desejar que os filhos cresçam e sejam pequeninos, para sempre. E eu sou apenas um ser humano...

Tenham uma ótima semana!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Receita para o fim-de-semana: Meyer lemon pudding cake*

Receita original de Two peas & their pod
Não é que eu ande amarga, nem nada que o valha - a vida é bela! - porém, como os limões continuam em alta, cá por casa, tenho que lhes dar uso. E diversificado!
Esta receita é algo aproximado ao souflé, um pouquinho mais denso é certo, mas ainda assim muito leve, fofo e húmido. O gosto a limão é agradavelmente acentuado - as crianças gostaram bastante, o que já é dizer muito.

Meyer lemon pudding cake
Ingredientes:
- 4 colheres de sopa de manteiga amolecida
- 1 chávena de açúcar
- 1 colher sopa de raspa de limão
- 1/3 de chávena de sumo de limão
- 3 ovos grandes
- 1/3 de chávena de farinha ( com fermento)
- 1 chávena de sour cream ( fiz com 1/3 de chávena de leite, com 1/4 de sumo de limão)
- 1/4 de colher de chá de sal refinado
- açúcar em pó q.b.

Como fazer:
Pré-aquecer o forno a 180º e barrar a forma para ir ao forno de manteiga.
Bater a manteiga até ficar fofa. Juntar o açúcar, a raspa do limão e bater. Acrescentar as gemas, uma a uma, batendo entre cada uma delas. Juntar o sumo de limão e misturar tudo. 
Adicionar metade da farinha e metade do sour cream, batendo até ficar uma massa fofa. Repetir com a restante.
Juntar o sal refinado, e as claras em castelo, envolvendo delicadamente. 
Deitar a massa na forma ( também pode ser em ramequins) e levar ao forno, a cozer em banho-maria, cerca de 50-60 minutos.
Retirar do forno, decorar com açúcar em pó e servir morno!

Tenha um bom fim-de-semana!

Nota* -  "Meyer lemon" é uma qualidade de limão, que desconheço, mas tb pode usar-se o nosso limão nesta receita.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

As mulheres da linha da frente

Imagem daqui
Há uns anos, quando conversava com uma amiga sobre partos, e dizia que só a ideia me bloqueava, ela respondia encolhendo os ombros, que não era nada demais; a mãe tinha tido 7 filhos e dizia que tinha corrido tudo bem, as dores não eram "do outro mundo". 
No meu mundo, a minha mãe dizia e repetia, que tinha preferido a morte às dores de parto. 
Por isso eu nunca tive muita hipótese de pensar diferente; parto era dor, sofrimento para o qual eu não estava preparada. Portanto, quando comecei a ouvir falar da epidural achei que estava a salvo!

Quando engravidei do meu primogénito, e não havia forma de ele "dar a volta", permanecendo atravessado ( - deve ter sido para me fazer a vontade, porque lhe pedia isso todos os dias!), o meu obstetra, para minha alegria,  decidiu-se pela cesariana. Na altura achei ouro sobre azul. Muito melhor do que a epidural. 
E por isso, os partos para mim não foram dolorosos, nem traumáticos. E quando os meus filhos começaram a perguntar-me se me tinha doído para eles nascerem, eu respondia alegremente : Nada! Nadinha!

Já tinha decidido que a versão do parto que eu daria aos meus filhos seria diferente daquela da minha mãe. Eu sei que as circunstâncias foram diferentes, mas se eu quisesse, poderia recuperar do meu arquivo mental detalhes que não correram exatamente bem, mas prefiro não o fazer. Porque a recompensa de um parto, é um filho saudável e muito amado. Portanto, escolho lembrar-me da melhor parte.

Recentemente, ao ver no Odisseia uma reportagem ( ignoro o titulo), uma das intervenientes testemunhava, dizendo que durante anos vivera "o período" como algo incomodo, que lhe causava dores e transtornava a vida; enfim, como qualquer ocidental. E tivera que reflectir, estudar e frequentar grupos com outra atitude, para entender que o período era para ser celebrado, representava a dádiva da vida e era uma bênção. À filha, já ensinaria esta atitude. 

Com este relato compreendi, claramente, o poder e responsabilidade das mulheres da linha da frente; somos nós, as mães, as avós, as educadoras, as professoras que detemos a função de ensinar atitudes e comportamentos às gerações futuras. 
Temos o poder de mudar o que está desadequado, desajustado, e errado, revertendo os padrões mentais que se vêm repetindo geração, após geração.

Somos nós, as mulheres da linha da frente, que podemos mudar o futuro. E não falo sequer de coisas extraordinárias, que revolucionarão o Mundo, mas de mudanças pessoais que implicam mudanças de atitudes, que trazem bem-estar, tranquilidade e orgulho. Tal como viver "o período" com a compreensão total do que isso implica; tal como sentir que parir é um privilégio, experiência única e maravilhosa. Implica dor? Alguma. Mas certamente implicará muito mais sofrimento se a nossa atitude mental estiver mal-orientada.

Embora a expressão do título tenha um claro cunho militar, que se alheou do texto no seu desenvolvimento, constato por fim, que não está assim tão longe como isso; há uma certa tensão bélica na forma como educamos os filhos, e os preparamos para a vida. Resta-nos dar-lhes "as armas" adequadas, para enfrentarem a vida com uma atitude positiva e dela retirarem o melhor, sendo melhores do que a geração que os precedeu.

Até breve!