terça-feira, 8 de setembro de 2026

Eticamente Errado

Com os meus filhos agora a entrar no mercado de trabalho acompanho as dificuldades  que enfrentam, e compreendo melhor aqueles que optam por trabalhar no estrangeiro, ou preferem trabalhar para empresas estrangeiras. A ética é tão discrepante! 

O patrão português tem , no geral, uma mentalidade medíocre relativamente aos seus funcionários, está certo, o mérito de ter fundado uma empresa é sua, de a gerir para o sucesso idem, porém  esquece totalmente o facto de que não o fez nem faz sozinho, e que os seus colaboradores foram, e são,  fundamentais nesse processo. 

O patrão típico português reserva-se ao direito de beneficiar extraordinariamente do seu estatuto, relativamente aos restantes trabalhadores, porque precisamente não os vê como "colaboradores", mas como "empregados".  E isso constata-se pelo estilo de vida que exibem, e suas famílias, comparativamente com quem trabalha para eles. Daí que aqueles que têm mais capacidades, que sabem o que valem procurem trabalhos onde sejam valorizados. Portanto, a médio e longo prazo estes empresários acabam por ficar com os menos competentes ou com quem não tem alternativa para mudar para melhor, mas todos descontentes. Ora, está provado que este estado de espírito não favorece o rendimento nem qualidade de trabalho, porém, desde que as "coisas rolem" os empresários nem se apercebem, nem se importam. 

A situação tem sido esta de uma forma tacita, porém na última entrevista a que o meu filho foi, o entrevistador ( que era o patrão) perguntou-lhe directamente se ele aceitava fazer horas extra sem ser pago, ao que ele respondeu que " em casos extremos, sim", mas o entrevistador insistiu, é que "na empresa isso acontece muitas vezes, dias e semanas seguidas", e perante a reserva do Duarte, o sentimento de desagrado no rosto daquela pessoa era visível. 

Quando o meu filho saiu da empresa já sabia que não seria chamado; não tinha colaborado no requisito de trabalhar gratuitamente. Ficamos todos bastante chocados, agora já se pergunta de caras se o empregado aceita trabalhar gratuitamente? Que é isto, uma nova forma de escravatura?! 

É moralmente errado mas alguém, no desespero de encontrar trabalho, vai aceitar ser explorado. E eu não condeno esse alguém, condeno o explorador. 

Eu sou filha de um empresário, porém aquilo a que assisti, durante uma altura em que a fábrica da família esteve à beira da falência, foi bem diferente desta mentalidade, o meu pai pagava a todos os seus trabalhadores primeiro, sendo ele o último a receber o salário, que vinha frequentemente incompleto, e por partes. Saber que o meu pai foi este tipo de patrão foi para mim a verdadeira herança, e meu orgulho.  Eu sei que existem empresas portuguesas onde as práticas são pensadas no bem-estar do trabalhador e seu contentamento, porém tal como o meu pai foi, pertencem à excepção. 

É lamentável que estejamos a deixar partir os nossos melhores, é deles que o país precisa para evoluir e enriquecer, mas enquanto a mentalidade individual não mudar a situação no mercado de trabalho permanecerá tão indesejável como se vê. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

"Não gosto de ir ao Ginásio; gosto de ter ido"

Eu não gosto de ir ao Ginásio, gosto de ir ao Yoga uma vez por semana, mas ir ao Ginásio é algo que me custa imenso, por isso adiei quanto pude inscrever-me. Porém, por uma questão de saúde, constatei que estava a perder visivelmente massa muscular ( o que ocorre muito após a menopausa), e senti-me forçada a fazer algo, e o Ginásio foi a resposta. Portanto, desde fevereiro de 2025 que faço desporto no Ginásio, duas vezes por semana. 

As desculpas para não ir são diárias, e apesar de ter escolhido, para mim mesma, dois dias fixos para fazer ginástica, frequentemente adio a ida pelos mais diversos motivos, ou está a chover, ou está calor, ou prefiro fazer outra coisa qualquer, porém, forço-me a ir, ainda que sejam os dois dias seguidos, o que não gosto realmente de fazer, o que acontece raramente, mas acabo por ir. 

Outra forma de me "coagir" foi ter optado por um plano pago de 3 em 3 meses, que oferece o 4º mês, e isso é outra coisa que me motiva, saber que paguei e não estou a usufruir. Então vou. 

O importante foi dar o passo de me inscrever; a perseverança em manter-me lá é um exercício mental que faço com foco na saúde, na força, na vitalidade, que me irá proporcionar uma velhice mais fácil, portanto isto é uma espécie de investimento em mim mesma. E contudo, é inegável os efeitos que sinto após frequentar o Ginásio, tenho mais força, canso-me menos, tenho a musculatura mais definida, saio de lá mentalmente mais "arejada", e com uma sensação de dever cumprido; como disse uma colega minha : Não gosto de ir ao ginásio, gosto de ter ido!". Tal e qual. 

Outro benefício que notei foi como o Ginásio combate a dor; tenho uma lesão no menisco do joelho esquerdo, que de longe a longe me provoca uma dor de variável intensidade, mas sempre muito incomodativa, e notei que quando faço exercício a dor desaparece. Também já me aconteceu acordar com dor nas costas ( tenho escoliose) , vou ao Ginásio e a dor passa; constatei isto uma vez por acaso, tinha mesmo que ir naquele dia, apesar de estar com dor, fui e a dor sumiu! Até aí, a minha mentalidade era de evitar ir ao Ginásio quando tinha dor, com receio de esforçar aquele músculo ou membro e fazer piorar, porém o que percebi foi que precisamente acontece o contrário, quando a dor surge o exercício físico resolve. Compreendi que se eu não fizer nada a dor estala-se naquele sítio e toma conta da situação, que eu ao contrariar a dor a estou a substituí-la por uma oposição de força, esforço, saúde, que tomam conta do sítio e se instalam. Não sei se isto fará sentido para quem lê, mas é mesmo assim, se deixarmos instalar seja o que for num determinado sítio, aquilo permanece, é necessário não apenas retirá-lo mas substituir, por algo melhor. 

Então o Ginásio ensinou-me que a consistência é necessária, a paciência fundamental, e que, sobretudo, a autodisciplina é primordial.  

Seria bom gostar de ir ao Ginásio, como a minha amiga que me "arrastou" para lá, e que vai diariamente, mas pode ser que um dia descubra que já tenho esse gosto instalado ( dizem que o Desporto vicia) , entretanto foco-me naquela ideia de um dia de cada vez, e deste modo tem corrido muito bem. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Estado & Empregadores Portugueses - Falhanço Total

Tanto quanto eu saiba em todas as minhas gerações até ao meu bisavó tivemos sempre pessoas a emigrar, ele para o Brasil, mas também para África, América do Norte, França e Alemanha. Uns voltaram outros não. Mas na minha geração já não tivemos ninguém e eu pensei, sem duvidar, que Portugal tinha atingido um patamar de segurança que iria permitir aos portugueses permanecerem no seu país e conseguirem ter uma vida confortável. Quão enganada estava eu!

Já se fala há alguns anos (serão décadas?) da quantidade absurda de jovens formados que trocam Portugal por outros países onde as suas profissões são necessárias e valorizadas, de como as suas formações académicas ficam dispendiosas ao Estado Português, e que quem beneficia desse investimento são nações estrangeiras, que em nada contribuíram para esta mão-de-obra especializada. 

Que a nossa "nata"  está a ser trocada por pessoas desqualificadas ( o mito dos doutores e engenheiros já foi desmontado), tornando  Portugal ainda mais pobre. 

Agora que eu estou ainda mais perto desta realidade constato que não apenas são culpados os governantes como os empregadores portugueses, a mentalidade dos empresários portugueses é retrógrada e egoísta. Como esperar que um jovem arquitecto, que suou as estopinhas durante cinco anos, se contente em trabalhar por 950€, durante o primeiro ano? Sobretudo quando na perspectiva de ficar lhe pagam 1.100€?  Quando sabem que horas extraordinárias são comuns e não-pagas? 

Já são profissionais qualificados e continuam a ter vida de estudantes, não podem pagar mais do que um quarto alugado, num apartamento que partilham. Não podem permitir-se viver com os namorados, ou casar, porque nem um nem outro conseguem financeiramente ter a vida autónoma que precisam.

A maioria destes jovens regressa a casa dos pais, que frequentemente também lhes patrocina o carro, portanto o vencimento de que auferem é baixo mas total lucro, ainda dá para comprar umas roupas de marca e fazer umas viagens, porém, para aqueles que ambicionam trabalhar em gabinetes famosos, em empresas de renome, na maioria das vezes têm que se deslocar das casas familiares, e a vida por conta deles regressa ao orçamento contido de estudante. 

Por conseguinte, nem todos os jovens se conformam com estas possibilidades. Têm outras ambições e sonhos, e para tal são forçados a abandonar o seu país,  cá não se realizam. 

E eu responsabilizo em grande parte os empresários portugueses, enquanto não compreenderem que a riqueza criada nas suas empresas é também do mérito dos seus colaboradores, e que por isso devem ser recompensados, e continuarem a despender apenas no seu estilo de vida que reflecte o sucesso pessoal, Portugal vai continuar a perder os seus melhores.  As empresas portuguesas vão continuar a perder os seus melhores, e isto constata-se, actualmente todos os jovens que querem ficar em Portugal procuram, primeiramente, empresas estrangeiras como empregadores, pois o trabalho à distância dá-lhes essa possibilidade, e os benefícios incomparáveis. 

A mentalidade do empresário português comum continua a ser medíocre, tanto este como o Estado são aves rapaces que pouco respeito merecem. Sinto-me muito indignada com este estado de coisas, não me parece que aceitá-las e normalizá-las seja benéfico para a sociedade, em nenhum aspecto, ficamos todos mais pobres, e a nível de capital humano é absolutamente deplorável. 


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Ninho Vazio & Desapego

Sabem o que a a Numerologia? Assim abreviado e simplificado é uma "ciência" que revela imenso sobre nós através do nosso nome. Há muitos, muitos, anos tive curiosidade e alguém me fez esse estudo, encontrei-o estes dias, guardado entre outras coisas e li por alto , de tudo ressaltou-me o conselho de desenvolver o desapego. 
Palavra que eu tenho,  desde há alguns anos, intencionalmente praticado o desapego,  e achava até que estava a fazer um bom trabalho, porém este estudo surgindo-me neste momento, quando nem sequer o procurava, ressoou em mim como um sino de igreja. Entrei agora num outro nível, já não é desapego material, estes dias, estas semanas, este mês, tenho que me preparar não apenas para me desapegar da matéria, do físico, mas também do emocional, com a partida da minha filha para o estrangeiro. 

Já não é apenas a semana passada em Coimbra. Nem um semestre na Polónia. Nem um estágio na Chéquia. Tudo isso tinha bilhete de regresso, agora só há bilhete de ida, pois a mudança planeada será permanente. 

Recordo -me das vezes que outras mães me contavam sobre os filhos que tinham emigrado, e concluíam " O que nós queremos é que eles sejam felizes, não é?",  e eu respondia sempre: Sim, queremos, mas se eles pudessem ser felizes perto de nós era melhor. 
Nunca a ideia me agradou, nunca a achei natural, o natural é as famílias ficarem juntas, e existir convívio e ajuda inter-geracional, mas também não serei eu a cortar as asas dos meus filhos. Continuarei a fazer o que sempre fiz, a apoiar, a escutar, a aconselhar, e a rezar. 

Lembro-me também das vezes em que à noite, já deitada na minha cama, pensava na tranquilidade que era saber que tinha os meus filhos em casa, cada um a dormir no seu quarto. A paz que aquele pensamento me proporcionava! Ainda bem que na época eu tive o discernimento de observar e apreciar esse tempo. 

É apenas mais uma fase, desta aventura da maternidade, que terei de processar, esta está instalada na área do desapego

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"Nós não somos o que dizemos, somos o que fazemos"

O meu primo recebeu um estorno de um valor pago como caução, com um zero a mais, isto é, em vez de 200€ recebeu 2,000€. Não se apercebeu de imediato, e naquelas horas nocturnas que se seguiram perguntou a todos da família com quem se cruzou o que fariam, se estivessem no lugar dele. A empresa é internacional, o valor não teria impacto na sua economia, e podia até ser que não viessem nunca a notar o engano, acrescentava ele. 

Eu estava com a Letícia e respondemos em uníssono: "devolvia"; depois expliquei que o dinheiro não era meu, e que para a empresa  poderia não fazer diferença, mas para o funcionário que cometeu o erro poderia fazer, provavelmente pagaria ele através do seu ordenado, e ainda seria despedido. Falamos mais um pouco sobre o caso e prosseguimos para outros assuntos. 
No dia seguinte estivemos novamente juntos num passeio de família, e o meu filho foi no carro do primo, que durante a viagem lhe colocou também o dilema. Entretanto, eu e a Letícia não tínhamos comentado nada sobre o caso com ele, o Duarte ignorava totalmente a questão, portanto foi apanhado de surpresa, este ponto é importante. 

Quando já estávamos a fazer a caminhada, diz-me o meu primo que durante a viagem tinha feito "a pergunta" ao Duarte, e riu-se, o que me levou logo a pronunciar um "óh-óh!"  dubitativo, porém ele retorquiu de imediato: Espera, vais ficar orgulhosa dele. E continuou com a resposta do Duarte: - Bem, eu reconheço que é bastante tentador... mas depois perguntava-me " o que faria a minha mãe, neste caso?" E a minha mãe devolvia o dinheiro, então eu também faria o mesmo. " 
O meu primo achou muito interessante como ele foi desconstruindo a situação, até chegar a uma decisão. Mas eu fiquei realmente orgulhosa, e emocionei-me mesmo. 
O meu filho não é nenhum menino, é um homem já com 25 anos, mas revelou neste episódio tudo aquilo que eu tenho defendido aqui ao longo dos 20 anos de existência deste blogue, que a educação vem pelo exemplo. 

Nós, pais, não devemos desencorajar nunca, o nosso comportamento é a bússola que vai guiar os nossos filhos, mesmo inconscientemente replicam-nos, e por isso é importante que tenhamos também um fio de prumo, uma linha ética e moral que nos conduza ao longo da vida, por nós e pela nossa descendência. A nossa responsabilidade enquanto educadores é marcante e fundamental, não devemos nunca abdicar dela, nem delegá-la seja a quem for.  E sobretudo, devemos educar pela coerência e consistência, dizer e fazer, estamos a ser escrutinados 24horas sobre 24, e isso irá dar frutos. Bons ou menos bons, e a responsabilidade vai ser nossa. 


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Do Silêncio Vem a Resposta

Vi um vídeo de alguém a dizer que se nos sentarmos de 30 minutos a 1 hora em total silêncio, sem falar, sem música, só estar parado em silêncio, no final desse tempo a resposta para qualquer problema nos surge. É só levantar e pôr em prática essa resposta, que se irá revelar a solução certa. 

Resolvi testar, sentei-me numa cadeira de madeira, sem almofada, sem descanso para os braços, para evitar adormecer, no jardim, assim entretanto apanhava sol, e punha os pés na terra, e recostei-me, fechando os olhos. 

A audição tornou-se predominante e em vez de pensar fosse no que fosse, ouvi o que me rodeava: o zumbido de uma abelha, o canto dos pardais, o chilrear dos pássaros, os sinos da igreja, a voz de uma criança ao longe, ruído dos carros, um melro a chilrear; por vezes abria os olhos, e como tinha a cabeça recostada, via o céu, e somente o que por ele passava em silêncio, andorinhas, uma borboleta, uma libelinha, pardais, e as nuvens que mudavam de forma continuamente. E foi nelas que julguei encontrar a resposta para a pergunta inicial que fizera, quando me sentei ali com o propósito de encontrar "uma solução" entre duas escolhas. Não creio que funcione desta maneira, porque se estivesse dentro de casa não poderia observar as nuvens, e a resposta não viria dali, porém, vou pôr em prática a resposta que julguei obter, e verei o que acontece. 

Entretanto, tenciono continuar com esta prática que me pareceu muito interessante, pois é um momento que combina aterramento e meditação. Estamos continuamente sob os estímulos do ruído, seja de conversas, seja de música, seja de pensamentos, e esta imobilização silenciosa proporciona uma pausa que acalma a mente e diminui a ansiedade, ao actuar no sistema nervoso central, e reduzir o cortisol.  

E talvez com a prática essas tais respostas com a solução comecem a surgir mais claramente, seja como for este exercício parece-me benéfico e interessante. 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

E Que Profissão Escolher, Agora?

É incrível, ainda, a quantidade de pessoas que escolhe as profissões por pressão dos pais; eu compreendo que a maioria dos jovens, aos 18 anos, não saiba que profissão gostaria de ter, e sendo obrigados a escolher uma área ficam mais vulneráveis a indicações parentais, e estes, o que querem no fundo é que os filhos fiquem "bem", ou seja, que ganhem bem a vida. E quem pode recriminar os pais por tal desejo? 

A mim, o que mais me custa é saber daqueles casos em que os jovens sabem muitíssimo bem o que querem mas não lhes é permitido seguir essas áreas por uma questão de status. Os pais que forçam os filhos a optar por áreas opostas àquelas  que eles gostariam de estudar, e posteriormente trabalhar, quando eles são realmente bons nessas áreas e com óbvia paixão pelas mesmas, porque os filhos têm médias para entrar em cursos mais prestigiados, que para os pais é o factor supremo, estão a condenar os filhos à insatisfação, frustração e frequentemente à depressão. 

Conheci estes dias mais um destes casos, já com cerca de trinta anos, ainda a fazer formações, no pós-laboral,  na área que adora e a sonhar em mudar de carreira. De fora, a carreira que desempenha há treze anos no Parlamento Europeu, é invejável. Mas não para ele. 

Quando a decisão é nossa não há a quem culpar se as coisas não correrem muito bem, porém quando há a quem se possa pontar o dedo surgem sentimentos e emoções nada bons, e ainda que pareça estar tudo bem nos relacionamentos, há recalcamentos que acabam por surgir, mais cedo ou mais tarde, na forma de piadas, de ironias, e até de agressividade. 

Devemos permitir aos nossos filhos liberdade total? Não creio, devemos conversar com eles expondo os aspectos negativos  das escolhas, que a idade e experiencia de vida nos proporcionou, e a eles ainda não. Devemos confrontá-los com a responsabilidade da escolha. Este é um momento em que o jogo do equilíbrio parental deve ser executado em consciência, nem pais dominadores, nem pais omissos. Pais honestos, atentos sim, preocupados também, mas pais sem agenda própria. 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Orquestra XXI - Orgulho Português

Ontem assistimos ao concerto da Orquestra XXI, pela primeira vez, e foi soberbo! 

Composta por músicos portugueses residentes no estrangeiro, muitos membros de orquestras prestigiadas,  dirigida pelo premiado maestro Dinis Sousa desde a sua criação, reconhecida como uma das comunidades culturais mais inspiradoras de Portugal, reflecte sem dúvida uma grande cumplicidade entre músicos e maestro, resultando num som poderoso e único. 

Não sou musicóloga , mas sou melómana, e nem sequer vou frequentemente a concertos de música clássica, por isso a minha opinião vale por mim apenas, porém, vi e ouvi pela primeira vez a união do instrumento com o músico, já não se distinguia um do outro, e depois cada músico como um só corpo, foi arrepiante. 

Começaram com uma peça de Andreia Pinto Correia, não gosto no geral de música contemporânea, mas Antonin Dvorak e a pianista convidada, Marie-Ange Nguci foram extraordinários. 

Não sei o que me reserva este Verão, todavia para já este foi o seu grande momento, para mim. 

Aconselho muito, vejam os próximos concertos, Guimarães, Porto, Alcobaça e Lisboa,  aqui.

Sinfonia Nr 9 - O novo Mundo, Dvorak

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Futebol Português - O Fim de Uma Era

O Futebol é-me indiferente, porém como qualquer coisa relevante para o país, sigo minimamente. Não percebo nada desse desporto mas uma coisa sei, Cristiano Ronaldo levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo, a povos de línguas inteligíveis e exóticas, distantes e alheias à existência da nossa pátria. Pôs estrangeiros a cantar o hino português, e inspirou uma geração de jovens a tornarem-se atletas, como o norueguês,  estrela em ascensão, Haaland, e muitos, muitos mais feitos que impactaram o futebol e o nosso país, e que são reconhecidos pelas personalidades mais relevantes do futebol mundial. 

Portanto, aborrece-me que as pessoas o critiquem, insultando-o, reclamando pela sua presença, quando esta por si só impacta as equipas adversárias, e faz as pessoas irem aos estádios, ou seguirem os jogos na televisão. Ele continua a vender, e por algum motivo haverá de ser, o seu valor, talvez?!  

Porém, para os portugueses que o criticam ferozmente ganhar é o objectivo, e parece que quando a equipa ganha, é a equipa, quando perde, foi o Ronaldo! Dizem que ele deve sair para dar lugar aos jovens, e eu pergunto: Quais jovens?! Não há mais ninguém que calce as sapatilhas do CR7, e todos estes adeptos ainda irão lamentar muito a falta dele, embora tardiamente.

A era de ouro do futebol português termina com o Cristiano, Portugal passará a ser irrelevante. E este pessoal está com pressa de chegar a essa realidade. 

Agora sou eu também que desejo que o CR 7 se afaste, quero rir com a perplexidade dos ingratos quando perceberem que a selecção portuguesa já "não tem pernas para andar", e nessa ocasião vão chorar de saudades pelo tempo em que CR7 "andava a mancar pelo campo", como eu li. 

O que me irrita mais do que a falta de noção é a ingratidão. Mas estes são aqueles que vivem tanto o futebol que o resultado lhes impacta a vida a ponto de se irritarem, discutirem, perderem o sono, enfim, que vidas tristes e vazias devem ter para se deixarem tomar tão totalmente por um jogo! E o pior é que são tantos, são mesmo muitos, demasiado. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

"O que acontece de mau é a semente de algo bom"

 Contaram-me esta história, recentemente. 

Um rei de um reino distante sentia-se triste, mesmo tendo tudo o que a vida pode oferecer. Olhando pela janela observava o seu povo, que sorria, ria, parecendo realmente feliz, e pensou: o que é que eles têm para se sentirem assim? Tenho que descobrir. E decidiu viajar pelo reino, para se misturar com os seus súbditos. Ao tomar a estrada que saia da cidade encontrou um mendigo, que lhe pareceu bem-disposto e perguntou-lhe se o podia acompanhar, ao que estre respondeu afirmativamente, e prosseguiram a caminhada. 

Pelo caminho, sempre que algum problema surgia o mendigo comentava: O que acontece de mau é a semente de algo bom. Porém, quando o rei deu acidentalmente um pontapé numa pedra e feriu o dedo grande do pé, impacientou-se com a frase explicativa, e num momento de cólera empurrou o mendigo, que caiu num buraco, deixando-o ali ficar. 

Furioso, o rei prosseguiu o seu caminho aleatório, e foi dar a uma aldeia de canibais que imediatamente o rodearam e prenderam; quando o feiticeiro foi chamado para examinar a presa, e viu o dedo do pé magoado e ainda a sagrar, disse contundentemente ao seu povo: Ele não está em condições, se o comem vão-se envenenar! E eles de imediato o soltaram, enxotando-o para fora da aldeia. O rei, extremamente aliviado, e muito arrependido, correu em direcção ao sítio onde tinha abandonado o pobre mendigo, que ajudou a sair do buraco, onde estava há dois dias. Depois, pôs-se de joelhos perante ele e pediu-lhe perdão, reconhecendo que a frase " O que acontece de mau é a semente de algo bom" era de facto sábia. E o mendigo respondeu: "- Eu é que tenho de agradecer, majestade, porque se tivesse continuado consigo quem era comido era eu!".

Creio que já todos tivemos episódios na vida que atestam esta sabedoria, muitas vezes é evidente e imediata, outras vezes demora imenso tempo até fazer sentido, e outras vezes demora tanto que até nos esquecemos de correlacionar. Mas quando a "ficha cai" tudo encaixa, e ajuda bastante o processo. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Frase Perfeita

 Lido por aí... " Aonde eu for Deus vai comigo, se um dia eu não voltar eu fui com ele♥️

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Última Leitura - O Monte dos Vendavais

 

Via 

Foi daqueles clássicos que li na adolescência, e creio que se não fosse esta última polémica, a propósito do filme, em que nas redes sociais muitos se indignaram por Heathcliff ser representado por um actor branco, e pela adaptação do próprio filme, não teria repescado este livro. Não me recordava nada do Heathcliff ser negro, e recordava a história como um amor romântico infeliz. Após esta leitura concluí que devo reler, pelo menos alguns, clássicos lidos quando era jovem. Não acho que seja negro, simplesmente não era o típico inglês e o seu tom de pele era realmente mais escuro, talvez mestiço, de indiano, cigano. 

Entretanto, vi alguns minutos do último filme, por curiosidade apenas, e não consegui prosseguir, a liberdade da realizadora aniquilou a obra, àquilo já não se poderá chamar adaptação, é antes um atentado à obra original e desrespeito para com Emily Brontë. Como diz uma cliente minha americana: Eu voto com o meu dinheiro. Não pago estes disparates "modernos". 

Emily Brontë é a mais nova das famosas irmãs Brontë, o pai era vigário da igreja de Inglaterra e a mãe morreu precocemente, sendo substituída por uma tia austera;  o pai envia as três filhas mais velhas para um colégio interno, onde passaram muito mal, e posteriormente duas delas morreram, de regresso a  casa. Chegou a ser professora, mas teve que desistir devido à sua saúde frágil, era também de natureza extremamente reservada e vivia muito bem afastada do convívio social, passeando solitariamente pelas charnecas. Encorajada por Charlotte, que disse às irmãs que todas deveriam escrever um livro,  escreveu O Monte dos Vendavais em 1846, sob o pseudónimo de Curr, era comum as mulheres usarem nomes masculinos para assinarem as suas obras. O livro foi bem recebido embora sem o reconhecimento de obra-prima que lhe é presentemente atribuído. 

Emily morreu aos 30 anos, "apagou-se", poucos meses após o óbito do único irmão, Branwell, que tinha caído no vício da bebida e se autossabotado como pintor, antes considerado promissor. A única obra de Emily Brontë foi esta. 

A história tem lugar na casa de família dos Earnshaws, uma propriedade chamada Monte dos Vendavais, no Yorkshire em 1801. O Senhor Lookwood que tinha arrendado a propriedade de Thrushcross dirige-se a casa do seu senhorio, a fim de o conhecer, no Monte dos Vendavais, e aí se depara com um curioso grupo:  o próprio senhorio, Heathcliff, Cathy, Joseph e Areton, que o recebem de forma  abertamente hostil . Apesar de não se sentir bem-vindo a curiosidade sobre o grupo  leva a melhor e ele teima em regressar àquela casa tão lúgubre e ameaçadora, de onde já sai resolvido a não regressar, por se sentir indesculpavelmente insultado. Porém, o mau tempo faz com que adoeça, e nesse tempo de convalescença, Nelly, a sua governanta, que fazia parte da casa, satisfaz-lhe a curiosidade contando toda a fatídica história daqueles tristes personagens, dado que ela próprio estivera envolvida com eles, desde o início.  Ela passa assim a ser a narradora. 

Heathcliff tinha sido levado para o Monte dos Vendavais, pelo senhor Eearnshaw, apiedado por aquela criança abandonada, suja, vestida de andrajos, e " escuro que parece quase filho do diabo"; o filho, Hindley, nunca gostou dele e aproveitava todas as oportunidades para o maltratar, porém, a filha, Cathy, depressa se afeiçoou ao rapaz tornando-se inseparáveis.  Pela morte precoce do senhor da casa, Hindley assume o papel de senhor e os maltratos a Heathcliff multiplicam-se, e embora este nunca dê parte de fraco o seu ódio e rancor a Hindley crescem e alimentam-se de ideias vingativas que espera concretizar. Entretanto, o sentimento que une Heathcliff a Cathy cresce em igual medida, tornando-se uma obsessão, de parte a parte. A bela Cathy, que fora sempre travessa e caprichosa, habituada a conseguir tudo o que desejava sente-se enlevada pelo jovem Edgar, rico, bonito e educado, que seduzido pela beleza desta não retrocede perante os sinais nada abonatórios até aí demonstrados e a pede em casamento. 

O trio amoroso está condenado ao infortúnio, porém o amor resiste a tudo e todos, e nem a morte prematura acaba com o amor de Heathcliff e Cathy, determinados a ultrapassar a matéria da fisicalidade, deixando pelo caminho destruição e infelicidade, inclusive para os seus descendentes. 

O amor destes dois não tem nada de romântico, é destruidor e corrosivo. Heathcliff é a própria personificação do demónio, e Cathy a da loucura narcisista. 

Dante Gabriel Rossetti exprime sumamente o romance desta forma: " Um livro diabólico - um monstro incrível... A acção tem lugar no inferno - mas parece que os lugares e pessoas têm nomes ingleses."

Claro que recomendo a leitura.


Título : O Monte dos Vendavais

Autora: Emily Brontë

Nr de Págs: 412

Editora: Relógio d'Água

terça-feira, 9 de junho de 2026

Os Rabirruivos Escolheram o Nosso Jardim!

 

O laboratório da Paisagem de Guimarães identificou as aves 


Em menos de dois meses este casal de pássaros instalou-se no nosso anexo do jardim, fez um ninho, pôs ovos, chocou, alimentou as crias e partiu com a filharada.
 
Tínhamos obras marcadas para o anexo em Maio, desde há cerca de dois anos que procurávamos em vão quem aceitasse fazer estas obras. Porém, cancelamos tudo, adiamos sem data, a prioridade eram as aves. 

No período da construção do ninho foram bastante silenciosos, não fossemos nós fazer refeições no jardim nem nos tínhamos apercebido dos novos inquilinos. A certa altura, tornaram-se muito ruidosos com chilreios estridentes a toda a hora, com os nossos gatos em baixo , e super vigilantes, percebemos que se alertavam mutuamente. E depois quando os filhotes nasceram, e percebemos isso por transportarem no bico insectos ainda a rabiar, chilreavam os pais e os filhos. Porém, se calhava de eu entrar no anexo para ir buscar alguma coisa, o silêncio era total, sabiam que tinham de permanecer como se não existissem. A Natureza é perfeita! Dizia eu com os meus botões. 

A certa altura encostei o escadote à parede e fui lá acima, junto do tecto, queria saber quantos eram, mas não vi nada, apenas uma bola de penugem preta e fofa, e claro, não ousei aproximar a mão. 
Entretanto, à medida que as crias cresciam, o ninho também, os pais continuaram a compô-lo à medida que se expandia, continuavam a trazer musgos secos e palhinhas, entre as refeições. A Natureza é perfeita! 

Fechamos a porta do anexo para evitar a entrada dos gatos que passaram horas a fazer espera aos pássaros, e deixamos aberta, parcialmente, a janela da parte de cima, as aves entravam os gatos não; preocupávamo-nos muito com a segurança dos pássaros, os gatos são predadores impiedosos. 

No sábado à noite, enquanto arrumava a cozinha notei a Ellie à minha frente, no muro do jardim, muito agitada, a querer pôr-se em pé, enquanto olhava para cima, estranhei o comportamento e fui junto à porta; a algazarra era inaudita, os pais estavam no muro em frente da janela do anexo a chilrear de forma diferente e insistente, e de imediato pensei que estavam a chamar os filhos, e de facto, em cima do guarda-sol, aberto no jardim, estava uma ave que vi apenas por baixo, portanto, somente a sombra, que levantou voo recto pelo jardim, seguro e rápido, desparecendo no horizonte. 
Entretanto, vi que o casal de rabirruivos voava um em volta do outro, como numa dança comemorativa, e finalizaram dando um encontrãozinho um ao outro, peito com peito, como fazem os desportistas a festejar um golo; achei aquilo a coisa mais fofa e linda que vi desde há muito tempo. A natureza é perfeita!

Como é que eles sabem estas coisas todas? Escolher um sítio para construir um ninho, e estarem ambos de acordo. Começar a construir o ninho. Alimentar as crias, saber que está no momento de sair do ninho, e ambos levar as crias a saírem, de uma só vez, sem ensaios, sem voos pequenos, apenas sair voando! A Natureza é tão maravilhosa.

Desde sábado que o jardim está muito silencioso, sinto falta deles. Oxalá voltem. 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cristo É Rei!

Hoje não é feriado, é dia Santo, dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que desde o Séc.XIII proclama a fé na presença de Cristo no pão e no vinho consagrados, promovendo a devoção ao santíssimo sacramento.  

Hoje tive vontade de falar sobre este assunto por ver, e sentir, que a religião católica tem deixado um vazio perigoso, e não é somente por constatar que o vazio desampara mas por observar que o vazio não permanece nessa condição muito tempo, algo se apodera dele, algo se instala, e essa substituição neste caso particular, também assim o observo, não é benévola, pelo contrário, é extremamente perigosa. 

Eu digo há anos que não preciso da igreja-edifício para me ligar a Deus, porque me ligo a Ele em qualquer sítio, se acredito que Deus está comigo,  mas não vejo com bons olhos que as igrejas sejam destruídas ou usadas como moradias, bares, discotecas, nem sequer livrarias! O edifício sacralizado, onde durante séculos Deus foi venerado como nosso criador não pode ser adaptado ao profanado, muito menos levianamente, isso é uma afronta à Divindade, e a quem  venera Deus. Não entendo como a Igreja-Instituição permite este estado das coisas, porque tem poder para reclamar e proteger, e tinha dever de o fazer. 

Se mencionar o poder político a minha indignação só cresce perante o surreal nível de decadência, na falta de proteção da nossa matriz cristã; é verdade que o Estado é laico, porém o povo e cultura não são! E para afronta maior, os governos estão a apoiar outras religiões, expropriando bens privados, habitações e comércios, para construção de "edifícios" que manifestamente confrontam as nossas crenças, e nos percebem como o inimigo. Se isto não é a própria contradição de um Estado laico não sei o que será. 

E é assim que o vazio se preenche, com a substituição de uma religião por outra. Quem em seu juízo perfeito não prefere o Cristo manifestado entre nós com  Corpo e Sangue, para nos ensinar o amor, a tolerância e a paz? A mensagem benévola que repercutiu por séculos ainda precisa de palco para ser divulgada, precisa dos espaços sagrados para continuar a alcançar os ouvidos mais surdos, as mentes mais alheadas, os espíritos mais inquietos. 

Não podemos abster-nos, deixar passar tudo com indiferença como se nada importasse, como se não víssemos, porque é nosso dever proteger a nossa fé, a nossa história, a nossa cultura. 

terça-feira, 2 de junho de 2026

O Que Se Passa nas Maternidades?!

Há muitos anos, ainda antes de ser mãe, ouvia imensos relatos de mulheres que tiveram experiências terríficas nos hospitais  e maternidades, de tal forma que associado à experiência da minha mãe, quase 24 horas para me parir, a ponto de desejar a morte, a ideia de parto só me causava fobia e terror. 

Portanto, quando ouvi falar em epidural soube desde logo que não poderia ser de outra forma. Por acaso, até acabou por ser cesariana e correu  tudo bem, felizmente, mas eu sabia que de qualquer forma eu tinha de ir para o Privado se queria ser tratada com respeito e cuidado. E neste momento, de enorme fragilidade, todas as mulheres, todas as parturientes precisam de ser escutadas, amparadas, e respeitadas fosse lá onde fosse,  mas parece que ainda não é assim. 

Apareceu-me a partilha de uma enfermeira obstétrica com um desabafo dela, sobre situações que ainda acontecem nos hospitais, e que não deveriam, mas os comentários, os testemunhos das mulheres que pariram nos hospitais públicos são de arrepiar os cabelos! Eu não sabia que ainda havia disto, que profissionais de saúde ainda dizem: Para o fazer não gritou, pois não?! Não grite, pare de gritar! 

Mas o que é isto, meu Deus?! Que gente é esta? A veterinária dos meus animais trata-os com mais carinho e empatia do que estes... profissionais. Isto choca-me profundamente. 

Ando a ver uma série chamada "Call the midwife" baseada nas memórias de Jennifer Worth* , enfermeira-parteira, que trabalhou numa área pobre de Londres, durante os anos 50, e o que mais me toca é o respeito que aquelas enfermeiras, algumas freiras-parteiras, demonstram pelas parturientes.  O trato afável, firme mas sempre empático, que exercem sempre. Se fosse sempre assim, o medo das mulheres seria reduzido apenas à dor inerente do facto de ter um pequeno corpo a sair do nosso próprio, o que exige um esforço brutal.  Porém, abuso obstétrico continua a vigorar, para piorar o momento e traumatizar as mulheres. 

Aliás, aconselho imenso a série, é excelente. Faria, sobretudo, bem a essas profissionais de saúde aprender com quem escolheu a profissão por vocação e amor ao seu próximo. Aquilo não foi ficção, o que me parece inventado são as histórias surreais nos comentários partilhados no Instagram. Triste. 

Podem ver aqui. 

* Jenny

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Açorda Simples



Por vezes apetece-me uma comida mais rústica, de conforto,  e Açorda é a resposta, para além de ser algo fácil de confeccionar. Eu faço isto a olhómetro, portanto o resultado é variável, mas como depende do gosto de cada um é só adaptar com os ingredientes que parecem faltar, desta vez ficou um pouco seca e confesso que gosto mais quando fica mais molhadinha, mas ainda assim soube-me muito bem. 

Açorda
Ingredientes:
Pão de Rio Maior, de véspera
Azeite q.b.
4 Dentes de alho
1 folha de louro
Sal e pimenta q.b.
1 ovo

Como fazer:
Cortar o pão aos pedaços grandes, colocar numa saladeira e verter água a ferver até cobrir; deixar alguns minutos até ficar bem demolhado. Escorrer o pão, verter para o tacho e desfazer bem com a ajuda da colher de pau. 
Deitar um fio de azeite generoso, o louro, o alho picadinho, mexer bem, até ficar tudo desfeito; bater o ovo e misturar, voltar a mexer, e temperar com sal e pimenta a gosto. 

Eu servi com avos mexidos, e batata "frita" assada no forno com pele e ervas, porque a proteína não pode faltar, e ovos mexidos é a minha solução preferida. 


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jovens Que Adoram o Trabalho

É tão bom ver que há jovens que adoram as profissões que exercem! Encontraram o seu elemento, e depois têm a sorte de encontrar o local para o exercer, e ainda a sorte fundamental de entrarem num ambiente de trabalho saudável e descontraído, onde a equipa funciona como um todo.  Tudo isto é possível! 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Inveja

 Estes dias ouvi num podcast o entrevistado responder que nunca tinha tido inveja de outras pessoas conhecidas, na área dele, porque nunca tinha visto neles nada que ele gostasse de ter. E fiquei a pensar se era isso que motivava a inveja; penso que não, há outras molas que espoletam a inveja, uma delas, por exemplo, é ter já o que o outro possui, mas querer ter mais, ou seja, estar à frente do outro, acima do outro. 

Houve uma época em que eu afirmava, convictamente,  que se havia defeito que eu não tinha era a inveja, efectivamente eu não invejava o carro topo de gama, a mansão com  piscina, a fama, ou o que quer que seja que normalmente as pessoas invejam. Porém, um dia  descobri que os meus alvos eram o intangível, qualidades que via noutros e sabia não possuir. Confesso que fiquei bastante chocada, foi um baque... mas também uma revelação sobre mim mesma, e eu estou aqui para saber a verdade, sem contemplações. Portanto, comecei a ficar mais atenta a mim mesma. A observar-me. E a desmontar as minhas emoções. 

Eu penso que a inveja é inerentemente humana, e que não devemos sentir culpa por isso. Desde que vista, constatada e processada, para que seja neutralizada. A inveja que arranca para pensamentos negativos, para desejos de boicote do outro, é que deve ser condenável, e por isso "tratada".  Ninguém é feliz apenas por possuir bens materiais, ou por ser célebre, aliás sabemos frequentemente de pessoas que possuem tudo isso, e não o são. Acaba por ser um desgaste de energia inócuo, sentir inveja dessas coisas. 

Um dia, todos sairemos daqui sem  os carros, as casas, as joias, os livros, as colecções, só levamos connosco aquilo que somos, que fomos e construímos. A inefável leveza do ser.  E o nosso foco deve ser esse. 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Como Gerar Uma Renda

Há uns anos alguém me enviou um email, através do blogue, a desabafar sobre a dificuldade de ser mãe a tempo inteiro e não conseguir ganhar dinheiro, na época eu dei algumas dicas, porém a resposta dela só me apresentou dificuldades, não sei se era de facto impossível ou se era daquele tipo de pessoas que se foca somente nos problemas, e não na solução.

Porém, o exemplo daquela senhora permaneceu comigo, e este artigo ainda vem nesse seguimento. A plataforma Vinted apresenta-se como outra solução, sem investimentos, sem comissões, sem nada a perder. E ainda destralhamos a casa!
 
Foi assim que comecei, há cerca de 2 anos, tinha um saco de roupa para doar, na garagem já há algum tempo, sem saber aonde me dirigir para o efeito, quando me lembrei de antes tentar vender na Vinted, e consegui vender grande parte. Passou a ser o meu método, antes de doar passa pela Vinted uns meses. Entretanto, já gerei cerca de 1400€, o que não sendo o correspondente a um vencimento é uma quantia considerável.

Embora não sendo nenhum génio de vendas, há algumas coisas que já aprendi e passo a partilhar, para vendas bem sucedidas: 

 1. Lavar e passar as roupas, antes de fotografar.
2. Escolher uma cruzeta com bom aspecto; eu uso sempre de madeira. 
3. Escolher um fundo neutro; eu escolho a porta, deixando quase sempre a roupa pendurada, ( nunca vestir, os corpos são diferentes e podem dar impressão errada). 
4. Escolher uma boa luz natural, de dia e luz que vem detrás. 
5. Fotografar a peça de vários ângulos, incluindo sempre a etiqueta.
6. Referir porque vendo a peça, dá credibilidade.
7. Mencionar o ambiente da casa, "não fumadores", por exemplo, dá a impressão de casa limpa.
8. Referir, quando possível, aonde foi feita a peça, noto que a preocupação com a origem tem vindo a crescer, e sendo "Made in Portugal" ou noutro país europeu é uma mais-valia. 
9. Escolher o valor não pelo que a plataforma sugere mas pelo preço dos outros vendedores; eu opto por um valor ligeiramente mais baixo, para ganhar vantagem. 
10. Aumentar sempre 5€ para dar manobra a propostas de preço.
11. Rejeitar propostas muito abaixo, porém fazer sempre uma contra-proposta. 
12. Ser rápido na resposta a propostas, aumenta a possibilidade do comprador ainda estar na plataforma, e de dar seguimento à compra. 
 13. Fazer proposta de venda a todos os que dão "like" ao anúncio, oferecendo menos os tais 5€. 
 14. Colocar à venda os artigos de roupa da estação, agora apenas roupa de primavera/verão, as pessoas da Vinted não compram, por regra, para as estações adiante, é para vestir já! 
15. Fazer os embrulhos a custo 0 e cuidados; uso sempre sacos e envelopes que guardo de encomendas recebidas e junto uma nota de agradecimento.
 16. Enviar rapidamente, o comprador agradece no feedback e isso reflecte-se na imagem do vendedor. 

 E boa sorte🍀!

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Arte Para Todos!

Este fim-de-semana , no Porto, há 40 museus grátis para visitar, em celebração do dia do museu; apesar da maioria das pessoas conhecer os principais há, certamente, nesse lote alguns que desconhecemos. Tenciono aproveitar a oferta. 

Para mim, a cultura é uma das coisas mais preciosas que a Humanidade é capaz de produzir ( excepto a contemporânea, se eu sou capaz de reproduzir não presta!), mas só quando nos enleva e eleva cumpre o seu papel. 

Poderá não ser um gosto inato porém é um gosto que se ensina e cultiva, e por isso mesmo é importante que os mais velhos encaminhem os mais novos para o desfrute da Arte, expondo -os à mesma, conversando com eles sobre o representado, explicando -lhes o que eles ainda não sabem, sobre História, mitologia, religião,  natureza e tudo mais; não é obrigatório possuir uma grande cultura, actualmente munidos de um telemóvel a pesquisa sobre os temas pode ser feita na presença das obras de arte, passa a ser uma descoberta conjunta. O importante é ir, com disponibilidade e vontade!