segunda-feira, 3 de julho de 2023

Como Médico e Ser-Humano

Stay AWAY from DOCTORS

Dr. Suneel Dhand fala neste vídeo como médico e ser-humano, alertando para o sistema actual de saúde, o que os jovens médicos não conseguem fazer, após o endividamento a que estão sujeitos para conseguirem tirar o curso de Medicina, tornam-se reféns. 
Diz que os médicos, actualmente, parecem robots, agarrados ao computador, mal fazendo contacto visual com os pacientes, e apenas seguindo o "Cookbook medicine protocol: já fez isto, e aquilo, tomou esta injecção, coloca cruz, tome isto, tome aquilo, que medicamente precisa que prescreva?" São somente vendedores de drogas, sem querer saber a raiz dos problemas, sem querer dialogar com os pacientes.

Quem é que ainda não passou por esta experiência? É um retrato exacto e inegável. 

Graças a Deus, há uma tendência crescente de médicos que estão a ver o sistema actual tal como é, terrível, e a quererem afastar-se dele, fazendo diferente, vendo a Medicina como um todo, e querendo realmente curar os pacientes, e não pretendendo manter a clientela ao contrário da indústria farmacêutica. Na mesma linha são cada vez mais pacientes que procuram estes médicos, que estão, de facto, interessados em escutá-los, que tiram tempo para eles, e pretendem encontrar a causa da doença, enfim, médicos com vocação de curadores. 

Activem as legendas automáticas em Português, se não conseguirem entender Inglês, que vale muito a pena ouvir este médico. 

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Saudades da Infância

Saudades Roxas

No ano passado comprei as sementes, mas não deu resultado, é bem mais difícil cultivar a partir de sementes, é a conclusão a que tenho chegado, mas também tive a feliz ideia de trazer dois ou três pés da casa da minha mãe, que pegaram, embora não tenham florido.

Porém, este ano já nos brindaram com algumas flores, e à primeira que abriu, debrucei-me sobre ela, para aspirar o seu odor, como faço sempre. Instantaneamente, fui transportada no tempo, para a minha infância: dias de Verão, muito quentes, eu transpirada, colante, e de rosto afogueado, no meio das flores, a ouvir o zumbido das abelhas e borboletas, em número incrivelmente abundante. 

Nas vezes seguintes que ia ao jardim, pela manhã, repetia o gesto, e a memória olfactiva desencadeava, velozmente, o momento no passado. Agora estou a refrear-me um pouco, de forma a não "gastar" tudo de uma vez, quero continuar a sentir aquele impacto que me transporta no tempo. 

Bateu-me uma nostalgia, dos longos Verões quentíssimos, abafados, e que nem assim nos impediam de sair para brincar. Tudo era natural, sem etiquetas nem títulos de jornal terríficos. Apenas desfrutávamos do Verão, e da vida. E éramos felizes. 

terça-feira, 27 de junho de 2023

A Família Não Abandona!

Via

Do nada, ontem, comecei a ouvir no jardim uma algazarra enorme de passarinhos que me obrigou a olhar pela porta de vidro, para perceber o que se passava; a Becas, uma das gatas, estava aninhada de costas para mim, absolutamente estática, e por cima dela voavam três ou quatro pardais em chilreio estridente. Ainda sem perceber o que se passava, abri a porta e apressei-me para junto dela, notei que os pássaros se afastaram menos de um metro, continuando em grande alvoroço, e vi que entre as patas e a boca, mantinha preso um passarinho. 

Forcei a Becas a largá-lo e ele voou baixinho assustado, certamente em choque, para um arbusto que lhe surgiu como primeiro refúgio, mas logo surgiu correndo a Ellie, a outra gata, o que obrigou a pequena ave a voltar para debaixo do caramanhão, enquanto o chilreio de alarme continuava; peguei nas duas gatas ao colo, com voz de comando, e levei-as para a lavandaria onde as fechei. 

Eu só pensava "Oxalá ela não tenha ficado ferida, e consiga voar!", pois, por mais de uma vez consegui libertar as aves das gatas, mas já estavam demasiado feridas, e não sobreviveram. Voltei ao jardim com cuidado e ouvi barulho nos arbustos, mas nunca mais vi o pardalito, apenas a mãe, que em cima da corda da roupa parecia chamar o filho. Decidi deixá-los sossegar e voltei para dentro, rezando para que o pequenino conseguisse voar com a mãe e irmãos. 

O resgate, por assim dizer, aconteceu em poucos segundos, eu não vi sequer a cena nitidamente, apenas a gata aninhada e estática, os passarinhos a voar em volta dela, num chilreio estridente, e a não fugirem sequer com a minha presença. A família não abandonou um dos seus, os irmãos, ainda a aprenderem a voar, mantiveram o predador paralisado, na tentativa de salvar o irmão. Isto é família no sentido mais básico e instintivo. Uma capacidade que a maioria dos pais humanos parece ter descurado, esquecido ou na pior das hipóteses, perdido.  

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Receita de Molho de Abóbora-Menina

Talvez este molho de abóbora seja mais adequado às estações frias, porque é quando temos abóbora, e falta o tomate, ao contrário de agora, em que os tomates começam a abundar, porém, esta foi a segunda vez que fiz o molho, e gostamos tanto, achamos tão nutritivo e saboroso que resolvi partilhar à mesma. Ainda tenho abóboras, pelo que vou continuar a fazer este prato, apesar do calor. 

Molho de abóbora-Menina
Ingredientes:
Meia abóbora-menina
Meia cabeça de alho
Sal, pimenta e azeite a gosto
Um ramo de alecrim
Meio pacote de natas vegetais

Como fazer:
Assar a abóbora no forno, na qual se faz cortes de ponta a ponta, com a faca, verter sobre ela azeite, colocar-lhe o ramo de alecrim, e o alho com pele;  levar a assar até ficar macia ( é aconselhável tapar com uma folha de alumínio para não queimar, a meio da cozedura).
 
Deixar arrefecer um pouco e retirar o interior da abóbora com ajuda de uma colher, para o processador, onde se lhe junta também os alhos espremidos ( já sem pele), temperar-se com sal e pimenta a gosto, bate-se tudo, e por fim as natas, batendo só um pouco para misturar. 
Está pronta para servir com massa! 

Aqui juntei ao prato grão-de-bico cozido, salteado em azeite e molho de soja, e deixei caramelizar. Para refrescar um pepino salpicado de sal marinho. Combinou tudo lindamente. 

 

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Dica de Leitura - Darling



India Knight, nascida Gisele Aertsens, em 1965, é uma jornalista e autora britânica, cujos livros estão traduzidos em 28 línguas. Infelizmente, não é o caso deste livro, o que é uma enorme pena, porque é excelente. 

O cenário localiza-se entre Norfolk e Londres. Este romance é narrado por uma das personagens,Fran, que vive numa cottage com a tia Emily, perto dos tios, Sadie, Mathew e 4 primos, Robin, Jassy, Louisa, e Linda, e onde Fran também passa longas temporadas. Inicialmente é narrada a história da família, mas desde cedo se percebe que a personagem principal é a carismática Linda. A sua vida é contada detalhadamente, seja pela informação recolhida através da própria, através dos familiares e amigos, mas também pela observação da própria Fran, que mostra conhecer a prima intimamente. 

Mathew foi cantor numa banda de rock de sucesso, que lhe trouxe dinheiro e fama, porém, querendo com Sadie, proporcionar aos filhos um ambiente saudável e mais terra-a-terra, mudara a família para uma quinta no Norfolk rural, sem vizinhos, sem televisão e muito menos internet. As crianças eram ensinadas em casa, pela mãe, o que deu resultados pouco convencionais, mas do agrado dos progenitores. O pai podia ser maniento, excêntrico, irascível com determinadas questões, mas para mim, enquanto leitora, é hilariante, e sem dúvida a minha personagem preferida. Sadie, mais diplomática, é a cola que agrega a família, a voz do bom-senso nas horas de crise. 

Porém, por muito que se queira preservar os filhos do mundo, se os filhos não vão para o mundo, o mundo vem aos filhos! Acontece, quando o mais recente vizinho, um jovem estilista de renome, é convidado para a festa de aniversário de Louisa onde conhece Linda, a beldade da família. Apesar de interditadas as visitas ao excêntrico vizinho Linda e Fran saem à socapa com frequência, deslumbradas com o mundo que ele lhes revela, acabando Linda por fugir com Merlin para Londres, onde se torna modelo de sucesso. Inicialmente, os pais ficam em choque, preocupados, mas decidem respeitar e dar espaço. Mais tarde, Fran também sai, para estudar na Universidade, e a amizade entre as primas continua forte e verdadeira.

Linda entra num corropio de desfiles, viagens, festas, romances, exactamente aquele mundo que o pai frequentara e do qual pretendia poupá-la. Apaixona-se, casa-se, uma e duas vezes, tem uma filha, por quem não sente instinto maternal, e da qual abdica com uma facilidade chocante, até para os seus. Muda de profissão, de casa, viaja, conhece outro amor, por quem fica perdida, esquecendo o tempo e responsabilidades, provocando assim um certo mistério no seio familiar, que se interroga continuamente "onde está Linda?", mais por curiosidade do que preocupação, e depois... o desenlace. Não vou mentir, verti umas lágrimas. É assim de bom.  

Basicamente, trata da procura pelo amor verdadeiro. Num registo moderno com grande sentido de humor. Adorei, daqueles livros que se quer ler, e em simultâneo poupar páginas. 

Título: Darling

Autora: India Knight

Editora: Penguin Random House

Nr de Pags: 277

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Verão no Jardim

 

Inaugurar o mês dos Santos Populares: manjerico e pratos de barro
 

Há muito que deixei de ver as notícias, mas de uma forma ou outra, sobretudo porque há pessoas que fazem questão de as repetir, inevitavelmente muitas das "notícias" chegam até mim; é o caso da seca extrema, e da promessa de um Verão muito quente, devido às alterações climáticas. 

Não me alarmei porque, obviamente, já percebi que os profetas da desgraça são um autentico logro e em questões de adivinhação mais vale não sofrer antecipadamente, o futuro a Deus pertence. Por outro lado, via o caudal do Rio bastante normal, nada de preocupante. E a chuva que caía de quando em vez, e até logo após aqueles dias quentes de Maio. Poucas vezes reguei o jardim, ao contrário do ano passado, e ele está verdíssimo, como se vê na foto. 

Ainda não ousamos montar a mesa no jardim, temos usado a mais pequena, por ser facilmente desmontável, e praticamente, dia-sim, dia-não, tem que ser recolhida porque surge uma chuvada. 

Entretanto, ainda não inauguramos a época das jantaradas de verão no jardim, para a família alargada e amigos, temos sido apenas nós, mas espero que entretanto o Verão venha como habitualmente, para nos proporcionar tudo de bom, como sempre. A vida é para ser vivida sem medos. Muito menos medos hipotéticos.