segunda-feira, 3 de julho de 2023
Como Médico e Ser-Humano
quinta-feira, 29 de junho de 2023
Saudades da Infância
![]() |
| Saudades Roxas |
No ano passado comprei as sementes, mas não deu resultado, é bem mais difícil cultivar a partir de sementes, é a conclusão a que tenho chegado, mas também tive a feliz ideia de trazer dois ou três pés da casa da minha mãe, que pegaram, embora não tenham florido.
Porém, este ano já nos brindaram com algumas flores, e à primeira que abriu, debrucei-me sobre ela, para aspirar o seu odor, como faço sempre. Instantaneamente, fui transportada no tempo, para a minha infância: dias de Verão, muito quentes, eu transpirada, colante, e de rosto afogueado, no meio das flores, a ouvir o zumbido das abelhas e borboletas, em número incrivelmente abundante.
Nas vezes seguintes que ia ao jardim, pela manhã, repetia o gesto, e a memória olfactiva desencadeava, velozmente, o momento no passado. Agora estou a refrear-me um pouco, de forma a não "gastar" tudo de uma vez, quero continuar a sentir aquele impacto que me transporta no tempo.
Bateu-me uma nostalgia, dos longos Verões quentíssimos, abafados, e que nem assim nos impediam de sair para brincar. Tudo era natural, sem etiquetas nem títulos de jornal terríficos. Apenas desfrutávamos do Verão, e da vida. E éramos felizes.
terça-feira, 27 de junho de 2023
A Família Não Abandona!
![]() |
| Via |
Do nada, ontem, comecei a ouvir no jardim uma algazarra enorme de passarinhos que me obrigou a olhar pela porta de vidro, para perceber o que se passava; a Becas, uma das gatas, estava aninhada de costas para mim, absolutamente estática, e por cima dela voavam três ou quatro pardais em chilreio estridente. Ainda sem perceber o que se passava, abri a porta e apressei-me para junto dela, notei que os pássaros se afastaram menos de um metro, continuando em grande alvoroço, e vi que entre as patas e a boca, mantinha preso um passarinho.
Forcei a Becas a largá-lo e ele voou baixinho assustado, certamente em choque, para um arbusto que lhe surgiu como primeiro refúgio, mas logo surgiu correndo a Ellie, a outra gata, o que obrigou a pequena ave a voltar para debaixo do caramanhão, enquanto o chilreio de alarme continuava; peguei nas duas gatas ao colo, com voz de comando, e levei-as para a lavandaria onde as fechei.
Eu só pensava "Oxalá ela não tenha ficado ferida, e consiga voar!", pois, por mais de uma vez consegui libertar as aves das gatas, mas já estavam demasiado feridas, e não sobreviveram. Voltei ao jardim com cuidado e ouvi barulho nos arbustos, mas nunca mais vi o pardalito, apenas a mãe, que em cima da corda da roupa parecia chamar o filho. Decidi deixá-los sossegar e voltei para dentro, rezando para que o pequenino conseguisse voar com a mãe e irmãos.
O resgate, por assim dizer, aconteceu em poucos segundos, eu não vi sequer a cena nitidamente, apenas a gata aninhada e estática, os passarinhos a voar em volta dela, num chilreio estridente, e a não fugirem sequer com a minha presença. A família não abandonou um dos seus, os irmãos, ainda a aprenderem a voar, mantiveram o predador paralisado, na tentativa de salvar o irmão. Isto é família no sentido mais básico e instintivo. Uma capacidade que a maioria dos pais humanos parece ter descurado, esquecido ou na pior das hipóteses, perdido.
sexta-feira, 23 de junho de 2023
Receita de Molho de Abóbora-Menina
Talvez este molho de abóbora seja mais adequado às estações frias, porque é quando temos abóbora, e falta o tomate, ao contrário de agora, em que os tomates começam a abundar, porém, esta foi a segunda vez que fiz o molho, e gostamos tanto, achamos tão nutritivo e saboroso que resolvi partilhar à mesma. Ainda tenho abóboras, pelo que vou continuar a fazer este prato, apesar do calor.
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Dica de Leitura - Darling
India Knight, nascida Gisele Aertsens, em 1965, é uma jornalista e autora britânica, cujos livros estão traduzidos em 28 línguas. Infelizmente, não é o caso deste livro, o que é uma enorme pena, porque é excelente.
O cenário localiza-se entre Norfolk e Londres. Este romance é narrado por uma das personagens,Fran, que vive numa cottage com a tia Emily, perto dos tios, Sadie, Mathew e 4 primos, Robin, Jassy, Louisa, e Linda, e onde Fran também passa longas temporadas. Inicialmente é narrada a história da família, mas desde cedo se percebe que a personagem principal é a carismática Linda. A sua vida é contada detalhadamente, seja pela informação recolhida através da própria, através dos familiares e amigos, mas também pela observação da própria Fran, que mostra conhecer a prima intimamente.
Mathew foi cantor numa banda de rock de sucesso, que lhe trouxe dinheiro e fama, porém, querendo com Sadie, proporcionar aos filhos um ambiente saudável e mais terra-a-terra, mudara a família para uma quinta no Norfolk rural, sem vizinhos, sem televisão e muito menos internet. As crianças eram ensinadas em casa, pela mãe, o que deu resultados pouco convencionais, mas do agrado dos progenitores. O pai podia ser maniento, excêntrico, irascível com determinadas questões, mas para mim, enquanto leitora, é hilariante, e sem dúvida a minha personagem preferida. Sadie, mais diplomática, é a cola que agrega a família, a voz do bom-senso nas horas de crise.
Porém, por muito que se queira preservar os filhos do mundo, se os filhos não vão para o mundo, o mundo vem aos filhos! Acontece, quando o mais recente vizinho, um jovem estilista de renome, é convidado para a festa de aniversário de Louisa onde conhece Linda, a beldade da família. Apesar de interditadas as visitas ao excêntrico vizinho Linda e Fran saem à socapa com frequência, deslumbradas com o mundo que ele lhes revela, acabando Linda por fugir com Merlin para Londres, onde se torna modelo de sucesso. Inicialmente, os pais ficam em choque, preocupados, mas decidem respeitar e dar espaço. Mais tarde, Fran também sai, para estudar na Universidade, e a amizade entre as primas continua forte e verdadeira.
Linda entra num corropio de desfiles, viagens, festas, romances, exactamente aquele mundo que o pai frequentara e do qual pretendia poupá-la. Apaixona-se, casa-se, uma e duas vezes, tem uma filha, por quem não sente instinto maternal, e da qual abdica com uma facilidade chocante, até para os seus. Muda de profissão, de casa, viaja, conhece outro amor, por quem fica perdida, esquecendo o tempo e responsabilidades, provocando assim um certo mistério no seio familiar, que se interroga continuamente "onde está Linda?", mais por curiosidade do que preocupação, e depois... o desenlace. Não vou mentir, verti umas lágrimas. É assim de bom.
Basicamente, trata da procura pelo amor verdadeiro. Num registo moderno com grande sentido de humor. Adorei, daqueles livros que se quer ler, e em simultâneo poupar páginas.
Título: Darling
Autora: India Knight
Editora: Penguin Random House
Nr de Pags: 277
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Verão no Jardim
![]() |
| Inaugurar o mês dos Santos Populares: manjerico e pratos de barro |
Há muito que deixei de ver as notícias, mas de uma forma ou outra, sobretudo porque há pessoas que fazem questão de as repetir, inevitavelmente muitas das "notícias" chegam até mim; é o caso da seca extrema, e da promessa de um Verão muito quente, devido às alterações climáticas.
Não me alarmei porque, obviamente, já percebi que os profetas da desgraça são um autentico logro e em questões de adivinhação mais vale não sofrer antecipadamente, o futuro a Deus pertence. Por outro lado, via o caudal do Rio bastante normal, nada de preocupante. E a chuva que caía de quando em vez, e até logo após aqueles dias quentes de Maio. Poucas vezes reguei o jardim, ao contrário do ano passado, e ele está verdíssimo, como se vê na foto.
Ainda não ousamos montar a mesa no jardim, temos usado a mais pequena, por ser facilmente desmontável, e praticamente, dia-sim, dia-não, tem que ser recolhida porque surge uma chuvada.
Entretanto, ainda não inauguramos a época das jantaradas de verão no jardim, para a família alargada e amigos, temos sido apenas nós, mas espero que entretanto o Verão venha como habitualmente, para nos proporcionar tudo de bom, como sempre. A vida é para ser vivida sem medos. Muito menos medos hipotéticos.




