quarta-feira, 21 de junho de 2023

Dica de Leitura - Darling



India Knight, nascida Gisele Aertsens, em 1965, é uma jornalista e autora britânica, cujos livros estão traduzidos em 28 línguas. Infelizmente, não é o caso deste livro, o que é uma enorme pena, porque é excelente. 

O cenário localiza-se entre Norfolk e Londres. Este romance é narrado por uma das personagens,Fran, que vive numa cottage com a tia Emily, perto dos tios, Sadie, Mathew e 4 primos, Robin, Jassy, Louisa, e Linda, e onde Fran também passa longas temporadas. Inicialmente é narrada a história da família, mas desde cedo se percebe que a personagem principal é a carismática Linda. A sua vida é contada detalhadamente, seja pela informação recolhida através da própria, através dos familiares e amigos, mas também pela observação da própria Fran, que mostra conhecer a prima intimamente. 

Mathew foi cantor numa banda de rock de sucesso, que lhe trouxe dinheiro e fama, porém, querendo com Sadie, proporcionar aos filhos um ambiente saudável e mais terra-a-terra, mudara a família para uma quinta no Norfolk rural, sem vizinhos, sem televisão e muito menos internet. As crianças eram ensinadas em casa, pela mãe, o que deu resultados pouco convencionais, mas do agrado dos progenitores. O pai podia ser maniento, excêntrico, irascível com determinadas questões, mas para mim, enquanto leitora, é hilariante, e sem dúvida a minha personagem preferida. Sadie, mais diplomática, é a cola que agrega a família, a voz do bom-senso nas horas de crise. 

Porém, por muito que se queira preservar os filhos do mundo, se os filhos não vão para o mundo, o mundo vem aos filhos! Acontece, quando o mais recente vizinho, um jovem estilista de renome, é convidado para a festa de aniversário de Louisa onde conhece Linda, a beldade da família. Apesar de interditadas as visitas ao excêntrico vizinho Linda e Fran saem à socapa com frequência, deslumbradas com o mundo que ele lhes revela, acabando Linda por fugir com Merlin para Londres, onde se torna modelo de sucesso. Inicialmente, os pais ficam em choque, preocupados, mas decidem respeitar e dar espaço. Mais tarde, Fran também sai, para estudar na Universidade, e a amizade entre as primas continua forte e verdadeira.

Linda entra num corropio de desfiles, viagens, festas, romances, exactamente aquele mundo que o pai frequentara e do qual pretendia poupá-la. Apaixona-se, casa-se, uma e duas vezes, tem uma filha, por quem não sente instinto maternal, e da qual abdica com uma facilidade chocante, até para os seus. Muda de profissão, de casa, viaja, conhece outro amor, por quem fica perdida, esquecendo o tempo e responsabilidades, provocando assim um certo mistério no seio familiar, que se interroga continuamente "onde está Linda?", mais por curiosidade do que preocupação, e depois... o desenlace. Não vou mentir, verti umas lágrimas. É assim de bom.  

Basicamente, trata da procura pelo amor verdadeiro. Num registo moderno com grande sentido de humor. Adorei, daqueles livros que se quer ler, e em simultâneo poupar páginas. 

Título: Darling

Autora: India Knight

Editora: Penguin Random House

Nr de Pags: 277

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Verão no Jardim

 

Inaugurar o mês dos Santos Populares: manjerico e pratos de barro
 

Há muito que deixei de ver as notícias, mas de uma forma ou outra, sobretudo porque há pessoas que fazem questão de as repetir, inevitavelmente muitas das "notícias" chegam até mim; é o caso da seca extrema, e da promessa de um Verão muito quente, devido às alterações climáticas. 

Não me alarmei porque, obviamente, já percebi que os profetas da desgraça são um autentico logro e em questões de adivinhação mais vale não sofrer antecipadamente, o futuro a Deus pertence. Por outro lado, via o caudal do Rio bastante normal, nada de preocupante. E a chuva que caía de quando em vez, e até logo após aqueles dias quentes de Maio. Poucas vezes reguei o jardim, ao contrário do ano passado, e ele está verdíssimo, como se vê na foto. 

Ainda não ousamos montar a mesa no jardim, temos usado a mais pequena, por ser facilmente desmontável, e praticamente, dia-sim, dia-não, tem que ser recolhida porque surge uma chuvada. 

Entretanto, ainda não inauguramos a época das jantaradas de verão no jardim, para a família alargada e amigos, temos sido apenas nós, mas espero que entretanto o Verão venha como habitualmente, para nos proporcionar tudo de bom, como sempre. A vida é para ser vivida sem medos. Muito menos medos hipotéticos. 

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Qual é o seu problema? Plante uma árvore!

 Todas as vezes que se anunciam subidas de temperatura (que nem sempre acontecem ou nem sequer tão acentuadas) parece que a maioria das pessoas entra em pânico. Entretanto, no seu dia-a-dia o que fazem para minimizar a sensação de calor? Em que acções estão implicadas? A maioria, pelo que vejo, nada, e até pelo contrário, para além da anuência às alterações climáticas actuem em oposição. Vou dar um exemplo, na Vila onde moro, que felizmente é a freguesia com mais árvores do concelho, as pessoas queixam-se constantemente das árvores, que estão muito altas e entopem as caleiras dos telhados, que entram pelas janelas e varandas, não lhes permitindo ver o que se passa na rua, que sujam se folhas as ruas, seus terraços e jardins, que a poda das freguesias vizinhas é que é exemplar, quando na realidade é uma total mutilação das árvores (até dói só de olhar!), em contraste com a nossa poda moderada, feita aliás por um arboritultor, formado por uma universidade inglesa. 

Em suma, o valor das árvores é reconhecido mas apenas em teoria. Na vida prática e real só parecem ver-lhes defeitos. A mim isto irrita-me sobremaneira, e indigna-me que a ignorância se pretenda sobrepor ao conhecimento. 

Há dias vi este meme que adorei: 

Se o calor o incomoda, plante uma árvore

Se a chuva o incomoda, plante uma árvore

Se gosta de fruta, plante uma árvore

Se gosta de pássaros, plante uma árvore. 

Fica assim comprovado que as árvores são a solução para todos os tipos de pessoas, e que todos as deveríamos plantar, e que nessa impossibilidade, pelo menos, todos as deveríamos defender. 

Nesta época na nossa Vila, respira-se em todo o lado o perfume suave e adocicado das tílias, é uma Vila naturalmente perfumada. Não tenho palavras suficientemente adequadas para transmitir o quão maravilhoso é, e a felicidade que me proporciona. Só vivenciando. Tenho plena consciência, que sobretudo nestes dias, e durante algumas semanas, vivo um verdadeiro privilégio, graças às árvores. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Mousse de Chocolate Vegan

Rendeu 3 taças pequenas, como esta. 


Já fiz algumas tentavas com receitas diferentes, na procura de uma receita de mousse de chocolate, porque a Letícia adora chocolate e é uma daquelas receitas que ela gostava, mas francamente, sem grande sucesso. Estou a lembrar-me daquela de abacate, que foi repetida algumas vezes, por falta de alternativa. Mas eis que descubro esta! 

Foi como um céu coberto de núvens que repentinamente se afastam em simultaneo para deixar o sol brilhar! E tão simples...


Mousse de chocolate

Ingredientes:

100 gr de chocolate negro

Um frasco de leite de coco de 200 ml

Como fazer:

Derreter o chocolate em banho-Maria, verter-lhe o leite de coco, e misturar muito bem, até ficar um creme uniforme. Levar ao frigorífico 1h, e está pronto a servir. Se ficar mais tempo, melhor fica. 

Tem a textura de mousse e tem um sabor delicioso. 

quarta-feira, 7 de junho de 2023

"Será que as crianças ainda cheiram as flores?"


 Tirei foto a esta ervilha-de-cheiro com o telemóvel, e partilhei-a no FB, dizendo que o seu perfume me reportava à infância, e perguntando "será que as crianças ainda cheiram as flores?", à qual recebi muitos comentários, deveras interessantes. O que me fez reflectir ainda mais sobre o assunto, e ter vontade de partilhar, mais extensamente, aqui, no blogue. 

Que eu me debruçasse sobre as flores para apreciar os odores não era nada de excepcional, na minha infância todos os fazíamos. Passávamos muito tempo ao ar-livre, grande parte das nossas brincadeiras eram no exterior, nos quintais e jardins uns dos outros, estávamos em contacto directo com a natureza. Toda uma realidade que, praticamente, se extinguiu. 

Actualmente, a vida das crianças faz-se desde cedo entre quatro paredes, a vida profissional dos pais dificulta igualmente a saída para os espaços livres, e as actividades lúdicas principais, senão únicas, passaram a ser virtuais, jogos, vídeos, etc. . E precisamente um dos comentários recebidos dizia "Talvez prefiram cheirar os telemóveis". 

Houve também quem partilhasse vivências infantis alheias, uma criança que acompanhada pela avó comentava o cheiro das flores no ar, e que "cheirava a Primavera", prova de que estes episódios se tornaram raros, e por isso ficam na memória de quem os presencia.

Felizmente, algumas mães comentaram que sim, que os filhos cheiram as flores, mas essas mães são aquelas que as plantam, que as têm em casa, e que também as cheiram. O exemplo é sempre fundamental. 

Para mim, a nossa memória olfactiva é talvez a mais importante, porque no momento em que se activa me transporta ao tempo passado e me provoca as mesmas emoções da época. São memórias muito vivas. Como se estivessem alojadas num comportamento à parte, mais directamente ligado às emoções. No caso, cheirar uma flor permite-nos saber identificá-la, associando o odor ao visual, e realizar uma conexão imediata com o reino vegetal. Por momentos, acontece uma fusão entre nós e a flor, somos unos, e é uma sensação maravilhosa, que causa bem-estar, e propícia sentimentos de alegria e maravilhamento. Não é coisa pouca! 


Finalmente, houve quem comentasse que já não se lembrava de ver Ervilhas-de-Cheiro (pertencem às flores antigas dos jardins, saíram de moda!), e quem tinha semeado sem sucesso. Este é o segundo ano que semeio e com bons resultados. 
Faço assim: Comprei as sementes na Feira, coloquei-as em água de um dia para o outro, para activar a germinação. Dispus 8 rolos de papel higiénico num tabuleiro plástico (de cogumelos)que enchi até meio de terra, coloquei em cada quatro sementes, cobri com mais terra. Deixei o tabuleiro no parapeito da cozinha, do lado de dentro, fui regando, e em poucos dias as plantas nasceram. Deixo-as crescer dentro de casa até atingirem mais ou menos 10 centímetros, aí passam para a terra ou vaso, com rolo e tudo, afinal é biodegradavel. 
Para que produzam mais flores, depois das duas primeiras folhas, corto-lhe o caninho principal,deste modo vai obrigar a planta a crescer 2 "braços" laterais. Das primeiras vezes que o fiz custou-me um bocado, parecia que estava a mutilar a planta, mas na verdade isso fortalece-a, e os resultados são visíveis. 

Espero ter animado alguém, é aliás uma óptima actividade para se realizar com as crianças, se for o caso, garanto que vai valer a pena!