Num daqueles reels aleatórios que nos aparecem nas redes sociais surgiu-me o de uma estrangeira, a viver em Portugal, que pela legenda me aguçou a curiosidade; com filhos pequenos, partilhava a maravilha que era ter o mais novo, praticamente um bebé, tão mimado por estranhos por todo o lado; que lhe dirigiam elogios, atiravam beijinhos e faziam-lhe festinhas, como aliás nós sabemos que se faz, e muitas de nós fazem. Nada de novo para nós, os portugueses, porém, foram os comentários que mais me admiraram, a maioria confirmava e achava muito bem, mas havia ainda uma quantidade significativa, de estrangeiros e portugueses, e é destes que pretendo comentar, que diziam " tocar no meu filho, não!", que não era adequado, que não era higiénico, e outras patetices que tais.
Perante alguns destes comentários negativos, a autora respondia que gostava, que inclusivamente a família tinha ido a de férias duas semanas ao pais de origem, e que perante a indiferença e invisibilidade dos acenos amistosos do seu pequeno, ele tinha parado de tentar interagir com as pessoas, mas que mal chegou cá voltou a fazê-lo; e que portanto, considera a interação positiva para o filho.
E eu pensei cá com os meus botões: Estes pais devem estar a precisar de terapia, se já não conseguem distinguir entre um miminho que se faz a uma criança, por ternura, e um gesto abusivo. Se preferem que os filhos passem invisíveis e intocáveis pela sociedade mais vale viverem isolados no cimo do monte!
Eu sei que encontrar o meio termo nem sempre é fácil, mas há situações em que a coisa fica mais evidente, nem ser relapso nem ser controlador não só as únicas formas de educar, que tal observar atentamente? Estar presente e vigilante? É que a interacção, como dizia a própria autora do reel é importante para a socialização das crianças, eles aprendem a interagir, até com várias gerações, sendo que a mais velha, por se aproximar naturalmente da chamada segunda infância, retira desta interação uma felicidade esquecida, que lhes aporta saúde e longevidade, como provado em experiencias de Lares que incluem programas com Infantários.
Está tudo tão polarizado actualmente, tendendo para comportamentos hiperbólicos que pelo caminho as pessoas olvidam coisas simples mas importantes, que sempre fizeram parte das nossas vidas. Um bocadinho de bom senso é necessário para levarmos a vida com mais ligeireza, e facilitaria a vida a todos, sobretudo dos mais dependentes.