segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Cantar os Reis



Quando eu era miúda, era habitual, juntar-me com as minhas irmãs e outras crianças da vizinhança e irmos cantar os Reis a alguns vizinhos. Recebíamos chocolates e algumas moedas, mas penso que o fazíamos sobretudo pela actividade propriamente dita. Sair à noite e fazer algo que ditava a tradição. Os nossos cânticos eram simples, e não tínhamos sequer alguém a tocar instrumentos, enquanto outros grupos que apareciam em casa dos meus pais, nos dedicavam quadras personalizadas, e um ou outro faziam-se acompanhar por viola ou cavaquinho. Era emocionante ouvi-los cantar à nossa porta; desligava-se a televisão de imediato, e ouvíamos atentamente o que diziam as letras. Por vezes, riamo-nos de alguma voz mais esganiçada. Os meus pais comentavam o afinamento e davam-nos o dinheiro, que eu e as minhas irmãs lhes entregávamos, à vez. Tudo entre nós era feito à vez.
Parece um tempo próximo e porém, tão distante. São memórias tão vivas e no entanto já não passam disso, recordações, por deixarem de se realizarem. 

Os meus filhos ainda ouviram algumas vezes o Cantar dos Réis à nossa porta, mas eram pequenos, já nem sequer se recordam. Eu conto-lhes as minhas histórias e das minhas memórias, faça-os suas. E é tudo o que têm e lhes ficará.
 
Este fim-de-semana assisti a umas Reizadas, e um dos grupos empunhava um cartaz, apelando para que não deixássemos cair a tradição do cantar dos Reis. Resistem alguns grupos de pessoas mais velhas, e os Escuteiros que promovem valores antigos, na realização deste tipo de evento.
A plateia era escassa para a comunidade que somos, os jovens não apenas não têm interesse algum em cantar como nem sequer têm interesse em ouvir. Aliás, mesmo a faixa etária relativa a pais e avós estava muito em falta. Outrora seria uma noite familiar, um pretexto para pais e filhos saírem de casa, num programa de Inverno. Mas enfim, mudam os tempos, mudam as vontades, como dizia o poeta, e muitas coisas se perdem. Se pelo menos outras surgissem, assim ricas em convívio e confraternização, assentes em actos culturais que fizessem história...
Talvez a nostalgia me esteja a toldar o pensamento, mas receio bem que estejamos a fazer trocas que se revelarão maus negócios.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Quem procura acha...

 
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Há pessoas que passam a vida à procura de defeitos. Viagens que correm mal, porque as pessoas são todas antipáticas naquele país. Comida que não presta. Livros que estão repletos de gralhas. Roupa cara que traz defeitos. Pessoas que não são perfeitas. E depois acham-se extraordinariamente perspicazes, dizem coisas do género: - Ah, eu tenho um olho clínico! Essas coisas saltam-me à vista.

E a vida vai correndo assim, numa lamentação permanente das coisas que não estão bem, ou não correm bem, como se fosse algo inquestionável e não se pudesse esperar outra coisa. Por vezes, em conversa com esse tipo de pessoas, respondo que a minha experiência foi muito diferente; e dou exemplos para ilustrar a minha opinião. Nem assim se mostram, não direi convencidas mas pelo menos divididas, de tal forma estão convictas do seu juízo.

Não posso afirmar que as suas experiências não sejam verdadeiras. Porém, tenho cá para mim que elas se focam apenas no que está mal, e minimizam o que corre bem, reduzindo experiências sistematicamente a más experiências. E como têm altos padrões de exigência, que dificilmente corresponderão à realidade, esbarram constantemente em desilusões. Porque a verdade essencial é esta: a perfeição não existe. A perfeição total e absoluta é divina, e mesmo assim, apenas para quem acredita.
Nós somos repletos de imperfeições. Então, porque esperar ( exigir!) a perfeição dos outros? Das coisas? De tudo?

Mesmo nas coisas realmente más que nos acontecem, há sempre um lado bom. Sucede que, frequentemente, o sofrimento não nos permite entende-lo, sobretudo no momento. À posteriori é mais fácil encontrar algo de positivo naquela experiência e compreender a situação no seu todo. O que também nem sempre acontece, porque a maioria das pessoas não se demora muito a reflectir sobre as situações. Preferem antes criticar. E assim, as situações repetem-se, e há sempre algo a censurar.

Estes dias vi um vídeo de alguém, que a propósito dos votos de feliz ano novo, dizia que antes se deveria desejar um novo eu; efectivamente, esperar mudanças na vida simplesmente porque o ano mudou é um voto de confiança no nada. Para que a vida mude em 2019, somos nós que temos de mudar, nós é que somos o agente da mudança.

Talvez achem que me contento porque as minhas expectativas são mais baixas. Não importa realmente, isso ou outra coisa qualquer, no fim de contas o que eu quero é ser feliz. E não queremos todos?



terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Embrulhos de Natal Simples & Rápidos

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Ponho muito cuidado na forma como embrulho os presentes de Natal, e gosto de variar de um ano para o outro. Confesso que neste estou bastante atrasada, ainda nem sequer comprei todos os presentes, e por isso vou optar por algo bastante simples. Como por exemplo, nesta primeira foto. 

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E para as crianças pode ser algo assim, mais divertido e bastante básico de executar, pois todos esses adereços se compram feitos, é só colar.

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Ou ainda assim para todos os presentes, uma faixa de cor para tornar os presentes mais alegres!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Pela sua saúde...!


Já tinha visto excertos desse documentário, mas não na totalidade. A forma como este mundo funciona é doentia e o seu Senhor é o dinheiro. Descobrir que instituições que pensamos ser fidedignas e que defendem a nossa saúde estão na mão das grandes corporações, deve por-nos em alerta máximo. Deveríamos questionar sempre o que nos dizem ser bom, certo, seguro, e procurar a informação por vias travessas. O espírito crítico é fundamental, para vivermos conscientemente neste planeta.

É de extrema importância que as pessoas vejam, e reflictam no estilo de vida que fazem. Poderá ser um ponto de viragem para uma vida saudável e mais longa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Breve introdução ao "Ayurveda"

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É engraçado como tudo na vida está interligado e que a partir de uma determinada coisa, outra se lhe vai seguir na mesma linha; senti que tudo começou com a dieta vegetariana, seguiu-se Música, o Yoga e agora a Ayurveda. Estou a adentrar-me por áreas novas, a descobri-las quando parecem fazer-me sentido. 

Ainda sabendo muito pouco sobre Ayurveda, queria partilhar o pouco que sei, para dar mote a uma receita que publicarei proximamente. Então, a Ayurveda é um sistema milenar hindu de medicina tradicional Indiana, mas mais do que um mero sistema de tratamento de doenças, o Ayurveda é uma ciência da vida (Ayur = vida, Veda = ciência ou conhecimento). Oferece a sabedoria para as pessoas a permanecerem vibrantes e saudáveis, ao mesmo tempo em que percebem todo o seu potencial humano.

Os dois princípios orientadores do Ayurveda, são:
 

1. A mente e o corpo estão inextricavelmente ligados.
2. Nada tem mais poder para curar e transformar o corpo do que a  mente.

Estes são alguns dos aspectos mais importantes da abordagem Ayurvédica, e sugestões para aplicá-los, criando saúde perfeita na nossa própria vida:

Coma uma dieta colorida e saborosa.
Fortaleça seu poder digestivo
Obtenha um sono abundante e repousante.
Viva em sintonia com a natureza.
Exercício: sintonize seu corpo.
Acalme-se.
Descubra seu Dosha.

A constituição do indivíduo divide-se em três doshas: Vata, Pitta e Kapha. O meu é Vata, fiz o teste com a minha professora de Yoga, mas podem fazer aqui: Dosha Quiz from Deepak Chopra
Por que é importante saber a que dosha pertencemos? No Ayurveda, acredita-se que os alimentos afectam igualmente mente e corpo. Portanto, para cumprir o ponto número um: coma uma dieta colorida e saborosa, por exemplo, mas também para nos ajudar a conhecer mais profundamente. 

Haveria ainda muito a dizer sobre o Ayurveda, porém para não se tornar um texto demasiado longo ou maçador, fica esta pequena introdução, como "aperitivo", e sugiro a quem se interessar, que aprofunde o conhecimento por aqui:

Quinta do anjo
Deepak Chopra
Naradeva Shala


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Vale a pena celebrar o Natal?

 
Via Casa.br

Com a aproximação do Natal começo a ouvir e a ler, aqueles habituais desabafos contra a celebração do Advento. Os argumentos variam, há de tudo um pouco, seja pelo consumismo exacerbado, por ficar muito caro, por ser muito trabalhoso, por haver muitas pessoas nas lojas e nas ruas, pelo stress de não saber que presentes comprar, até porque Jesus de certeza que não nasceu a 25 de Dezembro! 
Para todos estes problemas existem soluções; não somos obrigados a comprar, podemos ser nós a fazer; umas compotas, umas bolachinhas, um cachecol. Podemos não oferecer presentes materiais, podemos oferecer experiências; um bilhete de cinema, um bilhete para um concerto de natal. Podemos não gastar demasiado; nos mercados de Natal há artesãos com lembranças únicas e económicas. Podemos escolher andar nos Shoppings, e nas ruas, a horas e dias menos concorridos; ou então, e melhor, comprar no comércio tradicional, que nunca transborda de pessoas. Podemos escolher fazer uma decoração natalícia minimalista, e preparar a refeição de Natal com ajuda da família, pedindo que cada um traga algo. 
Quanto à data de nascimento de Jesus, ela é meramente simbólica. Ele nasceu, isso está historicamente comprovado, portanto, ignorando ao certo em que dia, celebramos a 25 de Dezembro. 

E ainda assim, com atalhos para todas as contrariedades inerentes à época, haverá trabalho, transtornos, dispêndio de dinheiro. E portanto, valerá a pena celebrar o Natal? Na minha opinião, sim com toda a convicção, pois o que daqui resulta transcende tudo isso. Porque esta época é um alerta extra para situações de vulnerabilidade dos outros, nos predispondo a ajudar mais. Porque as famílias precisam de pretextos para se reunirem e reforçarem os laços. Porque as crianças precisam de passar pela experiência do Natal, para guardarem memórias de um tempo quase mágico. Porque os nossos filhos precisam de aprender com os exemplos, que sobretudo nesta época lhes podemos transmitir. E há aqui um conjunto de valores que podem ser ensinados e vividos, ajudando-os a serem pessoas mais empáticas e solidárias. 
Porque as pessoas precisam de rituais, para se ligarem entre si, e neste caso com o sagrado.
Porque Jesus veio ao Mundo, com o propósito de resgatar a humanidade, e esta é a homenagem que lhe fazemos, a modos que afirmando: depois de todo este tempo, não nos esquecemos! E mais uma vez, vamos tentar dar o nosso melhor.