quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Quando chove em Agosto...

Via
Recordo-me, de em criança, apreciar imenso os raros dias de chuva que aconteciam nas férias de Verão. A temperatura descia, ficava mais fresco, e já apetecia ficar dentro de portas outra vez, a fazer um programa de "Inverno" no aconchego do lar. 
Pelo contrário, para os pais que estão em férias com os filhos, dias com chuva são à partida um inconveniente, uma maçada! Fechadas em casa as crianças tornam-se disparatadas, ruidosas, aborrecidas, mas porque se aborrecem, apenas por isso. Porém, há coisas que se podem fazer para melhorar o dia de chuva, e torná-lo até num dia muito bem passado.

10 Sugestões: 
1º - Sessão de jogos de tabuleiro. ( confiscar tablets e telemóveis, guardando-os num cesto, para tornar a coisa mais séria!)
2º - Fazer uma sessão de cinema caseira; escolher o filme, em conjunto, fazer várias taças de pipocas, receita aqui, e sentar no sofá.
3º - Confeccionar um bolo; ligar o forno ficou possível, é só optar pela receita do agrado de todos, disponibilizar decorações e dar asas à imaginação. 
4º - Fazer ginástica; colocar um colchão de campismo no chão ( ou manta), deixar espaço em redor, e promover uma série de exercícios, conforme a preferência familiar. Ioga é uma boa opção. Aulas online no youtube. 
5º - Fazer uma sessão fotográfica; reunir diversos acessórios e fazer cenários, também faz parte da brincadeira. 
6º - Fazer festa temática; assim uma espécie de Carnaval extemporâneo.  
7º - Fazer um piquenique; no chão da sala, por ser invulgar vai tornar-se tão divertido como costuma ser no campo. 
8º - Fazer um Festival de música; transformar um espaço em discoteca, ou sala de festas, deixar a música tocar, e dançar, dançar...!
9º - Sessão de leitura; cada um escolhe um livro para ler e fazem a leitura no mesmo espaço. Ou escolhem um livro de histórias e cada membro lê à vez. Ou apenas os pais lêem em voz alta. 
10º - Passear à chuva; esta pode ser disparatada, mas as crianças adoram chapinhar nas poças de água e nunca lhes é permitido! Não está assim tanto frio, pois não? É só calçar galochas e quando chegarem a casa, dar uma secadela com a toalha e secador, e depois beber um Chocolate quente! 

Carpe diem!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Tempo - Você colhe o que planta



Estava a ver (novamente)um vídeo de Marshall Rosenberg sobre a "comunicação não-violenta", que aproveito para recomendar, quando o pai de um filho adulto se queixou de que o filho nunca tinha tempo para conversar com ele. Nem sequer quando o pai directamente o solicitava. E lembrei-me deste vídeo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Má pessoa > bom profissional

Por mais que me digam que más pessoas podem ser excelentes profissionais, não consigo resolver este dilema - Como poderei confiar no profissional se não confio na pessoa?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Dica de filme: À procura de Dory


Neste momento há imensos filmes de animação a passar no Cinema, a escolha não é fácil porque nos parecem todos muito bons, portanto a Letícia acabou por escolher este, o que me pareceu bem. Mas não esperava realmente que fosse tão bom!
Lembram-se da Dory? Amiga do Nemo? Já então era muito engraçada, então essa faceta continua activa, mas não preponderante; neste filme, a Dory revela-se uma personagem de acção, que toma as rédeas contra as adversidades e comanda a sua vida. Que inspira os outros a fazerem o mesmo. Que persevera no seu objectivo, e assim o alcança. Em simultâneo, os valores da família ( que nunca desistem uns dos outros) e da amizade são promovidos de forma fantástica. 
Recomendamos, para miúdos e graúdos. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Há algo de belo no Reino da Dinamarca

Pequena Sereia -Inspirada no conto de Hans Christian Andersen
Tinha grandes expectativas para a Dinamarca, sobretudo para Copenhaga, que seria o nosso destino final. Basta ler a apresentação na Wikipédia, para entender porquê - aqui. Pois bem, não me senti de todo defraudada, apesar de isso já me ter acontecido antes. A Dinamarca é um pais belíssimo ( visto do ar fez-me lembrar imediatamente a Holanda, até aí o meu pais europeu preferido); seguro, limpo, organizado, cuidado, pontual, correcto. Não há sinais de pobreza, a ausência de sem-abrigos e mendicidade ( vi apenas duas jovens mulheres aparentando ser romenas), fazem-me crer que o estado social de facto funciona. 
Já me tinha desabituado a fazer conversões de moeda, o uso do euro é realmente prático, mas aqui circula a coroa dinamarquesa, salvo raríssimas excepções. O pais, como todos me diziam, é caro; um postal custa 1€, um íman 5, ( as únicas lembranças que compro habitualmente) e nunca paguei essas quantias em nenhum outro país. A alimentação igualmente, mesmo comprando no supermercado, por exemplo uma embalagem de pão custa cerca de 3.60€ no Irma.
Por outro lado, as crianças não pagam bilhete de autocarro até aos 12 anos e enquanto em Portugal, há locais onde os bilhetes-família deixam de ser aplicados a partir dos 12 anos dos filhos ( não é um absurdo?), ou apresentam descontos quase nulos, na Dinamarca um casal que leve os filhos aos museus não só não paga pelos filhos, como obtém ainda um desconto simpático nos seus próprios bilhetes. Isto sim, é não somente política de família, é promoção da cultura!


A língua é de difícil pronunciação( próxima do sueco e norueguês).  Por vezes, captava o significado de alguma expressão por ser semelhante ao alemão ou inglês; ainda tentamos pronunciar uma ou outra palavra, mas quando um motorista de autocarro também se atrapalhou a pronunciar qualquer coisa como " Emdrupvej", deixamo-nos de ser convencidos! Mas é muito giro de se ouvir; ouçam só esta.
Toda a gente fala inglês, e por duas vezes até encontramos dinamarqueses que falavam português! Na fila de um museu a senhora da frente virou-se para nos dar uma informação sobre a qual eu e o meu marido conversávamos, e noutro museu um dos funcionários disse à Letícia para ver um quadro de determinada posição, e como mudava de rosto. Foi totalmente inesperado. E simpático.

Câmara de Copenhaga. Torre do Parlamento dinamarquês. Museu Nacional. Amalienborg. Igreja Frederich.
Como habitualmente, a Letícia organizou o top10 Copenhaga, que retirou do youtube, e como coincidia com o Michelin, conferimo-los todos, com excepção para o Tivoli. Inicialmente a Letícia queria muito lá ir, é o parque de diversões mais antigo do mundo, que inspirou a Disney e tal, mas a mim não me interessava nada, portanto fomos adiando, até que no último dia ela própria desistiu; certamente já estava cansada demais, porque o nosso ritmo é muito puxado. Mas claro, passar pelo Hard Rock café, apreciar as relíquias de algumas estrelas, sobretudo a guitarra de Kurt Cobain, era algo que não podia falhar, por ela. E lá teve que comprar aquela t-shirt mixuruca ( que a Letícia não me leia!), que não vale um décimo do que custou, mas enfim... gostos. E idades. Assim como comer um bolinho na melhor pastelaria da capital, a Andersen Bakery, foi gosto que lhe satisfizemos de bom grado, mas que para nós era dispensável. 

Parada da infantaria - Erik Henningsen
De tudo o que visitamos destaco o Statens museum for Kunst ( museu de belas artes), que adivinhava já como um dos pontos altos, por ser aparentado com os museus de belas artes flamengos, tanto do meu gosto. Descobri assim os pintores dinamarqueses, que não são inferiores em nada, aos maiores da Europa.  
O Rosenborg slot, é um pequeno castelo mas soberbo em decorações acumuladas ao longo de quatro séculos, espólio e acervo como as jóias de coroa.
O Amalienborg é construído em circulo por quatro núcleos, e habitado actualmente pela família real; a família herdeira habita-o todo o ano, a rainha Margarida apenas no Inverno, e a princesa Benedicte também parte do ano. Aqui descobrimos algo muito peculiar, a existência da ordem do Elefante Branco. Isto levou-nos a especular bastante, inclusivamente com uma funcionária do castelo. Isso fica para outro post, pois é assunto que merece destaque por si próprio.  
A surpreendente Christiania é uma zona "livre", construída nos anos 70, que pretende ser muito mais do que um local onde se vive; é um modo de vida, um estilo alternativo. Entrar ali é percorrer um túnel do tempo até à época do "peace & love"; é algo caótico, artístico, ecológico, com feirinhas de roupa e bijutaria, mas também de haxixe, onde os vendedores tapam o rosto com gorros ( como se fossem assaltantes), mas se mostram legalmente descontraídos. É proibido fotografar, nem sequer é conveniente exibir máquinas fotográficas ou telemóveis. Existe um código de conduta, e convém respeitá-lo, pois aquelas pessoas não são para brincadeiras. Não mesmo. 
O jardim Botânico, pelo verde, beleza e diversidade botânica. E porque mesmo na cidade é fundamental para mim entrar num recanto natural e recuperar o fôlego.

 
Tivoli. Pastelaria  Andersen. Assembleia nacional. Museu Ny Carlsberg. Castelo Christianborg. Statens museum for Kunst.

E na segunda feira, aproveitando o dia em que os monumentos estão fechados, demos um salto à Suécia. Foi mesmo um pulo, de comboio de Copenhaga para Malmo, através da ponte Oresund, são 35 minutos. Passeamo-nos por Stortorget, a praça principal com a estátua de Gustavo X, que data de 1530, rodeada de belíssimas casas antigas, por Gamla Vaster e as suas casas coloridas de rés-de-chão; visitamos a igreja de S.Pedro, e o castelo Malmohus, com os seus 4 museus incluídos, que por sorte está aberto ao público à segunda-feira.
Dicas aqui 


Malmo - Suécia
Tivemos uma sorte extraordinária com o tempo, a temperatura manteve-se à volta dos 25º, ainda mais porque na semana anterior tinha chovido, e no dia seguinte à nossa partida também choveria. Portanto, a parka não saiu da mala!

Tenho duas categorias de países, os "está visto", e os "quero voltar", a Dinamarca pertence ao segundo grupo; exceptuando os rigores de Inverno não consigo lembrar-me ( ou descobrir) de nada que nela me desagrade. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dica de leitura - Travessuras da menina má

Via Wook
Ricardo tem o sonho de viver em Paris, é realmente o seu único sonho, e assim que o realiza conforma-se com a sua rotina, sentindo-se satisfeito com a vida que tem. Subitamente, a sua vida dá uma reviravolta quando uma paixão da adolescência surge acidentalmente, revelando-se ainda mais misteriosa, contraditória e inesperada, do que aquilo que ele poderia imaginar. 
Nasce assim um amor que atravessa décadas, ultrapassa problemas e decepções, enquanto para o comum dos homens ultrapassa também o aceitável e compreensível. É o verdadeiro amor.

Inesperado, dramático, cómico, é uma leitura convincente, que tanto nos causa indignação como nos leva a compreender, e até a desejar, as "escorregadelas" de Ricardito.
Tenho, porém, alguns reparos acerca dos diminutivos, que me causam sempre um certo desagrado, sobretudo em quantidade abundante, como é o caso. Alguma característica da escrita peruana? Ou influencia coloquial? Não sei. De igual modo estranho a constante troca de tempos verbais que para nós não são comuns: "havia sido" em vez de "tinha sido", por exemplo, o que acontece repetidamente. Escolha do tradutor? Também não sei. 
No geral, um livro que prende e surpreende. 

Título: Travessuras da menina má
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora: D.Quixote
Nr.págs. 375
Preço: 18€