segunda-feira, 2 de maio de 2016

Negação

Niko na casinha das bonecas. Novamente.

Ou é efeito "Alice no País das Maravilhas" ou síndrome de Peter Pan mas parece-me mesmo, é que cá em casa, nem os gatos gostam da ideia de crescer...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Relativo

Não há como a doença para inquietar o coração de mãe. Ver o filho prostrado pela febre, apático e sem apetite, transforma-me no oposto, agitada e em estado de alerta. E para mais a duplicar, coisa que nunca antes tinha acontecido- em 15 anos de maternidade- acontecendo este Inverno ( Primavera só no calendário), pela segunda vez. 
Nada de grave, apenas viroses. E penso nas mães do passado, que perderam filhos devido a doenças actualmente corriqueiras, tratadas com medicação de Parafarmácia. E penso nas mães de hoje, com filhos afectados por doenças realmente graves. 
São estados mentais, quota de preocupação, grau de dor, a um nível que a imaginação não alcança. 
 

terça-feira, 19 de abril de 2016

A mãe portuguesa

"Não sei se é característica de quem é portuguesa, mas eu sou ... GALINHA! E com muito gosto. Sou cuidadosa, stressada, exigente, chego a ser um bocado intransigente. Gosto de regras, de horas, de ter tudo sentado à mesa a jantar em família, de os chamar e que eles me respondam à primeira, gosto que digam "bom dia" a quem chega, que cumprimentem com um beijinho, que agradeçam e digam "se faz favor", que façam uma grande festa quando vêem os avós, e os tios, e que, ainda assim, sejam o mais descontraídos possível! Não vou em conversas do que não se deve obrigar as criancinhas... eu obrigo e exijo. 
Tenho mania de os vestir de igual ( isto é muito "tuga"). 
As características de uma mãe portuguesa? Passamos aos nossos filhos aquilo que nos passaram a nós, cultura, educação, e temos sangue na guelra, caramba! Eu sou um bocado "vai tudo à frente", e às vezes não consigo manter a calma. E eles já sabem que quando a mãe se passa, de de vez em quando salta um tabefe!
Mas nada disso impede que tenha uma relação muito próxima com eles, dou beijos apertados e abraços esborrachados, brinco e digo parvoeiras, toco viola e canto com eles, dou-lhes conselhos, estudo com eles ( ok, esta parte chateia-me um bocadinho, esta obrigação de, irrita-me! Alguma vez os nosso pais?... enfim), vou com eles às compras de roupa, deixo-os opinar q.b. . Só espero que os meus filhos cresçam felizes, que saibam escolher o melhor caminho para eles ( com as minhas indicações, luzes, e apoio), que ganhem asas quando tiver que ser... e voem... ( para perto!)."
Ana Rocha Leite, 3 filhos entre os 4 e 9 anos, in revista Activa, Maio 2015 

Tenho duvidas quanto à representatividade desta mãe; começa logo pelo número de filhos, o dobro da média nacional. Também não tenho ideia que a mãe portuguesa seja tão exigente; relativamente à educação seria bom que assim fosse, mas acho que o comum é serem mais permissivas. Vestir os filhos de igual, a não ser em gémeos ( o que já acho irritante), é outra coisa que não vejo vulgarmente.

Embora na essência eu me assuma como mãe-galinha, também acredito em concessões, e cedo quando convencida; por vezes os argumentos dos filhos são mais fortes do que a educação que recebemos dos nossos pais ou do que aquilo que aparentemente é lógico. O mundo não é o mesmo, e as crianças da actualidade são mais espertas ( a própria ciência o confirma). Não acredito na imposição pela força, que apenas ensina a lei do mais forte. Mas sim, também anseio que eles cresçam felizes, e não voem para longe. De resto, haverá alguma mãe, seja de que nacionalidade for, que não deseje o mesmo?     

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O absurdo

Depois de ler aqui e ali, insinuações que já  prenunciavam aquilo que viria a ser exigido, e depois de constatar a galopante imposição do politicamente correcto, não poderei dizer que isto seja surpresa. 
O próximo passo será, certamente, proibir as cores azul e rosa.

Sob a capa do respeito, pretendem retirar-nos a humanidade que os pronomes pessoais nos atribuem, transformando-nos em coisas. Deixamos de ser ele e ela, e passamos a ser "isto". Em não parecendo, e pretendendo o contrário, é o que os defensores do politicamente correcto desejam - desumanizar-nos.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Filmes que valem a pena ver nos telecines

Vi estes filmes recentemente, e valem mesmo a pena. Podem ter passado mas voltarão daqui a algum tempo, portanto, fica a dica.

O Monte dos Vendavais
Este drama é um clássico, daqueles que o meu pai me incentivava a ver na televisão; dos tempos em que Hollywood conjugava literatura e cinema de qualidade. Por isso, continua a ser um filme de referência.
A história de amor entre Cathy e Heathcliff remonta à infância, e apesar de extraordinariamente intensa não está fadada a um final feliz. Não neste mundo. Emocionante e triste, terrivelmente triste. 

Sono de inverno
Um homem e duas mulheres passam o Inverno num pequeno hotel, negócio de família, em Anatólia. A ausência de hóspedes proporciona uma espécie de hibernação, provocando encontros e confrontos, mas sobretudo encontros mais dolorosos e verdadeiros, com o "eu". 

Cake: um sopro de vida
Este drama, com Jennifer Aniston, retrata a vida de uma mulher que sofre com dores fortíssimas causadas por um acidente, e que ela tenta desesperadamente mitigar recorrendo a analgésicos, álcool, e droga. Porém, a dor física é apenas a ponta do iceberg do seu sofrimento, uma forma de esconder outro tipo de dor.  

A Rosa Púrpura do Cairo 
Esta comédia de Woody Allen conta a história, passada nos anos 30, de Cecília, uma empregada de mesa viciada em cinema. Os filmes são uma forma de evasão à sua realidade dura e infeliz. Um dia a personagem principal salta da tela, e tenta seduzir Cecília, levando-a a sonhar com possibilidades até aí impossíveis.
Discordo da categoria atribuída ao filme, mais depressa seria drama, contudo, é um filme que nos faz pensar em como o cinema é importante na vida das pessoas. E também enganador. 

Dois Mundos em Guerra
Passa-se na nova Zelândia, quando ingleses e maoris lutavam pelo domínio do território. Uma inglesa apaixona-se por um maori e têm um filho, que é raptado pela família paterna. Porém, a mãe nunca deixará de procurar o filho, acabando por abraçar a cultura deste, numa prova de amor que afronta a sua própria cultura. 

Effie Gray
A história verídica de uma jovem e inocente rapariga, que casada com um crítico conhecido e promissor, se sente totalmente frustrada e infeliz, devido a circunstâncias que lhe são alheias. Envolve-se com um artista, originando um grande escândalo na época. Esse homem é o pintor pré-rafaelita John Everett Millais      

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A realidade é só o que se mostra?

Dizia-me uma mãe estes dias: - Esta fase há-de acabar. Acho eu. Falávamos das fotos publicadas no FB pelas adolescentes: sempre delas próprias, a fazer boquinhas, em poses de revista, com maquilhagem de modelos, exibindo roupas de catálogos. O cenário muda um pouco, entre casa, escola e algum destino de passeio; por vezes estão em grupo, mas basicamente é isto. E todas fazem o mesmo. 

Sinceramente, não sei se isto vai acabar. Esta é a primeira geração que utiliza o FB numa base diária, e claramente já se tornou vicio.  Interagem num esquema totalmente superficial, dependente de "likes" e número de amigos.
Não sei, mas esta geração está a crescer deste modo e não conhece outro. 

Mesmo nós, os pais dos adolescentes, publicamos apenas uma parte da nossa vida que merece "gostos". Não seremos tão egocêntricos, contudo, na essência, o fim é o mesmo - a auto promoção. Não será de admirar as conclusões dos estudos que divulgam um elevado nível de insatisfação, inveja e até depressão causadas pelo FB aos seus utilizadores.

Eu tenho uma amiga no FB que publica fotografias com o cabelo despenteado. E sem maquilhagem. Comidas com magnífico aspecto, e por vezes outras que deixam muito a desejar. Já apareceu uma vez de avental. E fotografias com os seus cães rafeiros? Frequentemente.  Publica fotos de paisagens da Grécia dignas de postal. Mas também publica fotografias de ruas e prédios decadentes. Acho que só não publica fotografias dela com o companheiro de costas voltadas, porque não o tem. Companheiro, digo.
Das primeiras vezes estranhei, porém, logo desenvolvi uma grande admiração por ela. A minha amiga é uma ave rara, mas é a mais verdadeira de todas. E a mais corajosa, e a mais sã.  

Na minha geração, tenho a sorte de ter uma amiga diferente, que me dá uma perspectiva oposta à tendência, mais realista e saudável. Quanto à actual geração de adolescentes, quem lhes mostrará outro rumo? Quem lhes dirá que a realidade também pode ser bonita?