
Gosto imenso de decoração; a minha casa é uma construção dos anos 70 e vivemos aqui durante alguns anos antes de a renovarmos. Nesse hiato estudei minuciosamente o que poderia suprimir, mudar, melhorar e adorei fazê-lo. Transformar uma casa que detestei inicialmente, num lar onde actualmente me sinto melhor do que qualquer outro lugar foi um desafio e tanto! Reflecti imenso, deu trabalho e demorou, mas adorei cada etapa, e por isso afirmo que jamais recorreria a uma decoradora.
Porém, interesso-me bastante pelo tipo de energia que circula pela casa e quando soube que o feng shui ensina a criar ambientes harmoniosos as minhas antenas reagiram; confrontada com uma série de perigos(?), como por exemplo uma árvore em frente de casa (reduz as oportunidades), uma escada aberta (perda de dinheiro), etc, que não poderia mudar recorri a alternativas mais realizáveis, como por exemplo as cores das paredes. Penso que todos sabem da importância das cores e em como nos podem influenciar, por exemplo o lilás acalma o coração, a mente e os nervos, o laranja abre e estimula o apetite, o amarelo estimula a comunicação e actividades mentais, etc. Li recentemente numa revista que Michele Pfeiffer come sempre em prato azul, pois é uma cor que proporciona saciedade (humm, talvez seja por isso que sempre fui magra, a minha cor favorita é o azul :)).
O Feng shui também dá umas dicas razoáveis para obter prosperidade: colocar um bonito arranjo de flores ou uma fruteira na mesa da sala de jantar, nada de portas emperradas, ter o fogão bem limpo, ter a secretária onde habitualmente trabalha bem arrumada para que as energias criadoras circulem facilmente; abuse de plantas, mantenha as portas dos w.c’s fechadas, são ladrões de abundância, etc. No mínimo conselhos muito sensatos!
Vi algumas fotos de casas decoradas segundo o feng shui e sinceramente não gostei. Se uma decoradora não me iria convencer, claro que o espelho de talha dourada ao fundo das escadas ficaria no mesmo lugar mas umas plantas verdes na cozinha não colidem com as minhas convicções decorativas!
Porque estou a escrever sobre este assunto? Bem, porque os dias têm estado cinzentos, muito tristes mesmo, especialmente sendo Primavera, porém cá em casa o sol está radioso, talvez porque as paredes estão pintadas de amarelo!
Penso assim mesmo, a decoração da minha casa é ditada pelo nosso gosto pessoal e nosso estilo de vida. Afinal a nossa casa é o nosso espelho; ou não é?
Up date:
Para desfazer mal-entendidos, esta é a entrada de minha casa (a primeira foto, que achei belíssima, pertence a um link do post, não sei exatamente qual).
Tenha uma óptima semana, muito colorida, se possível!
Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
A magia das cores
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
"Remexendo no lixo"
(Imagem Beggar)
“Se queres saber as novidades vai à cabeleireira”, é uma espécie de ditado antigo que continua a actual. Eu queria apenas arranjar o cabelo, porém saí do Salão com novidades inquietantes. A cabeleireira conversava com outra cliente que comentava ter visto uma família, com uma criança pequena, a remexer o lixo da Churrasqueira, procurando comida. Impulsivamente, levantei a cabeça da revista que folheava e perguntei incrédula:
-Aqui?! Ao que a cabeleireira respondeu que no jogging nocturno dela costumava encontrar pessoas à procura de comida no lixo da minha rua! Que têm aparência estrangeira. Fiquei perplexa.
Lá no Salão ela tinha um abaixo-assinado, que seria entregue na Assembleia da Republica, para pressionar o Governo a interferir no caso do motorista preso em Espanha. Parece que ele é desta zona e todos acreditam na sua inocência. Ele está acusado de tráfico de pessoas porque a polícia espanhola encontrou 2 marroquinos escondidos no camião, quando ele voltava de Marrocos. Isto acontece frequentemente; desesperados para sair de Marrocos escondem-se nos sítios mais incríveis dos camiões e camionetas.
A Europa não é o El-Dourado e Portugal muito menos, mas ainda assim pessoas desesperadas correm risco de vida para cá chegar. E se chegam, enfrentam novos problemas, pois a taxa de desemprego está altíssima! Os portugueses estão a emigrar para a Suiça, Luxemburgo, Mónaco e França, porque aqui todos os dias fecham fábricas. E não são apenas jovens, são pais de família e avós que emigram. Quando não há trabalho não há comida!
Sei de alguns casos de emigrantes empregados, que estão a ser tratados como escravos; recebem o vencimento no fim do mês, mas trabalham sem horário. Uma ex-enfermeira que é agora empregada doméstica das 8h às 23h e ainda trata do recém-nascido, para a patroa descansar, pois está habilitadíssima! Uma ex-directora de colégio que faz o trabalho doméstico e trata de 4 crianças, até às 21h. Estas mulheres deixaram família e filhos para trás, na procura de uma vida melhor. Não sabiam que em tempos de crise perdem direitos e dignidade.
Se conhece alguém que pretende emigrar avise-o, aconselhe-o a informar-se muito bem do que vai encontrar no destino. Realmente não posso julgar, e compreendo a vontade em procurar uma vida melhor, mas pode-se também encontrar o pior!
Tenha uma óptima semana!
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Marcadores: desemprego, emigração, fome
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Chá de bonecas

De manhã aconteceu uma coisa que me aborreceu imenso; a ponto de perder a vontade de postar hoje. Tinha pensado escrever sobre outro tema, porém agora só me apetece falar sobre o "chá de bonecas” que organizei à minha filha. Como ela só tem primos queixa-se imenso por não ter amigas para brincar, então lembrei-me de lhe organizar um “chá de bonecas”, que era uma das minhas brincadeiras preferidas, quando criança. A Letícia adorou a ideia, e metemos mãos à obra. Fizemos as duas os convites, que ela levou para todas as meninas da sala dela, no Infantário. Só isso já alterou os ânimos por lá. No sábado fiz as compras dos refrigerantes, batatas fritas, salsichas cocktail, queijo e fiambre para as mini-sandes. Depois, entrei na cozinha para preparar aquelas coisas que todas as crianças gostam: gelatinas variadas, bolo de chocolate com calda de brigadeiro, coquinhos e muffins de baunilha.
No domingo de tarde as meninas começaram a chegar e cada uma ia sendo recebida pelas outras aos “ Viva a X!”, “Viva a Y!”, quase levadas em ombros para dentro! Cada menina trazia a sua boneca preferida, apresentavam-na e instalavam-na à mesa, para o chá. Entretanto, as donas das bonecas brincaram de tudo, baloiço, escorrega, bicicleta, trotinete, casinha, restaurante, supermercado, etc, sendo que trajar o vestido da Bela (Bela e o Monstro da Disney) foi a mais disputada das brincadeiras. A ponto de eu cronometrar o tempo de cada uma! As 9 meninas entenderam-se às mil maravilhas; depois do lanche brincaram mais um pouco e por voltas das 18h os pais começaram a chegar para levá-las. Todas pediram para ficar "mais um bocadinho, por favor!”.
Hoje fui levar a minha filha ao infantário e quando me baixei para lhe dar um beijo, umas mãozinhas agarraram o meu pescoço e deram-me um forte abraço. Virei o rosto e vi um sorriso iluminado. Rapidamente fiquei rodeada de meninas que me abraçavam e beijavam, para espanto das funcionárias.Com meiguice elas perguntavam-me quando poderiam vir cá para casa novamente. E eu tive que prometer que faríamos outro “chá de bonecas”.
Abraço é bom, mas abraço espontâneo de criança é o melhor de todos! Naquele momento as meninas retribuíram o meu trabalho com aquele abraço e, mais importante, no momento em que eu estava mesmo a precisar!
Claro que vamos ter outro “chá de bonecas”! Apesar da Internet, P.S.P. , Gameboy e Nintendo, as brincadeiras da minha infância continuam a encantar!
Tenha uma boa semana!
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Fernanda
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15:35
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Marcadores: abraço, brincadeiras, chá de bonecas
Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
Voto de confiança

Sociabilidade é uma bandeira que os profissionais da educação acenam frequentemente, como sendo um dos grandes atractivos do Infantário; quando o meu filho foi pela primeira vez para o Infantário, a educadora insistiu comigo, diversas vezes, para que ele fosse todo o dia e não apenas a manhã. Dizia ela que o Duarte precisava de mais tempo para se sociabilizar. Eu e o meu marido não cedemos por diversas razões, mas o facto do Duarte não fazer amigos no Infantário inquietou-me um pouco. Por isso, pressionei, de certa forma, a amizade do meu filho com outro menino, filho de um casal amigo. Era notória a falta de empatia, mas ainda assim nós “promovemos” aquela amizade, na tentativa de provar que o nosso filho era uma criança sociável.
Conforme o tempo foi passando e nós fomos observando as duas crianças a brincar, compreendemos que a renitência do Duarte na aceitação daquele amigo era justificada; é uma criança com características que eu também não gostaria de ter num amigo.
Com isto eu aprendi que muitas vezes temos mesmo que dar um voto de confiança aos nossos filhos; eles podem não conseguir explicar o que sentem, podem até nem ter palavras convincentes, porém o que eles sentem pode ser muito mais verdadeiro do que o raciocínio mais lógico de um adulto. As crianças intuem, nós pensamos!
Ah, o meu filho está agora no 1º ano da escola e tem muitos, muitos amigos :)!
Tenha uma óptima semana!
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Fim dos tabus

Fico perplexa com a actual facilidade das pessoas em assumir comportamentos interditos. Tabus como ser divorciado, ser mãe solteira, fumar, tomar a pílula, fazer um aborto, etc, já tiveram o seu tempo. O tabu diluiu-se sob o signo da liberdade, do “ninguém tem nada com isso” e os limites alargaram-se para lá da imaginação. Que um pai de 60 anos e uma filha de 30 venham assumir um romance, e o filho que tiveram em conjunto, passa para lá da minha imaginação.
Como chegamos a esta situação? Acredito que o aniquilamento de valores tem levado à dissolução dos tabus. Contudo, todas as sociedades, todas as culturas necessitam de tabus, por isso mesmo os têm e tiveram; os tabus são limites pelos quais as pessoas se orientam, pelos quais as sociedades se pautam buscando a preservação da ordem. Uma cultura sem tabus torna-se devassa e em última instância caótica.
Fiquei a pensar no Eça. Se Eça de Queiroz tivesse vivido numa sociedade sem tabus jamais teria escrito “Os Maias”, pois a trama principal seria completamente banal; Carlos da Maia e Maria Eduarda poderiam ter vivido uma vida conjugal pública e assumida, poderiam ter tido filhos e poderiam até ter vivido felizes para sempre!E aquela única vez em que Carlos sucumbira a Maria Eduarda, em consciência, não teria tido aquele efeito avassalador.
Que lástima….
Uma boa semana a todos!
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Fernanda
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15:07
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Marcadores: literatura, tabus
Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
Um princípio e um fim

Ultrapassou as intempéries de Inverno e apresentou-se vigorosa à Primavera. Quando as primeiras folhas brotaram, quebrando o castanho do seu tremendo esqueleto, constatamos num alívio tácito que a vida permanecia ali. Porém, as tempestades súbitas primaveris fustigaram-na incessantemente com chuva e vento e ela cedeu. As folhas murcharam, e nós, esperançosos, pensamos que talvez fosse a geada que as queimara. Mas não, alguém nos disse que as raízes estavam doentes e que seria apenas uma questão de tempo. A nossa figueira morreu.
Eu via-a como uma imensa gaiola, daquelas especiais, que convidam a entrar e permitem sair, pois nela não existia porta. Tudo era liberdade. Pouso de excelência para pássaros viajantes, procurando uma sombra ou um abrigo da chuva; pardais, melros, rolas, e andorinhas – ainda mal tinham chegado – saltitavam de ramo em ramo, perseguindo-se enamorados, chilreando num coro alegre e insuportável para algum citadino a dormir cá em casa. O verde frondoso da sua folhagem era a mais fantástica das cortinas, oferecendo-nos privacidade e uma decoração natural e viva. Sim, ela era um ser vivo, deu-nos belos e suculentos frutos durante a sua existência e deixou descendência; há cerca de 2 anos começaram a nascer figueiras pelo jardim, que nós fomos arrancando e dando a amigos e vizinhos. Sem saber que ela preparava já a partida. Ficou uma filha, num canto esquecida, até há pouco. Por isso, que ninguém estranhe quando eu contar que a morte da figueira, única árvore do jardim, que já existia nele antes de nós, nossa companheira e companhia nos abalou até ao âmago. O meu marido sentiu-se em luto e o meu filho agarrou-se a mim a chorar.
-Tudo tem um princípio e um fim, filhote. Murmurei-lhe ao ouvido.
Tenha uma óptima semana!
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Fernanda
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15:06
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Marcadores: homenagem à figueira
Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Dura lex, sed lex

Quando um juiz decide que uma criança de 7 anos, criada por pais afectivos, deve ser entregue ao pai biológico (que nem quis saber da gravidez e só fez teste de ADN obrigado pelo Tribunal!) e ignore relatórios de pedopsiquiatrias posicionando-se contra, eu pergunto-me: - Terá este juiz a noção de sensatez?!
Exercer o ofício de juiz será unicamente aplicar leis? As leis não se interpretam nem são consideradas as circunstâncias? Porque a lei privilegia sobretudo os laços sanguíneos a história da Esmeralda não é tida nem achada para a decisão final. Apliquem-se as leis e se pelo meio crianças são abandonadas à sua sorte (ou má-sorte!) nenhum juiz será penalizado por isso! O juiz cumpriu a Lei. Parece-me no mínimo bastante insensato.
Assim como se fazem testes para medir o C.I. e C.E. eu sugeria que alguém providenciasse o teste C.S.- Coeficiente sensatez, para os advogados que pretendam tornar-se juízes (nos advogados a falta de sensatez é necessário, senão quem vai defender os criminosos?!) a fim de se medir o grau de sensatez do candidato em questão.
Será pedir demasiado que um juiz reúna conhecimento das leis com sensatez na hora de formular a sentença?!
É uma pena que no dia 19 não seja o juiz a ir “arrancar “ Esmeralda da casa dos pais afectivos e levá-la para o pai biológico…
Uma boa semana a todos!
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Fernanda
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18:29
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Marcadores: caso Esmeralda, crianças
Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Fã de marcas

(Imagem de Getty Images)
Antes de eu nascer, a minha mãe mandou fazer o meu enxoval todo a uma costureira; ainda hoje ela e as minhas tias falam das peças únicas, feitas com os tecidos mais finos, enfeitadas com delicadas fitas de seda, rendas e bordados. Durante toda a minha infância a roupa que eu as minhas irmãs vestimos foi feita por costureiras, até que estas começaram a desaparecer (preferiam ser empregadas têxtil) e nós começamos a reclamar roupas que víamos no pronto-a-vestir. As marcas não nos diziam nada.
Antes de ser fã de marcas, sou fã de bons tecidos e de cortes bem feitos; a marca diz-me muito pouco e acho que, na maior parte dos casos, não vale o preço que se paga. Claro que, para muitas pessoas as marcas dão status e isso justifica o preço.
É cada vez mais frequente encontrar pessoas com looks completos de uma só marca ou a mistura de várias marcas de costureiros famosos; obviamente, com a exibição dos respectivos logótipos nas roupas e malas, muitas vezes a strass ou lantejoulas, o todo não primando pela descrição! Então nas malas tenho visto autênticas irmandades, uma espécie de epidemia tem sucedido a outra, a da Louis Vuitton, da Burberry e agora a Tous.
Dizem os psicólogos (nem acho que fosse descoberta deles!) que as pessoas mais susceptíveis de sucumbir à febre das marcas são inseguras, com necessidade de valorização. E dia para dia, eu vejo o número crescente de “inseguros” que agora levam também os filhos para essas lojas exclusivas e de lá saem completamente “upgraded”, sem duvida, muito mais valiosos do que antes!
Da minha experiência vejo que as crianças ficam muito mais contentes com t-shirts da Minnie (pode ser em strass!) e sweat-shirts dos Pokemon do que com uma camisola ostentando um logo que nada lhes diz!
Eu até gosto imenso de moda, até tenho marcas, mas creio que esta excessiva importância da roupa é apenas mais um reflexo da nossa sociedade fútil e superficial. E tudo o que é demais….
Tenha uma boa semana!





