segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Cartas para os super-heróis!

 
Via

Faz-me impressão esta necessidade que os humanos têm de adorar os heróis, de os seguir, e de guardar as suas imagens, seja em pop figures, seja em posteres seja em filmes. 
Está bem que andando o mundo como anda, precisamos de acreditar que alguém nos há-de salvar, alguém há-de vir, um qualquer D.Sebastião, de preferência difícil de matar, como o super-homem, que consiga voar e escalar os grotescos problemas do planeta, para impedir os malvados de levarem sempre, a sua - a deles- avante. Então, vai daí que nos servem ocasionalmente estes heróis de ficção, para nos dar alento, ou embalar num sono profundo que cremos real, e deixarmos a resistência para esses falsos super heróis, que têm qualidades supra humanas que nós, coitaditos, não teremos nunca.

Vivemos tão embrenhados na ficção que até esquecemos que na vida real há montes de heróis, que todos os dias põem as suas vidas em perigo, por questões de consciência, por acreditarem tão intrinsecamente numa ideia, que viver num mundo onde ela não seja respeitada, lhes parece inconcebível; de tal forma que preferem pagar com a vida a reclamação dessa ideia. Não que a vida não lhes seja cara, só que lhes é mais caro aquele ideal, e por isso escolhem sacrificá-la para que outros possam viver num mundo onde aquele ideal exista e vigore. Como o Clóvis, de Madagáscar, que luta em defesa da floresta tropical, devastada pelos traficantes do pau-rosa, com a conivência da autoridade. Ou os 11 de Istambul, presos por defenderem os direitos humanos. E tantos outros, divulgados na página da Amnistia Internacional, que apenas precisam de uma assinatura nossa, a endossar as causas que defendem, também em nosso nome.  

Se isto não é ser herói, a sério que não sei o que é. E a nós, cabe-nos fazer tão pouco; explicar aos nossos filhos que estes heróis existem, contar-lhes sobre as lutas e campanhas deles, ensinar-lhes que herói é quem se levanta contra o mal, que pugna por um bem comum. E que essas pessoas existem, podem estar longe, em causas longínquas, mas também perto de nós, como quando um jovem anónimo intervém em defesa de um desconhecido que está a ser atacado. Incentivando-os assim a terem um papel activo na sociedade, ao invés de serem apenas contemplativos do grande ecrã, convencidos de que actos heróicos são apenas fantasias, não nos restando mais do que a passividade. 
Num acto de boa vontade, tão consonântico com a época natalícia, parece-me muito a propósito aderir à Maratona de cartas da Amnistia Internacional. No conforto do nosso lar, uma assinatura apenas.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Batatas "sarladaises" com cogumelos #vegetariana

Adaptada da original, feita em gordura de pato, que nunca provei por isso não tenho termo de comparação, posso porém afirmar que esta receita é incrivelmente saborosa!


 Batatas sarladaises com cogumelos*
Ingredientes
800g de batatas pequenas
50g de cogumelos de Paris
1 chalota
 

azeite 
salsa

Como fazer:

Cozer as batatas em água e sal, descascadas e cortadas aos cubos, durante dois minutos.  Escorrer.
Aquecer o azeite numa frigideira, e juntar a chalota cortada em meia lua fina.  Logo que a chalota fique translucida, juntar as batatas, deixar cozinhar, mexendo ocasionalmente. Estando as batatas quase prontas, acrescentar os cogumelos fatiados em lume alto, 3 a 4 minutos, mexendo sempre. Temperar com sal e pimenta, e no momento de servir com salsa picadinha.
   


*Via Histoires de fruits

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

#Adolescência


Percorremos as lojas todas da Vila e não encontramos uma camisola de lã que lhe sirva ou agrade. Idem em todas as lojas do Shopping. Haja paciência, digo para mim. Mas mal entramos numa Livraria sinto-me recompensada, volta a ser a minha menina. Nunca sai de lá de mãos a abanar!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Politicamente correcto na Maternidade

Num dia, acordamos com a notícia de que na Suécia Deus deixará de ter género a partir de 2018; noutro, que a famosa caixa Finlandesa, conhecida como "kit da maternidade", se tornou polémica, com alguma alma-nada-iluminada tentando mudar-lhe o nome para "kit de família". 

Se fosse pela defesa da ideia, de que Deus pode ser algo de diferente a qualquer género, poderia entender, mas não é; é apenas preocupação, dos adeptos do politicamente correcto com a igualdade entre géneros. Fazendo ouvidos moucos a referencias bíblicas que sempre designaram Deus no masculino, verga-se a Igreja ao discurso do politicamente correcto, antes que se virem contra ela. A mim, pouco me importa que seja ela ou ele, acredito em Deus acima dessas minudências humanas, é a questão do discurso correcto, que vai por aí fora descontrolado, que me irrita.

Se o kit da maternidade se destinasse a uma grande maioria de famílias, o nome poderia talvez justificar-se, e parecer menos forçado; porém acontece, que infelizmente, poucas ( e cada vez menos) crianças nascem dentro da estrutura a que chamamos família.

São as mães que carregam nove meses os filhos no ventre, são elas que os parem, frequentemente em hospitais obstétricos conhecidos como Maternidades. Creio também que a maioria dos profissionais ligados à obstetrícia, entre médicas, enfermeiras, parteiras e doulas são mulheres. Porque essa área nos é naturalmente cara.  Porque a Maternidade é exclusiva da mulher, custe o que custar a quem vê isso com os olhos misóginos da inveja, inventando pretextos inaptos para nos sonegar referências que temos por direito.

A preocupação com a inclusão é tanta, e tão cega, que qualquer dia quem está excluída é a grande maioria, domada e culpada por ser aquilo que é.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

7 Dicas de filmes a não perder

É cada vez mais difícil encontrar filmes de qualidade, sobretudo no Cinema, no entanto nos Telecines vou encontrando alguns que valem a muito a pena.

As Irmãs Brontë ( To walk invisible)- (UK)
Para além de ser um filme de época, de que gosto particularmente, baseia-se na história verdadeira das irmãs Brontë. Foram três e um irmão, todos talentosos escritores, embora apenas Charlotte e Emily se tenham tornado mais conhecidas. Apesar do talento, e de o verem reconhecido ainda em vida, esta não lhes foi nada fácil, tiveram uma grande dose de sofrimento, que terminaria com a morte precoce de cada uma dela. Muito interessante. 

Aquarius (Brasil)
Sónia Braga mostra-se neste filme como a grande actriz que é, no papel de uma escritora de 65 anos, que se vê coagida a vender o seu apartamento num prédio recentemente desabitado,  fim de tornar-se empreendimento de luxo. Tendo aí passado a sua vida inteira, criado os filhos, e na reforma mantendo um estilo de vida que muito lhe convém, Clara rejeita a proposta de compra, enfrenta corajosamente o assédio e ameaças até...
Aprecio imenso do cinema brasileiro, é cru, de uma autenticidade apaixonante e por vezes aterrorizadora, que me deixa sempre com o coração a bater mais forte. E banda sonora? Maravilhosa. A não perder!

O poder da música (EUA)
É uma história bastante banal, afinal o que tem de especial para ser contado sobre o Alzheimer, que afecta milhões de pessoas em todo o mundo? Joaquim de Almeida encarna um neuro cientista empenhado no estudo desta doença, quando encontra uma cantora que padece desta demência, e compreende que a música tem nela um efeito contrário. Talvez por ser exactamente uma história que é tão comum nos seja cara por isso mesmo. 

Maggie tem um plano (EUA)
Depois de diversos relacionamentos fracassados, Maggie decide avançar com um projecto de maternidade a solo, que se por um lado acontece, por outro se revela não exactamente da forma que ela tinha planeado. Após várias reviravoltas o fim compõe-se, a vida assume o comando. Para nos lembrar que os planos da vida pode ser diferentes do nosso. 

Sagan (França)
Confesso que para além de "Bonjour tristesse", leitura obrigatória a Francês, não li mais nada de Françoise Sagan, porém gostei de saber sobre a vida desta escritora tão controversa, com facetas tão paradoxas como fascinantes. É uma vida real mas bem poderia ser imaginada. Para quem gosta de biografias.

Olá, o meu nome é Doris ( EUA)
Gosto da Sally Field, mas não a acho uma daqueles actrizes fantásticas que convencem em todos os papéis, simplesmente por ser aquele tipo de actriz que vejo sempre a desempenhar o mesmo tipo de papel. Boazinha. Contudo, neste filme, Sally Field revela-se uma actriz fantástica e surpreendente. Encarna Doris, uma administrativa de 60 anos, numa empresa jovem, onde conhece um colega do departamento criativo, com idade para ser seu filho, e por quem se apaixona. A história é bastante surpreendente e divertida, o guarda-roupa de Doris é fascinante, e a banda sonora é, digamos, desafiadora. No final, fiquei convencida, e porque não? Há idade para amar? 

Que teria acontecido a Baby Jane? (EUA)
Não poderia faltar nesta minha selecção um filme a preto e branco com actrizes desta craveira. Esta produção de 1962, na qual contracenam as grandiosas Bette Davies e Joan Crawford, já com idades avançadas, reflecte por um lado a vida das grandes estrelas de Hollywood já "velhas demais" para papéis de relevo, e por outro uma história que apenas aparentemente é simples e linear, revelando uma reviravolta que só tardiamente se começa a vislumbrar.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

E se fosse consigo? #Assédio




Confesso que não costumo ver o programa "E se fosse consigo?", mas tenho acompanhado por alto as temáticas e reacções. Este sobre o assédio, vi de fio a pavio, com muito espanto. Três coisas, sobretudo, provocaram-me diferentes considerações; primeiro, senti-me perplexa pela quantidade de pessoas que assistiu à simulação do assédio, na paragem dos autocarros, e se manter alheia. Segundo, por essa mesma quantidade de pessoas, serem mulheres. E terceiro, pela falta de capacidade em reconhecerem o assédio; houve até, quem confundisse com brincadeira, uma mulher, por sinal. 

Em entrevista, todas responderam que se lhes fosse alguém próximo ( uma filha, neta) a ser assediada como aquela rapariga, teriam reagido, partindo até para a agressão física. Com a honrosa excepção de uma senhora, que disse mesmo que aquela rapariga poderia ser a sua filha, e que a partir daquele momento ficava sob a sua protecção, mais ninguém a defendeu. Esta falta de solidariedade entre mulheres, é a nossa primeira fraqueza; enquanto não compreendermos que temos que defender as nossas jovens, filhas, netas, primas, amigas, colegas, conhecidas, como se nos fossem realmente próximas de sangue, continuaremos desamparadas, à mercê dos cavaleiros andantes. Que os há, e na reportagem houve pelo menos um. Mas não basta, nem de perto. 
Há porem esperança, quero acreditar que nas gerações mais novas a postura é outra. O conhecimento sobre o abuso está mais alerta. E como na reportagem a faixa etária foi sempre mais elevada ( com uma ou outra excepção) não posso comprovar a minha teoria, o que me parece de grande pena. 
Perturbou-me, e assustou-me, a quantidade de jovens raparigas que testemunharam terem sido vítimas de assédio sexual nos transportes. E mais, que ninguém as socorreu, nem Justiça nem pessoas. 

Fiquei a pensar ainda, se a reportagem fosse feita no Norte, não seria outro o resultado? Teriam as testemunhas do assédio permanecido indiferentes? Novamente, quero acreditar que não. Porém, temos que convir, o assédio é um problema estrutural, que deve ser tratado com grande empenho e sentido de realidade, para que mentalidades e comportamentos mudem. E o Mundo se torne mais seguro para as mulheres.