segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Dica de filme: Bohemian Rhapsody


Já não me lembrava de ir ao Cinema com os meus dois filhos; a entrada na adolescência revelou diferentes gostos, e os meus aproximam-se mais dos da Letícia, portanto, relativamente a este filme, foi o Duarte que, por assim dizer, me convidou, mesmo antes de eu saber que este filme ia sair. Há cerca de um ano que ele tem os Queen na sua playlist, e os ouve, entre outros dos anos 80, diariamente. Foi portanto um programa a três que muito nos agradou.

Os espectadores eram maioritariamente da minha geração e mais velhos, poucos jovens lá estavam e mais nenhuns com os pais. Fez-me reflectir com pesar que pais e filhos já não encontram chão comum.

Todas as críticas que li e ouvi, diziam bem do filme e nós também gostamos bastante. É uma história que poucas novidades trás ( mas que para mim foram importantes), é contada de forma simples e sem grandes recursos a artifícios técnicos elaborados, um pouco como se tivesse sido realizado na década de 80. E portanto, mantém um equilíbrio fidedigno, entre história pessoal e de grupo, privada e pública, sem cair na lamechice em que poderia facilmente desembocar. Rami Malek foi um Fred Mercury estupendo, encarnou de tal forma o cantor que por vezes me questionei se a fita tinha passado de ficção a documentário.
Momentos houve em que esquecemos que estávamos no cinema e cantamos também, como se fosse um concerto, e foi bom! 
 
Li hoje uma notícia sobre o filme estar a ser muito vaiado no Brasil; nas breves e ligeiras cenas de homossexualidade, a plateia assobia e grita por Bolsonaro. Não saberiam que o Fred Mercury era gay?! De qualquer forma, achei este sinal muito preocupante. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Meio termo

Nós não temos sempre que tomar partido perante todas as questões. Nós somos livres para escolher calar ou falar, até por uma questão de resguardo e não por cobardia, como muitos pensarão. Também é sinal de inteligência e respeito. Devemos aguardar o apuramento de factos, receber mais informação, para então tomar partido se assim o entendermos. Vem isto a propósito da acusação de violação feita a Cristiano Ronaldo; tenho lido e ouvido apenas uma opinião, estão contra a acusadora, acusam-na de oportunismo e de muitas outras coisas feias.

Na praça pública, já o Cristiano Ronaldo foi ilibado, e embora compreenda essa tendência nacional, como seria possível o nosso herói cometer este crime?!, preocupa-me que taxativamente desconsiderem a "suposta vítima"; que apenas, porque o CR7 é rico, jovem e bonito, podendo ter "todas" as mulheres que quer, seja automaticamente inocente.
Penso que, sobretudo ultimamente, vimos muitas notícias sobre homens poderosos que abusaram de mulheres, isso é facto. Para muitos homens ter mulheres que também os querem já não é suficiente, o próximo nível, muito mais excitante, é ter mulheres que não os querem. Portanto, aplicar esta defesa, é um argumento pouco credível. 

Não me parece impossível que CR7 fosse capaz de cometer esse crime, pois nem sequer o conheço para abonar sobre o carácter dele (embora no geral tenha boa impressão), e nem me parece impossível que a acusadora esteja a mentir, para tirar dividendos desta situação. Nesta equação tudo é possível. Pelo contrário, já não me parece nada possível, que 9 anos volvidos, se possa comprovar que foi o Cristiano Ronaldo a abusar dela. Se foi vítima, pecou pela demora. 

Temos mesmo que tomar partido? A minha simpatia, enquanto portuguesa, vai também, para Cristiano Ronaldo. Mas acredito que agora, a verdade será apenas do conhecimento dos dois e nós vamos ter de viver com isso. 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Das coisas que mudam o ar da casa

 
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As possibilidades são imensas, como a cor das paredes, ou mudar os móveis de sítio. Ou quadros novos, ou cortinas. Mas tudo isso já implica uma grande trabalheira, ou dispêndio de dinheiro, e queremos evitar isso mesmo, não é?

Na minha opinião, das coisas que mais mudam o ar da casa, sem dar trabalho nem gastar dinheiro, nenhuma fortuna pelo menos - são flores!
Há uns dois, três anos comecei a investir em flores; na entrada, tal como indica o Feng Shui, na sala, e no meu quarto. E sabem que as pessoas reparam? Mais depressa do que num móvel novo, ou algo que supostamente daria mais nas vistas.
Porém, quem beneficia realmente, somos mesmo nós; quando passamos pelas flores, é um festival de cor e fragrância.

Agora que a temperatura baixou, as flores duram mais, mas podemos sempre optar por plantas, cuja manutenção é menor e de grande durabilidade. Desde a Primavera que tenho uma Espada de S.Jorge no hall de entrada, que se dá lindamente numa área de pouca luminosidade, e é um exemplar que aconselho muito. Mas está na altura de voltarmos às flores, precisamos de alegria e cor, para contrariar a meteorologia.   

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Síndrome do Pensamento Acelerado


Augusto Cury denuncia a educação superficial, que forma pessoas doentes. Não sabemos quem somos, e portanto construir a nossa própria história fora de prisões, das quais nem nos apercebemos, torna-se impossível. É fundamental conhecer o "eu".

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Viver na aldeia é bom!

 
Via

Há uns anos atrás, iniciou-se um movimento de pessoas que começaram  trocar a cidade pela aldeia. Sobretudo, jovens famílias que tinham concluído que a vida citadina não lhes proporcionava a qualidade que queriam. Queriam ter mais tempo, mais espaço, mais ar livre, pretendiam que os filhos fossem criados em contacto com animais, com flores e árvores, mexendo na terra e aprendendo sobre os ciclos da natureza. Queriam, também, ter uma vida de respeito pelo meio ambiente, utilizar o que a Terra dá segundo as Estações, poluir o menos possível, enfim, vivendo num estado de cooperação com a terra, e não de exploração. Além disto, havia ainda o facto da vida na cidade ter encarecido demasiado e a vida no campo ser muito mais económica. 
Relatos de famílias a deslocarem-se para esta forma de vida, eram recorrentes, nos meios de comunicação; as reportagens exibiam crianças felizes a brincar no meio de galinhas, e pais e confirmarem que a mudança os deixara felizes. Começava a consolidar-se uma mudança de paradigma; este regresso à terra estava a revitalizar aldeias, e o interior de Portugal. 

Estes dias, vi uma outra reportagem na televisão. Sobre uma aldeia comunitária, não das raras tradicionais que ainda existem, mas das também raras, novas que se foram formando resultado deste êxodo dos últimos anos. Pessoas que procuraram a aldeia para viverem pacificamente, longe do stress das cidades, em busca de uma vida mais saudável, onde pudessem criar os filhos com valores ligados à natureza, à comida, ao consumo, à educação caseira. A aldeia deles tinha sido consumida pelos fogos de 2017 e desde então, cansados de esperar por ajudas externas e públicas, têm estado eles próprios a reconstruir tudo o que perderam. Todos ajudam, crianças pequenas inclusive, cada um faz a sua parte consoante o que pode. O genuíno espírito comunitário, numa lição prática. E a aldeia está novamente a ganhar forma. Alguns confessaram o desanimo, admitiram que a vontade de partir depois da tragédia que os deixou sem tecto, os tentara, mas finalmente resolveram ficar. Agarram-se tenazmente à terra que um dia os fizera querê-la para construir um mundo melhor, e estão pela segunda vez a realizar o sonho. 
No entanto, estes fogos que ano após ano se intensificam em quantidade e abrangência, assustam agora quem ainda sonha com mudanças de vida. Para além da destruição dos incêndios, das mortes, dos feridos, da destruição, do prejuízo, o sonho de mudanças sociais, da revitalização do interior, do regresso à natureza fica comprometido. A ideia de que viver no meio da Natureza pode ser perigoso está latente. E as pessoas remetem-se mais à cidade do que antes. E isto é terrível, é uma contenção mental que condiciona as vidas das pessoas que procuram a mudança para melhor. Que querem ser, efectivamente, agentes de mudança. Felizmente, os resilientes fazem-se ainda mais fortes pelo que vi na reportagem, e espero, desejo profundamente, que consigam inspirar ainda mais!


Aldeia comunitária em Viseu
Eco-aldeia à procura de pessoas e famílias para viver em comunidade
Regresso ao campo - Benfeita

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Moda - a grande poluidora

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Já notaram que nos filmes do futuro as pessoas estão sempre vestidas de igual? Ou então, vestem uns fatos que parecem de plástico ou de qualquer outra matéria artificial? Não é ficção, é projecção. É uma ideia que, à partida, rejeitamos com repulsa mas receio que não tenhamos outra solução e consequência; estamos num ponto em que exageramos no consumo, e a balança há-de procurar o equilíbrio, passando por um período de carência.

Constantemente saem notícias sobre as alterações climáticas, os desequilíbrios atmosféricos, os recursos naturais que se esgotam, espécies animais que se extinguem (e muitas outras ameaçadas), a poluição, as doenças causadas por ela, enfim, a própria sobrevivência da humanidade está em causa, se continuarmos a viver da forma que temos feito.

Sabemos que a indústria do petróleo é a primeira poluidora, que a industria agro-pecuária também ( é preciso mais de 15 mil litros de água para cada quilo de carne), mas não se fala da industria da moda, que segue imediatamente em segundo lugar depois do petróleo. Para fabricar umas calças são necessários 8.000 litros de água, e para uma t-shirt 2.500, o que é absolutamente espantoso dado o  número incalculável de peças de roupa, fabricadas em todo o mundo. 

Nunca como antes a moda foi tão barata, nunca como antes o apelo ao consumo foi tão grande, de forma que comprar roupa que não se precisa, se tornou banal. Pois não podemos, não devemos. E a própria industria o reconhece, por isso tem investido em formas de reciclar roupa, utilizando a devolvida pelos clientes, utilizando materiais recicláveis, e promovendo até a moda vintage
Embora eu me ponha à parte, porque para mim há décadas que é normal, sempre que pude adquiri em segunda mão (normalmente no estrangeiro, cá praticamente não existia), para a minha geração comprar roupa "usada" era absolutamente impensável. Portanto, é com grande satisfação que vejo as gerações mais novas, alheias a esse preconceito. Estive na semana passada no Porto, e percorri algumas lojas Vintage, com a minha filha, levando ela própria uma lista com as ruas onde as poderíamos encontrar.  A Letícia habituou-se comigo a fazer compras nestas lojas, portanto nada invulgar, mas a minha surpresa foi encontrar estas lojas cheias de jovens clientes, investidos na procura do artigo certo, algo bonito e único. E isso deu-me um pouco mais de esperança acerca do futuro.

As montras das lojas estão, novamente, expondo as colecções da Estação; tentações em formas e cores, do que não precisamos mas que desejamos, para renovar o guarda-roupa, para variar, para compensar um dia menos bom, uma satisfação momentânea. O clima deu a reviravolta que o justifica, mas a situação planetária, não. 
O consumo exacerbado é anti-ambiental, e é esse mantra que devemos repetir para nós mesmos, quando pensarmos em comprar algo que não necessitamos. É mais fácil falar do que fazer, portanto reconheço que já não há tempo para nos mentalizarmos gradualmente, mas se todos condescendermos um pouco que seja, no cômputo geral o impacto será massivo.