quinta-feira, 28 de maio de 2020

Férias em Amesterdão



Por uma razão ou outra fui adiando escrever sobre as últimas férias, em Setembro de 2019, em Amsterdão. Às páginas tantas já nem sequer fazia sentido, entretanto já estávamos às portas das férias de Páscoa, e depois, kabum! Desabou tudo. De qualquer forma, este blogue também serve para registar momentos que um dia os meus filhos poderão querer recordar. E porque recordar é viver, e sei lá quando iremos de férias novamente, repesquei o tema.

Amsterdão foi um destino proposto pelo Duarte, e dado que desde os 15 anos deixou de querer ir de férias connosco (com breve excepção para Itália em 2017, mas que rapidamente renegou!), e ter a aprovação da Letícia, Amesterdão foi! 
Aliás, quando lá estive pela primeira vez, estava grávida do Duarte, sem saber, e isso foi sempre uma carta que ele atirava à Letícia, dizendo que tinha visitado um país, aonde ela ainda não tinha ido. E sim, causava mossa.

Há cerca de 19 anos tínhamos feito férias na Holanda, e eu gostei tanto do país que disse logo que um dia voltaria. Demorou demais. Mas enfim, com os meus filhos valeu muito a pena. Outros membros da família também nos acompanharam, é sempre mais divertido com primos.
Ficamos no Cityden, um aparthotel nos arredores da cidade, diferente do habitual air bnb, muito bom, mas não é, efectivamente, o meu estilo, gosto da estadia com entidade local e privada, mas desta vez foi mesmo para fazer a vontade a outros, que aliás já me tinham feito a vontade antes. 


Amsterdão é uma cidade tão bonita, devido aos seus múltiplos canais e prédios de tijolo vermelho, do séc.XV e XVI, que passear por ela, fotografando um canto com flores, uma bicicleta encostada, um gato que espreita, se torna como que um jogo viciante; é um constante postal! E por isso nos contentamos em passar horas nestes passeios, admirando, fotografando, comentando. A propósito, adoro como os habitantes se apossam do passeio público, em frente a suas casas, decorando-o com diversos vasos, eles próprios lindos, com abundantes flores coloridas. Se alguém fizesse cá algo semelhante, prevejo que ninguém o aprovaria, rapidamente seria recriminado por posse indevida da via pública. Uma pena. 

Começamos por fazer um cruzeiro pelos canais; é sempre uma óptima forma de conhecermos as cidades, dá-nos uma perspectiva de outro ângulo, informações a que de outra forma não teríamos acesso, e ajuda imediatamente a localizarmo-nos geograficamente. De bónus, as melhores paisagens da cidade! 

No Museumplein (praça dos Museus), visitamos o Van Gogh e o Rijksmuseum; a Letícia estava com uma imensa curiosidade de visitar o primeiro, sabia que seria o seu ponto alto, e de facto o maior acervo de obras do pintor é impressionante. Aqui aconteceu algo inédito, era a Letícia que nos contava a biografia do pintor relacionando-a com as obras, e contextualizando-as. Ela ter estudado História da Arte, com gosto e distinção (fez a disciplina por exame nacional, 10 e 11º anos, com 19,5), deu-lhe material para isso. Para mim, isto foi algo de maravilhoso, pois desde que os meus filhos eram pequeninos que as visitas culturais incluíam esta forma de os cativar, eu  ia-lhes contando histórias sobre as personalidades e História. Chegamos ao ponto inverso, com a graça de Deus.
Pessoalmente, prefiro o Rijksmuseum, gosto mais dos velhos pintores como Rembrandt e Vermeer. O meu sonho era passar ali um dia, sozinha. Sem ninguém à espera.
Nestes museus, os menores de 18 anos não pagam bilhete, o que é sempre uma coisa simpática. Compramos as entradas na bilheteira para o dia seguinte, porque naquele momento não havia fila, senão teria sido online, que é sempre o mais recomendável. 


Na praça Dam, centro, onde está o obelisco em homenagem aos caídos na II Guerra Mundial, visitamos os Palácio Real, que a família real não habita, excepto para determinados eventos, mas que vale a pena pela majestade. Ao lado, a igreja De Niewve Kerk estava em obras, mas ainda assim aberta ao público, porém, ninguém se interessou em visitá-la.

Na primeira vez que visitei a cidade, Begijnhof foi um local que me apaixonou. Trata-se de um pátio a que se tem acesso por uma porta algo discreta, e aí se encontram diversas residências para mulheres solteiras ou viúvas, e que existem há vários séculos. As casas estão inclinadas pela idade, no meio uma pequena capela, e muito jardim e vegetação. Do lado de fora, a agitação da cidade, ali, o silêncio e tranquilidade. É um local muito especial. 

O Red Light district estava a provocar muitas referências aos adolescentes, por isso foi desde logo uma área que visitamos, mas eles não se deixaram encantar, pelo contrário, quando viram as mulheres em vitrinas, como mercadoria à venda, sentiram-se constrangidos. Nem sequer olhavam. Apreciei esse comportamento. As lojas onde se vendem as bolachas "com erva" também os fascinavam, e queriam vê-las, mas não ousaram entrar. Não com adultos responsáveis, pelo menos. Afinal, estão naquela idade que a ousadia é ainda imaginária, quando confrontados com a possibilidade retraem-se. Ámen!

Outro local que a Letícia queria visitar era a casa de Anne Frank, mas não deu. Desde o início que eu tinha dito que não iria lá, o Duarte também não, portanto o resto do grupo que se arranjasse. Deixaram rolar, não se apercebendo que os bilhetes são vendidos online com meses de antecedência, e portanto apenas lhes foi possível ver a casa do exterior. A Letícia diz que um dia vai voltar e visitá-la. Eu não sou de todo adepta do turismo "negro". Mas lá perto fica o Winkel 43, conhecido por ter a melhor tarte de Maçã de Amesterdão e para lá fomos, para deleite dos não-vegetarinos. Parece que sim, confirmaram-me que era deliciosa. 

Uma certa tarde, apanhamos o comboio para Leiden. Para além da experiência de viajar num comboio holandês, de dois andares e muito confortável, que atravessou campos, pequenas localidades, e nos permitiu observar lagoas, campos de flores, de cultivo, vacas e cavalos, pequenos canais com barcos-casas, visitar uma pequena cidade antiga, como Leiden, foi uma boa decisão. Lembrava-me de que Leiden me agradara imenso.
Ali sente-se muito a atmosfera holandesa, preservada daquela massa turística de Amsterdão. A universidade é a mais antiga do pais, e famosa.

Passear pelo mercado de flores é daquelas coisas a que não se pode escapar. Está muito diferente daquilo que me lembrava; muito mais turístico, com muitos berliques e berloques de Amesterdão, para os turistas levarem de recordação. Muitas flores secas, e de imitação. Perdeu a sua genuinidade. Mas lá está, tem que se passar por ali, nem que seja pelos bolbos de túlipa!

As lojas de roupa em segunda mão são abundantes, e desde o boicote da Letícia ao fast fashion que se tornaram estabelecimentos obrigatórios, especialmente quando nos esbarramos neles. Infelizmente para ela, os números dos holandeses são enormes e não foi fácil encontrar algo que gostasse e servisse. Mas quem persevera sempre alcança.  

O meu sobrinho Gonçalo, que joga futebol desde os 6 anos e adora o desporto, quis fazer uma visita guiada pelo Amesterdam Arena, e portanto foi, enquanto nós dávamos um giro pela Velha Amesterdão.

De brinde, uma amiga portuguesa que vive na Alemanha, foi, com a filha, passar o fim-de-semana a Amesterdão, para nos encontrar, e assim o grupo cresceu mais um pouco. Por causa dela ( porque em 2019 não tinha vindo a Portugal de férias), e pelo meu sobrinho (que já estava com saudades da comidinha Tuga!), fomos almoçar a um restaurante Português, que nos calhou pela frente; as pessoas eram todas do Norte, muito simpáticas e acolhedoras, mas canudo... um pastel de Nata 3,70€?! Pronto, as saudades pagam-se, e apagam-se também com sabores. De resto, almoçávamos por aqui e por ali, uns a comer isto, outros aquilo, lá ia aparecendo algo vegetariano para nós, mas no geral a cozinha holandesa deixa muito a desejar. 

Era Setembro mas apanhamos frio e chuviscos, e não levávamos connosco roupa muito quente. Os holandeses já vestiam casacos compridos de Inverno, casacos de penas, portanto já dá para ter uma ideia da meteorologia! Por teimosia também não queríamos comprar, a bagagem era diminuta e depois cá nada nos fazia falta. Aguentamos, e afinal ninguém se constipou! Doravante, para os países do Norte levo casacos mais quentes, os corta-ventos são para a Península Ibérica.
 

Foram 5 dias bem passados, sem stresses para ter que ver isto e aquilo (claro que ajudou eu já ter visitado muitos dos monumentos anteriormente, como a casa de Rembrandt, a Sinagoga portuguesa, etc.),  e desfrutamos bastante da cidade, e da companhia uns dos outros. Uma viagem de família que já traz saudades, sobretudo agora, que ignoramos quando será possível voltarmos a fazer este tipo de coisa. Por isso, cada vez mais Carpe diem tem que ser o moto.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Afinal não sou a única!




"Usar uma máscara é igual a fechar a boca, silenciar, não receber oxigénio, não sorrir para os outros ou beijar meus entes queridos.

Isso nunca deve tornar-se realidade e normal na nossa sociedade, nem deve ser apoiado e aceito por nós!

Eu nunca usarei uma máscara apenas para seguir alguns conselhos e decisões muito duvidosos feitos por pessoas que não usam máscaras quando aparecem em público.

Eu escolho respirar e viver a vida todos os dias exactamente como a mãe natureza quer que eu faça e sei que isso me manterá salvo e saudável."


Immanuel Cape

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Vamos sair disto todos melhores?

Diziam por aí que vamos sair disto tudo melhores pessoas. Que era uma lição transformadora que iria mudar toda uma sociedade. Todo o planeta! Mas aquilo que eu tenho visto desde que a "pandemia" começou leva-me a pensar, que não. E eu até sou uma pessoa optimista. Aquilo que vi, ouvi, e li levam-me a concluir que as pessoas continuam as mesmas; algumas deixaram cair as máscaras, revelando a verdadeira essência. Nesse caso, não são as mesmas, mas são as mesmas.

O que dizer das "patrulhas de policiamento digital", que armadas dos respectivos telemóveis, fotografaram quem andava na rua, os negócios abertos, quem caminhava, quem parava a conversar, para publicar nas redes sociais, a condenar? E aqueles que se lhes juntavam, insultando os "criminosos", apelando à prisão, à criação do departamento policial só para estes casos, e número telefónico de denúncia?!
O que dizer daqueles que na rua se armaram em rufias, mandando bocas, fazendo caretas e gestos reprovatórios, dando ordens como se fossem polícias? 
E dos verdadeiros polícias, que em jeito de pequenos ditadores, retiraram do mar o surfista, levando-o na carrinha para a esquadra? Os que ordenaram que saísse, à senhora que lia, solitariamente, num rochedo? As que obrigaram outra senhora a levantar-se da areia, porque na praia só se pode estar, circulando? E os que fecharam todo um centro comercial, porque a ordem tinha vindo "de cima"?! Enfim, de baixo a cima houve gente a estar muito mal, nesta história.

Mesmo nos blogues mais levezinhos, que leio, porque também gosto disso, de moda e decoração, as autoras continuam com as suas vidas de sempre. A preocupação expressa é a mesma de outrora, quando poderei usar este jumpsuit, poderei ir de férias? E ir ao restaurante X que saudades, a encomenda das almofadas para o sofá nunca mais chega, etc. Não houve reflexões profundas sobre a vida, o que poderiam mudar, o que poderiam melhorar. Continua tudo igualzinho. Só com mais medo. 

Portanto, parece-me que a grandeza dos acontecimentos não tem forte impacto na mudança; há quem acorde para o que realmente conta, quando bateu ligeiramente com o carro, e bastou o susto do impacto, e há quem não acorde nem com a ameaça de morte que, supostamente, paira sobre a cabeça. 
Por isso, nesta cena toda, saiu cá para fora o melhor e o pior de cada um de nós. Entrou em pânico quem é de entrar em pânico, manteve a calma quem é de manter a calma; ajudou o outro quem já ajudava antes, ficou sentado a ver a banda passar, quem já antes assim estava. Foi a reboque quem já andava atrelado, decidiu para si quem já o antes o fazia. Cresceu enquanto pessoa quem já tinha potencial, revelou a sua verdadeira faceta quem andava mascarado. 
Não, não vamos sair daqui todos melhores. Foi intenso, continua a sê-lo, mas o que irá sair daqui, será o que cada um quiser, e na nossa diversidade, queremos todos coisas diferentes.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Dica de leitura: "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos"

 
Via

Olga Tokarczuk foi uma das vencedoras do Nobel da Literatura de 2019 (houve dupla vencedora, mas ignoro quem é o outro), e embora nunca este prémio me tenha influenciado antes, um pouco como os livros do Top, embirro à partida, desta vez na livraria, peguei, folheei e comprei. Para ser totalmente sincera, uma amiga polaca já me tinha falado muito bem dos livros, mas esta questão dos gostos é como o Totoloto, e por isso, foi mesmo assim, ler uns parágrafos ao acaso é que realmente me decidiu. E no fim, tudo bateu certo, porque adorei esta leitura; a descrição e simplicidade do mundo rural polaco, tão distinto do nosso, o amor à vida animal, a busca pela Justiça, e o valor da amizade são as tónicas da trama.  
É uma escrita inteligente, sagaz, fluída e bem urdida, tornando o acto de pousar o livro o maior dos desafios, implicados na sua leitura.

A acção localiza-se numa remota aldeia polaca, a protagonista é Janina Duszeijo, professora reformada, à partida algo bizarra, revelando por fim uma personalidade apaixonante, e que é também a narradora. Vive isolada, e tem o hábito de manter as distâncias com s pessoas, tolerando-as apenas; gosta de as baptizar conforme as suas características, como por exemplo "Pé Grande" ou "Papão". A única visita que recebe com gosto é um antigo aluno, com o qual, por prazer, se dedica à tradução do poeta William Blake. 

Numa aldeia rodeada de montanhas, onde a população é diminuta e as actividades idem, a caça torna-se o elemento ao redor do qual a trama gira. Várias mortes se sucedem, um pouco inexplicáveis, que Janina tenta justificar e convencer, para espanto dos demais, aludindo a um conluio do reino animal. Para meu gosto, a personagem é vegetariana, e grande defensora dos animais. Além disso, Janina é uma pessoa inteligente, criativa, arguta e com forte sentido de humor, provocando-me fortes gargalhadas. 

Passo a transcrever parte do "discurso", que ela fez de improviso, quando foi chamada à esquadra, para prestar declarações, não apenas por o achar, realmente, fantástico, mas também com propósito reflexivo, por ser muitíssimo adequado ao momento actual.  

"
- Podereis argumentar que não passa de um javali- continuei.- mas o que dizer daquela enxurrada de carne que vem do matadouro e cai diariamente sobre a cidade como uma incessante chuva apocalíptica? Esta chuva anuncia um massacre, doenças, a loucura colectiva, o torpor e a contaminação da mente. Não há coração humano capaz de suportar tanta dor. Toda a complexa psique humana foi-se formando para impedir o homem de compreender aquilo que realmente vê, para que a verdade não chegue até ele, e permanece em volta em ilusões e palavras vazias. O mundo é uma prisão cheia de sofrimento construída de modo que, para se sobreviver, seja preciso infligir dor a outros. Ouvistes? - Dizia-lhes eu, mas, desta vez, até o empregado da limpeza, desiludido com o que estava a dizer, se pôs a trabalhar; por isso, passei a dirigir-me apenas ao caniche: - que mundo é este? Um corpo transformado em calçado, em almôndegas, em salsichas, em um tapete estendido junto à cama, em caldo feito com osso de outro ser... sapatos, sofás, malas de pendurar ao ombro, feitos da barriga de outros seres, aquecer-se à custa do pelo de outrem, comer o corpo de outrem, cortá-los aos pedaços e fritá-lo no óleo... será verdade? Será possível tal pesadelo macabro, tamanha matança, cruel, desapaixonada, mecânica, sem pesos na consciência, sem a mínima reflexão, reflexão que é afinal o objecto dos engenhosos campos da Filosofia e Teologia. Que mundo é este, onde a norma é matar e infligir dor? O que se passa realmente connosco? " Pág. 117

Título: "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos"
Autora: Olga Tokarczuk
Nr. de págs: 286
Editora: Cavalo de Ferro

sexta-feira, 15 de maio de 2020

"Pudim" de chia e chocolate


Na receita original está como pudim, mas não é exactamente isso. Enfim, estes "pudinzinhos" são muito rápidos de fazer, e são deliciosos e frescos.

Pudim de chia a chocolate*

Ingredientes:
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de essência de baunilha
1 chávena de chá de leite vegetal de amêndoa
1/4 de chávena de xarope de ácer ( usei xarope de agáve) 
6 colheres de sopa de sementes de chia

Como fazer:
Aquecer um pouco o leite vegetal e juntar-lhe o cacau, dissolvendo-o bem; acrescentar a essência de baunilha e o xarope de ácer e mexer tudo. Dividir este liquido por duas taças, e juntar-lhes 3 colheres de sementes de chia a cada uma, mexendo uma e outra, até a chia absorver o liquido e ficar um creme uniforme. Levar ao frigorífico algum tempo e ao servir, decorar com frutos a gosto. 

* Via Eating bird food

terça-feira, 12 de maio de 2020

Tele-trabalho com crianças?

Li isto no FB, e gostei:

"Se está a trabalhar a partir de casa, devido a limitações impostas pelo COVID-19, é ok se a voz das suas crianças surgir nas suas chamadas. Sabe que mais? É de facto a casa delas, e o seu espaço, e elas já estão sendo privadas das suas actividades desportivas e escolares, portanto o minímo que podemos fazer é aceitar esta situação. Portanto, experimente o "mute" nas suas chamadas, e quando tiver que falar, ligue-o, e não se preocupe com isso, algumas chamadas são aborrecidas e precisam de música de fundo, como os seus filhos a gritar ou o seu cão a ladrar. Estes são sons da vida...

( Ramez Mohzen-Fausi, managing director Janssen Naf) 

segunda-feira, 11 de maio de 2020

"APELO PARA A IGREJA E PARA O MUNDO aos fiéis Católicos e aos homens de boa vontade"


 Veritas liberabit vos.
Jo 8, 32


Num momento de grave crise, nós, Pastores da Igreja Católica, em virtude do nosso mandato, consideramos que é nosso dever sagrado dirigir um Apelo aos Nossos Irmãos no Episcopado, ao Clero, aos Religiosos, ao Povo santo de Deus e a todos os homens de boa vontade. Este Apelo é subscrito também por intelectuais, médicos, advogados, jornalistas e profissionais que concordam com o seu conteúdo, e é aberto à subscrição de quantos desejem fazê-lo. Os factos demonstraram que, com o pretexto da epidemia do COVID-19, se chegou, em muitos casos, a violar os direitos inalienáveis ​​dos cidadãos, limitando, de modo desproporcional e injustificado, as suas liberdades fundamentais, entre as quais o exercício da liberdade de culto, de expressão e de movimento. A saúde pública não deve e não pode tornar-se um álibi para desprezar os direitos de milhões de pessoas em todo o mundo, e muito menos para que a Autoridade civil negligencie o seu dever de agir com sabedoria para o bem comum; isto é ainda mais verdadeiro à medida que crescem as dúvidas, levantadas por diversas partes, sobre a efectiva contagiosidade, perigosidade e resistência do vírus: muitas vozes autorizadas do mundo da ciência e da medicina confirmam que o alarmismo sobre o COVID-19, por parte dos media, não parece absolutamente justificado.

Temos razões para crer, com base nos dados oficiais relativos à incidência da epidemia no número de mortes, que existem poderes interessados ​​em criar pânico entre a população com o único objectivo de impor permanentemente formas de inaceitável limitação das liberdades, de controlo de pessoas, de rastreamento das suas deslocações. Estes métodos de imposição arbitrária são um prelúdio perturbador da criação de um Governo Mundial isento de qualquer controlo.

Acreditamos também que, em algumas situações, as medidas de contenção adoptadas, incluindo o encerramento das actividades comerciais, determinaram uma crise que prostrou sectores inteiros da economia, favorecendo a interferência de poderes estrangeiros, com graves repercussões sociais e políticas.

Estas formas de engenharia social devem ser impedidas por aqueles que têm responsabilidades governamentais, adoptando as medidas destinadas a proteger os seus cidadãos, de quem são representantes e em cujo interesse têm uma séria obrigação de agir. Da mesma forma, ajude-se a família, célula da sociedade, evitando penalizar injustificadamente as pessoas débeis e os idosos, forçando-os a dolorosas separações dos seus entes queridos. A criminalização dos relacionamentos pessoais e sociais também deve ser julgada como parte inaceitável do plano daqueles que promovem o isolamento dos indivíduos, a fim de melhor manipulá-los e controlá-los.

Pedimos à comunidade científica que esteja atenta para que os tratamentos para o COVID-19 sejam promovidos com honestidade para o bem comum, evitando escrupulosamente que interesses iníquos influenciem as escolhas dos governantes e dos organismos internacionais. Não é razoável penalizar medicamentos que se mostraram eficazes, geralmente baratos, apenas porque se pretendem privilegiar tratamentos ou vacinas que não são igualmente válidas, mas que garantem às empresas farmacêuticas lucros muito maiores, agravando as despesas da saúde pública. Recordamos igualmente, como Pastores, que, para os Católicos, é moralmente inaceitável tomar vacinas nas quais seja usado material proveniente de fetos abortados.

Do mesmo modo, pedimos aos Governantes que estejam vigilantes para que sejam rigorosamente evitadas as formas de controlo dos cidadãos, seja através de sistemas de rastreamento, seja com qualquer outra forma de localização: a luta contra o COVID-19, por mais grave que seja, não deve ser o pretexto para favorecer intenções pouco claras de entidades supranacionais que têm fortíssimos interesses comerciais e políticos neste plano. Em particular, deve ser dada a possibilidade aos cidadãos de recusarem estas limitações da liberdade pessoal, sem impor qualquer forma de penalização para aqueles que não pretendem fazer uso de vacinas, métodos de rastreamento e de qualquer outro instrumento análogo. Considere-se também a óbvia contradição em que se encontram aqueles que adoptam políticas de redução drástica da população e, ao mesmo tempo, se apresentam como salvadores da humanidade sem terem legitimidade alguma, seja política ou social. Finalmente, a responsabilidade política de quem representa o povo não pode absolutamente ser confiada a técnicos que até reivindicam para si mesmos formas de imunidade penal no mínimo inquietantes.

Apelamos energicamente a que os meios de comunicação se empenhem activamente para uma exacta informação que não penalize a discordância, recorrendo a formas de censura, como está a acontecer amplamente nas redes sociais, na imprensa e na televisão. A exactidão da informação exige que seja dado espaço a vozes que não estejam alinhadas com o pensamento único, permitindo aos cidadãos que avaliem conscientemente a realidade, sem serem fortemente influenciados por intervenções parciais. Um confronto democrático e honesto é o melhor antídoto para o risco de impor subtis formas de ditadura, presumivelmente piores do que aquelas que a nossa sociedade viu nascer e morrer no passado recente.

Recordamos, por último, como Pastores responsáveis ​​pelo Rebanho de Cristo, que a Igreja reivindica firmemente a própria autonomia no governo, no culto, na pregação. Estas autonomia e liberdade são um direito inato que Nosso Senhor Jesus Cristo lhe concedeu para a prossecução das finalidades que lhe são próprias. Por este motivo, como Pastores, reivindicamos firmemente o direito de decidir autonomamente sobre a celebração da Missa e dos Sacramentos, assim como pretendemos absoluta autonomia nos assuntos que sejam da nossa imediata jurisdição, como as normas litúrgicas e os métodos de administração da Comunhão e dos Sacramentos. O Estado não tem direito algum de interferir, por qualquer motivo, na soberania da Igreja. A colaboração da Autoridade Eclesiástica, que nunca foi negada, não pode implicar, por parte da Autoridade Civil, formas de proibição ou de limitação do culto público ou do ministério sacerdotal. Os direitos de Deus e dos fiéis são a lei suprema da Igreja, que esta não pretende, nem pode, derrogar. Pedimos que sejam eliminadas as limitações à celebração pública dos serviços religiosos.

Convidamos as pessoas de boa vontade a não se esquivarem do seu dever de cooperarem para o bem comum, cada um segundo o próprio estado e as próprias possibilidades e em espírito de fraterna Caridade. Tal cooperação, desejada pela Igreja, não pode, contudo, prescindir nem do respeito pela Lei natural, nem da garantia das liberdades dos indivíduos. Os deveres civis, aos quais os cidadãos estão vinculados, implicam o reconhecimento, por parte do Estado, dos seus direitos.
 
Somos todos chamados a uma avaliação, coerente com o ensinamento do Evangelho, dos factos presentes. Isto implica uma escolha de campo: ou com Cristo ou contra Cristo. Não nos deixemos intimidar nem assustar por aqueles que nos fazem crer que somos uma minoria: o Bem é muito mais difundido e poderoso do que aquilo que o mundo nos quer fazer crer. Estamos a lutar contra um inimigo invisível, que separa os cidadãos entre si, os filhos dos pais, os netos dos avós, os fiéis dos seus pastores, os estudantes dos professores, os clientes dos vendedores. Não permitamos que, com o pretexto de um vírus, se apaguem séculos de civilização cristã, instaurando uma odiosa tirania tecnológica na qual pessoas sem nome e sem rosto possam decidir o destino do mundo, confinando-nos a uma realidade virtual. Se este é o plano a que se pretendem curvar os poderosos da terra, saibam que Jesus Cristo, Rei e Senhor da História, prometeu que «as portas do Abismo nada poderão» (Mt 16, 18).

Confiamos os Governantes e aqueles que regem o destino das Nações a Deus Omnipotente, para que os ilumine e os guie nestes momentos de grande crise. Lembrem-se de que, tal como a Nós, Pastores, o Senhor julgará pelo rebanho que nos confiou, também julgará os Governantes pelos povos de que têm o dever de defender e governar. Peçamos com fé ao Senhor para proteger a Igreja e o mundo. A Virgem Santíssima, Auxílio dos Cristãos, possa esmagar a cabeça da antiga Serpente e derrotar os planos dos filhos das trevas. 

in Veritas liberabit vos


Este apelo tocou-me profundamente, pela clareza, e lucidez de análise da nossa actual realidade. Vivemos tempos dramáticos, aqui se decide o futuro. Por nós, pelos nossos filhos, pelas crianças de todos. Por isso o partilho, e subscrevo também. 

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Somos fortes!

Estou aqui a pensar em quando o Duarte teve varicela; uma amiga educadora de infância aconselhou-me a pôr a Letícia a dormir na mesma cama, para ficar contaminada. Teriam 4,5 anos. Quanto mais cedo ficar imune, melhor, disse-me ela. 

O nosso corpo é uma maquina perfeita e maravilhosa, e tem forma de combater a doença; temos é que investir no aumento de imunidade, não em vacinas contra tudo o que é vírus, como se estes fossem diabólicos. Aliás, os vírus fazem parte de nós, de mundo, da vida. Vamos ficar todos esterilizados? Numa bolha limpinha. Só pode ser o sonho de algum psicopata.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dar as mãos

Vem aí um tempo que vai desafiar a nossa capacidade de solidariedade e empatia. Não pensei que fosse tão rápido mas, realmente, a maioria das pessoas vive do seu vencimento, e quando falha um mês, as coisas começam imediatamente a faltar. Fica mal quem depende de outrém, e não fica melhor quem trabalha por contra própria, que tem duas contas para pagar; as ajudas vêm aí, dizem, mas até vir, já sabemos como isto funciona, antes cortam a água, a electricidade; as perguntas e reposições fazem-se à posteriori. E o caos instala-se. 
Contaram-me que uma trabalhadora por conta própria pediu de empréstimo a uma cliente 150€, e esta, que possui apenas uma relação profissional com a primeira, entre o choque do pedido inesperado e receio de ficar sem a quantia, recusou. Eu sugeriu-lhe que emprestasse, mas como um pagamento avançado; não pagaria mais à primeira enquanto possuísse crédito naquela pequena empresa. Pelas suas previsões, em meio ano teria sido ressarcida. Deste modo, o seu dinheiro não seria apenas emprestado, mas descontado, e por isso não correria o risco de o perder.

Temos que ser inventivos, como é o caso do Cabaz Solidário, e imaginar formas de ajudar as pessoas, sem nos prejudicarmos. Não vamos ser tolos, também temos obrigação e direito de nos protegermos. Mas, de facto, considero que quem pode tem responsabilidade de auxiliar quem precisa, e entre pedir ajuda e ajudar, é um privilégio ajudar. 

Estes dias, ouvi uma palestra em que o orador disse algo bastante interessante, sobre ajudar o outro; segundo ele, quando emprestamos dinheiro a alguém, essa pessoa passa a ver-nos com desconforto. Porque somos a prova do seu fracasso. Aliás, há um provérbio que diz" queres perder um amigo, empresta-lhe dinheiro"; obviamente, o desconforto de ficar a dever não apenas o dinheiro, mas um favor a outrem é compreensível. Sobretudo, quando quem empresta for capaz de jogar com esse favor, fazendo alusões, cobranças mais ou menos subtis, mantendo o primeiro no papel de eterno refém. Mas também, uma pessoa que se coloca nesta posição é a pior dos agiotas, cobra os juros mais altos que há no mercado, sendo uma pessoa digna de pena. 
De qualquer forma, uma coisa que o orador não mencionou foi como se sente aquele que não ajudou, quando se encontra com esse amigo ou conhecido; eu sentir-me-ia igualmente mal. -Não ajudei esta pessoa, seria o refrão sempre que o encontrasse. Não é algo que nos faça sentir muito bem, pois não? Portanto, antes de pensar em perder um amigo, penso que devemos considerar se essa ajuda nos é possível de realizar, e calcular também o nível de risco. Se possível, garantir o retorno, se não for em espécie, noutra forma qualquer. Sejamos criativos.
  
Li recentemente a seguinte frase: "Ajudar a levantar sim, ajudar a carregar não"; isto significa dar a mão a quem precisa quando podemos, sem sermos arrastados indefinidamente. Na crise de 2008 conheci algumas pessoas que aprenderam a lição, e nesta estão tranquilos porque estão "calçados", ainda assim, muitos não aprenderam, e outros não tiveram oportunidade de se prepararem, porque convenhamos, quem vive com o ordenado mínimo faz uma ginástica tremenda só para viver dignamente, mês a mês, sem ficar com dívidas. Então quando têm filhos... ou são génios das finanças ou fazem magia! 

Portanto, vamos todos ser testados, e que saia daqui o melhor de nós.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O que tem de bom?

Os Espiritistas, na pessoa de Divaldo Pereira Franco, dizem que a Quarentena tem o mérito de trazer as pessoas de volta ao lar, à família. E isto, incontestavelmente, é bom. Muito. 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Pão meio-integral com massa-mãe


Já todos sabem que esta quarentena serviu para formar mestres-padeiros às catrefadas. A um ponto que o fermento de padeiro esgotou nos hipermercados. Portanto, por que trazer uma receita de pão, quando o pãodemia se popularizou, a uma escala que não há quem diga, ainda, que não consegue fazer um pãozinho de jeito? 
Porque, tcharam... este pão foi feito sem precisar de fermento!

Bom... não exactamente "sem", eu explico; a falta do fermento à venda apenas me impulsionou a fazer massa-mãe, para não ter que depender desses produtos que se esgotam. Segui as dicas do blogue "O vegetariano", e correu bem. Claro, é um processo muito mais demorado, mas é fermento caseiro, e isso dá uma independência que me agrada muitíssimo.

Fiquei tão na expectativa do pãozinho que sairia daqui! E é tão fácil e saboroso, tem aquele gosto um pouco azedo que eu tanto gosto. Este é básico.

Pão meio integral com massa-mãe

2 chávenas de chá de farinha de trigo
2 chávenas de farinha integral
1 colher de sobremesa de sal marinho
2 chávenas de água morna
80 gr de massa-mãe

Como fazer:
Colocar num recipiente os ingredientes secos e envolver tudo. Juntar a água aos poucos, e por fim a massa mãe, envolvendo tudo bem, à mão, ou com ajuda de uma colher de pau, como der mais jeito. O ponto da massa, é quando começa a ficar colante, portanto a quantidade de água pode ser ajustada. Deixar no recipiente coberto com um pano da noite para o dia. Fiz ao jantar, de manhã pus no forno; porém, a massa cresceu muito bem horas antes, e poderia tê-lo feito ao fim de apenas algumas horas-
Polvilhar uma forma de Bolo Inglês com farinha, colocar-lhe a massa*, ajustando-a, fazer alguns golpes e polvilhar com farinha. Aquecer o forno a 200º e deixar cozer cerca de 20 minutos.

A receita da massa-mãe veio do Blogue O Vegetariano, que por sua vez indica o Chili com todos.

* Neste ponto, lembrar de retirar um pouco desta massa, para um frasco, e fim de voltar a fazer massa-mãe. E isto vai ser um ciclo sem fim! 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

E a contestação?

Onde estarão os coletes amarelos? Onde estarão os protestantes em Hong Kong? Por todo o mundo a contestação ao sistema, mais que abrandou ou parou, sumiu! E logo quando parecia alastrarçar-se e crescer. Que conveniente foi esta lei a proibir ajuntamentos, e a obrigar confinamentos.
Providencial!

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Um , dois, três... partida!

Via
Estou a descobrir por estes dias, estas semanas, uma série de coisas que fazem muita falta cá em casa. Coisas que avariaram, outras cuja falta nunca dei conta, e outras que preciso de substituir porque já não posso olhar para elas. Podia comprar algumas online, podia, mas por um lado embirro solenemente pagar portes de envio ( portanto, o que comprei ofereciam-no), por outro, penso que estamos quase-quase (o presidente não vai renovar o estado de emergência - Ai Liberdade, ai Constituição, amadas!), e dizia eu, quase, a poder sair de casa ( sim, já sei com a devida cautela, máscara, luvas, desinfectante e um pau bicudo de um metro, para picar quem se distrair e aproximar-se incautamente -mas eu só usarei máscara e luvas se for forçada por Lei!), e portanto, compro na loja física porque é preciso ajudar o comércio local, sobretudo o português. E se eu antes já preferia o Made in Portugal, agora estou determinada a resistir ainda mais a tentações.

Entretanto, faço a lista, comparo preços, informo-me de horários e stocks. E não quero saber dos que nas redes sociais, proféticos e malévolos, já predizem que mal se possa sair à rua vai ser uma euforia de irresponsáveis aos magotes que vão trazer o covid109 de volta. Assim como assim ele nunca foi embora, e de qualquer forma eu nunca gostei de magotes. Nem de passeios nas marginais. Por isso continuo confiante. *

* Este post foi escrito ao abrigo do Discurso Politicamente Incorrecto.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Pandemais?

" Dados do INE indicam que em 2016 morreram por doenças respiratórias 13474 residentes em Portugal, 12,1% de todas as mortes... 

Por dia, morreram 37 pessoas por doença respiratória. ...

Dos 13474 óbitos por doenças respiratórias, em 6006 a causa de morte foi Pneumonia (44,6%)... "
https://www.ondr.pt/files/Relatorio_ONDR_2018.pdfhttps://www.ondr.pt/files/Relatorio_ONDR_2018.pdf


E não foi declarado Estado de Emergência, em 2020 com 500 óbitos foi.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A mesma tempestade

Quando vejo um daqueles desenhos das crianças a dizer "vamos ficar todos bem", sorrio; a infância é tão doce e confiante. Quando vejo um adulto a escrever a mesma frase, apetece-me gritar-lhe: Acorda, és alguma criança?!

Não estamos todos no mesmo barco, há barcos, barquinhos e barcarolas, enfrentamos sim, todos, a mesma tempestade. 
E já há sinais alarmantes disso:

"A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, disse este domingo à Renascença que “nunca viu nada assim”, referindo-se ao aumento dos pedidos de ajuda à instituição no contexto da pandemia de Covid-19, que neste momento já chegaram a 55 mil.
"Estamos a falar de 11.500 novos pedidos de apoio alimentar só este domingo de manhã. E isto são agregados familiares...
São pessoas de profissões muito, muito diversas. Desde os motoristas de taxi ou de Uber, pessoas que trabalham em ginásios, fisioterapeutas, dentistas, trabalhadores de circos ambulantes, feirantes, cabeleireiras, manicures, pessoas das profissões ligadas ao turismo. E aquilo que temos hoje é um grande número de pessoas que, de repente, não têm qualquer rendimento ou remuneração."
in Renascença

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Nunca fui muito de rebanhos

Já tenho idade para saber que ninguém convence ninguém, e que a maioria gosta de acreditar no que a maioria acredita; devem estar certos, pensam eles sem o pensar. Sentirem-se acompanhados gera um certo calor que os aconchega.
Compreendo, e estou em paz com isso. 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Dica de leitura - Vozes de Chernobyl

 
via

Ando para aqui a postergar esta dica de leitura por causa do vírus. As coisas já estão tão más que a referência a um livro com histórias profundamente dramáticas, devido à explosão de um reactor nuclear em 1986, na Ucrânia ( mas que afectou mais ainda a Bielorrússia pela proximidade e vento) me parecia demasiado. Estes dias, lavrou pela mesma região um incêndio, e aquela terra ainda tão contaminada, sofreu mais uma desgraça, que aliás os ventos podem levar a outras regiões da Europa. Portanto, que isto seja uma espécie de homenagem àquele povo, e um alerta, para que mais pessoas saibam o que ali se passou, e quão heróicos foram os que se sacrificaram por um bem maior. Maior até do que o próprio pais, pois na época se mais reactores explodissem a tragédia abrangeria todo a Europa. Esse risco existiu. Eu não tinha noção de nada disto. E por último, esta leitura faz diversos paralelismos à nossa actual conjuntura, que merece reflexão.

O livro é da autoria de Svetalana Alexievich, que recebeu o Nobel da Literatura em 2015, e que inventou um novo género: "romance de vozes", ou seja, as personagens são quem narra, são os próprios intervenientes das suas histórias, captando a cada um a sua essência. Logo na primeira história as lágrimas caíram-me pelo rosto, molhei a página e fechei o livro, pensando, como vou conseguir ler isto até ao fim? Mas senti que era importante fazê-lo, aliás um dos desabafos destas pessoas era que ninguém quereria saber das suas histórias, temos que lhes provar o contrário, que nos importamos. Para outros, era importante que as suas histórias fossem recolhidas, como exemplo da maior catástrofe tecnológica da história da humanidade. Fosse como fosse, era importante ler. E consegui, graças a uma estratégia que se revelou eficaz mas não partilharei aqui. Se alguém quiser saber, por querer ler o livro, envie-me um email.

O livro comoveu-me intensamente pelas histórias pessoais, por vezes tão simples, como o dos recém-casados, ela amava-o tanto, não podia amá-lo mais nem que ele tivesse saído dentro do seu ventre; como a da velhinha que antes de partir de sua casa lhe dirigiu palavras de gratidão e despedida; das crianças que já não correm pelas florestas a colher bagas e cogumelos. Pelo amor à Natureza, a um estilo de vida simples, tão simples como a do mundo rural do séc. XIX. E pela fé, pela crença em Deus, que nem o regime comunista conseguiu destruir. Isto espantou-me, não estava de todo à espera.

Há tantos excertos que quero partilhar, vai dar um post gigante, mas vou tentar conter-me. 

Quando aconteceu, a explosão foi relatada como um simples incêndio, os bombeiros dirigiram-se para a central em mangas de camisa. As pessoas continuaram com as suas vidas, janelas abertas para arejar, crianças a brincar na rua. E a verdade foi ocultada por muitos dias, e depois minimizada. As populações foram tranquilizadas. E finalmente, a culpa era do inimigo, ataque de alguma nação hostil, provavelmente os E.U. . Isto tudo coincidiu com a Perestroika, o desmembramento da Rússia, per se, um evento devastador a diversos níveis, que não ajudou propriamente na resolução eficaz deste acidente.

Ao falarmos do desastre de Chernobyl lembramo-nos das pessoas, mas sobretudo pela Bielorrúsia ser um pais predominantemente rural, esquecemo-nos dos campos e dos animais; o sacrifício dos animais foi algo que marcou profundamente aquelas gentes, mudando-as inclusivamente. Os campos e as árvores estavam fecundos por colheitas excepcionais, e ter que deixar para trás, subitamente, o produto do trabalho, foi-lhes penoso e incompreensível; tudo parecia normal e tentador, estava portanto contaminado pelo átomo nuclear, que pela invisibilidade lhes era algo alheio e até imaginário. Alguns colhiam e comiam às escondidas, regressando de noite às suas casas; Chernobyl assustava-os menos do que deixar as batatas por apanhar, continuaram a colher e a comer, o ano fora tão bom! P.156

Para alguns, coube-lhe na vida uma tríplice de catástrofes inimagináveis para nós, o Gulag Estalinista, a Segunda Grande Guerra e agora Chernobyl; " a memória sugeria-nos...Temos sempre vivido em ambiente de horror, sabemos viver em ambiente de horror, é o nosso habitat. Quanto a isto o nosso povo não tem igual..."p.207

Aos milhares de soldados, juntaram-se os voluntários, para limparem a radiação, " do ponto de vista da nossa cultura, pensar em si próprio é egoísta, há sempre algo maior" p.175, e portanto estes homens foram postos a trabalhar sem equipamento especial, sem qualquer preparação, prosseguindo onde os robots falhavam, e recebendo após cada turno, vodka, para lhes limpar a radiação. Como limpavam e lavavam a radiação das ruas, das casas, dos objectos é tragico-cómico, ao lermos agora. Mas na época, o desconhecimento do nuclear era geral e vasto. 

As pessoas começaram a morrer, maridos, filhos, irmãos. De formas nunca antes vistas e aterrorizadoras. E a verdade foi-se divulgando, as pessoas começaram a querer saber de quem era a culpa. Quem é o responsável, quem são os responsáveis? É provavelmente a pergunta que não cala ainda hoje. Estes depoimentos, foram 500 no total, foram recolhidos 10 anos após o desastre, e as pessoas estavam ainda atordoadas, na dor, na incompreensão. 

Naquela zona, as pessoas não se dizem russas ou bielorrussas, são chernobylianos. Uma raça à parte, de quem muitos fogem e temem. Os seus filhos têm doenças congénitas, os cancros atingem percentagens absurdas, quase que se transformaram em casos mitológicos. As jovens não querem casar com eles. As taxas de mortalidade ultrapassam as de natalidade, havendo por isso um declínio demográfico. p.20 Suspeitam, e receiam, estar em extinção como outros povos antes deles.

Cada testemunha, desde o trabalhador agrícola, ao médico, investigador, engenheiro, oferecem relatos de uma profundidade espectacular, reflectidos, com a sagacidade de filósofos invulgares. É de uma beleza pungente.

Chernobyl continua bela, selvagem e luxuriante, mas está contaminada e estará por milhões de anos. 
Este é mesmo o livro que todos deveriam ler! 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A autópsia de um equívoco - Covid19

André Dias, PhD., é Doutorado em Modelação de Doenças Pulmonares pela Universidade de Tromso, na Noruega. A instituição que o acolheu é uma das mais prestigiadas do mundo na área de investigação em epidemiologia.
Tal como já escrevi aqui, o pânico lançado pelo Covid-19 deve-se aos jornalistas, foram eles que manipularam as massas, instigando-as a pressionar os governos, não permitindo que os filhos fossem à escola, e fechando o comércio, exortando pelas redes sociais, ao fecho do país. 
A opinião de investigadores e profissionais, altamente qualificados, da saúde foi simplesmente descartada. Se estes não tiverem um discurso condizente com os propaladores da desgraça, são simplesmente silenciados, os media não lhes dão voz. Em conformidade, deram destaque a um matemático português, cujas previsões catastróficas se revelaram incorrectas. E graças a Deus! Porque Matemática é uma coisa, e Saúde é outra ciência, e dela entendem os profissionais da sua área. 
Aconselho a que ouçam esta entrevista e considerem que, por exemplo, em 2017 houve um dia em Janeiro que morreram 578 pessoas (num só dia!), e 278 foram por gripe.

Lamento muito que tantos estejam a viver, estes dias, completamente amedrontados e em pânico. A informação correcta não está nos telejornais, nem nas notícias do mainstream. Mas existe.


quarta-feira, 15 de abril de 2020

O Bule da Pandemia


Se a Filipa Gomes pode ter um Pãodemia, eu também poderei muito bem ter um Buledemia, ou não? Mas não é por isso. Gosto muito de bules de chá, estão numa prateleira na cozinha, são decorativos mas todos usados; há o de Natal, que uso todo o Dezembro, o do Outono, da Primavera, O do chá a solo, outro para grupos. Se forem muitas pessoas não ligam nada ao bule, então vai o da V.A., igual ao serviço.

Não quero que me ofereçam bules porque é uma coisa muito, muito pessoal, assim tipo sapatos, tenho que olhar e ficar cativada. Portanto, nem a prateleira é assim tão comprida, nem os bules que me aparecem me tentam de paixão. Por isso, é assim uma espécie de colecção muito exclusiva. 
Este, da foto, está no carrinho das bebidas na sala, e tem sido decorativo unicamente, mas estes dias, para acompanhar os scones lembrei-me dele; será a sua ocasião, a da pandemia, correndo o risco de nunca mais o voltar a usar. Ou talvez não, pode ser que o use mais vezes. Não se sabe, porque isto de datas relacionadas com a Quarentena anda sempre mais para a frente, nem que seja na linha do hipoteticamente. 
Por um lado até seria uma pena, o chá ficou muito bom, neste bule. 

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Uma Páscoa diferente




Esta Páscoa foi muito estranha, e isso já eu sei que é de opinião geral; para todos foi diferente do que costuma ser. Para nós, que habitualmente passamos com a família alargada, no Douro (o Duarte e Letícia nem sequer se lembram de outra), ficar em casa fez com que tivesse de me ocupar com os preparativos, que normalmente não tenho. Nos outros anos comprava os presentes dos afilhados, os chocolates e amêndoas, fazia uma sobremesa para levar, e pronto. Este ano não fiz nada disso, mas dediquei o sábado de tarde à cozinha; fiz um pão de ló, outro de Ovar, um folar vegan e outro normal, uma fornada de coquinhos, uma tarte de amêndoa, e amêndoas caramelizadas.
No domingo pus uma mesa bonita, e fiz um almoço, desculpem a falta de modéstia, super delicioso, mais que isso, vou dizê-lo: perfeito. Assado de carne para o Duarte, e para nós os três, arroz branco, batatinhas novas assadas, rolo da Linda MacCartney e grelos salteados. Regado com champanhe de mirtillos, de uma produção local, que desconhecíamos, mas que aprovamos. E repetiremos. Depois as sobremesas, que incluía ainda um bolo de baunilha e chocolate vegan, e café.  


Desde sexta-feira que me dediquei a ouvir alguns audíos de cariz religioso, intercalados com música sacra. E tudo isto me fez entrar num estado de espírito que, realmente, se identifica com a Quaresma. Portanto, tudo se proporcionou para que o recolhimento devido se concretizasse, e dei comigo a pensar que embora seja uma Páscoa diferente, a estava a sentir muito mais intensamente. Pode ter sido diferente, mas isso não significa que foi pior. Foi até muito boa, a minha Páscoa.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Scones vegetarianos



Já experimentei diversas receitas de scones vegetarianos, de fontes diferentes mas todas vegetarianas, e nunca nenhuma nos convenceu. Até esta, que é oriunda da Teleculinária, e que eu adaptei ligeiramente. Tenho mesmo que tirar o chapéu à Teleculinária, nada do que retiro dali me desaponta! 


Scones

Ingredientes:
350 gr de farinha
85 gr de manteiga vegetal
1,75 dl de bebida vegetal (usei aveia)
1 pitada de sal
3 c.de sopa de açúcar
Sumo de um limão
1 c.de café de essência de baunilha

Como fazer:
Colocar os ingredientes secos numa tigela e envolver. Os líquidos noutra e misturar ambos. Passar para a bancada e esticar a massa com a mão, cortar com a forma, colocar em tabuleiro forrado com papel de ir ao forno. Pincelar com bebida vegetal e uma pitada de cúrcuma.
Levar ao forno a 180º, cerca de 15 minutos. 

Servir quentinhos com compota e manteiga. Manteiga vegetal, claro. E um chá preto e forte. Do best! 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Uma coisa boa e bela por dia


Todos os dias há uma coisa boa e bela. Às vezes, engraçada.

Da primeira vez que vi este vídeo no FB fiquei fascinada, acho que o vi em loop umas dez vezes. Continuo a achá-lo super divertido.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

A minha flor preferida é um lembrete




Durante anos a  túlipa foi a minha flor preferida; era ainda uma miúda quando as notei, no quintal da vizinha de uma prima, plantadas em talhão quadrado, como um qualquer talhão de alhos, por exemplo, e na Primavera lá começavam elas a florir, ano após ano, e que me conste, ninguém as cortava. Talvez uma das filhas levasse algumas para "assear" um santo da Igreja, porque ela era muito dessas coisas; mas sendo o caso, devia escolhê-las de forma a que o talhão permanecesse perfeitamente constituído, e as suas falhas estrategicamente disfarçadas. Aquilo intrigava-me um bocado, certo, eram bonitas de se ver ali no quintal, mas porque não as cortavam para decorar a casa? Também não tenho a certeza que não o fizessem, nunca lhes entrei em casa, mas lá está, o talhão de túlipas parecia perfeitamente intocado.

Eu sempre tive uma certa fascinação por flores, já de criança fazia o meu próprio jardim, na propriedade dos meus avós paternos; o meu pai ajudava-me a alimentar estes gostos, financiando-me na aquisição das flores, e até mas regava, se calhava de me esquecer, ou ao fim de algum tempo me desinteressava; mas não percebia grande coisa de jardinagem, nem nomes, nem técnicas, nem épocas, eu queria era ver as flores a florir, e a dado ponto também plantei tulipas. A sensação que tinha era que os bolbos demoravam uma eternidade a brotar da terra, e que depois de florirem se desvaneciam muito rapidamente. Era frustrante, sobretudo porque não era nada a ideia que tinha do dito talhão, que me parecia ficar em flor, semanas a fio. Se calhar não, seria a minha mente a ludibriar-me, porque como se sabe, aquelas memórias de infância têm sempre o seu quê de fantasioso. 

Entretanto, já adulta e de férias na Holanda, notei em muitas casas umas flores que estavam nos parapeitos de janelas; achei bonito, elegante, e ao fim de alguns dias reuni coragem para perguntar a um senhor, que saía de uma dessa casas, que flores eram aquelas, e a resposta, do senhor muito espantado pela evidência da questão, foi: "´orquídeas"! 

Eu até já tinha recebido de um "pretendente", anos antes, uma orquídea numa caixa de florista, assim toda bem protegida, com o curto caule metido num frasquinho com água, para a preservar. Guardei-a durante muito tempo, mesmo seca achava-lhe graça. Mas entre essa e as holandesas não havia correlação, a primeira era apenas uma pequena flor, as segundas, estavam em vasos, tinham canos altos e finos, e muitas flores, e havia-as de várias cores. A partir daí, não posso garantir, mas acho que foi o meu marido que me ofereceu o primeiro vaso de orquídeas, propagou-se a ideia de que seria uma flor adequada para me oferecer, e passei a recebê-las, como se fossem as minhas flores preferidas. Mas não eram. 

Ao contrário do que me diziam, eram muito resistentes, e por isso fui-as coleccionando; confesso que ainda assim morreram uma ou duas, porque teimava deixá-las na sala de jantar, mas quando comecei a perceber quais os sítios em que elas preferiam ficar, na janela da cozinha ( é o hospital, as fraquinhas recuperam-se milagrosamente ali), a sala de estar, e no meu quarto (aí faço como os holandeses, vários vasos de orquídeas em permanência), elas têm durado anos, e na Primavera, como relógios suíços, lá estão elas a esticar os caninhos verdes, com os botõezinhos, que depois se abrem em flores tão perfeitas tão perfeitas, que parecem falsas. E com o tempo fui-me apercebendo disso, de como parecem delicadas, e porém  de como são robustas as suas pétalas, da singeleza do seu recorte e portanto, extremamente requintado, e para cúmulo, da durabilidade da sua floração. É verdade, não têm odor, mas por isso também podem ficar no quarto. E assim me apercebi que afinal as orquídeas tinham tomado o lugar das tulipas; foi um longo caminho, até chegar a esta conclusão. E porquê? Talvez porque o amor à primeira vista não precisa de argumentos, para se gostar, mas o amor duradouro alimenta-se de pequenas constâncias de que só damos conta ao longo do tempo. 

Só sei que quando as cuido, observo e admiro, dou por mim a pensar em Deus, e a concluir que semelhante perfeição e beleza não podem ser obra do acaso; há propósito e suprema estética naquela visão. Como se elas fossem mensageiras na terra dos planos celestes, em magnifica afirmação do "eu existo". 

terça-feira, 31 de março de 2020

5 Dicas de filmes a não perder

Não é altura para ver filmes tristes e violentos. Cá em casa estão todos aconselhados a ver apenas filmes leves, bem-dispostos, cómicos e inspiradores. Estas dicas são exemplo disso, com excepção para o último, mas explico adiante porquê.

Um senhor doutor - TvcEmotion
Knock, instala-se numa pequena vila como médico; à parte ser negro, elegantemente vestido, tem uma praxis médica muito diferente do seu antecessor. A desconfiança dos locais será um desafio, mas esta é uma história cheia de desafios, e da sua superação. 

Bolo de Neve - Tvcine Emotion
Após um acidente de viação que causou a morte de uma jovem, o responsável pelo mesmo, ainda que inocente, vê-se obrigado a instalar-se em casa da mãe da rapariga. O inusitado da situação prolonga-se, e nesse convívio "forçado" as personagens crescem, revelando-se acima do que parecem ser.

Um ato de fé - TvCINE Emotion
A história de um adolescente revoltado, que num acidente de afogamento entra em coma, e sem esperança de recuperação. Porém, a sua mãe recusa conformar-se. É uma história verídica, de amor e fé. 

Fotografia - TvCine Edition
Um fotografo de rua em Mumbai, responsável e altruísta, é pressionado para casar, pela avó, e para a descansar engendra um plano com uma desconhecida que se prolonga para a visita da avó; as diferenças culturais, sociais e económicas, entre ambos, irão revelar factores que se sobrepõem. 
 
Julie E Júlia - TvCine Emotion 
Vi este filme no cinema há muitos anos, e lembrava-me bem da história, mas rever Meryl Streep no papel de Julia Child vale muito a pena! Ainda me surpreende como conseguiram fazer com que ela parecesse gigantesca. É a história verídica de duas mulheres, ligadas pelo amor à cozinha, e que de certa forma, nela encontraram o seu caminho. 

A Túnica - TvCine Emotion
Este filme pode não ter o convencional "fim feliz", porém abro uma excepção, primeiro por ser um tema profundamente ligado à época Pascal, e
segundo por tratar da redenção humana, algo que vem muito a propósito nestes dias. Há ainda a actuação brilhante do magnético Richard Burton, no papel de um centurião que toma parte da crucificação de Jesus Cristo, e após tocar na sua túnica, envereda por um caminho oposto àquele que se lhe prometia, e todos esperariam.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Arroz sem-marisco




Não tenho propriamente saudades de sabores associados a pratos confeccionados com carne ou peixe, mas há sabores que ultrapassam os dos animais, pelos outros ingredientes que se lhes juntam. Este, fica com um sabor a mar, como nunca antes tinha conseguido com a "outra cozinha". Todos aprovaram, inclusive a Letícia que nunca foi, de facto, fã do original. 


Arroz sem-marisco 
Ingredientes:
Meia cebola picada
Um dente de alho picadinho
3 tomates maduros (por acaso tinha-me sobrado molho de tomate e usei)
Meio copo de vinho branco
100 gr de tofu com algas ( Da Biodharma, o melhor!)
Um pouco de alga wakamé
Uma folha de louro
Salsa picadA a gosto
Sal, piri-piri e colorau q.b.
Um copo de 2 dl de arroz carolino

Como fazer:
Colocar a alga numa tacinha com água 10 minutos.
Estalar a cebola numa panela com um fio de azeite; acrescentar o alho, mexendo até ficar translúcido. Juntar o tomate cortado aos bocados, um pouco da salsa, a folha de louro, o sal e colorau, deixar ferver um pouco, enquanto se mexe; juntar o vinho branco, e por fim o tofu, cortado aos cubos; quando estiver com consistência de molho, juntar a alga wakamé picada, a água onde demolhou, e piripiri, envolver tudo.
Acrescentar água quente suficiente para fazer arroz malandro, deixar ferver, e juntar o arroz. Rectificar os temperos e deixar cozer cerca de 20 minutos. 
Delicioso! Até parece que estamos na praia.