quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Historinhas

Não há coisas que eu inveje, coisas propriamente materiais que inveje. As minhas invejas recaem mais sobre coisas, como por exemplo, a facilidade com que algumas pessoas têm de fazer uma história. Quando contam as suas peripécias, espantam-me sempre pela abundância de acontecimentos reais que as originaram. E penso com os meus botões quão banal é a minha vida, quase nada acontece digno de memória, quanto mais digno de replica, oral ou escrita. 

Portanto a estas pessoas, a matéria-prima que compõe a escrita é tecida num fio condutor que desfia directamente das suas vidas. Logo as suas vidas são excepcionalmente ricas em experiências,  acontecem-lhes as coisas mais caricatas e inesperadas, e as pessoas mais excêntricas e profundas são atraídas para elas como insectos pela luz, como uma sub-urdidura que termina naqueles textos que eu leio. 
Pelo menos era assim que eu pensava até recentemente; e em abono da verdade, poderia ter suspeitado que a quota de fantasia do autor não estaria ausente de todo, mas quando os próprios autores anunciam os artigos como crónicas, e afirmam as histórias como reais, penso que a minha culpa ou ingenuidade deixa de ser a principal responsável deste julgamento. 
Desfez-se este encanto, quando a jornalista que leio no seu blogue, contou num dos seus posts, que a família lhe perguntou admirada, quem eram aquelas pessoas que habitualmente aparecem nas suas histórias, uma vez que eles obrigatoriamente teriam também de as conhecer. E ela teve que concordar que já não eram pessoas, tinham-se tornado personagens, que a sua imaginação fora mais além daquilo que todos viam. Ora, ora...
E então, vem a Lídia Jorge numa das suas crónicas, falar de Santa Apolónia, e de quando foi abordada por uma jovem estrangeira de Leste, que pedia esmola para o filho pequenino, e lhe retorquíra: isso não se faz, sabe, mentir, dizer que tem um filho, e a rapariga desabotoa o blusa, aperta um mamilo e sai dele leite.
Como é que ela foi capaz?!

Quantas vezes, me pediram dinheiro para os filhos, e eu nunca me atrevi a questionar, verbalmente, as razões da mendicidade. Nunca me ocorreu exprimir a minha dúvida, assim como não o faço com o pretexto da fome. Não significa que não duvide, mas também que não seja verdade, e por isso, não querendo roubar-lhes alguma réstia de dignidade que porventura possam ainda possuir, costumo dar sem palavras de afronta. Se eu tivesse originado uma cena destas com esta mendiga, haveria de querer que o chão se abrisse a meus pés e me puxasse para as profundezas da terra. Haveria de guardar a história fechada a sete chaves na minha memória, mas sempre com vergonha e arrependimento. Não teria o estofo para a pôr em palavras, quanto mais partilhá-la publicamente.
E portanto, talvez seja tudo isto que os autores possuem afinal. Não uma sucessão de histórias incríveis com pessoas sui-generis, afluindo às suas vidas como um rio que corre sem parar, mas uma fantasia desbragada, e um total despudor relativo a tudo o que os rodeia. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Leitura: O tempo entre costuras

 
Via


Escolhi este livro por ser de uma autora contemporânea espanhola, e por desconhecer o que se escreve em Espanha, actualmente. Apetecia-me ler algo pela pena de uma mulher, a modos que calhou de ser este. Confesso que desde logo me senti tentada a abandonar o livro, não era o que esperava nem estava a gostar. Porém, tenho uma coisa comigo, que é esta de nunca desistir da leitura, persistir até à ultima página; pode ser que a determinado ponto surja uma reviravolta que me cative. Não era o caso, eu já o sabia, era mesmo porque não o queria deixar inacabado. Desde logo entendi que este tipo de escrita e história não são o meu género. Mas, depois de pousar o livro e pegar nele, por diversas vezes, acabei por terminá-lo. Quer dizer, não há razão nenhuma para não podermos desistir de um livro, se ele não nos estiver a agradar. É prerrogativa do leitor, ora essa! E todavia, eu não consigo fazê-lo! E pensava: estou eu a perder o meu tempo com este livro, quando há tantos livros excelentes para ler! Mas após alguns dias, voltava à leitura. Talvez seja esta característica intrínseca de desistir das coisas ao fim de pouco tempo que me faz teimar. Porque a partir do momento que percebi que tinha este defeito, enfiei na cabeça que o haveria de eliminar. E assim o tenho feito nas últimas décadas. Só a isso atribuo o facto de não me conseguir desvincular do livro!

Enfim, é uma leitura levezinha, livro para levar para a praia, para espairecer a cabeça, e pronto, também aprender um pouco sobre a História de Espanha, sobretudo na época da guerra civil e primeiros anos do governo de Franco. 
Sira, a protagonista, é uma modesta aprendiz de modista, que vê a sua vida dar uma reviravolta de 180º, quando o pai que até à idade adulta desconhecia, decide apresentar-se e presenteá-la com uma enorme soma de dinheiro e jóias. Para o bem muda a sua vida, para logo de seguida se estender ao comprido e cair na maior das pobrezas. Quer a sorte que a seu lado surjam pessoas de bem, que a ajudam a recuperar e por-se de pé, montando-lhe um atelier de costura. Por essa ocasião entra em cena uma senhora inglesa que a introduz no mundo restrito da política, pela qual Sira se adentra, metamorfoseando-se numa espia de alto gabarito. Pelo meio há, claro, histórias de amor, viagens e estadias entre Madrid, Marrocos e Lisboa. E moda. 
Entre costuras, trabalhava a requintada modista, num mundo em convulsão preparando-se já para a segunda guerra mundial, com destreza e inteligência, tal qual uma espia treinada pela polícia mais capaz possível. Assim sendo, só poderia ter um final feliz!

"O tempo entre costuras"
Autora: Maria Dueñas
Porto Editora
Pág. 348

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

As delícias ou perigos da I.A. ?

 
Via


Tenho que fazer este preâmbulo, pois já ouvi vezes demais mulheres, que por acaso são mães, afirmarem-se indiferentes a questões que à partida são "apenas" políticas, ou ambientais, ou sociais. E se na minha óptica qualquer cidadão deveria acompanhar estas questões, nós, as mães, muito mais interessadas deveríamos estar. Não basta educar, cuidar muito bem dos nossos filhos, proporcionar-lhes estudos e comodidades. O nosso papel não se circunscreve à esfera familiar, no que lhes diz respeito. Trata-se do futuro! E nós vamos cá deixar a nossa descendência.

Ouvi, inserido no Festival da Antena2, uma palestra sobre Inteligência Artificial, com os próprios "pais da I.A. em Portugal", e diz o professor Paulo Novais (com um curriculum extenso e desnecessário de reproduzir aqui), para não termos medo que os robots nos tirem os empregos, que isso não vai acontecer, e que aliás muitos desses trabalhos em nada dignificam a humanidade. A paixão com que fala da I.A. faz-me lembrar os jovens apaixonados pela primeira vez, não há defeito que se aponte. Os robots fazem isto, os robots são capazes daquilo, até já ganham aos campeões de xadrez! E quantas maravilhas mais estão no horizonte!

Se não o tivesse ouvido referir a eficiência de robots como PT's ou advogados, até poderia acreditar que robots-pedreiros, pescadores, mineiros, e até prostitutas, felizmente substituiriam  os homens. Mas não, as referências são todas intelectuais, e a subtracção das profissões nestas áreas, não só me parecem não encaixar na causa da indignidade, como podem ser desempenhados por humanos com facilidade e gosto.
Diz ainda que a redução do emprego dará mais tempo aos homens para actividades criativas, e eu pergunto: estamos todos talhados para as ter? Ou há muitos dentre nós, que por incapacidade, não se importam, e até encontram conforto, no desempenho das actividades repetitivas?

Seja como for, os empregos são desempenhados, sobretudo, para que o homem ganhe dinheiro, e sem empregos, para além da inutilidade que muitos sentirão, há-de faltar-lhes o sustento. Cenário para que surja uma crise sem precedentes na raça humana.

Se eu já tinha muitas reservas relativamente à I.A., depois de ouvir estes palestrantes fiquei mais inquieta ainda. São intelectuais inebriados pelas possibilidades infinitas que esta área lhes traz, e quiçá, ambicionando serem os primeiros a fazer algo com a I.A. que os inscreva na História. Se realmente o fazem pelo bem da humanidade? Fiquei com sérias dúvidas.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Kichari - Comida Ayurveda


Há algum tempo publiquei esta introdução ao Ayurveda, algo que me tem interessado ultimamente, e portanto este sistema milenar hindu de medicina tradicional está inextricavelmente ligado à alimentação. Este prato é indicado para os três doshas: Vata, Pitta e Kapha. 

É uma refeição muito prática, saborosa e reconfortante. Mesmo boa para os dias frios de Inverno.


Kichari* (de Limpeza Simples)

Ingredientes: (4 porções)
 

250 ml de feijão mungo
330 ml de Arroz Basmati
2 colheres de sopa de azeite (originalmente ghee)

1 colher de chá de gengibre fresco, ralado
1 colher de chá de sementes de coentro, finamente moídas
1 colher de chá de sementes de cominho, finamente moídas
1 colher de chá de sementes de funcho, finamente moídas
1 colher de chá de açafrão em pó
1 ml de pó de assa-fétida
1 ½ colher de chá de sal marinho ou do Himalaia rosa


Como fazer: 
Demolhe os feijões durante a noite ou pelo menos 4 horas. lave os feijões duas vezes ou até a água ficar limpa. Lave também o arroz muito bem, até a água ficar limpa; reserve.

Numa panela grande aqueça o azeite/ghee em fogo médio. Em seguida, adicione o gengibre, coentro, cominhos, erva-doce e açafrão. Asse as especiarias no azeite/ghee até começarem a soltar o odor. Baixe o lume, adicione o feijão e arroz. Misture com as especiarias 2 a 3 minutos, envolvendo tudo muito bem.
Adicione água suficiente para que o nível de água na panela seja mais alta que o feijão e arroz. Adicione a assa-fétida e envolva. Cubra. Cozinhe por 15 a 30 minutos ou até que o feijão e o arroz estejam bem cozidos. No final do tempo de cozimento, adicione o sal e mexa bem.
 

Preste atenção ao kichari enquanto cozinha; se começar a ficar espesso ou colar no fundo, adicione mais água quente.

A consistência final do kichari deve ser muito macia, húmida e cremosa. 


* Do Blogue The Ayurveda Experience

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Amar não é possuir!

Ontem li uma notícia que me deixou estarrecida, um homem assassinou a ex-sogra e também a filha de 3 anos. Depois suicidou-se. Ou seja, o ódio que tinha à ex-mulher era provavelmente tão forte como o amor que a ex-companheira tinha à sua mãe e filha, e por isso, tirou-lhe aquilo que lhe era mais precioso. Arrebatou-lhe a geração anterior e a posterior. Não a matou, como os outros fizeram a nove mulheres, apenas em Janeiro, mas condenou-a à pior das tortura, a um desgosto que a destroçou para o resto da vida. Aquela mulher nunca mais será a mesma, pode até recuperar com múltiplas ajudas da psicologia, terapias alternativas, apoios diversos, mas para sempre será refém do ódio do ex-companheiro. 

No post anterior partilhei um vídeo muito interessante sobre o amor, e que diz, amar é dar. Sem esperar reciprocidade, sem exigir pagamento, apenas dar. Uma pessoa que ama outra, dá-lhe tudo aquilo que ela pede precisamente por lhe ter amor, e se ela lhe pede liberdade, para amar outra pessoa ou apenas para ficar sozinha, quando se ama realmente, concede-se o desejo. Mesmo com tristeza, com desgosto, com sofrimento, dá-se. Acontece que este conceito de amar nos é culturalmente estranho, estamos sempre esperando reciprocidade, esquecendo que isso já sai da esfera do amor. Isso é comércio.

Estes homens não amam, estes homens possuem, e quando o "objecto" do suposto afecto tenta escapar-lhes, o predador ancestral emerge furiosamente para lutar pela sua posse. 
Mas que mães educaram estes homens, para que tenham esta visão constrangida e distorcida do amor? As mesmas mães que foram educadas por uma sociedade machista, subjugadas para sobreviverem, formatadas para que as deixem a elas em paz. Conheço o caso de uma jovem mulher que temendo pela vida fugiu do país, deixando para trás as filhas pequenas com o marido e sogra, que de resto já era quem cuidava delas. Por desespero e desamparo, abdicou das meninas, mas a estas nunca a avó lhes contou esta versão, antes as acicatava no ódio. Para espanto, tinha sido esta senhora também vítima da violência do marido alcoólico. E aguentando por anos a sua cruz, enquanto ele foi vivo, acreditava também que a nora deveria fazer o mesmo, aceitando a violência do filho. 
Esta mulher escapou, recomeçou uma nova vida, e diz-se nova família, e que está bem. Mas a que preço? E depois desse preço pago, poderá ela estar realmente bem? E as filhas? Não creio. 

Andava o meu filho no 1º ciclo quando me disse que gostava de uma menina da sua turma, mas que ela não gostava dele; quando lhe perguntei se isso o fizera triste, respondeu-me prontamente: Não. Há muito peixe no mar! Parece que esta noção faz falta a muitos homens, há décadas que ouço dizer que a proporção de mulheres para homens é de sete, e nem com essa vantagem se dão eles por satisfeitos! Porque a questão não é esta, não é exterior, é precisamente interior, mentes perturbadas pelo orgulho e vaidade, que não admitem ser dispensados. Eles é que dispensam. 

As mulheres não assassinam os companheiros. Podem ficar doentes de desgosto, prostradas na cama por dias, chorar ao alto desconsoladas, mas ao fim de algum tempo lavam o rosto e seguem com a vida. Porque as mulheres, desde o inicio dos tempos que geram vida dentro delas; alimentam-nas com os seus fluídos, e viram-se do avesso para as alimentar quando estão cá fora.  Isto de tirar a vida é um absoluto contrário ao que fazem há milhões de anos. 
Por vezes, deixam de acreditar nos homens, dizem que não os querem ver nem pintados a ouro, mas certamente que quando lhes surge alguém merecedor da sua confiança, apostam novamente. Umas vezes ganham, outras perdem, mas seguem com a vida. 

É preciso que se comece a dizer aos homens que ninguém é de ninguém. Que a vida segue, mesmo quando quem amamos sai das nossas vidas. Que nós não temos controlo algum sobre os sentimentos, e se não o temos sobre os nossos, muito menos sobre os dos outros, apenas sobre o comportamento. E se mesmo quando o nosso comportamento é correcto, impecável, amoroso e aparentemente perfeito, não chega para que nos amem, devemos deixar partir quem o quer fazer. O amor não é coercivo, pelo contrário, é libertário.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O trabalho

Compreendo que esteja tudo em aberto, que quase tudo seja incerto, e por isso o desafio de formar jovens para o mercado de trabalho do futuro seja missão arriscada. Mas penso que surge com isso uma oportunidade de ver o trabalho de outra forma; que é imperativo formar os jovens para uma nova dinâmica laboral. Desmistificar a importância do trabalho. Prepará-los para um futuro em que se trabalha para viver, não se vive para trabalhar; que o emprego é um meio de proporcionar uma série de coisas que contribuem para o nosso crescimento, e desenvolvimento ao longo da vida, para além de pagar contas. Que a vida acontece, sobretudo, fora da profissão. Claro que isto não interessa ao mercado capitalista, que pretende mão-de-obra convencida que existe para trabalhar; mas nós existimos para viver e para nos superar-nos.

Não querendo desdenhar o trabalho, penso que este deveria ser apenas uma pequena parte da vida. E portanto, para a grande maioria parece que o trabalho é que lhes dá sentido. As pessoas confundem-se com o que fazem. Deixam de ser. A dedicação extrema à profissão pode resultar num profissional bem sucedido, e olhando para trás todos lhe reconhecerão esse valor, mas se isso resultar na renúncia a tudo o que de mais a vida lhe oferece, eu pergunto: foi realmente uma vida bem sucedida? Excepto se a pessoa for um Einstein, um Beethoven, um Bach, que deixa um legado à humanidade que a modifica e permanece pelos séculos, não vejo como pode ser uma vida de sucesso. 

Focadas no exterior, as pessoas desvinculam-se do seu interior, e não o escutando, não o desvendando, ele vai acabar por desvanecer. O trabalho como foco primeiro é uma alienação de si mesmo, e pode ser um vício ou uma fuga. Cresce o homem para a vida pública, extingue-se para o seu interior. 

A Escola já não funciona por ser um modelo que preparando trabalhadores para o mercado de trabalho como este os quer, já não agrada aos jovens. Estes querem algo mais da vida. E por conta da Escola estar na onda errada, não está sequer a formá-los para serem humanos com espírito crítico, conscientes do real valor da existência e encaminhá-los para a realização do seu melhor, falha. E  na falta da indicação desse caminho, vão-se perdendo os jovens em devaneios fúteis, como os jogos de computador e as redes sociais. 
Acredito que o mercado de trabalho está em transformação exactamente por a humanidade estar ela mesma em mudança. Falta encontrar o rumo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Moda ética

Veja

A matéria prima da roupa foi sempre muito importante para mim, muito mais do que as marcas; basicamente o algodão e linho no Verão, e a lã no Inverno. Ocasionalmente, a seda também me cativava, e a pele no calçado e carteiras, sempre. São materiais naturalmente frescos ou quentes, e com o bom aspecto que supera os restantes. Portanto, apesar da minha compaixão pelos animais nunca me tinha detido a pensar na proveniência da lã e das peles, em como tinham sido obtidas, e o que efectivamente eram. Ao tornar-me vegetariana fiquei mais receptiva a esta questão e as informações começaram a "surgir-me", como por exemplo, sobre a produção da seda (aqui). Nunca me tinha ocorrido que a seda resultava na morte da sua lagarta; a um nível inconsciente, sem nunca formular mentalmente o processo, entendia que a produção do fio de seda se fazia pela boca do bichinho sem prejuízo para a criatura. Ignorância que dá jeito, confesso. Porém, não, a seda resulta do casulo que a lagarta tece em sua volta, sendo os casulos metidos em água a ferver, e obviamente os bichinhos mortos. Nunca mais consegui vestir nenhuma peça de seda.
Quanto à lã, que sabia não resultar na morte das ovelhas, sinceramente deixei rolar. Gosto tanto das minhas camisolas e casacos! Mas entretanto, eis que me surgem informações sobre o tratamento dos animais, aquando da tosquia; não é bonito, são tratados como objectos, manuseados com agressividade e atirados brutalmente para o lado, após cada tosquia. Ficam cortados, magoados, assustados e traumatizados. 
Relativamente ao calçado e carteiras, é bom de ver que resultam de animais mortos. Quanto a isto não tenho escapatória que me isente. Portanto, este ano tomei a decisão de optar por comprar modelos vegan, e assim tenho feito. Tive o cuidado de pesquisar marcas aprovadas pela Peta, porque há produtos sintéticos que incluem no seu tratamento produtos de origem animal, como tintas por exemplo. 

O aspecto dos materiais é diferente daquele a que estamos habituados, sem dúvida, estou agora a adaptar-me a outro visual e toque, mas embora diferentes nota-se que são de boa qualidade, houve empenho em produzir um artigo bem feito, e mais e melhor, não são provenientes da exploração, sofrimento e morte animal!

LaBante London

Para o fabrico da minha carteira foram reutilizadas cerca de 30 garrafas de plástico. E para as minhas sapatilhas foi utilizado algodão orgânico, e a borracha comprada aos seringueiros da Amazônia, dentro das regras do comércio justo. 

Vi recentemente que já há uma alternativa à seda, resultado da casca de laranja. O futuro há-de trazer-nos matérias sintéticas cada vez melhores, tanto pela sua proveniência como pela sua aparência e acredito que tudo o que resulta de processos causadores de sofrimento a seres sencientes será abolido. Cada vez mais marcas anunciam que deixam o uso de peles naturais ou testes em animais. É uma questão de consciência e tempo, e se o primeiro se antecipar massivamente ao segundo, é apenas uma questão de escolha pessoal. Viver eticamente faz todo a diferença para uma vida feliz.  


Mais informação: 

Seda vegana 

Páre a tosquia horrível das ovelhas e carneiros

Peta - produção de lã

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Seitanas à Moda do Porto


Gostamos tanto desta refeição! E muitíssimo fácil de fazer e rápida. Retirei a receita deste site, mas adaptei de acordo com esta receita.
Embora não consumamos seitan mais do que uma vez por mês, esta receita passou, sem dúvida, a ser daquelas a repetir.

Seitanas*

Ingredientes:
Seitan
2 c.s. de molho de tomate
2 dentes de alho
1 dl de vinho branco
1 dl de cerveja
1 colher de sopa de whisky
1 colher de sopa de cerveja
Uma folha de louro
Uma pitada de colorau
Molho de soja a gosto
Meio limão
Piri-piri e sal q.b.
Azeite q.b.

Como fazer: 
  • 500 gr. de seitan
  • 1 lata de tomate em pedaços (400 gr.) ou 4 tomates grandes
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • 80 ml de vinho branco
  • 60 ml de cerveja
  • 4 colheres de sopa de molho de soja
  • 1 folha de louro
  • azeite q.b.
  • piripiri e sal q.b.


  • Ler mais: https://www.receitas-tradicionais-portuguesas-veganas.pt/products/seitanas-a-moda-do-porto/
  • de vinho branco
  • 60 ml de cerveja
  • 4 colheres de sopa de molho de soja
  • 1 folha de louro
  • azeite q.b.
  • piripiri e sal q.b.


  • Ler mais: https://www.receitas-tradicionais-portuguesas-veganas.pt/products/seitanas-a-moda-do-porto/
    Cortar o seitan em fatias finas e temperar com sumo de limão e uma colher de molho de soja, durante 30 minutos.
    Deitar num tacho um pouco de azeite e juntar o alho laminado, sem deixar queimar, acrescentar o vinho branco, a cerveja, o molho de tomate, a folha de louro e o seitan. Temperar com sal e piri-piri a gosto. Deixar estufar cerca de meia hora, virando os bifinhos de seitan a meio de tempo. 
    Servir com arroz seco ou batatas fritas, e grelos. 

  • 500 gr. de seitan
  • 1 lata de tomate em pedaços (400 gr.) ou 4 tomates grandes
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • 80 ml de vinho branco
  • 60 ml de cerveja
  • 4 colheres de sopa de molho de soja
  • 1 folha de louro
  • azeite q.b.
  • piripiri e sal q.b.


  • Ler mais: https://www.receitas-tradicionais-portuguesas-veganas.pt/products/seitanas-a-moda-do-porto/

    quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

    O papel de embrulho


    Afinal os embrulhos de Natal este ano foram diferentes daquilo que inicialmente tinha pensado; encontrei dois temas coordenados, o mesmo fundo bege, um com pequenas estrelas vermelhas e douradas, e outro com um par invernoso parisiense em diversas poses natalícias. Ficou simples mas ainda assim elegante. E vem isto a propósito de quê, passado já o Natal há quase um mês? A propósito de um comentário que a minha filha fez, a respeito do papel de embrulho. Disse-me ela: - Sabes, mãe, que só no Reino Unido, o papel que se gasta para embrulhar os presentes dava para dar a volta ao Equador sete vezes? 
    Claro que não sabia e fiquei chocada. Mas ela continua: - Temos que fazer alguma coisa acerca dos embrulhos; não devemos continuar a comprar papel, devíamos... sei lá, reutilizar!

    Estavam já os embrulhos feitos, mas sei que fiquei com esta batata quente para o próximo Natal. 

    Quando educamos os filhos para certos valores, temos que estar preparados para que eles subam a nossa parada. E depois, não nos resta senão ir por aí fora no ímpeto deles. Poderá ser incómodo, mas é assim que se muda o mundo.

    segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

    Cantar os Reis



    Quando eu era miúda, era habitual, juntar-me com as minhas irmãs e outras crianças da vizinhança e irmos cantar os Reis a alguns vizinhos. Recebíamos chocolates e algumas moedas, mas penso que o fazíamos sobretudo pela actividade propriamente dita. Sair à noite e fazer algo que ditava a tradição. Os nossos cânticos eram simples, e não tínhamos sequer alguém a tocar instrumentos, enquanto outros grupos que apareciam em casa dos meus pais, nos dedicavam quadras personalizadas, e um ou outro faziam-se acompanhar por viola ou cavaquinho. Era emocionante ouvi-los cantar à nossa porta; desligava-se a televisão de imediato, e ouvíamos atentamente o que diziam as letras. Por vezes, riamo-nos de alguma voz mais esganiçada. Os meus pais comentavam o afinamento e davam-nos o dinheiro, que eu e as minhas irmãs lhes entregávamos, à vez. Tudo entre nós era feito à vez.
    Parece um tempo próximo e porém, tão distante. São memórias tão vivas e no entanto já não passam disso, recordações, por deixarem de se realizarem. 

    Os meus filhos ainda ouviram algumas vezes o Cantar dos Réis à nossa porta, mas eram pequenos, já nem sequer se recordam. Eu conto-lhes as minhas histórias e das minhas memórias, faça-os suas. E é tudo o que têm e lhes ficará.
     
    Este fim-de-semana assisti a umas Reizadas, e um dos grupos empunhava um cartaz, apelando para que não deixássemos cair a tradição do cantar dos Reis. Resistem alguns grupos de pessoas mais velhas, e os Escuteiros que promovem valores antigos, na realização deste tipo de evento.
    A plateia era escassa para a comunidade que somos, os jovens não apenas não têm interesse algum em cantar como nem sequer têm interesse em ouvir. Aliás, mesmo a faixa etária relativa a pais e avós estava muito em falta. Outrora seria uma noite familiar, um pretexto para pais e filhos saírem de casa, num programa de Inverno. Mas enfim, mudam os tempos, mudam as vontades, como dizia o poeta, e muitas coisas se perdem. Se pelo menos outras surgissem, assim ricas em convívio e confraternização, assentes em actos culturais que fizessem história...
    Talvez a nostalgia me esteja a toldar o pensamento, mas receio bem que estejamos a fazer trocas que se revelarão maus negócios.

    segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

    Quem procura acha...

     
    Via

    Há pessoas que passam a vida à procura de defeitos. Viagens que correm mal, porque as pessoas são todas antipáticas naquele país. Comida que não presta. Livros que estão repletos de gralhas. Roupa cara que traz defeitos. Pessoas que não são perfeitas. E depois acham-se extraordinariamente perspicazes, dizem coisas do género: - Ah, eu tenho um olho clínico! Essas coisas saltam-me à vista.

    E a vida vai correndo assim, numa lamentação permanente das coisas que não estão bem, ou não correm bem, como se fosse algo inquestionável e não se pudesse esperar outra coisa. Por vezes, em conversa com esse tipo de pessoas, respondo que a minha experiência foi muito diferente; e dou exemplos para ilustrar a minha opinião. Nem assim se mostram, não direi convencidas mas pelo menos divididas, de tal forma estão convictas do seu juízo.

    Não posso afirmar que as suas experiências não sejam verdadeiras. Porém, tenho cá para mim que elas se focam apenas no que está mal, e minimizam o que corre bem, reduzindo experiências sistematicamente a más experiências. E como têm altos padrões de exigência, que dificilmente corresponderão à realidade, esbarram constantemente em desilusões. Porque a verdade essencial é esta: a perfeição não existe. A perfeição total e absoluta é divina, e mesmo assim, apenas para quem acredita.
    Nós somos repletos de imperfeições. Então, porque esperar ( exigir!) a perfeição dos outros? Das coisas? De tudo?

    Mesmo nas coisas realmente más que nos acontecem, há sempre um lado bom. Sucede que, frequentemente, o sofrimento não nos permite entende-lo, sobretudo no momento. À posteriori é mais fácil encontrar algo de positivo naquela experiência e compreender a situação no seu todo. O que também nem sempre acontece, porque a maioria das pessoas não se demora muito a reflectir sobre as situações. Preferem antes criticar. E assim, as situações repetem-se, e há sempre algo a censurar.

    Estes dias vi um vídeo de alguém, que a propósito dos votos de feliz ano novo, dizia que antes se deveria desejar um novo eu; efectivamente, esperar mudanças na vida simplesmente porque o ano mudou é um voto de confiança no nada. Para que a vida mude em 2019, somos nós que temos de mudar, nós é que somos o agente da mudança.

    Talvez achem que me contento porque as minhas expectativas são mais baixas. Não importa realmente, isso ou outra coisa qualquer, no fim de contas o que eu quero é ser feliz. E não queremos todos?