quinta-feira, 23 de maio de 2019

Música que orgulha!

Elisabete Matos, Paulo de Carvalho, Pedro Teixeira

Não apenas porque a soprano Elisabete Matos é minha conterrânea, mas sobretudo porque a música é belíssima. E quando se ouve música actualmente, do que se faz agora ( até hesito em dizer "compõe"!), e surge uma pérola destas, é mesmo caso para partilhar. 
Pode ser que se torne viral, viciante confirmo que é. 

terça-feira, 21 de maio de 2019

A maior herança

Deparei-me com este texto, do José Luís Peixoto, dizendo que as viagens são a herança que quer deixar aos filhos; argumentando com os pontos positivos, como a descoberta, aprendizagem, e abertura dos horizontes, faz a apologia das viagens familiares, com filhos ainda no carrinho de bebé. 

Nós também recomeçamos a viajar passados três anos do Duarte nascer, tendo ainda a Letícia dois; viajamos de Portugal à Eslováquia, continente e ilhas, de carro e avião. Carregamos as crianças ao colo, nos carrinhos e a pé; fizemos de tudo para que tivessem conforto, e algumas rotinas (como a sesta) preservadas. Rapidamente percebemos que visitas guiadas não funcionavam, eles ficavam irrequietos e impacientes, portanto comecei a informar-me do que visitávamos antes, e passei eu a ser a guia; contava-lhes sobre os sítios, castelos, personagens históricas, como se historinhas fossem, e então sim, resultou. Não descolavam de mim, queriam saber mais, faziam perguntas. E desses momentos, dessas viagens, desfrutamos com alegria, e ainda actualmente, quando as recordamos, nos enternecemos. Porém, para os meus filhos é como se nunca tivessem existido. A propósito de algum destino, a Letícia já me tem dito: se fui mas não me lembro de nada, é como se não tivesse ido. 

Eu queria acreditar que alguma sementinha, dessas viagens, ficou nos meus filhos; mas francamente, agora com adolescentes, tendo o mais velho feito dezoito anos em Abril, não posso garantir. Ele simplesmente desistiu de viajar connosco aos 15 anos, mas já antes se queixava durante as viagens; que era cansativo, que não lhe interessava, isto e aquilo. E amuado e resmungão, retirava-me frequentemente a minha própria alegria. Portanto, passou a ficar em casa; prefere férias de praia, e a essas adere positivamente. Há porém, um aspecto que eu suspeito ter origem nas viagens, que é o gosto e interesse pela História. Assim sendo, o benefício das viagens não será óbvio, mas ainda assim germinou ali qualquer coisa de bom. 
Relativamente à Letícia, sempre gostou de viajar e esse sentimento permanece, e acrescido, nos últimos anos.

Posto isto, é minha convicção que apesar daquilo que os filhos possam aprender em família, os seus gostos têm mais deles do que de nós. A nossa expectativa de que eles sejam como nós, ou como nós queremos, enquanto pais, é apenas isso - expectativa. 

Portanto, viajar em família é muito bom, e eu recomendo vivamente, mas para ser desfrutado no momento. A verdadeira herança que deixamos aos nossos filhos, é o afecto.
Nunca ouvi filhos de pais ricos, os chorarem, elogiando os bens materiais que lhes deixam; pelo contrario, até já ouvi desdenharem esses mesmos bens, por terem sido construídos em cima do tempo da família. Mas já ouvi, filhos de pessoas muito humildes, orgulhosos dos seus progenitores, falando de coração cheio, de como foram bons pais.

Como eu comecei por partilhar o artigo, na página do FB, defendendo a minha opinião, a Sam Shiraishi, autora do blogue "A vida quer", comentou, e chamou-lhe aliança, numa referência bíblica - O Senhor, nosso Deus, fez uma aliança connosco no monte Sinai.” ( Deuteronômio‬ ‭5:2‬ ‭NTLH‬‬ https://www.bible.com/211/deu.5.2.ntlh),
“Ele sempre lembrará da sua aliança e, por milhares de gerações, cumprirá as suas promessas.”
‭‭( 1Crônicas‬ ‭16:15‬ ‭NTLH‬‬ https://www.bible.com/211/1ch.16.15.ntlh ),.   

 E eu adorei. É isso que devemos construir com os nossos filhos, uma aliança, construída na base da relação efectiva. E essa é sim, a maior herança que lhes deixaremos.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Detergente Natural


Há uns meses, saiu uma notícia sobre o prejuízo para a saúde dos detergentes, sobretudo para os profissionais das Limpezas, equivalendo-o a fumadores. É realmente impactante, e para além disso, os detergentes são muito poluentes, de forma que seja para o nosso bem, seja para o do planeta, devemos cada vez mais usar alternativas naturais. 

Estive, no principio do ano, num workshop sobre  detergentes naturais, no qual esta fórmula muito fácil, para limpa-vidros, espelhos e outras superfícies do género, nos foi indicada: 

Meia garrafa de vinagre de uva/maçã + meia garrafa de água + raspa de um limão/laranja ( para dar um aroma mais agradável, e dá!); agitar, deixar repousar algum tempo e usar sem contra-indicações.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Pudim de Chia



É uma sobremesa super rápida, que faço muitas vezes, variando o sabor do iogurte (mas achamos que o sabor que melhor combina é o de baunilha)e as frutas, que a Letícia adora. É inclusivamente muito prática, para levar em visitas de estudo e passeios. Para além de ser nutritiva é muito saborosa! 

Pudim de Chia

Ingredientes:
2 colheres de sopa de chia
Bebida vegetal(meia chávena)
Um iogurte 
Frutas, muesli, pepitas de chocolate, caramelo, etc.

Como fazer:
Colocar num frasco a chia com a bebida vegetal (cobrindo bem a chia para que fique bem hidratada), e mexer. Deixar repousar alguns minutos. Acrescentar o iogurte, e cobrir com muesli e frutas (a Letícia prefere sempre os frutos vermelhos), e basicamente o que mais apetecer. Quando é a minha filha que o faz, não está com meias medidas, vai logo um pouco de tudo o que há!
Volta ao frigorífico (tento fazer de véspera) e come-se quando apetece.
 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

- Adeus Facebook!



De vez em quando, alguém no FB comunica que vai fazer uma pausa naquela rede, ou que vai passar a utilizar mais o Instagram, devido ao "ambiente pesado" que se encontra por ali. De facto, ler os comentários de determinadas publicações é de deitar mãos à cabeça; as pessoas não se coíbem de insultar com os piores impropérios quem tem opinião contrária à sua, e fazem-no de diversas formas, seja directamente, seja com subtilezas e ironias. Recorrem aos truques mais baixos, como espiar o perfil dos comentadores para usar algo que sirva de arma de arremesso, ou rebaixar o outro pelas faltas ortográficas (quando por vezes, na expressão de pensamento se nota até coerência e pertinência), ou apenas insultando sem sequer rebater o argumento.
  
Recentemente, li comentários na página de uma marca que sigo,sobre os preços praticados; que não são para todos, que é um absurdo, e pelo meio insultos mais ou menos camuflados. Parece que as pessoas descobriram só agora que há artigos que não estão ao alcance de todas as carteiras! Mas não, sempre o souberam, mas como não têm "lata" para entrar nas lojas e fazer qualquer reparo ( porque há nisso um indubitável absurdo), fazem-no agora por detrás dos ecrãs. O absurdo é o mesmo, porém a rede que o filtra já é outra, é permeável à cobardia.
Relativamente a contas pessoais, as coisas estão mais ou menos controladas, pois que os "amigos" só lá estão por consentimento, a opinar, gostando ou desgostando. Contudo, ainda assim, há quem se queixe da agressividade de alguns, enquanto estes se dizem "sinceros e frontais". Muitos ainda não perceberam que há formas & formas de se dizerem as coisas.

É interessante ler os comentários, e por vezes, muito mais divertido e interessante do que as próprias notícias ou publicações; também há pessoas inteligentes, cultas e bem-humoradas nas redes socais. E é por isso, que na minha opinião, não vale a pena fugir de certas redes, pois o problema não são elas, per se, mas quem as frequenta - a humanidade. E essa está por todo o lado, acabando sempre por se revelar. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dica de leitura: Mulheres Livres Homens Livres


 
Via Wook

O nome da autora era-me relativamente familiar, tinha lido excertos de entrevistas dela, citações e referências, que me deixaram com vontade de saber mais, sobre o que pensa e diz esta professora universitária, colunista, autora de diversos livros de referência e assumida feminista, que tem pautado a sua vida pela frontalidade e coragem.
Portanto, apesar de se considerar feminista, Camille Paglia foi ostracizada e até perseguida por outras feministas, de correntes que eu considero, nada mais nada menos do que extremistas. Foi por isso, inclusivamente, apelidada de "feminista anti-feminismo". E porquê? Por, por exemplo, dizer que compreende que existam feministas pró-vida, entendendo que, apesar de ateia, outras mulheres se posicionem contra o aborto, por uma questão de fé. Esta é precisamente uma questão que me toca particularmente, por ter pensado durante anos que não poderia assumir-me como feminista; depois compreendi que não interessa o que as feministas encartadas dizem, importa o que eu digo, e onde me coloco. 
Sobre isto, afirma inclusivamente que a Educação Sexual muitas vezes chega a considerar a gravidez como uma patologia, cuja cura é o aborto (pag.288).

Outra questão que Camille Paglia inflamou é relativa à violação nas Universidades; segundo as "feministas", esta questão é simples ( desresponsabilização a 100% das vítimas), para a autora, as estudantes são responsáveis por zelarem pela sua segurança, não se expondo a determinados perigos, como por exemplo, atingir um estado de alcoolemia que as deixa inconscientes, e expostas ao perigo. Enquanto mulheres, devemos saber por uma questão de preservação, que existem sítios que não poderemos frequentar. Bom senso, se pensarmos que há locais que mesmo os homens, preocupados pelo seu bem-estar, evitam. 

A terceira questão que gostaria de relevar, deve-se à maternidade; a segunda vaga do feminismo desprezou as mulheres que optaram pela maternidade a tempo inteiro, como traidoras à causa, glorificando as mulheres de carreira. Camille Paglia reconhece que a recompensa de estar com os filhos nos seus anos de formação, em vez de delegar essa tarefa temporalmente curta, às creches e amas, possui um valor emocional e porventura espiritual que tem sido ignorado. 

Esta generosidade de pensamento, esta empatia por quem é tão diferente dela é um exemplo de tolerância, num movimento que frequentemente se revela fanático, e por isso exclusivista.   

Este livro aborda ainda outras questões, muito pertinentes pela sua actualidade. Quer se concorde ou não, faz reflectir, e evidentemente que eu não concordo com tudo o que Camille Paglia pensa e defende, todavia reconheço a enorme importância das reflexões desta destemida intelectual, numa sociedade cada vez mais nivelada pelo politicamente correcto. Posto isto, aconselho vivamente a leitura.


Título: Mulheres Livres Homens Livres
Autora: Camille Paglia
Editora: Quetzal
Nr Págs. 359

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Entrada directa na Universidade ⤵

 
Via


No Programa Prós e Contras, de 22 de Abril, um jovem de sucesso, que estudou na Austrália e Cambridge, arrasou com as Universidades portuguesas, recorrendo a frases como esta: - não passa pela cabeça de ninguém ir aprender para a universidade de Évora.  E carimbando rotundamente as universidades portuguesas como "anedotas", alvoroçou obviamente a reacção pública que foi de grande indignação.

Se por um lado, este jovem, privilegiado, nem sequer estudou em Portugal e portanto, fala de uma realidade que desconhece na primeira pessoa, por outro, há evidentemente imensos casos de sucesso nas Universidades Portuguesas, e prova disso são os jovens formados que delas saem todos os anos, para muitos países do mundo, para diversas empresas mundialmente conceituadas, e pelo reconhecimento que esses mesmos profissionais obtêm no exterior. Para além de algumas das nossas universidades serem elas próprias reconhecidas internacionalmente, e estarem muito bem posicionadas no ranking mundial.

Contudo, este facilitismo que os sucessivos ministérios da Educação têm promovido nas últimas décadas, proporcionam  de facto, o surgimento de algumas "anedotas". Quem estiver no meio sabe, e quem estiver de fora e que acompanhe directamente ou pelas noticias, também. 
A taxa de sucesso é tão importante a nível da C.E. que a passagem de ano está feita para ser praticamente automática. Os dissuasores burocráticos existem como bloqueios para as retenções. A pressão nas Escolas é real, que evidentemente se reflecte nos professores.

Por outro lado, saiu há pouco a notícia de que os estudantes do Ensino Profissional, vão agora ser admitidos nas Universidades sem fazer exames de acesso, o que é para lá do anedótico, é dramaticamente injusto. 
Mais uma vez, a classe média é a visada e prejudicada, com este desvario; os filhos das classes ricas frequentam colégios, muitos dos quais conhecidos publicamente por inflacionarem as notas ( vide Externato Ribadouro), os filhos dos pobres podem agora passear os livros durante mais tempo, se assim o escolherem; os filhos da classe média, que estudam nas escolas públicas e levam o ensino a sério, esforçando-se, estudando afincadamente com a vista nas médias para os cursos e Universidades que querem, frequentemente com um suplemento de esforço financeiro, de trabalho e tempo, ao recorrerem a Explicações, são aqueles que ficam praticamente por sua conta e risco.

O jovem empreendedor de sucesso não está assim tão enganado. Da forma como o Ministério da Educação trata a classe docente, seja no reconhecimento da classe, seja no apoio que sofrem em casos de violência, cada vez mais frequentes, seja agora com a abertura da Universidade a quem nada ou pouco estudou (brincou) durante 12 anos, está a destruir o sistema educativo português. Vamos chegar a um ponto em que nem professores decentes teremos, para fazer jus ao Ministério e população. 
E que tipo de profissionais sairão deste frágil modelo inclusivo? 
O que está a ser feito é preocupante a vários níveis, e agora podemos ser apenas nós a sentir esta injustiça, na pele dos nossos filhos, mas certamente que um dia, tocará a todos!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Livre de ser... politicamente incorrecta!


 
Via


Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.

Bernard Shaw

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Afilhados

 
Via( mais vale um ovo de chocolate pequeno e bom!)


Nestas duas últimas semanas ouvi algumas madrinhas queixarem-se acerca dos afilhados; que tendo vários (era o caso), esta época sai-lhes cara, para quem nem sequer tem interesse de lhes aparecer durante o ano. No domingo de Ramos, seria uma boa altura para levar um bouquet às madrinhas, mas nem isso, parece. 

Os padrinhos são escolhidos para substituírem os pais, à falta destes, mas afigura-se-me que quase sempre os pais os escolhem sem essa consciência. Se a tivessem, haveriam de comportar-se de forma a fomentar o convívio frequente entre padrinhos e afilhados; teriam o cuidado de cultivar esse relacionamento. E certamente, conversariam com os filhos, ensinando-lhes a importância desse laço. Consequentemente, não havendo nada disto, os afilhados comportam-se como se a única coisa a esperar dos padrinhos fossem os presentes nas datas da praxe, como um direito adquirido, sem qualquer tipo de retorno. 
Na verdade, os padrinhos não querem mais do que algum interesse pela parte dos afilhados; algumas visitas ao longo do ano, alguns telefonemas ou mensagens - muito mais do hábito deles, que passam os dias a enviar sms- uma qualquer forma de atenção e carinho. Porque é disto de que se fazem as relações, empenho de parte a parte, e manifestação de interesse pelo bem estar do outro. Relações uni-laterais estão condenadas ao insucesso. Afinal, não é isso que nós, pais, queremos para os nossos filhos? Pessoas que gostem deles genuinamente, e que estejam lá para eles, quando precisarem? 

Boa Páscoa!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Os Descobrimentos e os portugueses


 
Via


Esta sanha contra determinadas palavras que não podem ser ditas, por alegadamente ferirem as minorias, vai ceifando a eito de forma histérica e tresloucada. Refiro-me à nova tendência, castradora e sufocadora do politicamente correcto. Ai do incauto, ingénuo ou desprevenido que se deixe apanhar pelos seus agentes! Trucidam-no totalmente, sem a compreensão que reclamam para as suas causas. Ora desta feita o foco é a palavra "Descobrimentos"; já começa a ser dita entre dentes, a medo, olhando para um lado e para o outro, não vá ofender os ouvidos delicados de algum polícia do P.C. .  Se nós estamos metidos em sarilhos, por no século XIV termos dado inicio aos descobrimentos, imagine-se os Conquistadores espanhóis! Mas quanto a isso, eles que se defendam, se é que há em seu abono defesa; relativamente aos portugueses, não posso deixar de partilhar a minha indignação e inconformismo. 

Descobrir não significa "inventar", ou fundar, ou criar; na língua portuguesa, descobrir significa encontrar, destapar, mostrar. Ora os portugueses navegadores e marinheiros, reclamaram a descoberta do caminho marítimo para a Índia, para o Brasil. Fizeram rotas por mar, que nunca antes tinham sido feitas. Chegaram a países que existiam, eram habitados, alguns mais evoluídos do que outros, mas foram os primeiros ocidentais a lá chegar. Muitas vezes fixaram-se lá, constituíram família, comercializaram com esses povos, reclamaram terras em nome da coroa, evangelizaram os povos, e até a partir de uma determinada época, os escravizaram. Estamos a falar de há 500 e 400 anos atrás. Foram coisas que aconteceram num tempo em que o valor da vida humana era outro, em que a ética era outra, e a forma de viver também. Não vamos agora penitenciar-nos pelos pecados dos nossos antepassados, apagando o que fizeram de bom. 

A coisa está tão delicada que o suposto Museu dos Descobrimentos, que deveria ser construído em Lisboa está agora em banho-maria; têm medo de o nomear! O ridículo a que isto chegou. Este museu, que já deveria estar aberto ao público há dezenas de anos, está ainda suspenso devido a estas delicadezas hipócritas de uma minoria enjoativa. Por todo lado, em Lisboa há claras referências aos Descobrimentos, os turistas precisam que lhes expliquem como aconteceram os Descobrimentos; e temos que ensinar aos portugueses sobre o período áureo da nossa história ( quantas vezes invoquei os Descobrimentos aos meus filhos, para os contrariar na depreciação que fazem a Portugal? Até os convencer da grandeza do nosso pais!), e os estrangeiros precisam também de saber que esta pequena nação chegou aos quatros cantos do mundo, enquanto os seus países ainda se dedicavam à agricultura! 

Na semana passada estivemos em Malta, e num pequeno cruzeiro guiado admiramos a fortaleza construída no séc.XVII por Manuel de Vilhena, Grão-mestre da Ordem de S.João, que governou a ilha durante séculos; amado e respeitado pela sua integridade, é ainda hoje uma referência no país. A sua alusão enche-nos de orgulho e respeito. Ao lado, os franceses encolheram-se um bocadinho à referência do saque napoleónico; e os alemães idem, perante as casernas que serviam de bunker à população durante os bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. A nossa História é grandiosa!

Felizmente, no Porto existe há já alguns anos o World of Discoveries, que é apreciado e visitado por milhares de pessoas por ano. E certamente contribui para que a visita à Invicta seja mais completa e verdadeira. Um serviço que prestam a Portugal.

Cada vez noto mais a diferença entre Norte/Sul; não andamos com paninhos quentes, por aqui. É que mais acima um bocadinho, existe o Castelo de Guimarães, Berço da Nação. E ai de quem vier sugerir eufemismos para contar outra História da reconquista portuguesa!
E com isto termino a minha dissertação, que vai muito além da defesa patriótica, toda ela incorrecta para os agentes do discurso polido, melindroso e mentiroso, é provocatório. Mas por Deus, faço disso a minha intenção!

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Páscoa Divina



Estes dias li um artigo sobre a evolução do mundo, de como o Homem sempre procurou uma forma de se ligar ao divino; foram práticas pagãs, foram práticas religiosas (que para mim são as mesmas), foram individuais, foram colectivas; foram brutais, e vão sendo agora mais razoáveis. Passar dos outrora sacrifícios humanos, em certas sociedades, para um simples jejum de carne às sextas na Quaresma, é de facto uma evolução, e uma renúncia bastante eufemística.
E porém, para celebrar a vida e sacrifício de Jesus, continuamos, num grande paradoxo, a sacrificar vidas. A quantidade de bezerros (bebés, é o caso!) que são mortos nestas semanas para as grande comilanças que festejam o Salvador do Mundo é uma incongruência gritante que não poderá agradar a Deus. Ele disse: "Não matarás"; onde está escrito que é apenas ao homem? "Não matarás", ponto! 

E se nesta Páscoa, o sacrifício que festeja Jesus, fosse o de não comer carne?
A comida pode ser tão mais deliciosa e ética! Ponham um pouco de fé neste conselho e comprovem para crer. 
 

terça-feira, 2 de abril de 2019

Dica de leitura: Atlas

 
Via

Este é o livrinho mais delicioso que li nos últimos tempos. A propósito de alguma viagem, a algum sítio, Jorge Luís Borges, o escritor argentino e premiado Nobel, escreve um poema, uma história, revela um sonho, conta um episódio que lhe aconteceu, evoca personagens e pessoas do passado... As referências culturais vão de quadrantes diversos, da literatura à História, passando pela mitologia, e fica-se deste modo a saber, como viajam os autores desta estirpe. E na impossibilidade de os acompanhar nestas andanças, seja porque já não se encontram entre nós, seja como nos são de algum modo inacessíveis, este tipo de livro é uma espécie de encontro feliz. Acompanhado de fotografias, para melhor convencer a nossa imaginação que estas são as viagens possíveis. 

Título: Atlas
Autor: Jorge Luìs Borges
Pág. 116
Editora: Quetzal

sexta-feira, 29 de março de 2019

Croissants Vegan


Eu queria aqueles croissants de massa folhada, tipo francês, mas sempre me pareceu muito complicado de fazer, e realmente prefiro receitas simples. Portanto, no original desta receita, do blogue Seitan is my motor, a autora avisava desde logo que esta não era para principiantes, que é sinónimo de: muito provavelmente não vai sair bem! Mas eu queria muito fazê-los para a Letícia, de forma que me lancei na aventura, e surpresa! Ficaram deliciosos! Não com a aparência aprimorada dos originais, mas ainda assim, com aspecto de croissants. O único senão desta receita, é ter de se fazer com tempo, o que requer algum planeamento. 

Croissants Vegan

Ingredientes:

Massa:
250 g de farinha de trigo
10 g de fermento fresco (5 g de fermento instantâneo)
20 g de açúcar
150 ml de água morna
3/4 colher de chá de sal
20 g de margarina, temperatura ambiente

 
O preenchimento:
125 g de margarina, temperatura ambiente


Como fazer:
Para fazer a massa, coloque a farinha numa tigela grande e faça um buraco no centro. Desintegre o fermento no buraco, adicione açúcar e água.

Deixe descansar por 10 minutos, ou até que o fermento comece a borbulhar e pareça espumoso.

Adicione sal e margarina, e sove a massa cerca de 3-4 minutos, no robot, ou 10 minutos, se amassar à mão. 

Cubra a tigela e coloque no frigorífico para levedar durante a noite. 

Coloque os 125 gr de margarina entre duas folhas de película aderente e estenda-a até obter cerca de 20 x 20 cm. Tente fazer um quadrado. 

Coloque a margarina no frigorífico e retire sua massa gelada. 
Numa superfície levemente enfarinhada, estenda a massa até que fique cerca de 30 x 40 cm. Retire a margarina do frigorífico e descasque a camada superior da película. Vire-a e coloque-a em cima da massa para que o lado que ainda tem película fique no topo Remova a restante película, e dobre a massa como um envelope. Cubra com película de plástico e leve ao frigorífico 20 minutos. 
 
Estenda a massa fazendo um rectângulo que deve medir cerca de 40 x 20 cm. Corte rectângulos que vão ficar mais curtos de um lado do que do outro, mas basta esticar com as mãos para conseguir um rectângulo mais direito, e enrole.  

Pré-aqueça o forno a 200°C e asse os croissants cerca de 20 minutos, ou até dourar.
 
Aconselho a ver a receita no original, pois tem fotos e desenhos do processo que são muito ilustrativas e de grande ajuda. 
 
Quentinhos com compota, ou guardados para os dias seguintes, são maravilhosos! 


quarta-feira, 27 de março de 2019

Sete Documentários que vale a pena ver



Lamentavelmente alguns destes documentários estavam gravados desde há muito, pelo que ignoro se será possível recuperá-los nos canais exibidos, porém, alguns canais repetem-nos ocasionalmente, e há também a via Netflix, para quem tem. Nem sempre tenho a possibilidade de ver quando são emitidos, porque ao contrário do que se diz, há imensos programas interessantes a passar na televisão, de forma que vou gravando e vendo.

1. Círculo de Civilizações (RTP2)
Nesta série de 4 episódios, cada um dedicado a diferentes culturas, ficamos a conhecer civilizações antigas, na China, no Japão, na índia e  Cambodja. Permanecem ruínas de gigantescas proporções e estéticas deslumbrantes que atraem turistas, e arqueólogos de diferentes nacionalidades, empenhados em descobrir as características dos seus povos. E portanto, o mistério permanece. Fascinante!

2. A Teoria dos Espiões Vermelhos (RTP2)
Supostamente, a China dispõe do maior rede de espiões do mundo, e está apostada em reunir o conhecimento desenvolvido noutros países, durante décadas, recorrendo a esse atalho. É preciso entender que a palavra "aprender" em mandarim significa também "imitar", o que explica alguma coisa. 

3. A Maior Festa do Mundo (RTP2)
O último Shah do Irão, organizou uma mega festa em Persépolis, para comemorar 2500 do império persa. Nessa festa extravagante, para a qual foram convidados todos os chefes de Estado do Mundo, foi gasto em dois dias o orçamento de Estado da Suíça para 2 anos, enquanto a maior parte da população vivia num nível de pobreza absoluto. Isto deu inicio a uma série de revoluções islâmicas, que terminou com o reinado do Shah e deu início à era de Ruhollah Khomeini. 

4. Cesina Bermudes, uma vida só não basta (RTP2)
Esta senhora, nascida numa família abastada em 1908, formou-se em Medicina Obstétrica e foi a primeira em Portugal, a trazer a noção do parto sem dor. Para além de ter sido uma médica extraordinária, foi também uma cidadã investida na oposição ao Estado Novo, posição que lhe valeu a prisão. Uma figura que vale a pena conhecer e reconhecer.

5. Anne Morgan, uma americana na Grande Guerra (RTP2)
Durante a primeira guerra muitas americanas foram para França, como voluntárias. Anne Morgan, uma rica herdeira americana, foi quem as recrutou, e reunindo fundos nos E.U.,  organiza na Picardia um movimento filantrópico que presta cuidados e fornece bens de primeira necessidade a uma população destroçada. O trabalho e empenho destas mulheres foi de capital importância, no apoio aos civis. 
Para o inicio do Séc. XX, Anne Morgan, revela-se uma mulher independente e empreendedora, assumindo as rédeas de uma vida nada convencional. 

6. Medicinas do Mundo (RTP2)
Já vai no Episódio 20, esta série que se dedica a observar o tipo de medicinas praticado pelos quatros cantos do mundo. Nem hesitamos ao aliar medicina com farmácias e hospitais, tudo numa proximidade imediata, contudo, em muitas partes do mundo, a medicina é tradicional e natural, praticada por anciãos, habilidosos, médicos formados há muito sem actualizações, em todo o tipo de condições, ou seja, frequentemente sem aquelas condições a que estamos habituados. E muito isolados. Dá-nos outra perspectiva, para que não pensemos que a nossa é a única e a melhor. É uma série de grande humanidade. 

7. Eco-Lógica (RTP2)
Actualmente na terceira temporada, dedica cada episódio a um tema ( pioneiros/camuflados/económicos/das árvores/ etc.), oferecendo um vasto leque de construções ecológicas, auto-sustentáveis e respeitosas do ambiente que se inserem. A arquitectura nunca me interessou, aliás sempre a considerei fastidiosa, e porém esta abordagem tornou-a fascinante aos meus olhos. Que miríade de possibilidades existe actualmente, para os arquitectos que pretendem fazer construções amigas do ambiente! É da facto uma profissão muito criativa e útil, seguindo neste caminho.


segunda-feira, 25 de março de 2019

Sacos de compras


Felizmente, as pessoas estão cada vez mais informadas acerca dos malefícios dos plásticos, e sobretudo, do uso excessivo. Nas redes sociais abundam fotografias de autênticas ilhas de plásticos, e outras espalhadas por locais da natureza, como à beira rio. Já sabem que demora séculos a decompor-se (quase 500!), e que por ser tão mau para o Ambiente no comércio já não se dão, quando muito, vendem-se. E por isso, a maioria das pessoas já tem o seu saco para compras de supermercado. 
Falta agora restringir o uso dos sacos de plástico sem asas, que usamos para pôr a fruta e legumes. Já há muitos anos que os reutilizo; quando chego a casa, despejo as compras e dobro os sacos que guardo dentro do saco maior, para as compras seguintes. Mas queria muito uma alternativa a isto, e portanto, no Festival Vegetariano de Natal, no Porto, acabei por encontrar uma pessoa que faz estes sacos, que são desperdícios da fábricas de confecção, da parte do forro de casacos desportivos. São elásticos mas muito resistentes, e acabam por ser maiores do que parece, embora tenha vários tamanhos. São muito leves, logo, em termos de peso será o equivalente ao saco de plástico. São também óptimos para guardar determinados vegetais no frigorífico, como os cogumelos, cuja durabilidade aumenta. Estou a usá-los desde então, e mantêm-se impecáveis. 
Aconselho vivamente!
 

quarta-feira, 20 de março de 2019

Pintura abstracta nos céus?

 
Via

Há uns anos atrás comecei a notar os crescentes rastos no céu, dos aviões. Na altura pensei que fosse natural, apenas vapor, e que se os rastos se multiplicavam, era devido ao número crescente de voos, consequência das companhias aéreas low-cost que começaram a fazer esta rota. Porém, observando os aviões, intrigava-me que uns deixassem rasto, e outros não. E também, a forma como os rastos se dissolviam no céu me parecia estranha, vão-se desfazendo sem desaparecerem, alargando-se numa tela que cobre o céu azul, diluindo-o. E entretanto, comecei a ler sobre geo-engenharia, e a compreender o que realmente se passa. 
De início, apenas alguns sites escreviam sobre o assunto, parecia aquela coisa das teorias da conspiração, coisa de maluquinhos, que é o argumento que se usa quando se pretende ridicularizar alguma coisa, sem sequer esgrimir argumentos sérios. E portanto, os jornais também começaram a falar da geo-engenharia, e a própria Nasa* reconheceu que estão a utilizar a geo-engenharia para manipular o clima. A motivação é boa, supostamente regular o clima, mas na verdade, é uma estratégia que comporta riscos e consequências que ninguém conhece e muitos começam já a denunciar, como causas de mais males do que benefícios. Uma dessas pessoas é Dane Wigington**, que associa esta prática a doenças e desastres da natureza, e se tornou uma espécie de porta-voz do movimento anti geo-engenaharia. 


Se fizer sentido que nos radiem dos céus com químicos, e que estes são inócuos para seres humanos e todo o planeta, e aqueles que o habitam, não se preocupem com isto. Mas entretanto, olhem o céu mais vezes, admirem-no e reparem naqueles linhas brancas sobrepostas. Se este cenário for tranquilizador, ainda assim, indague-se o porquê de tudo isto estar a ser feito silenciosamente.


*Nasa 
** Dane Wigington
Revista Visão 

segunda-feira, 18 de março de 2019

Quebradiços

Hoje quero escrever sobre a fugacidade e vulnerabilidade da vida. Dizer que esta vida são dois dias, que para morrer basta estar vivo são clichés gastos e no entanto tão populares, por serem essencialmente genuínos, que rematam qualquer conversa desta temática. E eu começo, portanto, pelo fim.

Se tivéssemos consciência da fragilidade da vida, muita coisa mudaria; não deixaríamos que coisas insignificantes nos transtornassem tanto, não nos zangaríamos por miudezas e faríamos o que temos de fazer com mais ética, mais correcção. Daríamos prioridade às coisas realmente importantes; aproveitaríamos mais os momentos bons, e usufriríamos muito mais dos que amamos. 
Não digo que devêssemos sentir a Espada de Dâmocles sobre a nossa cabeça o tempo todo, isso roubaria a paz necessária para desfrutar fosse do que fosse. Falo em consciência, aquele saber intrínseco que nos faz estar na vida, lembrando sem esforço. E por vezes, a vida encarrega-se de nos acordar, em forma de lembrete, dado que só em consciência não vamos lá.

A Catarina Fonseca escreveu, na última crónica, que já percebeu que o maior perigo da vida é passar por ela, meio-adormecida; mas é assim que vivemos a vida. Adormecidos para aquilo que de facto importa, embalados pelos afazeres e obrigações, focados no momento seguinte.
Quando o meu primogénito nasceu, tive um momento de profunda lucidez, enquanto o observava a dormir tranquilamente no berço; perante aquele sentimento de profundo amor que ignorava existir, pensei: desfruta de cada momento Fernanda, porque não sabes quanto tempo tens com ele. Não foi algo que me tolheu, mas antes pelo contrário, deu-me a claridade necessária para pautar o meu comportamento enquanto mãe. Isso moldou-me imenso, até enquanto pessoa. E talvez por isso, perante situações em que outros arrancam cabelos, eu me mantenho relativamente tranquila. De que vale investir energia no que não se pode mudar?

Uma pessoa pode sair de manhã, e já não voltar mais. Já não se senta a jantar com a família; nunca mais pergunta como correu o dia aos filhos. Já não desdobra o pijama naquela noite, nem apanha a roupa seca demais como um bacalhau. Já não chega tarde para o almoço de domingo, quando o molho do assado já sumiu. Mas o dia está bonito, de Primavera, nem sequer chove. Os vizinhos aspiram a casa e estendem roupa no varal. As horas passam, a dor que causa primeiro a estupefacção, começa a envenenar o corpo, até doer fisicamente. Porque no fim de contas, nós somos frágeis, e estamos ligados em cadeia, por afectos que nos fortalecem mas são efémeros, e por isso também nos quebram. Temos que ir buscar à vida tudo aquilo que importa e nos fortifica, que no fim de contas, se resume ao amor. O tempo investido nos afectos permanece, leva-o quem parte, resguarda-o amorosamente quem fica.    

quarta-feira, 13 de março de 2019

Dica de leitura - A História de uma serva

 
Via Wook

Há já alguns anos que fui lendo por aqui e por ali referências à "História de uma serva" de Margaret Atwood, mas sendo habitualmente céptica relativamente a livros de moda, nunca me interessou propriamente. Foi, portanto, um livro que sugeri ao Duarte no último Verão, por saber do gosto do meu filho pelas sociedades distópicas futuristas. Entretanto, fiquei com curiosidade e acabei por lê-lo. 

Passa-se no futuro, na América, agora chamada Gileade, e a protagonista vai relatando os acontecimentos na primeira pessoa, com recursos constantes a flash-backs. Chama-se agora Defred, tinha sido casada e mãe de uma criança pequena, tinha feito estudos superiores e tinha emprego, quando uma reviravolta política se deu no país, de forma súbita e insidiosa. A oposição praticamente não existiu e as pessoas viram-se, do dia para a noite, constrangidas a uma série de leis e regras que subjugaram a individualidade e liberdade de cada um, de forma brutal. Defred é agora uma serva, ao serviço de um misterioso comandante e sua mulher. A sua vida está estritamente regida por horários e programas, a palavra é-lhe subtraída, como de resto a todas as mulheres. É um objecto da República com uma só utilidade: procriar. 

Gostei bastante do livro, é uma leitura fluída que agarra o leitor jogando com o passado, que vai explicando como chegou uma sociedade livre ao ponto da subjugação total, sem oposição. É interessante na medida em que vemos como reflecte a nossa própria sociedade; as coisas vão mudando paulatinamente, as pessoas vão aceitando, ainda que resmunguem nas redes sociais, mas as mudanças continuam. Por exemplo, a corrupção em Portugal; sentiamo-nos muito mais indignados há alguns anos atrás, e os políticos demitiam-se, mas os casos de corrupção começaram a ser revelados a um ritmo cada vez maior, actualmente quase diário, sem que vejamos um contra-poder a este crime, de forma que hoje já ninguém espera condenações nem Justiça. Fazemos piadas com as situações, e aceitamos. Portanto, da parte dos infractores, também já não faz sentido que se envergonhem e se demitam. 
Outro aspecto que confirma aquilo que já há algum tempo penso, é a forte vontade de viver do ser humano, seja em que circunstâncias for. O desejo de preservação da espécie deve certamente explicar uma coisa destas, pois que racionalmente não faz sentido algum. Qual o interesse de viver num mundo privado de tudo aquilo que é mais elementar e básico, para o nosso bem-estar? Quando nos tiram aqueles que amamos? E portanto, o homem persiste e é ainda capaz das maiores canalhices para permanecer vivo. É por conseguinte, um livro que proporciona um paralelismo e reflexão muito pertinentes, sobretudo, relativamente ao momento em que vivemos.

Parece que brevemente teremos possibilidade de ver a série, mas começar pela leitura é sempre o ideal. 

Título: A história de uma serva
Autora: Margaret Atwood
Editora: Bertrand
Pág. 348


segunda-feira, 11 de março de 2019

Criar filhos com asas ou com raizes?

Com a malfada crise de 2008, e o primeiro-ministro a proferir aquela infeliz frase aos desempregados: "emigrem!", sedimentou-se no colectivo parental a velha máxima "os filhos não são nossos". Desde logo, jovens formados partiram aos milhares, e as imagens das despedidas no aeroporto, de jovens que nunca tinham viajado para o estrangeiro sequer, deixando pais chorosos e preocupados, tornaram-se diárias. Era um destino que se desenhava para todos, como se não houvesse alternativa. 
Comecei a ouvir pais de filhos pequenos a dizerem desde logo, que era isto que os esperava. E à medida que chegavam notícias de como essa fornada de jovens preparados eram recebidos no exterior, de como não apenas tinham trabalho nas suas áreas mas como eram respeitados e bem pagos, a possibilidade passou a inevitabilidade.

Constitui-se uma segunda vaga, a dos empregados que não resistiram às benesses que lá fora lhes ofereciam. Médicos, engenheiros, trocaram os vencimentos nacionais pelo triplo ou quadruplo, e claro que compreendendo como o dinheiro é bom, se pode entendê-los, nunca me convenceu totalmente a paga por coisas que abdicavam como deixar a família, os amigos, o país que é seguro e estável, a cultura que apesar de tudo reconhece a igualdade de géneros, enfim, um regime democrático por alguns que não o são de todo. Há coisas que nenhum dinheiro paga. E portanto, em conversa com um casal conhecido, ambos quadros superiores, bem na vida, com várias propriedades, e pais de filho único, surpreendeu-me que me contassem orgulhosamente o plano do filho, para trabalhar no estrangeiro. Disseram-me: "Ele não quer ficar cá; quer ganhar muito dinheiro!". Imagino que deixei transparecer uma certa pena no meu rosto, por os saber sós, porque imediatamente se apressaram a justificar, "é assim a vida, os filhos não são nossos, nós criamo-los para o mundo!". Está bem, está, respondo-lhes eu; mas aqui não é mundo? Estaremos em Marte? Riram-se. O pior é que vão solteiros, casam por lá e nunca mais voltam; e os pais ficam sozinhos, o que a mim me causaria muita pena e saudade. Enfim, depende daquilo que priorizamos na vida, acrescentei eu condescendendo.  
Eles viraram para um lado da rua, certamente a pensar "coitada da Fernanda", eu virei para o outro, ainda em choque, até esta situação de todo se apagar. Até há dias.

Já tinha visto um vídeo da brasileira, médica e especialista em cuidados paliativos, Ana Cláudia Arantes*, que me impressionou imenso. Era uma espécie de apresentação da forma como ela vê a morte, que é algo superior e invulgar, portanto li com toda a atenção a entrevista que deu à revista Activa deste mês. E perante um certa questão ela respondeu: "... Muita gente cria os filhos para a liberdade, não para o amor presente. E isso não é mau, mas na hora de morrer tem os filhos longe". 
E isto, embora se foque no derradeiro momento da vida, explica muita coisa.


* A propósito do seu livro " A morte é um dia que vale a pena viver"

quinta-feira, 7 de março de 2019

Sensibilidade e mau senso


A polémica do juiz Neto de  Moura surgiu tarde demais para inspirar os corsos carnavalescos. Não se sabe como reagiria ele, mas pela prova dada relativa ao sentido de humor, suspeita-se que os tribunais respiraram de alívio. A leveza com que encara o sofrimento físico e psicológico das vítimas de violência doméstica, contradiz fortemente com o seu sentir, apenas por ter sido parodiado e criticado, melindrou-se, imaginem! Afinal são apenas palavras!

Um destes dias, passou-me pelos olhos  um artigo com doze acórdãos polémicos da autoria deste juiz, já tinha lido anteriormente alguns, mas esta colectânea está mais completa e absurda. E o espanto persiste, perante as alarvidades que este homem pronuncia. Há quantos anos andará ele a fazer acórdãos deste tipo, e quantos mais estarão por aí esquecidos? Talvez desde o dia em que lhe surgiu pela frente um caso de violência doméstica.  

Dizem-me que a Lei é suficientemente subjectiva para ser interpretada por diferentes juízes de formas diversas, mas creio que nalgum ponto haverão de convergir, se o crime for provado; ora com o juiz Neto de Moura, a questão não é a prova, mas antes a sua magnanimidade perante o infractor da lei. Nem Lei nem bom senso, apenas uma grande condescendência pessoal e crenças arcaicas de sistemas patriarcais obsoletos, se manifestavam nas suas considerações para constituição de penas. "Penas", literalmente. E por isso também, ontem foi assassinada mais uma mulher, perfazendo doze, este ano. A Lei é branda.

Passeia-se este cavernícola, imbuído de desígnios divinos, pelos átrios dos tribunais (e não sei se por cá fora também, a ter em conta este caso em que se deslocava na via pública sem matrícula),
proferindo as mais descabidas sentenças para com os agressores e reprimendas às vitimas, que ninguém compreende nem aceita, durante anos! O desenlace deu-se ontem, sendo afastado dos casos de violência doméstica, o que não sendo solução, é remendo.
Mas não nos esqueçamos que este não é o único, há por este pais fora alguns juízes com comportamentos profissionais, igualmente questionáveis. Portanto, isto não será o fim.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Tofu com cogumelos e molho de mostarda


É tão bom pôr a mesa para a minha filha e vê-la comer! A alegria com que ela devora ( é mesmo assim, tenho que estar sempre a lembrar-lhe para mastigar bem e comer mais devagar!) é lindo de se ver! Como mudou o cenário, desde que ela se tornou vegetariana... agora não há caras feias, nem resmunguices e restos no prato. E enquanto come, vai dizendo: ai que bom, mãeee....! Está mesmo muito bom, está delicioso! Isto é música para os ouvidos de qualquer mãe. Claro que há pratos que a Letícia gosta mais do que outros, este é um daqueles que ela adora. E tão simples de confeccionar!

Tofu com molho de mostarda 

Ingredientes:
Uma embalagem de tofu (o nosso predilecto é da Biodharma)
Seis cogumelos (usei cantharellus)
Uma cebola pequena
Um dente de alho
Azeite q.b.
Sal e pimenta a gosto
Uma colher de café de colorau
Uma colher de sobremesa de sementes de mostarda
Meio pacote de natas vegetais

Como fazer:
Cortar o tofu em cubos, e deixá-lo a escorrer cerca de 30 minutos. 
Cortar a cebola em meias luas e saltear no azeite com o dente de alho picadinho, até ficar translúcida. Juntar os cogumelos fatiados grosseiramente e envolver, alguns minutos. Esmagar as sementes de mostarda no almofariz e misturar numa taça com as natas vegetais; reservar. 
Acrescentar o tofu ao tacho, envolver e deixar cozinhar alguns minutos. Temperar com sal, pimenta e colorau. Verter o molho para o tacho, e envolver. Rectificar temperos se necessário.

Acompanhamos com arroz branco, penca e batata doce salteadas na sertã em azeite e alho. Com o testo posto, foi como cozinhar ao vapor, mas mais saboroso e rápido. 
Uma delicia!