quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O Pai Natal e os elfos - acreditar ou não?



VIA
Tem surgido por aí uns artigos contra o Pai Natal, dizem que é a primeira mentira que contamos aos nossos filhos, e desde logo com isso lhes provamos que não podem confiar em nós. Suponho que a rectidão destes pais os impede de transmitir aos filhos as suas próprias crenças (e há sempre algo em que acreditam!), de modo a deixar-lhes uma página em branco, para que eles a pintem com as suas próprias descobertas e aprendizagens.

Eu, que fui uma criança que acreditou no Pai Natal até aos 9 anos e que tive um enorme desgosto ao descobrir a sua inexistência, continuo a pensar que essa fantasia valeu a pena. Portanto, com os meus filhos, prolonguei-lhes o mito o mais que consegui, e ambos confirmam que a crença no Pai Natal foi algo mágico. Traumatizados? Não ficaram. Perderam a credibilidade nos pais? Também não. Até porque essa se constrói com as coisas do dia-a-dia, e o que se explica, eles compreendem.

Creio que naquele tipo de educação, que por tanto respeitar os filhos, não se lhes transmite valores, crenças, formas de fazer, em suma, um enquadramento cultural e religioso, lhes é mais pernicioso do que benéfico. Na minha óptica, é até uma espécie de negligencia. Eles precisam de estrutura que seja ponto de partida, caso contrário, o vazio só causa desorientação e atraso.
Poderão ser eles a pintar a página, mas devemos ser nós a dar-lhes o papel e as cores.
       
Portanto, há um país, aonde mais de metade da população acredita em elfos! Os elfos são seres muito pequenos – no máximo, chegam aos 90 centímetros de altura. Têm orelhas muito grandes e usam roupa velha e simples. Segundo o National Geographic, 54% da população da Islândia acredita neles. Sim, adultos incluídos! No Natal as actividades que os envolvem são intensas e variadas; são eles que decidem que crianças se portaram bem e merecem presentes, é a eles que os meninos deixam os sapatinhos para receberem doces, mas também é deles que recebem, muitas vezes, grandes partidas. 
Os islandeses acreditam, e não será por isso que sejam mais tolos, estúpidos ou traumatizados do que os outros povos, bem pelo contrário, acredito eu. 

  

Neste país mais de metade da população acredita em elfos
Meet the thirteen yule lads

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Sal a mais

A Letícia queixa-se: - O burguer de cogumelos tem sal a mais, mãe.
- Olha, para o ano, já vais ficar contente só por teres comida! Responde-lhe o Duarte.

Aprendizagens. Apenas há dois meses e meio fora de casa.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Dica de leitura - O grito de guerra da mãe tigre



Via
Há uns anos este livro fez furor nos blogues maternos norte-americanos, acabando por repercutir pelos de língua portuguesa, daí eu ter tomado conhecimento dele. Como acontece sempre, os livros do momento nunca me interessam, para mais, por aquilo que tinha lido sobre o mesmo, pareceu-me que tinha sido escrito propositadamente para polemizar. Volvidos todos esses anos, eis-me a ler "O grito de guerra da mãe tigre"!

Amy Chua é filha de imigrantes chineses, e criada como tal; professora universitária, casada com um judeu americano, está decidida a educar as duas filhas segundo o modelo chinês, que acredita ela, é muito mais correcto do que o ocidental. Portanto, educar significa ensinar a trabalhar arduamente, seja na escola, seja a tocar os instrumentos musicais que ela escolheu para as filhas. Ela escolheu porque fez isso em tudo, a opinião das filhas não interessa, ela é mãe e sabe o que é melhor. A infância é apenas um período de preparação (intenso trabalho) para o sucesso na idade adulta; portanto, não há tempo para brincar, dormir em casas de amigas e participar de actividades na escola, como peças de teatro. 

Desde os 3 anos que as filhas são obrigadas a praticar 5 ou 6 horas por dia nos seus instrumentos. Espera-se delas que sejam apenas as melhores, só o primeiro lugar satisfaz! Para um pai chinês, o segundo lugar envergonha. Portanto, se a filha mais velha acatava as ordens da mãe, a filha mais nova desafia-a desde sempre e constantemente, levando-a aos gritos e insultos, dentre os quais a mãe chama "lixo" é filha e outros mimos de igual calibre. O ritmosxz de trabalho não abranda nunca, nem sequer nas férias no estrangeiro, para onde carregam o violino sempre. 
Os conflitos são duros e constantes, o marido discorda mas nunca trava a esposa, aliás em frente às filhas, faz frente unida com ela. Mesmo os avós pensam que Amy está a exigir demais e pedem-lhe que abrande, mas nada a demove.
Com 13 anos, a filha mais nova consegue, finalmente, que a mãe a liberte. Troca o violino pelo ténis, que pratica de forma competitiva mas ao seu ritmo.

Muitas vezes, ao ler este livro, concordei com as filhas, esta mulher é louca! Fiquei desgastada só de ler as vezes que ela mencionou que gritava. Uma casa onde os gritos são uma constante, parece-me o inferno.  Pensei que fosse desequilibrada e que fizesse tudo aquilo, não pelas filhas mas por ela, para se poder exibir. As críticas constantes à forma ocidental de educar também não lhe angariam simpatias, mas tenho de reconhecer que a extrema exigência da educação chinesa contrasta com o laxismo ocidental, o que também não é correcto; portanto, algo entre estes dois tipos de educação serial o ideal.

Entendo que os conceitos que nós temos de querer ter uma boa relação com os filhos, de os vermos felizes, de ouvirmos a opinião deles, sobre os seus interesses, sejam alheios aos chineses. Entendo que temos valores diferentes, mas nem nós estamos errados a 100%, nem eles certos na mesma medida. 
Os asiáticos parecem querer ter filhos-prodígio, e não acontecendo isso naturalmente, empenham-se em construí-los. Amy Chua termina fazendo tréguas com as filhas, porém o tom dela até ao fim é bastante complacente com a educação ocidental, comparativamente com a educação chinesa, ainda que tendo que recuar, sai vitoriosa. 
Não percebo como pode o relacionamento entre mãe-filhas sair incólume, depois de uma educação tão despótica; a não ser que se explique com o síndrome de Estocolmo! 

É interessante ler sobre uma forma de educar tão diferente da nossa, e a leitura é fluída, fácil. 

Título - O grito de guerra da mãe tigre
Autora - Amy Chua
Editora - Lua de Papel, Leya
Nr de pags. - 228

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Fillmes que vale a pena ver

Parece que por coincidência (ou será que não?), todos os filmes que tenho visto são inspirados em casos reais, e notei apenas isto ao escrever este post. Interessante.


A incrível história do carteiro Cheval TVC2
Esta história verídica, passa-se em França, na região de Droma, no séc.XIX. O carteiro Cheval, um homem suigeneris, que na aldeia consideram louco (pareceu-me que teria algum grau de autismo), após a morte da primeira mulher, e o afastamento compulsivo do filho pequeno, volta a casar e tem uma menina, Alice. Se as capacidades socais de Cheval são limitadas, e relativamente a crianças ele tem perfeita noção disso, portanto e subitamente, decide construir um palácio para a filha, que vai demorar 33 anos, de trabalho duríssimo e grandes sacrifícios. É a sua forma de homenagear a filha, de lhe demonstrar o seu amor por ela, que de outra forma não conseguiria. A arte do palácio é assombrosa, fez-me lembrar Gaudi, talvez este tenha ouvido falar dele, e se tenha inspirado. Quem sabe?!
É um filme extremamente belo e emocionante. O actor principal faz um papel magnífico!

Green Book - Um guia para a vida TVC1
Também baseado numa história verdadeira, sobre um famosos pianista negro, Don Shirley, que nos anos 60 decide fazer um tour pela América, contratando um segurança e motorista italo-americano, bastante racista. Esta viagem vai proporcionar momentos de diversão, mas sobretudo retrata uma América declaradamente racista, meio perdida entre o que era e naquilo que se tornaria, porém conciliatória, na concretização de uma amizade improvável.

A livraria TVC1
Nos anos 50, Florence, decide realizar o sonho de abrir uma livraria numa terriola perto de Londres. O gesto é arriscado mas revela-se um sucesso, até que ... surgem complicações que exigem tenacidade e empenho, mas será isso suficiente? Seja como for, a atitude desafiante de Florence deixará sementes.

A mulher que segue à frente TVC3
Inspirado em Catherine Weldon, que no séc. XIX, após se tornar viúva, decide viajar de Nova York até Dakota do Norte, a fim de pintar o último grande chefe índio, Touro Sentado. Ninguém imagina agora quão perigosa pode ser uma missão destas, porém C.W. está resoluta e nada, nem ninguém, a impedirá de fazer o que quer. 
Gostei de Jessica Chastain, num papel muito convincente entre a delicadeza e a força. A história é interessante pelo período histórico, e também pela divulgação de uma figura feminina, a pintora, que terá certamente inspirado muitas mulheres. 

Memórias de uma falsária TVC1
Inspirado em factos verídicos, contados pela própria Lee Israel, na sua autobiografia, que atravessando um período de penúria financeira, descobre que o seu talento pode ser muito mais rentável do mercado das antiguidades literárias, mais propriamente no sector das epistolas de famosos falecidos. Contudo, como não há crimes perfeitos...!
A Melissa Mccarthy também sabe fazer papeis sérios, e como! Perfeitamente credível, num papel antipático que dificilmente conquista o espectador. Mas conquista. 
A prova de que o talento pode derrapar para o lado mais fácil. 

Igualdade de sexos /Made in Dagenham TVC3
Em 1968, as trabalhadoras a Ford, em Dagenham, descobrem que apesar da igualdade de direitos, os homens recebem mais. Ignoradas pelas chefes, iniciam uma greve, reivindicando salários e benefícios iguais. Constata-se como os próprios companheiros e maridos também as discriminavam, e quando se viram em xeque, de imediato retrocederam no apoio. 
Contudo, este braço de ferro viria a dar frutos, não apenas para estas trabalhadoras, como para as de todo o pais, e do mundo.

Eu, Daniel Blake (canal?)
Acho que este é o único filme que não se baseia num caso verídico, e porém, retrata muitíssimo bem o serviço público inglês.
Daniel Blake tem um avc e fica de baixa, porém esta esgota-se e a médica recusa dar-lhe alta, pelo que ele se submete a um inquérito feito de forma totalmente desadequada, que o habilita a trabalhar. Mas a médica rejeita. Daniel Blake fica assim numa espécie de limbo, como há-de sobreviver? Pelo caminho encontra uma jovem mãe solteira que também está refém do sistema, e fazem amizade, numa aliança para conseguirem ultrapassar os problemas.
A fotografia de um sistema desumano e perverso, no qual os trabalhadores da segurança social agem como máquinas, e as pessoas são facilmente descartadas.  

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Bolo Marroquino #vegan


Vi esta receita no programa da Martha Stewart, aliás, na parte em que um convidado faz algo muito seu, no caso era um bolo marroquino, de uma conhecida profissional de sobremesas, que pega nas receitas e as desenvolve, dando-lhes o seu toque pessoal, para restaurantes conceituados. Foi exactamente o que fiz, tornando o bolo numa versão vegan, vi logo que tinha potencial!

Resultou num bolo muito saboroso, pesado mas rico, aromático. Achei que daria um belíssimo bolo de Natal, a Letícia até disse que parecia um Bolo-Rei, mas melhor, claro, pois nós as duas nunca gostamos desse. 


Bolo Marroquino

Ingredientes:
120 gr de açúcar amarelo
180 gr de farinha
1 colher de chá de fermento
250 dl de chá preto bem forte
1 dl de óleo vegetal
2 colheres de sopa de linhaça
Frutos secos: alperce, tâmaras, sultanas, figos, etc.
Uma colher de sobremesa de Raz El Hanout ( ver receita aqui)

Como fazer:
Numa taça de sobremesa, colocar os frutos cortados aos cubos, cobertos por água quente, durante uma hora.  
Noutro recipiente, colocar as duas colheres de linhaça com 4 de água, mexer e deixar ficar 5 minutos. 
Noutra taça, colocar os ingredientes secos e o chá, envolvendo bem tudo, acrescentar a linhaça, e os frutos secos, voltar a envolver, e verter numa forma de bolo Inglês, com o fundo forrado com papel de manteiga. 
Coze no formo a 180º, cerca de 30 minutos, ou até o palito sair húmido mas sem massa colada.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Vacinação e Auto Hemo-terapia



Ouvi, na tv,uma farmacêutica e representante da Ordem dos farmacêuticos, dizer que estão em plena campanha de vacinação, que está mesmo no auge, e o objectivo é reforçar esta cultura vacinal. Há uns anos, quando a vacina contra a gripe surgiu, a geração visada era a dos idosos, hoje, sem pejo, tentam fazer com que a vacina seja alargada a toda a população, apelando ao bem-estar das crianças, das grávidas, ou seja, dos grupos mais vulneráveis mas também já aliciando toda a população. 

A vacina é eficaz apenas contra 4 tipos de vírus, e portanto, existem tantos tipos de vírus que mesmo tomando a vacina, podemos ficar com gripe todos os anos. O que claramente acontece com muitas pessoas que eu conheço, que tomam anualmente a vacina.

A industria farmacêutica não pretende curar ninguém, ao contrário da Medicina, que pretende tirar a dor e se possível curar, é de facto a indústria da manutenção da doença, e visa gerar lucro apenas. Por isso, tudo ou quase tudo o que dela advém, me deixa sempre alerta.

Há formas de prevenir a gripe, como a lavagem de mãos com sabão, afastarmo-nos de pessoas gripadas, não partilhar objectos pessoais com outras pessoas, manter uma alimentação saudável. E no caso de não escapar, cuidar de a curar, com descanso, agasalho, bebendo líquidos e dieta adequada. As defesas do nosso corpo fazem o resto, combatendo o vírus. 
 
Não aconselho a vacina da gripe a ninguém, mas aconselho o reforço do sistema imunitário, que desse modo se torna combativo a uma escala muito mais abrangente, não apenas relativamente a gripes como a todas as doenças. E existe um meio, alheio à industria farmacêutica, acessível a todos, trata-se da Auto-Hemoterapia; o nosso próprio sangue, colhido numa veia e injectado no músculo, vai fazer com que a nossa imunidade aumente 4 vezes. Este tratamento foi utilizado e divulgado, pelo Dr.Luíz Moura (que aprendeu com o pai, médico cirurgião e professor universitário na Faculdade de Medicina), ao longo da sua vida, e os casos de sucesso são diversificados e espantosos. 
Não é reconhecido pela OMS, ninguém apresentou estudos a favor, e obviamente, podemos conjecturar o porquê, afinal tornamo-nos praticamente auto suficientes, e isso não convém nada, não gera capital. 
Não esqueçamos que o nosso corpo é uma máquina perfeita e maravilhosa, mas leiam sobre o assunto, sobre quem faz Auto Hemo-terapia e, sobretudo, ouçam os vídeos deste médico que sobretudo, queria tirar a dor e, se possível, curar. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Trabalho

Um problema que a maioria não resolveu ainda, e que muitos nem sequer deram conta dele.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Sucesso escolar garantido até ao 9ª ano!

Ainda a propósito do Prós e Contras sobre a violência na escola, uma professora terminou dizendo que falar sobre o assunto só faria aumentar a violência, como se tem vindo a verificar; mas eu pensei na altura, que muito provavelmente seriam casos que estavam a ser divulgados, estimulados exactamente pelos casos noticiados; finalmente, os professores desesperados compreendem que não estão sós nesta situação, que a violência na escola contra eles, está acontecer diariamente, por todo o lado, com muitos colegas. Isso deu-lhes a coragem para assumir agressões de que tinham vergonha, afinal, eles é que são os agentes de autoridade e se não conseguem exercê-la dentro da escola, o problema deve ser deles, certo? Incompetentes, despreparados, pusilâmines, fracos! 
E todos os dias, agora, leio relatos de professores que foram e são agredidos, que vêem a público, enviando testemunhos para o "Com Regras", um blogue sobre a educação de referência; os casos são muitos, de grande violência, seja de alunos, encarregados de educação, contra professores e auxiliares educativos.   
Alunos que entram tarde e saem da aula a meio porque alguém lhes telefona; a aluna que puxa o cabelo da professora porque apostou com a colega que o faria se tirasse negativa, o aluno que deu um soco no professor de 67 anos, com idade para ser seu avô, a mãe agressiva que invade a escola e para impedir o director de chamar a GNR, lhe destrói a roupa e agride, a professora que abortou, após um ataque na aula de uma E.E., a professora agredida a pontapé, soco e bofetadas por aluno de 7 anos com deficiência, durante um ano! ( está desde então on e off do trabalho, devido a depressão quase contínua);enfim, os casos são do mais variado que não se consiga imaginar! 
Portanto, os professores sentem-se sós, desamparados, e incompreendidos, e justamente. Estão atados de pés e mãos.

Os nossos profissionais são competentes e bem preparados, todavia a Escola está a ser feita como se todos os alunos fossem iguais, e não são; não têm todos a mesma origem, não têm todos a mesma capacidade, não têm todos o mesmo interesse. 
Colocar alunos com deficiências nas turmas regulares, para uma melhor integração é muito bonito, mas na prática não funciona, pois se faz às custas do resto da turma que é, frequentemente, relegada para segundo plano. Às custas dos professores que se desdobram para chegar a todos, pondo em risco a saúde (conseguem imaginar como isto é extenuante e frustrante?). 
Nem todos os alunos têm a mesma capacidade de aprendizagem, porém o Ministério quer agora aprovar, automaticamente, os alunos até ao 9º ano, como se as retenções, actualmente, não fossem já muito baixas e, e sim residuais (um termo tão caro ao M.E.!). 

Dizer que os alunos são diferentes, implica aceitar que os resultados serão diferentes, e portanto diferentes estratégias deverão ser utilizadas; mas prático, prático, é uniformizar o ensino, colocando todos os alunos no mesmo cesto, e aprovando-os compulsivamente.
Dizer que os alunos são diferentes, tornou-se quase uma obscenidade, a ideia da igualdade está a tornar-se tão entranhada no sistema que todos têm que atingir os mesmos objectivos, ou seja, alcançar a taxa de sucesso, que tanto alegra as estatísticas. 

Uniformizar o ensino pela via do facilitismo sai barato, e no fim de contas todas as políticas actuais são economicistas, mesmo as de esquerda. Pelo caminho, são trucidados os agentes da educação, mas enfim, alguém tem que pagar o preço do sucesso, ainda que este sucesso seja uma grande fraude!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

E foram felizes para sempre!

Uma mulher que sabe o que quer não possuí, por isso, a fórmula perfeita que garanta, automaticamente, a felicidade. Uma mulher que sabe o que quer tem também de saber que, frequentemente, o que quer, não é deste mundo. Pertence ao reino da fantasia.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Dica de leitura - A confissão da Leoa

 
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Este livro foi escolhido por mim, para o Duarte ler no 11º ano, dentre a numerosa lista do PNL. Como nunca tinha lido nada do Mia Couto, pareceu-me boa ideia, que ele lesse algo de um autor estrangeiro que escrevesse na nossa língua. O mesmo se aplicava a mim. O Duarte leu-o quase imediatamente a uma ritmo razoável, e para meu espanto, gostou! Entretanto, fui adiando a leitura até agora. 

Em resumo, os leões atacam uma aldeia esquecida pelo governo e por Deus, e um político local trata de arranjar um caçador, o último caçador, para resolver o assunto. Nessa aldeia, vive Mariamar, uma mulher com uma vida muito complexa, embora à partida nada o prenunciasse. Os dois estão ligados, e pelo diário de um e do outro, vamos acompanhando a história. 
O pano de fundo é a caça à leoa, mas na linha da frente deparamo-nos com as histórias dramáticas das várias mulheres da aldeia, reflectindo a sua posição na cultura africana patriarcal, sendo, declaradamente, inferiorizadas, dominadas e brutalizadas pelos homens.  

Dizem que quem viveu em África nunca a esquece, ficam eternamente enfeitiçados por ela, mas uma coisa que nunca perguntei a essas pessoas é se a compreendem. Porque eu tenho grande dificuldade em compreender aquilo tudo; é tão... diferente da nossa forma de pensar, viver, fazer as coisas, e sentir até! Parece-me um outro universo, que me deixa perplexa e em simultâneo amedrontada. É desconfortável. E algo mágico. 

A escrita de Mia Couto está alinhada com a história e a forma de ser africana. Igualmente diferente dos escritores nativos portugueses e até brasileiros. Por vezes, senti que tinha um pé na Europa outra em África. É estranho, mas talvez se entranhe, ainda não sei. Acho que vou precisar de mais. 

Título: A confissão da leoa
Autor: Mia Couto
Editora: Caminho
Nr. de págs : 270

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Por uma Escola mais forte!

Nos últimos dias têm sido publicadas sucessivas notícias sobre a violência na Escola. Inclusivamente, os alunos admitem-no, conforme este estudo do Projecto Violentometro, em que  90% dos mais de 11 mil alunos inquiridos assumem praticar violência psicológica, 70% violência física, 11% violência física grave, nomeadamente ameaças com armas, e 2% violência sexual. ( Via Com Regras)

Portanto, o que nas últimas semanas temos tomado conta é da dimensão crescente da violência contra professores e auxiliares de educação,  exercida não só pelos próprios alunos, sempre menores, mas também, encarregados de educação, que entrando ilicitamente nos recintos escolares, agridem os profissionais, por vezes, perante turmas inteiras de miúdos, a ponto de estes terem de receber tratamento hospitalar. Valença foi o último caso, quatro pessoas agredidas por pai e mãe, dentro e fora da escola, devido a uma mentira que a filha terá inventado.

Esta semana, foi notícia o contrário; sucedeu que um professor em Lisboa, terá agarrado um aluno pelo pescoço e empurrado a cabeça do mesmo contra a carteira, enquanto o agredia verbalmente. Foi imediatamente detido, suspenso de funções, e aguardará que a Justiça se pronuncie. 
Ninguém imaginará, por certo, que esta atitude "descontrolada" do professor foi originada por causa nenhuma; podemos bem, pelo contrário, supor que o comportamento do aluno ou até da turma, terão sido a origem do sucedido. Aparentemente, a questão deve-se ao telemóvel do aluno que este teimava em usar, e recusou entregar ao professor. 

Um professor deve manter a cabeça fria, em todas as situações, e tomar apenas as providências que a Lei lhe permite, e isto sabe ele  muito bem, mas quem conhece, minimamente, o estado das coisas nas Escolas, há-de compreender que perante a violência psicológica e física, a que os professores estão sujeitos diariamente, um ou outro professor perca o controle.

Esta decadência (não há outra palavra) do Ensino, deve-se aos Governos sucessivos que, persistentemente, têm tratado a classe docente com um claro desprezo, manifesto na progressão da carreira e falta de protecção. 
Um professor que começou a carreira há 10 anos, continua ao fim desse tempo no mesmo escalão, e consequentemente com o mesmo ordenado. Tem ainda de se obrigar a perambular pelo país para ficar colocado, sustentando, muitas vezes, duas casas, e abdicando da família; ou seja, praticamente paga para trabalhar e a sua vida privada fica em suspenso. 
A progressão da carreira da classe docente, está agora adstrita a uma quota reduzida, que não permite que todos os professores excelentes ou muito bons, por exemplo, possam receber justamente essa menção. Há três professores que merecem "excelente"? Não pode! Porque isso implica aumento de ordenado, e o M.E. não tem orçamento! Certamente que esta "disputa", pela evolução na profissão, deixa mazelas, como a frustração e forte sentimento de injustiça. E isto reflecte-se no espírito do docente, e na sua postura na Escola. 

Por outro lado, perante as sucessivas agressões a professores, o que faz o Ministério da Educação? Vem a terreiro condenar e exigir justiça? Assim de repente ninguém se lembra de nada disso, nem sequer de consequências para os agressores. Mas vejamos, houve alguém que se deu ao trabalho de procurar, e resumiu em alguns exemplos:
 
05/12/2013 - Um aluno, de 15 anos, frequentador do 7º ano do ensino básico, agrediu um professor numa sala de aulas da escola EB 2/3 Padre João Coelho Cabanita, em Loulé, provocando-lhe um golpe na cabeça que foi suturado com sete pontos.
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
05/04/2019 - aluno de 12 anos, agrediu professor de educação cívica, com 63 anos, a soco e pontapé quando este o impediu de jogar à bola dentro da sala de aula. Ao sair da sala comentou com os funcionários: “já lhe parti o focinho.
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
01/02/2012 - Um professor de Matemática de 61 anos deu entrada no Hospital de Vila Nova de Gaia, após ter sido agredido a murros e pontapés por alegados familiares de uma aluna do 6º ano que expulsara da aula.
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
28/02/2019 - Uma professora da Escola Básica da Torrinha, no Porto, foi agredida “a soco e pontapé” à porta do estabelecimento por uma encarregada de educação, revelou esta quinta-feira à Agência Lusa fonte da PSP.
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
24/09/2014 - Uma professora foi agredida em plena sala de aula pela mãe de um aluno, na manhã desta quarta-feira. Tudo aconteceu em Rossio ao Sul do Tejo, em Abrantes, e a docente teve de ser assistida no hospital devido aos ferimentos que sofreu.
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
08/12/2016 - Uma ocorrência na sala de aula acabou ontem com uma agressão da mãe de um aluno a uma professora no interior da escola básica do 2.º e 3.º ciclos André Soares, em Braga
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
09/05/2019 - Um aluno de 14 anos agrediu hoje uma professora e uma funcionária da EB 2,3 de Abação, em Guimarães, que sofreram ferimentos considerados “ligeiros”, disseram à Lusa fonte dos bombeiros e da GNR
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…
17/10/2019 - Dois professores e dois auxiliares da Escola Básica, 2,3 de Valença apresentaram, esta quinta-feira, no posto da GNR local queixa por agressão contra o pai de uma aluna.
Ministério não reagiu, ninguém foi preso…

Em suma, que célere foi a Justiça no caso do professor, e tão inerte tem sido no caso dos encarregados de educação e seus educandos. Justo seria que fossem tratados com a mesma rapidez.

Quando os criminosos sabem que podem agir impunemente, a tendência para que determinadas acções se produzam e reproduzem, multiplicam-se. Conclusão óbvia.

Os professores agredidos sentem-se desamparados e injustiçados, mais uma vez. Acresce ainda, um número invisível, e por isso desconhecido, de agressões que são abafadas e ignoradas pelas Direcções das Escolas, que teimando varrer para debaixo do tapete o problema, fingem que está tudo bem. A tutela gosta. A palavra de ordem é "pontual", que é como quem diz, nada de grave! Adiante...

Este professor estava a substituir uma colega, com um horário de 6 horas, ganhando algo como 300€. Não sei se é natural de Lisboa, deve ser, pois dizem que para os professores é impossível encontrar casa compatível com os vencimentos, sendo isto, também, explicação para as escolas sem professores. Terá este professor substituto?
Sabe-se já, que em breve, não teremos professores suficientes; e perante este quadro negro, compreende-se bem que ninguém queira exercer uma profissão, já de si, tão exigente e desgastante, quanto mais mal paga, nómada, e desrespeitada, pelo M.E. , sociedade e alunos.

A escola em vez de ser um lugar seguro para todos, está a tornar-se ela própria num foco de violência, graças ao desrespeito pela classe docente e, também, há que dizê-lo, pela falta de auxiliares educativos. Na Escola da minha filha, com 1600 alunos, há 26 funcionários! Só com muita força de vontade, civismo e a graça de Deus é que as coisas poderão correr bem! 

Enquanto pais é isto que queremos para os nossos filhos? Não queremos, antes, ver a classe docente respeitada com autoridade suficiente e reconhecida, para exigir comportamentos adequados aos alunos, no recinto escolar? 
O caos grassa em todos os setores da nossa sociedade, mas seria a partir daqui que as coisas poderiam mudar; é aqui, também, que se formam cidadãos. Mas para isso, a Escola tem de ser forte, e ao dizer "Escola" refiro-me não às suas paredes, mas a quem a faz, os professores. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O Impacto da Moda nos Jovens




Quando perguntei à Letícia se iria fazer greve pelo clima, respondeu-me que não, que tinha visto como as ruas ficavam depois das manifestações, e de como os jovens, em geral, que participam, depois continuam com as suas vidas de sempre. 

A Coerência do seu discurso tem ainda mais valor por estar em consonância com as decisões que a minha filha toma a cada dia; tornou-se vegana, e desde o principio do verão que está em boicote à fast fashion. Já sabia como funcionam as marcas que vendem roupa gira e barata, por falarmos destes assuntos cá em casa, mas entretanto viu vídeos e reportagens no YouTube e Netflix o que lhe deu a certeza de não querer continuar a alimentar um sistema capitalista selvagem, que enriquece continuamente os mais ricos do mundo, às custas da exploração dos mais pobres e do ambiente.

Não é um caminho fácil, ou então todos, ou muitos mais, o fariam; entrar na Zara em época de saldos e resistir a t-shirts que custam 2€ é uma provação diabólica. Felizmente, - eram todas feias, como ela disse a rir, quando lá fomos no Verão. 

Portanto, o que vestir? É a questão, quando quase tudo é feito em países sub-desenvolvidos, nos quais a exploração humana e desrespeito ambiental é normal. A solução está no "quase"; por sorte, vivemos numa região aonde abundam as fábricas têxteis e confecções, e por conseguinte, temos ofertas das lojas de fábrica, e ainda devido a isso, os excessos de encomendas de marcas internacionais, a serem vendidas em mercados e feiras.

Em segundo, temos cada vez mais lojas de roupas vintage, onde se compram peças fantásticas, sobretudo para quem gosta de vestir diferente dos outros; a confecção é de outros tempos, mas o preço, por regra, também.

Em terceiro, existe oferta em mercados biológicos e veganos de roupa feita em Portugal, que sabemos ser obtida dentro da observação da Lei, e da ética. Por outro lado, ajudamos pequenos negócios locais, pessoas que vivem como nós, não um dos senhores mais ricos do mundo. Somos fãs da "RespirAmor", que envia por correio, em envelopes que a própria Joana faz. 



Em quarto, há sempre peças de alguém na família que acumulou ao longo dos anos, que pode servir de fornecedor privado; no caso da Letícia sou eu. Começou a aparecer com uma peça ou outra minha, o que me regozijou, e depois fui eu a incentivá-la a procurar e até a sugerir-lhe algumas das minhas coisas. 

Em quinto, a reutilização é outra forma de consumir menos; existem pessoas que fazem festas de roupa; grupos de amigas que se juntam, cada uma leva um número de peças que trocam por igual quantidade. Há inclusivamente eventos que promovem estas trocas, como aquela no Museu Machado de Castro

A questão é que, actualmente, todos queremos saber de onde vem a nossa comida, como é produzida e por quem, porque isso tem um forte impacto no nosso corpo e saúde, e todavia não colocamos a mesma questão relativamente à roupa. Como são produzidos e obtidos os materiais, quem faz as roupas, e como são confeccionadas, são perguntas que devemos fazer. 
Comprar eticamente deve ser um conceito abrangente, e claro que a moda não pode ficar de fora, mas por outro lado, os jovens adoram a moda. 
O conhecimento liberta, e só quando a juventude tomar consciência que o planeta não comporta este consumo desenfreado de bens, e que beneficiam de privilégios às custas da saúde e bem-estar de outros, poderão mudar de atitude. Não creio que ficarão indiferentes ao facto de saber que vestem o que uma criança que deveria estar na escola, costurou. Ou que o algodão da t-shirt é obtido por mão de obra praticamente escrava. A nossa vaidade não pode estar acima da exploração de outrem.
 
Fazer paradas e greves não resolve nada. Estão a ser apenas iguais às gerações anteriores que tanto condenam. É urgente uma mudança de mentalidade e comportamento, e é isto que lhes falta.
 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

- Estás mais magro!


Eu não queria ser aquela mãe que olha para o filho, depois de menos de uma semana, fora de casa, e lhe diz: - Estás mais magro! Nem me passou pela cabeça ser. Mas o Duarte, já magro de si, precipitou-se para a balança e voltou com a novidade, que por acaso, até ganhei peso, mais umas gramas, não sei quê. 
Não queria ser aquela mãe, mas a balança não mente! 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Bolo de Chocolate Vegan

( lamento a qualidade da foto, é do telemóvel!)

Quando a Letícia se tornou vegan comecei por fazer dois bolos, um normal, outro mais pequeno para ela; mas ultimamente comecei a comer também dos vegan, de forma que me pareceu mais lógico fazer um bolo só, para toda a família. Portanto, este bolo tem que ser convincente, não apenas para nós as duas, mas para todos. Então, estou na busca do bolo perfeito de Chocolate, Cenoura, Maçã, Banana, etc. Acho, achamos, que encontrei o de chocolate. Foi para o aniversário da minha filha, e ela adorou!

 Encontrei no Youtube, numa pesquisa, mas infelizmente (e como me aborrece isso, pois as duas miúdas tinham receitas óptimas!) não guardei e agora não consigo encontrar o vídeo, pelo que não posso deixar os créditos.

Bolo de Chocolate Vegan

Ingredientes

2 colher de sopa de cacau
2 chávenas de farinha de trigo
3/4 de açúcar mascavado ou amarelo
1 pitada de sal
1 c.café de bicarbonato
meia chávena de óleo de girassol
1 colher de essência de baunilha
1colher de sopa de vinagre de maçã 
1 chávena de água

meia lata de leite de coco
80 gr de chocolate negro
1 colher de açúcar


Como fazer:
Numa taça, colocar os ingredientes secos e envolver. Acrescentar os líquidos, um a a um e envolver. Colocar numa forma untada e enfarinhada  e levar ao forno, a 180º, cerca de 20 minutos ( fazer teste do palito).

Para a cobertura - Derreter em banho-maria o chocolate, juntar o leite de coco e o açúcar, envolver tudo muito bem. Verter sobre o bolo e servir! 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Dica de leitura: "A saga de um pensador"

Via Wook

Marco Polo é um jovem estudante de medicina, que desde logo choca com a forma como os seus professores encaram os pacientes que estudam/tratam; não se conforma com o facto de os verem apenas como doentes, acreditando que por detrás de cada um há uma história que merece ser conhecida e reconhecida, para uma maior eficácia do tratamento. Quando conhece um sem-abrigo especial, toda a sua opinião se confirma, dando-lhe a pista do caminho a seguir em sua vida profissional, a Psiquiatria. Nesta área, vai continuar a questionar práticas estabelecidas, a provocar cisões entre profissionais conceituados, e estabelecer novas e revolucionárias práticas. 

Marco Polo é um aventureiro da mente humana, um descobridor de novos caminhos, um questionador do sistema, inclusive do farmacêutico. Tudo isto, produzido pela mente de Augusto Cury, autor conhecido, mas também ele próprio médico psiquiatra, numa espécie de projecção ficcional, ou talvez, desvelamento do seu alter-ego.

A escrita é simples, bastante linear, o que do ponto de vista literário a torna muito básica, porém apenas pela mensagem do livro, vale muito a pena. 

Título: A saga de um pensador
Autor: Augusto Cury
Nr. de pág. 320
Editora: 11 x 17

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Uma confusão propositada

A adolescência pode ser uma fase complicada, cheia de armadilhas a nível psicológico, o conhecimento do "eu", a procura do seu lugar no mundo, etc. , podem conduzir a supostas convicções que afinal se revelam incorrectas. Portanto, apoiar sim, mas sobretudo guiar, pois eles estão à descoberta e, com frequência, são facilmente influenciáveis e manipuláveis. Só um exemplo de alguém que conheço, que se identificou recentemente como "pansexual", quando não há ninguém que acredite que seja sequer homossexual, amigos próximos inclusive. Parece que a conversa girava em torno de algumas revelações pessoais, e esta bombástica ganhou o prémio de mais graduada.
Ser heterossexual está fora de moda, por isso, qualquer outra coisa! E no Youtube abundam relatos de YT a "saíram do armário", e pasme-se, passado pouco tempo a retratarem-se. Chamar os holofotes sobre si mesmo, também pode ser propositado. Há adolescentes que gostam. 

Parece que quanta mais informação se dá, maior é a confusão da parte das crianças e adolescentes. Há informação excessiva e extemporânea. Tudo tem o seu tempo e por esse tempo não estar a ser respeitado, a maturidade para entender e agir em consonância não estão alinhadas. E porém, querem dar aos adolescentes esse poder, aos 16 anos! 

Enfim, como já muito psicólogos disseram, a psicoterapia é sempre a primeira alternativa (que aliás dá resultados em altíssima percentagem), não irem a correr anunciar ao mundo o que pensam ser, ou levarem os pais a tribunal (como sugerido pelo BE)por não consentirem que façam mudança de sexo, ou pior ainda, conseguirem a autorização deles, para fazer cirurgia de transição. 
Tudo isto é muito radical, e os arrependimentos tardios são confessos em grande número, mas poderá ser mesmo tarde demais.  

Mais de metade dos adolescentes transgéneros já tentou o suicídio diz estudo

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Os homenzinhos da violência doméstica

Não se percebe esta raiva que os homens têm às mulheres. Pode ser machismo, vaidade feridos, pode ser prova pública de macho que não deixa barato, pode ser qualquer coisa que explique esta mentalidade do cavernícula "crime de honra". E no fim de contas, isso não interessa nada. Matam as mulheres e deixam órfãos, mesmos os próprios filhos. 
Eu acho-os pequeninos, estes homenzinhos que não cresceram emocionalmente e não conseguem entender que a mulheres têm direito de dizer: não quero mais, chega, já não gosto de ti, ou que se fartam de ser sacos de pancada. 
São patéticos, não porque as mulheres os deixam, os abandonam, se separam deles, mas sim por reagirem como crianças mimadas a quem tiram o brinquedo. Arremessam-se ao chão e fazem birra, enquanto não os deixarem terminar a brincadeira. 
Cresçam! Ou desapareçam!

 Violência doméstica: uma epidemia europeia

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Fora do ninho

Desde o momento em que nos cortam o cordão umbilical que cada dia nos separa dos nossos filhos. Aquele corte foi de alegria, foi celebrado, e será todos os anos recordado. Mas de todas as próximas vezes que sentimos o cordão a ser cortado, houve um pesar crescente, mesclado com a alegria da autonomia das nossas crias. 
Cada passo nos prepara para um afastamento maior, e ainda bem que assim é, a sensação de desapego necessita que o processo se faça lentamente, para ser seguro, de parte a parte. 
Porém, com a entrada na Universidade, quando isso implica saída de casa, a sensação do corte umbilical é maior do que nunca; desaparecem objectos, roupas, sinais de presença, como a desarrumação dos quartos, o silêncio que não é quebrado pela voz trovejante "mãe! cheguei!". Um lugar a menos na mesa, uma comida que não se faz, porque se cozinhava particularmente para ele; e o ignorar como lhe está a correr o dia, se comeu bem, se acordou a horas, o que vestiu e se estava agasalhado para as manhãs frescas. Tudo sai do nosso controle, ou quase tudo, pois graças às novas tecnologias ouvimos, falamos e até vemos, muito do que há distância se passa. E isso, felizmente, aproxima-nos e atenua a ausência, mitigando a saudade. 

Foi só no domingo que o Duarte saiu de casa, mas a dinâmica familiar já mudou. A casa já não é a mesma. Eu já não me sinto a mesma. Falta-me. 
Talvez digam que sou mãe-galinha, mas creio que a maioria das mães portuguesas há-de alinhar comigo, quando digo que esta etapa é agridoce; é a prova de fogo da independência, mas também é a presença pesada da ausência. 
Ele, dizem-me, vai crescer e amadurecer; esta experiência vai mudá-lo, preparando-o para uma vida autónoma; mas ninguém me disse que isto dava para duas direcções; eu também vou crescer com ela. E quero crer que nesse processo de amadurecimento, nos encontraremos novamente, algures. 

Quando vos disserem que o tempo voa, relativamente aos vossos filhos, acreditem! E aproveitem, desfrutem ao máximo da presença deles. Eu acreditei, e desfrutei, portanto, esse arrependimento não sinto, contudo, não implica que não tenha sentido o tempo voar. Parece que foi ontem que nasceu... 

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Uma carta emocionante

 

As colocações para a Universidade saíram no sábado; estávamos ainda a queimar os últimos cartuchos das férias, em Amesterdão. Soubemos à noite onde o Duarte ficou colocado, mais longe de casa do que supúnhamos, e imediatamente as emoções e pensamentos começaram a fluir. Há imensos aspectos a considerar. E simultaneamente, a Letícia chama-me a atenção ( foi, aliás, por aí que soubemos das colocações, que só estavam previstas para hoje), das reacções no FB. Tive que ir ler para crer. Muitas mães estavam a comunicar por essa rede social as colocações dos filhos, e mais ainda, com grandes cartas emocionantes dirigidas a eles, onde expressavam grande orgulho e muito amor. Fiquei algo estupefacta. 

A entrada na Universidade de um filho é realmente importante, mas por outro lado, faz parte do curso da vida; no que me concerne, não é algo extraordinário, é apenas outra fase. É sem dúvida o início de outro patamar, e frequentemente sem retorno, dado que a partir daí a entrada na vida adulta se começa a fazer a solo; entrada no mercado de trabalho que pode implicar distância da casa familiar, e encontro com o amor, que pode igualmente implicar outras paragens geográficas. Porém, a quem interessa isto? Apenas a nós, pais, e a eles, filhos. 

Escrever "cartas" emotivas no FB não é para os filhos. Há que tempos eles migraram para o Instagram, onde as palavras escasseiam e as imagens dizem tudo o que querem. Escrever amorosas cartas no FB é para os outros, os tais 500 amigos que nem se conhecem, para a recolha de likes e corações, e talvez alguma carta se torne viral, pela comunhão de sentimentalismos, num afago do ego que a autora busca despudoradamente. 
Não há limites entre o privado e o público. A devassa de sentimentos faz-se voluntária e alegremente. 
Não resisti e fiz esse post, no FB, cuja imagem ilustra este post do blogue. Não pretendia "parabéns", somente parodiar esta situação.

Sinceramente, a minha reacção, para além de uma ligeira dor de barriga, foi abraçar o meu filho e dizer-lhe que isto me tinha deixado um pouco nervosa e inquieta; ele retribuiu os sentimentos, o que me parece igualmente sadio e natural, e nesse encontro e partilha de emoções e apreensões, confortamo-nos mutuamente. 
A carta, sem dúvida que a escreverei, como tenho escrito outras coisas, mas apenas para ele. E tenho a certeza que o Duarte a lerá e guardará cuidadosamente, como tem guardado essas outras coisas, ao longo dos anos. E será apenas nosso.