terça-feira, 6 de agosto de 2019

Como chatear o seu adolescente:

😝
1. Dizer "bom-dia"
2. Cantar qualquer canção dos anos 80
3. Dizer "amo-te" em público
4. Fazer-lhe tags nas Redes Sociais
5. Respirar


Autoria anónima. Milhões de mães poderão reclamá-la.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Regresso às aulas? Calma com o andor!



Esta semana já vimos num supermercado o material de regresso às aulas. A Letícia ia tendo um fanico, ainda no dia 23 fez o último exame, mal sentiu o cheiro a férias, e já tem que levar à frente com a Escola? Entretanto, também já viu alguns vídeos de youtubers a fazerem a série de "regresso às aulas", o que a indignou mais ainda. Estamos a um de Agosto! A meio das férias. 

Parece que os supermercados receiam que as famílias despendam todo o dinheiro nas férias, e não lhes sobre nada para o material escolar, agora que os manuais são oferta do governo. 

Na verdade, este regresso às aulas tornou-se numa grande negociata; para além dos manuais, o material escolar, que a maior parte dos alunos parece comprar de novo, mesmo não precisando de substituição, a começar na mochila e a terminar na borracha, há também a roupa nova para o primeiro dia, e sapatilhas a condizer. O regresso às aulas tornou-se numa espécie de "rentrée" formal e cerimoniosa. Que sai bem caro aos pais, e muito mais do que deveria. 

Tanto se fala do consumismo exacerbado, de que o planeta não aguenta estes hábitos de consumo, que já estamos a consumir por conta do próximo ano, e todos se comovem, e os alunos fazem greve, e os alunos manifestam-se, e porém, este tipo de comportamento não é sequer questionado, como se nada tivesse a ver.  

Deveria chegar, regressar à Escola com a cabeça fresca e disposição para aprender; vontade de crescer e contribuir para um mundo melhor. Fazer melhor do que as gerações anteriores, e não continuar na mesma linha. 
Mas afinal para que servem as férias?

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Bolo de Cenoura Vegetariano


É um bolo rápido e simples de fazer, mas muito saboroso. Fica pequeno, porém para duas pessoas, que é o caso cá em casa, dá perfeitamente, até para diversas vezes, pois sendo consistente, cada fatia acaba por satisfazer plenamente. 


Bolo de Cenoura Vegetariano

Ingredientes;
Uma cenoura grande e crua
100 gr de farinha com fermento
50 gr de açúcar amarelo
3 colheres de sopa de óleo de girassol
Meia chávena de bebida vegetal ( aveia)
Uma colher de chá de canela em pó
Uma mão cheia de sultanas
Uma mão cheia de pepitas de chocolate negro


Como fazer:
Ralar a cenoura no processador de cozinha, e juntar-lhe o açúcar, envolvendo bem. Acrescentar a canela, o óleo, as sultanas, pepitas de chocolate e voltar a envolver tudo. Juntar a bebida vegetal e a farinha, bater novamente ( se precisar de mais bebida vegetal, acrescentar mais um pouco) e levar ao forno em forma untada e enfarinhada, até cozer. 

Fiz uma cobertura de chocolate com uma tira dissolvida num pouquinho de água no micro-ondas. É que chocolate combina mais que bem com bolo de cenoura

 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Dica da leitura: Um anjo falou comigo

Via
Encontrei este livro num alfarrabista, na Feira do Livro de Braga; já tinha escolhido outros de antemão, mas perante a profusão daquele stand, pedi em pensamento, que me viesse parar às mãos o livro que eu precisasse de ler neste momento. E foi este. 
Estou numa fase crescente de espiritualidade, portanto, ler sobre os anjos faz sentido. Desde pequena que tenho o hábito de rezar ao Anjo da guarda, e incuti o mesmo ritual aos meus filhos. Até aqui, tudo muito banal, comum a tantas pessoas! Todavia, já tive momentos na minha vida em que senti verdadeiramente que algo invisível me protegeu. Mas também isto, seja, afinal, muito mais comum do que à partida se pensaria.

As histórias são realmente inspiradoras, espantosas e muitas vezes inexplicáveis, e poderão dar esperança e ânimo a quem estiver a passar por momentos menos bons; aos outros, certamente que inspirará de formas pessoais e únicas. Afinal, os anjos revelam-se de inúmeras formas, basta ficarmos atentos. E ficar atenta é um jogo que, definitivamente, eu quero fazer.

Vou transcrever umas linhas, que me disseram muito:
" Poucas pessoas teriam a coragem de negar que os arco-íris inspiram veneração, mas, se tirar um tempo para fazer uma pausa e observar, existe uma grande beleza e fascínio no mundo natural. Desde as quedas-de-água aos pores-do-Sol, desde as teias de aranha às gotas de orvalho, existem maneiras ilimitadas dos anjos se revelarem diante de nós. Na verdade, tudo o que inspire sentimentos de reverência e fascínio em si pode ser um veículo para os seres celestiais comunicarem a sua presença afectuosa. " 

Título: Um Anjo Falou Comigo
Autora: Theresa Cheung
Editora: Planeta
Nr. de pág. 239

segunda-feira, 22 de julho de 2019

- O meu filho não gosta de ler

De vez em quando alguma mãe comenta comigo que o filho não gosta de ler. Todas sabem que a leitura é importante, que ajuda a escrever melhor, a não dar erros ortográficos e sintácticos, que alarga os horizontes, alimenta a imaginação, e etc., e portanto, não conseguem convencê-los a pegar num livro, e ler. 

Posso dizer, por experiência própria, que mesmo tendo feito da leitura uma actividade desde a tenra infância, e a promovido ciclo após ciclo, essa também poderia ser uma queixa minha. Relativamente à Letícia, a leitura foi sempre uma constante, com períodos mais ou menos intensos de leitura, a minha intervenção resumiu-se a eventuais dicas de livros. E isso deu frutos, na disciplina de Português. Porém, em relação ao meu filho... isso já são outros quinhentos. 
A entrada na adolescência arrumou com as colecções que proporcionavam livro após livro, como os "Gerónimo Stillton", surgiu depois o "Diário de um Banana", mas que pelos escassos números depressa foi arrumada. Vieram os mangas, que pelo preço de um qualquer livro, o meu filho lia de rajada em duas horas (muito desenho e parca leitura), e entretanto, um livro ou outro com mais sumo. As sociedades distópicas sempre foram do seu agrado, por isso "1984" e "O admirável mundo novo" , foram leituras feitas num ápice, entrecortadas por outras leituras que eu lhe "impingia", essas feitas a grande custo, e por isso, bastante demoradas! 
No final do 10º ano, obriguei-o mesmo a ler "Os Maias", nas férias de Verão, por ser leitura obrigatório no 11º mas também por ser um dos meus livros favoritos, e me custar acreditar que o Duarte não gostaria. Não, não foi nenhum abuso! Na verdade, após as primeiras 50 páginas, começou a gostar realmente do livro. Ainda hoje me cita passagens e frases. A Letícia fez o mesmo, no ano passado, e com ela resultou bem, de igual forma. No início do ano lectivo, constatou que foi a única da turma que leu Os Maias e isso trouxe-lhe dividendos.

Voltando ao Duarte, o que fui constatando é que o desafio estava em descobrir livros do seu agrado; assim que isso acontecia, ele tornava-se um leitor voraz. Actualmente, descobri a colecção "The witch" de 5 livros, cada um com um título diferente, que o está a agarrar. A impressão inicial foi desde logo positiva, por ser inspirado num jogo ( ou foi o jogo que se inspirou nos livros?), e ele já o ter jogado. Uma das coisas boas em ter os filhos a ler, é que nesse tempo estão afastados no computador, ironicamente, aqui o benefício veio precisamente de ter estado no computador!

Portanto, quando alguma mãe me afirma que o filho não gosta de ler, a pergunta que lhe faço de seguida é - mas nunca gostou de ler mesmo nenhum livro? E a resposta tem sido sempre que sim, e até me contam qual ou quais. Ou seja, a questão é mesmo descobrir "o livro"! Então, a minha proposta é dar-lhes oportunidade de descobrirem os livros que lhes interessam, e tanto pode ser passear por livrarias, como levá-los a bibliotecas. As livrarias podem ser óptimas para pesquisar, e posteriormente, levantar em bibliotecas, pois com as férias grandes, não há carteira que aguente. 

Em suma, nunca desistir de promover a leitura com o fatídico " O meu filho não gosta de ler", há sempre esperança, e certamente haverá sempre um livro que se irá destacar, por estar de acordo com o gosto de cada um.

terça-feira, 9 de julho de 2019

6 Documentários Que Vale a Pena Ver


Actualmente prefiro documentários a filmes. Talvez seja tendência porque saem a uma rapidez maior do que nunca, e só gravando vou conseguindo vê-los. Muito interessantes, diversificados e reais. E sobretudo, muito bem produzidos.

A Pintora da Rainha - RTP2
Nascida em França no séc. XVII, Madamme Vigé Le Brun, foi uma retratista famosa, que conviveu com a elite europeia. O seu talento revelou-se cedo, aquando da morte do pai. Obrigada a tornar-se o sustento da família, tinha 14 anos, e depressa adquiriu uma clientela rica e aristocrática, até chegar a pintar a rainha Maria Antonieta. Casou, teve uma filha, proporcionava festas memoráveis, e o seu salão era frequentado pelos intelectuais e elite. Até à Revolução, quando a sua proximidade à corte francesa a fez temer o pior e fugir para Itália, num exílio que duraria 13 anos, e durante o qual viveria em Viena e S.Petersburgo. Morreu com 86 anos, pintou mais de 660 quadros. 
Este documentário de 2 episódios, baseia-se nas suas memórias, e revela-nos uma mulher extraordinária, em talento e autonomia. Uma lançadora de tendências, uma referência artística e alguém incrivelmente carismático. 

Três cidades à Conquista do Mundo - RTP2
Três episódios para a história de 3 cidades: Amesterdão, Londres e Nova York. Desde a fundação, e de como no decorrer dos séculos, se tornaram em centros comerciais prósperos e basicamente, centros do mundo. Muito interessante, até mesmo do ponto de vista turístico, para quem pretende visitar estas cidades.

Aquela que vai mudar o mundo - RTP2
Este documentário de 3 episódios, dedica-se a relatar a construção de 3 estradas, em três países, Namíbia, China e índia, em localidades muito remotas e isoladas. A construção destas estradas, que visam tirar do isoladamente estas populações, são feitas pela força de vontade dos cidadãos. Vão permitir que o camião passe para construir poços, e que assim as pessoas deixem de se abastecer em charcos que provocam doenças; vão permitir que as pessoas possam ir aos hospitais quando estão doentes, e que se abasteçam de alimentos e outros bens. 
Para nós, as estradas são tão básicas e abundantes, que realmente não pensamos no impacto directo que têm nas vidas das pessoas. 

Cyborgs entre nós RTP3
A tecnologia está a desenvolver-se de forma acelerada e a integrar-se nos nossos corpos. Há já quem tenha pernas biónicas, por exemplo, para substituir as suas, mas estamos a entrar num ponto em que as pessoas começam a ponderar anexar ao seu corpo tecnologias que nunca fizeram parte dele, para o tornar mais eficiente. Um chip na pele, para evitar carregar cartões, justifica? As questões éticas que se levantam são muitas e abordadas neste filme. Estamos prestes a tornar-nos em cyborges? Estará a nossa humanidade está em risco?

Jack London - Aventura Americana RTP2
Este famoso autor americano do SEC.XX teve uma vida conturbada, muito interessante e surpreendente. Por vezes, mesmo quando tudo parece contra nós, o sucesso é alcançável. Uma biografia muito inspiradora. 

Chambord 1519 - 2019: O Renascimento RTP2
Construído no Séc.XVI por Francisco I, este palácio é um dos monumentos mais importantes do vale de Loire. A sua manutenção custa 24 milhões de euros por ano, quantia essa que vem da receita dos bilhetes, de mecenas e do ministério da Cultura. Porém, o Estado francês quer que Chambord se torne autónomo em 2020. Como o palácio precisa de reparos constantes, devido à sua pedra frágil, o calcário, a direcção procura constantemente formas de rentabilizar o castelo, com concertos, exposições, visitas guiadas e animadas, e nomeadamente a recriação da vinha e o Jardim originais, que aliás trouxeram dividendos extraordinários. Visitar o Palácio é deveras interessante ( é aqui que está a famosa escada dupla, atribuídas a Da Vinci), mas conhecer os bastidores complementa excepcionalmente a visita.


quarta-feira, 3 de julho de 2019

O Dia Em Que a Gaiola Ficou Aberta - foi um dia de susto

O passarinho já tinha nascido em cativeiro, portanto, a gaiola era a sua casa, nem sequer se lembrava de outra. Por vezes, sentia-se triste, não sabia exactamente o que lhe faltava, porque comida e água lhe eram oferecidas diariamente, mas ainda assim... 
Saltitava pelo espaço, mal estendendo as asas, cantava, ora melodias alegres, ora mais tristes, comia, dormia, numa existência repetitiva dia após dia.

Uma manhã, a porta da gaiola ficou aberta e o passarinho viu-a. Aproximou-se dela e instintivamente saiu, voando desajeitadamente, e pousou no móvel mais próximo. Olhou de fora a sua casa, pela primeira vez. Pareceu-lhe realmente pequena, quando agora que olhava em redor, tudo lhe parecia engrandecido. E nesse momento em que avaliava o seu entorno, viu que a porta da varanda estava também aberta, escancarada para uma cor azul, com pinceladas de branco. Vinha daí uma aragem fresca, que lhe fez abanar um pouquinho as penas delicadas. Era uma sensação convidativa, e por isso, o Passarinho, não hesitou em lançar-se no segundo voo, pousando-se no candeeiro do tecto. 

Ó, como era fresco aquele ar do lado de lá! E as cores vibrantes moviam-se, numa dança esfuziante e hipnótica. Mas ele tinha medo. Na sua gaiola sabia com o que contar, estava seguro, apesar de até já ter sentido alguns sustos, como daquela vez em que o seu canto imprevisto incomodou alguém já aborrecido, dando um abanão súbito à gaiola. Mas ainda assim...

Olhou para a gaiola, e olhou para fora. O lar, e o mundo. O conhecido e o desconhecido. E quase sem pensar, como se o seu pequeno corpo tomasse o comando, voou novamente, para o segundo candeeiro do tecto que ficava ainda mais perto da porta. Tremeu de emoção, excitação e temor. O vento abanava-lhe agora as penas com mais força, como que o incitando à libertação, num frenesim exterior que bem poderia reflectir a sua alma.
Algo o fez olhar subitamente para um par de olhos atentos, que o observava silenciosamente. Enroscado no sofá, o Gato tinha levantado somente a cabeça, e olhava-o expectante. O Passarinho conhecia-o, já lhe tinha causado também alguns sustos, inquietou-se por isso, mas também sabia que agora o Gato não o podia alcançar. Simplesmente sabia. O que ignorava é que ao Gato nem lhe passava pela cabeça apanhá-lo; num mantra silencioso, repetia : Vai, voa! Aproveita a porta aberta, sê livre!

Claro que os gatos não pensam, mas sentem, e sentir é também uma forma de pensar, dado que tantas vezes, agimos impulsionados pelos sentimentos. E claro que os animais não comunicam telepaticamente, e porém, o Passarinho, como que ouvindo o conselho do Gato, olhou novamente para o exterior. 
Toda a sua vida aprisionado, confinado a um espaço diminuto, e agora tinha a oportunidade de ser livre, de ser um habitante do mundo!

- Vai, seu tolo! Não hesites! Continuava o Gato - Tem cuidado, não baixes a guarda, mas vai viver a vida de um animal livre. A tua vida!
Como que desistindo, o Gato baixou novamente a sua cabeça, pousando-a nas patas dianteiras, mantendo o seu olhar, sempre fixo, no Passarinho; a vida pode dar-te oportunidades, mas só tu as poderás aproveitar. 

A tremelicar, o Passarinho abriu as asas lentamente... 


Conto dedicado a todos os "passarinhos" que estão à porta da gaiola.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Quando a mãe perde a paciência...

#geoengenharia #lítio #exploraçãoLítio #Portugal #carroseléctricos  #petróleo #mundo #humanidade #ambiente #pesticidas  #política...

terça-feira, 25 de junho de 2019

Fale francamente!


Há uns tempos, ouvi na cabeleireira uma cliente afirmar alto e bom som, como respondia ao filho, quando ele reclamava dela o sobrecarregar com algum trabalho; dizia: - Estás a ser meu criado? Eu também fui criada da minha mãe, e um dia, vais ser tu a ter criados, quando fores pai. É a lei da vida! 
Parece que agora ela já nem precisa de o recordar com esta lenga-lenga, quando o miúdo se descaí em queixumes, ele própria conclui: já sei, mãe, é a lei da vida...! E contava tudo isto com a satisfação imensa de quem tinha descoberto a fórmula triunfante.

Aquela conversa mexeu comigo, e palavra que me controlei bastante para não interferir e acho que realmente, só o fiz porque, não conheço essa senhora, ela não falava comigo, e principalmente porque ela estava cheia de pressa, e praticamente falou sem dar hipótese de alguém retorquir. 

Todo o trabalho que se faz em casa, é feito para todos, e por isso todos devem participar; quem vive em comunidade, deve contribuir para a comunidade, e a família é o primeiro núcleo onde se aprende esta lição. Bastava ela perguntar ao filho se não acha que ela, enquanto mãe, faz muito mais do que ele, para o miúdo entender. Porque as crianças têm um sentido de justiça apuradíssimo, e um alto nível  de compreensão, quando as coisas lhes são explicadas com lógica. 
Da forma como lhe respondeu, convenceu o filho pela força, imposição e lei do mais velho/mais forte; um dia caberá a ele colher os frutos do seu estatuto. A não ser que este miúdo seja mais inteligente e crítico do que a mãe. 

Frequentemente, os pais se queixam da rebeldia dos filhos, perante determinadas situações; que não acatam, que mentem, que enganam, que se esquivam, enfim, se revoltam, umas vezes frontalmente, outras ( conforme o medo), sorrateiramente. Aqui está a chave desse desajuste - comunicação incorrecta. Quando as conversas entre pais e filhos não têm um fio condutor ancorado na coerência, na frontalidade e sinceridade, as falhas surgem. O ressentimento e desconfiança nascem, e de ambas as partes a comunicação começa a fazer-se de forma retorcida. 

Para mim, a equação é simples: falar aos filhos, com o respeito com que falaria, como se adultos fossem. Com sinceridade e coerência; só se não houver justiça, o filho se rebelará. 
Tive a bênção de sentir esta intuição quase logo a ser mãe, e hoje com o filho mais velho com 18 anos, posso afirmar convictamente que esta é, de facto, a fórmula triunfante para uma comunicação  saudável e eficiente.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

"Os Ricos" - Dica de leitura

Via

Licenciada em Filosofia, doutorada em Sociologia, professora e investigadora, Maria Filomena Mónica não é um nome estranho, mesmo para quem nunca leu nada da sua autoria, devido a ocasionais participações na televisão. Já tinha lido dela um outro livro, há vários anos, cujo título não lembro, mas cujas impressões me ficaram até hoje, inclusivamente frases que cito ainda. Portanto, não esperava uma narrativa ficcional ou romanceada, mas uma espécie de estudo sobre os ricos portugueses, que escolhi por mera curiosidade.

Não direi que a escrita da Maria Filomena Mónica seja perfeita, encontrei algumas frases rebuscadas que procurando explicar situações se emaranhavam de forma pouco esclarecedora. Em abono da verdade, as situações rebuscadas também foram frequentes nas histórias investigadas e partilhadas. 
Portanto, gostei muito de ler o livro, não apenas porque conta como as grandes fortunas se fizeram ao longo da história ( nem sempre legítimas, mas por vezes de árduo trabalho, e sempre com empenho e ambição), mas por essa cronologia implicar referências históricas, que é um ponto que me seduz assazmente. 

Aquelas famílias que todos conhecemos, devido aos sobrenomes sonantes, fizeram fortuna há séculos, e passaram-na às gerações actuais, mas também há quem a fosse perdendo, e outros novos que a foram fazendo mais recentemente. Estes meandros que nos são alheios, foram deslindados pela autora, com recursos diversos, e aportam uma visão mais aprofundada, privilegiada, para quem tiver interesse nestes assuntos. 
No global, pareceu-me um tipo de leitura fascinante. 

Título: "Os Ricos"
Autora:  Maria Filomena Mónica
Editora: Esfera dos Livros
Nr de pág. 294

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Com os Cravos Nos Olhos

Não segui na televisão as Comemorações do 10 de Junho, e por isso não ouvi o discurso de João Miguel Tavares, presidente das Comemorações do 10 de Junho em Portalegre, mas ainda no mesmo dia li nas redes sociais diferentes apreciações; a maioria elogiava, alguns outros invectivavam-no de populista, mas definitivamente, foi o epíteto "discurso salazarento" que me exortou a ler. 

Confesso que nem sequer conhecia o senhor; não vejo "O Governo Sombra", nem leio a sua crónica no jornal, e portanto ignorava que é formado em Economia e professor universitário. Continuo sem saber se partidariamente, se coloca à esquerda ou à direita. Aliás, ele mesmo diz, que não lhe importa a que partidos pertençam os políticos, apenas espera que sejam íntegros e competentes.
O seu discurso foi bastante pessoal, para se dar como exemplo de uma família que geração após geração consegue progredir na vida, ao contrário do que agora sucede, pois já não se trata apenas de ter oportunidades de estudo, mas de ter cunhas para encontrar empregos bem remunerados. 

Acusam-no de mencionar temas queridos da direita, como os incêndios, e a família, mas quanto a mim, qualquer pessoa de bom senso e com o coração a bater no sítio certo, sente os temas da mesma forma. Porém, não deixa de tocar no tema Educação, esse querido pela esquerda, num panegírico à escola pública. E fez muito bem. 

O seu longo discurso foi frontal e assertivo, e por isso a corrupção e a avaliação da classe política não ficaram de fora. Certamente que esta avaliação ressoa no povo, e o aval deste confirma para os melindrados, que o discurso é populista. Ora, segundo o Priberam, por Populismo entende-se que seja a doutrina ou pratica política que procura obter o apoio popular através de medidas, que aparentemente, são favoráveis às massas. 
Sendo as massas a faixa populacional mais numerosa, torna-se num estado democrático, automaticamente a maioria, e quando a maioria quer algo, elege os políticos que se lhe propõem a pôr em prática as tais medidas que lhes são favoráveis. É assim que funciona o sistema!

Populismo tornou-se uma das palavras censuradas para os promotores do politicamente correcto, e efectivamente, o discurso de João Miguel Tavares não encaixa no politicamente correcto, e por isso mesmo tanto ofendeu os seus defensores. Quando os discursos não seguem esta linha delimitadora, dizem-se coisas que sendo verdadeiras, são constrangedoras. Para alguns.   
Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas.

"populismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/populismo [consultado em 12-06-2019].
 Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas.

"populismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/populismo [consultado em 12-06-2019].
 Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas.

"populismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/populismo [consultado em 12-06-2019].

Contudo, se um capitão de Abril afirmar, com todas as palavras, que Precisamos de um homem com a inteligência e honestidade de Salazar, ninguém ousará acusá-lo de populista ou salazarento!

O povo português está cansado e farto da corrupção, da incompetência política, e da brandura da Justiça, para com os criminosos de colarinho branco. Já não suporta os impostos, a dívida crescente do país, por saber que se deve à negligência e desonestidade política. Constatar isto não é populismo, é olhar de frente um problema gigante, que o povo quer resolvido. Se querem varre-lo para debaixo do tapete, senhores políticos e comentadores de serviço, façam-no. Veremos até quando.


Vídeo do Discurso de 10 de Junho de  João Miguel Tavares 

Discurso de 10 de Junho de João Miguel Tavares



sexta-feira, 7 de junho de 2019

Arroz de Espargos e Cogumelos


Recentemente, fomos a uma Primeira Comunhão em que os familiares tiveram o cuidado de pedirem para mim, e para a Letícia um prato vegetariano. Sendo um restaurante alentejano tradicional, sinceramente, estávamos na baixa expectativa do que sairia dali. E todavia, a simplicidade de um arroz de espargos selvagens e cogumelos, conquistou-nos. 
Resolvi recriar a receita em casa, adivinhando os passos, e saiu lindamente. 


Arroz de Espargos e Cogumelos

Ingredientes:
Um molho de espargos
2 dl de arroz carolino
8 cogumelos Paris
Uma cebola 
Um dente de alho
3,5 dl de Caldo de legumes
1/4 de pacote de natas vegetais
Sal, pimenta e azeite q.b.

Como fazer:
Cozer os espargos 4 minutos, escorrer e cortar com mais ou menos 5 cm. Reservar. 
Picar a cebola e saltear em azeite; estando já com alguma cor, juntar o dente de alho picadinho e deixar cozinhar mais um pouco. Acrescentar os cogumelos fatiados, e deixar refogar alguns minutos, mexendo cuidadosamente. Quando os cogumelos começarem a amolecer, juntar o caldo de legumes, o arroz e os espargos; temperar com sal e pimenta e envolver. Deixar cozer até metade do líquido desaparecer. Nesse ponto, acrescentar as natas vegetais, e envolver, deixando terminar de cozer.
Querendo o arroz mais liquido, basta acrescentar mais caldo de legumes e natas vegetais. 

quarta-feira, 5 de junho de 2019

O Poder da Luz

Jibóia (Scindapsus aureum)

De acordo com este artigo, esta é uma das plantas que segundo a Nasa, purificam o ar da casa; uma trepadeira que deveria crescer para baixo. E portanto, tendo o quarto-de-banho uma clarabóia, não há gravidade que a leve a deixar-se cair.  

segunda-feira, 3 de junho de 2019

As Verónicas

Verónica errou, quando há dez anos fez vídeos de teor sexual para enviar ao namorado. Tinha 22 anos. Depois, parece que voltou a fazê-lo, com outro namorado. 
Errou porque transmitiu a posse de imagens privadas para outra pessoa. Porque já deveria saber que este tipo de conteúdo é petisco viral na Internet.

E assim foi; os vídeos começaram a circular por entre os colegas da empresa em que Verónica trabalhava, calculando-se que cerca de 2.500 pessoas o terão visto e repassado.
Verónica começou a ser perseguida no seu posto de trabalho, por colegas que iam propositadamente perto dela, para lhe fazer comentários jocosos. 

Agora com 32 anos, casada e mãe de dois filhos de quatro anos e outro de nove meses, não aguentou a pressão da humilhação e vergonha e suicidou-se. Não sem antes, ter sido sujeita a chantagem por parte de um ex-colega, com quem terá tido um caso. 

Verónica não era santa, era uma mulher jovem, com desejos e emoções naturais e próprios da idade. Porém, errou quando decidiu gravar e enviar esses vídeos íntimos e pessoais. Porque o mundo, está repleto de canalhas, que sendo tudo menos santos, se colocam em pedestais judiciários e não perdoam as falhas dos outros. E não refiro apenas os colegas da empresa, os comentários que li na notícia, deixaram-me desolada; não havia empatia, compreensão, compaixão. Ninguém se colocou no lugar da Verónica, que deve ter sentido um desespero tão avassalador, que a levou a esquecer que tinha filhos a precisar dela. Ninguém se colocou no lugar dos filhos, tão pequeninos, que perderam a mãe. Ninguém pensou no marido e família, que estão a sofrer, não apenas com os vídeos, mas agora com a perda de quem amavam. 
Ninguém se pôs no papel imaginário, de quem tem uma filha, uma sobrinha, uma neta, uma prima, que possa cometer o mesmo erro. 
Foram todos juízes frios e distantes de algo que acontece e voltará a acontecer. Porque as Verónicas são sempre filhas de alguém, e amadas pelas suas famílias. E por muito óbvio que nos pareça que é um erro fatal, elas vão continuar a fazê-lo. E este sofrimento todo, vai repetir-se, não se sabendo a quem calhará vivenciá-lo.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Férias em Malta



Estava na minha lista há vários anos, e por um motivo e outro, destino adiado até estas férias de Páscoa. Um contra era o calor, outro o pouco interessante em termos históricos, segundo alguns. Relativamente ao calor, resolveu-se evitando o Verão, e de facto nessa estação o calor deve ser insuportável, considerando também a falta de árvores, e as que há, sendo muito baixas. Quanto à História... como ousam?! 

Habitada desde 5200 a.C., durante o Neolítico, existiu nas ilhas uma civilização pré-histórica significativa antes da chegada dos fenícios, que baptizaram a ilha principal de Malat, o que significa refúgio; foi governada por romanos, árabes, normandos, aragoneses, franceses e britânicos; foi principalmente governada durante séculos, pela Ordem dos cavaleiros de S.João, que a defendeu dos ataques dos turcos. Governaram a ilha até ao séc. XIX; em 1814 tornou-se parte do Império britânico, até 1974, pertencendo até hoje à Commonwealth

1.Casas típicas. 2.Vitoriosa 3.Catedral S.joão 4.Valeta 5. Cúpula catedral da Mdina 6. Caravaggio 7 e 8. Mdina, 9.Rocca Piccola House


A influência dos ingleses permanece, no sistema eléctrico, no sentido das estradas e posição do volante, e no Inglês, que depois do Maltês é a segunda língua oficial. A influência italiana é também muito forte, tanto na língua como na gastronomia.
Porém, no que se refere à religião, são fortemente católicos; disseram-me que há cerca de 360 igrejas e capelas espalhadas pela ilha (impressionante, tendo esta cerca de 316 km quadrados), e sobretudo na época Pascal são visíveis os inúmeros anúncios de Vias sacras, e há imensas janelas de casas, decoradas com cruzes e bandeiras roxas. Não sei se Malta se equipara a Polónia neste ponto, mas que estão próximas, sem dúvida.
Reservamos um dia para a visita à capital, Valeta, só para o exterior; na rua principal descobrimos desde logo locais que queríamos visitar mas que reservamos para os dias de chuva que estavam previstos. 
Passeamo-nos pelos Fortes, e pela Lower e Upper Barraka, de onde se obtém uma vista deslumbrante para o mar, e para as velhas cidades. De tarde, deambulamos por elas - Vitoriosa, Conspicua e Sengelea. As ruas estreitas, as casas típicas com as suas varandas coloridas em madeira, com vista para o mar azul, fazem de cada recanto um postal. 
No dia seguinte tencionávamos visitar o Hipogeu, Tarxien e Marsalokk; o primeiro, que eu tanto ansiava conhecer foi impossível, pelo facto da visita dever ser marcada com semanas de antecedência, que eu por ignorância não fiz. Mesmo lendo blogues de viagens, não encontrei referência alguma a este constrangimento. Seguimos para Tarxien, um complexo megalítico, construído há 2.800 anos a.c. representando templos, que posteriormente foram transformados em necrópole, de que gostamos muito.

Marsaxlokk, é uma pequena aldeia piscatória onde se exibem barcos coloridos, com o olho típico, pintado, numa baía azul encantadora. Tem um mercado muito famoso, mas não sendo dia, estavam apenas meia dúzia de vendedores.

Desfrutamos de Gozo, Lagoa Azul e Comino, de uma assentada, recorrendo a um cruzeiro de um dia; Gozo é uma ilha pitoresca, de ruas estreitas e sinuosas, com natureza em estado puro; no topo a citadella, como a cereja em cima do bolo. 
A Lagoa Azul é uma praia muito famosa que fica em Comino, uma pequena ilha habitada apenas por uma família de agricultores; a praia estava repleta de jovens finalistas, sobretudo ingleses, que apesar do vento fresco e água fria, teimavam em nadar e fazer desportos aquáticos, tudo devidamente fotografado, pois tanto sacrifício era sem dúvida motivado pela publicação de belas fotos nas Redes Sociais. 
A espantosa quantidade de pequenas barracas a vender "refrescos" de ananás, reflectia-se nas cascas do fruto vazias, e palhinhas, deixadas ao acaso, por ali. É chocante ver um sítio de beleza natural deslumbrante, que por isso mesmo trai tantos, ser tratado sem respeito. Nem quero pensar como será no Verão...

1.Decoração de casas 2.Igreja de Marsaxlokk 3. Gozo 4. Mar em Comino


A entrada para a Mdina faz-se por uma imponente ponte que serviu de cenário para a capital de Westeros, n'A Guerra dos Tronos. Foi habitada pelos fenícios, árabes e depois pelos romanos. É muralhada e fica num alto, o que lhe dá uma paisagem longínqua e abrangente. Toda construída em calcário, parece algo árida, mas ao mesmo tempo muito lavada. A catedral S.Paulo foi antes palácio do governador romano, e é impressionante. Aliás, existem ao redor imensas casas de famílias nobres, igualmente notáveis. Ao contrário de outras mdinas pelo mundo, esta é muito tranquila, de forma que é conhecida pela Cidade Silenciosa. 
Já não chegamos a tempo de visitar algum dos palácios abertos ao público, e certamente que a nossa preferência recairia sobre o Palácio Vilhena, por ter pertencido a um grão-mestre português, da Ordem de S.João.   

Rabat fica mesmo ao lado, originalmente pertenceria à Mdina, porém ficou separada depois da construção da muralha, pelos árabes. Passeamo-nos por lá, entre as ruas estreitas e casa típicas, com os seus pátios, que nunca nos cansamos de apreciar.

Golden bay é a única praia de malta cuja areia é clara, e por isso lhe chamam "dourada". É muito popular e fomos visitá-la apenas para conhecer, pois já sabíamos que o tempo não nos permitiria desfrutar dela. Contudo, encontramos lá várias famílias, e casais, que não se deixaram desanimar pela baixa temperatura.

Em Valeta, visitamos o Palácio Rocca Piccola, habitado pela mesma família desde há 500 anos; é uma pequena jóia, que nos dá um vislumbre de como viviam e vivem as famílias aristocráticas maltesas. Tivemos ainda o privilégio de conhecer o seu proprietário, o Conde de Rocca Piccola, que amavelmente nos perguntou se tínhamos gostado da visita e indicou o único sítio imperdível em Valeta - a catedral de S.João, se mais tempo não houvesse para outras visitas. 

Claro que a Catedral de S.João estava na nossa lista. Foi construída pelos Cavaleiros de S. João por 1573. A Catedral contém oito capelas, cada uma dedicada ao santo padroeiro das 8 línguas dos Cavaleiros da Ordem:
A Capela da Liga Anglo-Bávara

A Capela da Provença

A Capela de França

A capela de Itália 

A Capela da Alemanha

A Capela de Auvergne

A Capela de Aragão 

A Capela de Castela, Leão e Portugal  que é dedicada a Santiago Maior. Aqui se encontram os monumentos funerários dos grão-mestres António Manuel de Vilhena e Manuel Pinto da Fonseca.


Como cada reino tentou construir  melhor do que os outros, estas capelas destacam-se pela assombrosa riqueza estética e decorativa.

O Palácio San Anton, tem a sua origem no séc.XVI, edificado pelo grão-mestre da Ordem de Malta para sua residência, sendo hoje o palácio presidencial. Merece a visita sem dúvida, embora nos tenhamos deparado com algumas salas fechadas para restauro. Acontece.

O Museu de Arqueologia localiza-se na rua principal de Valeta e abriga uma importante colecção de objectos pré-históricos que datam do período neolítico, cerca de 5.000 a.C, ao fenício, cerca de 400 d.C. Destacam-se a escultura da 'Dama Dormente', proveniente do hipogeu de Hal Saflieni, e a da 'Vénus de Malta', de Hagar Qim.

Na parte da numismática encontrei algumas moedas que imediatamente reconheci, eram tão visivelmente portuguesas! De facto, tinham sido mandadas cunhar por grão-mestres portugueses, pois até nisso a Ordem dos Cavaleiros tinha poder.




No último dia, fizemos um cruzeiro de duas horas, em  redor de Valeta e das três cidades; o porto natural é o maior da Europa, com 14 kms de diâmetro.  O guia, em várias línguas ia apontando os monumentos e locais por onde passávamos; por ali entrou Napoleão, pedindo água; e depois instalou-se na ilha por 3 anos, saqueando-a antes de partir. Ali abrigavam-se as enfermeiras dos bombardeamentos, durante a II guerra mundial. Ali, está o Forte construído pelo português Manuel de Vilhena. Os portugueses ali, nós, inchámos de orgulho.  
Foi muito bonito ter uma perspectiva desde o mar para a ilha, a despedida perfeita. 

Deslocamo-nos quase sempre de autocarro, depois de adquirirmos um cartão para 7 dias, que custou 21€, sem limite de viagens. A rede é óptima, e os horários estão sempre afixados nas paragens, mas atenção, acontece frequentemente de passarem os autocarros cheios e não entra mais ninguém! Em caso de rigidez de horários, mais vale sair muito mais cedo ou apanhar um táxi.

A alimentação para mim e Letícia foi complicada, a dieta vegetariana ainda é desconhecida em Malta. Penamos um bocado, nesse sentido. Nos supermercados, desorganizados e quase sempre sem preços à vista, admiramo-nos com os preços: 1 kg de arroz Basmati 5€, uma caixa com morangos 3,95€, uma embalagem com 4 kiwis 1,60€ e por aí fora. Intrigou-me a questão dos preços altos e investiguei; Malta apenas produz 20% do que consome, o resto vem de fora. E dada a antiga influência inglesa, muito de Inglaterra. 
As lojas também não representam alvos de tentação, moda muito ultrapassada, com as próprias estruturas físicas bastante degradas, mesmo para albergar marcas consagradas. Mais uma vez, as marcas inglesas reinam. Também há Zara e algumas outras, mas relativamente à primeira, foi-nos dito por uma portuguesa que por lá se aventurou, que a mesma camisa comprada em Portugal custa mais 10€. Sem problema, nem sequer perco tempo nestes sítios.

Os malteses são simpáticos e ajudam de boa vontade, se bem que com tantos emigrantes por vezes fica complicado saber quem é quem. 
As ruas não primam pela limpeza, e isso foi-nos avisado logo no primeiro dia, por uma jovem maltesa, desgostosa desse facto. E não é bonito de se ver. 
Outra coisa que me intrigou foi a enorme quantidade de casas, por todo o lado, fechadas, devolutas, mais ou menos em ruínas, mas quase sempre com imenso potencial. Onde está esta gente, perguntava-me eu; um taxista elucidou-me, tinha saído há pouco uma notícia no Jornal, dizendo que há cerca de 130 mil casas em Malta fechadas. A maioria de famílias que as disputam em tribunal; ou seja, herdeiros que não se entendem. Emigraram? - Não! Os malteses não emigram; nós temos empregos, precisamos de pessoas que venham para cá! E nota-se que sim. 

Em Valeta apreciamos muito as diversas casinhas dispostas pelos jardins públicos, para albergar os gatos silvestres. Ninguém os incomoda, pelo contrário, respeitam-nos. 

Malta é um país seguro, com óptimo clima de praia, embora estas não abundem, e com História, portanto, prevejo que se torne nos próximos anos, um destino muito popular. Os investidores que a descubram e acontece. Está quase. 


Fontes:

https://viagens.sapo.pt/planear/roteiros-planear/artigos/malta-e-gozo-descobrir-os-segredos-de-duas-ilhas-em-quatro-dias

https://www.voyagetips.com/pt/o-que-fazer-em-gozo/

 https://vontadedeviajar.com/mdina-de-malta-cidade-silenciosa/

http://www.malta.com/en/attraction/beaches/west-malta/golden-bay

https://www.casaroccapiccola.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cocatedral_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_(Valeta)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_de_San_Anton

https://www.tui.pt/destinos/malta/museu-nacional-de-arqueologia

https://www.vallettawaterfront.com/content.aspx?id=96901