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segunda-feira, 27 de abril de 2026

6 Séries Que Recomendo

 Nunca fui de fazer maratonas de séries, mas aquele "mês de baixa" mudou um pouco esta situação, comecei por essa altura e confesso que tenho continuado no mesmo registo. Tem as suas vantagens, não tenho que ficar pausada no suspense, e desvantagens, ter os episódios disponíveis leva a querer sempre mais, "só mais um"! 

1. Lark Rise to Candleford - A jovem protagonista chama-se Laura Timmins, a quem é proposto um lugar nos Correios de Candleford, por uma prima da mãe, a proprietária do Posto que tem uma posição substancialmente mais confortável do que os Timmins; todos reconhecem que a oportunidade é imperdível e Laura aceita, ainda que a contragosto, pois terá de se alojar em casa da parente. A partir daqui Laura começa a registar num Diário o que acontece na sua nova localidade, sendo a narradora no início de cada episódio.  A variedade de personagens é grande e muito interessante, cada um com as suas particularidades, e é difícil conseguir escolher um preferido, portanto a minha escolha recaí na Quennie, sobretudo pelas abelhas. É uma série muito cândida, acho que já não se faz disto, e excelente. 

2. Poldark - Trata-se de uma saga familiar, e a personagem principal é Ross Poldark, que chega da colónia americana, para onde tinha ido há anos como soldado, quando toda a família já o tinha como morto, inclusive a sua "noiva",  Elizabeth. O pai, entretanto falecido, a mina familiar fechada, e a propriedade familiar em ruínas, mal mantida por serviçais sem Senhor, é o quadro desolador que recebe Ross. Ninguém dá nada por ele, a reputação que deixara para trás não o recomenda, e até o exemplo paterno o estigmatiza. Porém, Ross vai crescer e superar-se ao longo das 5 temporadas, dando mostras de coragem, engenho e altruísmo, embora, quanto a mim, nunca alcançando o estatuto de cavalheiro perfeito, e admito não ter conseguido nutrir por ele grande simpatia. As personagens são imensas e cada uma trazendo questões importantes, políticas, históricas, sociais e humanas. A minha favorita é Elizabeth, uma senhora equilibrada, mãe-amorosa, lúcida e corajosa. A série é viciante, fica o aviso. 

3. The OA - Uma jovem cega desaparece sem deixar rasto e quando surge, 7 anos mais tarde, tem a visão recuperada, e símbolos estranhos gravados na pele das costas;  recusa colaborar com a Polícia, e esquiva-se a comunicar com a família que a recupera do Hospital. Em casa comporta-se de forma  estranha, procurando obcecadamente acesso à Internet para contactar com alguém do seu recente passado. Por fim, consegue reunir um pequeno grupo heterogéneo de insatisfeitos com a vida que a irão ajudar a voltar a outro tempo e lugar.  Está deslocada neste lote, ando mais interessada em filmes de época, porém foi-me indicada por um amigo a quem dou crédito; é ficção, e aborda as viagens interdimensionais, para quem gosta do género cada episódio compele ao próximo. 

4. Our Zoo -  É baseado numa história verídica. George Mottershead vive com a sua mulher e duas filhas em casa dos país, trabalhando também no negócio famíliar, uma mercearia de bairro, em Londres; vítima de traumas de guerra, George encontra nos animais que resgata uma espécie de terapia que o vai salvar, ao arrastar a família para uma aventura nunca vista,  comprando uma velha casa-palacete nos arredores da capital, onde pretende fundar um Zoo sem grades. A ideia é tão revolucionária, ele tão inexperiente e de parcos recursos que os obstáculos evidentemente surgem e se acumulam de forma a desanimar o mais forte dos homens. Mas não este. A história é contada pela filha mais nova, June, que sente pelos animais um amor tão grande quanto o próprio pai. 

5. The Gilded Age - Passa-se em 1882 em Nova york, para onde Marian Brook vai viver após morte do pai, em casa  das tias, que frequentam a alta-sociedade. Nada acostumada à rígida etiqueta da cidade, Marian tem uma postura mais aberta e reivindicativa relativamente à forma como as coisas se fazem, e por isso não se coíbe de se dar com os novos-ricos e negros, seguindo por regra o seu coração, embora as tias a aconselhem e repreendam repetidamente. Como diz a Tia Agnés, Nova York pode ser uma grande cidade mais é constituída por aldeias, e quem vive em cada uma delas não se mistura com os das outras, isto é,  as velhas famílias não convivem com as do dinheiro-novo. Porém, do outro lado da rua vivem agora os abastadíssimos Russells,  num magnífico palacete de que todos falam mas aonde ninguém entra, por decoro da etiqueta. Enquanto  o ambicioso George Russell se afadiga a aumentar a fortuna, na liga superior dos negócios e Finanças, Bertha Russell dedica-se com igual ambição a desbravar o caminho da hermética sociedade nova-yorquina, para a si e sua família. Os temas são diversos, família, divórcio, racismo, preconceito, educação, independência feminina, homossexualidade, ética de negócios, luta da classe trabalhadora, relacionamentos humanos em todas as suas formas, e bastante pedagógicos; a snobeira dos descendentes do Mayflower se que portam como aristocratas absolutistas, o preconceito entre negros, devido ao tom de pele, e também por terem ou não nascidos escravos; o fenómeno dos casamentos entre aristocratas ingleses com herdeiras americanas, para conseguirem manter o património, a necessidade da mulher casar, pois não lhe restava outra saída. Outra série viciante, com um  belíssimo guarda-roupa, lindos cenários e banda sonora cativante, não lhe atribuo qualquer defeito. 

6. The Other Bennet Sister - É baseado no livro de Janice Hadlow, como uma continuação de Orgulho e Preconceito de Jane Austen, que inicialmente comecei a ver sem grandes expectativas, é só lembrar das adaptações actuais dos livros a filmes para prever que o desastre é certo! Quão errada estava. Ela soube pegar na escrita de Jane Austen e dar-lhe continuidade de forma respeitosa, como se canalizasse a própria autora. Trabalho absolutamente impecável!  

A outra irmã é Mary, ( ela existe, só que passa mesmo inapercebida!) a mais apagada de todas as meninas Bennet, sim, ainda mais do que Lizzie, e ainda menos bonita, sempre com o nariz enfiado nos livros de "factos", muito pragmática, e porém muito desastrada, a ponto da mãe, aquela senhora frívola e tola, a tratar com um desdém superlativo, como se um caso perdido fosse. Porém, Mary, após a morte do pai, e sendo a única filha solteira vai para Londres, a convite dos tios, para exercer como governanta dos filhos, por período determinado e aí descobre todo um mundo de possibilidades. Os momentos de humor são hilariantes, mas as minhas cenas preferidas são quando Mary e Mister Hayward imitam o canto de algumas aves, na floresta, e a cena dos alongamentos no jardim, com a suprema Miss Bingley a tentar imitar os outros três, tão, mas tão magistral! 

Isto é mesmo do melhor que há, e aconselho vivamente; a lista está feita por ordem de visualização, não por qualidade ou preferência, que aliás se assim fosse diria que são a 5 e 6, que irei, muito provavelmente, repetir. 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Fillmes que vale a pena ver

Parece que por coincidência (ou será que não?), todos os filmes que tenho visto são inspirados em casos reais, e notei apenas isto ao escrever este post. Interessante.


A incrível história do carteiro Cheval TVC2
Esta história verídica, passa-se em França, na região de Droma, no séc.XIX. O carteiro Cheval, um homem suigeneris, que na aldeia consideram louco (pareceu-me que teria algum grau de autismo), após a morte da primeira mulher, e o afastamento compulsivo do filho pequeno, volta a casar e tem uma menina, Alice. Se as capacidades socais de Cheval são limitadas, e relativamente a crianças ele tem perfeita noção disso, portanto e subitamente, decide construir um palácio para a filha, que vai demorar 33 anos, de trabalho duríssimo e grandes sacrifícios. É a sua forma de homenagear a filha, de lhe demonstrar o seu amor por ela, que de outra forma não conseguiria. A arte do palácio é assombrosa, fez-me lembrar Gaudi, talvez este tenha ouvido falar dele, e se tenha inspirado. Quem sabe?!
É um filme extremamente belo e emocionante. O actor principal faz um papel magnífico!

Green Book - Um guia para a vida TVC1
Também baseado numa história verdadeira, sobre um famosos pianista negro, Don Shirley, que nos anos 60 decide fazer um tour pela América, contratando um segurança e motorista italo-americano, bastante racista. Esta viagem vai proporcionar momentos de diversão, mas sobretudo retrata uma América declaradamente racista, meio perdida entre o que era e naquilo que se tornaria, porém conciliatória, na concretização de uma amizade improvável.

A livraria TVC1
Nos anos 50, Florence, decide realizar o sonho de abrir uma livraria numa terriola perto de Londres. O gesto é arriscado mas revela-se um sucesso, até que ... surgem complicações que exigem tenacidade e empenho, mas será isso suficiente? Seja como for, a atitude desafiante de Florence deixará sementes.

A mulher que segue à frente TVC3
Inspirado em Catherine Weldon, que no séc. XIX, após se tornar viúva, decide viajar de Nova York até Dakota do Norte, a fim de pintar o último grande chefe índio, Touro Sentado. Ninguém imagina agora quão perigosa pode ser uma missão destas, porém C.W. está resoluta e nada, nem ninguém, a impedirá de fazer o que quer. 
Gostei de Jessica Chastain, num papel muito convincente entre a delicadeza e a força. A história é interessante pelo período histórico, e também pela divulgação de uma figura feminina, a pintora, que terá certamente inspirado muitas mulheres. 

Memórias de uma falsária TVC1
Inspirado em factos verídicos, contados pela própria Lee Israel, na sua autobiografia, que atravessando um período de penúria financeira, descobre que o seu talento pode ser muito mais rentável do mercado das antiguidades literárias, mais propriamente no sector das epistolas de famosos falecidos. Contudo, como não há crimes perfeitos...!
A Melissa Mccarthy também sabe fazer papeis sérios, e como! Perfeitamente credível, num papel antipático que dificilmente conquista o espectador. Mas conquista. 
A prova de que o talento pode derrapar para o lado mais fácil. 

Igualdade de sexos /Made in Dagenham TVC3
Em 1968, as trabalhadoras a Ford, em Dagenham, descobrem que apesar da igualdade de direitos, os homens recebem mais. Ignoradas pelas chefes, iniciam uma greve, reivindicando salários e benefícios iguais. Constata-se como os próprios companheiros e maridos também as discriminavam, e quando se viram em xeque, de imediato retrocederam no apoio. 
Contudo, este braço de ferro viria a dar frutos, não apenas para estas trabalhadoras, como para as de todo o pais, e do mundo.

Eu, Daniel Blake (canal?)
Acho que este é o único filme que não se baseia num caso verídico, e porém, retrata muitíssimo bem o serviço público inglês.
Daniel Blake tem um avc e fica de baixa, porém esta esgota-se e a médica recusa dar-lhe alta, pelo que ele se submete a um inquérito feito de forma totalmente desadequada, que o habilita a trabalhar. Mas a médica rejeita. Daniel Blake fica assim numa espécie de limbo, como há-de sobreviver? Pelo caminho encontra uma jovem mãe solteira que também está refém do sistema, e fazem amizade, numa aliança para conseguirem ultrapassar os problemas.
A fotografia de um sistema desumano e perverso, no qual os trabalhadores da segurança social agem como máquinas, e as pessoas são facilmente descartadas.  

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Dica de filme: Bohemian Rhapsody


Já não me lembrava de ir ao Cinema com os meus dois filhos; a entrada na adolescência revelou diferentes gostos, e os meus aproximam-se mais dos da Letícia, portanto, relativamente a este filme, foi o Duarte que, por assim dizer, me convidou, mesmo antes de eu saber que este filme ia sair. Há cerca de um ano que ele tem os Queen na sua playlist, e os ouve, entre outros dos anos 80, diariamente. Foi portanto um programa a três que muito nos agradou.

Os espectadores eram maioritariamente da minha geração e mais velhos, poucos jovens lá estavam e mais nenhuns com os pais. Fez-me reflectir com pesar que pais e filhos já não encontram chão comum.

Todas as críticas que li e ouvi, diziam bem do filme e nós também gostamos bastante. É uma história que poucas novidades trás ( mas que para mim foram importantes), é contada de forma simples e sem grandes recursos a artifícios técnicos elaborados, um pouco como se tivesse sido realizado na década de 80. E portanto, mantém um equilíbrio fidedigno, entre história pessoal e de grupo, privada e pública, sem cair na lamechice em que poderia facilmente desembocar. Rami Malek foi um Fred Mercury estupendo, encarnou de tal forma o cantor que por vezes me questionei se a fita tinha passado de ficção a documentário.
Momentos houve em que esquecemos que estávamos no cinema e cantamos também, como se fosse um concerto, e foi bom! 
 
Li hoje uma notícia sobre o filme estar a ser muito vaiado no Brasil; nas breves e ligeiras cenas de homossexualidade, a plateia assobia e grita por Bolsonaro. Não saberiam que o Fred Mercury era gay?! De qualquer forma, achei este sinal muito preocupante. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Eddy Lamar - Inventora e Actriz




Tem hoje destaque na página do Google, faria 101 anos, e a homenagem é mais do que merecida.
Nasceu na Áustria, e nos anos 20 ficou famosa por aparecer nua num filme, e simular o primeiro orgasmo da história do cinema. Casou com um milionário austríaco, ciumento, que tentou comprar todas as cópias do filme; sem sucesso, Benito Mussolini recusou-se a vender a sua. 
Devido às festas que davam, frequentadas por militares e fabricantes de armas, Eddy aprendeu muito sobre as novas tecnologias militares. 
A vida de enclausuramento, imposta pelo marido controlador, levou-a a fugir para os E.U.A. e durante a viagem, num transatlântico, conhece Louis B. Mayer com quem assinou um contrato de cinema.

Nos anos 40 foi considerada a mulher mais sexy de Hollywood ( o seu perfil era o mais requisitado aos cirurgiões plásticos), e a mais bonita do mundo. Afirmaria mais tarde: "É fácil para qualquer mulher fazer de glamourosa, basta ficar quieta e fazer ar de estúpida." 

Característica que ela certamente não tinha, com um Q.I. acima do normal, Eddy tinha paixão pelas invenções; criou na década de 40 um sistema de comunicação à distância que hoje é base de inúmeras aplicações tecnológicas. Desenhou o mais antigo método de telecomunicações, actualmente utilizado no GPS. O principio do seu trabalho foi incorporado no sistema wi-fi e bluetooth. Talvez por tardiamente se compreender o impacto do seu trabalho, o crédito devido não lhe foi dado na altura.
Em 1997 recebeu do governo dos Estados Unidos uma menção honrosa "por abrir novos caminhos nas fronteiras da electrónica."
Apenas em 2014 nome de Eddy Lamar foi adicionado no National inventors hall of fame. 

Caso para dizer que a história de Eddy Lamar dava um filme. 

Fontes:
Wikipédia 
Revista Sábado, 14 Março 2012

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dica de filme: Lucy



O assunto fascina-me; já tinha inclusivamente escrito este texto, a propósito de um sonho meu. Dizem, no entanto, que esta história de só utilizarmos 10% do cérebro não passa de um mito, criado nos séculos XIX e XX por alguns cientistas, dentre os quais Einstein. Actualmente, não é considerado correcto. Porém eu, como muitas outras pessoas, continuamos a acreditar que o cérebro tem imensos mistérios por desvendar.

Esta é uma versão comercial, como obviamente tem que ser para vender o filme. Para mim, a questão do cérebro é semântica, ou metafórica, como entenderem; trata-se de uma questão de consciência, e nisso todos haveremos de concordar que cada um de nós utiliza uma percentagem diferenciada.

Já sei que as opiniões se dividem muito a este propósito, mas lembro-me sempre de como adorei o Matrix no Cinema, e todas as pessoas com quem falava o tinham detestado. Posteriormente, fizeram a triologia, que aí chegou devido ao sucesso imprevisto.Em suma, gostos!

O tema parece ser também do interesse de realizador francês Luc Besson e do actor americano Morgan Freeman, e ainda bem, porque resultou num filme de que gostei imenso.
Scarlet Johanssen está muito bem no papel de Lucy, uma jovem envolvida, contra a sua vontade, numa rede de transporte de uma droga nova e pesadíssima. Essa é a alavanca para o enredo do filme; Lucy vai sofrer aumentos graduais do uso do cérebro e assim alcançar superpoderes.
No fundo, é a evolução do ser humano, desde a pré-história até ao desenvolvimento total, ao fundir-se com a divindade. Quando atinge o uso dos 100% do cérebro.

Segundo o o realizador, tudo o que Morgan Freeman ( personagem do professor universitário) diz,  é real e cientifico, e tudo o que Lucy diz, é  entretenimento. E segundo o professor universitário,  os golfinhos são os únicos animais que usam mais percentagem do cérebro do que nós,  20% contra 10. A ser correcto, é bastante impressionante, não é?


segunda-feira, 10 de março de 2014

O Filme Lego




Há cerca de um ano que o Duarte não se mostrava interessado em qualquer filme de animação. Pensei com alguma tristeza que para ele tinha acabado essa fase. Pareceu-me, porém, algo estranho porque  sendo ele um miúdo que não aprecia filmes e que foi habituado a ver animação, pensei sinceramente que ele se juntasse àquele grupo de adultos que gostam de filmes de animação.
Confesso, no entanto, que também acho que os últimos  filmes de animação  não foram lá grande coisa. E talvez no fundo fosse essa a razão para o desinteresse. 

Portanto, fiquei bastante surpreendida quando o meu filho me falou do" Filme Lego", dizendo que gostaria muito de vê-lo. Mas quando se trata de recuperar alguma coisa que me parece  valer a pena, entro imediatamente em modo vamos lá.
Já tinha assumido que não esperava muito deste filme.  A Letícia gostou imenso e o Duarte disse que de 0 a 10, dava-lhe 10. Não é pouco, para o meu filho! Gostou das construções constantes e da acção.

Já eu, tive que recuar na minha opinião precipitada; parece-me até que este filme deveria ser visto por todos os adultos. Para se lembrarem de como é brincar. Para se recordarem que brincar não tem nada a ver com ordem, limpeza e nexo. Que na brincadeira tudo é permitido, e um dragão T-Rex pode muito bem estar no topo de um arranha-céu. Na brincadeira reina a imperfeição.
Que ser o "homem de lá de cima" também pode ser divertido se ele se esquecer das regras da organização por alguns momentos. Porque os adultos também precisam de brincar, e para tal devem recordar como se faz, através dos mestres da brincadeira - as crianças.

O Duarte ainda tem uma caixa enorme de Lego no quarto. Já raramente brinca com  as peças mas não permite que saiam de lá. Eu ainda me recordo, e menciono de longe a longe a casinha de Lego que tive na minha infância. Uma vez apreciador de Lego, Lego para sempre? Talvez.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Dica de Cinema: "12 Anos de Escravidão "

A escravatura interessou-me muito desde sempre. Era ainda uma criança pequena, quando o meu pai me contou a história d' "A Cabana do Pai Tomás"; acho que o tinha impressionado imensamente a ele, e causou-me a mesma impressão. Achei a história da escravatura uma colossal injustiça. Não compreendia como se poderia fazer semelhante coisa. A minha incompreensão de criança mantém-se.
 
Com nove nomeações para os Oscares, parece-me muito possível que arrecade grande parte dos prémios. Seria muito justo, de resto. Realista e perturbador, de uma forma muito isenta de pieguices e condescendências. A sala repleta ficou muda e estática. Apenas algumas fungadelas se ouviram, nos minutos finais.

Baseado na autobiografia publicada em 1853 do violinista Solomon Northup (interpretado por Chiwetel Ejiofor), negro livre em Saratoga, Estado de Nova York, que é sequestrado enquanto se apresenta em Washington e vendido como escravo na Louisiana. Foi um dos poucos casos de raptados que conseguiu voltar a ser livre.

Uma boa crítica, aqui.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Dica de Cinema: A Gaiola Dourada


                        

Um filme que estava com muita vontade de ver e não me decepcionou. O uso de clichés, tanto da cultura portuguesa, como da francesa relativamente aos portugueses foi muito bem sucedido; captou a realidade de forma muito cómica. No entanto, também toca num nervo frágil, que é o complexo das novas gerações, filhos dos emigrantes, relativamente às suas raízes.

Aconselho muito!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Brave - Indomável


Há filmes de animação que faço mesmo questão de ver, ou seja, acompanhando os meus filhos,  foi o caso deste. Primeiro, porque foi produzido pela Pixar e segundo, porque a protagonista era feminina.

Sem saber nada, já imaginava uma heroína capaz de grandes feitos, a superar as personagens masculinas. Aparte: Não que seja feminista, nada disso, mas para variar, gosto de proporcionar aos meus filhos exemplos de mulheres fortes, admiráveis. A publicidade aos heróis masculinos é avassaladora.

No entanto, senti-me um pouco decepcionada com a história. Mérida é uma linda princesa, as montanhas da Escócia proporcionam cenários maravilhosos, e a heroína realmente conseguiu mudar o destino. Mas...para Mérida conseguir mudar o seu destino teve que recorrer a feitiçaria.

Isso não é uma forma de actuar muito correcta, pois não? Vai de encontro àquela ideia que se tem de muitas mulheres, que vão à bruxa, fazer simpatias e coisas desse tipo, para alcançar o que pretendem, sem demonstrarem capacidade pessoal para o fazerem.
Não gostei. Mas talvez seja só eu, uma adulta, não feminista, a ver coisas.

O certo é que o Duarte gostou, pela violência ( - Ó filho, o termo correcto é acção!) e pelo discurso que Merida fez perante os clãs. E a Letícia também gostou, mas ainda assim achou-o violento demais; argumento com o qual eu concordo, e embora tenha explicado que os tempos eram assim mesmo, achei que foi excessivo, para um filme de animação infantil.

Portanto, a Brave-Indomável foi assim. E foi pena, era tão promissor.

Tenha um óptimo fim-de-semana!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Um monstro em Paris



Estes dias eu e a Letícia fizemos um programa sozinhas. De mãe e filha, de meninas. Portanto, escolhemos um filme muito improvável, se o Duarte nos acompanhasse. Era uma espécie de musical infantil. E gostamos imenso.

Retrata Paris, em 1910, que devido aos seus vários monumentos históricos, dispersos por toda a capital está praticamente na mesma. Foi muito fácil para a Letícia recordar determinados sítios, como o Sacré Coeur.

Eu gostei porque sou uma confessa apaixonada pela França. Além disso, gostei dos desenhos e muito da música. Ainda agora, basta ouvir  La Seine, la Seine, la Seine, para já não me sair da cabeça.

A Letícia nomeou-o o segundo filme preferido ( o primeiro é o Lorax), e porquê? perguntei eu.
- Porque o filme ensina que as aparência enganam; eles pensavam que a Pulga era má, mas não; era boa.

Esta lição também a aprendemos em criança, mas entretanto esquecemo-la. Por isso aqui está outra boa razão para ver Um monstro em Paris.

Até breve!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Os descendentes - Dica de cinema


É verdade, eu sou era daquelas pessoas que achavam o Havai o paraíso na Terra. Um dos paraísos. Nunca me ocorreu que por lá também houvesse desemprego, desastres, doenças, enfim, todo o mal que assola o resto do Mundo. Mas não, o Havai é uma amostra da Terra.
Fim do primeiro mito!

Para mim, a imagem do George Clooney está mais para um play-boy do que pai de família; será porque a vida pessoal dele repercute mais do que os papeis que interpreta no cinema ? Não sei. O que sei agora, é que com certeza aquele filme, ( ou a camisa de padrão havaiano?!) apagou totalmente a imagem do play-boy e conferiu- lhe credibilidade como pai de família.
Fim do segundo mito!

Não vou contar a história do filme, pois não quero tirar a graça a quem ainda não viu; para quem gostaria de ler, está aqui uma óptima sinopse. Porque apesar de tudo, eu acho que vale a pena; é uma história sincera, simples sobre um homem bom, obrigado a reavaliar a sua vida, dividido entre o que sente e o que acha correcto.
Mas não acho que eles - ele, filme, e ele Clooney -  mereçam o Óscar.
Ainda não vi os outros filmes indicados, mas desde já acho demasiado, mesmo só para serem nomeados.

Uma coisa é certa, depois disto, o meu olhar sobre o Havai e George Clooney nunca mais será o mesmo. 

Até breve!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Filme para o fim-de-semana: "O Castor"

A história de um homem que sofre de depressão, e não consegue curar-se, apesar das diversas tentativas e métodos. Não fala, não come, não trabalha, apenas dorme. Até que a família não consegue suportar mais. Então encontra num caixote do lixe um fantoche- O Castor, e começa a exprimir-se através dele. E recomeça a viver, mas...Mais não digo. Apenas que pode parecer-lhe hilariante, que um adulto se exprima através de um boneco, e com certeza esses momentos cómicos arrancam muitas gargalhadas, porém este filme, não é uma comédia.

Mas é um filme, que vale a pena ver; realizado e interpretado por Jodie Foster, com Mel Gibson no protagonista, a história de uma depressão deixa de ser banal. Banal como os milhões de doentes depressivos que existem no Mundo. E ganha uma dimensão humana muito próxima de nós.

Há muitos anos atrás, alguém próximo de mim entrou em depressão, e embora no inicio tenha ficado preocupada, confesso que a partir de determinada altura, achei aquilo tudo uma grande fita. Comecei a duvidar da inércia, achando que era preguiça. Suspeitei da indiferença, pensando ser fingida. Não acreditei nas palavras que diziam desejar a morte, afirmando mesmo ser para chamar a atenção. 
Porém, quando mulheres que conheço bem, e sei quão boas mães são, se tornam indiferentes aos filhos, quando antes os punham à frente de tudo, os querem deixar para trás, então comecei a acreditar nessa doença. Em como pode ser perigosa.

Este filme leva-nos a estas reflexões; e se servem para nos sensibilizar sobre esta doença, a que nunca antes dedicáramos dois minutos de atenção, é positivo, não é? Porque...quem não conhece alguém que teve, tem ou terá uma depressão?!

Tenha um ótimo fim-de-semana!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

“Comer orar amar”, não é para todos!

Não li o livro, mas tinha referências dessa leitura e por conseguinte fiquei atenta, à saída do filme. Queria mesmo vê-lo. Além disso, é protagonizado pela Júlia Roberts, uma das minhas actrizes preferidas, da actualidade.

Há muitos anos, li algures sobre uma pessoa que se tinha procurado pelo Mundo todo e veio a encontrar-se no seu quintal. Obviamente, isto é uma metáfora; a descoberta sobre “ quem sou eu” é feita a partir do nosso interior, e para isso não necessitamos sequer de sair de casa.

Contudo, suponho que esta vontade de deixar tudo para trás e ir em busca de algo, seja muito vulgar e comum a muitas pessoas. Como eu adoro viajar, passar um ano inteiro a “viver” pelo Mundo, parece-me fantástico; no entanto, só o faria levando a família atrás. Quem não quereria?

É preciso coragem e consciência, para abandonar uma vida. A maior parte das pessoas não devem faze-lo, ainda que o desejem e tenham até coragem, porque não podem, porque tem consciência. Mas esta tal Elizabeth pôde, teve coragem e fez!

Foi arrumar as prateleiras, passeando por Itália, Índia e  Bali. E funcionou. Com ela funcionou.

Para aqueles espectadores que esperam um filme típico da Júlia Roberts, o filme poderá ser algo decepcionante. Este vai um pouco mais além; temos uma personagem que quer encontrar o amor ( quem não quer?!), mas antes disso deseja encontrar-se com  ela própria. O que se vê frequentemente nas histórias de amor, são pessoas à procura de outrem, para escaparem a elas próprias. Por isso gostei do filme e aconselho.
A pessoas que simpatizem com a ideia do auto-conhecimento.

Até breve!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A troca

A Troca
Atenção: Isto não é uma crítica de cinema; é antes uma recomendação amigável, que visa poupar-vos um bilhete.

“Friends” é minha referência para a actriz Jennifer Aniston ; depois disso tenho-a visto, por minutos, num ou outro filme, na televisão, sempre comédias românticas, que nunca tive a curiosidade de ver. Inconscientemente elaborei sobre ela uma ideia estereotipada: actriz de filmes levezinhos, pãozinho sem sal, e por aí.

Estes dias, eu e uma amiga  fomos ao cinema;  infelizmente a silly season ainda não terminou e de tudo em cartaz "A Troca” parecia o único less silly.

Ledo engano! De tal forma que no intervalo dos poucos espectadores que a sala tinha, havia vários a tentar mudar de filme, entrando noutras salas! Não valia a pena, era tudo igualmente intragável. Voltamos à sala e entre cochichos e risadas caímos em cima da Aniston.

"A troca" bem poderia ser o nome do filme, da vida dela; como é que alguém mentalmente são, poderia ter deixado de ter filhos com aquele espécime do género masculino, chamado Brad Pitt?! Quem, perfeitamente saudável, poderia ter deixado escapar aquele homenzarrão, por não querer constituir família?!

Por uma carreira no cinema desta porcaria categoria?! Ela só poderia estar louca; aliás, ficou até hoje, porque aceitar fazer um filme tão burro, tão desenxabido, tão… tudo de mau, só poderia ser insana.

Ainda por cima não nos fez rir (- Quando é que começa a comédia?! Perguntávamos uma à outra o tempo todo), nós é que resolvemos essa parte.

Aviso-vos: não vão ver este filme, sob que pretexto for! Se tiverem uma vontade aguda de ir ao cinema, entrem antes no clube de vídeo e vejam um dvd. Incomparavelmente melhor! E mais económico.

Até breve!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Mamma mia! Arrebatador!!


Eu sou leitora de comentários; cedo compreendi que na blogosfera blogues interessantes são geralmente frequentados por pessoas interessantes. O rastreio faz-se na leitura dos comentários.Por conseguinte, recentemente li no Saia Justa alguns comentários de pessoas que confessavam ter lido o blogue da Geo durante meses até conseguirem comentar. Porquê? Por timidez. Achei isto surpreendente, nunca me tinha ocorrido tal. Porém, depois de reflectir sobre o assunto pensei que nada mais natural. Eu estou na blogosfera tal como estou na vida real. Assim acontece com os outros; então porque não seria a timidez um obstáculo aqui, se é também um obstáculo lá fora?!
Não sou o tipo de blogueira que expõe a vida privada e familiar. Resguardo a minha intimidade e família porque eu sou reservada naturalmente. Embora muitas pessoas confundam a minha reserva com “snobismo”, quando aprendem a conhecer-me verificam que não é assim. Por conseguinte, também aqui sou reservada. Não consigo colocar um bolo no meu aniversário e convidar os amigos para celebrarem comigo. Não consigo fotografar a minha casa e colocar as imagens aqui. Não consigo partilhar muitos momentos do meu dia-a-dia. Sou naturalmente reservada. Porém, não digo: sou assim e pronto! Isso sim, seria muitíssimo sobranceiro. Sou assim, mas gosto de me forçar a situações e atitudes que não assumo naturalmente. Digamos que são desafios; por isso, hoje vou contar algo que fiz ontem, no dia do meu aniversário.
Antes de termos filhos, eu e o meu marido íamos ao cinema todas as semanas; actualmente (como muitos pais), nem dvd’s conseguimos ver todas as semanas! Porém eu adoro cinema e não há nada que substituía a visualização de um filme na sala do cinema. Então, ontem fomos ao cinema, ver, com muitas reservas do meu marido, o musical “Mamma mia”. Logo na primeira música pensei para mim que não iria conseguir manter os meus pés quietos; passados alguns minutos o ritmo já tinha tomado conta das pernas. Olhei para os lados, todas as pernas da fila abanavam ao som da música. Homens e mulheres. Os rostos vidrados na tela, alheios a tudo. Um levantou-se e começou a dançar ali mesmo, outros se seguiram, reproduzindo o musical ali na sala do cinema! Pára, pára tudo! Ok, pronto, esta última frase é mentira. Ninguém se levantou para dançar, mas bem podiam, porque apetecia mesmo! Eu tive uma vontade louca de dançar, mas contentei-me a observar os actores. É um filme arrebatador, de um alto astral incrível, com uma Meryl Streep no seu melhor! A minha tia viu e quer ver novamente, a minha prima adolescente e as amigas (que nem conheciam os ABBA!) adoraram, o meu marido rendeu-se. A mim arrebatou-me; achei os meus olhos pequenos demais para abarcar tudo o que passava na tela. Se ainda não viu, não perca, mesmo!Um conselho, não saia até que o ecrã fique negro, porque tem um imperdível bónus final!

Acha que foi fácil? Não foi. Venci a minha reserva, vença agora você a sua ;) !

Uma óptima semana!