quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Reflexão de final de ano...

Depois do Natal costumo ocupar a semana que antecede a passagem d’ano em reflexão. Gosto de fazer um balanço do ano que termina e delinear novos projectos para o ano que inicia. Desta vez uma voz dentro de mim diz:- “Que monotonia! Não aconteceu nada na tua vida! “. Realmente, não posso dizer que me aconteceram coisas importantes; não. Grandes acontecimentos, bons ou maus, neste ano, não tive. Porém, como explicar a essa voz que me sinto uma privilegiada? Que todos os dias agradeço a Deus a vida que tenho? Que olhando em redor, sinto que vivo num mundo aparte? Preservada dos horrores e rodeada de amor? Pois é, agradeço a Deus por este ano que passou, pela família, pela saúde, pela felicidade, pelo amor, pela amizade, pelas oportunidades que tive para aprender a ser melhor. A conhecer-me melhor. E sei que estou a ser ambiciosa, pois desejo para 2007 as mesmas coisas; comprometendo-me a esforçar-me mais, a estar mais atenta, a viver mais o momento. Para o resto do mundo,para homens e nações, o bem maior, que cada ano escasseia mais: desejo Paz.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Um poeta que amo, um poema que adoro...




NATAL!

Só pelo facto de o ser, o mundo parece outro:
Auroreal e mágico.
O homem necessita cada vez mais destas datas sagradas,
Para se ver transfigurado nas ruas
Por onde habitualmente caminha rasteiro.
São dias em que estamos em graça,
Contentes de corpo e lavados de alma,
Ricos de todos os dons que podem advir
De uma comunhão íntima e simultânea
Com as forças benéficas da terra e do céu.
Dons capazes de fazer nascer num estábulo,
Miraculosamente,
Sem pai carnal,
Um Deus de amor e perdão.


Miguel Torga

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Este Natal promete...


Vou passar este Natal com a minha família!
Desde que casei os Natais são alternados, um ano na família do Zé, outra na minha, como tantos outros casais fazem. Porém, há 12 anos atrás este momento foi muito difícil para mim: eu que adoro o Natal, tive que abdicar de o passar com a minha família!
Eu podia ter chorado, dizer que iria sentir-me tão infeliz que estragaria o Natal dos outros!Mas não consegui utilizar essa estratégia, sempre achei as lágrimas (com assistência!) a arma dos fracos! Portanto, lá fui. Uma viagem longa e difícil (cheia de curvas e contracurvas!) para outra região e descobrir que não se jantava bacalhau cozido a 24 de Dezembro! Nem Formigos!Nem peru assado ao almoço de 25! Nem Roupa Velha ao jantar de 25! E as rabanadas, não eram iguais à da minha mãe, receita da minha avó paterna! Foi horrível aquele primeiro Natal!
Claro que valeu pelo calor humano (e pelos presentes!) mas não me pareceu Natal!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

PROCURANDO AS MINHAS SEMELHANTES

Certo dia lembrei-me de procurar na Net algum chat ou blog onde mães falassem das suas experiências e trocassem informações. Mães 24 horas por dia, como eu. Encontrei alguns blogs de mães, que li em diagonal, pois não consegui identificar-me com nenhuma. O tema central é invariavelmente a criança, o que fez, o que disse, o que vestiu, o que calçou, que é fofo, que é um amor, blá, blá, blá! É por isso que casais com filhos não conseguem manter amizades com casais sem filhos: -porque se tornam numa completa SECA!
Uma altura recebemos uns amigos cá em casa e como eles falam sempre imenso dos filhos (com idades aproximadas dos nossos) eu e o Zé decidimos, antecipadamente, boicotá-los e direccionar a conversa para outros temas que não filhos. Falamos de férias: - Foram óptimas, a M. aprendeu a nadar e depois…. Falamos de cinema: - o último que vimos foi “Chicken Litlle”, e foi a primeira vez do F. mas compreendeu tudo, blá, blá, blá! Não dá!
Por isso me lembrei de fazer o meu próprio blog.(Eu, que sempre achei os blogs coisa de exibicionista e voyeur!) Para dar a conhecer o outro lado da mãe, porque ser mãe é muito mais!


P.S. No entanto ainda não desisti! De certeza que haverá por aí alguém que pensa sobre a maternidade o mesmo que eu....


sexta-feira, 8 de dezembro de 2006


"Mas porque é que eu não posso ter os brinquedos todos?"

O Duarte estava sentado no sofá, rodeado de revistas de brinquedos.
- Mãe, eu quero isto tudo!
- Não podes ter tudo Duarte, tens que escolher só alguns brinquedos. Digo eu.
- Porque é que não posso ter tudo? Pergunta ele.
- Porque fica muito caro! (Oups! Olha o deslize…)
- Pensei que os brinquedos fossem grátis, para o Pai-Natal!
- Porque pensaste isso?
- Porque são os duendes que os fabricam na fábrica dele, não é?
(Pausa: começo já a falar dos direitos do trabalhador, vencimento, subsídio de férias, 13º, segurança social? Para além de alojamento e alimentação, já que os duendes também vivem lá! Nã, a mentira começa a ficar demasiado elaborada e essas são as que mais depressa se descobrem).
- É por causa do transporte, o trenó leva poucos brinquedos!
-ah! Estou a perceber. Responde ele pensativo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Os meus filhos são lindos!
Duarte, em rara pose para foto.Letícia, depois de uma sessão de maquilhagem com as Barbies.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Desenho1 da Letícia.
Um doce para quem adivinhar, quem sou eu! Lá atrás está a nossa casa ( parece um extraterrestre criado pelo amigo do Stitch, mas é a nossa casa!))O pai e o Duarte estão atrás, a Letícia está a dar a mão à mãe. Bingo! A mãe é a figura mais alta, mais colorida e com mais destaque do desenho!

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Limitado ficar em casa, com os filhos?



Limitado ficar em casa, com os filhos?!Quem disse?
Ser mãe a tempo inteiro não quer dizer andar, permanentemente, com o espanador do pó na mão! Ou o aspirador! Estou em casa pelos meus filhos, não pela casa. Por conseguinte o meu tempo e atenção são para eles. Quando tenho um pouquinho de tempo livre tenho sempre algo a fazer. O difícil é escolher: apetece-me escrever , apetece-me ler, apetece-me ir p’rá Net, dar uma olhadela ao ebay, mexer nos vasos fazer tricot…PIM-PAM-PUM-CADA BOLA MATA UM!
P.s. A varicela do Duarte está a passar e apesar de ter posto a Letícia a dormir com ele na mesma cama, ela não apanhou a doença! Acho que ela ficou com a dose de anti-corpos da família toda!

sábado, 2 de dezembro de 2006

Alguns dos meus objectos preferidos...


Bloco de pensamentos, que vou recolhendo, para reler e reflectir. Um dos melhores:"O homem medíocre critica os outros homens, o superior critica a si mesmo". Difícil, heim?

Par de jarras, em cristal, presente de casamento, com as bacantes ( lamentavel/ não se vêm nada bem!) : Fã de mitologia grega!

Camelo comprado na Tunísia, há 12 anos, durante a nossa lua-de-mel. ( A foto não faz justiça à sua beleza!)

Uma flor seca por cada ramo oferecido pelo meu marido.


Brincos de pérola: Always! Para quem não gosta de mudar constantemente de brincos. Perfeitos com tshirt e jeans, perfeitos com vestido de festa!

Alguns dos meus objectos preferidos:


Dicionário: Adoro ver significados de palavras e descobrir novas palavras!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Decoração de Natal



Como manda a nossa tradição, fizemos hoje a decoração de Natal. O Gonçalo, meu sobrinho, estava cá, foi o terceiro ajudante. As crianças decoraram a árvore ( até meio!) e eu, discretamente, ia colocando alguns enfeites mais para cima. Agora é só esperar....

Hércules, da Disney



O Duarte está com varicela. Detesta sentir-se doente e fica muito triste. Estava aconchegá-lo na cama quando ele desabafou:

-Mãe, não gosto nada de estar doente. Os deuses ficam doentes?

-Não, mas nó somos meros mortais e, portanto, de vez em quando ficamos doentes.

-Porquê? Alguém nos deu veneno, quando eramos bebés?

Só quem viu "Hércules"(Disney), compreende a piada.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006


Eu estava lá!

A reacção, ao facto de eu estar em casa com os meus filhos, foi invariavelmente negativa. Já nem me recordo de quantas vezes ouvi comentários do género: -Se fosse eu já estava com uma depressão! (Como se os empregos não causassem depressões!) ou: - Se fosse eu andava frustradíssima! (Como se os empregos não frustrassem!), ou ainda: - Não te aborreces? Deve ser muito monótono! (como se os empregos fossem todos emocionantes!).
Surpreendentemente ficar com os filhos pode ser um verdadeiro desafio; as perguntas inesperadas que me fazem, as conclusões a que chegam sozinhos, os pensamentos que elaboram deixam-me frequentemente perplexa, desafiam a minha imaginação e obrigam-me a reflectir. Monótono?! Os meus filhos são, simplesmente, muito mais interessantes do que a maior parte das pessoas!
Acompanhar e participar do crescimento dos meus filhos tem sido o meu grande privilégio. Numa semana vi a Letícia (a artista plástica da família), passar do desenho abstracto para o figurativo! Não foi a educadora que viu, não foi outra pessoa que me contou, eu estava lá!

Mãe a tempo inteiro e feliz!


Quando a Letícia nasceu o Duarte tinha 1 ano e 5 meses. Durante algum tempo, foi como ter gémeos. Desde aí deixei de trabalhar, fora de casa. De qualquer maneira, como professora contratada só teria colocação longe de casa. Longe da família?Não! Estava fora de questão.
Começou então uma nova fase, na minha vida; uma fase muito bonita, muito enriquecedora, divertida, surpreendente, emocionante! E foi também quando fiz uma descoberta que me deixou perplexa:- Porque é que eu sou a única mãe, que eu conheço, que está em casa, com os filhos, por opção e feliz com isso?