segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

"Deo Gratias"

(Imagem daqui)
O meu último texto de 2009 só poderia ter um tema, o agradecimento.
Quantas vezes somos realmente privilegiados sem que de forma consciente nos apercebamos disso? Muitas vezes, não é? Vezes demais. Este ano foi meu objectivo lembrar-me diariamente das Graças que tenho a dar.

E há realmente tanto para agradecer! Coisas que damos como adquiridas e certas: água potável, água canalizada, banheira, electricidade, aparelhos eléctricos que nos proporcionam conforto e comodidade.
Casa segura e acolhedora.
Alimentação variada e equilibrada.
Meio de transporte próprio.
Roupas quentes/frescas, de óptima qualidade.
Escola boa para as crianças, professoras extraordinárias.
Sistema de saúde confiável e profissionais competentes.
Acesso à cultura. Tempo de lazer. Viagens.
Boa vizinhança.
Amigos e família.

A lista seria extensa e minuciosa, porque me dediquei a descobrir razões para dizer “Graças a Deus”. Tenho a certeza que quem quer que seja a ler isto também terá graças a dar. Então vamos dizer baixinho: Deo Gratias, com o coração repleto de gratidão e esperança.

A todos os que passam por aqui, desejo: Feliz Ano 2010!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Presentes alternativos ( Passo III )

(Bolachas de Natal, feitas no domingo à tarde,por mim e pela Letícia, para presentear as professoras das crianças)

A lista de presentes cá em casa já passava de 30 pessoas; tornava-se um problema o que oferecer, porque a determinado ponto já tínhamos dado o livro, o cd, a camisa, o pijama, o perfume, o bibelot, etc, etc, e porque eu gosto de escolher presentes a pensar nos gostos pessoais de cada um. E em retribuição eu ganhava coisas que não queria, não gostava e não precisava. Por conseguinte deixar de presentear adultos foi uma alternativa duplamente satisfatória. Menos uma preocupação!

Então, eu aconselho, evite o stress das compras, abolindo a lista de presentes para adultos e presenteie somente as crianças. Se quiser ainda assim presentear os adultos, peça-lhes listas do que gostariam de receber e faça-as circular na família, riscando o item, que presente ofertar. Algum item muito caro, na lista? Faça uma vaquinha com os seus familiares, amigos ou colegas. Benefício? Vai directamente à loja do que pretende comprar, evitando perda de tempo, e o presenteado, recebe apenas aquilo que gosta ou necessita.

Deseja oferecer presentes a custo reduzido, personalizados ou reciclados? Ofereça presentes feitos do por si. Se tiver habilidade para a costura faça botas de Natal, tudo o que precisa: bocados de tecido (reutilize camisas velhas), fita de seda e máquina da costura ou paciência para costurar à mão. Pode ainda fazer decorações de Natal, sempre bem-vindos em qualquer lar. Imensas ideias no Crafty Crow.
Costura não?! Ponha então a mão na massa, faça bolachinhas de Natal, procure formas natalícias, coloque em caixas de metal ou embrulhos de celofane, feche com um laço em fita de seda e distribua doçura pela família e amigos.

Uma alternativa gostosa nesta época, é oferecer comestíveis, frutos secos, chocolates finos, licores, champanhe, etc, ficam sempre bem na mesa e todos poderão apreciá-los. E não precisa pensar - Onde vou arrumar isto?! Porque depressa desaparecerão!

Tenha uma óptima semana e um Feliz Natal!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Decorando a casa ( Passo II )


Decore a casa a custo 0! Substitua a velha decoração utilizando recursos da natureza, dê um passeio pela floresta ou parque e apanhe muitas, mesmo muitas folhas envelhecidas de várias cores, pinhas, galho seco e musgo.
Com as folhas vai fazer uma coroa, tudo o que precisará é de um arame grosso (opte por alumínio, mais fácil de manusear, à venda em drogarias), decida o diâmetro, e enfie as folhas. Feche com um grande laço vermelho.

Pegue no galho e dê uma pintadela com tinta branca, de madeira; deixe secar e coloque algumas bolas vistosas nos diversos ramos. Coloque o galho dentro de uma garrafa, pousado na parede ou em cima de um espelho.

Com o musgo vai fazer porta-velas; precisa de vasos em terracota, que vai pintar de branco. Enche o interior do vaso com papel para segurar a vela branca e tapa com musgo. Recorte etiquetas com palavras votativas, como Amor, Paz, Saúde, e ate à vela, com uma fita dourada.

Com as pinhas vai fazer o centro de mesa;procure um prato fundo ou cesto aí por casa. Traga 2 raminhos de pinheiro manso da florista e coloque no prato, fazendo uma borda. No interior coloque as pinhas, duas velas grossas, da cor que desejar, vermelho talvez. Junte duas laranjas onde espetou dezenas de cravinho da índia, fazendo desenhos. Acrescente um raminho de paus de canela, atados com fita de seda.Tente colocar de tudo aos pares, para favorecer o diálogo, em redor da mesa (Feng shui manda!).
Et voilá, tem um arranjo de Natal único, natural e perfumado, que lhe granjeará rasgados elogios. Acredite, eu sei!

Natal é luz! Ilumine toda a sua casa, utilizando potinhos de vidro de compota ou iogurte. Decore com uma fita de seda, vermelha ou verde, dê um laço e coloque uma vela aromática no interior. Não seja parcimonioso, distribua estes porta-velas por toda a casa, e na noite de 24 acenda-as todas!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Recriar o Natal ( Passo I )


Ultimamente tenho ouvido e lido algumas lamentações sobre o Natal. Basicamente as pessoas reclamam da forma como o Natal é celebrado, que é sobretudo uma época de consumo, de muitos gastos e extremamente materialista. Concordo totalmente! E já falei disso antes, porém acontece que eu consegui reverter a situação; não está feliz com a forma como celebra o Natal? Faça alterações, recrie o seu Natal!
Esta é a altura ideal, em época de crise, todos compreenderão (e talvez com alívio) se quiser reduzir o seu orçamento e deixar os outros à vontade, para que façam o mesmo.

Pode começar a viver a época natalícia preparando o Natal antecipadamente. Tem filhos?! Ainda melhor, eles serão os duendes, ajudantes de pai Natal. Não encontrará melhores colaboradores, dispostos à arte, imaginativos e pouco exigentes. Natal é tempo de família.

Vou começar a postar algumas dicas, testadas e aprovadas com sucesso, na minha família. Vou partilhar convosco, gradualmente, para dar tempo a execução e fazer com que pareça possível! Porque é.

1º Passo: Faça os seus próprios postais de Natal. Nem sequer precisa ser dotado nas artes manuais, tudo o que necessita são: 2 folhas de cartolina de cores contrastantes( p.ex. verde-vermelho/ branco-dourado), uma tesoura e cola. Utilize um postal antigo como modelo, para o tamanho; numa cartolina recorte o postal, na outra a imagem de uma árvore, luva, estrela, boneco de neve, etc, e cole no cartão.
Sem tempo?! Opte pelos postais de Natal de Instituições de solidariedade; os seus votos de boas festas patrocinam as boas causas.

Se contudo, não tiver tempo para enviar postais de Natal ( se o fizer esta semana ainda vai muito a tempo de receber retribuição ), envie postais virtuais ou deseje Feliz Natal por telefone, telemóvel ou sms, mas não deixe de o fazer. Desejar Feliz Natal a familiares, amigos e colegas é dizer-lhes que pensa neles.

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Yeah, sou rica!

(Imagem daqui)
Numa época de tantas interrogações, incertezas, tanta análise e xaropada de psicólogo para descobrir coisas tipo: “Como dizer não ao meu filho”, não admira que as pessoas já nem saibam a que classe pertencem! Por isso, elaborei este teste, muito simples (testes são científicos e matemáticos, por isso fidedignos). Leia e coloque à frente de cada questão: Sim- Não- Não sei.

Mora em apartamento?
É a favor da pena de morte?
Toma remédio para a depressão?
Lê livros “Best seller”?
Faz yoga ou corre?
Lê as colunas sociais?
Consome pirataria?

Resultados:
Se você respondeu “Não sei” a todas as perguntas: É pobre.
Se respondeu “Não” a todas as perguntas”: É rico.
Se respondeu “sim” a uma ou mais questões: Lamento imenso, é definitivamente...(glup, engoli em seco), coragem... classe média!

MAS, calma, nem tudo está perdido e nem sequer precisa ganhar o EuroMilhões, nem tão pouco gastar um cêntimo! Basta mudar de opinião sobre uma questão; pode ser contra a pena de morte? Óptimo, porque isso realmente é indigno do homem. No entanto, se de facto é muito fiel aos seus princípios…não faça nada e nada mude! Espere. Tenha paciência, porque mais dia menos dia a classe média vai acabar por desaparecer. Os economistas que o digam e a culpa é da crise. Ponto!

Se é pobre e quer mudar de classe, pense nisto: não vai dar para ser rico, pois não? Então classe média para quê? Perder os seus direitos e ganhar somente deveres?! Perder o rendimento mínimo, escalão A dos filhos na escola, direito a casa, ter que levantar cedo para trabalhar, pagar transportes... Não, pois não? Mau negócio.

Bom, se é rico…Palavras para quê? Por exemplo eu fiquei muda (felizmente o teclado funciona mesmo assim) com a revelação. Sou rica e nem sabia! E esta hein?

Nota: Neste texto foi usada e abusada a figura de estilo “ironia”; a ideia é parodiar um certo blogue que por sua vez “parodia” a classe média way of life. “Ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão”. Certo? Certo.

Uma boa semana!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os parvinhos da selecção

(Imagem daqui)
Há dias recebi um FW em que dizia: todos temos amigos altos, magros, gordos, divertidos, mal-humorados, nervosos, tranquilos, famosos… Alto lá!

Eu não tenho amigos famosos; no máximo, tive a certa altura uma colega que era familiar de uma pessoa conhecida e só por isso ela já tinha a mania que todos se aproximavam dela interessadamente. Na realidade eu só soube desse parentesco porque ela própria me contou, pedindo sigilo. E eu guardei segredo, talvez para decepção dela.

Realmente não tenho pachorra para famosos, para as manias de estrela, de VIP, esquisitices e má-educação. Raras são as celebridades que conseguem ter o pé no chão e levar uma vida “normal”. Tão poucos que se podem nomear: Cameron Diaz, Meryl Streep, Robbie Williams e Etc.

Recentemente vi, na televisão, os jogadores de futebol da selecção a saírem do autocarro, quando chegavam a um hotel, onde uma multidão os aguardava. Nada estranho até aqui. Os fãs aplaudiam-nos e gritava os nomes deles. Normal. Os jogadores desfilaram impassíveis, por detrás dos óculos de sol, alheados nos head-phones. Não esboçaram um sorriso, não levantaram um braço em saudação, não deram um autógrafo. Eram os próprios deuses a caminharem entre mortais! Chocante!

Sim, chocou-me que os jogadores não demonstrassem qualquer apreço e consideração por aqueles que fazem do futebol o que é! Por pessoas que ganham uma ninharia e ainda assim despendem tempo e dinheiro para verem os jogos, comprarem jornais desportivos e se deslocarem entusiasticamente, para verem a selecção chegar. Não merecem um sorriso? Uns apertos de mãos? Autógrafos?!

Esse é só mais um dos motivos pelos quais eu não gosto de futebol; não conheço desportistas tão arrogantes como estes! Ingratos. E parvinhos.

Tenha uma óptima semana, esbanjando sorrisos!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dar é melhor


Há dias, a propósito do Natal, a Letícia dizia “dar é melhor do que receber”; imediatamente eu peguei na deixa e perguntei-lhe porquê, ao que ela me respondeu: - Porque quem dá também recebe.
Assim de repente quem ouvir pode pensar que é uma forma muito interesseira de estar. Mas não é!

Pessoas há, que se queixam continuamente de que ninguém lhes dá nada, que pelo contrário só lhes acontecem situações em que são obrigadas a "dar", a pagar, a ressarcir, etc. E isto custa-lhes imenso! Se está nesta circunstância e quer mudar, dou-lhe um conselho: - Comece a dar de forma consciente e feliz! Garanto-lhe que obterá imediatamente resultados espantosos.

Na semana passada vi o passo a passo da receita de cupcakes no Doces Abobrinhas da Roberta e não resisti. Fiz os cupcakes a pensar numa amiga que anda muito triste e porque eu não posso resolver o problema dela, pude pelo menos proporcionar-lhe momentos doces.

A receita da Roberta dá para 24 cupcakes, mas para mim, de forma mágica (magia ou as minhas formas eram mais pequenas, mas eu prefiro pensar que foi pura magia!) rendeu 32! Então lembrei-me de distribuir também por outra amiga, que está apaixonada mas tem o amor dela noutro país e morre de saudades (doce também é um bom antídoto para saudade!) e pela minha vizinha florista, que um destes dias me ofereceu um ramo de verdes, para um arranjo que eu quis fazer.

Então é assim, quem nada dá, nada recebe! Eu recebi sorrisos e a sensação de ter feito gentilezas que aqueceram um pouquinho o coração de quem estava a precisar. Também é verdade que recebi um ramo de flores e uma saca da maracujás!

Ah...só mais uma coisinha, os cupcakes da Roberta são lindos e inspiradores ( os meus são de amadora!), só vendo, mesmo!

E só mais isto: já tenho janelas e o sol brilha lá fora! Mas brilha mesmo ;)

sábado, 14 de novembro de 2009

Uma neurose!

(Imagem daqui)
Tudo porque há cerca de 3 semanas estou a viver na Escandinávia! E eu sempre disse que preferia mil vezes viver num país tropical, onde o sol brilhasse sempre e o dia começasse às 6h e terminasse às 21h. Eu sabia da minha necessidade absoluta de luz natural!

Estou cansada de responder “Sinto-me exausta” a quem me pergunta como estou e nem sequer entro em detalhes para não aborrecer ninguém, mas aqui, onde quem quiser pode virar a página, vou desopilar:
- Estou cansada de ter as persianas da casa corridas dia após dia, desde há 3 semanas! Estou cansada da escuridão! Estou cansada do vento que entra sem as janelas. Estou cansada do pó de madeira.
E eu própria já me começo a sentir-me como a minha casa: sombria, fria e desconfortável!

E nem sequer posso queixar-me ao meu marido, porque já sei o que ele me responderá: - Estamos a gastar uma pipa de massa, porque tu quiseste a ainda te queixas?! (Ele tinha preferido substituir toda a caixilharia original, em madeira tropical, da casa por pvc! Eu: nunca, jamais, never! E só por isso nem me posso queixar?).

Sabe aquele tipo de pessoa muito calma, que raramente se zanga, mas que num dado momento “explode” ? Eu sou do tipo bem-disposto, sempre bem disposta, mas quando não estou, fico com uma neura gigantesca tipo cateto elevado ao quadrado da hipotenusa (claro que não faz sentido, nem vá por aí! Coisa de gente temporiamente ensandecida )!

Então é isso: estou uma neurose e só me apetece lamentar-me, queixar-me e choramingar. Ou então, fazer a mala e mudar-me para um hotel! No Hawaii!

Bom fim de semana! (Ah, viu como mesmo mal disposta consigo ser bem educada?!)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O poder dos diminutivos

Toda a gente fala no poder que o nome tem sobre a própria pessoa, mas ninguém fala no diminutivo, já pensou? No entanto esse pode até ter mais peso, se analisarmos bem a questão; quer ver?! O nome próprio é atribuído está ainda a pessoinha no ventre materno, ou então é-lhe atribuído logo após o nascimento. Mal “deu as caras”. Já o diminutivo é atribuído por razões inspiradas nos traços da personalidade do próprio. Senão vejamos, o mais comum é adicionarmos o “inha(o), Fernandinha, Aninha, Manelzinho, etc. porque obviamente tudo o que é pequenino é “queridinho”. Depois há os derivados: Dudu, Pipo, Tita,Xana, etc. E estes podem ficar pela vida afora sem causar constrangimentos.

Entretanto, outros seres vão entrando na nossa vida e vão-nos baptizando conforme aquilo que acham de nós, vou abster-me de comentar os pejorativos, mas esses já dizem muito a respeito das pessoas. Depois há os que podem ser pronunciados sem fazer corar o mencionado, como Xana, Zé, Jó, etc. E ainda há aqueles que são apenas chamados na intimidade do lar. Ou doutro espaço, mais pequeno ainda, rssss….

Eu e o meu marido temos um diminutivo; confesso que por vezes nos escapa quando estamos na presença de familiares, não que seja embaraçoso, porém não gosto quando isso acontece. Demasiado privado!

Contudo, essa fronteira entre íntimo-público é bastante elástica; o que me causa pudor é pronunciado sem constrangimentos por outros. Por exemplo, num blogue que eu gosto de ler, a blogueira chama “Esparguete” ao companheiro (será necessário dizer qual a temática do blogue?!). Só digo, ele deve ter um sentido de humor fantástico, porque esparguete…sei lá, remete para um tipo alto e magro como uma vara, sensaborão! Se eu tivesse que arranjar um para o meu marido, dentro da categoria gastronómica, acho que seria… lagosta! Sim, algo substancial, saboroso e pouco comum! (- Sem ofensa, babby!)

E você, amigo-leitor, tem diminutivo? Chama o seu parceiro(a) por outro nome? Vá lá, fale sem corar que aqui ninguém vê! Rsssss...

Tenha uma excelente semana!

domingo, 1 de novembro de 2009

Educação financeira infantil

Quem tem crianças sabe como a noção de “dinheiro”, para elas, é abstracta. Recordo divertida como os meus filhos recusavam trocar um punhado de moedas de cêntimos por uma moeda de 2 euros! Certa vez levei as moedas da Letícia para trocar na mercearia por uma nota, pensando que ela ficasse contente e só a deixei tristíssima!

Bom, a partir de determinada altura compreenderam que as moedas escuras pouco valiam, e que as notas eram as mais valiosas. O tempo encarregou-se de os fazer entender. No entanto, aprender a lidar com o dinheiro já depende dos pais. A noção de “caro” e “barato” é relativa; o que para mim pode ser caro, para outra mãe poderá ser barato ou vice-versa.

As crianças sabem que têm contas no Banco, constituídas pelo dinheiro que receberam à nascença, que será utilizado quando forem maiores de idade. Porém, desde muito pequeninos que têm mealheiros, onde guardam a mesada da avó e dinheiro que os familiares lhes vão oferecendo pelo aniversário e Natal e fazem a gestão desse dinheiro, com a nossa orientação. Quando vamos de férias eles levam sempre uma quantia para gastarem naquilo que lhes interessar. E quando querem comprar algo que nós, pais, não concordamos por qualquer razão, também podem, eventualmente, utilizar o dinheiro do mealheiro. Nessa gestão eles vão compreendendo o dinheiro que sai, o que entra, o que fica e fazem comentários preocupados ou alegres sobre o assunto. A Letícia já disse: “Eu tenho mais dinheiro do que o Duarte porque não o gasto e ele gasta”. Noção de economia adquirida com sucesso!

Há cerca de 2 semanas a Letícia quis comprar a merenda na escola; comecei por lhe dar o dinheiro certo e depois um pouco a mais. As contas que ela me apresentava ao fim do dia, de quanto tinha custado e do troco que tinha recebido, bateram sempre certo. Foi com muita satisfação que constatei a responsabilidade dela e noção adquirida de custo e troco, às custas da matemática. Novamente vi que o tempo ajuda nestas aquisições de conhecimentos.

Os nossos pequenos têm um projecto em comum; querem comprar uma PlayStation e como nós, pais, fomos muito relutantes (ok, ainda somos, mas estamos a condescender) eles tomaram a iniciativa de economizar o dinheiro necessário para a compra. De uma só assentada eles vão aprender 3 lições:

Paciência; estão a economizar há mais de um ano e certamente quando o momento chegar vão saber valorizar muito mais do que se o desejo tivesse sido satisfeito sem espera.

Economia; para comprar tiveram que economizar o dinheiro deles.

Valor do dinheiro: a Playstation custa o equivalente a um ordenado mínimo, portanto equivale a um mês de trabalho da maior parte dos trabalhadores. Isto, eles já sabem. E vão saber também que não foi fácil amealhar essa quantia!

O ditado popular diz:” De pequenino se torce o pepino”, portanto na educação da criança também faz parte a questão do dinheiro.

Texto integrante da blogagem colectiva, promovida por Cybele Meyer. Clique aqui e leia mais artigos sobre o assunto.

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

UM CAPUCHO, DOIS LOBOS E UM PORCO VEZES TRÊS


É o nome da peça de teatro infantil que vimos ontem, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.

Certamente levar as crianças ao cinema é dos programas mais comuns, sobretudo no Inverno, porém, Teatro é uma alternativa que não merece ficar de lado! Acredite, ver em carne e osso, mesmo ali ao lado, personagens vivas a falar aquele palavreado, é de dar muita gargalhada.

Marca todas as crianças, não há aventura com tal semelhança!
E para os adultos do alto das cadeiras, é para a tristeza um antídoto verdadeiro!

Um capucho vermelho, muito sabido e malvado que se passeia transversalmente por duas histórias, da vida encantado; dois lobos sedutores e esfomeados, e três porcos pelos seus tristes destinos marcados!

Uma peça de teatro combinada com projecção muda de filme, altamente musical e muito bailada. Os pequenos assistem a tal peça inusitada, completamente siderados!

Porém, na mensagem há muita verdade escondida, pronta a ser debatida, tal como o uso de peles, por vaidade!

Não perca, dê esta prenda, a si e à pequenada!
Do Norte ao Sul vai ser apresentada!
(Sábado 31 de Outubro a Quarta-Feira 4 de Novembro, no Teatro Maria Matos, Lisboa)


Nota: Parece que está em rima este post, não parece?! Saiu assim mesmo, não foi propositado!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

“Patada de burro


(Imagem daqui)

Não chega ao céu”, já diz o ditado popular; isto significa que é algo tão desprovido de inteligência, interesse ou pertinência que deve ser ignorado.

Contudo, frequente e involuntariamente, damos uma ajudinha para que assim não seja. Acontece quando ficamos muito chocados com um comportamento que consideramos anti-ético ou incorrecto e na nossa estupefacção queremos denunciar, rejeitar aquilo que gostaríamos não tivesse sido feito, ou dito.
Lamentavelmente nessa nossa chamada de atenção estamos a publicitar aquilo que achamos que deveria ser suprimido. Um contra-senso, afinal. Estamos a potenciar o pontapé do burro!

Aconteceu comigo; quis denunciar algo que me afectou pessoalmente e dei publicidade à pessoa. E voltou a acontecer recentemente na blogosfera; verifiquei que “uma patada” alcançou dimensões exacerbadas porque muitas pessoas a publicitaram. Quem não sabia (muita gente!) ficou a saber; quem sabia pegou em paus e pedras (virtualmente, claro!), tudo porque “uma patada de burro” foi denunciada, quando mais deveria ter sido ignorada. Não se teria sequer aproximado do céu!

Obs: Os burros (animais!) que me perdoem, pelo uso abusivo do nome, mas a culpa é dos ditados populares porque, eu pessoalmente, acho-os uns animais fofíssimos de olhos meigos!

E a você, amigo leitor, desejo uma excelente semana!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

É de soja!


Há muitos, muito anos, comecei a ter pruridos em comer carne. Revia as vacas, de olhos tristes e convenci-me que eram efectivamente tristes, por saberem que acabariam sacrificadas no matadouro. Com os coelhos e galinhas era a mesma coisa; certa vez chorei abraçada à minha galinha, antes de a entregar a uma vizinha, para que a matasse. A minha irmã estava comigo e depois foi contar a toda a gente!Enfim, adiante…

Mas os meus pais não iam na minha história; vivíamos numa aldeia, toda a gente tinha animais para consumo e devíamos era dar Graças pelo que tínhamos à mesa. Portanto: - Come Fernanda Maria, e deixa-te dessas conversas!

E eu comi. E passou a saber-me muito bem. E mais tarde, quando vivi sozinha nem sequer me passou pela ideia ser vegetariana. No entanto, a ideia não tinha desaparecido de todo.

Há alguns anos deixamos (cá em casa) de comer carne de porco, no entanto era uma carne que achávamos saborosa. Actualmente comemos somente, quando nos é servida em casa de amigos ou familiares, mas já nem sequer nos sabe muito bem.

Mais recentemente, introduzi no cardápio uma refeição vegetariana por semana. No princípio, perante um prato de salada, o meu marido queixou-se (- Eu não sou grilo! ). Mas eu fui paciente, esperei. Mentalidades não se mudam por imposição, não é?! Pode funcionar na política, mas não no Lar! A quota do vegetariano e do omnívoro, onde é que se viu?! Enfim, quem espera sempre alcança e o facto do meu marido ser uma pessoa empenhada na defesa do meio ambiente também ajudou à causa.

Porém, aquilo que eu queria realmente era encontrar um substituto para a carne. Tentei a soja, mas o sabor não me convencia. Se não me convencia a mim, imagine à restante família, sem a minha boa-vontade! Por mais receitas que tentasse, nada. Desisti durante algum tempo, mas voltei à carga e com sucesso desta vez. Da 1ª vez fiz um picadinho de soja delicioso, que acompanhei com arroz branco e salada. Desta vez fiz uma lasanha e ficou muito saborosa. Convenceu a todos, marido e crianças! Vou passar a receita, pode ser útil a alguém.

Lasanha de soja

Hidrate cerca de 200 gr de soja (granulado fino) com água quente e um caldo Knorr, de carne, por 3 h. Mude a água duas vezes de hora a hora. Esprema a soja, passe por água, até deixar de sair espuma. Esprema bem. Faça um refogado com cebola e alho picadinhos e azeite.
Junte a soja, tempere com sal, pimenta, uma folha de louro,cominhos, cenoura ralada e vinho branco. Deixe cozinhar em lume médio cerca de 15 minutos e vá mexendo.
Depois é só montar a lasanha; forre o fundo do pirex com uma camada do picadinho de soja, queijo ralado e molho bechamel, coloque uma placa de massa de lasanha fresca. Volte a repetir as vezes que quiser. Cubra com bechamel, ketchup (ou molho de tomate) e queijo ralado. Vai ao forno a cozer cerca de 40 minutos, a 175º. Cubra com uma folha de alumínio, que é retirada somente para dar uma cor tostada clarinha, 5 minutos antes de desligar o forno.
Sirva com salada verde! E bom apetite!

Ah…onde entra o vinagre Gallo, sabor framboesa?! No tempero da salada! Recomendo vivamente, uma delícia!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O meu cartão de visita

Certamente já conheciam a versão deste frigorífico, o que já dá uma certa ideia do fascínio que este electrodoméstico desperta em muita gente. Eu achei engraçado, porém não direi que este tipo de voyeurismo seja muito o meu género. Mas da minha irmã é: ela tem uma coisa por frigoríficos e despensas, rssss...vá-se lá saber porquê!

Há uns tempos, vi numa revista um artigo em que famosos mostravam um objecto, eleito por eles, que dizia imenso, ou o fundamental sobre eles. Fiquei a pensar qual seria o meu, se tivesse que escolher; uma jóia?! Umas sandálias?!
Um livro?! Não... nada tão politica-social-ambientalmente correcto! Mas antes algo bastante mais prosaico. É o meu frigorífico!
Quem entra na minha cozinha, adulto ou criança, é imediatamente atraído por ele; aproxima-se, observa, faz perguntas e comenta. Porque se você observar atentamente, o exterior do meu frigorífico conta muito sobre a minha vida. Vários desenhos, dedicados ao pai e à mãe, 2 horários de escola, lista de compras em papel reciclado, uma tabela com as farmácias de serviço, vários imanes referentes a países, um poema de Miguel Torga, um folheto sobre reciclagem, receitas de café, etc….

E você, caro leitor, terá algum objecto que revele a sua essência, ou forma de estar na vida? Vá lá, partilhe...

Tenha uma óptima semana!

Actualização: Frigorífico é geladeira no Brasil!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O que querem os homens?

(Imagem "Adam's rib", aqui)

Há dias conversava com uma amiga; ela contava-me as suas aventuras e desventuras amorosas e terminou com este desabafo: - Não percebo o que querem os homens!

Ela é uma mulher bonita, bem-disposta, inteligente, excelente pessoa, regida por valores éticos e humanos, profissional competente e respeitada num meio masculino extremamente competitivo. E mãe solteira, o que a meus olhos a valoriza ainda mais. Há anos que não tem uma relação longa e séria.
E eu fiquei a pensar no que os homens querem. Será que eles também pensam isso das mulheres: - Afinal, o que querem as mulheres?!

É tão simples!
-Um homem sério mas que as faça rir.
-Um homem seguro mas flexível.
-Um homem estável porém aventureiro.
-Um homem inteligente e culto mas que não tenha pudores em manter uma conversa fútil (de vez em quando!)
-Um homem confiável mas que seja também surpreendente.
-Um homem racional, mas também romântico.
-Um homem que cheire a “homem”, apesar de banhado e perfumado !

E não me venham dizer que isto é contraditório,(tão tipicamente masculino!) é tudo perfeitamente conciliável; marinheiro que não sabe navegar em duas águas ainda tem muito que aprender!

A lista poderia ir por aí fora, porém grande parte da piada está na descoberta; se desejar, acrescente você algum item à lista. E se for homem, p.f. , responda-nos: - O que querem os homens?!

Nota: Esta pesquisa não é baseada em entrevistas, estatísticas ou qualquer outro tipo de auscultação; na verdade é somente o que a autora pensa que “elas querem”.

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Solidão extrema

(Autor Sebastian Barry)

”Escritos secretos” é, até hoje, o melhor livro que li este ano; o autor, Sebastian Barry, possui uma acuidade excepcional na descrição de sentimentos e sensações. Frequentemente, detenho-me numa frase, fecho o livro e fico a reflectir.

A personagem central e co-narradora, uma senhora centenária, escreve:
”Estou completamente só, não há ninguém no mundo que me conheça, agora, fora deste lugar, toda a minha família.... , já todos desapareceram”. Pág.14

Muitas vezes, observando idosos, perguntava-me como se sentiriam eles.

Como se sentirão os velhos sobreviventes, vendo desaparecer, um a um, pais, tios, irmãos, maridos, mulheres, amigos e vizinhos. E algumas vezes também, filhos. Consegue imaginar a solidão? Imagino-a tão intensa, a ponto de deixar a alma roxa com falta de oxigénio.

É por isso que ninguém deseja ser imortal; por muito egoístas que sejamos viver sem aqueles que amamos e nos amam não faz qualquer sentido.

E isto faz-me lembrar que devemos desfrutar a vida plenamente; amar e ser amados, convidar amigos e familiares, inventar pretextos de reunião, conversa e risos. Fazer da vida uma festa; festa enquanto dura!

Tenha uma excelente semana!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Casamento à força de punhos!

Legenda: Miss Piggy, a eterna namorada de Cocas. Agora entendi porquê!

Normalmente não vejo novelas; excepto as do Manoel Carlos, essas sigo, não perco um episódio. No entanto, acabo por frequentemente ver um bocadinho da novela da noite, enquanto espero o programa que quero realmente ver. Por isso, e porque aqui perto de casa havia um evento, extremamente barulhento, fiquei acordada a ver um episódio de “Caminho da Índia”, até ao final. Então, algo de verdadeiramente revelador aconteceu!

Uma personagem, chamada Melissa, deu uma enorme tareia à amante do marido. E ainda lhe confiscou a jóia que o seu marido lhe tinha oferecido. Até aqui nada de novo, não é?

Acontece que eu sempre achei uma imensa tristeza mulheres que espancam amantes; não compreendia. Afinal quem tem um compromisso com elas? Quem jurou fidelidade? Quem jurou amar e cuidar? O marido, o marido, o marido! Então, porquê ir à outra pedir satisfações?! Achava eu que era pura fraqueza; já que não podem espancar os maridos, espancam as amantes! Errado! Incorrecto! Falso!

Nessa cena da Melissa eu compreendi ( – finalmente, aleluia, aleluia!) que as legítimas espancam as amantes para as assustarem. Para as afastarem! Porque elas querem manter os maridos.

Fiquei CHO-CA-DA!
Como é que eu não sabia uma coisa dessas?! Serei assim tão ignorante das artes(manhas) femininas?!
É, acho que sou.

Tenha uma boa semana! Com muita paz!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O pai dos sábios


Estes dias lia uma crónica num pequeno jornal quando me deparei com a designação: “pai dos burros”, referente ao Dicionário. A autora, professora de Língua Portuguesa por sinal, lamentava-se do frequente “assassinato” da língua materna, que a levava muitas vezes, a duvidar da sua correcção, e por conseguinte a obrigava a consultar o "pai dos burros" ou seja, o Dicionário.
Fiquei irritada! Muito irritada.

Tive um professor de Literatura Portuguesa, na Faculdade, que certa vez nos atingiu com um veemente sermão, a propósito de não termos preparado um texto, como ele nos recomendara. E ele perguntava-nos quem julgamos nós que éramos, pois ele – afirmava - continuava a usar o Dicionário frequentemente, que esse era um livro para ser consultado toda a vida. E nós, a engolir em seco, em culpado silêncio, enquanto recebíamos uma lição de humildade, mais do que merecida, de alguém que realmente considerávamos um grande professor.

Desde esse dia que consultar o Dicionário se tornou, para mim, um enorme prazer; ele está aqui mesmo à mão, por cima do pc e uso-o frequentemente. Muitas vezes para saber o que significa determinada palavra. Às vezes com as crianças. Por vezes somente para descobrir novas palavras. Contudo, foi preciso ouvir alguém, que considero ser um sábio, fazer o elogio ao Dicionário para compreender que na aprendizagem não há burrice. Burrice existe quando não há aprendizagem. Burrice é chamar “pai dos burros” ao Dicionário, apontando um dedo acusador a quem procura o conhecimento.
Por isso eu digo: Dicionário, pai dos sábios!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O sonho


(o Sonho, Henri Rousseau)

Eu sempre sonhei imenso. Lembro-me de alguns sonhos que tive em criança, um em particular, por ser recorrente e me deixar extremamente assustada; até hoje não consigo explicar porque um grão de areia a crescer me deixava em pânico. Recordo outros, também assustadores, que me marcaram. Na adolescência comecei a ter sonhos que primavam pela originalidade, então comecei a registá-los num caderno, não porque acreditasse que tivessem algum significado, mas apenas por serem divertidos.

Na idade adulta os meus sonhos tornaram-se mais complexos, muitas vezes repetição do meu dia, das minhas preocupações e problemas. Então, aquele que se repetia mais era a queda. A sensação de cair, de sítios extremamente altos, para os quais eu nunca subiria acordada (porque sofro de vertigens) era terrível e o choque acordava-me automaticamente. Numa determinada noite, estando em queda livre, lembrei-me subitamente:” - Isto é um sonho! Posso fazer o que quiser.” E comecei a flutuar. Ao fim de algum tempo acordei. Mas foi muito excitante aquela sensação de controlo!


Naturalmente, desde que me tornei mãe tenho alguns sonhos com os meus filhos. Por vezes são pesadelos, e nesses, quando a situação começa a ficar demasiado insuportável eu acordo automaticamente. Assim, com um clic! Um automatismo que eu criei, certamente, para me salvaguardar. Muitos dizem que o sono é um desperdício da vida, porém se conseguíssemos controlar o sonho, esse período de descanso físico poderia ser bem mais produtivo.

Então, eu começo a especular; já imaginou se você conseguisse controlar os seus sonhos? O que é que você faria? Aonde iria? Com quem estaria?

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma espécie de jornal

Quando os primeiros jornais grátis começaram a ser distribuídos pelas ruas das cidades, houve quem dissesse que isso seria o fim dos outros jornais; e vimos jornais prestigiados, com longos anos de publicação serão fechados, ou assimilados, como o Comércio do Porto e o Independente. Não creio que os jornais grátis fossem os responsáveis por isso, acredito que a internet teve muito mais peso, no entanto, estes dias em Londres impressionei-me com o número de publicações grátis que são distribuídas diariamente às entradas e saídas do metro. Pelo menos 4 jornais diferentes!

Os artigos são curtos, a escrita fácil, com recurso constante à gíria e os assuntos, na sua grande maioria, fúteis e demasiadamente efémeros. São absurdamente especulativos; num dia vinha uma foto de Madonna, com uns braços escandalosamente musculados, e veias salientes. Passados dois dias revelam que a foto tinha sido manipulada!

Jornais a sério são feitos por jornalistas profissionais, cuja assinatura no fim do artigo dá credibilidade ao Jornal e o nome deste dá credibilidade ao jornalista. Jornais a sério pagam investigações, possuem repórteres em várias partes do globo e têm peso na sociedade com as suas matérias. Jornais destes não podem ser grátis; por isso mesmo, leitores a sério preferem jornais sérios, que lêem de ponta a ponta, durante dias, carregando-o debaixo do braço.

Jornais grátis ficam esquecidos nos bancos do metro, atirados ao chão displicentemente, depois de terem sido folheados com o interesse fugaz de uma curta viagem. Um desperdício lamentável de papel para um exercício sub-mental.

Porém, fico-me com a questão: será que ainda existem leitores de jornais a sério?!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Caixa de óculos é " fashion"!


Coitadinhas das crianças da escola que precisavam de usar óculos! Eram vítimas fáceis, arrumadas com o monótono e simples argumento: "Cala-te, caixa de óculos!". Não me recordo de ter utilizado argumentação tão rasteira, até porque o meu pai usava óculos desde que eu o conhecia, portanto eu sabia que só usava óculos quem via mal. Mas lembro-me de colegas atirarem o insulto como se a miopia fosse um crime, ou algo altamente reprovável.
Efectivamente, naquela época os óculos de criança eram cópias dos de adultos, extremamente feios, e GRANDES, isso sim!

Felizmente hoje em dia as crianças que usam óculos dispõem de uma infinidade de modelos e cores que só os envaidecem e destacam. De tal modo, que o melhor amiguinho do Duarte ficou muito decepcionado, quando este ano fez um exame de rotina à visão e não necessitou de óculos! Ainda assim, ele mantém a esperança de que precise, no próximo ano, rsss…

Vejam só a mudança de mentalidades! Isso é bom, não é?! No entanto, achei um bocado demais ler que os fashionistas londrinos desfilam actualmente com modelos de óculos incrivelmente enormes, precisando deles ou não, inclusivamente que os usem sem lentes, por não necessitarem deles at all! Mais um insulto estereotipado que a moda deita por terra!

Mas, óh, atenção: Ser caixa de óculos é fashion, mas tem que ser daqueles modelos enooooormes e quadrados ;) E fica a dica!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Férias em Londres (com crianças)


 Natural History Museum

Não pretendo fazer um relatório das nossas férias, com certeza cansativo e nada original, para quem conhece Londres, porém gostaria de partilhar a versão “férias em Londres para crianças”. Continuamos adeptos de férias em família, conscientes que férias nas metrópoles podem ser cansativas para as crianças, porém convictos que estas experiências nos soldam mais ainda enquanto membros da família e alargam imenso os horizontes dos pequenos.

Vivendo numa pequena localidade o único transporte que as crianças utilizam é o carro, portanto a diversidade de transportes que utilizamos nestas férias, foi por si só um acontecimento excitante: avião, táxi, metro, comboio e autocarro: de dois andares! Suponho que as crianças já aprenderam a valorizar estas pequenas coisas, tal como eu, que as fazem felizes!

Não direi que museus sejam todos interessantes para os mais pequenos, os meus adoraram o Museu da História Natural (duas vezes, tivemos que lá voltar, felizmente a entrada nos museus é grátis!) e da Ciência; só lá estávamos como acompanhantes, porém nos restantes museus coube-nos a nós torná-los interessantes. É fácil, basta contar histórias da História, para que fiquem motivados; observando uma máscara diabólica, acoplada a um capacete de guerra, da Idade Média, conversamos sobre o porquê de tal máscara, que seria para assustar o inimigo, ainda antes da batalha começar. De resto, todas as pinturas e esculturas clássicas, recriando figuras da religião e mitologia fornecem histórias fascinantes que qualquer criança terá interesse em ouvir.

Em Hampton Court tivemos oportunidade de ver, ao longo do dia, a recriação do dia de casamento de Henrique VIII com a sua última esposa, Katherine Parr; a história inusitada deste rei (que mandou decapitar 2 mulheres e casou 6 vezes) fascinou os pequenos, que ávidos em detalhes da sua história, me repetiam constantemente: mãe, estou à espera! Sempre que eu parava de falar, para ler alguma legenda ou observar detalhadamente algum objecto.

Enfim, banhos de cultura e multidão em vez de banhos de sol e de mar podem ser muito cansativos, mas intelectualmente revigorantes. É decididamente o caso!

É bom estar aqui novamente. Tenha uma óptima semana!

Adenda: Se procura informação mais turística, veja no Londres para principiantes. Muito bom!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Notícias, telejornais e jornalistas


É impressionante como a maior parte das vezes me sinto desactualizada de notícias ruins! Já há muito tempo desistimos de ver telejornais cá em casa, pois o horário – hora de jantar - é incompatível com o teor das notícias e imagens; como manter o apetite, como saborear uma comida gostosa, quando o que se vê e ouve nos tira o apetite?!

Há muitos anos atrás o telejornal tinha “cabeça-tronco-e-membros”, entravam primeiro as notícias mais importantes - as nacionais - em seguida as internacionais e por último o desporto. Quem desejasse ver apenas uma “secção” poderia orientar-se e ver somente o que lhe interessava. Por exemplo, eu nunca via o final do telejornal, porque regra geral o desporto não me interessa.

Actualmente o telejornal é uma autêntica mixórdia de notícias; misturam as notícias todas, dão prioridade ao que não tem importância alguma, e o desporto resume-se a futebol! A saída do novo cd do Tony Carreira é notícia de telejornal, com chamadas de destaque ao longo do mesmo, a mudança de clube do Cristiano Ronaldo dá pano para mangas. Muitas mangas! E bem compridas!

Relativamente ao conteúdo, os jornalistas demonstram um apetite voraz e insaciável por notícias trágicas; o manjar tem sido a recessão, acompanhado pelo desemprego e aumento de criminalidade. Este é o prato da casa! No entanto, ultimamente surgiu outro, digamos... que é uma espécie de sobremesa - a gripe suína! Os casos são escrupulosamente contabilizados: “Mais um caso de gripe suína em Portugal! Ontem eram 171, hoje são 172! “

Tenho cá para mim que os jornalistas devem estar mesmo a torcer para que a pandemia de facto aconteça! No entanto, na cabeça das pessoas já é um facto; é incrível a quantidade de pessoas que está a desistir de viajar nas férias com medo da gripe A!

Quer um conselho? Vou dar ainda assim: Viaje, descanse, divirta-se! Boicote os telejornais, não as suas férias! As férias não causam depressão, ao contrário dos telejornais.

Tenha uma óptima semana!
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ACTUALIZAÇÃO:

Nem pensem que eu falo e não faço.
Fui!


I'll be back soon!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia do agricultor

(Imagem daqui)

É hoje e eu nem sabia que existia, mas também, pergunto: alguém sabe disso?

O grande problema do nosso país foi desde sempre não produzir; quem o diz é o prof. Hermano Saraiva e creio que está certíssimo. Agora agrava-se ainda mais. A nossa agricultura não existe, a nossa indústria morre todos os dias, a nossa frota pesqueira é praticamente invisível. Comemos os frutos e cereais franceses, o peixe espanhol, a carne inglesa, e vestimos a roupa feita na China, Coreia, Índia e por aí fora.
Estamos a ficar dependentes de países que entraram no nosso mercado com preços competitivos e “arrumaram” com os produtores nacionais. Tiveram também a ajuda dos nossos Governantes, que pagaram para que pés de videira e oliveiras fossem arrancadas. Que multaram os produtores de leite, por produzirem leite demais.

Um belo dia, quando a velha geração de agricultores, últimos resistentes, partir, ninguém saberá como pegar na enxada, como fazer a poda das vinhas, como transformar as azeitonas em azeite e as uvas em vinho. Ninguém saberá como tecer uma peça de pano, cortá-la e costurar uma camisa. Não vai restar ninguém que saiba atirar as redes e em que local do mar, para pescar peixe. Nesse dia, os nossos fornecedores estrangeiros, a preços incrivelmente baixos mudarão os preços nas etiquetas e nós pagaremos o que eles quiserem. Pagaremos caro. Aliás, já estamos a pagar caro.

Hoje é dia do agricultor, do homem que trabalha a terra, que semeia e planta; que rega, aduba e poda. Que faz nascer frutos e vegetais. Para nós comermos. A vida do agricultor é dura, sem horários, sem fim-de-semana. O corpo do agricultor molha-se com a chuva, enruga-se com o sol, arrepia-se com o frio. E no final do mês falta o dinheiro e sobram preocupações. Sempre.

Hoje é dia do agricultor e eu vou ao mercado. Vou comprar a quem produz. E para a semana também.

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A primeira vez



Vá lá...tire o sorriso malandro da cara, que este é um blogue familiar! Rssss...
Estes dias, enquanto eu terminava uma tarefa encarreguei a Letícia de fazer a lista das compras; eu ia ditando e sempre que ela tinha dificuldade com alguma palavra, soletrava-lhe. No final ela ficou extremamente orgulhosa com o feito e eu também. A minha pequenina de 6 anos, já escreve! Guardei a lista, juntamente com as outras coisas que ela tem feito. Porque foi a 1ª lista de compras da Letícia e as primeiras vezes têm sempre o efeito de me emocionar. Também guardei a do Duarte, há um ano atrás. Ele tinha ficado igualmente orgulhoso de si próprio.

Porque as primeiras vezes nos marcam taaanto?

Primus: Porque antes não éramos capazes de o fazer.

Secundus: Porque testamos a nossa inteligência e habilidade e passamos no teste.

Tertius: Porque a partir daí sabemos que poderemos repetir. Se quisermos ou precisarmos.

Quartus
: Porque vivemos a vida!

Que maravilhoso privilégio descobrir, constantemente, a “primeira vez” disto e daquilo ao longo da vida, não é?!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Era uma vez uma sementinha...


Falo sempre a verdade aos meus filhos; respondo com sinceridade numa linguagem ao nível deles. Eu sabia que o tempo das questões verdadeiramente difíceis se aproximava, contudo não deixei de engolir em seco, quando o Duarte me perguntou há pouco tempo como se faziam os bebés.

Tinha-me saído tão bem com a história do parto! Graças às cesarianas que fiz, a explicação foi sucinta e sem rodeios: o médico deu um medicamento à mãe, chamado anestesia, que tira as dores e depois fez-lhe um corte na barriga, por onde tirou os bebés! Lindo, maravilhoso, indolor e verdadeiro.

Fico sempre com aquela dúvida, qual o limite do aceitável e compreensível para as minhas crianças, porque eu quero ser uma mãe aberta e verdadeira sem lhes dar nós nas cabecinhas! Há muito tempo, li algures que se a criança tem maturidade para fazer uma determinada pergunta, também tem maturidade para ouvir a resposta. Então tento pautar-me por aí.

Por conseguinte, respondi que o pai colocava umas sementinhas na mãe, que cresciam e se transformavam em bebés. A explicação não suscitou mais dúvidas, embora eu as esperasse.(E receasse!)

Sinceramente, achei a minha própria explicação demasiado simplista mas por outro lado lembrei-me que se o Duarte não tinha aprofundado mais o assunto é porque ainda não tem maturidade para ouvir respostas mais assertivas. Entretanto, ao folhear uma Marie Claire(Nov.2008), deparei-me com um artigo, intitulado: “Diz, os teus pais fizeram-te como?”, em que diversas crianças respondiam a algumas perguntas. Fiquei alegremente perplexa com a ingenuidade de crianças, algumas mais velhas do que as minhas. Eis algumas pérolas:

Marie Claire: Sabes como os teus pais te fizeram?

Lisa (10 anos): Deram beijinhos.

Nina (8): Deram beijinhos na boca e depois alguns bichinhos vão pelo corpo da mãe.

Martin (6): Não sei.

Clemence (9): Penso que eles se beijaram, mas foi o médico e não o papá que fixou a data do nascimento.

Romaine(7): Não, a mamã está demasiado ocupada para me explicar!

Wanda(8): Eles fizeram amor e 9 meses depois eu nasci. Fui eu que quis saber. É importante compreender como nascemos.

Marie(7): Eles fizeram festinhas, depois uma sementinha vai para a barriga da mãe.

Ronan (9): Ninguém me disse, mas eu vi um filme sobre cavalos...para os papás e mamãs não é exactamente igual, mas há algumas coisas semelhantes.

Afinal a história das abelhas ainda continua válida, porque no séc.XXI as crianças ainda continuam crianças!

Boa semana!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cozinhar está na moda?

(Imagem daqui)

Já ouviu dizer? Pois, não acredite! Quem o diz baseia-se na ideia de que existem cada vez mais blogues de culinária, muitos deles visitados por centenas de pessoas diariamente; e é verdade que até no "Mãe muito mais..." uma das entradas mais populares via Google é “scones fofos”! Contudo, nunca no supermercado tivemos tanta oferta de pratos feitos, muitas vezes evocando sabores tradicionais, como a sopa da avó, ou bolos semi-prontos, tudo congelado, bastando colocar no micro-ondas para servir. Uma refeição em 3 minutos!

Dizem também que as cozinhas são espaços cada vez mais deslumbrantes e bem apetrechados, o que é uma evidência, para quem visita blogues de decoração. Et voilá, toquei no ponto! Decoração, isso sim, está na moda!

Porque, deixe-me dizer-lhe, só quem não cozinha a sério, utilizando óleos e azeites, produzindo vapores, se pode dar ao luxo de colocar quadros por cima do fogão, livros em estantes, papel na parede e verdadeiros candelabros no tecto da cozinha! E no fim das contas cada membro da família pega num tabuleiro e come em frente à t.v. . Ou nos quartos, sozinhos!

Eu gosto imenso de decoração, tenho inclusive montes de blogues nos meus favoritos que me inspiraram e solucionaram problemas decorativos. Portanto, acho muito bem que outros (muitos outros) também gostem, e até compreendo!

Eu vejo a questão desta forma: vivemos num mundo tão difícil, com tantos problemas, que entrar em casa ( que também é o nosso mundo) seja importante estar rodeado de coisas bonitas. Objectos com os quais nos identifiquemos e que expressem o nosso bom-gosto, as nossas vivências, a nossa família e até o nosso passado. Na decoração criamos um mundo nosso, feliz e alegre, todo contrário ao Mundo lá de fora. Por isso, é que a decoração está na moda.
Uma evasão - poderão alguns dizer...mas evasão por evasão, antes uma que tenha estética, digo eu!

Tenha uma linda semana!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

FORWARD = Para a frente

(Imagem aqui)

Quem pensa que email é um meio muito rápido de comunicação não me conhece; na última vez que entrei na minha caixa de correio tinha 142 mensagens por abrir! Claro que o facto de eu reduzir o meu tempo na blogosfera implica reduzi-lo também no pc e consequentemente o meu correio electrónico fica muito atrasado. É também um facto que GRANDE parte destas mensagens são forwards, que eu vou, mais tarde ou mais cedo, abrir.

Forwards são mensagens que circulam na net, frequentemente em pps ou ppt que recebemos e enviamos. Conheço muita gente que não gosta de os receber; por exemplo o meu marido avisa sempre que não quer e quando recebe apaga-os. Excepto os meus; porque ele sabe que eu só lhe envio aqueles Fw’s que lhe interessam.

Frequentemente, amigos e familiares agradecem-me, e dizem-me que gostam imenso dos Fw’s que eu envio e pedem-me para continuar a enviar. Porquê? Porque eu faço um criterioso rastreio a todos os FW’s que recebo. Como?

Mensagens xenófobas e misóginas, como anedotas: Delete!

Mensagens que eu já li há n tempo atrás: Delete, outra vez!

Mensagens lamechas: Delete again!

Mensagens de cadeias (se não enviar algo de terrível vai-lhe acontecer nas próximas horas): Delete, delete, delete!

O que fica? Humor sadio, textos espirituais, casos de vida inspiradores, informações de saúde ou temas da actualidade que considere inteligentes e fidedignos.

Envio para todos os meus contactos? Não; conhecendo as pessoas, envio os Fw’s que sei serem do interesse de cada um. Dá um pouquinho de trabalho mas considero-o uma atenção que tenho para quem envio. É muito aborrecido enviar FW’s e decorridas algumas horas ou dias, voltar a recebê-los de alguém a quem os enviamos. Há dias aconteceu-me isto. Novamente. Só que desta vez, vinha inclusive uma pequena mensagem pessoal, assinada por mim, que pelos vistos anda por aí a circular. Chato!

Outra coisa que tenho em atenção: os contactos nunca são visíveis. Para quê exibi-los?! Devemos proteger os nossos contactos e fazê-lo não custa rigorosamente nada.
Porque insisto em ler Forward’s ? Porque ás vezes surgem autenticas pérolas, que fazem com que valha a pena!

That’s it! Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O melhor amigo ou bons amigos?


Há dias o Duarte comentava que o melhor amigo dele era o A. e imediatamente, eu e o meu marido, perplexos, perguntamos em uníssono:
-Quem?! Mas tu já nem brincas com ele!
-Pois não, mas ele foi o meu primeiro amigo, no Infantário.

Então, aproveitei a oportunidade para conversar com o meu filho sobre a amizade.

Quando eu era criança, a minha mãe teve uma conversa semelhante comigo; a família atravessava um problema sério e antes que eu tivesse tempo de comentar com alguém a minha mãe disse-me que determinados assuntos não deveriam sair de casa. Que na família estavam os nossos melhores amigos. Parece-me que este foi o ensinamento da minha mãe que mais me marcou. Tive sempre amigos, mas nunca uma melhor amiga. Esse tipo de amizade fusional causava-me urticária. Também não acreditava em amizades com pessoas que são amigos de todos; chamava-lhes "personalidade de plasticina", porque bem via como tinham que se adaptar constantemente.

Ainda hoje não acredito nisso de melhor amiga. No geral tenho visto que não funciona; ou acabam por trair confidências ou roubam o marido. A sério; isso de ter alguém a entrar e sair da minha vida, da minha casa, da minha família, sem pedir licença é demasiado invasivo para a minha maneira de ser. Acho que sou individualista demais para tal. Para ser totalmente sincera…certa vez tive “um melhor amigo”. Mas depois acabei por me casar com ele. Eu não disse que não dava certo?!

Resumindo, disse ao Duarte que devemos ter alguns bons amigos, não necessariamente um melhor amigo. E você, tem um melhor amigo ou bons amigos?

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A fragilidade da felicidade

(Imagem daqui)
Quando eu era adolescente pensava que a felicidade não existia; não acreditava no casamento, muito menos que durasse para toda a nossa existência. E dizia que dormir era a melhor coisa da vida. Felizmente que a capacidade de reflexão e a experiência me ensinaram que a minha vida não teria que ser igual àquelas que eu conhecia em meu redor. A maturidade mostrou-me que somos nós que riscamos o nosso caminho e olhando para o caminho traçado ao lado podemos aprender e evitar aqueles erros.

Ouço muito as pessoas dizerem: a felicidade não existe, somente momentos felizes. Permitam-me discordar; hoje eu acredito na felicidade como um estado de alma contínuo. Simplesmente creio que o meu conceito de felicidade é um pouco diferente. Enquanto para maioria das pessoas felicidade é um estado de exaltação que se atinge num momento de extrema alegria, por sei lá…ter ganho um prémio, uma herança, uma jóia, ter comprado o carro ou a casa dos seus sonhos; ser promovido, ver a sua foto no jornal, etc, para mim a felicidade é mais calma. Digamos que é exactamente o tempo anterior e posterior a todos esses acontecimentos. Vou usar uma metáfora futebolística: enquanto a maioria fica feliz no momento do golo, eu já estou feliz na preparação do golo e também depois da marcação. Eu saboreio cada momento.

Por vezes, quando entro em contacto com outras realidades, de pobreza, doença, violência, injustiça, etc, eu digo para mim: como é difícil ser feliz neste mundo! Como conciliar a minha felicidade com existências tão sofridas, onde não existe sequer esperança? Virando a cara? Olhando para o meu umbigo? Creio que muitos o fazem, mas saiba que dizer somente: - Ah como eu tenho pena das crianças maltratadas! Não faz de si uma pessoa sensível. Se você virar a cara para o lado. Contudo, se você olha, , se compadece e faz um gesto, ainda que isso minore o sofrimento de uma única alma, ainda que seja por momentos, aí sim, você será uma pessoa sensível. E isso, garanto, não vai abalar a sua felicidade.

Repare, a fragilidade da nossa felicidade alimenta-se da indiferença, de todas as vezes que viramos o rosto!

Desejo que tenha uma feliz semana, de olhos bem abertos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A culpa é do Clooney


Gosto imenso de café, do aroma, do sabor, porém mais do que isso, eu preciso do café para ajudar-me a acordar, e para me curar as enxaquecas. Gosto imenso do café que faço em casa, na minha cafeteira italiana. Tomamos o melhor dos cafés: “ Delta, café Timor”. Porém, de há um tempo para cá, parece que a minha família foi apanhada pelo vírus “Nespresso”; tomam esse café em casa de alguém e saem para comprar a máquina! Dizem que aquele café é igual ao do Café, que tem espuma e que é ainda mais económico. Praticamente obrigam-nos (a mim e ao meu marido) a concordar e sugerem-nos sítios onde podemos adquirir a dita máquina. Até o meu cunhado, que se recusa a comer alimentos que tenham estado guardados em recipientes de plástico, toma feliz da vida o seu Nespresso, nas chávenas de plástico que vinham com a máquina.

Sinceramente? Não gosto do sabor do café Nespresso. Nem sequer aprecio aquela espuma, que só deverá ser produzida às custas de algum componente artificial. Muito menos me agrada o uso de cápsulas de plástico, que vêm produzir ainda mais lixo. Por último: o próprio café, que miscelânea será aquela, vinda de onde?!

Na embalagem do “Delta, café Timor”, vem a seguinte informação:
"O selo de certificação da Rainforest Alliance garante que os agricultores têm condições de vida dignas e acesso à educação, assistência médica e seguem práticas sustentáveis que protegem as florestas, os solos, os rios, e o meio ambiente. O café proveniente destas explorações agrícolas contribui para a preservação dos ecossistemas e manutenção da biodiversidade.”

Será pouco?! Pois bem, o grupo Nabeiro é português e tem enfrentado a actual recessão estoicamente, sendo citado frequentemente como um exemplo de sucesso, que sobretudo não é conseguido às custas da demissão de trabalhadores, mas pelo contrário na contratação de mais trabalhadores!

Por conseguinte, quando o George Clooney me aparece na televisão a dizer: what else? Tenho vontade de lhe responder: What else?!Back off, George, we have Delta!
Ah! Só mais uma coisinha…se realmente tem vontade de ter uma máquina de café para cápsulas pré-doseadas, a Delta também as tem! E ao contrário da Nespresso, que só poderá adquirir via net ou no Norteshopping, a Delta tem as cápsulas em qualquer supermercado. Vá lá, compre português!

Ah, afinal só uma outra coisinha…a Delta está a abrir lojas no Brasil; veja aqui, que vale a pena!

Se ao menos a Delta contratasse Brad Pitt para tomar café! É que o povo precisa dessas pessoas!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Promover a inspiração e incrementar os comentários

(Imagem daqui)
Tenho notado que alguns blogues demoram cada vez mais tempo a actualizar, e frequentemente leio que os próprios blogueiros se queixam de falta de inspiração; não sabem sobre o que escrever, enfim, o mais terrível dos pesadelos! Bem, encontrei a solução e vou partilhá-la agora mesmo!

Nada como a experiência de vida; há uns tempos atrás tive uma amigdalite aguda que mal me deixava pronunciar umas palavras soltas (o que mais fazia era sorrir!). Ora acontece que comecei a sentir uma crescente actividade mental e sub consequentemente uma necessidade imperiosa de me expressar; peguei no portátil e mesmo na cama escrevi vários textos num só fôlego, que guardei na pen. Até publiquei um post extra (já repararam que só posto semanalmente?).

Concluindo: faça voto de silêncio durante um dia ou dois e verá que assunto não lhe vai faltar!

Já que estou numa de partilha e muito bem-humorada, vou dar-lhe outra dica, se for o caso de querer aumentar o número de comentários. Basta publicar um post a dizer que vai apagar o blogue; para um efeito mais convincente diga que se sente magoada, incompreendida por algum comentário maldoso. A sério, dá certo! Quer a prova? Aqui vai; certa ocasião, encontrei um blogue cujo último post falava exactamente isso. Havia uma quantidade impressionante de comentários, que eu fui ler (sou leitora de comentários, já disse) e montes deles diziam assim: “ Não faça isso! Adoro vir aqui, já te acompanho há x anos, nunca comentei antes, mas tenho-te acompanhado sempre, blá, blá”. Muito tempo depois encontrei, por coincidência, esse mesmo blogue e verifiquei que se encontrava de boa saúde, bem gordinho de comentários inclusive!

É, eu tinha razão desde o início: blogueiro é exibicionista e quem lê é voyeur!
Por mim, não tenciono apagar o meu blogue, portanto, querido leitor silencioso, continue aí, tranquilamente!

Tenha uma semana feliz, com gargalhadas e muito blá blá!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Twiteira, eu?!

(Imagem aqui)
Eu sei que não devia, afinal tenho reduzido drasticamente o meu tempo na net, portanto não faz sentido nenhum, mas o problema é que não consigo resistir a novidades. (Tal como não consegui resistir àquele site “ Descobre quem te bloqueia no MSN”, quando eu nem sequer sabia que se podia bloquear alguém, mas enfim, isso já é outra história). Nem tão pouco gosto de me sentir desactualizada. E ele parecia estar por todo o lado! Por conseguinte, quando o próprio Johnny Árias (seja lá quem for!) me enviou o convite…lá fui inscrever-me no omnipresente Twitter!

Agora a sério, quem poderá estar interessado em ler coisas destas:
- B. está a fazer sandes de manteiga de amendoim para as crianças, e eu também deveria comer, mas estou tão cansada que não consigo!
Ou:
- Os meus sogros já foram embora! Não gosto deles; eles adoram a 1ª mulher do meu marido!

Não, sem brincadeira: isto dito por mim é absolutamente desinteressante, mas mesmo que seja a Angelina Jolie a dizê-lo, tem realmente algum interesse para alguém?!
Que coisa mais ridícula! Eu sempre soube que os “famous and rich” também comem porcarias! E que têm os seus desamores! Será realmente necessário andar a ler as coisas que eles escrevem? Talvez nem sejam eles… já pensaram nisso? Talvez tenham guionistas que o façam!

Eu achei ridículo, contudo, se você for twiteiro e pensar alguma coisa positiva deste microblogue, “tweet me, please”! Aí mesmo, na caixa de comentários…

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A verdade da mentira

(Imagem daqui)
Há dias tive um confronto com uma pessoa; ela andava a comentar uma determinada história, contando uma versão muito adulterada (isto dito de forma algo...suave). Sabia que ela já tinha comentado antes esta “versão particular” com a minha irmã, que para evitar o confronto resolveu ignorar mas eu não podia fazer o mesmo. Então discutimos, porque essa pessoa, creio, já começava a assimilar a “sua versão” como verdade e debatia-se para negar o que realmente tinha acontecido.

Se nos calamos perante a mentira estamos a permitir que a mentira se instale e depois disso ela tornar-se-á verdade. Mas calma, não me aplaudam já; eu tive que falar, esclarecer aquela história porque era EU a visada dessa “versão particular”. Senti-me lesada e defendi-me.
Se nós fossemos tão sedentos de justiça para com os outros, como somos para nós, a justiça funcionaria muito melhor. Se fossemos tão atentos ao que se passa ao nosso lado como somos em que se encontra no centro da nossa vida, seríamos com certeza muito mais solidários!

Não pensem que fiquei zangada com a minha irmã; sei que ela não gosta de confrontos e que frequentemente se cala em sua própria defesa, portanto porque não o faria desta vez? Eu é que não sou tão boa…

Concluindo: o exercício de nos colocarmos no lugar do outro é fundamental para exercermos o altruísmo e, claro, para sermos mais justos!

Tenha uma óptima semana!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Eu sou a minha igreja


(Michelangelo, Capela Sistina)

Há dias a “beata-mor” cá da terra perguntou-me porque não iam os meus filhos à Catequese. Habitualmente só discuto religião com amigos ou pessoas muito próximas, porém a questão era directa que não vi forma de me esquivar. Tentei responder com a verdade, mas ainda assim de forma evasiva:
- Porque não acredito na Igreja como organização religiosa.
Ela argumentou, e eu contra-argumentei, fazendo o maior esforço para não expor pensamentos que considero íntimos e que só a mim dizem respeito. Depois de me tentar “converter” ela concluiu que eu tinha tido uma formação religiosa precária. Senti-me questionada, julgada e sentenciada em escassos 4 minutos. Pensei com a mesma arrogância como poderia isso ser possível, tendo sido educada na fé Católica, tendo feito a catequese e tendo inclusive estudado na Universidade Católica. Abstive-me de revelar o meu pensamento e respondi-lhe que gostava de pensar por mim própria; estudar e tirar as minhas próprias conclusões.

Não reconheço nas senhoras catequistas capacidade, superior á minha e do meu marido, para ensinar os meus filhos. Pelo menos, a ensiná-los a serem o tipo de pessoas que eu pretendo que sejam, e em cujo processo estou envolvida desde que nasceram. O meu projecto não é criar “super-criaturas”, somente seres pensantes, responsáveis pelos seus actos e abertos à realidade que os rodeia. Curiosos o suficiente para procurarem o conhecimento e a experiência e tolerantes quando encontrarem a diferença.

Talvez seja um projecto “revolucionário”, numa época onde abundam papagaios e carneiros, que um ou dois pensem e actuem conforme a consciência é uma missão arriscada. Remar contra a maré provoca fricção, incómodos e questionamentos. Não é, portanto, uma posição fácil e muito menos popular. Porém, aquilo que eu desejo é que os meus filhos “acreditem” e se daqui a alguns anos o meu filho me disser que não pode comer vaca, porque ela é divina eu vou respeitar. Eu quero que eles “acreditem”, acreditar em nada produz o quê? Nada. É improdutivo. Por isso espero que os meus filhos acreditem, sem ficarem fossilizados em dogmas. Sem tentarem converter, nem convencer. Apenas “ser”; acreditar num templo interior onde Deus está a todo o momento e viver a fé sem precisarem de bengalas. Porque acredito que a nossa ligação a Deus não necessita intermediários e que a igreja somos nós.

Tenha uma semana abençoada!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A beleza é natural, a perfeição cirurgical *


(Rapariga no toucador, Giovanni Bellini)

Quando eu e as minhas irmãs éramos adolescentes morríamos de rir quando a mãe dizia que fulano(a) ou sicrano(a) era muito bonito(a). De facto, o conceito de beleza da minha mãe era bastante lato e generoso e confesso que não o compreendi durante longos anos. Com a maturidade fui descobrindo que o conceito de beleza é muito relativo; no julgamento de outrem vai além da aparência e no do próprio tem muito a ver com a auto-estima. Mulheres belíssimas (como por exemplo Marylin Monroe) não se conseguem assumir como belas, porque simplesmente não vêm beleza nelas próprias. Além disso, o conceito de beleza é diferente de cultura para cultura e mutável ao longo da história; as mulheres de tez leitosa, rechonchudas, seios pequenos, e barriguinha proeminente da renascença deram lugar a um estereótipo completamente diferente: mulheres magras, com curvas bem definidas e tom de pele já não tão moreno, como há alguns anos atrás.

Acontece que chegamos a um ponto da nossa história em que ser bela já não é suficiente; extrapolamos os limites da naturalidade na procura da uma perfeição obtida graças à cirurgia e ao Photoshop. Em qualquer revista ou outdoor o tipo de mulher que nos dão a visualizar é humanamente impossível; jovem, bela e perfeita. Não ostenta sequer uma ruga de expressão. Ainda que seja uma mulher de 50 ou 60 anos.

Com certeza vivemos numa época de “imagem”, porém pior do que isso é viver numa enorme mentira, num fingimento constante de que todos somos jovens e belos ou que nem sequer existimos porque não somos jovens nem belos! E para que não restem provas do contrário escondem-se os nossos anciãos nos lares, residências ou “hotéis” e a enorme mentira sofre um lifting e torna-se verdade.

Agora, expliquem-me lá se isto é viver em democracia, se isto é ser livre!

Tenha uma excelente semana!

* tradução livre do francês “chirurgicale”

terça-feira, 14 de abril de 2009

Hortas urbanas

(Imagem e info aqui)

Já vivi em apartamentos e confesso que na altura até gostei; achava mais seguro, mais prático. No entanto, eu nasci e cresci em casa com quintal, brinquei com as outras crianças nos nossos quintais, na rua e nas matas que rodeavam a minha casa. Actualmente moro numa casa com jardim e não me imagino a viver sem terra para pisar. É algo que eu considero um verdadeiro luxo; sair directamente de casa para calcar a gramínea, frequentemente de pés descalços no verão, e mexer na terra quando faço jardinagem.
Creio que é esse desejo primitivo de mexer na terra, de ficar em contacto directo com a natureza que faz com que muitas pessoas, vivendo em cidades, procurem pequenos pedaços de terra para cultivar. No ano passado fiquei perplexa com a quantidade de pequenas hortas nas bermas das auto-estradas, em Lisboa; eram pedaços de terra de ninguém, inférteis e muitas vezes íngremes, que tinham sido semeados com hortaliças e até árvores de frutos. Os autores dessas mantas de retalhos agrícolas vivem, certamente, confinados em apartamentos, caminham em pisos encimentados e trabalham dentro de quatro paredes. Mas eles precisam da natureza e satisfazem esse desejo ao lado de carros que passam a alta velocidade; alguns, até correndo risco de vida ao atravessar a própria auto-estrada para chegar à sua horta. Loucura?
Loucura é viver rodeado de cimento!

Felizmente, E finalmente, os municípios começam a proporcionar esses espaços a quem os deseja. Eu penso que isso é fantástico; creio que essa actividade contém uma terapia natural, para além de vários benefícios. Imagino colher os legumes da sua própria horta, que cultivou e regou sem pesticidas. Imagino que pode levar as crianças e ensiná-las como se cava, semeia, planta, rega, aduba e colhe. Imagino que até vai gastar menos dinheiro no supermercado. Imagino que pode ser ecológico. Imagino que os arredores das cidades podem ficar mais bonitos. Acredito que as hortas urbanas podem proporcionar muitos momentos felizes.

Tenha uma óptima semana, a minha vai ser a mexer na terra!