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segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Férias na Bélgica

Estas férias de verão foram programadas duas semanas antes da partida, nem sequer decidido estava o destino ou datas, pois existiam algumas condicionantes, tal como o estágio da Letícia, num gabinete de arquitectura, que só terminava no fim de Julho, compromissos do meu sobrinho, etc. e a decisão arrastou-se até ao ponto crítico de reservar tudo 15 dias antes, e em Agosto! Foi sempre um mês em que evitei sair de férias, mas a Letícia estava a precisar de férias com urgência, de forma que aquelas 2 semanas também lhe deram ânimo, para superar a exaustão deste ano lectivo. E por exclusão de partes, acabamos por ficar apenas eu e a Letícia! Seriam as primeiras férias de apenas mãe e filha. 

Estivemos na Bélgica de passagem para a Alemanha, de carro, há 20 e muitos anos; passamos a tarde em Bruxelas, onde almoçamos e não ficamos nada impressionados com a cidade, pelo que foi um país nunca considerado seriamente. Porém, tenho no Instagram um arquivo de fotos de viagens e tinha nele algumas fotos de Bruges e Ghent, que obviamente me cativaram, e a Letícia também se entusiasmou, depois de as pesquisar.  Pensei em visitar devidamente a capital belga, e fazer daí base para visitar as outras cidades. Provou-se uma boa aposta, as viagens de comboio fazem-se muito bem, este meio de transporte é caro (comparado com a nossa CP) mas muito confortável. E foi bom regressar ao fim do dia ao aparthotel, sem ter de carregar malas de cidade para cidade. 


Fazer fora uma refeição por dia basta-nos, precisamos de ter um espaço onde à noite possa confeccionar um jantar simples mas caseiro. Na recepção indicaram-nos uma loja Bio- Sequoia, onde compramos tudo o que precisamos para meia dúzia de refeições e pequenos-almoços, e foi perfeito. Depois de um dia inteiro a deambular por Bruxelas, ou sair para outros destinos bem cedo, em pleno verão, o ideal para nós é tomar um duche, jantar e repousar algumas horas, já não conseguimos sair depois disso! 


Seguimos o roteiro de diversos blogues para o que visitar em Bruxelas:

1. La Grande Place, Património da Humanidade

Onde se localizam prédios lindíssimos históricos do séc. XIV ao XVII, como a Câmara (tivemos a sorte de ver um casamento, com os noivos e convidados e assomarem ao balcão); a Casa do Rei, hoje Museu da Cidade, a Casa dos Ducs de Bravant, e a casa onde viveu Victor Hugo, a certa altura. 


2. Mannekin Pis

O monumento mais fotografado de Bruxelas é a estátua de um menino a fazer xixi. Algo decepcionante, mas estava realmente ali uma multidão ao redor. 



3. A Igreja de Notre Dame des Victoires au Sablon

A igreja do séc.XIV é gótica, bastante sóbria, porém imponente, quase parecendo uma catedral, excepto no tamanho, um pouco mais pequena. 

4. Place Royale

Nesta majestosa praça neo-clássica do séc. XVIII localizam-se os Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica, o Museu surrealista Magritte, e o da Música, em cuja edifício Arte Deco mais lateral, se destaca. Só visitamos o primeiro, e devo dizer que esperava mais e melhor, foi realmente a minha grande decepção nestas visitas.  

5.Palace Royale de Bruxelles

O Palácio da família real belga estava fechado para férias, imagine-se! Outra decepção. 

6. Parque de Bruxelas

Localiza-se entre o Palácio Real e o Parlamento, é muito grande, com lagos, fontes, estátuas em abundancia, e muitíssimo agradável de se atravessar. 

7. Parlamento belga

Só visto do exterior, é um edifício sóbrio e sólido. 


8. Monts des Arts

Quem desce da Place Royale depara-se com uma vista magnífica sobre a capital, aqui grupa-se uma série de edifícios de grande importância, como a Biblioteca Real da Bélgica, onde vale a pena entrar (que sobretudo num dia quente foi um oásis abençoado), com uma escadaria e jardins que se proporcionam para belas fotografias. Tem uma esplanada no topo perfeita para assistir ao pôr do sol enquanto se toma uma bebida. 

9. Catedral de S.Miguel e Santa Gudula

São os santos padroeiros da cidade, e a catedral gótica do séc.XIII construída em cima de um templo do Séc.XII, demorou cerca de 200 anos a ser edificada. Apesar de ter sido saqueada diversas vezes continua a possuir elementos decorativos impressionantes, sendo a igreja católica mais importante do país, e visita praticamente obrigatória. 

10. Centro Belga de Banda desenhada

Vamos encontrando pela cidade arte de rua, relativa aos personagens mais famosos nascidos aqui, Tintin sobretudo, contudo existe um museu para os fãs de banda desenhada, localizado num belo edifício, que para qualquer um vale a pena visitar, contudo obrigatório para famílias com filhos pequenos. 



11. Galerias Royale S.Hubert

Neste prédio de aparência tão requintada localizam-se diversas lojas de luxo, da joalheria aos chocolates, marcas nacionais são também pretexto para conhecer mais um pouco o país.

12.Bairro Europeu

É onde obviamente se localiza o Parlamento Europeu, gigantesco, moderno, e certamente muito caro aos contribuintes europeus! Entrar ali nem por convite, não me interessa mesmo nada, vimos de passagem para o Parque Leopold, que adoramos. 


13. Casa-Museu do arquitecto Victor Horta

Foi um arquitecto que a Letícia estudou na Faculdade, que é uma espécie de Gaudi belga. A casa tem claramente inspiração na natureza, sendo belíssima. Para ela foi uma visita que a deixou maravilhada. 


14.Parc du Cinquentenaire

As arcadas são apenas do séc.XIX mas essa construção juntamente com o jardim que se localiza em frente são um belíssimo postal que se torna imperdível. Também aí se localizam 2 museus, creio, sendo um deles de Artes, mas que já não fomos a tempo de visitar, para minha grande pena. 

Por este jardim/parque imenso observamos mães a passear bebés, um casalinho a jogar às cartas, um jovem a atirar e apanhar o boomerang com maestria, uma classe de yoga, um casal a ter uma aula de dança de salão, um grupo de amigos a fazer um piquenique, meia dúzia de jovens a jogar vólei, pessoas a passear os cães, pessoas a ler, outros deitados na relva, enquanto outros corriam ou caminhavam; é em suma, um jardim muito popular entre os locais, e com justa razão. 

Há em Bruxelas outros sítios para visitar, como o Atomium, o Museu da Cerveja ou do Chocolate, e outros, mas não foram do nosso interesse. 

Passar o dia em Maastricht foi também uma boa opção. A paisagem desde o comboio já se mistura com a holandesa, aquelas planícies verdejantes, com as casinhas de tijolo vermelho rodeadas por árvores, para lhes proporcionar privacidade, fazem-me lembrar os quadros dos mestres flamengos, e não me canso de as admirar. 

Em Maastricht passamos a Câmara, e visitamos o moinho de Bisschopmollen, o mais antigo em funcionamento dos Países Baixos, séc.XII, ao lado a pastelaria que lhe pertence vende fatias da tarte de maçã, típica da cidade. Gostamos de experimentar, mas não repetiríamos. 



A Heelpoort, a porta da cidade, de 1229, e mais antiga da Holanda, é uma bela torre, aonde se pode subir e obter uma vista abrangente sobre a cidade. 

A basílica da Nossa Querida Senhora, a igreja de Sint Janskerk e a de s.Servtius, são o trio mais importante, só entramos na primeira, a única aberta, mas realmente muito bonita, com belos vitrais. 

Boekhandel Dominican é uma igreja transformada em livraria que se revela um fenómeno entre os turistas. A estrutura foi preservada, tendo-lhe sido adaptado 2 patamares que correspondem a corredores com livros. Tem um cafezinho com sofás ao fundo, e certamente convida à permanência, mas fiquei aí menos do que nas igrejas genuínas. A desacralização destes locais impressiona-me, assim como caminhar normalmente sobre as tumbas seculares de clérigos e outros proeminentes. 

Em Ghent, uma cidade pequena mas encantadora, com o rio Leie a serpentear a localidade, onde podemos admirar as guildas ( construções flamengas dos séculos XVI e XVII, decoradas no topo com frisos dourados), e o castelo dos Condes, do séc.XII, visita com áudio-guia, aliás uma narração muito divertida e informativa, que preencheu as lacunas para um castelo tão despojado ( tem em diversas divisões algumas obras de arte sobretudo contemporâneas), mas as partes que aludiam a torturas próprias da Idade média eu saltava, não são do meu gosto). As vistas do topo do castelo são lindas, de forma que vale muito a pena. A Câmara municipal, renascentista, e a catedral St-Baasfkathedral, gótica.  

Entrar em Bruges foi como viajar no tempo, ou entrar num cartão postal encantado! A cada recanto parávamos maravilhadas, e foi por isso o ponto alto da nossa viagem. Por vezes, acontece de eu dizer que gostaria de regressar àquela cidade estrangeira, é o caso de Bruges, que gostaria de voltar a visitar, com mais tempo, dessa vez ficando lá hospedada. 

Bruges é uma cidade pequena que pode ser perfeitamente visitada a pé, é aliás assim que melhor se conhecem os locais, vamos andando e descobrindo novas atrações. O centro histórico de Bruges é Património Mundial; aí se localiza o Beffroi, uma torre do século XII, com 883 metros de altura, que nos satisfez só se olhar do exterior (subir 366 degraus com calor estava fora de questão); passear no Quai do Rosaire, local mágico para tirar fotos, visitar finalmente uma chocolateria, e esta é especial, fundada em 1919 por Mary que foi a primeira mulher chocolateira da Bélgica, e tornou-se fornecedora da Casa Real, comprovamos a excelência do chocolate. Visitar a  Basílica do Sant-sang, onde supostamente está a relíquia com o sangue de Cristo e a igreja Notre Dame, que possui a única obra de arte de Michel Angelo fora de Itália, a estátua do Virgem e do Menino, em mármore, foram duas visitas adiadas para a próxima vez. Despendemos muito tempo a deambular pela cidade, a permanecer nos recantos admirando cada detalhe, a fotografar. Visitar Bruges de barco, pelos canais será outra das experiencias futuras.

O que se come tipicamente na Bélgica é o waterzooi, uma espécie de ensopado de peixe, que ainda pensamos encontrar na versão vegetariana, o que não aconteceu (mas felizmente há imensas opções vegetarianas por todo o lado), as batatas fritas a cada esquina, sim, são boas e croquantes, o Chocolate, excelente, as waffles, tivemos uma sorte tremenda porque simplesmente tínhamos fome à hora do lanche e aquela loja na rua detrás do Museu Real de Belas Artes tinha bom aspecto, e as waffles eram deliciosas, croquantes por fora e fofas por dentro, e claro uma cerveja para mim, cujo nome não memorizei, escolhida pelo proprietário, um senhor idoso belga, da esplanada; estava divinamente fresca! 

Waffles: em frente à Biblioteca Real da Bélgica


Em suma, Bruxelas revelou-se uma cidade bastante mais bonita, com imensos jardins e espaços verdes, e sobretudo impressionaram-me as construções actuais, há imensos prédios modernos de design diferenciado, e com uma estética belíssima, a minha filha comentava quase sempre que a construção dos mesmos tinha custos elevadíssimos, e por isso não se faziam em Portugal. Ponto negativo, é uma cidade muito suja, havia lixo todos os dias, a transbordar dos contentores, colocado pelas ruas, nunca percebi quando o recolhiam, e descuidada, os passeios em mau estado, os jardins idem. Seria de esperar que numa capital de projecção europeia a cidade estivesse muito mais cuidada. O meu desagrado com as capitais, relativamente ao resto do país, já é habitual, e aqui confirmou-se novamente, no entanto, a Bélgica é um belo país, e francamente está subestimado.    


Fontes: 

Vagamundos

Cachos aventureiros

Viaja entre Viagens

Na janelinha para ver tudo

Visit Ghent

Civitatis

Generation Voyages 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Uma Cidade Mística

 

Museu das Belas Artes. Fourgiére.Mercado de Natal.Museu Irmãos Lumiére

Regressar a Lyon durante a Festa das Luzes, é sempre especial, porém este ano foi muito diferente, não tanto como uma viagem cultural mas antes espiritual. Vi a cidade de outro ângulo, e senti a sua energia mais pura. 

Voltamos a visitar o Museu das Belas Artes, a entrar na Basílica de Fourgiére, na Igreja de St.Jean, e em todas as outras igrejas antigas, a ver as projecções de Luzes com imagens e movimento nas fachadas mais icónicas, a passear pelo Marché de Noel, a entrar em livrarias, a comer a pastelaria refinada, a experimentar novos restaurantes. 

Todavia, o sentido desta visita foi imediatamente definido pelo primeiro local que visitamos a Basílica de Fourgiére, e pelo segundo, Cadence, uma livraria dedicada somente a temas religiosos, filosóficos e espirituais. 

Entramos também, e pela primeira vez, num cemitério, em busca da tumba de Philippe de Lyon, um médico do séc.XIX que curava os doentes de forma incompreensível para a ciência, e que por isso ficou conhecido pelos milagres que operou. Ignorava a existência desta pessoa até poucas semanas antes da viagem. O local da sua última morada física continua a ser venerado, e muito florido. 

Nos arredores de Lyon, visitamos também Jean Marie de Viannay, o Cura Santo de Ars, a casa-Museu e a Basílica, que pelo exterior induzia em erro, revelando-se um local de grande beleza e paz, talvez sobretudo devido aos cânticos angelicais de um grupo de freiras. Também este cura, de finais do Séc.XVIII, foi sobrecarregado pela procura constante dos pobres e enfermos, a quem atendia durante 17 horas por dia; as muitas graças pelos milagres estão plasmadas em placas de mármore, nas paredes da basílica. 

A energia da basílica tocou-nos profundamente e sentimos uma vontade de aí permanecer indefinidamente, contudo outros compromissos nos esperavam e tivemos que sair, embora pesarosamente. 


Ars, basílica de Ars. Fête des Lumiéres

A festa das Luzes, que leva habitualmente a Lyon cerca de 2 milhões de visitantes, revelou-se, tenho que o admitir, per se, decepcionante, tem vindo a perder qualidade e quantidade, contudo continua a ser uma festa que envolve famílias, e todas as gerações. E apesar dos chuviscos a multidão não se desmobilizou, antes se passeava tranquilamente pela beira rio, Velha Lyon e Presqu'ile, e sem guarda-chuvas. 

O que fez a diferença nesta viagem foi de facto a mística, inclusivamente a única pessoa francesa que conhecemos, e com quem conversamos horas, revelou-se ela própria alguém muito elevado espiritualmente. 

E tudo se conjugou desta forma, estou convencida, por duas razões, a primeira porque viajou connosco uma amiga, que está no sendeiro da espiritualidade, e porque eu própria estava a precisar de um fôlego vindo de Cima. E assim o recebi. 


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Férias de Inverno em Paris

 


Proponham-me destinos climáticos agradáveis no Inverno e não hesitarei, portanto quando Paris veio à baila tentei contrapor com outros destinos mais quentes, mas perante a maioria acabei por ceder. Um dos argumentos que mais pesou foi o facto da Letícia mal se recordar da capital francesa, tinha 10 anos, na época. Sendo que sobretudo estas férias estavam a ser feitas para ela.

Ainda não falei aqui de como o curso da Letícia é absurdamente exigente, nunca pensei que Arquitectura tivesse este grau insano de dedicação e trabalho, para mais ela é aquele tipo de aluno que se dedica naturalmente, e não consegue fazer as coisas mais-ou-menos, é sempre a procurar dar 100%, portanto, estava exausta neste final de semestre, e nem sequer teria férias! Para vos dar uma ideia, as supostas férias de Natal foram passadas a trabalhar, com a excepção do dia 25, em que não fez nada, em todos os outros dias trabalhou longas horas, dia 1 de Janeiro inclusive. Agora terminavam os exames e entregas de trabalhos e as aulas do segundo semestre começavam na segunda-feira, sem sequer uma semana de férias. A exaustão, física e mental, o sono acumulado, não se contentavam com um fim-de-semana a dormir, ela clamava por algo mais nutritivo intelectualmente, por assim dizer, então esta viagem, embora planeada uma semana antes, tornou-se a recompensa que a motivava, nas horas limite de cansaço, e foi realmente um alento para ela. Apesar de ter faltado às aulas 3 dias, o que para a Letícia não é obviamente fácil. 


Embora eu tenha visitado Paris algumas vezes há sempre algo novo a descobrir, para mim foi o Petit Palais, todavia não me importo nada de re-visitar museus de arte, como o D'orsay. Para a Letícia havia 3 destinos que fazia questão: Versailles, Louvre e Orangerie. 

Infelizmente, coincidiu o nosso fim-de-semana com o primeiro domingo de Fevereiro, pelo que nesse dia a entrada nos Museus é grátis, mas "comprada" antecipadamente, o que já podem prever acontece muito limitada e rapidamente, e portanto tivemos nisso algumas frustrações, como a entrada no Palácio de Versailles, que nos foi impossível, e ainda uma greve dos transportes que nos limitou o acesso a certos sítios, e manifestações idem. Portanto, Versailles ficou ainda para uma próxima visita, de qualquer forma Paris nunca está totalmente vista, como eu lhe disse. 


De resto, aquilo que é renomado e obrigatório e ainda o que nem tanto,foi visitado: Place des Vosges, Notre Dame, Les Invalides, Arco do Triunfo, o Panteão, Torre Eiffel, Centro Georges Pompidou, Museu do Louvre, Museu D'Orsay, Orangerie, Tuileries, Champs Elissés, basílica do Sacré Coeur, Montmartre, Galleries Lafayette Haussmann, galerias de arte, e... lojas de roupa vintage, indispensáveis à minha filha!
 


O que me surpreendeu nestes dias, e que me servirá de aviso para férias futuras: já não há diferença entre época baixa e época-alta, as pessoas viajam todo o ano! Sobretudo os jovens. Há uns anos atrás víamos nas filas para as bilheteiras, maioritariamente, pessoas de meia idade ou que estavam, claramente, no mercado de trabalho, agora vê-se sobretudo jovens, óbvio que também contribuiu o facto de que em França, os jovens até aos 26 anos, pertencendo à C.E. não paguem bilhetes, mas a realidade é que eles estão nas filas para entrar e contam, numa época em que ainda há restrições ao número de entradas, devido às políticas covid, como em Versailles. 
Por conseguinte, comprar os bilhetes antecipadamente online faz mais do que sentido, é absolutamente necessário. 

À laia de conclusão, embora o frio sendo pior lá, não foi impeditivo de nada, um bom casaco, leggings por baixo dos jeans, cachecóis, luvas, gorros e bom calçado, bastam. Felizmente só tivemos chuviscos algumas horas, numa tarde, a chuva teria sido, sim, uma grande contrariedade. 
A Letícia conseguiu descansar, mentalmente, e voltou inspirada por tudo o que viu, pintura e arquitectura sobretudo.
 
Passamos momentos muito agradáveis e felizes, fosse a comer um kouign, a ver o pôr-do-sol na Torre Eiffel, a descobrir uma pepita numa loja vintage, a admirar os Nenúfares de Monet, a observar a neblina sobre Paris na escadaria do Sacré Coeur, a conversar com o pintor Esteban em Montmartre, a saborear uma baguette à l'ancienne com compota Bonne Maman, a todo o tempo coisas boas aconteciam. E por fim, ao contrário do que se consta: os parisienses foram sempre muito simpáticos e prestáveis.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Tipo liras italianas...

Já no aeroporto, diz a minha irmã, exibindo uma nota de alguns zeros: acho que a vou gastar no freeshop, afinal para que hei-de levá-la para casa? 

Depois de 2 voltas pela loja para encontrar algo adequado, dentro do gosto e valor, acabou por se decidir por uma chiclete. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Férias em Budapeste



E já faz 1 mês que estivemos de férias em Budapeste, sem que eu partilhe aqui a experiência. As fotos eram o motivo, tinha que as descarregar e estarem repartidas entre a máquina fotográfica e o telemóvel só complicava, pelo que vou somente publicar as da máquina, para finalmente deixar este registo. 


Budapeste estava na minha lista já há alguns anos, mas depois do meu amigo Marijan ter feito um comentário sobre os húngaros, acho que perdi a pressa. Ele tinha razão, constatei agora. Porém, era um destino que entre 5 pessoas gerou consenso. Foi também programado em cima do joelho, porque eu queria viajar nas condições habituais de conforto e liberdade, e viajar com um pano na cara para mim seria extremamente difícil. De forma que foi perfeito, tudo como dantes.
 
Alugamos um apartamento no centro de Budapeste, em Peste, a parte mais turística da cidade bi-partida pelo rio Danúbio, quase em frente à Roda Gigante, de onde se podia visitar o que de melhor a capital da Hungria tem, caminhando. Um prédio antigo, de luxo no seu tempo, com apartamentos reduzidos, muito provavelmente na era comunista. Habitado por nacionais, como eu gosto.
 
Na primeira manhã, levantamo-nos bem cedo e fomos ao supermercado mais próximo comprar tudo o que era necessário para o pequeno-almoço, e logo pelo trajecto, o que mais nos chocou foi a quantidade de sem-abrigos. Nunca me consegui habituar a essa realidade, e a não os ver. Estava tudo muito sujo, os passeios, as esplanadas, as mesas e cadeiras. A primeira impressão, olhando para baixo, não foi positiva, mas bastava levantar o olhar e ver aqueles prédios burgueses do séc.XIX para nos deslumbrarmos!
 
No primeiro dia caminhamos cerca de 20 kms! Uma loucura, eu sei, suponho que a nossa ânsia de viagens estava ao rubro, com vontade de descobrir uma cidade nova, depois acalmamos, porque ninguém aguenta o ritmo, e andamos bastante de metro e autocarro, os transportes públicos são aliás bastante económicos e frequentes, assim como os táxis. Visitamos apenas o exterior, caminhamos ao longo do Danúbio, tiramos fotos, sentamo-nos a admirar a paisagem, a trocar impressões, um pouco à aventura, para sentirmos o pulso da cidade. 

Nos dias seguintes fizemos as visitas aos locais da praxe: 
1º O Parlamento ( Top!)
2º Basílica de Santo Estêvão (belíssima, a minha 2ª visita favorita) 
3º Palácio Gresham
4º Ópera
5ª Castelo Buda
6º Ilha Margarida 
7º Praça dos Heróis
8º Ponte da Liberdade
9º Bastião dos Pescadores
10º Grande Sinagoga Central e bairro judeu
11º Castelo Vajdahunyad e Parque da Cidade
12º Mercado Central de Budapeste 
13º Casa da Música (que a Letícia adorou pelo projecto arquitectónico)
14º Museu de Belas Artes
15º Memorial dos Sapatos
16º Bares decadentes (sugestão da Letícia, muito interessante e diferente)
17º Citadela na Colina Gellert ( panorâmica) 
18º Metro que vai da Vörösmaty tér ao Parque da Cidade Városliget, pela estação antiga fim séc.XIX, que reclamam a mais antiga do mundo. 

Não fizemos um cruzeiro no Danúbio porque perdemos o horário no dia pretendido, e foi sendo adiado, mas creio valer muito a pena. A visita às Termas também é muito indicada mas não foi de todo do nosso interesse. 

Parlamento Húngaro

De todos os locais, o Parlamento húngaro foi o meu preferido, uma verdadeira obra-prima, vimos o render da guarda à coroa, mas infelizmente perdemos a explicação de tudo, dado que aquela era uma visita para russos, a única que tinha ainda disponibilidade para a nossa semana. Portanto, comprar bilhetes online com uma certa antecedência parece-me um bom conselho. 
Não éramos os únicos forasteiros entre os russos, outras nacionalidade se tinham juntado, muito provavelmente devido à mesma razão. 

O húngaro é uma língua absolutamente incompreensível, mas quase todos falam inglês, pelo menos as gerações mais novas. Achei a geração mais velha bastante fechada, certamente ainda ferida pelo regime comunista.
No geral, a população não prima pela simpatia, mas são correctos.
É uma cidade com uma intensa vida nocturna, todos os dias da semana, com uma população muito jovem, imensos estrangeiros (não fazia ideia que fosse destino tão popular entre eles), mas também nacionais.  
 
Muitos dos belíssimos edifícios estão ainda em mau estado, a necessitarem renovação urgente, a negligência dos "camaradas" relativamente aos símbolos da burguesia é outra das heranças negativas. Porém, dá para entender porque Budapeste é também apelidada como A Paris do Leste. 

Realmente, fazer as refeições todas fora não é mesmo para nós, depois de 2 dias já só desejávamos uma simples sopa! Na falta de varinha mágica, cortei os legumes e tofu em quadradinhos, cozi com algumas massinhas, e acompanhamos com fatias de pão francês torrado com azeite, e um copo de vinho húngaro (que mais parecia refresco...), e soube-nos como um banquete. 
A restauração não é propriamente económica, assim como os produtos no supermercado. Peixe fresco não existe, pouco congelado, e a carne muito cara, a minha irmã pagou 20€ por 2 bifes para o meu sobrinho. Mas vinha um embrulho que parecia um presente, lá isso era! 
Ficamos com a impressão de que o custo de vida para os húngaros deveria ser um desafio, sendo o vencimento mínimo cerca de 540€. 

Francamente, uma semana para Budapeste é excessivo, um fim-de-semana prolongado basta. Portanto, aproveitamos e demos um salto a Viena, a Letícia, obviamente, já não se lembrava de nada, uma viagem de cerca de 2 horas que se fez bem, sair muito cedo e voltar no ultimo comboio, que saiu de lá pelas 22h, deu perfeitamente para visitar O Belvedere Palace e o Schoenbrunn Palace, e ainda deambular pelo centro da capital austríaca. Para nosso espanto, lá ainda usavam máscara nos transportes públicos, segundo me disse um jovem, com toda a razão: "era uma estupidez, porque em mais nenhum lado é requerido". 
A diferença entre os dois países é notória, um mais rico, mais limpo, mais cosmopolita.

Para nossa surpresa, em Budapeste também fazem uns espectáculos de rua aos domingos, com palco montado, ao estilo de qualquer coisa como "bom dia Portugal" ou lá o que é, só que em vez dos insuportáveis "pimbas", apresentam cantores de ópera e músicos à séria! O público cantava e dançava também, animados, via-se que são admiradores genuínos da boa música. Nesse sentido, um povo muito bem educado, e com melhor gosto do que o nosso. Delicioso de ver e ouvir!

No computo geral, gostamos imenso destes dias de férias, sem dúvida de que regressamos mentalmente revigorados e inspirados.

Recolhemos a informação para a visita em blogues de viagens, pessoalmente, gosto muito do VagaMundos. 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Férias de Verão 2020

Como a tantos portugueses, os planos de férias de Verão, este ano, saíram frustrados. Tínhamos previsto passar oito dias em Viena, onde temos um amigo querido que, devido à idade avançada, queríamos ver, e onde a Letícia visitaria uma série de museus de Arte. A parte mais emocionante para mim, quando visito outro país é essa de encontrar amigos queridos e familiares, e só por isso não me importo de repetir destinos, apesar de haver tantos que não conheço e que gostaria de visitar. Também pesou o facto da Letícia não se lembrar  nada destas férias, em 2007, e por estudar Artes se sentir mais motivada para este destino.

Mas, entretanto foi o que todos sabemos, o nosso voo foi cancelado, depois reactivado mas eu já não estava nada interessada em ter que fazer teste para viajar, usar máscara no avião, visitar interiores de monumentos e museus com máscara, e cumprir quarentena, nem se fala! Havia possibilidades de outros destinos, mas a minha desconfiança relativamente às regras malucas que surgiam por todo o lado nunca me predispuseram a correr o risco; e ainda bem, por amigos fui sabendo que em Saint-Jean-de Luz e Biarritz, destino de praia que ponderei, a máscara era obrigatória na rua; e que em Córdova, com 42º a máscara também era obrigatória. Portanto, não obrigada!

Fomos fazendo por aqui uns passeios, encontro com família no Caramulo e Luso, idas à praia, Caminha, Esposende e Vila do Conde; passeios pelo Alto Minho, cujo verde florestal me enche a alma, e reaviva memórias de infância, e que bem se passeava por Vila Nova de Cerveira, até parecia que estávamos em Espanha, com tantos espanhóis, e no Sistelo, igualmente, o calor intenso pedia mais banhos na água fria do rio, do que caminhada nos trilhos, e saímos de lá renovados, como que baptizados pelo espírito de Gaia. Maravilhoso. 

Comemos muitas vezes fora, talvez mais do que habitualmente, desfrutamos do nosso jardim com maior consciência da sorte que temos. Porque dos restaurantes abdicamos, enquanto durarem as regras sanitárias covidescas. 


Por fim, na primeira semana de Setembro, repetimos o destino de 2018, voltando à Praia del Rey, onde fizemos piscina, praia, visita a Óbidos, Peniche e praia do Baleal. Foram uns dias em família muito relaxados, os primos todos juntos, como em crianças, desfrutando de sol, natureza, e tranquilidade, como se estivéssemos num mundo à parte. Aliás, tenho tido muita sorte, neste quesito, frequentemente me sinto num mundo alheio a esta maluquice toda, parece-me ainda aquele mundo do "antes", e esqueço-me totalmente da outra realidade. 

Portanto, tinha presente que as férias haveriam de ser sem máscaras e na natureza. Foram cá dentro, e que bem que soube!  

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Férias em Amesterdão



Por uma razão ou outra fui adiando escrever sobre as últimas férias, em Setembro de 2019, em Amsterdão. Às páginas tantas já nem sequer fazia sentido, entretanto já estávamos às portas das férias de Páscoa, e depois, kabum! Desabou tudo. De qualquer forma, este blogue também serve para registar momentos que um dia os meus filhos poderão querer recordar. E porque recordar é viver, e sei lá quando iremos de férias novamente, repesquei o tema.

Amsterdão foi um destino proposto pelo Duarte, e dado que desde os 15 anos deixou de querer ir de férias connosco (com breve excepção para Itália em 2017, mas que rapidamente renegou!), e ter a aprovação da Letícia, Amesterdão foi! 
Aliás, quando lá estive pela primeira vez, estava grávida do Duarte, sem saber, e isso foi sempre uma carta que ele atirava à Letícia, dizendo que tinha visitado um país, aonde ela ainda não tinha ido. E sim, causava mossa.

Há cerca de 19 anos tínhamos feito férias na Holanda, e eu gostei tanto do país que disse logo que um dia voltaria. Demorou demais. Mas enfim, com os meus filhos valeu muito a pena. Outros membros da família também nos acompanharam, é sempre mais divertido com primos.
Ficamos no Cityden, um aparthotel nos arredores da cidade, diferente do habitual air bnb, muito bom, mas não é, efectivamente, o meu estilo, gosto da estadia com entidade local e privada, mas desta vez foi mesmo para fazer a vontade a outros, que aliás já me tinham feito a vontade antes. 


Amsterdão é uma cidade tão bonita, devido aos seus múltiplos canais e prédios de tijolo vermelho, do séc.XV e XVI, que passear por ela, fotografando um canto com flores, uma bicicleta encostada, um gato que espreita, se torna como que um jogo viciante; é um constante postal! E por isso nos contentamos em passar horas nestes passeios, admirando, fotografando, comentando. A propósito, adoro como os habitantes se apossam do passeio público, em frente a suas casas, decorando-o com diversos vasos, eles próprios lindos, com abundantes flores coloridas. Se alguém fizesse cá algo semelhante, prevejo que ninguém o aprovaria, rapidamente seria recriminado por posse indevida da via pública. Uma pena. 

Começamos por fazer um cruzeiro pelos canais; é sempre uma óptima forma de conhecermos as cidades, dá-nos uma perspectiva de outro ângulo, informações a que de outra forma não teríamos acesso, e ajuda imediatamente a localizarmo-nos geograficamente. De bónus, as melhores paisagens da cidade! 

No Museumplein (praça dos Museus), visitamos o Van Gogh e o Rijksmuseum; a Letícia estava com imensa curiosidade de visitar o primeiro, sabia que seria o seu ponto alto, e de facto o maior acervo de obras do pintor é impressionante. Aqui aconteceu algo inédito, era a Letícia que nos contava a biografia do pintor relacionando-a com as obras, e contextualizando-as. Ela ter estudado História da Arte, com gosto e distinção (fez a disciplina por exame nacional, 10 e 11º anos, com 19,5), deu-lhe material para isso. Para mim, isto foi algo de maravilhoso, pois desde que os meus filhos eram pequeninos que as visitas culturais incluíam esta forma de os cativar, eu  ia-lhes contando histórias sobre as personalidades e História. Chegamos ao ponto inverso, com a graça de Deus.
Pessoalmente, prefiro o Rijksmuseum, gosto mais dos velhos pintores como Rembrandt e Vermeer. O meu sonho era passar ali um dia, sozinha. Sem ninguém à espera.
Nestes museus, os menores de 18 anos não pagam bilhete, o que é sempre uma coisa simpática. Compramos as entradas na bilheteira para o dia seguinte, porque naquele momento não havia fila, senão teria sido online, que é sempre o mais recomendável. 


Na praça Dam, centro, onde está o obelisco em homenagem aos caídos na II Guerra Mundial, visitamos os Palácio Real, que a família real não habita, excepto para determinados eventos, mas que vale a pena pela majestade. Ao lado, a igreja De Niewve Kerk estava em obras, mas ainda assim aberta ao público, porém, ninguém se interessou em visitá-la.

Na primeira vez que visitei a cidade, Begijnhof foi um local que me apaixonou. Trata-se de um pátio a que se tem acesso por uma porta algo discreta, e aí se encontram diversas residências para mulheres solteiras ou viúvas, e que existem há vários séculos. As casas estão inclinadas pela idade, no meio uma pequena capela, e muito jardim e vegetação. Do lado de fora, a agitação da cidade, ali, o silêncio e tranquilidade. É um local muito especial. 

O Red Light district estava a provocar muitas referências aos adolescentes, por isso foi desde logo uma área que visitamos, mas eles não se deixaram encantar, pelo contrário, quando viram as mulheres em vitrinas, como mercadoria à venda, sentiram-se constrangidos. Nem sequer olhavam. Apreciei esse comportamento. As lojas onde se vendem as bolachas "com erva" também os fascinavam, e queriam vê-las, mas não ousaram entrar. Não com adultos responsáveis, pelo menos. Afinal, estão naquela idade que a ousadia é ainda imaginária, quando confrontados com a possibilidade, retraem-se. Ámen!

Outro local que a Letícia queria visitar era a casa de Anne Frank, mas não deu. Desde o início que eu tinha dito que não iria lá, o Duarte também não, portanto o resto do grupo que se arranjasse. Deixaram rolar, não se apercebendo que os bilhetes são vendidos online com meses de antecedência, e portanto apenas lhes foi possível ver a casa do exterior. A Letícia diz que um dia vai voltar e visitá-la. Eu não sou de todo adepta do turismo "negro". Mas lá perto fica o Winkel 43, conhecido por ter a melhor tarte de Maçã de Amesterdão e para lá fomos, para deleite dos não-vegetarinos. Parece que sim, confirmaram-me que era deliciosa. 

Uma certa tarde, apanhamos o comboio para Leiden. Para além da experiência de viajar num comboio holandês, de dois andares e muito confortável, que atravessou campos, pequenas localidades, e nos permitiu observar lagoas, campos de flores, de cultivo, vacas e cavalos, pequenos canais com barcos-casas, visitar uma pequena cidade antiga, como Leiden, foi uma boa decisão. Lembrava-me de que Leiden me agradara imenso.
Ali sente-se muito a atmosfera holandesa, preservada daquela massa turística de Amsterdão. A universidade é a mais antiga do pais, e famosa.

Passear pelo mercado de flores é daquelas coisas a que não se pode escapar. Está muito diferente daquilo que me lembrava; muito mais turístico, com muitos berliques e berloques de Amesterdão, para os turistas levarem de recordação. Muitas flores secas, e de imitação. Perdeu a sua genuinidade. Mas lá está, tem que se passar por ali, nem que seja pelos bolbos de túlipa!

As lojas de roupa em segunda mão são abundantes, e desde o boicote da Letícia ao fast fashion que se tornaram estabelecimentos obrigatórios, especialmente quando nos esbarramos neles. Infelizmente para ela, os números dos holandeses são enormes e não foi fácil encontrar algo que gostasse e servisse. Mas quem persevera sempre alcança.  

O meu sobrinho Gonçalo, que joga futebol desde os 6 anos e adora o desporto, quis fazer uma visita guiada pelo Amesterdam Arena, e portanto foi, enquanto nós dávamos um giro pela Velha Amesterdão.

De brinde, uma amiga portuguesa que vive na Alemanha, foi, com a filha, passar o fim-de-semana a Amesterdão, para nos encontrar, e assim o grupo cresceu mais um pouco. Por causa dela ( porque em 2019 não tinha vindo a Portugal de férias), e pelo meu sobrinho (que já estava com saudades da comidinha Tuga!), fomos almoçar a um restaurante Português, que nos calhou pela frente; as pessoas eram todas do Norte, muito simpáticas e acolhedoras, mas canudo... um pastel de Nata 3,70€?! Pronto, as saudades pagam-se, e apagam-se também com sabores. De resto, almoçávamos por aqui e por ali, uns a comer isto, outros aquilo, lá ia aparecendo algo vegetariano para nós, mas no geral a cozinha holandesa deixa muito a desejar. 

Era Setembro mas apanhamos frio e chuviscos, e não levávamos connosco roupa muito quente. Os holandeses já vestiam casacos compridos de Inverno, casacos de penas, portanto já dá para ter uma ideia da meteorologia! Por teimosia também não queríamos comprar, a bagagem era diminuta e depois cá nada nos fazia falta. Aguentamos, e afinal ninguém se constipou! Doravante, para os países do Norte levo casacos mais quentes, os corta-ventos são para a Península Ibérica.
 

Foram 5 dias bem passados, sem stresses para ter que ver isto e aquilo (claro que ajudou eu já ter visitado muitos dos monumentos anteriormente, como a casa de Rembrandt, a Sinagoga portuguesa, etc.),  e desfrutamos bastante da cidade, e da companhia uns dos outros. Uma viagem de família que já traz saudades, sobretudo agora, que ignoramos quando será possível voltarmos a fazer este tipo de coisa. Por isso, cada vez mais Carpe diem tem que ser o moto.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Férias em Malta



Estava na minha lista há vários anos, e por um motivo e outro, destino adiado até estas férias de Páscoa. Um contra era o calor, outro o pouco interessante em termos históricos, segundo alguns. Relativamente ao calor, resolveu-se evitando o Verão, e de facto nessa estação o calor deve ser insuportável, considerando também a falta de árvores, e as que há, sendo muito baixas. Quanto à História... como ousam?! 

Habitada desde 5200 a.C., durante o Neolítico, existiu nas ilhas uma civilização pré-histórica significativa antes da chegada dos fenícios, que baptizaram a ilha principal de Malat, o que significa refúgio; foi governada por romanos, árabes, normandos, aragoneses, franceses e britânicos; foi principalmente governada durante séculos, pela Ordem dos cavaleiros de S.João, que a defendeu dos ataques dos turcos. Governaram a ilha até ao séc. XIX; em 1814 tornou-se parte do Império britânico, até 1974, pertencendo até hoje à Commonwealth. 

1.Casas típicas. 2.Vitoriosa 3.Catedral S.joão 4.Valeta 5. Cúpula catedral da Mdina 6. Caravaggio 7 e 8. Mdina, 9.Rocca Piccola House


A influência dos ingleses permanece, no sistema eléctrico, no sentido das estradas e posição do volante, e no Inglês, que depois do Maltês é a segunda língua oficial. A influência italiana é também muito forte, tanto na língua como na gastronomia.
Porém, no que se refere à religião, são fortemente católicos; disseram-me que há cerca de 360 igrejas e capelas espalhadas pela ilha (impressionante, tendo esta cerca de 316 km quadrados), e sobretudo na época Pascal são visíveis os inúmeros anúncios de Vias sacras, e há imensas janelas de casas, decoradas com cruzes e bandeiras roxas. Não sei se Malta se equipara a Polónia neste ponto, mas que estão próximas, sem dúvida.
Reservamos um dia para a visita à capital, Valeta, só para o exterior; na rua principal descobrimos desde logo locais que queríamos visitar mas que reservamos para os dias de chuva que estavam previstos. 
Passeamo-nos pelos Fortes, e pela Lower e Upper Barraka, de onde se obtém uma vista deslumbrante para o mar, e para as velhas cidades. De tarde, deambulamos por elas - Vitoriosa, Conspicua e Sengelea. As ruas estreitas, as casas típicas com as suas varandas coloridas em madeira, com vista para o mar azul, fazem de cada recanto um postal. 
No dia seguinte tencionávamos visitar o Hipogeu, Tarxien e Marsalokk; o primeiro, que eu tanto ansiava conhecer foi impossível, pelo facto da visita dever ser marcada com semanas de antecedência, que eu por ignorância não fiz. Mesmo lendo blogues de viagens, não encontrei referência alguma a este constrangimento. Seguimos para Tarxien, um complexo megalítico, construído há 2.800 anos a.c. representando templos, que posteriormente foram transformados em necrópole, de que gostamos muito.

Marsaxlokk, é uma pequena aldeia piscatória onde se exibem barcos coloridos, com o olho típico, pintado, numa baía azul encantadora. Tem um mercado muito famoso, mas não sendo dia, estavam apenas meia dúzia de vendedores.

Desfrutamos de Gozo, Lagoa Azul e Comino, de uma assentada, recorrendo a um cruzeiro de um dia; Gozo é uma ilha pitoresca, de ruas estreitas e sinuosas, com natureza em estado puro; no topo a citadella, como a cereja em cima do bolo. 
A Lagoa Azul é uma praia muito famosa que fica em Comino, uma pequena ilha habitada apenas por uma família de agricultores; a praia estava repleta de jovens finalistas, sobretudo ingleses, que apesar do vento fresco e água fria, teimavam em nadar e fazer desportos aquáticos, tudo devidamente fotografado, pois tanto sacrifício era sem dúvida motivado pela publicação de belas fotos nas Redes Sociais. 
A espantosa quantidade de pequenas barracas a vender "refrescos" de ananás, reflectia-se nas cascas do fruto vazias, e palhinhas, deixadas ao acaso, por ali. É chocante ver um sítio de beleza natural deslumbrante, que por isso mesmo trai tantos, ser tratado sem respeito. Nem quero pensar como será no Verão...

1.Decoração de casas 2.Igreja de Marsaxlokk 3. Gozo 4. Mar em Comino


A entrada para a Mdina faz-se por uma imponente ponte que serviu de cenário para a capital de Westeros, n'A Guerra dos Tronos. Foi habitada pelos fenícios, árabes e depois pelos romanos. É muralhada e fica num alto, o que lhe dá uma paisagem longínqua e abrangente. Toda construída em calcário, parece algo árida, mas ao mesmo tempo muito lavada. A catedral S.Paulo foi antes palácio do governador romano, e é impressionante. Aliás, existem ao redor imensas casas de famílias nobres, igualmente notáveis. Ao contrário de outras mdinas pelo mundo, esta é muito tranquila, de forma que é conhecida pela Cidade Silenciosa. 
Já não chegamos a tempo de visitar algum dos palácios abertos ao público, e certamente que a nossa preferência recairia sobre o Palácio Vilhena, por ter pertencido a um grão-mestre português, da Ordem de S.João.   

Rabat fica mesmo ao lado, originalmente pertenceria à Mdina, porém ficou separada depois da construção da muralha, pelos árabes. Passeamo-nos por lá, entre as ruas estreitas e casa típicas, com os seus pátios, que nunca nos cansamos de apreciar.

Golden bay é a única praia de malta cuja areia é clara, e por isso lhe chamam "dourada". É muito popular e fomos visitá-la apenas para conhecer, pois já sabíamos que o tempo não nos permitiria desfrutar dela. Contudo, encontramos lá várias famílias, e casais, que não se deixaram desanimar pela baixa temperatura.

Em Valeta, visitamos o Palácio Rocca Piccola, habitado pela mesma família desde há 500 anos; é uma pequena jóia, que nos dá um vislumbre de como viviam e vivem as famílias aristocráticas maltesas. Tivemos ainda o privilégio de conhecer o seu proprietário, o Conde de Rocca Piccola, que amavelmente nos perguntou se tínhamos gostado da visita e indicou o único sítio imperdível em Valeta - a catedral de S.João, se mais tempo não houvesse para outras visitas. 

Claro que a Catedral de S.João estava na nossa lista. Foi construída pelos Cavaleiros de S. João por 1573. A Catedral contém oito capelas, cada uma dedicada ao santo padroeiro das 8 línguas dos Cavaleiros da Ordem:
A Capela da Liga Anglo-Bávara

A Capela da Provença

A Capela de França

A capela de Itália 

A Capela da Alemanha

A Capela de Auvergne

A Capela de Aragão 

A Capela de Castela, Leão e Portugal  que é dedicada a Santiago Maior. Aqui se encontram os monumentos funerários dos grão-mestres António Manuel de Vilhena e Manuel Pinto da Fonseca.


Como cada reino tentou construir  melhor do que os outros, estas capelas destacam-se pela assombrosa riqueza estética e decorativa.

O Palácio San Anton, tem a sua origem no séc.XVI, edificado pelo grão-mestre da Ordem de Malta para sua residência, sendo hoje o palácio presidencial. Merece a visita sem dúvida, embora nos tenhamos deparado com algumas salas fechadas para restauro. Acontece.

O Museu de Arqueologia localiza-se na rua principal de Valeta e abriga uma importante colecção de objectos pré-históricos que datam do período neolítico, cerca de 5.000 a.C, ao fenício, cerca de 400 d.C. Destacam-se a escultura da 'Dama Dormente', proveniente do hipogeu de Hal Saflieni, e a da 'Vénus de Malta', de Hagar Qim.

Na parte da numismática encontrei algumas moedas que imediatamente reconheci, eram tão visivelmente portuguesas! De facto, tinham sido mandadas cunhar por grão-mestres portugueses, pois até nisso a Ordem dos Cavaleiros tinha poder.




No último dia, fizemos um cruzeiro de duas horas, em  redor de Valeta e das três cidades; o porto natural é o maior da Europa, com 14 kms de diâmetro.  O guia, em várias línguas ia apontando os monumentos e locais por onde passávamos; por ali entrou Napoleão, pedindo água; e depois instalou-se na ilha por 3 anos, saqueando-a antes de partir. Ali abrigavam-se as enfermeiras dos bombardeamentos, durante a II guerra mundial. Ali, está o Forte construído pelo português Manuel de Vilhena. Os portugueses ali, nós, inchámos de orgulho.  
Foi muito bonito ter uma perspectiva desde o mar para a ilha, a despedida perfeita. 

Deslocamo-nos quase sempre de autocarro, depois de adquirirmos um cartão para 7 dias, que custou 21€, sem limite de viagens. A rede é óptima, e os horários estão sempre afixados nas paragens, mas atenção, acontece frequentemente de passarem os autocarros cheios e não entra mais ninguém! Em caso de rigidez de horários, mais vale sair muito mais cedo ou apanhar um táxi.

A alimentação para mim e Letícia foi complicada, a dieta vegetariana ainda é desconhecida em Malta. Penamos um bocado, nesse sentido. Nos supermercados, desorganizados e quase sempre sem preços à vista, admiramo-nos com os preços: 1 kg de arroz Basmati 5€, uma caixa com morangos 3,95€, uma embalagem com 4 kiwis 1,60€ e por aí fora. Intrigou-me a questão dos preços altos e investiguei; Malta apenas produz 20% do que consome, o resto vem de fora. E dada a antiga influência inglesa, muito de Inglaterra. 
As lojas também não representam alvos de tentação, moda muito ultrapassada, com as próprias estruturas físicas bastante degradas, mesmo para albergar marcas consagradas. Mais uma vez, as marcas inglesas reinam. Também há Zara e algumas outras, mas relativamente à primeira, foi-nos dito por uma portuguesa que por lá se aventurou, que a mesma camisa comprada em Portugal custa mais 10€. Sem problema, nem sequer perco tempo nestes sítios.

Os malteses são simpáticos e ajudam de boa vontade, se bem que com tantos emigrantes por vezes fica complicado saber quem é quem. 
As ruas não primam pela limpeza, e isso foi-nos avisado logo no primeiro dia, por uma jovem maltesa, desgostosa desse facto. E não é bonito de se ver. 
Outra coisa que me intrigou foi a enorme quantidade de casas, por todo o lado, fechadas, devolutas, mais ou menos em ruínas, mas quase sempre com imenso potencial. Onde está esta gente, perguntava-me eu; um taxista elucidou-me, tinha saído há pouco uma notícia no Jornal, dizendo que há cerca de 130 mil casas em Malta fechadas. A maioria de famílias que as disputam em tribunal; ou seja, herdeiros que não se entendem. Emigraram? - Não! Os malteses não emigram; nós temos empregos, precisamos de pessoas que venham para cá! E nota-se que sim. 

Em Valeta apreciamos muito as diversas casinhas dispostas pelos jardins públicos, para albergar os gatos silvestres. Ninguém os incomoda, pelo contrário, respeitam-nos. 

Malta é um país seguro, com óptimo clima de praia, embora estas não abundem, e com História, portanto, prevejo que se torne nos próximos anos, um destino muito popular. Os investidores que a descubram e acontece. Está quase. 


Fontes:

https://viagens.sapo.pt/planear/roteiros-planear/artigos/malta-e-gozo-descobrir-os-segredos-de-duas-ilhas-em-quatro-dias

https://www.voyagetips.com/pt/o-que-fazer-em-gozo/

 https://vontadedeviajar.com/mdina-de-malta-cidade-silenciosa/

http://www.malta.com/en/attraction/beaches/west-malta/golden-bay

https://www.casaroccapiccola.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cocatedral_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_(Valeta)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_de_San_Anton

https://www.tui.pt/destinos/malta/museu-nacional-de-arqueologia

https://www.vallettawaterfront.com/content.aspx?id=96901