sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Feliz Ano Novo!


2016 foi o ano em que me viciei em música clássica; sempre gostei mas não a ponto de precisar de a ouvir diariamente. Neste ano que termina foi assim, a rádio da cozinha, do quarto e do carro estão sempre sintonizadas na Antena 2. Onde eu estiver, estou a ouvir música clássica. Sinto-lhe falta se por algum motivo não me for possível ouvi-la. Portanto, é vício, mas dos bons. 

Este foi também o ano que o blogue Mãe... e muito mais cumpriu 10 anos de existência. Mais exactamente em Novembro, escapou-me a data para aqui a assinalar. De qualquer forma, na altura dos balanços, uma década merece menção; quando o iniciei não pensei em data de expiração, e por isso enquanto me sentir motivada ( e a escrita continua a motivar-me), vou continuar por aqui. Deixo também uma palavra de apreço aos que por aqui passam e lêem o blogue, e eventualmente comentam, e gostam.

Vou deixar, novamente, aos meus caros leitores votos de um Feliz Ano, através da música. E que melhor do que "As quatro estações" de Antonio Vivaldi?  Um ano que passa, um ano que começa; que seja abençoado com paz, saúde, amor, e realizações pessoais.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Feliz Natal!


Já ninguém aguenta Last Christmas ( penso eu de que...), mas Natal sem música - a vida sem música!- é como um filme sem banda sonora. Incompleto, silencioso e triste demais. De forma que aqui deixo estes maravilhosos cânticos de Natal Cipriotas, dedicados aos meus leitores, em forma de votos de Feliz Natal.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Coroa de Natal ( Nível 1 )




Esta coroa é do mais básico que há. De uma simplicidade infantil, à prova de desajeitados e iniciantes nas artes manuais, pois não tem como dar errado. 
Os materiais são comuns, com sorte até os têm em casa, como eu tinha, no entanto mesmo comprando fica super económico.

Tudo o que necessitamos:
Uma coroa de esferovite
Lãs nas cores desejadas ( fiquei-me pelas tradicionais)
Um adereço ( escolhi uma gnoma )
Enrolar a coroa de esferovite com as lãs, de forma a cobrir o esferovite, fazer alguns pompons e colar, e colar o adereço. Et Voilá!


Pendurar ou embrulhar, para presente de Natal!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Hall de Natal 2016


Este ano, devido aos diversos testes e trabalhos que os meus filhos têm tido que fazer, a decoração de Natal atrasou-se bastante mais do que habitualmente. E estávamos a sentir falta da atmosfera natalícia que nos envolve e prepara para a festa, que nos é a mais querida do ano.
Porém, por outro lado, eu estava também com pouca inspiração. E no hall de entrada, gosto de fazer uma decoração com significado. Mas depois de começar o processo, as vinhetas foram-se construindo como que capítulos da mesma história. 

Aproveitei a "coroa/janela" do Natal passado, agrada-me muito mais do que a coroa, por a achar mais sugestiva; a janela como metáfora do interior/exterior, do passado/presente, aplica-se mais justamente à quadra. Reformei-a, aplicando-lhe mais alguns galhos, um cano de bolinhas vermelhas e um laço de serapilheira. 
Recolhi os vários anjos dispersos pela casa, para reunir um coro de anjos, que rodeiam o minúsculo presépio; este, de barro preto, foi escolhido para festejar o recente reconhecimento, pela Unesco, da  Olaria de Bisalhães como Património Cultural Imaterial.  
O cenário das casinhas, e os meninos a brincar com o trenó, reflecte o nosso imaginário comum do tema natalício, sendo sempre do agrado dos meus filhos. 
E claro, não poderiam faltar as velas, que representam a Luz. Precisamos cada vez mais dela, para nos guiar e iluminar o caminho. 

Apesar do que muitos dizem, para mim, continua a fazer sentido celebrar o Natal; tem que é que ser noutros moldes. Com mais significado espiritual, mais recolhimento e profundidade. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Os Segredos Para Uma Vida Feliz, aos 8

Via
Uma menina de 8 anos escreveu, e eu aproveito e traduzo, para a versão "adulta":

1- Brinque.                 1. Ria muito.
2- Coma um gelado.          2. Tome um copo de vinho tinto por dia.
3- Faça amigos.             3. Tenha uma vida social.  
4- Ame tudo.                4. Seja grato por tudo.
5- Arranje um cão.          5. Adopte um animal de estimação. 

Os pequenos estão sempre a ensinar-nos. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Não é lata, é intimidade!

Desengane-se quem pensa que bastam os laços familiares, mesmo os mais próximos, como mãe-filho, pai-filho, irmã-irmã, para haver intimidade. 
As relações podem ter como base o sangue, porém, se não forem "trabalhadas" não nos levam para além da superficialidade. É necessário investir, tempo, atenção e dedicação. E é preciso uma vontade consciente para o fazer. Por isso, muitas relações de amizade se transcendem para além delas, pois foram esculpidas para alcançar outro patamar.

No entanto, por acharmos que os laços sanguíneos automaticamente nos proporcionam um estatuto de intimidade, descuidamos as relações familiares. E um dia, ao olharmos para quem nos é próximo, damos por nós a pensar numa pergunta que queremos fazer, num comentário que desejamos partilhar, e não ousamos. 

A relação pais-filhos é privilegiada, no sentido da existência abundante de oportunidades. Temos, constantemente, momentos em que podemos demonstrar empatia e respeito, que para mim são fundamentais na construção dos relacionamentos íntimos. Nenhum filho confia em quem não o compreende e respeita. Discordar é outra coisa; está numa área diferente, não sendo ameaçador perante argumentos válidos. E não há mal algum na discórdia, porque as pessoas pensam constantemente de formas diferentes. Temos apenas que aceitar essa diferença, com respeito pelo outro. 
Portanto, que alguém levante uma questão do foro intimo a um amigo, que a própria mãe não ousa abordar, não é atrevimento, é a prova da existência de intimidade. 
E quem a quiser, que faça por isso.      

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Os nutrientes e vitaminas estão na casca


Nunca tive muito o hábito de utilizar na cozinha caldos comprados, porém, desde que me tornei vegetariana dispensei-os definitivamente.

Com certeza que dão mais sabor a determinados pratos, mas há outra forma de o obter, mais saudável, económica e boa para o ambiente, por ser 100% natural. 
Basta guardar as cascas e cabeças de legumes que utilizou para a sopa, ou qualquer outra coisa, como restos de cenoura, courgete, abóbora, brócolos, couve-flor, batata-doce, etc. Se não tiver grandes quantidades de uma só vez, vá congelando. Colocar numa panela com água, temperar com sal e um dente de alho,e deixar cozer em lume muito baixo, cerca de uma hora. 
Utilizar de seguida, ou guardar no frigorífico não mais de 2 dias. Para além disso, convém congelar. 
Para utilizar em sopas, arroz, estufados, etc. 

Dica inspirada no blogue The Greenv.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Quando é Música


Estava no manual de Francês do Duarte. Fornecendo muita matéria de estudo, sobre um assunto sério, embrulhada em belíssima melodia. Deveria ser sempre assim, a música. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dahl de Feijão Frade #Vegetariana


 Nunca me teria ocorrido preparar o Feijão frade desta forma, e no entanto fica tão, mas tão delicioso! A Letícia, que nunca gostou da salada fria de Feijão Frade, adora este prato. E novamente dou a Letícia como exemplo, porque em primeiro lugar ela é super esquisita com as comidas, e em segundo porque cada vez mais adere à comida vegetariana. Já somos quase duas. 
Este Dahl também dá para congelar, o que o torna muito prático. 


Dahl de Feijão Frade*

Ingredientes: 

1 chávena de Feijão Frade demolhado
1 tomate grande, cortado aos cubos 
1/4  de chávena de óleo de girassol
1/2 colher de chá de sementes de cominhos 
1 cebola vermelha média, picadinha
5 dentes de alho grandes, cortados em fatias finas 
1 colher (chá) de sementes de coentros moídos 
3/4 colher (chá) de pimenta 
1/4 chávena de folhas de coentros picadas  
1 colher (sopa) de manteiga sem sal 
1 colher (chá) de sal

Como fazer: 
Escorra  o feijão e coloque  numa panela grande. Adicione o tomate e 3 chávenas de água e deixe ferver.Reduza o lume e  deixe cozinhar até o feijão ficar cozido, entre 45 minutos a 1 hora. Mantenha o lume muito baixo.Aqueça o óleo numa frigideira média em lume alto. Quando o óleo estiver quente, adicione as sementes de cominhos, cobrindo a panela com uma tampa. Depois de as sementes pararam de saltar, adicione a cebola e refogue em lume médio. Cerca de 3 minutos mais tarde, adicione o alho e refogue até que a cebola fique castanho escuro, cerca de 5 minutos no total. Adicione os coentros, açafrão e pimenta, mexa tudo e despeje a mistura sobre o dal. Adicione os coentro, a manteiga e sal ao dal, envolta tudo, e cozinhe  mais 5 minutos.   
Sirva quente, com coentros frescos picados, e arroz basmati a acompanhar. 

* Receita do Smitten Kitchen

terça-feira, 15 de novembro de 2016

"Ser feliz é gozar bem a vida"

" A auto estima (...) significa que a valorização que fazemos de nós mesmos, conhecendo as nossas limitações e aptidões, é positiva. Isto traduz-se em segurança e autoconfiança, quer o indivíduo seja um condutor de autocarros,  um arrumador, (...) ou um arquitecto. Essa autoconfiança está na base da assertividade, que é aquilo que faz que a pessoa saiba defender os seus direitos e opiniões de forma clara e respeitosa, sem necessidade de ofender os outros, nem de se rebaixar, reconhecendo quando erra e sendo conciliadora por natureza. 

A felicidade é a soma e o compêndio de uma vida autêntica, em que alguém soube perdoar as suas próprias falhas e debilidades. 
A felicidade é estarmos contentes connosco, cientes que fizemos o maior bem possível e o menor mal consciente.  

Há duas coisas essenciais para alcançarmos a felicidade, a cultura e a espiritualidade. A cultura é liberdade, a estética da inteligência. A piscadela de olho que nos faz querer saber os segredos mais importantes da vida. A espiritualidade é a transcendência, uma visão alargada e panorâmica do jogo da vida.

Um dos erros mais frequentes que cometemos é compararmo-nos com os demais; porque aí contrapomos superfícies com profundidades, e desse caminho resulta a inveja, que não é mais do que a tristeza com a satisfação alheia. 

Nunca se pode dar mais importância à vida profissional do que à vida familiar, social ou sentimental. Quando alguém trabalha mais do que as horas que lhe são atribuídas, quando leva o stress para casa, acabará por pagar com deterioração da vida pessoal e da própria saúde mental e física.

A infância é a etapa da vida em que se semeia o potencial do ser humano, a futura auto-estima das crianças depende da forma como os pais as encaminham nesta fase formativa. Sugiro que comecem eles mesmos por lhes darem o exemplo e lhes incutam o conceito de se trabalhar para conseguir algo. O êxito fácil não existe. Meçam bem todas as palavras - uma crítica infeliz pode diminuir a confiança - e mostrem abertamente que as amam com beijos e carinhos. Estabeleçam ainda pequenos objectivos, passo a passo, e não as comparem com outras crianças, um mau hábito que está por trás de muitos complexos, invejas e frustrações. "

Enrique Rojas, professor catedrático de Psiquiatria e Psicologia Médica, humanista, escritor, director do Instituo Espanhol de Investigação Psiquiátrica de Madrid, e presidente da Fundação Rojas-Estapé in entrevista ao Noticias Magazine 16.08.2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

As crianças dormem cada vez pior. E a culpa é dos pais.

Diz a notícia que as crianças dormem cada vez pior. E que a culpa é dos pais. Mais uma, para o rol das nossas incompetências. 

Resistência das crianças na hora de ir para a cama sempre houve; quem não se recorda de ver os bebés com a cabeça a balançar, os olhos a abrir e fechar penosamente, numa luta inexplicável contra a sono? A despertar com uma energia fulminante, quando os pais os tentam deitar na caminha? Só para mais uma ronda de... seja lá o que for, desde que acordados. 

Depois disso, a hora de deitar foi sempre ingrata, repudiada, questionada, numa tentativa de adiar o inevitável, "só mais um bocadinho". Para acabar de brincar, de ver um desenho animado, etc. 
A estratégia que nós, pais, encontramos para conciliar hora de dormir com um pequeno prolongamento, foi a leitura de um livro. Já deitados na caminha, dentes lavados, ouvindo uma história a média-luz, num agradável ritual, de disfarce sonífero. Depois da luz apagada, mas ainda inconformados, apareciam eventualmente, porque tinham sede, ouviram um barulho, querendo fazer xixi. Outra vez.  
Qual a novidade? Era assim durante muito tempo, por vezes, anos. Era necessário firmeza no cumprimento, e perseverança. Porque francamente, isto é mesmo uma questão de quem mais teima. 

Este familiar cenário à parte, há actualmente uma série de condicionantes à hora de dormir; que se encontram no próprio quarto das crianças. Qualquer criança, ou jovem, tem uma televisão no quarto; e ligada a ela, uma consola. Na secretária está um computador, e na mesinha-de-cabeçeira um tablet. Ou telemóvel. Tudo ligado à internet, com certeza. E na falta desta, há jogos descarregados nos diversos aparelhos. 

Como podem as crianças, e jovens, dormir as horas que necessitam, a horas apropriadas, com tantas distracções e tentações, ao redor? Convenhamos que é muito difícil. 
Neste sentido, de facto, os pais boicotam o objectivo do quarto, uma vez que são eles que permitem, e patrocinam, todas esta parafernália electrónica. 
Se a prioridade do quarto é o descanso, porque o sono é fundamental para a saúde do ser humano, fazer-lhe uma "limpeza" será muito aconselhável, e urgente. Idealmente, nunca estas coisas lá deveriam estar, porém sendo o caso, vamos sempre a tempo de corrigir o errado. Vai originar contestação? Vai, mas quando temos a razão do nosso lado a nossa teimosia é legítima. E grande.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Lembrete


Há cerca de três anos comecei a encontrar, todos os Outonos, um Louva-a-Deus no jardim. Perfeitamente camuflado nos troncos castanhos, aventura-se por vezes pela folhagem em busca de sol. 
E aqui ficam até ao fim do Inverno. Este ano encontrei três. É uma alegria quando os vejo pela primeira vez, e todos os dias que os encontro. 

Não me parece que seja um acaso. Para mim, os Louva-a-Deus são um lembrete. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Dahl - #Vegetariana

Quentinho, ainda a fumegar!

Finalmente, a receita prometida do Dahl, um dos meus grandes favoritos, e da Letícia, que o considera mesmo o seu prato dilecto.
De resto, todos os que já o provaram cá em casa se renderam, algo atónitos, a esta deliciosa receita indiana.




^^ Dahl* ^^
Ingredientes:
1 chávena de lentilhas demolhadas em água, uma hora
1 tomate grande cortado aos bocados pequenos ( sem pele e sem sementes) 
1/4 chávena de óleo vegetal
1/2 colher de chá de sementes de cominhos 
1 cebola vermelha média, picadinha 
5 dentes de alho grandes, em fatias finas 
1 colher (chá) de sementes de coentros
3/4 colher de chá de açafrão em pó
1/2 colher de café de pimenta preta 
1/4 chávena de folhas de coentros picadas, ou salsa  
1 colher de sopa de manteiga sem sal
1 colher de chá de sal
 
Como fazer:
Escorra as lentilhas e coloque-as  numa panela grande. Adicione  três chávenas de água, o sal e a manteiga e deixe ferver. Reduza o lume  e deixe cozer cerca de 10 minutos. 

Aqueça o óleo numa frigideira média em lume forte. Quando o óleo ficar quente, adicione as sementes de cominhos, cobrindo a panela com uma tampa, e deixe-as estalar para libertar os aromas. Adicione a cebola e refogue em fogo médio. Cerca de 3 minutos depois adicione o alho e refogue até ficar tudo caramelizado, cerca de 5 minutos no total. Adicione os coentros, açafrão e pimenta, mexendo sempre. Acrescente o tomate e as lentilhas e deixe cozer com tampa em lume médio/baixo, cerca de 30-40 minutos.
Rectifique os temperos.
Como eu gosto que o Dahl fique com uma certa "borra", passo com a varinha um pouco, muito pouco realmente. Envolver tudo.
Adicione os coentros picadinhos na hora de servir, e acompanhe com arroz basmati. 
Para ficar perfeito só falta mesmo o Naan. Delícia suprema, repasto dos deuses. 

Costumo fazer e congelar em doses individuais, pois não perde qualidade, e é imensamente prático. 

*Receita inspirada nesta do Smitten Kitchen.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

- Eu é que sou a mãe!

Diz o ditado que  Quem meus filhos beija, minha boca adoça, e está perfeito assim, mas nem sempre esta é a realidade sentida por muitas mães. 
A culpa e insegurança de quem confia os filhos aos cuidados de outrem surgem à tona, quando se deparam com o afecto dividido dos filhos. Não o percebendo como partilha, mas roubado, sentem que deveria ser apenas delas, e por isso recriminam os seus beneficiários e culpabilizam os filhos, sabotando consequentemente essas relações.

As fragilidades destas mães, sejam elas obrigadas a ceder os filhos a cuidados de terceiros, ou o façam por opção, tornam-se rígidas opositoras ao afecto que as deveria sossegar. Saber que os filhos estão bem entregues, que são cuidados e tratados com o carinho e respeito de quem os assiste como seus, deveria pacificá-las. Porém não, domina-as o ciúme, atormentando-as a ponto de desejarem que os filhos se desgostem dos seus cuidadores, descobrindo pretextos para dificultar encontros, sem compreenderem que são elas a causa do sofrimento dos filhos. Sem entenderem que quantas mais pessoas amarem os filhos, e os filhos amarem, mais felizes serão. Mais completos.

Estas mães, não precisam de afirmar aos filhos e a quem as ouve: eu é que sou a mãe. Essa é uma evidência inegável; falar é fácil, difícil é ser e fazer. O que estas mães precisam é de descansar nos vínculos afectuosos dos seus filhos. Encontrar aí a paz para continuar a tecer na rede de afectos familiares, contribuindo e não destruindo. 
Reconhecer que precisamos dos outros para cuidar dos filhos, desde que essas sejam as pessoas certas, não nos diminui; diminuí-se a si mesmo quem pensa mal de quem lhe faz bem. E aos seus.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Um Mundo melhor para os nossos filhos?


Não concebo o exercício da parentalidade plena, sem a inclusão dos grandes assuntos como a defesa do meio-ambiente. 

O CETA não foi assinado por um triz ( abençoada Bélgica!), mas quase ninguém quer saber. A humanidade continua no seu ritmo autofágico, a maioria de nós vivendo o presente, não se questionando ou preocupando com o futuro das gerações vindouras, filhos e netos. 

Em oposição, os Indígenas continuam a fazer a defesa da Mãe Natureza, #NoDAPL, agora mesmo, por exemplo, e desde há meses, em defesa do rio Missouri que abastece de água 17 milhões de norte-americanos, e do seu território. Porque água é vida e está em risco de ser contaminada com petróleo. São exemplos que nos deveriam inspirar.

Temos que mudar a nossa forma de viver, parar de compactuar com as grandes corporações. A maior revolução, e a mais eficiente, é mudar hábitos de consumo; a mensagem mais clara é aquela que afecta as finanças das corporações. E isso nem sequer nos coloca em perigo, não nos sobrecarrega financeiramente, não nos rouba horas do dia, não nos expõe. 
Tudo pelo contrário.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

#SaveTheLivingroom


Via Vintage Home
Quando o Duarte descobriu a série South Park e eu percebi a quantidade de palavrões que as personagens diziam, proibi-o de ver essa série. Claro que sempre que podia, ele via às escondidas e sei isto porque o apanhei diversas vezes. Admoestava-o, dizendo-lhe que apesar de ser animação não era para a idade dele, que os conteúdos eram para adultos, etc, etc. Contrariado, acatava mas sempre que podia, continuava a ver. Tenho a certeza. 
Agora esta censura já não faz sentido, e uma vez ou outra vejo um pouco de algum episódio com ele. E curiosamente, das poucas vezes que isso aconteceu o episódio tocava nalgum ponto bastante relevante; fiquei com a impressão de que os temas fazem pensar e são educativos, a linguagem é que não se mantém a esse nível. 

Este último episódio andou à volta da #SaveTheLivingroom. Esta evidência é planetária, as famílias deixaram de usar a sala de estar; já não se reúnem todos no sofá, no fim das refeições e fins-de-semana, a verem programas de televisão. Cada um sai da mesa, para direcções diferentes, com os seus tablets, telemóveis e p.c's. 

Por vezes, os meus filhos perguntam-me se eu penso que a minha infância e juventude foram melhores do que a deles, e eu digo sempre que sim. Foi melhor neste sentido de estar efectivamente presente nos sítios onde estive; e na sala de estar também. Era hábito a família reunir-se depois do jantar, para ver algum filme, ou série, apesar de termos apenas dois canais, e a escolha ser extremamente diminuta. E esses serões de t.v. em família são doces memórias que eu tenho e prezo. 

A sala-de-estar foi abandonada, por ninguém querer "estar". Estamos apenas de passagem, e se estamos em algum sítio, há-de ser muito provavelmente online

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Arroz de especiarias # Vegetariana


Este arroz é uma festa para as papilas gustativas. Para mim constitui uma refeição, para o resto da família acompanha o que tiver que ser, de muito bom grado. 



  Arroz de Especiarias*

Ingredientes:
2 dentes de alho picados
1 fatia fina de gengibre
1 raiz de coentro descascada
1 pimento, picado com semente
1/2 colher (chá) de grãos de coentro
1/2 colher (chá) de grãos de cominhos
1/2 colher (chá) de grãos de pimenta preta
1/2 colher (chá) de cúrcuma em pó (açafrão-da-terra)
1 colher (sopa) de folhas de coentros picadas
100 g de creme de soja
3 colheres (sopa) de azeite
1 cebola picada
1 tomate sem pele picado
1 chávena de courgete 

3 chávenas de arroz integral cozido (ou arroz branco, se quiser)
1 chávena e 1/4 de feijão azuki já cozido
Sal a gosto


Como fazer:
Num pilão, soque bem o alho, o gengibre, a raiz de coentro e a pimenta. Junte os temperos em grãos já triturados. Soque mais, juntando uma pitada de sal e a cúrcuma. Adicione o creme de soja e as folhas de coentro e bata bem com um mixer. Numa frigideira grande, aqueça o azeite e doure as cebolas. Junte o tomate e a courgete, tempere com uma pitada de sal e cubra com 1/4 de chávena de água. Deixe cozinhar por cerca de 5 minutos ou até que seque o líquido. Acrescente o creme de soja e espere ferver. Junte o arroz e o feijão e misture com delicadeza. Quando toda a mistura estiver bem aquecida, desligue o fogo e sirva.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Love you mom... ?


"A cada 15 minutos uma criança é retirada aos pais, em Inglaterra. " Se são retiradas nestas circunstâncias, algo cheira mal no reino de sua majestade...

Se apenas conhecemos uma versão: " Os serviços sociais não prestaram quaisquer declarações"; o que volta a ser muito estranho. 

Trabalho de investigação, da jornalista Ana Leal. 
Os resultados já começam a surgir ( aqui ), e bem necessários são, pois aqueles pais estão totalmente desamparados.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Era isto...



Passamos uma vida a tentar encontrar as palavras certas para descrever com justiça e exactidão, um local, um sentimento, uma situação, uma pessoa, sem sucesso. E de repente, encontra-se aquilo perfeitamente grafado por outrem, como se ela o tivesse também vivido ou sentido
É mais do que o domínio da palavra; é como se por artes mágicas, aquela pessoa tivesse entrado na essência, daquilo que nos foi vedado.

Isto a propósito do vinho que o meu pai produzia, para consumo particular, quando eu tento descrever como era bom, e como deixava o palato encantado de quem o bebia pela primeira vez:


“O que mais aprecio são pequenas colheitas particulares, vinhos muito puros, leves e modestos, sem nomes especiais; podem beber-se fácil e inofensivamente em grande quantidade, e têm um sabor doce e agradável a campo e a terra, a céu e a bosque. “

In O lobo das Estepes, Hermann Hess

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Dica de leitura: O Lobo das Estepes

Via Wook
Harry Haller é um homem dividido entre o eu civilizado e o eu selvagem; um a antítese do outro, um querendo o oposto do outro, um desprezando o outro, numa eterna luta de domínio e subjugação. É um homem estranho, muito reservado e triste; raras coisas na vida lhe proporcionam alegria e realização, por isso deu-se um tempo para viver, e os 50 anos são o limite. Entretanto, tudo muda quando conhece Hermínia, uma mulher tão superficial quanto profunda; fútil e sábia, adquire sobre ele uma ascendência que o fascina, deixando-se conduzir como que encantado desde então. É a descoberta de Harry e do mundo.

Uma viagem pelas profundezas da alma, a exploração do "eu", a descoberta de si mesmo, que tanto seduz aqueles que procuram um sentido para a vida, e existência. Colou-se-me à alma, a ponto de o considerar um livro indispensável. 
Este vai ficar definitivamente na mesinha-de-cabeceira.  

Título: O lobo das Estepes
Autor: Hermann Hesse
Editor: Difel
Nr de Pág. 266
Preço: 15.14€

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A diferença de roupas para meninos e meninas?


Vai ser cada vez mais difícil controlar as gerações mais novas. Para além de haver mais pais a pensarem e questionarem o instituído, elas parecem nascer já com outra atitude; com mais capacidades e menos conformismo. 
Por vezes penso que a famosa "hiperactividade", tratada com medicamentos, não é outra coisa senão a manifestação desse inconformismo, perante um Mundo inadequado.

Nas crianças reside a nossa esperança do futuro.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Salada de Couscous # Vegetariana


Adoro as saladas de Verão, são frescas e rápidas de confeccionar. Como o calor continua, as saladas também!

Salada de Couscous 

Ingredientes:
Uma chávena (chá) de couscous
Uma cebola
Meio pimento vermelho
Uma maçã média
Sal e caril

Como fazer:
Colocar o couscous numa taça com água a ferver (a cobrir), tapar com plástico aderente e deixar repousar 15 minutos.
Saltear em azeite a cebola cortada em meias luas, dois minutos, e acrescentar a maçã cortada aos cubos. Saltear mais um pouco e juntar o pimento cortado em tiras pequenas. Temperar com sal e uma colher de chá de caril. Envolver tudo até os ingredientes ficarem cozinhados. Soltar o couscous com um garfo e envolver tudo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ensinar e aprender a dizer "Não" é fundamental

Educamos os nossos filhos para serem obedientes. Há algum mal nisto? Queremos que nos obedeçam porque sabemos o que é melhor para eles, sendo este argumento indiscutível.

E pretendemos que nos obedeçam sem demora, que acatem os nossos pedidos, sugestões e ordens. Porque nós sabemos o que é melhor e necessário, e porque desobedecer aos pais, e mais velhos, é muito feio. Fazemos má cara, dizemos que são mal-educados se desse modo se comportarem, e castigamo-los se for o caso. 
A maioria das vezes, não nos damos sequer ao trabalho de explicar porque queremos as coisas assim, porque impomos a nossa vontade. Pedimos ou ordenamos do alto da nossa condição de lideres inquestionáveis, e a pressa, os horários, as diversas tarefas que aguardam as nossa atenção, não nos deixam disponibilidade para explicar razões. Não podemos perder tempo! 
Portanto, esperamos uma obediência cega. E, se pedir para que se vistam rapidamente, pois o autocarro parte dentro de 15 minutos, ou têm que estar na escola ou numa consulta, a determinada hora, é suficiente para que o pedido seja uma ordem a obedecer, a frequência com que fazemos estas coisas levam-nos por um caminho comum, para tudo o resto. Porque dentro deste extenso pacote de ordens e pedidos, que fazem parte do nosso dia-a-dia, há muito do que não é evidente, do que não é compreendido sem mais palavras do que a sugestão, pedido e ordem
Porém, estamos a formatar os nossos filhos, as nossas crianças, para ouvirem e obedecerem, sem retorquírem, sem contestarem, sem pedido de explicação. Estamos a criar crianças e jovens que obedecem sem espírito crítico. Que aceitam o poder dos mais velhos, sem questionar. Que aceitam fazer, e ser, aquilo que pode ser, e muitas vezes é, nocivo para eles próprios. Não os estamos a educar para saberem dizer "não" quando a situação o exigir. Quando, em situações mais extremas, estão em perigo.
Ensinamos as gerações novas a sentirem-se mal, para nos fazerem sentir bem.

Esta obediência cega formata adultos para serem bons seguidores, e é assim que a sociedade os quer, para fazer deles "bons trabalhadores", e "bons cidadãos". E isto interessa exactamente a quem? A quem manda, e se antes foram os pais e professores, passa depois para políticos, chefes e patrões.
Não haverá anarquia se ensinarmos as crianças e jovens a pensarem de forma crítica, construtiva e consciente. Haverá mudanças estruturais, necessárias para um mundo melhor, e pessoas mais equilibradas e felizes. 
Temos nós, que entretanto, aprender a ouvir "não" e a ouvir razões e argumentos, sem sentirmos que isso nos questiona de forma ameaçadora, enquanto pais e educadores. Apenas nos questiona, e não há mal algum nisso, muito pelo contrário.