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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Referências literárias

Gosto quando...
os meus filhos aceitam ler os livros que eu também li, na idade deles, e gostam, como eu gostei.

Não gosto quando...
me fazem referências como " quando o vento destruiu a torre", o coronel disse logo que a culpa era do Núvem.

Lembro-me lá quem era o Nuvem. O que me ficou foi que o poder corrompe. E que a igualdade é utopia.


terça-feira, 2 de novembro de 2021

Outono

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Prometo gostar de ti se conseguires permanecer frio e seco. Se deixares as folhas mudar de cor, secarem nas árvores e caírem suavemente, levadas pelo vento. Se me permitires contemplar-te as mudanças, a cada dia, entre cálidos raios de sol. 

E não peço mais nada, Outono. Prometo. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Lembrete


Há cerca de três anos comecei a encontrar, todos os Outonos, um Louva-a-Deus no jardim. Perfeitamente camuflado nos troncos castanhos, aventura-se por vezes pela folhagem em busca de sol. 
E aqui ficam até ao fim do Inverno. Este ano encontrei três. É uma alegria quando os vejo pela primeira vez, e todos os dias que os encontro. 

Não me parece que seja um acaso. Para mim, os Louva-a-Deus são um lembrete. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Era isto...



Passamos uma vida a tentar encontrar as palavras certas para descrever com justiça e exactidão, um local, um sentimento, uma situação, uma pessoa, sem sucesso. E de repente, encontra-se aquilo perfeitamente grafado por outrem, como se ela o tivesse também vivido ou sentido. 
É mais do que o domínio da palavra; é como se por artes mágicas, aquela pessoa tivesse entrado na essência, daquilo que nos foi vedado.

Isto a propósito do vinho que o meu pai produzia, para consumo particular, quando eu tento descrever como era bom, e como deixava o palato encantado de quem o bebia pela primeira vez:


“O que mais aprecio são pequenas colheitas particulares, vinhos muito puros, leves e modestos, sem nomes especiais; podem beber-se fácil e inofensivamente em grande quantidade, e têm um sabor doce e agradável a campo e a terra, a céu e a bosque. “

In O lobo das Estepes, Hermann Hess

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Felicidade é...


Ter uma libelinha pousada nas mãos. 

Lagoa no Gerês

Esta mesma, que estando à distancia do meu braço pousada numa rocha, aterrou nas minhas mãos, quando lhas estendi.
E ver acontecer o mesmo, nas mãos da Letícia.


 E ver que para a minha filha, também é um momento feliz.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um ano de dieta vegetariana


Quando, há um ano, mudei os meus hábitos alimentares tinha a certeza de que queria, de facto, dar esse passo. Porém, não estava totalmente segura de como seria esse processo; não queria sentir falta de carne e peixe.
Não queria sentir-me "desconsolada" com a minha nova alimentação.
Não queria que isso me trouxesse algum problema de saúde. 
Não queria ter que tomar vitaminas, ou qualquer outro suplemento que o organismo necessitasse, por já não estar incluído na minha dieta. 
E, sobretudo, não queria arrepender-me e desistir.

Portanto, talvez devido a tudo isto, dizer "sou vegetariana" foi algo que durante bastante tempo hesitei. E a primeira vez que o disse soou-me a falso; o que são algumas semanas, ou até meses, em toda uma vida de dieta omnívora?! 

Demorei imenso tempo a tomar a decisão, que acabou por acontecer numa fracção de segundo, precisamente para ter a certeza de que era uma mudança definitiva. Felizmente, nenhum dos meus receios se confirmou, até à data. 
Não me custa absolutamente nada abster-me de carne e peixe, nem sequer os meus (antigos) pratos preferidos me tentam. 
A comida vegetariana é muito reconfortante e apetitosa, de forma que,
confesso, por vezes como demasiado, apenas por gula! 
Sinto-me optimamente, as minhas últimas análises confirmam-no, e mantenho o peso ( 53 kg - 1.66 cm ), o que sendo eu naturalmente  magra, manter o peso é bom.  
Não me sinto nada arrependida desta mudança de dieta; num ano, nunca vacilei nem hesitei. Sou vegetariana. 

A dificuldade de alimentar-me fora de casa, fosse em férias, ou em casa de amigos e familiares, foi um ponto que desconsiderei. Quando as pessoas me começaram a questionar, simplifiquei dizendo que comeria o que houvesse para todos, excepto a carne e o peixe. E que levaria a minha comida quando isso fosse necessário, o que aconteceu na Páscoa, entre familiares, e no Verão, entre amigos. Para mim foi absolutamente normal, enquanto para os outros foi algo curioso; faziam-me perguntas, expunham dúvidas, davam mostras de perplexidade. Considerei razoável, afinal sou a primeira vegetariana da família, e entre amigos. Todavia, suspeito que não será sempre assim, outros tomarão o mesmo rumo, a seu tempo. 

Continuo, obviamente, a cozinhar carne e peixe, a minha família é omnívora, e por vezes cozinhar duas refeições diferentes é complicado. Adquiri então o hábito de cozinhar várias refeições e congelar; a diversidade na arca congeladora é muito prática e compensadora. E tenho também alguns truques, que o tempo e experiência me ensinaram; se a família tem uma refeição que inclui arroz seco, faço para mim uma omeleta, por exemplo. Ou salteio cogumelos com molho de soja, que envolvo no arroz. 

Sinto-me muito satisfeita com esta mudança, que considero ter sido um dos meus maiores sucessos em 2015. Sei que ninguém convence ninguém a mudanças destas; é algo que deve ser decidido a nível de consciência. Contudo, acredito que saber mais sobre a forma como os "alimentos" da dieta omnívora são criados e tratados, tomar conhecimento de que os animais também sentem, e percebem o processo de morte, são informações que nos motivam fortemente. A empatia é geradora de grandes mudanças no nosso íntimo, e se há coisa que este Mundo necessita é de empatia. 

Mais informação, aqui:
Vida Animal
Cantinho Vegetariano 
ANDA
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Um dia no Museu

Musée des Beux-Arts de Lyon, Foto de Letícia
Ainda hei-de passar um dia inteiro num museu de Belas Artes. Estarei lá à hora de abertura, sem me preocupar com almoço e lanche, sem olhar para o relógio, saindo apenas quando o museu encerrar portas. 

Ninguém me acompanhará, nem combinarei hora e lugar para visitar seja o que for nesse dia.

Irei parar o tempo que quiser a admirar telas, sem ninguém a apressar-me. Voltarei para trás as vezes que entender. Sentar-me-ei num banco sem pressa, a contemplar, a devanear e a tirar notas, se o entender. 

E se por um feliz acaso, encontrar o mesmo velhinho, que discutia El Greco diante de uma tela deste pintor e da qual se afastava relutante, voltando uma e outra vez, com um acompanhante enfastiado, vou perguntar-lhe. 
Vou perder a minha reserva natural, e aquela que a boa educação me deu, e perguntar-lhe directamente o que vê de tão fascinante naquela tela.

Não sou exigente, sobre a sua localização, pode ser em Paris, Londres, Florença ou Amsterdam. Ou Lyon, pela 4ª vez. Mas desta vez, serei apenas eu. E isto não é ingratidão para quem teve paciência de me acompanhar repetidas vezes. É somente um grande capricho meu.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Recebi Flores!


Já há muito tempo que não recebia flores. Costumo comprar para decorar o hall de entrada, mas com a decoração de Natal nem essas flores tinha. De qualquer forma, eram flores compradas, não oferecidas. E tinha saudades de receber flores. 

Depois de guardar a decoração de Natal, fui à Florista, pensando no hall, e deparo-me com um único ramo de tulipas. Perfeito. Desde criança, as minhas flores preferidas. 

Naturalmente optei por essas, mas já não com a intenção de decorar o hall de entrada; comprei-as para as oferecer. A mim.

Pode parecer estranho, disparatado até, mas senti-me imensamente feliz e grata, por as ter recebido, mesmo vindas de mim. 

Todas as vezes que passo pelas tulipas a intenção da oferta renasce; não são apenas as flores que estão a decorar o hall, são as tulipas que recebi!

Por que esperar que alguém nos ofereça flores? Quando achar que lhe apetece, que merece, que precisa de flores, para alegrar o seu dia, seja o que for, ofereça-as a si mesma. Porque não teriam o mesmo valor?


Acaso não devemos ser nós as primeiras a valorizar-nos? Penso que sim.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Balanço do Ano Velho, Planos para o Ano Novo

Todos os dias são Ano Novo, e cada um, uma nova oportunidade para mudar, no entanto há duas datas imensamente impactantes e poderão alavancar mudanças, ainda com mais sucesso: o nosso aniversário e o Ano Novo. 
São datas que se proporcionam a balanços, sendo estes que nos impulsionam. São datas poderosas, que podem animar-nos a mudanças, inicio de planos, etc.

Portanto, estamos numa dessas datas. Encontrei estas guias no blogue Mulher Verde, que aqui partilho, por me parecerem perfeitas: 

- O que estou celebrando agora, neste exacto momento? 
- O estou deixando para trás, ou seja, que não aconteceu conforme o esperado?
- O que eu quero que aconteça em minha vida em 2016? 
- Como posso melhorar minha qualidade de vida neste ano?
- O que fazer para ter mais felicidade (ou paz, ou saúde, ou prosperidade, ou seja lá o que for) em 2016?

Apenas acrescento uma sugestão: 

- Reunir uma colecção de “eventos memoráveis” de sua própria vida.

Sempre tive propensão para coleccionar coisas, papel de cartas, blocos de notas, caxinhas em porcelana, etc., mas nunca levei muito a sério essas minhas colecções. A um nível inconsciente pensava que não era aquela a colecção certa.
No ano que passou compreendi, finalmente, que "eventos memoráveis" é de facto a única colecção que merece total empenho. Esta si, é a colecção que vale a pena!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Insubmissa me confesso


Via

Em defesa do Património cultural.

É incorrecto que a aplicação do AO.90 seja obrigatória a partir de 13 de Maio deste ano; em abono da verdade, a data é 22 de Setembro de 2016.

Também eu continuarei a escrever em Português. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Por que me tornei Vegetariana?

Na verdade era uma coisa de infância. Recordo-me perfeitamente de ser criança e me recusar a comer um bife, por saber que vinha das vacas; argumentei que tinham olhos tristes, como se adivinhassem que seriam abatidas. Claro que os meus pais foram surdos ao meu discurso, e me obrigaram a comer. 
E assim, acabei por sucumbir a um tipo de alimentação que de alguma forma nunca me foi natural. Exemplo disso era o meu esforço para entrar em talhos, e tratar das carnes para cozinhar. Tive sempre que abstrair-me do que fazia nessas ocasiões. Fiz sempre um esforço enorme, e senti sempre uma certa "repugnância".

Porém, a minha família é bastante avessa ao vegetarianismo, e o máximo que consegui  alterar na nossa dieta, foi introduzir duas refeições vegetarianas por semana. A minha filha, que desde pequenina se comporta como eu, perante a carne, foi a maior entusiasta desta novidade. Combinamos que um dia seríamos as duas vegetarianas. Entretanto, eu não pude esperar. Num clique, apercebi-me de que o meu contexto não mudaria, se eu tivesse que aguardar por condições alheias a mim; apenas eu poderia mudar. E de uma refeição para outra, tornei-me vegetariana.

Perguntam-me agora, constantemente, o que me levou a mudar de alimentação. Alguns, já conhecedores do documentário Cowspiracy, também concordam que é incomportável para o planeta que as pessoas continuem a consumir carne nas quantidades actuais. Porém, acreditam que basta consumir menos. Muitos, reforçam dizendo que necessitamos da proteína animal; ignoram, todavia, que há imensas alternativas vegetais para suprir essa necessidade.

Para mim, a questão do Vegetarianismo faz sentido porque se baseia em 3 pontos extremamente importantes.

1º Não quero que a minha alimentação seja feita às custas de violência contra seres vivos, seja durante a criação desses animais, seja no abate. 

2º Considero a forma como os animais são criados, muito artificial, e nociva ( senão letal) à nossa saúde.   

3º A criação de animais para consumo provoca um desgaste dos nossos recursos naturais, que está a destruir o nosso planeta. 

Há diversos estudos que fundamentam, e provam, o sentimento de dor e perda na forma como os animais são tratados. Nós precisamos de sentir compaixão por outros seres, e aceitar que eles sofrem com o nosso estilo de vida. 
Para isso, necessitamos informar-nos. Não tem de ser assim, pois temos outra alternativa. Apesar de ter nascido no campo, só há poucos anos soube que as vacas não davam leite naturalmente, mas apenas quando tinham filhotes. Com certeza, os agricultores meus vizinhos não lhes retiravam os vitelos 2 dias após o parto, nem as inseminavam artificialmente para manter as vacas em ordenha permanente. Porém, na indústria dos latícinios a natureza é enganada com medicação, e químicos, que passarão para o leite que havemos de consumir. 

Fala-se tanto em cozinhar com amor, que é esse o têmpero inprescíndível para confeccionar pratos saborosos, e no entanto esquecemos que estamos a cozinhar sofrimento.

Recentemente, li um texto de uma mãe vegana que me convulsionou imenso. Interrogava-se ela: "como é que se pode ter um gesto de amor quando estamos a dar sangue, morte e violência aos nossos filhos?"

Não pretento convencer ninguém. Reconheço que a convicção tem de vir de nós mesmos, é uma questão de consciência, e cada um de nós tem o seu tempo. Se a motivação nos for alheia, à menor tentação resvalamos para o ponto de partida.

Sei que cozinho agora com alegria. Dei comigo a cantarolar enquanto preparava as minhas primeiras refeições vegetarianas. E também devo cozinhar com amor, pois a comida resulta inacreditávelmente deliciosa! Testei este fim-de-semana, num jantar de família, e até mesmo os mais reaccionários gostaram e repetiram.


Mais informação:
6 documentários sobre os animais e meio ambiente
Como se tornar vegetariano?
A verdade sobre a produção de leite

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Quanto O Mundo Perde um Pouco da Sua Cor


Como continua o relógio a marcar as horas e os minutos? Pessoas a comer e beber à hora das refeições? Rotinas reproduzidas e barulhos habituais.

Porque o tempo deveria parar, e todos deveriam ficar com as suas vidas em suspenso. Nem um só suspiro se deveria ouvir, ninguém a respirar que fosse. O Mundo deveria paralisar, ainda que apenas por um momento.

O meu Mundo ficou mais pequeno, mais silêncioso, e perdeu um pouco a sua cor.

Mas a vida continua. Dizem.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Um Texto Meu, Num Teste?

Uma entrada no meu blogue vinha de um documento pdf; tive a curiosidade de procurar saber do que se tratava, e com enorme surpresa deparo-me com um teste que avalia os conhecimentos da Língua Portuguesa, nível de secundário, em Húngaro!

Nas perguntas de interpretação, o teste refere-se a mim como "a escritora"!
...........
Sinto-me elogiada e atemorizada.

Caso para dizer: -  köszönöm !


quinta-feira, 17 de julho de 2014

O meu Facebook

O FB não é para mim sala de estar, onde passe horas sentada, entretendo as visitas com conversa de circunstância.
Não é cozinha que me alimente, desperte apetites inconfessáveis ou frívolos desejos.
Não é janela ou varanda, de onde observe quem passa, como vai vestido, adivinhando os seus humores.
Não é quarto que me tranquilize, me convide ao sono ou me descanse.

Não é hall de entrada, onde cochiche baixinho, para o resto da casa não me ouvir, confidências e notícias privadas. Por isso, sabe tão pouco de mim, que não cessa de me perguntar, em que liceu estudei, com quem casei, e qual a minha religião.
Não é jardim publico onde me passeie na esperança de encontrar conhecidos, para trocar cumprimentos. 

O FB para mim, é apenas um corredor, de pequenas dimensões que atravesso rápido, para chegar ao outro lado. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Apocalipse Ortográfico

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Se este a.o. , que me deixa de cabelos em pé, foi elaborado por especialistas que aprenderam o Português tal como eu o conheço, e o transformaram nisto, fico antecipadamente apavorada com a perspectiva do novo a.o. , quando for feito por pessoas que escrevem*:

- pinxexa
- adrt
- bgd / bigada
- tas
- cmg
- axo
- qer
-qem
-agr

Estou com muito receio do futuro. Com muito medo de viver num país onde já ninguém comunique na mesma língua que eu. Pela rapidez da "evolução" da mesma, não tarda nada, voltamos aos grunhidos dos homens das cavernas.

* Vi no FB, nos amigos dos meus filhos, que isto de monitorizá-los tem as suas vantagens; vou acompanhando a evolução da língua praticamente in situ.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quando o Tempo Parou

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Sentir o calor no corpo, ao fim da tarde de um dia de Primavera.
Contemplar o campanário da igreja como se o visse a primeira vez.
Ouvir ao longe o coro infantil da catequese, melódico e meigo.
Sentir a brisa  dobrar o cipreste levemente, de um lado para o outro.

Como se todas as peças do cenário se encontrassem no seu lugar. 
E o tempo parou por segundos, cativo da perfeição.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A Responsabilidade das Palavras

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Não gosto que me atribuam palavras que eu não disse.
Que leiam nas entrelinhas, procurando por elas. As encontrem em metáforas ou outros recursos estilísticos.
As minhas palavras dizem o que eu quero dizer apenas, não o que o meu interlocutor pensa ouvir.
Já me basta procurar as palavras certas para dizer, o mais exactamente, o que quero dizer.

O resto é abuso. Não é inteligência, nem cultura literária.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Eu tenho um sonho



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Hoje estou com este texto, a concurso na  Papel D'arroz Editora. Há lá sonhos para todas as cores e feitios. Passem por lá!


Eu tenho um sonho

Eu não tenho um sonho. Tenho imensos sonhos. Diria até que não sei viver sem sonhos. Como se estivesse permanentemente com um pé aqui, no mundo real, e outro no mundo dos sonhos. E o equilíbrio é manifestamente perfeito, pois quando levanto um pé, não aguento muito tempo ao pé-coxinho, tenho que voltar a pousá-lo, e no mesmo sítio. 

Dos meus diversos sonhos eu poderia escolher aqueles que ficam bem a toda a gente, pedir a paz no mundo, por exemplo. Saber que vivemos num mundo com diversos focos de guerra, onde a criminalidade está disseminada a ponto de muitos países em suposta paz, sentirem que vivem num clima de guerra, é triste e preocupante.
Poderia ser o fim da fome, também. É difícil aceitar que não nos faltando nada do básico e tendo ainda muito do supérfluo, existam milhões de seres humanos no mundo, que morrem de fome. 
Ou a água potável. É o mínimo que podemos desejar a todos os seres humanos deste planeta; que tenham acesso à água potável, e assim não contraiam doenças que nós nem sabemos que existem.
 
Poderia ainda mencionar o meu sonho de liberdade; que todos fossem livres de escolher a religião, o partido político, ou a quem amar. Independentemente de género, ou raça. 

Que todas as crianças tivessem direito a uma família que as amassem, protegessem, e lhes proporcionassem os cuidados necessários, para se tornarem adultos felizes.
Enfim, o meu sonho de uma vida digna para todos será certamente comum a muitas outras pessoas, e por isso a empatia seria grande. Fica sempre bem contar sonhos altruístas.
Ou talvez mencionar um sonho mais individual, que mesmo assim é comum e generalizado: ganhar o euromilhões! Com esse poderia realizar uma série de pequenos sonhos.

Há, porém, um sonho especial e grandioso que acalento secretamente; o de desvendar a caixinha dos pirolitos…
Dizem os cientistas que nós utilizamos apenas 10% do nosso cérebro. Se apenas com esta reduzida percentagem o homem já conseguiu tantas coisas fantásticas, fez descobertas assombrosas e levou a humanidade a um nível que ainda há pouco era pura ficção científica, imagine-se o que não poderíamos ser, e fazer, com os restantes 90%!
Imagine dar um computador a alguém que não sabe como utilizá-lo, embora saiba ler e escrever. Ainda que essa pessoa descubra como digitar um texto, e inserir uma imagem, nunca conseguirá desfrutar de todas as capacidades daquela máquina. É um desperdício, não é? Pois é isso que nós temos aqui dentro, na nossa cabeça; uma máquina extremamente complexa, com um potencial que mal conseguimos alcançar. Mas suspeitamos que será capaz de coisas prodigiosas. Só não sabemos como fazer para abrir esses programas, nem o que eles fazem exactamente.
Muito frustrante. 

Apesar de matemáticos, cientistas, neurocientistas, antropólogos, psicólogos e outros “ólogos” importantes, estudarem afincadamente o nosso cérebro, ele mantém-se secreto e misterioso. Repleto de promessas, tão perto e tão inalcançável.
O meu sonho de conseguir conhecer verdadeiramente o meu cérebro, saber como funciona, para que serve, além destas funções “básicas” que lhe conhecemos é o maior de todos.
Não sei exactamente porquê, talvez a algum nível da minha mente suspeite, que aí residem as respostas aos restantes sonhos da humanidade.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Aula de Costura para Principiantes


1. Tecido 2. Com alfinetes 3. Alinhavada 4. Feita 5. Detalhe das pregas

Desde o tempo deste post aqui que o Bichinho da Costura se apoderou de mim. E ainda que tenha demorado todo esse tempo até conseguir algum resultado, ficou incubado com certeza, a prova é que o resultado está à vista!

Apesar de me dizerem que há vários sites online para iniciantes à costura, não me parecia que fosse algo que se fizesse assim tão facilmente. Quer dizer, os meus conhecimentos nesta matéria reportam-se à minha infância, quando costurava roupa para as minhas bonecas, na máquina da minha avó.

Recentemente, estive quase a fazer um workshop, porém a data era incompatível com outro compromisso que não pude adiar e tive que desistir. Portanto, fui procrastinando.

Inesperadamente, enchi-me de coragem e lancei-me na confecção de uma saia. Tudo porque a Letícia tinha um concerto em que deveria vestir saia azul, e obviamente, sendo menina de calças, não tinha! Como a professora me disse: - Ah, uma saia simples, com um elástico a franzir, basta!

Convenci-me de que seria capaz de fazer uma saia simples, franzida com um elástico. Já a tinha feito antes. Para as minhas bonecas. Por isso, como era simples, resolvi complicar e fui pesquisar no meu quadro do Pinterest, onde encontrei esta saia, que me inspirou no modelo que costurei para a Letícia. Sobretudo nas pregas.

Como aviso no título ( sim, é um aviso!) este post é para principiantes; quem dominar a arte da agulha e tesoura, vai rir-se da minha técnica, portanto...Auf Wiedersehen! Não há aqui nada para si. 

Usei a técnica do " Desenrasca-te como puderes" em 3 passos:
1º Peguei no tecido e enrolei-o na Letícia, fazendo as pregas com alfinetes. Oucht...! Cortei o tecido que sobrou.
2º Alinhavei a saia, seguindo os alfinetes. ( E a Letícia fez a prova da mesma.)
3º Passei a saia a ferro, e cosi na máquina. Excepto a bainha, que cosi à mão. Também tenho os meus brios.

Portanto, basicamente fiz três saias, uma com alfinetes, outra cosida à mão, e outra à máquina. O resultado não foi brilhante, mas desde que não se procurem os defeitos, até ficou muito bem! Pelo menos a Letícia gostou muito, e em cima do palco estava muito elegante. 

Depois desta ninguém me pára! E a próxima ainda vai ficar melhor.