segunda-feira, 2 de julho de 2018

Quem não sabe discutir?

"Discutir" tem uma conotação pejorativa, como se implicasse obrigatoriamente uma altercação de palavras desagradáveis, confronto violento que leva automaticamente a zanga e má-disposição. É verdade que as pessoas ficam alteradas quando discutem, que se deixam levar pelas emoções e descarrilam ao dizer o que não devem, comummente ofensas, que obviamente conduzem a uma discussão acesa de ambas as partes. 
Portanto, a discussão em si, que é apenas uma debate de ideias não tem nada de nocivo, pelo contrário, é um exercício da expressão de opinião que pode levar o outro ( e a nós!) à reflexão... ou não. Temos que estar preparados para isso, que o outro nos ouça e os nossos argumentos continuem a não fazer-lhe sentido. Aceitar esta postura, ainda que nos pareça transparente cristalino como estamos certos. Mas afinal, o que é isso de estar certo? Quem nos garante? A razão, certamente, os factos mais concretamente quando os há, todavia, a interpretação de um e outro pode ser subjectiva, afecta a personalidades diferentes e percursos de vida diversos. E assim, é difícil  chegar a um consenso e concluir o que é certo para todos. 

Discutir per se é muito interessante e muito aconselhável, a forma como se faz é que muda tudo. Começa pelo tom; não é quem fala mais alto que tem mais razão, ou que convence melhor; acontece que isso  resulta em intimidação, e o outro poderá acabar por se calar. O que não significa rendição, embora muitos pensem que com isso conseguiram convencer o outro; pelo contrário, é um falhanço total.
Compreendo que a frustração de não conseguir convencer o outro para aquilo que nos é óbvio poderá resultar em frustração, e que isso se expresse em irritação, mas este é o limite extremo. Que a irritação e nervosismo se expressem com palavras que magoam, diminuem, intimidem é inaceitável. 

Portanto, há pessoas que se colocam a si mesmas em pedestal por serem muito sinceras e frontais, e por agirem em conformidade, dizendo tudo o que lhes passa pela cabeça, o que sentem e pensam, como se isso fosse de facto a prova da sinceridade que apregoam. Não é razão de orgulho, é apenas a expressão descontrolada do que pensam e sentem, que não passou pelo crivo da razoabilidade, sensibilidade e justiça. Nem tudo o que pensamos está certo, porque não conhecemos o assunto, o problema, a questão na sua totalidade; porque temos falhas, muitas vezes induzidas pela emoção. E porque nós próprios temos falhas, devemos cautelosamente utilizar alguns filtros.

A discussão, como troca de ideias é salutar e apanágio de mentes que querem crescer e fazer crescer. Eu gosto dessas discussões, e quando o assunto me é precioso, sou capaz de o discutir apaixonadamente o que por vezes, admito, possa parecer "vigoroso" demais, porém, sou capaz de ouvir o outro com opinião contrária, e aceitar que a tenha e mantenha. A própria questão da "discussão" já me deixa empolgada, mas também um pouco angustiada, por ver como as gerações mais jovens estão a perder a capacidade de lidar com ela.

Preocupa-me que os jovens não sejam capazes de expressar as suas opiniões, sobretudo quando elas são, na maioria das vezes, contrárias àquilo que as gerações mais velhas pensam. Gostaria que tivessem condições de exercer esse direito, e serem ouvidos, mas frequentemente o argumento do " ainda és muito novo, não sabes", cala-os e refreia-os. Se é assim em família, a Escola segue a mesma linha, com a obrigatoriedade da memorização e até retaliação quando a expressão do pensamento crítico se manifesta, contrária ao que os professores pretendem. Como a mera interpretação de um poema, por exemplo. Sim, tão simples quanto isso.
A Dialéctica é um conceito que aprendem em Filosofia, mas apenas para mais uma vez o memorizar. Que fosse exercício transversal a todas as disciplinas seria o ideal. Que interiorizassem a prática para a trazerem ao mundo real, à vida quotidiana, seria um 20 merecido. Para os professores, claro. 

Discutir pode não ser disputar a razão, obter o troféu da verdade absoluta, pode apenas ser uma troca de palavras e ideias entre duas ou mais pessoas, sem que isso ponha em causa a inteligência ou sensibilidade de quem a certo ponto poderá ceder. Ou não. O que se põe aqui em causa é a maturidade emocional das pessoas, que não se sintam agredidas, que não se sintam desrespeitadas, que não se sintam isoladas perante pontos de vista contrários; e que não retaliem com as mesmas armas. 
Todos temos direito a ter opinião e a expressá-la, é um direito protegido por Lei. Falta aprender a estar na discussão com respeito pelo outro, e por aquilo que ele expressa. Sem pressão para convencer, e com consciência para aceitar. É bonito quando se discute assim, e certamente muito mais proveitoso para todos.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Dica de leitura: A História de Quem Vai e de Quem Fica

 
Via Wook

Em apenas um mês consegui ler esta tetralogia, e à medida que ia lendo o último, a pena antecipada em terminá-lo invadia-me. Portanto, a vontade de ler compulsivamente, sentida no primeiro livro, manteve-se até ao fim e não consegui refrear a leitura, nem com a ideia de a poupar, prolongando assim este prazer.

A escrita de Elena Ferrante agarra o leitor desde o primeiro parágrafo ao último, os acontecimentos sucedem de forma caótica e porém, perfeitamente engrenados. E nós só queremos ler mais, mais alguma coisa que nos elucide e possa dar-nos informação para escolher facções. 
O estranho é que Lenú, sendo a narradora, não consegue manipular a história de forma a tornar-se personagem preferida, a sua sinceridade mantém-na cativa, tanto quanto a voz omissa de Lila a protege daquilo que nós apenas adivinhamos.

O terceiro volume passa-se nos anos 70, com uma Itália agitada politicamente que serve de pano de fundo às personagens já conhecidas. Encontramos Elena a viver uma vida de sonho, colheu os frutos do seu lavor e conseguiu escapar ao bairro napolitano; parece que tudo lhe sorri, marido intelectual de boas famílias, livro publicado com sucesso, retrato de família completo, com as duas filhinhas (um tanto inesperadas), perfeitamente estabelecida na sua rotina burguesa. Por seu lado, Lila leva agora uma vida de dificuldades e sobressaltos, que Lenú propositadamente ignora, e que vem apenas a conhecer a pedido de Enzo. A vida das duas volta a entrelaçar-se e novamente Lila como que renasce das cinzas, provocando em Lenú as habituais comparações e espoletando os velhos ressentimentos; a competição recomeça, como sempre que estão juntas.  E constantemente, o destino desata nós e faz laços como que brincando com os pobres humanos, entregues a uma sorte da qual não conseguem escapar. Querendo ou não. E os acontecimentos surpreendem-nos e fazem-nos recear sempre o pior, até porque o que é bom, nunca dura. 

Título – História de quem vai e de quem fica
Autora – Elena Ferrante
Editora – Relógio D’Água Editores  
Páginas – 325

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Bolo de cenoura para o fim-de-semana




Bolo de cenoura há muitos, e são bons, mas normalmente não variam muito no sabor. Ao contrário de este que realmente é delicioso. E a cobertura dá-lhe uma frescura e leveza que contrasta com a massa mais compacta. Como não tinha Mascarpone disponível substitui por requeijão, o que lhe deu aquela aparência granulada, ao contrário do cremoso pretendido que ficaria muito mais bonito, porém a nível de sabor funcionou. Uma delicia!

Bolo de cenoura*

Ingredientes:
240 ml de óleo de girassol
4 ovos médios
280 gr de farinha
200 gr de açúcar mascavado
1colher de chá de fermento em pó
2 colheres de café de bicarbonato
1 pitada de sal
2 colheres de café de canela
1 colher de sopa de gengibre ralado
100 gr de nozes picadas grosseiramente
50 gr de uvas passas

Como fazer: 
Bater os ovos com o açúcar até obter uma massa esponjosa, juntando o óleo sem deixar de bater. Acrescentar a cenoura ralada. Numa taça à parte juntar a farinha com o fermento, sal canela e gengibre e bicarbonato. Misturar tudo bem e juntar à massa anterior. 
Colocar em forma de 22 cm untada e enfarinhada, levar a cozer a 180º com calor só por baixo, cerca de uma hora. Não abrir o forno até que o bolo tenha crescido e pareça cozido ( cerca de 50 m.). 

Para a cobertura:
Misturar bem 250 gr de Mascarpone com 60 gr de manteiga, juntar 1 c.de café de essência de baunilha e 60 gr de açúcar, envolvendo bem para que fique liso e homogéneo. Quando o bolo arrefecer rechear e cobrir.

* Receita retirada da revista !Hola!

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Duh?!




Uma pessoa faz "like" na página do FB do "Duh Vegan donuts" e automaticamente aparece, como página relacionada (sugerida para gostar), a do Michael J. Fox. 
- Duh?!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

O Mundial é para jovens!




Pouco ou nada me interessa o Mundial de Futebol, não percebo nem acompanho, e portanto é praticamente impossível não ver o que quer que seja, pois os canais de televisão têm sido exaustivos no seu seguimento. E de tudo o que vi, ou do pouco efectivamente, uma constante se destacou, a quantidade de jovens que assistem aos jogos. Rapazes e raparigas, viram o jogo Portugal X Espanha com um fervor e interesse que não lhes é comum a mais nada. 
A formatação a que foram sujeitos pela televisão e Internet, conjugada com a existência de um jogador português extraordinário, que se tornou ídolo mundial, foi campo fértil para desenvolver uma certa faceta da personalidade dos mais jovens. Aqui somos vencedores, temos um papel a representar no panorama futebolístico mundial, somos aguardados, e quiça, temidos. É fascinante crescer com esta doutrina, que contrasta pela positiva, com outras áreas, como a Política, da qual nada de bom vem, nem se espera. 
Portanto, o que se faz relativamente à Educação, ou Ambiente por exemplo, cujo impacto é directo nas gerações mais novas, nada lhes diz. Tudo ignoram, e indiferentes ao futuro que na Política se decide e neles se reflectirá, põem-se ao largo como velhos cépticos que desistiram de um mundo melhor por já terem sofrido demasiadas decepções.

A juventude não nasceu para sofrer, muito menos para lutar. Dizem os pais que só querem que os filhos sejam felizes, e com isso eles se barricaram por detrás de tudo o que é fácil, acessível e satisfatório. 
De tudo isto apenas uma coisa de boa saiu, por conta do futebol muitos jovens aprenderam a cantar o hino nacional e quando o fazem, dá gosto vê-los!

terça-feira, 12 de junho de 2018

História do Novo Nome (Amiga Genial- segundo volume)

Via

O ritmo de leitura manteve-se; depois do " A Amiga Genial", a vontade de conhecer o desenrolar da trama como que acompanhou a velocidade da escrita, que por sua vez fez par com o encadeamento de acontecimento após acontecimento, como um vórtice poderoso.

Continua a história das duas amigas, Elena e Lila. O tempo passou, elas tornaram-se jovens adultas; Lila, que entretanto desabrochara numa beleza estonteante casou com um comerciante de sucesso, tendo assim acesso a uma vida de prosperidade inédita. Porém, a história de amor do namoro não vingou, e o casamento revelou-se, desde o primeiro dia, infernal. Lenú continua o seu percurso escolar com muito sucesso, mantendo a determinação de superar a pobreza e escapar do bairro onde todos o que ali nasciam estavam destinados a permanecer. A competição entre ambas mantém-se, como se o sucesso de uma fosse o motor para a outra progredir também. É uma amizade bizarra, que fortifica mas também fragiliza, surgindo a ideia de que uma não é verdadeira amiga da outra. A vida errática de Lila, que ela conduz inconsequentemente, fascina Lenú, que comparativamente sente a sua infértil e monótona. Portanto, Lenú entra na Universidade e saí de Nápoles, levando um tipo de existência cada vez mais distante das suas raízes. 

Título: História do novo nome
Autora: Elena Ferrante
Pág. 372
Editora: Relógio de Água

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Toucinho do Céu com Chila



Eu queria um Toucinho do Céu à moda de Guimarães, ou seja, com chila, porém as receitas que me surgiam incluíam um número, a meu ver, realmente exagerado de gemas de ovos, de modo que peguei nesta receita, que no geral me agradou, e a adaptei ligeiramente. Segundo o meu marido, ficou perfeita! 


Toucinho do Céu

Ingredientes:
200 gr de miolo de amêndoa moído sem casca
220 gr de açúcar
8 gemas + 1 ovo inteiro
casca de 1 limão
125 ml de água
meio frasco de doce de chila
açúcar em pó para decorar

Como fazer:
Ponha um tacho ao lume com a água o açúcar e a casa do limão, deixe ferver alguns minutos até que forme uma calda. Junte a amêndoa o doce de chila, mexa e deixe ao lume mais 2 ou 3 minutos mexendo sempre.

Retire do lume, retire a casca do limão e deixe arrefecer um  pouco ( até ficar morno).
Bata as gemas e o ovo e junte à calda. Leve de novo ao lume, sem parar de mexer, até atingir o ponto de estrada*

Ponto de Estrada*- Passe uma colher pelo fundo do tacho,  de um lado para o outro, se formar um género de estrada que deixa a base no recipiente visível é porque o ponto foi atingido.

Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.
Forre uma forma de 20 ou 22 cm de diâmetro e forre  o fundo com  uma folha de papel vegetal também untada, polvilhe a forma com farinha, não se esqueça de untar as laterais da forma.

Leve a massa ao forno cerca de 25 minutos.

Retire depois de cozido, deixe arrefecer bem e vire sobre um prato de servir. Retire o papel, e polvilhe com açúcar em pó. Decore com amêndoas inteiras.

Receita retirada, e adaptada, do Blogue Cozinha da Duxa

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Espectáculo com filhos


Estava aqui a pensar no esforço que fazemos para acompanhar os nossos filhos a determinados espectáculos, e lembrei-me do primeiro a que Letícia foi, dos One Direction ( grande fã, na altura!), acompanhada pelo pai. Na época, estava mentalizada que teria que ser eu, portanto quando o pai se voluntariou, alegremente aliás, também eu alegremente abdiquei do programa. 
Contudo, fazer programas com os meus filhos é coisa que muito me agrada, conciliar os nossos gostos, com eles na adolescência, é que se torna realmente desafiante. As personalidades estão a fortificar-se e descobrir-se por caminhos, muitas vezes, alheios aos dos pais.
A Letícia gosta muito de música, e eu também, todavia gostamos de géneros diferentes e escolher algo em comum parecia-me praticamente impossível. Mas não é! 
Fui eu quem descobriu o Erlend Oye, e como acontece muitas vezes, descobrindo artistas menos conhecidos, "envio-os" aos meus filhos, sabendo quem se irá encaixar no gosto de cada um, mas aqui tive a sorte de encontrar alguém que nos agrada a ambas. Pela melodia, pela longa parte instrumental, que em espectáculo se revelou ainda mais intenso e imprevisto. 
Foi um espectáculo maravilho, e sim, é possível desfrutarmos dos mesmos espectáculos, gerações à parte, haverá sempre a possibilidade de confluência.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Creme Natural Hidratante



A minha filha tem tido alguns problemas com o acne, sobretudo na testa, o que obviamente era um problema enorme para ela. A adolescência é aquela idade em que uma só borbulha parece ocupar o rosto por completo, e em consequência, só a ideia de sair à rua assim é todo um drama. No caso da Letícia compreendo que fosse muito desagradável, pois era bravo, realmente!
Portanto, como muitas mães, empenhei-me em encontrar uma solução, o mais natural possível para resolver este problema, e assim tentamos diversos cremes, pomadas e mezinhas, que ajudaram até um certo ponto, mas nunca resolveram totalmente o problema. Até encontrar este creme Hidratante Natural, que não sendo propriamente direccionado para tratamento de acne e borbulhas, se revelou uma miraculosa panaceia! 
As abelhas são mesmo umas criaturinhas maravilhosas. Feito por uma engenheira agrónoma que se tornou apicultora, tem como constituintes: óleo de coco, azeite, cera de abelha, propólis, mel, manteiga de cacau, óleo de rosa mosqueta e vitamina E. O aroma é ténue e muito agradável, diria até, tranquilizante.

( Em caso de interesse envie-me mensagem que eu passo-lhe o telemóvel da apicultora) 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Apoiar pais ( com filhos hospitalizados)

 
Via

Há uns meses atrás soube do internamento da sobrinha, de quatro anos, de uma colega; foi-lhe diagnosticado cancro. Filha única, e quase neta e sobrinha única, embora nestes casos tornar-se única é praticamente automático, deixou ainda mais a família desesperada. Quem conhece a criança diz que é especial, muito querida e sábia; foi ela quem muitas vezes confortou os familiares.
Felizmente o tratamento correu bem, e a menina já voltou para casa. 

Porém, há tantos casos destes... e as pessoas não sabem como reagir, o que fazer por aquela família, que de alguma forma lhes alivie um pouco os dias. Não conhecendo directamente a família em questão, que nem sequer me é próxima geograficamente, apenas orei pela cura da pequenina L. , mas entretanto encontrei um artigo* que fala sobre o assunto e faz as seguintes sugestões:

- Evite informar-se junto dos pais (estar sempre a falar do mesmo é penoso!), pergunte a alguém próximo, como está a criança.
- Tendo a família mais filhos, ofereça-se para os ir buscar à escola, ajudá-los nos T.P.C's, levá-los a Actividades Extra-curriculares, levá-los ao Parque, ao cinema, etc.
- Ofereça ajudas concretas: posso fazer as vossas compras? Fiz sopa a mais, querem?
- Envie mensagens de apoio, simples e curtas.
- Pergunte se pode passar pelo Hospital e levar-lhes uma piza. 
- Ofereça-se para passear o cão, ou dar de comer ao gato;
- Para ir buscar um familiar à Estação e levá-lo ao hospital. 
- Ofereça revistas, livros, d.v.d's ...

Certamente que estas dicas inspiram outras, e espero realmente que sobretudo inspirem a sermos mais solidários, de uma forma prática e eficiente. É uma situação dramática, e apoiar efectivamente a família nela envolvida dar-lhes-á um ânimo extra que fará toda a diferença no seu estado de espírito.  

* Revista Activa, Fevereiro 2018

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Avidez do Turismo


Há cerca de meia dúzia de anos, uma amiga brasileira de visita ao Porto comentava que adorou a Ribeira, mas que aquela roupa a secar nas varandas desfeava a paisagem; um pouco espantada, respondi-lhe que era isso que dava alma ao bairro. É o sinal das gentes que aí habitam, muitas há várias gerações. 
Pois o tempo encarregou-se de transformar a paisagem, limpando-a desta famosa característica. E a cada casa que fica vazia, inquilino que morre ou muda ( neste último caso, contrariado, obrigado e pressionado por senhorios e Imobiliárias), o cenário muda mais; saem as bandeiras nos varais e  passam trolleys barulhentos na calçada.

Não admira que movimentos em muitas cidades pelo mundo comecem a surgir, indignado-se e opondo-se contra a massa dos turistas; a vida torna-se cara, incomportável aonde sempre viveram, sendo forçados a recuar para as periferias, para deixar entrar quem está de passagem mas paga mais. 
Infelizmente as autarquias são iguais aos privados, o dinheiro arrecadado com o Turismo sobrepõe-se ao bem estar dos cidadãos. Nem sequer pensam que os turistas querem ver locais diferentes do que já visitaram, querem ver os residentes nas suas rotinas diárias, e que permitindo este turismo selvagem, permitem a destruição daquilo que é genuíno e real essência dos destinos.
A continuar assim, determinadas cidades na Europa estão destinadas a tornar-se meros parques temáticos; é isso que os turistas querem visitar? É isso que os países querem vender? Este turismo desgasta-se rapidamente, os parques temáticos saciam de vez a curiosidade porque são estáticos, São iguais na França e nos E.U.A. , falta-lhes a dinâmica humana. 
Portanto, que se mate a galinha dos ovos de ouro, não parece mal a ninguém que entretanto vai ganhar com isso. Mas e depois? E entretanto, não há ninguém ainda a ver como vai isto acabar, e tentar impedir que aconteça?! 
É pena, Portugal continua a cometer os erros que outros cometeram e que poderiam ser lições preciosas, como preventivas, para nós.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Dica de leitura: " A Amiga Genial"

 
Via

Vi algures sobre este desafio de ler um livro por mês e aceitei-o para mim mesma. Porém, confesso que estava a falhar desde o princípio do ano e quase a desistir, quando este livro me veio dar um ímpeto que há imenso tempo não sentia; aquela vontade de ler, em vez de fazer qualquer outra coisa, como ver um filme ou ir à net. Qualquer bocadinho de tempo foi aproveitado nesta leitura, porque é daquelas que agarra o leitor de forma quase obsessiva. Portanto, adaptei agora o desafio, não interessa um livro por mês, desde que no final do ano perfaça doze livros, e agora que sinto que estou encaminhada! Li este em 15 dias, sendo que já tenho os dois seguintes à espera. 

É a história, desde a infância de Lénu e Lila, contada pela primeira. Passa-se em Nápoles, nos anos 40 e 50, numa zona pobre, dominada pela máfia, onde a violência é comum e a sobrevivência uma luta diária para uma série de famílias que se incluem na narrativa. Portanto, temos um olhar pessoal e subjectivo sobre os acontecimentos, e sobretudo sobre Lila, uma criança sobre dotada que fascina Lénu, desde que se conhecem, de forma obsessiva; inspira-a e causa-lhe inveja, sabe que nunca será como ela, embora a possa igualar e até superar. É uma amizade conturbada que resvala da verdadeira amizade (embora sempre com restrições!) para uma competição constante que pouco tem de sadio, numa dinâmica frequente de avanços e recuos. Afinal, quem é a amiga genial?

É interessante ler sobre a Nápoles do pós-guerra, sobre a cultura machista e belicosa dos italianos, sobre o papel das mulheres num contexto particularmente claustrofóbico, em que a saída não existe, excepto em raríssimas excepções, como o foi para Lénu. 
A escrita é simples e incisiva. A tecido psicológico de que são feitas as personagens é denso e extremamente humano. O ritmo de acontecimentos poderoso, por vezes angustiante, por vezes mais tranquilo, mas sempre fascinante.  

Título: A amiga Genial
Autora: Elena Ferrante
Pág. 264
Editora: Relógio d'água

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Os benefícios do Yoga


Via

Há algum tempo que eu queria praticar Yoga, mas fui adiando por não haver nenhuma Escola onde eu vivo. Entretanto, comecei a fazer algumas aulas online e mantive essa rotina cerca de um ano. Porém em 2017, por esta altura, soube numa consulta médica que tinha escoliose e em consequência o médico queria que eu fizesse natação; ora, eu não tenho a paciência necessária para fazer piscinas, ter que o fazer seria uma grande estopada, e lembrando-me de um amigo que há anos tem escoliose e por isso praticava Yoga, propus-lhe essa troca, estando já predisposta a fazer alguns quilómetros, para encontrar uma escola ou academia. Como por magia, mas não é, são eventos a encadearem-se de forma sincrónica de forma tão perfeita que até nos deixam perplexos, abriu na Vila um espaço onde também teriam aulas de Yoga. Fui experimentar e confirmou-se, gosto mesmo desta prática e vejo agora que aulas online e presenciais não têm nada a ver, a presença de uma instrutora traz outro nível de exigência, correcção e resultados evidentes. 

A que faz bem o Yoga?

1. Protege a coluna (o Yoga tem particular cuidado com a saúde da nossa coluna)
2. Melhora a postura (dá-nos consciência do corpo)
3. Torna-nos mais flexíveis (com o tempo a progressão é notória)
4. Previne dores nas articulações ( com a idade este ponto é de ressalvar)
5. Fortalece os músculos (eu não tinha força nenhuma nos braços, actualmente a diferença é espantosa) 
6. Mantém o foco (o Yoga traz-nos para o tempo presente, ensina-nos a estar no momento)
7. Relaxa (fazer as aulas com um instrutor que ensina toda a Filosofia ligada ao Yoga faz a diferença neste quesito; se for apenas Yoga de Ginásio, perde-se a essência)
8. Ajuda a ter mais saúde, física e mental ( o pior dia da semana, tornou-se no melhor) 

Estes são os pontos que me são particularmente caros, porém na página "Minha Yoga" estão descritos 42! Inclusivamente um ponto referente ao aumento de fertilidade, vão lá conferir. Entretanto, podem sempre experimentar online, é uma alternativa para quando de outra forma não é possível. Eu comecei por aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Seis dicas de filmes imperdíveis

Filmes muito diferentes, de diversas origens mas realmente bons. Onde passam no Cinema, que não os vejo? Felizmente nos Telecines vou-os encontrando.
 
Jia ( China, 279 min)
Um casal reformado parte em viagem por diversas partes a China, para visitar os quatro filhos, espalhados pelo país. É sobretudo interessante pelo formato de documentário, o espectador tem a rara oportunidade de entrar em casas e famílias chinesas, e observar como funcionam. Apreciei bastante este aspecto porque é uma cultura que conheço pouco, e por ser tão fechada é uma oportunidade rara. Basicamente, fiquei com a ideia de que a actual China, apesar de ser comunista, é bastante igual a qualquer outro pais capitalista e moderno. Por ser muito longo, as cenas nem parecem editadas, fui vendo por partes. 

O Fundador ( E.U.A.)
Pensei que iria ver a história  do fundador do Macdonalds, mas não, afinal é a história do homem que se apropriou do conceito de sucesso Macdonalds. É certo que teve o mérito de conseguir ver a possibilidade de tornar esse conceito num sucesso nacional e depois mundial, foi perseverante e audacioso, porém foi também um oportunista com poucos escrúpulos. Dá que pensar...

A vida de uma mulher (França)
A vida de uma jovem aristocrata do séc. XIX, apenas saída do convento onde fora educada, que casa com um nobre falido; os sonhos tornam-se pesadelos, apesar da protecção da família, e situação financeira. 
A condição feminina, mesmo nas classes mais altas, foi sempre difícil e desoladora; fosse como fosse, era sempre uma prisão. 

A Viagem a Espanha (U.K.)
Steve Coogan ( gosto muito!) e Rob Brydon a fazerem deles próprios numa viagem divertida e interessantíssima por Espanha. Os diálogos são genuínos e hilariantes, revelando uma faceta humana muito cativante e enternecedora. 

Nunca digas nunca (U.S.A)
Não resisto a um filme em que participe Diane Keaton, com ela contracena Michael Douglas, como um vendedor imobiliário mal disposto, prestes a entrar na reforma, que vê a sua vida dar uma reviravolta com a presença súbita da neta de 10 anos, que desconhece; e vai precisar da vizinha. O filme é divertido e muito emocionante; boa música, um figurino espectacular, excelente actuação, e uma história repleta de esperança.

A escolha do rei (Noruega)
Apenas os três dias em que os soldados alemães invadem a Noruega, na segunda guerra mundial, obrigando o rei Haakon e sua família a fugir, de refúgio em refúgio. Os alemães pretendem a rendição do rei, porém ele, que fora eleito pelo povo norueguês, tem disso grande noção, e não quer de todo tomar uma decisão contra a sua consciência. O sofrimento deste monarca, já em idade avançada, as provações que passa como qualquer cidadão norueguês, revelam um lado humano comum a qualquer pessoa de bem. A recusa do rei na rendição tornou-se um símbolo na luta por uma Noruega democrática e soberana.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Rolo de Proteína sem Glúten #Vegetariana


Este fim-de-semana estive no Veggie Fest no Porto, e assisti a um showcooking da Gabriela Oliveira. Era mesmo o dela que queria ver, e sem grandes dúvidas, confirmei que aquilo que ela demonstra ser e fazer na net e nos livros, é-o pessoalmente. Portanto, continuo a aconselhar os seus livros e receitas, por serem práticos, fáceis e deliciosos. Não há como enganar quando a autora é vegetariana há mais de vinte anos, e mãe de família; é um atestado indubitável! Não é produto de moda, nem de oportunismo, é alguém convicto e sólido.

Um pouco em homenagem a ela, partilho esta receita do "Cozinha Vegetariana- para quem quer ser saudável", por ser fonte de proteína, poder ser servido tal qual como está, ou utilizado noutras receitas, panado, estufado, grelhado e em sanduiches.

Rolo de Proteína sem Glúten

Ingredientes: 
Uma cháv. farinha de grão
Meia cháv. de farinha de arroz (ou integral, ou branca)
1 c.sopa de levedura de cerveja
1 colher de sopa de linhaça moída
1 c.sopa de sementes de chia
1 c. café de alho em pó
1/2 c. café de açafrão-das-índias
1 c. café de mangericão em pó
1/2 cháv. de água
1 c. sopa de azeite
2.c. sopa de soja sem glúten
2 c. sopa de beterraba ralada ou cenoura

Como fazer:
Numa taça misture os ingredientes secos, a levedura, a linhaça sementes de chia, alho, mangericão, açafrão e os cominhos.
Noutra tigela misture água com azeite, molho de soja e a cenoura ralada. Verta esta mistura nas farinhas e forme uma bola que se despegue da tigela.

Molho:
1 cenola
1 dente de alho
1 tomate maduro
1 raminho de coentros
1 raminho de mangerição
50 ml de água
1 c. chá de sal
azeite q.b. 

Como fazer:
Numa panela, colocar um fio de azeite, a cebola em tirinhas, o alho e o tomate picados, coentros e mangericão. Deixe cozinhar 4 m. mexendo ocasionalmente; junte água e sal. Quando ferver, juntar o rolo e deixar cozer 20 m. virando a meio do tempo.  
Guardar no frigorífico até 2 dias ou congelar.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

" A Metamorfose" - Dica de leitura

Via

Gregor, um jovem caixeiro-viajante, acorda uma certa manhã transformado em um insecto gigante. Inicialmente conjectura, e o leitor com ele, se aquilo não passa de um sonho, porém a rotina familiar impõe um compasso rigoroso que nos retira, e a Gregor também, qualquer dúvida. Sem explicações, a transformação absurda aconteceu, Gregor deixou de ser humano, e contudo, a sua principal preocupação são os seus deveres, o trabalho e o chefe de quem não gosta, as responsabilidades para com a família, que apenas conta com ele para viver. 
Esta metamorfose causa grande comoção no núcleo familiar; apesar da repugnância, continua a ser irmão e filho e os familiares tentam, sobretudo a irmã, protegê-lo e cuidar dele, porém, com o tempo Gregor vai-se entregando mais à sua nova condição, e a família vai-se afastando cada vez mais dele. A humanidade de uns manifesta-se em desumanidade para com aquele que deixou de ser humano, acabando por descartá-lo friamente.

Esta parábola de Kafka, é sobre a alienação humana e exclusão dos diferentes. Apesar de ter sido escrito no inicio da carreira do autor, é considerado uma obra central. 

Título: " A Metamorfose"
Autor: Franz Kafka
Nr de Páginas: 94
Editora:Livros do Brasil

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Os "trabalhinhos" para o dia da mãe

Presente da Letícia em 2015

Semanas antes do dia da Mãe, afadigam-se as educadoras e professoras dos Infantários e Escolas, na preparação dos presentes que os meninos e meninas irão oferecer às suas mamãs. Reparem, eu não disse que os "meninos irão fazer para oferecer às suas mamãs". Não, porque para os meninos fazerem estes presentes dava muito mais trabalho, mais sujidade, mais caos, com a agravante de resultar em algo muito longe de ser perfeito. E estes trabalhos querem-se bonitos. Portanto, não, os meninos não desenham, não colam, não pintam, não amassam, nem recortam. Quando muito, para as mamãs ficarem felizes, tira-se uma fotografia à criança com o pincel na mão, e pose feita, o material volta para as competentes mãos da profissional, que se dedica a fazer uma catrefada de presentes iguais, como que saídos em série, de uma linha fabril.

Quando os meus filhos me traziam destes presentes, muitos felizes eles, apenas porque sabiam que me estavam a oferecer um presente, e lhes diziam que a mãe iria ficar também muito feliz, eu perguntava-lhes o que é que eles tinham feito, exactamente naquele trabalho; se fosse uma bolinha pintada, um recorte colado, uma impressão do seu dedo, era isso que eu elogiava. Confesso que não guardei nenhum destes "trabalhos", foram todos descartados para o lixo ou reciclagem, como descartada é a vontade das crianças fazerem os presentes para as mães. Porém, tenho guardados todos os presentes que os meus filhos que fizeram e ofereceram, pastas e pastas de pequenos tesouros imperfeitos, que para mim têm grande valor. E agora, quando lhos mostro, eles revêem-se emocionados, dos bebés e pequenas crianças que foram. São recordações genuínas, manifestações da essência das crianças, e não aproveitar este potencial, negando-lhes a possibilidade de revelarem a sua criatividade, é como podar-lhes cruelmente a imaginação, é dizer-lhes: o que tu fazes sozinho não presta, é feio. E infelizmente, creio mesmo que há casos em que estas palavras são ditas com inequívoca clareza. 

Os meus filhos tiveram sempre em casa à disposição, todo o material necessário para as artes plásticas, e portanto, foram sempre estimulados e motivados para exercerem de pequenos artistas. A Escola não os submeteu, contudo, na maioria dos casos não é assim e eu lastimo profundamente que seja desta forma. 
Deixem as crianças dar asas à imaginação, que seja "feio", imperfeito, incompreensível, esse é o caminho do progresso, os degraus para obras dignas de admiração, ou não, não interessa, o que de facto é importante é que as crianças se revelem, se mostrem verdadeiramente e venham elas próprias a conhecer as suas capacidades.

Simples, pessoal e totalmente amoroso. Como eu gosto.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Bullying entre mulheres

É comum ouvir-se dizer, entre mulheres, que somos menos solidárias do que os homens, fazendo deles nossos exemplos. Porém, de acordo com a socióloga Maria do Mar Pereira*, o relacionamento entre as mulheres caracterizado pela falta de solidariedade, pela competitividade e até agressividade, longe de ser genético, é resultado do que aprendem na família, na escola, nas novelas e no trabalho. Sendo que nestas esferas a desigualdade é real, e terreno profícuo para este tipo de comportamento. Acrescenta ainda que o estudo revela comportamentos masculinos associados aos femininos, quando os homens se encontram em situações de falta de poder. Portanto, não é genético, nem biológico, apenas resultado da desigualdade. 
Resta-nos educar para a igualdade de géneros, e entretanto educar as meninas para a solidariedade entre elas. Começando por nós, mães, sendo companheiras, unidas, promotoras umas das outras, dando assim um exemplo a seguir. 

* In Revista Activa Abril 2018

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Estufado com couscous #vegetariana


Este estufado é delicioso! E tão fácil e rápido de fazer. 

Estufado de legumes com couscous

Ingredientes:
Uma cebola pequena
Um dente de alho
Um tomate maduro
Uma cenoura
Uma courgete
Uma mão cheia de ervilhas-de-quebrar
Seis cogumelos
Meio pimento vermelho
Sal, pimenta, cúrcuma, colorau, coentros em pó
coentros a gosto 
meia lata de leite de coco
Uma chávena de chá de couscous

Como fazer:
Num tacho, colocar um fio de azeite e juntar uma colher de café de cúrcuma, outra de colorau doce, outra de coentros em pó,  e deixar aquecer; acrescentar a cebola e alho picadinhos e deixar alourar. Juntar o tomate cortado aos cubos e o leite de coco; deixar cozer um pouco, e de seguida adicionar a courgete, pimento e cogumelos, cortados em bocados médios. Temperar com sal, pimenta e tapar para cozer alguns minutos, antes de finalizar com as ervilhas, que devem entrar pouco antes de servir. 
Hidratar o couscous com caldo de vegetais quente, ou água quente, até que fique submerso; tapar muito bem com película aderente, cerca de 15 minutos. Soltar com um garfo antes de servir. Decorar com os coentros.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Violência no namoro

Ouvi na semana passada, na Rádio, um estudo sobre a violência no namoro. Com a entrada dos meus filhos na adolescência, este assunto começa a interessar-me ainda mais do que anteriormente.
Parece que os números são preocupantes, e que as queixas são poucas. Pensar-se-ia que o motivo fosse o mesmo utilizado pela falta de queixas na violência doméstica - medo de represálias - porém, dizia a investigadora, a maioria dos jovens parecia não ter percepção da violência a que estavam a ser sujeitos. 
Quando o ciúme é confundido com amor, quando a falta de respeito pela privacidade do outro, é encarada como confiança e intimidade, então tudo passa a ser normal. 
Lastimo que estes jovens não tenham alguém com quem falar, que os possa orientar e alertar para o que está errado. Este desacompanhamento é negligência familiar, e a prova dos noves para a falta de intimidade e comunicação no seio da família. Ou então, pior ainda, reflexo de relações familiares, e elas também nada sadias.
 
Creio que os jovens actualmente, namoram cada vez mais cedo, e falta-lhes maturidade para entenderem que há limites, que há comportamentos inaceitáveis, e que podem e devem exigir que uns e outros sejam respeitados e evitados. 
A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Géneros fez uma óptima campanha contra a violência no namoro, mencionando os comportamentos indicadores deste abuso; basta ver para reconhecer. 

Os sinais são muitos, e na falta de conhecimento, há um, do foro emocional que não precisa de validação externa, e é inequívoco: o sentir. 
Se estás numa relação em que te sentes mal, em que não és feliz, saí dela. É um namoro tóxico e tu mereces o melhor. Se não tens família que te apoie, fala com a psicóloga da tua escola ou liga para o número (gratuito) 800 202 148. Há sempre alguém disposto a ajudar-te a ultrapassar essa situação.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

terça-feira, 17 de abril de 2018

Por que bolo é bom?


Não era preciso convencer-me, faço bolo praticamente todas as semanas, e com o Inverno a estender-se pela Primavera (as férias de Páscoa pareciam de Natal), os bolos quentinhos têm sido habituais. Portanto, este trabalho foi apenas porque sim. Porém, a obra de arte da Letícia, colagem, desenho e escrita, também traz argumentos convincentes; beleza e informação perfeitamente combinadas. Devia imprimir e pôr à venda! 

A saber, resumidamente, apenas para dar uma ideia:
1. Faz-te popular (comer bolo com alguém constrói laços de amizade)
2. Combate a tristeza (o bolo conforta)
3. Ajuda a combater a depressão ( fazer os bolos ajuda a focar e alcançar)
4. Saudável ( Chocolate tem oxidantes, a cenoura vitaminas, etc.) 

E toda esta informação baseada em estudos científicos! 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Receita para o fim-de-semana: Pudim de pão


Desde que descobri as maravilhas da panela de pressão (apenas há meio ano!), fazer pudim banalizou-se. Quer dizer, três minutos de cozedura?! Não há sobremesa mais rápida e económica que um pudim! Porém, agora o problema é a falta de consenso; parece que cá em casa o gosto relativamente a pudins é muito diversificado; o Duarte prefere o de coco, a Letícia o de leite condensado, eu e o meu marido o de laranja. Portanto, estou agora na demanda do pudim preferido de toda a família, hei-de encontrar um que agrade ao exclusivo palato de cada um de nós. Este foi uma tentativa, agradou a todos mas não superou ainda o preferido de cada um. É leve, aromático e cremoso. 



Pudim de pão*
Ingredientes:
4 ovos médios
2 pães
meio litro de leite
raspa de um limão
7 colheres de açúcar

Como fazer:
Para o caramelo, derreter 120 gr de açúcar com quatro colheres de água de sopa, em lume médio, sem mexer. Enquanto o caramelo se faz, 
aquecer o leite, e mergulhar nele os pães aos bocados para amolecerem. Na liquidificadora, colocar o leite e pão, os ovos, a raspa do limão e o açúcar. Triturar bem. 
Forrar a forma, verter o creme do pudim e levar a cozer na panela de pressão três minutos ( três minutos?! ainda mal acredito!). Deixar arrefecer e desenformar. Este saiu ainda morno, mas saiu bem, havia pressa.

* Inspirado neste daqui.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Cozinhar, comer e ganhar!

No mesmo dia que li a noticia sobre a abertura de um restaurante do Jamie Oliver em Lisboa, li outra sobre a dívida que o chef inglês tem no valor de 80 milhões. Embora o Jamie Oliver seja o meu chef preferido (entre receitas e programas, simpatia e simplicidade não há como ele), questiono-me sobre esta necessidade, com cada vez mais seguidores, de chefs se tornarem empresários de restauração. Abrem restaurantes aos molhos, pelos seus países e além fronteiras, confiando na publicidade dos seus nomes próprios. E claro, nós por cá também já vamos tendo alguns exemplos nacionais.

É certo que se vive, actualmente, uma espécie de febre colectiva relativamente à comida. Programas e canais gastronómicos abundam, novos e velhos competem pelos prémios de melhor chef, e sites/blogues, em número crescente. Tudo isto fomenta um delírio de consumo, seja de produtos, seja de máquinas para cozinhar, quase sempre extremamente caras, sobretudo para quem as utiliza de forma amadora, mas que importa? Cozinhar está na moda e comer ainda mais. E ainda que aplauda esta tendência do cozinhar em casa, sinto-me apreensiva com a importância exacerbada que se tem dado à comida; é excessiva, e o seu consumo em conformidade. 
Parece-me que enquanto uns se empanturram para compensar frustrações, e resgatarem recompensas, outros se tornam tão ávidos no aproveitamento da oportunidade de negócio, que esquecem aquilo que são - cozinheiros. É assim ( e é descarada a metáfora), como uma espécie de marmotinha de rabo-na-boca, em que ninguém ganha realmente.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Dica de leitura: "O Paraíso na outra Esquina"

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Recebi este livro como presente, e apesar de ter desfrutado imenso da leitura de dois livros anteriores de Mario Vargas Llosa, este provocou-me emoções diversas e conflituosas. Algumas vezes, enojada, pousei o livro sem saber o que lhe fazer; continuar a leitura, doá-lo à Biblioteca ou queimá-lo? Tudo devido às passagens referentes ao sexo, que conotei à pedofilia apesar do contexto cultural e cronológico. Afinal, depois das pausas retornava à leitura e prossegui até ao fim, apesar de ter demorado cerca de meio ano. 

Este livro relata a vida de Paul Gauguin e Flora Tristán, bisavó do pintor. Um e outro afastados pelo tempo, pelo género, mentalidades decorrentes das gerações, e profissão, que foi para um e outro mais propriamente missão de vida. 
Capítulos entrelaçados, dedicados à vez a cada um, retratam não apenas a história pessoal e familiar, como também uma época muito dura na Europa. O séc. XIX mostra-se impiedoso e contudo inconformado, perante uma realidade que muitos resistem a aceitar. Daí que tanto a bisavó como o neto almejem um mundo melhor, e procurem o seu paraíso; ela, trabalhando para mudar este que habita, ele, procurando nos confins da Terra o seu canto do éden. 


Via

À parte a vida dissoluta do pintor, a sua biografia é bastante interessante, foi porém a da sua bisavó que me apaixonou, uma mulher extraordinária, sobretudo para a época; aventureira, divorciada, 
feminista e humanista, tornou-se uma verdadeira pária indiferente aos usos e costumes, persuadida de que acima de tudo isso havia de pugnar por um mundo mais justo. E assim o fez, a grande custo pessoal. E depois, temos a escrita de Mario Vargas Llosa, fluente, rica e certeira.

Título: O paraíso na outra esquina
Autor: Mario Vargas Llosa
Pág: 423
Editora: D.Quixote
Preço: 18.90€

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Resposta da mãe


Via Razões para Acreditar

Palavras que se pretendem que informem apenas, mas por vezes ferem. É a vida, dirão muitos. Mas por ser exactamente assim a vida, vamos dar um jeitinho para não magoar mais. Vamos usar as palavras com a delicadeza que as crianças( muitas vezes já tão magoadas pelas circunstâncias) merecem. 
Um bem-haja, para esta mãe!


terça-feira, 3 de abril de 2018

O estado do casamento em Portugal

 
Via

A propósito de um trabalho de grupo, do qual a Letícia fez parte, descobrimos, ela primeiro e depois eu, que em Portugal por cada 100 casamentos há 70 divórcios, e que graças a esses números somos lideres na Europa. Inicialmente não acreditei na minha filha, tive que ver com os meus olhos. E a mesma informação que o grupo tinha encontrado, li-a eu. Sabia que era uma taxa alta, mas assim?! 

Os que se casam agora são fruto da abundância e facilidade, por isso resiliência e adversidade são palavras que desconhecem e que muito menos praticam. O valor da felicidade está no topo das suas prioridades, o que  não sendo errado almejar, é igualmente enganador como referência absoluta, porque, como nós os mais velhos sabemos, a felicidade não é constante, e frequentemente, para lhe sentirmos o sabor, temos que atravessar desertos e tempestades. Porém, eles querem-na fácil, como a comida congelada que é só meter no micro-ondas. Querem-na sempre presente, como um MacDonalds em cada  esquina. Por isso, quando a endorfina começa a revelar um caminho descendente, o alarme soa alto e a solução é fácil. 

O casamento já não é o acto de assumir um compromisso perante o outro,  parentes e amigos; é a festa que produz fotografias para o Instagram e F.B., o motivo para andar alegre durante meses a escolher a Quinta para o copo de água, vestido e fato, ementa, decoração e lembranças para os convidados, sempre do mais exclusivo possível, embora igual a tudo o que se vê nas redes sociais. Não espanta pois que passada a adrenalina do acontecimento, a admiração pela aliança que brilha na dedo, a vida quotidiana se revele corriqueira, sem o glamour dos eventos que a precederam, e aborreça. E fosse apenas isso, mas não, acrescem os problemas que o convívio faz, o desgaste dos relacionamentos,  e a desilusão pelo outro que o tempo se encarrega de desvendar. E ninguém nasceu para isto! Não dá, não dá. Há que começar de novo. 

O psiquiatra e escritor espanhol Enrique Rojas diz que "o grande erro do séc.XX foi acharmos que o amor é só um sentimento, que vai e vem. Na realidade, é um acto de vontade e inteligência." Aparentemente, no Sec. XXI o erro mantém-se e consolida-se, bem aplicado por personalidades sem o estofo das gerações que os precederam, e uma sociedade que banaliza o descartável.

terça-feira, 27 de março de 2018

Problemas de sono?



Que os filhos durmam bem, é uma das grande preocupações dos pais. Desde pequeninos que lhes incutimos rotinas apropriadas para preparar longas noites de sono. Sabemos que deste descanso depende a saúde*, a boa disposição e o rendimento escolar. Contrariamente a tudo isto, sabemos também, através de estudos regularmente divulgados que as crianças dormem pouco, e os adultos, por sua vez, andam habitualmente cheios de sono. 
Portanto, o Ayurveda aponta os erros e apresenta as soluções. Duas dicas: respeite as horas que precisa de dormir ( cada um tem necessidades diferentes e Presidentes Marcelo só há um!), e prepare-se para dormir, uma hora antes ( desligue tudo o que tem ecrã), lendo, conversando, etc. Vale a pena ver o vídeo!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Lasanha vegetariana



Esta lasanha é muito rápida e fácil de fazer. Basicamente é juntar todos os vegetais que estão no frigorífico e estufá-los, uma saída para restos, portanto. E bastante deliciosa!




Lasanha de Vegetais

Ingredientes:
Uma cebola
Um dente de alho
Um tomate
Um pé de brócolo
Uma cenoura
Meia courgete
Um pé de alho francês
Meia batata doce
Meia chávena de lentilhas vermelhas
Cominhos, cúrcuma, noz moscada, sal marinho e pimenta q.b.
Leite vegetal, farinha de amido e manteiga vegetal(para o Bechamel)

Como fazer :
Fazer um refogado com a cebola, azeite e alho picadinho. Quando estiver estalado, juntar o tomate cortado aos bocadinhos, envolver e temperar com os cominhos, cúrcuma, sal marinho e pimenta. Envolver e juntar os restantes legumes e lentilhas, previamente lavadas. Se precisar de mais água, acrescentar um pouco de água quente, ou caldo de legumes. Deixar cozer, cerca de 15 minutos.
Fazer um molho Bechamel com uma colher de manteiga, outra de farinha de amido, e uma chávena de leite vegetal; temperar com noz moscada, sal e pimenta, mexer sempre com o fouet para não deixar ganhar grumos.
Cozer as placas de lasanha 1 minuto em água com sal. Colocar num pirex uma camada de vegetais, outra de placas, até acabarem; cobrir com o molho Bechamel e queijo vegetal. Vai ao forno a gratinar, cerca de 30 minutos. 
Acompanhar com uma salada de alface, rúcula, tomates-cereja, rabanetes e cebola. 
Que festim, garanto!