segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Dica de filme: Bohemian Rhapsody


Já não me lembrava de ir ao Cinema com os meus dois filhos; a entrada na adolescência revelou diferentes gostos, e os meus aproximam-se mais dos da Letícia, portanto, relativamente a este filme, foi o Duarte que, por assim dizer, me convidou, mesmo antes de eu saber que este filme ia sair. Há cerca de um ano que ele tem os Queen na sua playlist, e os ouve, entre outros dos anos 80, diariamente. Foi portanto um programa a três que muito nos agradou.

Os espectadores eram maioritariamente da minha geração e mais velhos, poucos jovens lá estavam e mais nenhuns com os pais. Fez-me reflectir com pesar que pais e filhos já não encontram chão comum.

Todas as críticas que li e ouvi, diziam bem do filme e nós também gostamos bastante. É uma história que poucas novidades trás ( mas que para mim foram importantes), é contada de forma simples e sem grandes recursos a artifícios técnicos elaborados, um pouco como se tivesse sido realizado na década de 80. E portanto, mantém um equilíbrio fidedigno, entre história pessoal e de grupo, privada e pública, sem cair na lamechice em que poderia facilmente desembocar. Rami Malek foi um Fred Mercury estupendo, encarnou de tal forma o cantor que por vezes me questionei se a fita tinha passado de ficção a documentário.
Momentos houve em que esquecemos que estávamos no cinema e cantamos também, como se fosse um concerto, e foi bom! 
 
Li hoje uma notícia sobre o filme estar a ser muito vaiado no Brasil; nas breves e ligeiras cenas de homossexualidade, a plateia assobia e grita por Bolsonaro. Não saberiam que o Fred Mercury era gay?! De qualquer forma, achei este sinal muito preocupante. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Meio termo

Nós não temos sempre que tomar partido perante todas as questões. Nós somos livres para escolher calar ou falar, até por uma questão de resguardo e não por cobardia, como muitos pensarão. Também é sinal de inteligência e respeito. Devemos aguardar o apuramento de factos, receber mais informação, para então tomar partido se assim o entendermos. Vem isto a propósito da acusação de violação feita a Cristiano Ronaldo; tenho lido e ouvido apenas uma opinião, estão contra a acusadora, acusam-na de oportunismo e de muitas outras coisas feias.

Na praça pública, já o Cristiano Ronaldo foi ilibado, e embora compreenda essa tendência nacional, como seria possível o nosso herói cometer este crime?!, preocupa-me que taxativamente desconsiderem a "suposta vítima"; que apenas, porque o CR7 é rico, jovem e bonito, podendo ter "todas" as mulheres que quer, seja automaticamente inocente.
Penso que, sobretudo ultimamente, vimos muitas notícias sobre homens poderosos que abusaram de mulheres, isso é facto. Para muitos homens ter mulheres que também os querem já não é suficiente, o próximo nível, muito mais excitante, é ter mulheres que não os querem. Portanto, aplicar esta defesa, é um argumento pouco credível. 

Não me parece impossível que CR7 fosse capaz de cometer esse crime, pois nem sequer o conheço para abonar sobre o carácter dele (embora no geral tenha boa impressão), e nem me parece impossível que a acusadora esteja a mentir, para tirar dividendos desta situação. Nesta equação tudo é possível. Pelo contrário, já não me parece nada possível, que 9 anos volvidos, se possa comprovar que foi o Cristiano Ronaldo a abusar dela. Se foi vítima, pecou pela demora. 

Temos mesmo que tomar partido? A minha simpatia, enquanto portuguesa, vai também, para Cristiano Ronaldo. Mas acredito que agora, a verdade será apenas do conhecimento dos dois e nós vamos ter de viver com isso. 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Das coisas que mudam o ar da casa

 
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As possibilidades são imensas, como a cor das paredes, ou mudar os móveis de sítio. Ou quadros novos, ou cortinas. Mas tudo isso já implica uma grande trabalheira, ou dispêndio de dinheiro, e queremos evitar isso mesmo, não é?

Na minha opinião, das coisas que mais mudam o ar da casa, sem dar trabalho nem gastar dinheiro, nenhuma fortuna pelo menos - são flores!
Há uns dois, três anos comecei a investir em flores; na entrada, tal como indica o Feng Shui, na sala, e no meu quarto. E sabem que as pessoas reparam? Mais depressa do que num móvel novo, ou algo que supostamente daria mais nas vistas.
Porém, quem beneficia realmente, somos mesmo nós; quando passamos pelas flores, é um festival de cor e fragrância.

Agora que a temperatura baixou, as flores duram mais, mas podemos sempre optar por plantas, cuja manutenção é menor e de grande durabilidade. Desde a Primavera que tenho uma Espada de S.Jorge no hall de entrada, que se dá lindamente numa área de pouca luminosidade, e é um exemplar que aconselho muito. Mas está na altura de voltarmos às flores, precisamos de alegria e cor, para contrariar a meteorologia.   

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Síndrome do Pensamento Acelerado


Augusto Cury denuncia a educação superficial, que forma pessoas doentes. Não sabemos quem somos, e portanto construir a nossa própria história fora de prisões, das quais nem nos apercebemos, torna-se impossível. É fundamental conhecer o "eu".

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Viver na aldeia é bom!

 
Via

Há uns anos atrás, iniciou-se um movimento de pessoas que começaram  trocar a cidade pela aldeia. Sobretudo, jovens famílias que tinham concluído que a vida citadina não lhes proporcionava a qualidade que queriam. Queriam ter mais tempo, mais espaço, mais ar livre, pretendiam que os filhos fossem criados em contacto com animais, com flores e árvores, mexendo na terra e aprendendo sobre os ciclos da natureza. Queriam, também, ter uma vida de respeito pelo meio ambiente, utilizar o que a Terra dá segundo as Estações, poluir o menos possível, enfim, vivendo num estado de cooperação com a terra, e não de exploração. Além disto, havia ainda o facto da vida na cidade ter encarecido demasiado e a vida no campo ser muito mais económica. 
Relatos de famílias a deslocarem-se para esta forma de vida, eram recorrentes, nos meios de comunicação; as reportagens exibiam crianças felizes a brincar no meio de galinhas, e pais e confirmarem que a mudança os deixara felizes. Começava a consolidar-se uma mudança de paradigma; este regresso à terra estava a revitalizar aldeias, e o interior de Portugal. 

Estes dias, vi uma outra reportagem na televisão. Sobre uma aldeia comunitária, não das raras tradicionais que ainda existem, mas das também raras, novas que se foram formando resultado deste êxodo dos últimos anos. Pessoas que procuraram a aldeia para viverem pacificamente, longe do stress das cidades, em busca de uma vida mais saudável, onde pudessem criar os filhos com valores ligados à natureza, à comida, ao consumo, à educação caseira. A aldeia deles tinha sido consumida pelos fogos de 2017 e desde então, cansados de esperar por ajudas externas e públicas, têm estado eles próprios a reconstruir tudo o que perderam. Todos ajudam, crianças pequenas inclusive, cada um faz a sua parte consoante o que pode. O genuíno espírito comunitário, numa lição prática. E a aldeia está novamente a ganhar forma. Alguns confessaram o desanimo, admitiram que a vontade de partir depois da tragédia que os deixou sem tecto, os tentara, mas finalmente resolveram ficar. Agarram-se tenazmente à terra que um dia os fizera querê-la para construir um mundo melhor, e estão pela segunda vez a realizar o sonho. 
No entanto, estes fogos que ano após ano se intensificam em quantidade e abrangência, assustam agora quem ainda sonha com mudanças de vida. Para além da destruição dos incêndios, das mortes, dos feridos, da destruição, do prejuízo, o sonho de mudanças sociais, da revitalização do interior, do regresso à natureza fica comprometido. A ideia de que viver no meio da Natureza pode ser perigoso está latente. E as pessoas remetem-se mais à cidade do que antes. E isto é terrível, é uma contenção mental que condiciona as vidas das pessoas que procuram a mudança para melhor. Que querem ser, efectivamente, agentes de mudança. Felizmente, os resilientes fazem-se ainda mais fortes pelo que vi na reportagem, e espero, desejo profundamente, que consigam inspirar ainda mais!


Aldeia comunitária em Viseu
Eco-aldeia à procura de pessoas e famílias para viver em comunidade
Regresso ao campo - Benfeita

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Moda - a grande poluidora

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Já notaram que nos filmes do futuro as pessoas estão sempre vestidas de igual? Ou então, vestem uns fatos que parecem de plástico ou de qualquer outra matéria artificial? Não é ficção, é projecção. É uma ideia que, à partida, rejeitamos com repulsa mas receio que não tenhamos outra solução e consequência; estamos num ponto em que exageramos no consumo, e a balança há-de procurar o equilíbrio, passando por um período de carência.

Constantemente saem notícias sobre as alterações climáticas, os desequilíbrios atmosféricos, os recursos naturais que se esgotam, espécies animais que se extinguem (e muitas outras ameaçadas), a poluição, as doenças causadas por ela, enfim, a própria sobrevivência da humanidade está em causa, se continuarmos a viver da forma que temos feito.

Sabemos que a indústria do petróleo é a primeira poluidora, que a industria agro-pecuária também ( é preciso mais de 15 mil litros de água para cada quilo de carne), mas não se fala da industria da moda, que segue imediatamente em segundo lugar depois do petróleo. Para fabricar umas calças são necessários 8.000 litros de água, e para uma t-shirt 2.500, o que é absolutamente espantoso dado o  número incalculável de peças de roupa, fabricadas em todo o mundo. 

Nunca como antes a moda foi tão barata, nunca como antes o apelo ao consumo foi tão grande, de forma que comprar roupa que não se precisa, se tornou banal. Pois não podemos, não devemos. E a própria industria o reconhece, por isso tem investido em formas de reciclar roupa, utilizando a devolvida pelos clientes, utilizando materiais recicláveis, e promovendo até a moda vintage
Embora eu me ponha à parte, porque para mim há décadas que é normal, sempre que pude adquiri em segunda mão (normalmente no estrangeiro, cá praticamente não existia), para a minha geração comprar roupa "usada" era absolutamente impensável. Portanto, é com grande satisfação que vejo as gerações mais novas, alheias a esse preconceito. Estive na semana passada no Porto, e percorri algumas lojas Vintage, com a minha filha, levando ela própria uma lista com as ruas onde as poderíamos encontrar.  A Letícia habituou-se comigo a fazer compras nestas lojas, portanto nada invulgar, mas a minha surpresa foi encontrar estas lojas cheias de jovens clientes, investidos na procura do artigo certo, algo bonito e único. E isso deu-me um pouco mais de esperança acerca do futuro.

As montras das lojas estão, novamente, expondo as colecções da Estação; tentações em formas e cores, do que não precisamos mas que desejamos, para renovar o guarda-roupa, para variar, para compensar um dia menos bom, uma satisfação momentânea. O clima deu a reviravolta que o justifica, mas a situação planetária, não. 
O consumo exacerbado é anti-ambiental, e é esse mantra que devemos repetir para nós mesmos, quando pensarmos em comprar algo que não necessitamos. É mais fácil falar do que fazer, portanto reconheço que já não há tempo para nos mentalizarmos gradualmente, mas se todos condescendermos um pouco que seja, no cômputo geral o impacto será massivo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Putin & o Pombo



O meu filho está doido com este vídeo. Tem mesmo muita graça ver o Pombo a fazer continência ao Presidente, mas o verdadeiro é este; vou ter que lho mostrar. Vai ficar muito decepcionado, talvez tanto como quando lhe contei  sobre o Pai Natal. Mas a verdade vem sempre à tona.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Decoração de adolescente


Na decoração do quarto da Letícia o cor-de-rosa era preponderante, foi a sua cor preferida durante muitos anos, mas no ano passado começou a dizer que queria mudanças; a cor escolhida foi o branco, pintar as paredes e colocar cortinas foi fácil, mudar alguns complementos também, portanto o resto da decoração foi feito por ela, aos poucos porque tinha bem em mente o que queria.



Este canto foi sendo construído ao longo de um ano, são entradas de museus, espectáculos de ballet, música, recados amorosos, postais recebidos e outras coisas especiais, como um disco de vinil, um presente de Natal, um mapa de uma cidade visitada, um quadro desenhado pela Letícia da Frida Khalo, enfim, cada colagem da parede constituí um momento da vida dela. 
A minha arte de fotografar não capta a beleza da arte aplicada pela minha filha, neste cantinho. Foi uma ideia mesmo gira, personalizada e sem custos.  

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Como escolher uma profissão?

Dizia-me estes dias um familiar, que tinha ouvido falar num estudo em que se dizia que 70% das crianças, que estão agora no Infantário, exercerão profissões que ainda não existem. Noutro estudo, li eu, que as gerações mais novas terão de estar aptas a desempenhar diversas profissões ao longo da vida; que essa tradição até à actualidade, de ter uma única profissão, tem os dias contados.
Acabou com os nossos pais, o costume de permanecer na mesma firma ou empresa, toda a vida, não sendo de estranhar que se passe agora para um outro nível. 

Enquanto pais e educadores, tentamos orientar os estudos dos nossos filhos no sentido de se especializarem no exercício de uma profissão, como a geração anterior fez connosco. Porém, o mundo como o conhecemos está em mutação acelerada, sendo praticamente impossível antever de forma acertada o caminho que lhes devemos indicar. 
Não nos compete a nós fazer estudos, analisá-los e criar condições para novas formas de estudar, e adquirir novos saberes. Não nos compete implementar políticas educativas, mas temos delegado e elegido pessoas que o deveriam fazer.
E portanto eu pergunto, com tantos estudos projectados no futuro, a Educação não é capaz de se orientar no sentido de preparar os jovens para este novo mercado de trabalho porquê? Continuam a sair da Escola e das Universidades formados como há um século atrás. Continuam a pedir-lhes que, com 15 anos, escolham uma profissão, quando já se adivinha que dificilmente a exercerão. Seja porque o mercado de trabalho está saturado nessa área, seja porque no futuro novas profissões estarão disponíveis, e novas necessidades surgirão.

É difícil para os jovens escolher profissões que julgam ser as definitivas. É uma decisão pesada para quem o próprio conhecimento de si mesmo ainda está em processo de realização. E por isso há mudanças de áreas até ao final do primeiro período. Ou no final no 10º ano. Por isso, ainda muitos jovens, voltam à Universidade para se formarem noutra área, ou fazerem Especializações bem diferentes da área em que se formaram. Apesar dos testes psicotécnicos, apesar das conversas com os psicólogos. Passam por angústias e dilemas desnecessariamente.
Tudo isto deveria fornecer pistas para quem projecta o Ensino e desenha a Educação. Gerir as matérias educativas é possuir o poder sobre a vida de milhares de jovens, no presente e futuro. E no entanto, tenho a impressão de que estamos todos às cegas, e a fingir que está tudo controlado.


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

"A alimentação é uma questão de segurança"



Estes dias, ouvi na rádio sobre um estudo em Inglaterra, relativo à obesidade, que lhe atribuía uma série de doenças, entre as quais cancro, e que aumentaria a um número absolutamente assustador nas próximas décadas, sobretudo entre as mulheres. 
E não apenas porque a alimentação e saúde estão intrinsecamente ligadas e são fundamentais à vida humana, mas também porque devemos  proteger o planeta para os nossos filhos e netos, a informação tonar-se vital. 
Não vale a pena desviar o olhar, fazer ouvidos moucos, nem fingir que a realidade não existe, porque se nada fizermos, muito certamente, ela irá bater-nos à porta.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Parabéns com "emojis"!


Quando há fortes possibilidades dos filhos acordarem antes dos pais, no dia dos seus aniversários, os "Parabéns" podem ser dados de diversas formas. E eu gosto que acordem com essas palavras. Foi assim para a Letícia. Mesmo a festejar dezasseis anos, encantou-se com a recepção que teve, mal abriu a porta!



De resto, as festas de aniversário já não dão a trabalheira da infância.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Agora que o Verão se acaba...


Elegia a uma pequena borboleta

Como chegavas do casulo,
— inacabada seda viva —
tuas antenas — fios soltos
da trama de que eras tecida,
e teus olhos, dois grãos da noite
de onde o teu mistério surgia,

como caíste sobre o mundo
inábil, na manhã tão clara,
sem mãe, sem guia, sem conselho,
e rolavas por uma escada
como papel, penugem, poeira,
com mais sonho e silêncio que asas,

minha mão tosca te agarrou
com uma dura, inocente culpa,
e é cinza de lua teu corpo,
meus dedos, sua sepultura.
Já desfeita e ainda palpitante,
expiras sem noção nenhuma.

Ó bordado do véu do dia,
transparente anémona aérea!
não leves meu rosto contigo:
leva o pranto que te celebra,
no olho precário em que te acabas,
meu remorso ajoelhado leva!

Choro a tua forma violada,
miraculosa, alva, divina,
criatura de pólen, de aragem,
diáfana pétala da vida!
Choro ter pesado em teu corpo
que no estame não pesaria.

Choro esta humana insuficiência:
— a confusão dos nossos olhos
— o selvagem peso do gesto,
— cegueira — ignorância — remotos
instintos súbitos — violências
que o sonho e a graça prostram mortos

Pudesse a etéreos paraísos
ascender teu leve fantasma,
e meu coração penitente
ser a rosa desabrochada
para servir-te mel e aroma,
por toda a eternidade escrava!

E as lágrimas que por ti choro
fossem o orvalho desses campos,
— os espelhos que reflectissem
— voo e silêncio — os teus encantos,
com a ternura humilde e o remorso
dos meus desacertos humanos!


 Cecília Meireles. “Retrato natural”. In: Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"O cérebro humano leva 25 anos a ficar maduro"

 
Via

"Somos o ser vivo que depende mais tempo dos seus progenitores; basta pensarmos que o córtex pré-frontal só amadurece completamente por volta dos 24 anos! Mas, ao contrário do que poderíamos supor, esta dependência faz com que tenhamos mais tempo pata dar oportunidades de aprendizagem ao cérebro e reforçar as ligações entre neurónios. Esta aparente desvantagem face aos restantes mamíferos, acaba por ser o segredo para o nosso cérebro poder evoluir de forma tão rica e complexa."

In "Cá dentro - Guia para descobrir o cérebro", pág.pág.34, Planeta Tangerina

- Para nos lembrar, quando comportamentos imaturos dos nossos filhos nos tiram do sério!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Habitação para estudantes? Boa sorte!




Inicio de ano lectivo coincide com a divulgação das admissões à Universidade. Um momento de grande importância na vida de milhares de jovens, por se decidir não apenas o seu futuro profissional, mas também por coincidir com a saída de casa dos pais, um marco que frequentemente divide as águas. Portanto, é natural que o acontecimento seja emocionante e de grande alegria. Avançam pais e filhos, para a etapa de procurar quarto para alugar ou casa para dividir. Há muito que é assim, porém nos últimos anos esta tarefa vai sendo cada vez mais complicada. Os preços das casas para os locais que pretendem arrendar têm subido de forma proibitiva, e os quartos igualmente. Todos querem fazer o negócio das suas vidas, e alugar através de sites online é que dá dinheiro, e pouco trabalho! Sobe a oferta dos transitórios, desde a dos definitivos.

Fala-se muito de Lisboa e Porto, ouvi estes dias o presidente de uma associação de estudantes dizer que nos últimos quatro anos, um quarto tinha aumentado em média cerca de 100€. Contudo, muitas outras cidades, de onde não esperaríamos esta tendência, apresentam o mesmo problema. Disse-me uma amiga que em Braga, o mesmo apartamento alugado a 4 estudantes há três anos atrás por 350€, está agora para arrendar por 750€.
Sei também que o problema não se restringe a Portugal, uma jovem estudante de Música que vai este ano fazer o Mestrado em Frankfurt, encontrou um quarto por 400€, mas apenas por especial favor e durante dois meses, o tempo para procurar onde ficar definitivamente; o motivo? A proprietária pretende pô-lo no AirBnb, onde ganha mais e gasta menos. 

Esta loucura do Turismo, mas também dos estrangeiros endinheirados que estão a mudar-se para Portugal, desestabilizou completamente o mercado imobiliário. E isto é tremendamente importante, pois está a reflectir-se na vida dos portugueses de uma forma incontornável. 
Vão agora os Tripeiros sair da cidade, e viver para Penafiel, como sugeriram a uma senhora, que nasceu, vive e trabalha no Porto, para que o seu prédio possa ser vendido e transformado num Hostel?! Irão, agora os estudantes começar a concorrer a Universidades pelo critério da habitação? Nenhum dos meus filhos irá para Lisboa, é clarinho transparente. Mas está certa, uma coisa destas? 

Um secretário da Educação dizia esta semana que para o ano o governo vai proceder ao aumento de habitação própria para estudantes, em sequência da falta deste tipo de oferta. Típico, a Política faz-se de véspera, não há planeamentos atempados, projecções ou o que quer que o valha que funcione efectivamente. Há anos que a construção de Republicas deixou de ser prioridade, e se viesse tarde e em más horas já não seria mau de todo, alguém beneficiaria, mas ainda assim guardo muitas dúvidas quanto à concretização deste projecto. 
Neste momento pais e alunos estão por sua conta. E basicamente é isso, uma questão de fazer muitas contas. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Dica de leitura: "Sul Profundo"

Via Bertrand
Este livro é fascinante. Paul Theroux é autor de livros de viagens norte-americano, que viajou toda a vida pelos quatro cantos do mundo, escrevendo para revistas e jornais de renome. Na reforma, decide viajar pela parte do seu país que menos conhece, sem pressa, sem roteiro pré-definido, e com a mente aberta, embrenha-se pelo Sul dos E.U., descobrindo uma faceta que desconhece, que o espanta, e choca. E nós, enquanto leitores, seguimos como que passageiros na sombra, companheiros de viagem que se inteiram e se chocam com as mesmas descobertas. Afinal, os E.U. não são apenas um país rico e poderoso, uma potencia mundial, são também pobreza ao nível dos paupérrimos países africanos e asiáticos. 
Afinal, ali ainda há grandes e intransponíveis conflitos raciais, a segregação ainda existe, o Ku Klux Klan ainda vai dando ares da sua desgraça, os negros ainda estão confinados a um ciclo de pobreza por imposição dos brancos, e porém, muitos brancos vivem igualmente no limiar da pobreza. 
Os Estados do Sul foram esquecidos pelos políticos, e não importa se lideres como Bill Clinton são daí oriundos. Nenhuma fundação, patrocinada pelos grandes multimilionários como Bill Gates, doa parte dos seus milhões para melhorar a vida dos seus compatriotas, grande parte com vidas realmente miseráveis. E portanto, fazem-no em África, como se no seu próprio país a pobreza não proliferasse.

Estado a Estado, o cenário é o mesmo; as grandes empresas mudaram-se para outros países, na busca de maior lucro, os trabalhadores ficam desempregados e o ciclo de pobreza cresce e mantém-se. A história de uma pequena Vila, cujo nome não retive, é ilustrativa; viviam razoavelmente, cada habitante nos seus negócios ou trabalhos, quando uma grande superfície se instalou na localidade. As pessoas começaram a fazer aí todas as suas compras, o pequeno comércio começou a falir, as pessoas foram ficando desempregadas, deixando de ter dinheiro para comprar no grande Supermercado que acabou por fechar portas também. Hoje, resta o edifício e a pobreza. 
As pessoas não compreendem ainda que a riqueza gerada pelas grandes superfícies/ empresas/ multinacionais não fica nos locais que habitam, é levada para outras paragens por meia dúzia. Que os investidores, não sendo locais, não estão ali para proporcionar melhores condições às pessoas, estão ali para recolher lucros, para sugar o máximo. E sem peso na consciência abandonar o barco, quando o dinheiro deixa de entrar. Isto é tão óbvio e portanto, ninguém desperta! Todos deveríamos dar primazia ao comércio local, para contribuirmos efectivamente para a comunidade.

As cidades, vilas e aldeias fantasmas, sucedem-se, restam os despojos de locais que não há muito tiveram vida, permanecendo apenas uns poucos que não tiveram condições de procurar outras paragens. Portanto, o que se passa no Sul é ignorado pelo resto da nação; portam-se como se todos os americanos tivessem as condições de vida dos Nova-Yorkinos. Se um tornado mata 30 pessoas no Arkansas, nem sequer é noticiado no país, apenas no Estado. E para matar dezenas de pessoas, imagine-se o rasto de destruição, e prejuízos materiais que causou!
O Sul Profundo é um encontro sucessivo de histórias reais, de pessoas esquecidas, de uma parte do pais que sofreu com a escravatura, o racismo e exploração, e continua ainda preso a esse sofrido passado. Não apenas porque a memória não permite esquecer, mas porque o resto do país, governantes e políticos o votaram ao esquecimento. A escrita eficiente e por vezes poética, de Paul Theroux, repleta de referências a outras escritas ( nomeadamente às "Viagens na minha terra" de Almeida Garret), é precisa, extremamente humana e pungente. Aconselho vivamente.


Título: Sul Profundo
Autor: Paul Theroux
Pág. 536
Editora: Quetzal

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Começa a Escola? Vamos poupar!




Ainda Agosto não tinha terminado e já a minha filha queria ir comprar o material escolar. Este é o mês em que se adquire novo material, seja porque é a primeira vez, seja na reposição do que está gasto ou já não serve. Setembro é critico pelo forte impacto na carteira dos pais. Portanto, nessa linha de entendimento, e na vontade de oferecer um inicio de ano familiar menos stressante, e mais apelativo para os alunos, o Lidl propõe uma gama de artigos com a melhor qualidade ao melhor preço. Por exemplo, o kit da foto é composto por mochila, garrafa de alumínio, conjunto de geometria de 3 peças, estojo completo, 4 cadernos em espiral e uma powerbank custa apenas cerca de 30 euros! Mas as opções de escolha são muitas, de cores lisas ou com padrões, o Lidl tem uma vasta oferta de cadernos, capas, canetas, mochilas, estojos e garrafas de alumínio para água. Também as powerbanks (7,99€), em diferentes padrões, têm um lugar de destaque na seleção Lidl de Regresso às Aulas.
    
Algumas sugestões Lidl Portugal para o regresso às aulas:
  • Mochilas – De vários temas e tamanhos, existem várias à escolha, incluindo uma opção de mochila trolley que facilita o transporte do material mais pesado para a escola. Os preços vão desde 1,99€ a 14,99€; Para as crianças que carregam mais peso, o Lidl recomenda a mochila ergonómica, com PVP de 16,99€;
  • Garrafas de alumínio para água – Porque a brincar também se aprende, este é o presente ideal para sensibilizar os seus filhos para a importância da redução do consumo de plástico, através de uma garrafa de alumínio divertida. Com PVP de 2,99€;
  • Estojos – Muito completos que se dividem em quatro partes, com canetas, lápis, esferográfica, borracha, esquadro e régua. Desde 5,99€
  • Escrita – cadernos (a partir de 0,49€), canetas e lápis não faltarão ao Regresso às Aulas do Lidl, havendo para todos os gostos e feitios;
  • Material de desenho – para os miúdos mais dados às artes, ou para os que querem aprender, o Lidl oferece o conjunto de 10 guaches (2,99€) ou o conjunto de plasticina ou de tintas (3,99€)
  • Brinquedos – porque as crianças também devem brincar e divertir-se, o Lidl disponibiliza jogos didáticos (7,99€), os já famosos brinquedos em madeira (9,99€) e o veículo para construir (3,99€), entre outras brincadeiras divertidas.

Para além de todas estas vantagens, os artigos são sempre muito giros, e por tudo isso, o Lidl tem sido ao longo dos anos um supermercado que fica na nossa rota de compras nesta época. Recomendamos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Crepes vegetarianos


A Letícia queixou-se por eu não fazer crepes de legumes há muito tempo, e portanto estes dias quentes proporcionaram-se a fazer-lhe a vontade, pois é algo que se come muito bem frio ou morno. Acompanhamos com pimentos padrão, salteados em azeite, com um pouco de sal. Simples e delicioso!

Crepes vegetarianos* 
Ingredientes:
  • 40 g de farinha de milho
  • 1 dl de água
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 ovo
  • Sal q.b.
  • 200 g de juliana de lombarda e cenoura
  • Alho-francês
  • 60 g de Becel Cozinha (usei azeite)
  • 80 g de cogumelos
  • 100 g de rebentos de soja
  • Pimenta 
  • Uma colher de café de cúrcuma
Como Fazer:
Misture a farinha com a água, a colher de azeite e o ovo; tempere com uma pitada de sal e bata com a vara de arames até obter uma massa lisa. Adicione um pouco azeite à frigideira anti aderente com 18 cm de diâmetro e leve ao lume;deite um pouco da massa dos crepes na frigideira e incline-a de modo à massa cobrir o fundo;frite o crepe dos dois lados e repita as operações até esgotar a massa.
Lave muito bem a juliana de legumes e deixe-a escorrer;corte o alho-francês em rodelas, lave também muito bem e misture-o com a juliana. Numa frigideira leve ao lume um pouco de azeite, quando estiver quente introduza os legumes preparados, edeixe saltear 5 minutos, mexendo de vez em quando. Junte os cogumelos lavados e cortados em lâminas e os rebentos de soja lavados, deixe cozinhar mais 5 minutos. Tempere com uma pitada de sal e pimenta.
Recheie os crepes com o preparado de legumes, dobrando as pontas laterais e enrolando de modo a obter uns rolos. Humedeça um pouco a ponta da massa de modo a fechar bem os rolos.

Receita retirada, e ligeiramente adaptada, daqui. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Curiosidade...

Como no FB não dá para fazer com aqueles fundos bonitos, por ter demasiadas letras, faço aqui...




terça-feira, 21 de agosto de 2018

Pais aqui não entram!




Não sei se notaram mas os mais novos não estão a usar o FB. Eles gostam das redes sociais, aliás, têm com elas uma relação que vai para além de gostar e precisar, é mais propriamente na escala do vício. O telemóvel na mão, sempre, a última coisa a largar antes de adormecer e a primeira a pegar, ao acordar. Portanto, usam-no para diversas coisas e também para comunicar, mas não no FB. À medida que os pais foram entrando, eles foram saindo. Claro que se o recreio ficar cheio de adultos, as crianças não vão querer lá ficar, vão encontrar outros recantos para brincarem sossegadas. E foi o que fizeram, encontraram espaços cuja frequência e presença lhes convém ainda mais, poucas palavras, ou mesmo nenhumas, e muitas imagens, que é como quem diz, muitas fotos, e isso é apenas a cereja em cima do bolo. 

Em férias de Verão as fotos proporcionam-se mais do que nunca. Qualquer saída em grupo ou mesmo com a família, propicia fotos giras para o Insta, um lanche, um gelado, uma ida à praia e piscina. Fotos de qualidade, é certo, mas também muitas que fariam corar os progenitores, se as vissem. 
Não são novidades, são inspirações (para não dizer cópias)de figuras mediáticas que se destacam pela vulgaridade (generoso eufemismo!), sendo portanto, seguidas por milhões de fãs. E meninas, cada vez mais novas, imitam as poses e os biquínis, fotografando-se de forma totalmente desadequada para a idade, e pior, publicando as fotos com a maior das naturalidades. A naturalidade de quem não tem noção, nem freio.

A esfera do nosso poder educativo não se restringe à realidade,
portanto, a presença dos educadores deve estar também no mundo virtual. É mais do que um direito nosso, é nosso dever! E por isso, aconselho todos os pais a seguirem os filhos em todas as redes sociais. Abram contas, mesmo que não as utilizem activamente; usem-nas apenas como "testas de ferro" para acompanhar o que os vossos filhos fazem, aonde e com quem. Vão aí recolher informações que eles não contam. Vão ficar a par de um aspecto das suas vidas que de outro modo não conheceriam nunca. Não façam ondas, nada de colocar likes e "corações", muito menos comentários, façam-se de distraídos, que os vossos filhos, entre os 800 seguidores, nem vão reparar que têm ali os pais. Mas acompanhem. E depois conversem, chamem à atenção, eduquem. Porque de facto, o que por lá se publica, a mim, deixa-me muito preocupada; é uma espécie de território sem lei e sem vigilância, e sítios destes tornam-se facilmente contaminantes.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

- Psssss.... Silêncio.



Vivemos num mundo barulhento, vozes e ruídos artificiais rodeiam-nos constantemente, e mesmo quando chegamos a casa, onde poderíamos encontrar algum silêncio, continuamos nesse padrão, ligando automaticamente a televisão ou a música. O ruído de fundo tornou-se tão presente que na sua ausência lhe sentimos a falta. Dizem que isso nos dá a sensação de estarmos permanentemente acompanhados, e claro que o contrário disso é solidão, e esta tornou-se intolerável. Um palavrão de que todos fogem. Será um problema real para muitos mas igualmente um bem precioso para a saúde mental, da grande maioria. 
No entanto, a maioria das pessoas não o percepciona como tal. E falo de solidão porque ela é necessária para estarmos em silêncio; por regra, quando estamos com alguém poderemos ter no máximo momentos de silêncio, mas não um silêncio absoluto. Solidão e silêncio andam assim de mãos dadas mas quase ninguém os quer. Esquecemos que são nesses momentos que reflectimos, que pomos pensamentos em ordem, que avaliamos situações e comportamentos, e que tudo isso é fundamental para o auto-conhecimento. E este, por sua vez, é absolutamente imprescindível para alcançar uma vida consciente, uma forma de estar neste planeta com mais sentido, e derradeira lição para a nossa existência. 
Para além disto, dizem os estudos* que o silêncio faz bem ao cérebro, que permite a regeneração das células cerebrais, que ajuda a aliviar a tensão e o stress e que aumenta os nossos recursos mentais (a pausa descansa e recupera). Portanto, em época de férias, nem tudo deverá ser acção e diversão, momentos de solidão e silêncio são mais do que recomendados. Experimente. 

* Fonte

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Férias em Cracóvia



Todas as opiniões sobre a Polónia eram unânimes, é um belíssimo pais, e Cracóvia em particular, portanto as expectativas eram altas e ao contrário do que aconteceu antes, não nos sentimos defraudados. Uma semana na segunda maior cidade polaca passou a voar, como passa quando nos sentimos bem. Além de que um dos "problemas" habituais, que é a minha alimentação e da Letícia, desta vez nem sequer surgiu, pois a cada rua ou esquina, surgia um restaurante vegetariano! Hurra!


A cidade tem uma atmosfera muito relaxante, talvez pelos jardins circundantes que a cada passo vislumbrávamos, ou talvez devido ao Vístula, o rio que a contorna, com a visão das águas refrescantes e mansas. Ou talvez, pela impressão de segurança que se vive, ali sentimo-nos de facto na Europa. Muito provavelmente, por tudo isto.

Ficamos alojados num apartamento a dois passos do jardim e do Vístula, e a meia dúzia do castelo Wawel, o ex-libris de Cracóvia que para mim se revelou o monumento de eleição. Esta construção do séc.XI, castelo e santuário cristão, é imponente, grandioso, quase uma fortaleza no topo da colina, proporcionando uma paisagem magnífica sobre o rio e cidade. Os jardins do castelo Wawel são belíssimos e a abrangente paisagem desde o topo, tornam o local muito popular para tirar fotografias. Visitamos apenas as salas de Estado e a ala do Tesouro da Coroa e Armaria. Apesar de lá chegarmos ainda de manhã os bilhetes para os Aposentos Privados já estavam esgotados. Fiquei muito satisfeita com as salas de Estado/Deputados, onde encontramos uma cadeira portuguesa do séc.XII e um tecto extraordinário (que nos fez lembrar muito a Guerra dos Tronos), com as 31 cabeças esculpidas (inicialmente seriam 194) do séc.XVI. E visitamos também a catedral, gótica do séc. XIV, dedicada a santo Estanislau, patrono da cidade, e aonde os Reis eram coroados, até ao séc. XVIII, quando Cracóvia deixou de ser capital, passando a ser Varsóvia. 
No sopé encontra-se a estátua do dragão, local obrigatório de fotografias, e ao lado, a caverna do mesmo, que pode ser visitada desde o castelo.
Segundo o lenda, o dragão teria ameaçado a tranquilidade do reino, quando pessoas começaram a desaparecer, e o bom rei Krak ofereceu a mão da sua filha a quem libertasse a cidade deste perigo. Príncipes e cavaleiros   tentaram sem sucesso, então um jovem sapateiro surgiu com ideia de oferecer um carneiro, a quem tinha enchido a barriga com enxofre e alcatrão, ao dragão, depositando-lho à porta da caverna; depois de o comer, o dragão ficou com sede e bebeu tanta água que acabou por explodir. E o rei cumpriu a sua promessa.  Assim nasceu Krakaw!

Para além disto, descobri na Internet (o Guia Michelin é absolutamente necessário, mas as dicas dos blogues podem fazer a diferença!) que é precisamente no pátio interior do castelo Wawel que se encontra um dos chakras do mundo. Chakras, são pontos energéticos que nós temos segundo o Reiki, mas que também existem na Terra.
Reza a lenda que o Deus hindu Shiva lançou pelo planeta sete pedras, calhando elas em Roma, Meca, Jerusalém, Nova Deli, Delfos, Velehrad e ... Cracóvia! Durante o dia o pátio está repleto de visitantes, mas pelas 19h de um dia cinzento, que terminou com alguns pingos de chuva, estava quase deserto, de forma que nos foi possível sentar e fazer uma pequena meditação, e que se tornou um dos pontos altos destas férias. 

A Grande praça do mercado (Rynek Glówny), data de 1257 e é o centro da cidade, congregando no passado religião, economia e política. A cidade tem cerca de 130 igrejas, de forma que em todos os locais as encontramos, por vezes uma ao lado da outra; aqui visitamos a de Nossa Senhora, a principal igreja paroquial, do séc.XIV, estilo gótico, reflectindo o poder da burguesia de Cracóvia que a financiou. Deixou-me boquiaberta pela sua beleza, detalhe e riqueza esplendorosa. Ao lado, a pequena Igreja de Santa Bárbara, séc.XIV, redecorada como barroca também é digna de visita. As igrejas que visitamos foram tantas e tão extraordinárias, que sem dúvida mereceriam menção, portanto a sua extensão tornaria este post bastante maçador, pelo que escolho apenas duas.

O Mercado, do séc.XIV foi inicialmente dedicado ao comércio têxtil,após um incêndio foi recuperado em estilo Renascentista.


As muralhas e a Barbacã, séc.XIII e XIV, protegeram a cidade dos inimigos, nomeadamente do exercito otomano, sendo a última um dos raros exemplares de barbacã perfeitamente conservada, na Europa.

A Porta de S.Florian, de acesso à cidade, é a única existente das oito que a muralha medieval possuía; a rua do seu nome, é comercial, apresentando contudo  belíssimas fachadas renascentistas e góticas. Aqui situa-se o mais belo café da cidade, o "Antro de Michalik", do sec. XIX, ponto de encontro dos boémios locais. Permanece com a mesma decoração, dando-lhe um ar de museu que nos deslumbra. 

O Collegium Maius é o edifício mais antigo da universidade Jagelon, fundada em 1364, uma das mais antigas da Europa central. Através do tempo foi sendo transformada, até ao seu actual estilo neo-gótico. Aqui estudaram Nicolau Copérnico e João Paulo II. O pátio interior é de entrada livre, porém para visitar apenas de manhã e com número de visitantes limitados. A nossa visita não coincidiu felizmente com estas condicionantes, de forma que apenas admiramos o relógio de sol, da Porta Aurea e o pátio. 
Ao lado, a Igreja de Santa Ana, fundada pelos professores da Universidade no séc.XVIII, considerada justificadamente, um dos mais belos exemplares barrocos da Polónia. 

Kazimierz é o bairro judeu, desde há séculos, caído no esquecimento devido a perseguições e à guerra, foi recuperado graças à Lista de Schindler de Steven Spielberg. Aqui visitamos a Sinagoga Remu'h, construída entre 1556-1558, e o cemitério, o mais antigo do pais e dos mais antigos na Europa. Profanado pelos nazis, foi recuperado em 1959, descobrindo-se túmulos de grande valor artístico. 
Em Podgorze encontramos as cadeiras doadas por Roman Polanski, que simbolizam os judeus expulsos de suas casas, levando apenas uma mala de mão. Ainda ao lado do antigo gueto está a fábrica de Shindler, cujas visitas terminam uma hora antes do encerramento (19H), e por isso já não podemos entrar. Sinceramente, penso que não entraria lá de qualquer forma, este tipo de turismo não me interessa propriamente; tinha apenas curiosidade em ver o edifício pelo exterior, e devo dizer que a recuperação do prédio deixou-o limpo demais. Não gostei. Posto isto, claro que uma visita a Auschvitz estava fora de cogitação; não teria nada de pedagógico nem prazenteiro, portanto, porque faria sentido?

Infelizmente, o Museu dos príncipes Czartoryski estava fechado para obras, mas a sua jóia mais emblemática - A senhora do arminho, de Leonardo Davinci- tinha sido deslocada para o Museu Nacional de Cracóvia, e aí a pudemos admirar a menos de um metro de distância, sem multidões nem vidros de permeio. Sublime.  

Gosto muito de visitar casas de artistas, portanto escolhemos a de Józef Mehoffer, um pintor polaco nascido no séc XIX, e reconhecido como um dos lideres dos pintores jovens. Infelizmente o quarto mais bonito, o japonês, estava fechado para manutenção. Portanto, a visita, que incluía obras do pintor e de outros seus contemporâneos foi muito do nosso agrado.  

A Abadia dos Beneditinos de Tyniec, fica a 12 kms de Cracóvia, distância que fizemos de autocarro; situa-se num promontório rochoso, e proporciona uma bela panorâmica sobre o Vístula. Os Beneditinos foram da França para lá no sec. XI e nessa época a construíram. Apresenta as características um igreja fortificada, de estilo românico. A igreja foi reconstruída várias vezes, sendo hoje barroca, e pelos vistos muito requisitada para casamentos; só nessa manhã vimos três, as noivas esperavam a saída umas das outras da igreja sem qualquer embaraço. Aliás, em Cracóvia deparamo-nos com diversos casamentos, e com os noivos a fazerem sessões de fotos pela rua, sem sinais de timidez. É um país muito católico, e estas situações ainda o comprovam. Fizemos o tour com um monge que falou apenas em Polaco, mas tive a sorte de ter uma jovem interprete polaca, que gentilmente se ofereceu para traduzir. Bom Karma!

Reservamos um dia para visitar as Minas de Sal de Wielizka, por sorte um dia quente, de forma que entrar na terra (o nível mais baixo a que descemos é de 135 metros), foi um grato refrigério. A funcionar desde o séc.XIII, produziu sal até 2007, e mantém ainda cerca de 300 mineiros a trabalhar na sua manutenção. Tem 327 metros de profundidade e 287 quilómetros de túneis. Nós visitamos uma parte ínfima de tudo isso. Visitam-na por ano cerca de 1,2 milhões de pessoas, e é considerada Património da Humanidade pela Unesco. Muitos famosos a têm visitado, como Copérnico e Goethe. Os tours estão de tal forma bem organizados que a fluidez de visitantes nunca dá a impressão de ser massiva.
Descemos cerca de 800 degraus, que apesar de assustar assim de repente, se fazem muito bem, e o regresso faz-se de elevador rapidíssimo. Nas entranhas da mina existem restaurantes, lojas, igrejas, capelas, lagos, parque infantil, e as estátuas esculpidas em sal, desde o séc.XV. Almoçamos por lá e gostamos bastante. Foi uma visita que superou em muito as minhas expectativas, e portanto aconselho vivamente, é de facto imperdível!

Tínhamos comprado os bilhetes antecipadamente, para visita marcada com guia em espanhol, num ponto de Informações, e foi o que fizemos de melhor; quando chegamos a fila para comprar bilhetes (ao sol!) era extensa, e a outra, para levantar os bilhetes adquiridos online, igualmente. Apanhamos um autocarro que demorou cerca de 15-20 minutos, o que não justifica nada Entrada+transfer desde Cracóvia. Viajar entre polacos também faz parte da experiência. 

Pensávamos alugar um carro, apenas para dois dias, para fazer algumas incursões fora da cidade, mas foi totalmente impossível encontrar alguma viatura disponível nos rent-a-cars! Nem online, nem presencialmente; não sei se os polacos estarão preparados para este aumento de turismo. Não o fizemos antecipadamente, e isso serviu-nos de lição!

A Polónia é um pais muito barato, quando convertemos os zlotys em euros ficamos amiúde espantados com os valores obtidos. Para variar, é uma novidade muito agradável. Por exemplo, um táxi para 6 pessoas, do aeroporto para Cracóvia, custou-nos cerca de 20€.
A impecável limpeza das ruas, contrastou com a sujidade e confusão dos supermercados Biedronka (Joaninha), do grupo Jerónimo Martins, aonde fizemos algumas compras.
Os polacos demonstram um inesperado talento para decoração de interiores de restaurantes, bares e lojas que nos encantaram. Tão bom gosto! E então a alimentação, tudo era delicioso. Mesmo quando entravamos em sítios sem menção ao "Trip Advisor" ou "Guia Michelin", tudo era óptimo. 
Duas coisas se apresentaram como pontos negativos; uma é a população descontrolada de pombas pela cidade, que tudo suja e corrói. Para não mencionar o barulho logo que o sol nasce. Outra, são os "grafiteiros" rascas, que vandalizam fachadas novas e velhas, pintadas e a necessitarem pintura, com palavras e símbolos básicos. É lamentável.

Portanto, Cracóvia é uma cidade ainda muito genuína, apresentando
comércios locais em abundância, com uma população muito jovem e social. Apesar de ganharem cerca de 500€ em salário mínimo, tudo é muito mais barato do que em Portugal, de forma que os polacos parecem ter um nível de vida bem superior ao português. Sem serem propriamente simpáticos e hospitaleiros, os polacos são pessoas muito correctas, e isso basta-me. Desejo-lhes que o futuro seja diferente do nosso, e que o turismo não lhes arruíne as vidas; vimos muitos prédios em renovação e receio que os estejam a preparar para os turistas. Por outro lado, talvez isso não aconteça, e sejam suficientemente inteligentes para se protegerem, felizmente eles parecem valorizar muito a sua entidade e cultura.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

As ruas em azulejos



Gosto tanto da toponímia farense!Para além de homenagearem diversas personalidades, com a indicação abaixo do nome da razão dessa homenagem, fazem-no sempre utilizando placas em azulejo. Em Portugal, deveria ser modo obrigatório!

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Quem não sabe discutir?

"Discutir" tem uma conotação pejorativa, como se implicasse obrigatoriamente uma altercação de palavras desagradáveis, confronto violento que leva automaticamente a zanga e má-disposição. É verdade que as pessoas ficam alteradas quando discutem, que se deixam levar pelas emoções e descarrilam ao dizer o que não devem, comummente ofensas, que obviamente conduzem a uma discussão acesa de ambas as partes. 
Portanto, a discussão em si, que é apenas uma debate de ideias não tem nada de nocivo, pelo contrário, é um exercício da expressão de opinião que pode levar o outro ( e a nós!) à reflexão... ou não. Temos que estar preparados para isso, que o outro nos ouça e os nossos argumentos continuem a não fazer-lhe sentido. Aceitar esta postura, ainda que nos pareça transparente cristalino como estamos certos. Mas afinal, o que é isso de estar certo? Quem nos garante? A razão, certamente, os factos mais concretamente quando os há, todavia, a interpretação de um e outro pode ser subjectiva, afecta a personalidades diferentes e percursos de vida diversos. E assim, é difícil  chegar a um consenso e concluir o que é certo para todos. 

Discutir per se é muito interessante e muito aconselhável, a forma como se faz é que muda tudo. Começa pelo tom; não é quem fala mais alto que tem mais razão, ou que convence melhor; acontece que isso  resulta em intimidação, e o outro poderá acabar por se calar. O que não significa rendição, embora muitos pensem que com isso conseguiram convencer o outro; pelo contrário, é um falhanço total.
Compreendo que a frustração de não conseguir convencer o outro para aquilo que nos é óbvio poderá resultar em frustração, e que isso se expresse em irritação, mas este é o limite extremo. Que a irritação e nervosismo se expressem com palavras que magoam, diminuem, intimidem é inaceitável. 

Portanto, há pessoas que se colocam a si mesmas em pedestal por serem muito sinceras e frontais, e por agirem em conformidade, dizendo tudo o que lhes passa pela cabeça, o que sentem e pensam, como se isso fosse de facto a prova da sinceridade que apregoam. Não é razão de orgulho, é apenas a expressão descontrolada do que pensam e sentem, que não passou pelo crivo da razoabilidade, sensibilidade e justiça. Nem tudo o que pensamos está certo, porque não conhecemos o assunto, o problema, a questão na sua totalidade; porque temos falhas, muitas vezes induzidas pela emoção. E porque nós próprios temos falhas, devemos cautelosamente utilizar alguns filtros.

A discussão, como troca de ideias é salutar e apanágio de mentes que querem crescer e fazer crescer. Eu gosto dessas discussões, e quando o assunto me é precioso, sou capaz de o discutir apaixonadamente o que por vezes, admito, possa parecer "vigoroso" demais, porém, sou capaz de ouvir o outro com opinião contrária, e aceitar que a tenha e mantenha. A própria questão da "discussão" já me deixa empolgada, mas também um pouco angustiada, por ver como as gerações mais jovens estão a perder a capacidade de lidar com ela.

Preocupa-me que os jovens não sejam capazes de expressar as suas opiniões, sobretudo quando elas são, na maioria das vezes, contrárias àquilo que as gerações mais velhas pensam. Gostaria que tivessem condições de exercer esse direito, e serem ouvidos, mas frequentemente o argumento do " ainda és muito novo, não sabes", cala-os e refreia-os. Se é assim em família, a Escola segue a mesma linha, com a obrigatoriedade da memorização e até retaliação quando a expressão do pensamento crítico se manifesta, contrária ao que os professores pretendem. Como a mera interpretação de um poema, por exemplo. Sim, tão simples quanto isso.
A Dialéctica é um conceito que aprendem em Filosofia, mas apenas para mais uma vez o memorizar. Que fosse exercício transversal a todas as disciplinas seria o ideal. Que interiorizassem a prática para a trazerem ao mundo real, à vida quotidiana, seria um 20 merecido. Para os professores, claro. 

Discutir pode não ser disputar a razão, obter o troféu da verdade absoluta, pode apenas ser uma troca de palavras e ideias entre duas ou mais pessoas, sem que isso ponha em causa a inteligência ou sensibilidade de quem a certo ponto poderá ceder. Ou não. O que se põe aqui em causa é a maturidade emocional das pessoas, que não se sintam agredidas, que não se sintam desrespeitadas, que não se sintam isoladas perante pontos de vista contrários; e que não retaliem com as mesmas armas. 
Todos temos direito a ter opinião e a expressá-la, é um direito protegido por Lei. Falta aprender a estar na discussão com respeito pelo outro, e por aquilo que ele expressa. Sem pressão para convencer, e com consciência para aceitar. É bonito quando se discute assim, e certamente muito mais proveitoso para todos.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Dica de leitura: A História de Quem Vai e de Quem Fica

 
Via Wook

Em apenas um mês consegui ler esta tetralogia, e à medida que ia lendo o último, a pena antecipada em terminá-lo invadia-me. Portanto, a vontade de ler compulsivamente, sentida no primeiro livro, manteve-se até ao fim e não consegui refrear a leitura, nem com a ideia de a poupar, prolongando assim este prazer.

A escrita de Elena Ferrante agarra o leitor desde o primeiro parágrafo ao último, os acontecimentos sucedem de forma caótica e porém, perfeitamente engrenados. E nós só queremos ler mais, mais alguma coisa que nos elucide e possa dar-nos informação para escolher facções. 
O estranho é que Lenú, sendo a narradora, não consegue manipular a história de forma a tornar-se personagem preferida, a sua sinceridade mantém-na cativa, tanto quanto a voz omissa de Lila a protege daquilo que nós apenas adivinhamos.

O terceiro volume passa-se nos anos 70, com uma Itália agitada politicamente que serve de pano de fundo às personagens já conhecidas. Encontramos Elena a viver uma vida de sonho, colheu os frutos do seu lavor e conseguiu escapar ao bairro napolitano; parece que tudo lhe sorri, marido intelectual de boas famílias, livro publicado com sucesso, retrato de família completo, com as duas filhinhas (um tanto inesperadas), perfeitamente estabelecida na sua rotina burguesa. Por seu lado, Lila leva agora uma vida de dificuldades e sobressaltos, que Lenú propositadamente ignora, e que vem apenas a conhecer a pedido de Enzo. A vida das duas volta a entrelaçar-se e novamente Lila como que renasce das cinzas, provocando em Lenú as habituais comparações e espoletando os velhos ressentimentos; a competição recomeça, como sempre que estão juntas.  E constantemente, o destino desata nós e faz laços como que brincando com os pobres humanos, entregues a uma sorte da qual não conseguem escapar. Querendo ou não. E os acontecimentos surpreendem-nos e fazem-nos recear sempre o pior, até porque o que é bom, nunca dura. 

Título – História de quem vai e de quem fica
Autora – Elena Ferrante
Editora – Relógio D’Água Editores  
Páginas – 325