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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

" As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia."

Li no Estoico Paterno, aqui, e faz todo o sentido para mim; conversar, verbalizar sentimentos, desabafar, é um processo necessário para a nossa saúde. Está provado que varrer para debaixo do tapete não resulta, mais cedo ou mais tarde o amontoado vai começar a sair, e nos momentos mais inconvenientes e inesperados. Parece-me que esta minha percepção será consensual. 

" Em 2018, antropólogos viveram seis meses com a tribo Kaluli, da Papua-Nova Guiné — uma das únicas culturas conhecidas sem depressão ou ansiedade crônica.

E o que mais surpreendeu não foi dieta, genética ou religião.

Foi o que eles faziam toda noite, antes de dormir.

As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia.

Medos, raiva, vergonha, tristeza.

Ninguém interrompia.

Ninguém dizia “vai ficar tudo bem.”

Os adultos apenas ouviam… até a respiração da criança desacelerar.

A tribo chama isso de limpeza noturna.
Queimar o medo antes do sono pra mente zerar.
Psicólogos modernos comprovaram: falar do que sente antes de dormir reduz o cortisol noturno em até 40%.
O corpo dorme quando a mente para de fugir.

Mas nós fomos ensinados ao contrário.
“Não pensa em coisa ruim.”
“Vai dormir e esquece.”
E é por isso que você dorme cansado e acorda pior.
O corpo tenta descansar, mas a mente ainda tá lutando.

Você não precisa de fogueira nem de ritual tribal.
Precisa de coragem pra encarar o que sente.
Fale em voz alta o que te incomoda — mesmo que o quarto esteja vazio.
Respire até o corpo entender que acabou.

A mente só pára de te punir quando você para de mentir pra si mesmo.
É nesse ponto que o peso vai embora, o sono melhora, e a força volta."

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Experiência Blind Date para Adolescentes

Vi este vídeo aqui no Instagram e o final é, realmente, chocante. Todos os jovens o deveriam ver, pois ilustra de forma elucidativa como funciona a interação nas redes sociais, como é fácil ao anónimo, por detrás do ecrã, mostrar o que não é, e manipular a mente da jovem pessoa com quem conversa.

( Agora vou dar spoiler para explicar a experiência. Aconselho a ver o vídeo antes de prosseguir esta leitura. )

Numa sala, uma série de adolescentes conversa, à vez, online com um grupo enorme de rapazes vendados, que só se descobrem à medida que vão sendo excluídos por ela, perante frases como: " Não gosto de ciumentos, portanto quem o seja saia". Até ficar apenas um, o selecionado que perante todas as perguntas lhe respondeu do seu agrado. Quando este se desvenda é o choque; é um homem muito mais velho, que poderia ser pai delas. 

Isto prova que os homens mais velhos têm a a capacidade de se adaptar e responder de acordo com aquilo que as adolescentes querem ouvir, não a verdade mas aquilo que lhes agrada. Os homens predadores que deambulam pelas redes sociais conseguem passar por jovens e conquistar a confiança das incautas e ingénuas, que pensam que estão conversando com alguém da sua geração. É, de facto, uma experiencia brutal. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

O Estado do Ensino

Das experiencias mais impactantes que tive na Escola, quando comecei a ler Poesia foi ter a minha percepção do que lia invalidada pela parte dos professores. Senti-me incrédula, e não compreendia como a minha interpretação poderia estar incorrecta. Depois percebi que havia uma só forma de interpretar os poemas, que já estava construída, aceite por todos, e já estava memorizada.  

Desde logo, disse que uma dia, se fosse professora, aceitaria todas as interpretações desde que bem defendidas e justificadas. A sensibilidade de cada um é diferente, a cultura também, o que torna a compreensão muito pessoal. Mais tarde, senti-me validade ao ler a resposta de um autor, que infelizmente não recordo o nome, em entrevista, como se deveria interpretar o seu trabalho: Eu escrevi, cabe ao leitor interpretar. Portanto, ela cedia ao leitor a liberdade da interpretação.

Estes dias vi um vídeo sobre uma situação caricata que envolvia o autor espanhol Julio Llamazeres, e o seu livro "Luna de lobos"; na escola o seu sobrinho tinha como tarefa analisar o livro, e ao escritor pareceu-lhe divertido que fizesse ele o trabalho, o qual teve negativa! O próprio escritor foi falar com a professora para saber o motivo, que foi: "Ele não compreendeu a obra". 

Imagino a cara da docente quando Julio Llamazares lhe disse que tinha sido ele próprio, o autor, a fazer o trabalho!

Isto não é ensinar, não é ensinar a pensar, a interpretar, a ter pensamento crítico. E por aqui se vê o estado do ensino, foi em Espanha mas em Portugal está igual. 

Vídeo no Instagram


segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Os Filhos Não são do Estado!


Regina school board demands $30K for documents on gender ideology

Lise Merle, uma mãe preocupada com a ideologia radical de género ensinada nas Escolas Públicas de Regina, foi atingida por uma enorme conta depois de procurar documentos relacionados com a mesma e com o programa de Orientação Sexual e Ideologia de Género.

O Canadá é um dos países com maior propaganda à ideologia de género, e portanto, quando esta mãe pede à escola documentação sobre a informação a ser "ensinada" na mesma sobre o tema, recebe uma conta de cerca de 30 mil dólares para ter acesso a essa documentação. Ou seja, é uma espécie de censura, não rejeitam o pedido, nem poderiam, os documentos são públicos e do Estado, é porém, uma forte estratégia para desmotivar os pais que pretendam saber o que a Escola ensina aos filhos. 

Ao aceitar que os filhos sejam ensinados e endoutrinados, pela escola pública, sem sequer terem conhecimento do quê, os pais estão a entregar a 100% os filhos ao Estado. O Estado merece-lhes essa absoluta confiança?!  E quando pretendem conhecer os conteúdos, e lhes é negada a informação, e com isso se conformam, estão definitivamente a desistir dos filhos. 
Espero que os pais canadianos não se submetam, os filhos são dos pais, não do Estado! 

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Sinais

Chet Baker - I get along without you very well

Quando entro na sala da Letícia e a encontro a trabalhar, tendo isto como música de fundo, fico super orgulhosa, talvez até ( atrevo-me porque sei que não me lerá, agora!)mais do que quando ela tira altas notas. 
Acho que ver os meus filhos a ler determinados livros, e a ouvir certas músicas, é das coisas que mais feliz me faz, e me confirma que não me tenho saído nada mal na educação deles. 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

-Dá cá mais cinco! O poder do toque ou encorajamento

 
 
Esta entrevista à oradora motivacional Mel Robbins foca aspectos  diversificados e extremamente interessantes, mas este do "mais cinco" é aquele que me mais me apraz apresentar; ela conta como um dia estava a sentir-se muito em baixo, atravessando uma série de problemas, e ao acordar e ver-se reflectida no espelho pensou " estou um caco", e começou também a pensar em tudo o que tinha para fazer, e a sentir-se cada vez pior. Mas, subitamente, levantou a mão e deu a si mesma um cinco, no espelho. Algo naquele momento mudou. No segundo dia, assim que acordou sentiu que estava ansiosa por aquele momento no espelho. Depois de ter partilhado a foto no Instagram, e se ter tornado viral, compreendeu que muitas pessoas estavam também a atravessar desafios graças ao "mais cinco".
 
Depois disso, dedicou-se a pesquisar a importância deste gesto, recorrendo inclusivamente à ciência; então observou que toda a vida demos aos outros mais cinco, como uma celebração, com uma mensagem associada "boa!", "parabéns", mas que a nós não damos. Este gesto de levantar a mão e cumprimentar activa a programação positiva no subconsciente. Ao fazer o ritual mais cinco, o cérebro não permite que seja algo negativo, está a definir objectivos positivos, que irão definir o dia. Sendo por isso o momento certo para pensar no dia que temos à frente, e em como queremos que ele se desenrole.
 
Há estudos do NBA comprovando que as equipas que mais cinco dão são as melhores classificadas, que os treinadores que têm melhores resultados são também aqueles que incentivam os atletas com um mais cinco, sem pronunciar qualquer palavra, em seguida os que associam palavras de incentivo ao mais cinco, e os últimos da Liga são aqueles que menos usam o incentivo do mais cinco. Interessante, não é?
 
Toda a entrevista é valiosa, e há uma reflexão que Mel Robbins faz que também não posso deixar de salientar, que é a origem do amor próprio que vem da infância, e de como é construído na base do reconhecimento dos outros, através do que alcançamos. E de como isso mina a nossa confiança. É por conseguinte uma jóia que aqui deixo; activem as legendas, regulem o vídeo para uma velocidade menor mas não deixem de ver! Irão ficar assim tipo: ... Uauuuu...! 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Uma história que não é de bullying

Na terça-feira, uma mãe muito especial contou-me uma história tão bonita! 

O filho, de 12 anos, queixou-se diversas vezes que um colega, sem razão aparente, passava por ele lhe dava ora encontrões, ora "sapataditas", e ela aproveitou a reunião com a DT e E.E. para expor o caso a fim de o resolver; de imediato, um qualquer pai disse: " isso é bullying"! Identificando o problema sem mais delongas. Ora, esta mãe, que consegue ser muito assertiva na defesa das suas opiniões, respondeu-lhe que não achava, porque no seu tempo também se atiravam umas bocas bem foleiras uns aos outros, com encontrões pelo meio, e nunca se pôs em questão que fosse bullying. Mas os outros pais começaram a concordar com o primeiro, e alguns pediam o nome, que por insistência do próprio E.E. do menino em causa, a "nossa" mãe, pedindo-lhe desculpa, disse que era o seu filho. Logo de seguida, asseverou-lhe que não achava que fosse realmente bullying, e explicou mesmo, que dado o seu filho ser um miúdo muito fixe, e especial (creio que sim, o seu melhor amigo é autista, é só um exemplo), acreditava que o outro menino queria aproximar-se dele mas não estava a encontrar uma boa maneira de o fazer. 

Numa troca de palavras compreensivas, e educadas, ambos chegaram a um acordo de como ajudar a resolver a disputa; o pai conversaria com o filho, e o menino poderia almoçar com o outro menino, na quarta seguinte, quando almoça perto da escola com mais três outros meninos, cada um especial à sua maneira, mas constituindo um grupo muito sui generis, ou seja, são as aves raras da turma!

Por diversas vezes, esta mãe teve que pôr no lugar os restantes pais, que queriam à viva força um caso de bullying, dizendo-lhes que a questão era entre ela e o outro pai, obrigando-os a serem assistentes de um problema alheio mas que pela leitura adequada que fizera, se lhes revelou uma lição importante - como se resolvem estes conflitos tranquilamente.

E sabem como termina a história? Resultou.

Ninho vazio

 

Via Esme
Acho que ainda não escrevi aqui sobre esta situação, agora que na realidade posso dar o meu testemunho, pois no espaço de dois anos os meus dois filhos saíram de casa. Na verdade, não foi algo que eu sentisse profundamente, porque devido a esta situação excepcional, do "covid" e tudo o que daí derivou, tem sido uma fase algo particular, e passo a explicar; no primeiro ano do Duarte a Letícia permanecia em casa, e ainda assim, ele saiu em meados de Setembro, e regressou em Março, logo depois das férias de Páscoa. Todos os santos fins-de-semana vinha a casa, de sexta a domingo. Terminou o ano lectivo com aulas online, como foi para todos. 

Para a Letícia as aulas começaram em Setembro de 2020, porém depois do Natal já ficou em casa, em fase de confinamento, também com aulas online. Por ser um curso com uma componente muito prática logo que as regras abrandaram ela passou a ir à Faculdade, mas apenas para uma cadeira, a principal e mais prática do curso. Contudo, foi sempre uma situação muito fluída, e entre estar em casa e estar lá, efectivamente pouco tempo ficou fora de casa. E mesmo assim, também naquele sistema de regresso à sexta, para fim-de-semana. No caso dela, por ser vegetariana e a cantina estar fechada, tinha mesmo que regressar, para levar todas as refeições para a semana. Por conseguinte, os meus filhos estiveram sempre muito presentes, com a excepção de poucas semanas. 

Perante este panorama, será compreensível que eu diga que não senti, propriamente, "o ninho vazio", não é?

No início, algumas pessoas perguntavam-me, expectantes, sobre como me sentia, por os ter fora de casa, mas suspeito que a minha resposta descontraída os deixava desconcertados, e talvez até desanimados; pensaram sempre que seria algo que eu sentisse muito, talvez me deprimisse, não sei. Parece que isso acontece com outras mães, sobretudo com aquelas que se dedicaram aos filhos a 100%. Mas os meus filhos estão bem quando estão fora, e adoram regressar a casa, e depois, falamos todos os dias ao telefone, ou por mensagem, portanto não há de que entristecer! 

Creio, também, que a satisfação de ter sido mãe a tempo inteiro deu-me um certo estofo para aguentar ausências, sem grandes lástimas. Tenho a sensação de ser isso que falta a muitas mães, de sentirem que perderam muitas oportunidades de estarem com os filhos, e que depois, quando eles saem de casa já é tarde demais. E dá-se aquele "baque" da tomada de consciência do tempo que passou e é impossível de recuperar. Não deve ser nada fácil de gerir essas emoções, mas é um processo individual, e pessoal, e cada um saberá da sua vida. Só desejo que consigam desmontar o puzzle e voltar a construí-lo, com serenidade, aceitação, e talvez novas estratégias para compensar aquilo que julguem necessitar ser compensado ou reparado. Porque vamos sempre a tempo de melhorar alguma coisa. 

Em suma, essa história do ninho vazio não é aquela coisa super complicada e deprimente que as revistas dizem. Lembro-me bem de ler esses artigos, há muitos anos atrás, e achar que comigo não seria assim, mas... também pensava, veremos quando lá chegar. Porque não vale a pena sofrer por antecipação, ou pelas experiencias negativas dos outros. Temos apenas de viver um dia de cada vez, fazendo o nosso melhor, e cada dia fazendo-o melhor. E isto já é obra!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Dia da Criança Todos os Dias

Recebi por mensagem, origem desconhecida
Adoro esta foto por tudo o que ela representa; um pai que se chega à frente, manifestando-se por algo em que acredita, é um educador empenhado na construção de um mundo melhor. Um pai que carrega nas costas a filha, incluindo-a na participação, ensina-lhe que ao fazermos parte desta sociedade, devemos assumir posições; ensina-lhe que ser cidadão responsável, é agir. Um pai que permite à filha levantar um cartaz, com um "slogan" da sua autoria, ensina-lhe que é respeitada. Um pai destes mostra à filha quão ela é importante e amada. 

E talvez a minha própria memória se projecte nesta fotografia, e me enterneça por isso; também o meu pai me levou, sendo criança pequena, a comícios, no pós 25 de Abril.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Raridades

via FB?

Se até os adultos reduzem cada vez mais o hábito da leitura, parece que trocando pela visualização de séries nos canais pagos, onde se podem "ver" os livros, em vez de os ler, como irão os mais pequenos aderir a um hábito que poderá precisar de tempo, e esforço, para se enraizar? 
Segundo Ana Daniela Soares, apresentadora do "Todas as Palavras" da RTP3, o programa tem 100 mil espectadores por semana, mas em Portugal não se vendem 100 mil livros por mês.

Os livros são caros, mas nunca foi tão fácil adquirir livros em segunda mão e tão baratos como agora, ou por último recorrer às bibliotecas públicas. E como já sabemos dos benefícios da leitura para os nossos filhos, e que a melhor estratégia é o exemplo, não nos resta senão afastarmo-nos do ecrã também, não é?  

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

As expectativas

Via

Os filhos não nos defraudam, somos nós que o fazemos e lhes atribuímos responsabilidades. Nós, país, criamos pressupostos de como os filhos deveriam ser, dos resultados que deveriam obter na escola, das medalhas a ganhar nos desportos, de como haveriam de se comportar socialmente, e ficamos zangados quando não se portam à altura. À altura das nossas expectativas. 
A realidade é que os filhos não nos prometeram nada. Eles estão somente a ser eles. A procurar os seus caminhos, a descobrir quem são para além dos país, da família, dos amigos, de quem os rodeia. E nessa descoberta o caminho dificilmente será perfeito. Aliás, desconfio muito de crianças/jovens que fazem caminhos perfeitos, nalgum sítio, a alguma altura, as coisas descarrilam, sendo isso perfeitamente aceitável e saudável. É portanto até, aconselhável. É caso para respirar de alívio! 
E porém, sobretudo nesta altura, quando as notas se materializam nas Escolas, as cobranças dos pais são muitas e frequentemente injustas. Não defendo que os pais se calem e aceitem tudo, mas aqueles que reclamam do 4, achando que deveria ser 5, aqueles que protestam dos 97% porque podia muito bem ser 100%, deveriam reflectir um pouco antes de criticar o trabalho feito pelos filhos. Antes de os destruir, porque toda a crítica injusta, destrói um pouco.
Querem filhos perfeitos? Não tivessem filhos. Até porque mais dificilmente há pais perfeitos.

Nós sim, podemos aperfeiçoarmo-nos, refinarmos as nossas capacidades e por isso, tentar ajudar os filhos a melhorar o desempenho é obrigação nossa, ajudá-los a descobrir o seu "elemento", para que aí possam desabrochar, mostrarem resultados e serem felizes. No final do 1º período do 10º ano, a Letícia concluiu que não estava a estudar o que queria, em CT; no final do ano lectivo pediu transferência para Artes (a área para a qual a julguei sempre vocacionada), e iluminou-se como uma lâmpada incandescente.

Quando nós ajustamos as nossas expectativas às dos nossos filhos alcançamos um patamar de lucidez e justiça que tranquiliza a todos. Então, preferimos viver em que dimensão, na ideal ou na real? Escolha a pílula que quer tomar, a azul ou a vermelha? 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Estímulo

Via
Pode parecer negativo, mas também pode reforçar comportamentos, estudem mais, sejam empreendedores, impliquem-se social e politicamente. Sejam vigilantes. O vosso futuro está nas vossas mãos!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Viagem no tempo

Enquanto esperávamos a hora do expresso na Rodoviária, o Duarte, que é fascinado por História, perguntou-me, se eu pudesse, qual o período da História que eu gostaria de visitar; de vez em quando faz-me umas perguntas que me fazem pensar mais um bocado. Ainda me faz disto.
Lembrei-me primeiro, e disse-lhe, que viajar para o passado era quase sempre muito perigoso, sobretudo quando se é mulher, mas recordando-me precisamente disso, respondi: ao tempo de Jesus Cristo, para o ouvir falar e talvez seguir durante algum tempo; e também ao de Sidharta Gautama, para o observar em silêncio hipnótico, debaixo da árvore. 
- Ah, querias assistir ao nascimento de duas religiões, conclui ele. Não era por isso, era apenas para estar próxima e sentir a energia daqueles dois seres incríveis. 
Nem sequer me lembrei de me projectar para o futuro, porque se o passado me assusta, então os tempos que hão-de vir atemorizam-me, e isso, definitivamente, era algo que não gostaria de partilhar com ele.
A perspectiva de um mundo apocalíptico não é algo que eu julgue positivo, na educação dos filhos;isso somente lhes tira a esperança no futuro. E destrói-lhes a infância, como afirmou Greta Tunberg.
Creio que positivo é ensiná-los a estar neste mundo fazendo o seu melhor, fazendo a parte deles, porque de facto, esse é o único contributo alcançável.
- Tu não mudas o mundo, faz o que podes, e o teu mundo muda, e com isso o mundo muda contigo.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Fora do ninho

Desde o momento em que nos cortam o cordão umbilical que cada dia nos separa dos nossos filhos. Aquele corte foi de alegria, foi celebrado, e será todos os anos recordado. Mas de todas as próximas vezes que sentimos o cordão a ser cortado, houve um pesar crescente, mesclado com a alegria da autonomia das nossas crias. 
Cada passo nos prepara para um afastamento maior, e ainda bem que assim é, a sensação de desapego necessita que o processo se faça lentamente, para ser seguro, de parte a parte. 
Porém, com a entrada na Universidade, quando isso implica saída de casa, a sensação do corte umbilical é maior do que nunca; desaparecem objectos, roupas, sinais de presença, como a desarrumação dos quartos, o silêncio que não é quebrado pela voz trovejante "mãe! cheguei!". Um lugar a menos na mesa, uma comida que não se faz, porque se cozinhava particularmente para ele; e o ignorar como lhe está a correr o dia, se comeu bem, se acordou a horas, o que vestiu e se estava agasalhado para as manhãs frescas. Tudo sai do nosso controle, ou quase tudo, pois graças às novas tecnologias ouvimos, falamos e até vemos, muito do que há distância se passa. E isso, felizmente, aproxima-nos e atenua a ausência, mitigando a saudade. 

Foi só no domingo que o Duarte saiu de casa, mas a dinâmica familiar já mudou. A casa já não é a mesma. Eu já não me sinto a mesma. Falta-me. 
Talvez digam que sou mãe-galinha, mas creio que a maioria das mães portuguesas há-de alinhar comigo, quando digo que esta etapa é agridoce; é a prova de fogo da independência, mas também é a presença pesada da ausência. 
Ele, dizem-me, vai crescer e amadurecer; esta experiência vai mudá-lo, preparando-o para uma vida autónoma; mas ninguém me disse que isto dava para duas direcções; eu também vou crescer com ela. E quero crer que nesse processo de amadurecimento, nos encontraremos novamente, algures. 

Quando vos disserem que o tempo voa, relativamente aos vossos filhos, acreditem! E aproveitem, desfrutem ao máximo da presença deles. Eu acreditei, e desfrutei, portanto, esse arrependimento não sinto, contudo, não implica que não tenha sentido o tempo voar. Parece que foi ontem que nasceu... 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Síndrome do Pensamento Acelerado


Augusto Cury denuncia a educação superficial, que forma pessoas doentes. Não sabemos quem somos, e portanto construir a nossa própria história fora de prisões, das quais nem nos apercebemos, torna-se impossível. É fundamental conhecer o "eu".

quinta-feira, 19 de abril de 2018

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O aspecto físico da mulher - ensinar e aprender



Via

Fiquei a pensar acerca de uma notícia, veiculada na semana passada, sobre o aumento do consumo de ansiolíticos e anti-depressivos em Portugal, que coloca as mulheres em primeiro lugar, e constata um aumento preocupante entre os jovens. Para além da crise, o que mais nos preocupa? Muitas coisas, sendo uma delas a aparência. E recordei-me então desta passagem, do " Mulheres que correm com os lobos":

"Menosprezar ou julgar negativamente o aspecto físico de uma mulher é contribuir para gerações sucessivas de mulheres neuróticas e ansiosas. Críticas destrutivas e exclusivistas quanto à constituição física herdada por uma mulher privam-na de uma série de importantes e preciosos tesouros psicológicos e espirituais. Privam-na do orgulho que deve ter no seu tipo de corpo que lhe foi transmitido pelos seus antepassados. Se a ensinarem a rejeitar essa herança física, ela desvincular-se-á imediatamente da identidade corporal feminina que deveria partilhar com a restante família.

Se a ensinarem a odiar o seu próprio corpo como poderá amar o corpo da sua mãe, que tem a configuração do seu? Como poderá amar o corpo da sua avó, os corpos das suas filhas? - como poderá amar os corpos de outras mulheres ( e homens) que lhe são próximas, e que terão herdado formas e constituições corporais dos seus antepassados? Agredir uma mulher desta forma vai destruir o seu legítimo orgulho de pertencer ao seu próprio povo, privando-a do ritmo natural e alegre que sente no corpo, independentemente da sua estatura, tamanho, ou forma. Fundamentalmente a agressão aos corpos das mulheres é uma agressão de longo alcance que afectou as mulheres que as precederam e que afectará as das gerações vindouras. “
Pág 241, Clarissa Pinkola Estés

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Castigar não faz sentido

"Educar é muito mais simples a partir do momento que se percebe como funciona o cérebro de uma criança. Este precisa de equilibrio entre amor e regras, entre proteger e deixar que uma criança seja independente. 
... O limite põe-se  antes que a criança se porte mal. Prevenir é melhor do que corrigir. O difícil na questão dos limites é saber como pô-los e estar atento ao comportamento da criança para o prevenir."

 Neuropsicólogo Álvaro Bilbao, autor do livro "No cérebro das crianças explicado aos pais", in entrevista Revista Expresso, 28/05/2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Perguntas dos filhos que nos fazem pensar

via
- O que é a Filosofia? 
Agora que já sabe, atormenta-me perguntando-me continuamente para que serve. E por mais que lhe explique que serve para nos fazer reflectir, para debater as grandes questões e dar orientação ao Homem, conclui sempre o mesmo: -E para que tenho eu de saber sobre quem existiu há mais de 2000 anos? 
Responder-lhe que a Filosofia tem um fio condutor, que é preciso seguir para chegar à actualidade, que tudo o que está a estudar é Cultura, e necessário para se tornar em alguém interessante e culto, é inútil; responde-me com a incompreensão própria de uma geração que encontra toda a informação à la carte, num piscar de olhos, na Internet. E ainda por cima, feita de forma muito mais apelativa, com desenhos e gráficos, com música e sentido de humor.

Parece-me, e receio realmente, que as disciplinas clássicas têm mesmo os dias contados.