quinta-feira, 13 de novembro de 2025

" As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia."

Li no Estoico Paterno, aqui, e faz todo o sentido para mim; conversar, verbalizar sentimentos, desabafar, é um processo necessário para a nossa saúde. Está provado que varrer para debaixo do tapete não resulta, mais cedo ou mais tarde o amontoado vai começar a sair, e nos momentos mais inconvenientes e inesperados. Parece-me que esta minha percepção será consensual. 

Em 2018, antropólogos viveram seis meses com a tribo Kaluli, da Papua-Nova Guiné — uma das únicas culturas conhecidas sem depressão ou ansiedade crônica.

E o que mais surpreendeu não foi dieta, genética ou religião.

Foi o que eles faziam toda noite, antes de dormir.

As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia.

Medos, raiva, vergonha, tristeza.

Ninguém interrompia.

Ninguém dizia “vai ficar tudo bem.”

Os adultos apenas ouviam… até a respiração da criança desacelerar.

A tribo chama isso de limpeza noturna.
Queimar o medo antes do sono pra mente zerar.
Psicólogos modernos comprovaram: falar do que sente antes de dormir reduz o cortisol noturno em até 40%.
O corpo dorme quando a mente para de fugir.

Mas nós fomos ensinados ao contrário.
“Não pensa em coisa ruim.”
“Vai dormir e esquece.”
E é por isso que você dorme cansado e acorda pior.
O corpo tenta descansar, mas a mente ainda tá lutando.

Você não precisa de fogueira nem de ritual tribal.
Precisa de coragem pra encarar o que sente.
Fale em voz alta o que te incomoda — mesmo que o quarto esteja vazio.
Respire até o corpo entender que acabou.

A mente só pára de te punir quando você para de mentir pra si mesmo.
É nesse ponto que o peso vai embora, o sono melhora, e a força volta."