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terça-feira, 9 de junho de 2026

Os Rabirruivos Escolheram o Nosso Jardim!

 

O laboratório da Paisagem de Guimarães identificou as aves 


Em menos de dois meses este casal de pássaros instalou-se no nosso anexo do jardim, fez um ninho, pôs ovos, chocou, alimentou as crias e partiu com a filharada.
 
Tínhamos obras marcadas para o anexo em Maio, desde há cerca de dois anos que procurávamos em vão quem aceitasse fazer estas obras. Porém, cancelamos tudo, adiamos sem data, a prioridade eram as aves. 

No período da construção do ninho foram bastante silenciosos, não fossemos nós fazer refeições no jardim nem nos tínhamos apercebido dos novos inquilinos. A certa altura, tornaram-se muito ruidosos com chilreios estridentes a toda a hora, com os nossos gatos em baixo , e super vigilantes, percebemos que se alertavam mutuamente. E depois quando os filhotes nasceram, e percebemos isso por transportarem no bico insectos ainda a rabiar, chilreavam os pais e os filhos. Porém, se calhava de eu entrar no anexo para ir buscar alguma coisa, o silêncio era total, sabiam que tinham de permanecer como se não existissem. A Natureza é perfeita! Dizia eu com os meus botões. 

A certa altura encostei o escadote à parede e fui lá acima, junto do tecto, queria saber quantos eram, mas não vi nada, apenas uma bola de penugem preta e fofa, e claro, não ousei aproximar a mão. 
Entretanto, à medida que as crias cresciam, o ninho também, os pais continuaram a compô-lo à medida que se expandia, continuavam a trazer musgos secos e palhinhas, entre as refeições. A Natureza é perfeita! 

Fechamos a porta do anexo para evitar a entrada dos gatos que passaram horas a fazer espera aos pássaros, e deixamos aberta, parcialmente, a janela da parte de cima, as aves entravam os gatos não; preocupávamo-nos muito com a segurança dos pássaros, os gatos são predadores impiedosos. 

No sábado à noite, enquanto arrumava a cozinha notei a Ellie à minha frente, no muro do jardim, muito agitada, a querer pôr-se em pé, enquanto olhava para cima, estranhei o comportamento e fui junto à porta; a algazarra era inaudita, os pais estavam no muro em frente da janela do anexo a chilrear de forma diferente e insistente, e de imediato pensei que estavam a chamar os filhos, e de facto, em cima do guarda-sol, aberto no jardim, estava uma ave que vi apenas por baixo, portanto, somente a sombra, que levantou voo recto pelo jardim, seguro e rápido, desparecendo no horizonte. 
Entretanto, vi que o casal de rabirruivos voava um em volta do outro, como numa dança comemorativa, e finalizaram dando um encontrãozinho um ao outro, peito com peito, como fazem os desportistas a festejar um golo; achei aquilo a coisa mais fofa e linda que vi desde há muito tempo. A natureza é perfeita!

Como é que eles sabem estas coisas todas? Escolher um sítio para construir um ninho, e estarem ambos de acordo. Começar a construir o ninho. Alimentar as crias, saber que está no momento de sair do ninho, e ambos levar as crias a saírem, de uma só vez, sem ensaios, sem voos pequenos, apenas sair voando! A Natureza é tão maravilhosa.

Desde sábado que o jardim está muito silencioso, sinto falta deles. Oxalá voltem. 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

As Flores Mais Perfumadas Para o Jardim

Para além da beleza que as flores proporcionam ao jardim há outro aspecto que tinha ignorado até começar a sentir a sua presença - o perfume! É delicioso sentir o odor das flores, sobretudo depois do pôr-do-sol, parece que o perfume se liberta para dar continuidade à presença das flores, através de outro sentido. 

Não foi aspecto que eu tivesse em conta no momento de decidir que flores semear, porém agora que me apercebo dessa importância é algo que recomendo.
No meu jardim, as flores que mais perfumam o ar são a Madressilva ( que escolhi por ser uma trepadeira autóctone), muito duradoura em floração, e aromática.

As coroas-de-rei ( sobretudo as brancas), mas essas só quando nos aproximamos delas, ou as ponho no centro da mesa.

As ervilhas-de-cheiro, cuja floração é demasiado rápida ( ainda bem que semeei algumas mais tarde, e por isso ainda as tenho), mas cujo odor é também sentido só na proximidade. Estas evito ao máximo de as cortar, pois cada flor representa uma vagem com sementes para o próximo ano. 

Ao apreciar o aroma das minhas flores, que faço logo pela manhã e durante o dia sempre que possível, só lastimo não poder engarrafar o perfume e guardar para o resto do ano. Não consigo explicar quão bom é, mas em compensação, sei que ficará na minha memória olfactiva. 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

"Fraco é o Maio que não rompe uma croça"

 

Via Pinterest


Estava aqui a pensar que este mês de Maio também não tem sido lá muito famoso, chuvoso e frio, que em breve será Verão e isto nem parece Primavera, quando me lembrei de um ditado que a minha mãe repete, ocasionalmente, " Fraco é o Maio que não rompe uma croça", justificando o frio e chuva. 

A croça é uma espécie de impermeável feita de palha, que se usava nas aldeias, pois protegia das intempéries e pela largueza proporcionava movimentos, e braços livres que permitiam a continuação dos trabalhos rurais, fosse com os rebanhos, fosse a trabalhar a terra. Muitas tinham capucho para proteger a cabeça, também. Até princípios do século XX ainda se usava muito, em meados do mesmo já eram poucos os que as vestiam, nas aldeias do Norte, mais afastadas. Era algo que se fazia com a produção local (totalmente sustentável!), todos os lavradores tinham palha, económica e eficiente. 

A propósito do dia chuvoso de hoje apeteceu-me destacar este elemento do vestuário rural português e, também, lembrar que se o ditado antigo assim o dizia era porque Maio sempre foi um mês mais próximo do Inverno do que do Verão! Nós é que temos pressa de dias de sol e bons, e então queixamo-nos do tempo, mas o clima está certo. Aliás, ainda temos outro que o comprova: "Em Maio come a velha as cerejas ao borralho"! 

O que me vale para me animar, é que, nas pausas da chuva dou um salto ao jardim, e observo que a Primavera está a fazer o seu trabalho muito bem, as plantas estão viçosas e os tubérculos brotam da terra, impulsionados pela força vital que opera maravilhas, fora do nosso alcance visual. 

Via Pinterest

quinta-feira, 8 de maio de 2025

"Unbox with me" 😀



Estava para fazer uma daquelas "cenas" que essa malta influencer faz, os unbox with me de roupas, desta marca e daquela, e depois kaboum...saíam os tubérculos de dálias! Mas já estava a demorar demasiado ter tempo para preparar a câmara, o tripé, e tudo e tudo, e a terra clamava por estas coisas lindas, pelo que tirei fotos apenas. Quer dizer, as dálias que ficaram na terra já estão crescidas uns bons 15 centímetros! Mas estas vão para vasos, vai ser o teste deste ano, quero ver como se irão dar. 

A caixa, o embrulho de papel rosa, e os brindes, uma revista e marcadores de madeira para os vasos, mereciam 100% um desses reels de luxo! Isto é que me faz vibrar, abrir uma caixa destas, e agora a expectativa nas próximas semanas! Estou que não me aguento. 

terça-feira, 6 de maio de 2025

The Front Garden - Os filósofos jardineiros


Apesar da falta de qualidade deste documentário vale a pena o esforço. O que os jardineiros dizem sobre a motivação de jardinar é tão único, e pessoal, e porém tão humano e comum a todos nós! 
De onde lhes vem a inspiração, de como se sentem ao trabalhar no jardim, do que sentem ao observá-lo, do resultado que reflecte cada personalidade, é fascinante e comovente, pela profundidade inesperada.
Uma delícia! 

quinta-feira, 17 de abril de 2025

A Mesa do Compasso da Minha Infância

 



Estas flores, cujo nome desconheço ainda, que tenho no Jardim, costumam florir por altura da Páscoa; trouxe um caninho do jardim da minha mãe, e ela por sua vez levou o dela de casa da minha avó paterna. O jardim da minha avó, onde eu tanto brinquei, já não existe, portanto, gosto ainda mais, suponho, de saber que existem estas flores vindas de lá e que me evocam tempos de infância, que me marcaram pela simplicidade, bucolismo, família, e solidão, o que não era necessariamente mau. Quiçá veio dessa vivência o meu pendor solitário, que estimo como uma qualidade. 

Mas a história que queria contar sobre estas flores relacionam-se com a Páscoa. A minha memória mais antiga sobre esta data, é fotográfica; a mesa da sala que a minha mãe decorava, para receber "A Cruz", ficava lindíssima, e lembro-me de a observar ao nível do meu olhar; a toalha especial de croché bordada, com pratinhos de vidro de Doces Brancos, outros de biscoitos amanteigados, e por toda a mesa amêndoas baunilhadas tipo francês da Costa Moreira, brancas e rosa, e por entre tudo isto, estas florzinhas espalhadas por toda a superfície. 
Obviamente, não podíamos tocar em nada enquanto o Compasso não passasse, mas eu e as minhas irmãs não resistíamos a surripiar uma ou duas amêndoas, enquanto esperávamos. 
Eram dias felizes. 

Feliz Páscoa!



segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Azevinho aos Molhos

Imprescindível na decoração desta época; via

A propósito dos comentários preocupados que li, sobre uma coroa que a Alice na Montanha fez, relativamente ao azevinho, fiquei a pensar que se houve realmente um tempo em que este arbusto esteve efectivamente em extinção, não me parece que seja actualmente o caso. Aliás, ser menos abundante do que outrora não significa que esteja em extinção. 

Nos meus passeios na natureza, como no Gerês, encontro azevinho em abundância, e nos jardins particulares é também bastante comum; nós temos uma árvore, que me foi oferecida há cerca de 10 anos, em vaso, e que passei para a terra onde ficou anos sem dar as bolinhas vermelhas que lhe emprestam aquela graça tão natalícia (chegaram até a dizer-me que nunca daria, porque era "macho"!), e o meu marido chegou a querer arrancá-lo, mas eu resisti, e o azevinho acabou por nos brindar com todo o seu esplendor!

Portanto, sem grandes cuidados passou a árvore que já ultrapassa o terraço em altura, o que me prova que é resistente o suficiente para ser cultivado por qualquer pessoa. Se essa estorinha da extinção vos fizer sentido a solução é fácil. Eu tenho azevinho para mim, para dar e vender, se muito bem me aprouver. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Vida é Esperança


Ontem estava a sentir-me muito em baixo, preocupada, com os incêndios repentinos e simultâneos que deflagraram em Portugal, e apesar de não os ter próximo da nossa Vila estavam presentes; o ar estava irrespirável, não se vendo o céu, coberto por uma neblina espessa de fumaça; porém, ao regar o jardim encontro estas três lindas criaturas, e algo no meu interior mudou; senti maravilhamento e esperança. 

São lagartas da "Papilio machaon", as lindas borboletas "cauda-de-andorinha", duas já instaladas na arruda, e outra encaminhando-se para lá. Se pretenderem ter destas borboletas no vosso jardim, ou varanda, convidem-nas, oferecendo-lhes arruda. Já as temos no nosso jardim há dois anos, desde que plantei arruda, e de todas as vezes que as descubro sinto a mesma alegria. Que bênção!  

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Notícias do Jardim

 


Em Junho o jardim está maravilhosamente perfumado, sobretudo pelas Coroas-de-rei, e Madressilva, que produzem um odor subtil e espantosamente agradável, fazer um perfume com esta combinação, não sei se já existirá, parece-me que seria um sucesso estrondoso. Só por respirar estes cheiros já fico feliz, cada vez que estou lá fora. Porém, há mais. 
O pé de Brincos-de-Princesa não pára de produzir flores, as hortênsias brancas estão com uma floração abundante, as hortênsias azuis com floração moderada, e a rosa tem somente 3 flores, o que comparativamente com o ano passado é um sucesso, já que tinha sido 0.

A roseira cor-de-fogo tem produzido botões non-stop, desde há 2 meses, e as dálias brancas, cujos tubérculos ficaram na terra durante o Inverno, e se adiantaram relativamente às outras, também tem tido uma floração espantosa. 

 

Os morangueiros têm sido produtivos q.b. e o framboeseiro também mas com imensas flores, pelo que antevejo produção abundante brevemente. A videira não tem tantos cachos como em 2023 mas estão mais saudáveis, de notar que não leva tratamento algum. E o jovem pé de maracujaleiro da bordadura também está carregado de frutos, ao contrário do que está no vaso, cujas flores caíram secas, embora sendo sempre regado, umas após outras, a terra faz toda a diferença. As abelhas apreciam, e eu adoro proporcionar-lhes este banquete. 


As saudades rosa têm também produzido flores em número razoável, mas de forma consistente, e por serem duradouras, são um elemento indispensável no jardim. Assim como os gerânios, produziram todo o Inverno, e continuam. 

Persisto na caça nocturna dos caracóis, que, quando me esqueço de lhes colocar as campânulas, em apenas uma noite conseguem devorar um pé promissor de dálias, e deixar apenas um caninho estéril, como provocação. Não me dão tréguas... mas faz parte, se não quero matá-los. E por isso, acabei de retirar as Hostas da terra, e transplantá-las em vasos, estavam a ser dizimadas, estão agora em recuperação. Queria tê-las na bordadura e vou tê-las, mas somente quando estiverem frondosas, e envasadas. Assim posso retirá-las à noite, para evitar esses ataques. Que trabalheira, não é?! Pois, quem jardina sabe que dá muito trabalho. Mas é tão compensador! 

Tenho feito arranjos florais para a mesa da sala de jantar e hall de entrada com as minhas flores, e isso causa-me uma satisfação tremenda, embora sempre que corte um pé de flor hesite, gosto tanto de as ver lá no jardim! Então, tento fazer cortes equilibrados para que tanto fora de casa como dentro haja beleza natural e cor. 

O nosso Jardim está tal qual um jardim Inglês, abundante, desordenado, algo selvagem e muito verde! Esta chuva copiosa tem resultado nisto, uma visão verdejante, um panorama fresco e vivo. Sinto-me tão feliz de cada vez que o contemplo, mesmo através da porta da sala, que magnífica visão!

quinta-feira, 11 de abril de 2024

A Multiplicação das Aromáticas


Já lhe aconteceu comprar vasos de aromáticas e rapidamente as ervas morrerem? A mim acontecia-me muito, independentemente do cuidado que tinha com elas. Entretanto, vi esta dica na página do French Gardener, no Instagram, e parece-me que realmente dá certo, por isso partilho.

Acontece que os vasos de compra estão sobrecarregados com pés das ervas e começam a atrofiar por falta de espaço; a solução é dar-lhes espaço, retirando a planta do vaso original e dividindo as raízes, cuidadosamente por 3 ou 4 porções, e plantar cada uma delas em 3 ou 4 vasos. Depois, é cortar as folhas pelas pontas para que o pé volte a rebentar imediatamente abaixo, e continue a produzir. 
Eu dividi por 4 o que resultou em 4 vasos bastante abundantes. 

Agora é aplicar isto a todas as outras aromáticas, para ter ervas durante muito e muito tempo!  

quarta-feira, 13 de março de 2024

Março no Jardim

 


Em Março é altura de semear: ageratos, assembleias, ásteres, cóleos, boas-noites, cravos, perpétuas. E de plantar: anémonas, dálias e trevos.  

As dálias que deixei na terra já rebentaram, e já tive que as proteger dos caracóis e lesmas, com as campânulas que fiz de garrafas de plástico. Vou hoje tratar de plantar os tubérculos que guardei numa caixa de cartão, cobertos com papelão. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Notícias do Jardim - Verão

 

Publicado assim até parece que o meu jardim foi muito mais colorido e abundante, do que realmente foi; as flores foram desabrochando ao seu ritmo (definitivamente não ao meu!) de forma que todos os dias havia novidades, ainda há, aliás e felizmente, muitos botões para desabrochar. E foi sempre com uma visita matinal, ao jardim, que comecei os meus dias. 

Da minha vistoria ao jardim faz parte a descoberta de insectos, dos habituais ou dos novos que foram surgindo devido às plantas introduzidas este ano, como a arruda, de quem as larvas de borboleta parecem gostar particularmente. Uns deixam-se fotografar, outros são mais esquivos, mas ainda assim fico feliz só de os ver e saber que frequentam o nosso jardim; hoje de manhã vi uma libélula enorme, que deu uma volta ao jardim e se foi sem que eu tivesse tempo de mais nada para além de a observar maravilhada. 


E por fim, a ultima das recompensas, as framboesas e morangos que não sendo em grandes quantidades são suficientes para fazer batidos, decorações de bolos e panquecas, e até para oferecer uma caixinha, uma vez ou outra, e as flores que decoram as mesas. E quase me esquecia, as uvas! Que não sendo tratadas quimicamente, são abundantes e deliciosas.
 
É  muito gratificante ter um jardim, em todos os sentidos.  
Aconselho a todos, com jardim ou apenas um terraço ou varanda, para além da terapia é um passatempo que dá frutos, e não só em sentido figurado, como podem ver. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Arranjo Com flores do Jardim


Tratar do jardim proporciona-me imensa satisfação, adoro ver o resultado, as flores a desabrochar e o seu colorido pontual pelos vasos e bordadura. Por isso, reluto muito em cortá-las para as pôr em jarras, e raramente o faço, escolhendo poucas, que misturo com folhas verdes.


Para a jarra "pique-fleur" que está no centro da mesa da sala, cortei duas dálias, algumas saudades roxas, um pé de menta em flor e fetos.

Como os dias têm estado chuvosos e até frios, temos feitos as refeições dentro de casa, portanto, é preciso trazer o jardim para o interior.  

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Notícias do Jardim: A Primeira Dália

 


Há semanas que vejo dálias floridas, mas para minha frustração as nossas flores estão sempre atrasadas, creio que devido à exposição solar limitada, portanto, quando cada flor desabrocha, é dia de festa, para mim. 

Comprei os tubérculos desta na Feira, ao lado estão os tubérculos do ano passado, que desenterrei e voltei a enterrar, no início da Primavera, e estão fortes, viçosos e com imensos botões, muito mais saudáveis do que os tubérculos que deixei na terra todo o ano, era uma experiência que queria fazer. Mas ainda não desabrocharam. Porém, estamos no início de Verão, é só preciso ter paciência, algo que a jardinagem me continua a ensinar. 

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Verão no Jardim

 

Inaugurar o mês dos Santos Populares: manjerico e pratos de barro
 

Há muito que deixei de ver as notícias, mas de uma forma ou outra, sobretudo porque há pessoas que fazem questão de as repetir, inevitavelmente muitas das "notícias" chegam até mim; é o caso da seca extrema, e da promessa de um Verão muito quente, devido às alterações climáticas. 

Não me alarmei porque, obviamente, já percebi que os profetas da desgraça são um autentico logro e em questões de adivinhação mais vale não sofrer antecipadamente, o futuro a Deus pertence. Por outro lado, via o caudal do Rio bastante normal, nada de preocupante. E a chuva que caía de quando em vez, e até logo após aqueles dias quentes de Maio. Poucas vezes reguei o jardim, ao contrário do ano passado, e ele está verdíssimo, como se vê na foto. 

Ainda não ousamos montar a mesa no jardim, temos usado a mais pequena, por ser facilmente desmontável, e praticamente, dia-sim, dia-não, tem que ser recolhida porque surge uma chuvada. 

Entretanto, ainda não inauguramos a época das jantaradas de verão no jardim, para a família alargada e amigos, temos sido apenas nós, mas espero que entretanto o Verão venha como habitualmente, para nos proporcionar tudo de bom, como sempre. A vida é para ser vivida sem medos. Muito menos medos hipotéticos. 

quarta-feira, 7 de junho de 2023

"Será que as crianças ainda cheiram as flores?"


 Tirei foto a esta ervilha-de-cheiro com o telemóvel, e partilhei-a no FB, dizendo que o seu perfume me reportava à infância, e perguntando "será que as crianças ainda cheiram as flores?", à qual recebi muitos comentários, deveras interessantes. O que me fez reflectir ainda mais sobre o assunto, e ter vontade de partilhar, mais extensamente, aqui, no blogue. 

Que eu me debruçasse sobre as flores para apreciar os odores não era nada de excepcional, na minha infância todos os fazíamos. Passávamos muito tempo ao ar-livre, grande parte das nossas brincadeiras eram no exterior, nos quintais e jardins uns dos outros, estávamos em contacto directo com a natureza. Toda uma realidade que, praticamente, se extinguiu. 

Actualmente, a vida das crianças faz-se desde cedo entre quatro paredes, a vida profissional dos pais dificulta igualmente a saída para os espaços livres, e as actividades lúdicas principais, senão únicas, passaram a ser virtuais, jogos, vídeos, etc. . E precisamente um dos comentários recebidos dizia "Talvez prefiram cheirar os telemóveis". 

Houve também quem partilhasse vivências infantis alheias, uma criança que acompanhada pela avó comentava o cheiro das flores no ar, e que "cheirava a Primavera", prova de que estes episódios se tornaram raros, e por isso ficam na memória de quem os presencia.

Felizmente, algumas mães comentaram que sim, que os filhos cheiram as flores, mas essas mães são aquelas que as plantam, que as têm em casa, e que também as cheiram. O exemplo é sempre fundamental. 

Para mim, a nossa memória olfactiva é talvez a mais importante, porque no momento em que se activa me transporta ao tempo passado e me provoca as mesmas emoções da época. São memórias muito vivas. Como se estivessem alojadas num comportamento à parte, mais directamente ligado às emoções. No caso, cheirar uma flor permite-nos saber identificá-la, associando o odor ao visual, e realizar uma conexão imediata com o reino vegetal. Por momentos, acontece uma fusão entre nós e a flor, somos unos, e é uma sensação maravilhosa, que causa bem-estar, e propícia sentimentos de alegria e maravilhamento. Não é coisa pouca! 


Finalmente, houve quem comentasse que já não se lembrava de ver Ervilhas-de-Cheiro (pertencem às flores antigas dos jardins, saíram de moda!), e quem tinha semeado sem sucesso. Este é o segundo ano que semeio e com bons resultados. 
Faço assim: Comprei as sementes na Feira, coloquei-as em água de um dia para o outro, para activar a germinação. Dispus 8 rolos de papel higiénico num tabuleiro plástico (de cogumelos)que enchi até meio de terra, coloquei em cada quatro sementes, cobri com mais terra. Deixei o tabuleiro no parapeito da cozinha, do lado de dentro, fui regando, e em poucos dias as plantas nasceram. Deixo-as crescer dentro de casa até atingirem mais ou menos 10 centímetros, aí passam para a terra ou vaso, com rolo e tudo, afinal é biodegradavel. 
Para que produzam mais flores, depois das duas primeiras folhas, corto-lhe o caninho principal,deste modo vai obrigar a planta a crescer 2 "braços" laterais. Das primeiras vezes que o fiz custou-me um bocado, parecia que estava a mutilar a planta, mas na verdade isso fortalece-a, e os resultados são visíveis. 

Espero ter animado alguém, é aliás uma óptima actividade para se realizar com as crianças, se for o caso, garanto que vai valer a pena! 

quinta-feira, 16 de março de 2023

Sente-se no ar


Depois dos dias, realmente, invernosos de Janeiro, curtos e frios, veio Fevereiro com alguns dias de sol já aquecendo a pele; e eis Março, que deixa antever pelas frestas da chuva e céu cinzento, a promessa da Primavera breve. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Biodiversidade não é mito!

 

Faltam as joaninhas pretas e vermelhas, mas tb vieram!

Nunca antes me apercebi tão bem de como funciona a biodiversidade! Talvez porque fui eu a responsável para que isso aconteça no nosso jardim, ao plantar tantas e diversas flores e plantas, e também esteja mais vigilante, mas é realmente maravilhoso ver que funciona. 

Começo as manhãs por dar uma voltinha no jardim e observar as plantas, e encontro sempre algum insecto novo, a diversidade de aranhas é fascinante, não me impressionam nada, são apenas outro habitante no jardim, mas a quantidade de abelhas, vespas, abelhões, borboletas, joaninhas ( estas são pretas com bolinhas amarelas, mais raras por aqui), saltitões,louva-a-Deus, e outros cujos nomes desconheço, assim como este melro mais destemido que durante dias seguidos veio desafiar os vigilantes predadores. Gatos, gatos... por vezes desesperam-me...

Uns consigo fotografar, outros são mais fugazes, mas ainda assim fico contente só de os ver aqui. Tão precioso!

terça-feira, 26 de julho de 2022

As flores do jardim

 


Não há como a Primavera e Verão para nos deslumbrarmos com os jardins. Começar o dia observando as flores é uma das formas mais satisfatórias que conheço, para entrar num novo dia com alegria e boa-disposição. 
 
Os ingleses fazem uma coisa muito interessante e bonita, dentro das suas localidades, que é abrir os seus jardins ao público, e jardineiros e não-jardineiros, mas certamente apreciadores de jardinagem, impregnam-se de beleza, inspiração e motivação, usufruindo de momentos mágicos. Gostava imenso que uma tradição dessas se estabelecesse também em Portugal, mas a globalização parece contemplar apenas o menos positivo. Enfim, vamos passeando virtualmente pelos jardins da net. 


A jardinagem é uma actividade terapêutica, momentos de ligação entre as pessoas, natureza e reino animal. E quem não tem jardim não deve retrair-se por falta de espaço, passamos a vida a encontrar desculpas, mas a situação e momento ideal não existe. 


Aproveitem então o que têm, uma varanda uma marquise, o interior da casa! Estes dias contaram-me sobre alguém que tem um verdadeiro jardim dentro de casa, só na sala tem mais de 100 plantas! Impressionante, não é?




Ver a evolução do jardim ao longo das estações é também algo novo para mim, o desafio é continuar a ter plantas viçosas e flores coloridas, durante os meses de outono e Inverno. E aprender os nomes, e características. É sem dúvida um plano a longo prazo, que a cada dia me provoca sentimentos de recompensa e gratidão. 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Dálias no centro da mesa

                              

Estas foram as primeiras dálias que cortei e pus no centro da mesa. Dado que não poderia cortar um ramalhete, por não ter flores suficientes, escolhi essas duas mini-jarras, estilo Lalique, que nunca antes tinham sido usadas com flores (limitam-se a existir em cima do armário da tv, por serem suficientemente bonitas, com as suas bacantes em relevo), e gostei!



Mas ainda tenho esperança de chegar a colher um ramo mais farfalhudo, afinal os botões das dálias estão a bombar, no jardim. Já contei 49! O meu dilema é que as quero aqui, mas também as quero lá...