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quinta-feira, 17 de abril de 2025

A Mesa do Compasso da Minha Infância

 



Estas flores, cujo nome desconheço ainda, que tenho no Jardim, costumam florir por altura da Páscoa; trouxe um caninho do jardim da minha mãe, e ela por sua vez levou o dela de casa da minha avó paterna. O jardim da minha avó, onde eu tanto brinquei, já não existe, portanto, gosto ainda mais, suponho, de saber que existem estas flores vindas de lá e que me evocam tempos de infância, que me marcaram pela simplicidade, bucolismo, família, e solidão, o que não era necessariamente mau. Quiçá veio dessa vivência o meu pendor solitário, que estimo como uma qualidade. 

Mas a história que queria contar sobre estas flores relacionam-se com a Páscoa. A minha memória mais antiga sobre esta data, é fotográfica; a mesa da sala que a minha mãe decorava, para receber "A Cruz", ficava lindíssima, e lembro-me de a observar ao nível do meu olhar; a toalha especial de croché bordada, com pratinhos de vidro de Doces Brancos, outros de biscoitos amanteigados, e por toda a mesa amêndoas baunilhadas tipo francês da Costa Moreira, brancas e rosa, e por entre tudo isto, estas florzinhas espalhadas por toda a superfície. 
Obviamente, não podíamos tocar em nada enquanto o Compasso não passasse, mas eu e as minhas irmãs não resistíamos a surripiar uma ou duas amêndoas, enquanto esperávamos. 
Eram dias felizes. 

Feliz Páscoa!



quarta-feira, 10 de julho de 2024

Redenção

 


Veio do jardim da minha infância, e basta eu mergulhar no seu odor para me surgirem memórias longínquas; eu criança meia-selvagem, a vaguear sozinha entre as flores, onde o zumbido das abelhas e o voo de abundantes borboletas me leva, para, minha vergonha adulta, as caçar. 
Eu transpirada, colante, indiferente a tudo, para estar ali, debaixo do sol abrasador. E o odor das Saudades-roxas intensificado pela elevada temperatura. 

Faço agora do meu jardim área protegida para as borboletas, com arruda, videira, Saudades-roxas, abrigo e alimento.