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É o segundo livro de Liu Cixin que leio, em continuação de " O Problema dos três corpos", sendo que da trilogia que compõe foi o favorito do meu filho. Eu queria saber porquê, e francamente foi isso que me motivou a leitura.
Já tinha feito uma breve apresentação do autor, que é um dos mais conceituados da China contemporânea, aqui, pelo que saltarei esse aspecto.
Eu gosto bastante de ficção-científica, porém este livro contém demasiada ciência para uma leiga como eu, ainda mais do que o primeiro, que sem cultura nessa área, não sei distinguir quanto é ciência e quanto é ficção, o que é imensamente frustrante.
Neste livro, a humanidade aterrorizada sabe que está ameaçada por uma civilização alienígena, Trisolaris, que chegará dentro de quatro séculos, e por isso as mais importantes instituições internacionais escolhem quatro mentes brilhantes para elaborarem um plano que salve a Terra.
O problema é a existência dos "cognis", partículas sub-atónicas, uma espécie de espiões omnipresentes, que transmitem a Trisolaris absolutamente tudo o que se prepara na terra, e os planos que se executam são boicotados pelo inimigo. É, por conseguinte, necessário que estes homens desenvolvam as estratégias no mais alto sigilo. Dentre eles destaca-se Luo Ji, uma escolha desconcertante, inclusivamente para ele próprio, e que irá ser o personagem principal d'A Floresta Sombria.
Algumas vezes, espantei-me com temas que não julguei encontrar numa sociedade tecnológica e futurista, como a importância da religião, pior, a crença no Inferno, e até o uso de dinheiro físico. Não me parece de todo verosímil, e muito menos que o eixo Europa-Estados Unidos-China seja preponderante no planeta. E a ONU existir?! Nem pensar. Pareceu-me que esta narrativa tem o foco na tecnologia, na ciência, e a humanidade paira por ali como acessório necessário, porém, sem a riqueza que possui e merece.
À medida que lia o livro o Duarte ia-me perguntando "Já sabes o que é A Floresta Sombria, mãe?", por duas vezes respondi algo que ele rejeitou, e cheguei a preocupar-me com a possibilidade de não conseguir responder a essa questão, o que só confirmava a minha opinião de que o livro era demasiado denso cientificamente, e eu não tinha bagagem para ele. Todavia, quando cheguei à parte em que a resposta surge, identifiquei-a com clareza. Só não tinha ainda chegado lá.
Também percebi o que atraiu o Duarte neste livro, é uma opinião que lhe faz sentido, relativamente ao nosso lugar no universo; eu discordo, acho-a demasiado negativa e assustadora. Enfim, opiniões e gostos, e numa pesquisa breve pela internet encontrei rasgados elogios ao livro, parece que eu sou uma excepção.
Título: A Floresta Sombria
Autor: Liu Cixin
Editora: Relógio de água
Nr de págs: 531
